.Em um sebo encontrei um opúsculo de Vinicius de Moraes,
cuja poesia muito me agradou sempre, um homem que nasceu para cantar as mulheres.
Quer dizer, cantar no sentido de louvar. Se bem que no caso do poetinha acho
que o outro sentido, o de seduzir, rolava amalgamado e não consta que alguma de suas musas haja reclamado no Procon, no STJ nem na mídia televisiva e impressa.
Também neste pequeno livro, as poesias versam sobre as mulheres - assunto
recorrente do poetinha - observadas agora sob o ponto de vista do zodíaco, com
um olhar todo especial que só o talento de Vinicius podia trazer bem longe das
baboseiras de praxe que o assunto parece atrair. Achei que mostrar aqui seria uma forma singela mas sincera de homenagear o autor do Soneto da Fidelidade na passagem da data do seu centenário, sendo também
um bom pretexto para eu fazer uns traços e rabiscos à guisa de ilustrações. Aqui neste bloguito postarei todo o Horóscopo escrito em belos versos em que Vinicius deslinda a alma de cada uma das mulheres dos signos do zodíaco. De forma original, bela e única que nenhum Horóscopo jamais mostrou pois somente o amado Poetinha teria a criatividade necessária para preparar para vocês, doces meninas.
29 agosto 2020
20 agosto 2020
Vitor Souza, pastor de muita fé, colorista, ilustrador, designer gráfico e escritor.
Um personagem de história em quadrinhos chamado Xaxado foi
quem me apresentou ao meu amigo Vitor Souza, competente professor de Teologia e
dedicado pastor, designer gráfico e colorista dos melhores. Trocando em miúdos, bem antes de ser amigo de
Vitor eu já o era do desenhista Antonio Cedraz, criador de diversos personagens
de quadrinhos, sendo o mais famoso deles um menino nordestino, um pequeno
sertanejo que usa um chapéu de couro, atende pelo nome de Xaxado e é neto de um autêntico cangaceiro. Cedraz, tão sertanejo quanto seu
personagem, desde seus dias de infância no interior da Bahia era um grande
apaixonado por quadrinhos. Sonhava ter os personagens criados por ele tão
cultuados quanto os de outros já consagrados profissionais. Pensando nisso, trabalhou
sozinho com perseverança, depois decidiu que era chegada a hora de ter um
estúdio e formar uma equipe para produzir seus quadrinhos. Montou seu tão sonhado estúdio e abriu uma
editora, a Editora Cedraz, disposto a publicar e divulgar suas criações.
Começou a selecionar pessoas que tivessem competência e vontade de fazer
quadrinhos. Logo arregimentou gente disposta a trabalhar firme para tornar
realidade o sonho dourado de viver de histórias em quadrinhos na Bahia. Dentre essas pessoas selecionadas, estava Tom
Figueiredo, literato premiado, argumentista e roteirista de quadrinhos, estava também Sidney
Falcão, desenhista profícuo, de grande habilidade, que assimilou com competência
o traço de Cedraz e, last but not least, integrava essa turma Vitor Souza, que no estúdio, é claro, não atuava como pastor nem dava aulas deTeologia. O que Vitor fazia por lá, entre outras coisas, era colocar títulos, letras e balões nos desenhos e
colorir digitalmente as histórias que surgiam da cuca de Tom e Cedraz e eram
desenhadas por Sidney e pelo próprio Cedraz, a maioria delas com o menino
Xaxado que, graças ao seu carisma, havia se tornado o personagem principal e o
carro-chefe do estúdio ensejando a produção de centenas de tiras e páginas, sendo
a grande maioria colorida por Vitor que, de novato na arte de colorir, foi se
aperfeiçoando e se tornando um profissional competente e habilidoso, dominando
o uso de diversos programas, ficando íntimo das cores digitais e não apenas isso, das cores em
si, suas nuanças, seus matizes, sua linguagem cheia de sutilezas e de
possibilidades. Eu gostava de visitar Cedraz no estúdio, era estimulante ver o
trabalho que ele e sua equipe desenvolviam com tanto carinho. Ali naquele ambiente pude presenciar Vitor Souza
colorindo o Xaxado. A cada visita minha ao estúdio, enquanto ele letreirava ou coloria, conversávamos
animadamente e eu gostava de ouvi-lo falar com propriedade sobre os temas mais
diversos, cinema, política, sociedade, quadrinhos e um mundo de coisas
interessantes. Vitor sempre foi o tipo de gente que gosto de ter como amigo, um cara muito bem informado, com saberes fundamentados através de leitura de
livros e revistas de qualidade, cinema, Internet. Nessas fontes que bebia
captava informações importantes o que propiciava que ele falasse das coisas com
conhecimento de causa. Sendo ainda bem jovem sempre mostrou ter ideias maduras e uma mente aberta, sabendo argumentar com grande embasamento, sem radicalismos. Sabia ouvir e falar na
hora certa, mostrando personalidade, sem querer ser o dono da
verdade. Findamos por nos tornar amigos próximos e, inevitavelmente, começamos a trabalhar
juntos, a misturar nossas artes, eu com meu desenho, ele com suas cores e seu
trabalho de designer gráfico. Vitor, além de profissional competente, é um ser
humano de boa índole que batalha muito para ser feliz ao lado da própria família. Não sou religioso como ele o é, nem tenho as relações sólidas com Deus como ele as tem, mas mesmo sem maiores intimidades, tenho lá minhas ligações com o Criador e quando rezo pedindo a felicidade de gente da
minha estima, peço ao Onipotente que contemple com paz e concórdia a caminhada de tão bom amigo. E que a vida de Vitor e sua família
possa ter sempre a mesma maravilhosa harmonia que ele magistralmente consegue
dar às suas cores.
( As ilustrações desta postagem são da HQ Em Terras Americanas com argumento de Tom S. Figueiredo, desenhos de Setúbal, com colorização e letreiramento de Vitor Souza.)
(220716)
06 agosto 2020
O cartunista Simanca, Fidel Castro, Cuba e Bahia
É do bravo comandante Fidel Castro o olhar nostálgico que perlustra o mar caribenho nesta tépida noite de estio em que intenso plenilúnio ilumina toda esta Baía dos Porcos. Doces reminiscências povoam a mente de El Comandante, certamente evocando vitoriosas pelejas contra esbirros enviados pelos porcos imperialistas ianques em pretérito não muito distante aqui neste mesmo cenário. Aboletado sobre larga rocha, Fidel Alejandro Castro Ruz abre uma caixa de madeira onde guarda um tesouro dos mais preciosos, seus puros cubanos. Prelibando os doces momentos vindouros, vagarosamente retira da caixa um dos charutos, acende-o e saboreia cada baforada demonstrando inebriante prazer. Neste preciso instante entra em cena um outro personagem, o adolescente cubano Osmani Simanca, ainda um cartunista neófito mas muito promissor. Eis que por ali passando, este novel avista Castro em pleno deleite tabagístico e inocentemente toma a iniciativa de solicitar-lhe um charuto para compartir tão prazeroso momento. Indignado, com chispas nos olhos, a mão deslizando para o coldre à cintura, o líder guerrilheiro vocifera: "Que puerra es esta, pendejo?! Quierendo hacer socialismo moreno con mis sabrosos puritos?! Sarta fuera, bundón!!". Assustado com a virulenta reação, o jovem Simanca tratou de evadir-se, célere, balbuciando em solilóquio: "Hay que adolescer, péro sin perder mi gostosura!". Praguejando contra Fidel Ruz e todos seus compañeros revolucionários, Osmani cogitou que poderia sofrer una retaliación nel paredón e decidiu que, para preservar sua vida que ainda adolescia, teria que se picar rapidinho da ilha. E foi o que fez, embarcando em uma lancha que fazia a linha Havana-Isla de Itaparica, na Bahia. De lá pegou um ferry-boat para Soterópolis. Na capital da Bahia chegando tratou de invadir a redação do jornal A Tarde armado com lápis e pontiagudas penas para nanquim, preconizando que era chegado o momento de se fazer uma revolução gráfica no tradicional periódico baiano. Desse heróico dia muito tempo já transcorreu e de lá para cá muitos jornais impressos, atingidos pela crise econômica mundial e pela chegada impactante da internet em nosso cotidiano, foram indo pras cucuias, outros sobrevivem a duras penas. Devido tais fatores e outros mais como a sempre deplorável censura editorial, muitos profissionais foram dispensados das redações, inclusivelmente os desenhistas gráficos, entre eles Osmani Simanca. Mister se faz ressalvar-e que enquanto exercia com competência sua função de chargista no periódico soteropolitano Simanca deixava muito claro que jamais perdoara Fidel Castro pelo incidente entre ambos naquela noite na Baía dos Porcos. Seu amor por Cuba jamais arrefeceu, mas recebia com indiferença certas notícias vindas de lá. Não quis nem saber quando Fidel, por ordens médicas, já não fumava mais seus tão apreciados puros e, já provecto, passara o comando de Mi Crocodilo Verde para seu hermano Raúl. Isto em nada animou Osmani a retornar à sua amada Cuba que é tão dele quanto de Celia Cruz, Bola de Nieve, Nicolás Guillén, Pablo Milanés, Rita Montaner, Ninon Sevilla, Perez Prado, Bienvenido Granda, La Lupe, Carlos Puebla, Omara Portuondo, Antonio Machin, do pessoal do Buena Vista Social Club e de tantos outros cubanos notáveis. Vivendo na Bahia há tanto tempo, Simanca abaianou-se de tal forma que já não quer mais saber de beber su mojito en la bodeguita, prefere entornar umas caipirinhas no Mercado das Sete Portas, já não dança salsas, rumbas ou chá-chá-chás, só quer mesmo saber de quebrar em sambões. Tornou-se Mestre em capoeira, não perde um só Ba-Vi na Fonte Nova e já está providenciando mudar o seu nome para Osmani Caymmi Amado Rocha Ubaldo Veloso Gil Simanca.
.........Para ver mais trabalhos do cartunista Simanca, clique no link:
(241013)
04 agosto 2020
A noite em que Raul Seixas baixou em Rita Lee
Raul Seixas, o rock'n roll brasileiro em pessoa, de blue jeans, blusão de couro, de barba ou cavanhaque, topete e de óculos escuros, na falta de um providencial colírio. Quando era ainda um pequerrucho, um glabro maluquinho belezinha, Raul foi alimentado com suculentas mamadeiras de rock'n roll. Já um adolescente, Raulzito tomou muito rock em copos duplos, em garrafas e também rock na veia. Viveu a vida como um roqueiro autêntico e como um legítimo roqueiro se foi deste planeta na carona do homem do disco voador. A cantora e compositora Rita Lee, alma d'Os Mutantes, bem mais light - mas com muitíssimo talento e irreverência - trilhou o rock por caminhos que escolheu trilhar, bem menos heavy. Até que um dia, roqueira de corpo e alma, mas já uma senhora, resolveu se despedir dos palcos. Numa dessas despedidas, em Recife, viu-se na obrigação de dizer umas tantas e boas para policiais truculentos que estavam agindo com extrema violência contra jovens fãs de sua empolgada plateia. Disse aos fardados o que eles precisavam ouvir e por eles foi detida e conduzida aos costumes para uma delegacia de polícia como se fora qualquer adolescente roqueira. Lá seguiu bradando sua mais que procedente indignação, o seu protesto de artista mui consciente de que sua arte vai além dos cifrões. Não se calou, disse o que era preciso ser dito aos brucutus fardados. Certamente o espírito de Raul Seixas, o Maluco Beleza, baixou na cantora e ela fez o que uma autêntica roqueira teria que ter feito. Titirrane, Rita Lee, titirrane! Tá rebocado!
(020613)
(020613)
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03 agosto 2020
Um Puto fascista em Portugal a serviço do Capitão Falcão e de Salazar.
Capitão
Falcão é um militar treinado marcialmente para salvaguardar a ditadura em
Portugal e, por extensão, proteger o ditador Antonio de Oliveira Salazar,
criador do Estado Novo. Falcão ama tanto o despótico Salazar que, em dado
momento, o oficial toma nos braços o déspota e com sofreguidão beija-lhe longamente a boca
fascista em um ardoroso ósculo que denota a desmesurada paixão vigente entre ambos. A
cena é de uma comédia do cinema português, em filme de 2015 dirigido em pelo
cineasta luso João Leitão, que também é responsável pelo argumento e pelo roteiro, sendo esse em parceria com Núria Leon Bernardo. Falcão, com sua máscara preta, faz uma linha de herói que muito
tem a ver com o Batman e ainda mais com o Capitão América, patriótico e ufanista combatente
ianque que devasta os inimigos de seu país. A ideia inicial era fazer de
Capitão Falcão uma série para a TV de Portugal. O projeto não avançou. O
argumento foi reescrito e adaptado para o cinema, virou filme, alcançou bom
público nas salas de exibições lusitanas, e acabou conseguindo ser exibido no
formato minissérie nas telinhas pela RTP. Já li reportagens de alguns cineastas
espanhóis reclamando da vida, da dureza que se tornou fazer cinema na Espanha.
Não falariam isso à toa, mas a verdade é que, em termos de produção, o cinema
espanhol tem dado um show nas películas que produz, o que não acontece com
Capitão Falcão, de produção bem modesta, comparada às hispânicas e tantas mais.
Ainda assim, o filme de Leitão surpreende positivamente com o elenco dando bem
o seu recado. Capitão Falcão, o herói fascista, inimigo ferrenho de comunistas, esquerdistas de correntes as mais diversas e liberais em geral, é interpretado por Gonçalo Waddington
enquanto José Pinto interpreta o ditador Salazar. O argumento e o clima do
filme em alguns momentos fazem lembrar, ainda que de forma distante, o clima do
humorístico brasileiro feito pelo grupo Casseta & Planeta e a TV Pirata.
Com menos escracho, bem mais contido, mas com gags e detalhes de muita hilaridade.
Curiosamente, Falcão batizou seu fiel ajudante de Puto Perdiz, o que para nós,
do Brasil, soa hilário por si só, pelas diferenças no uso do Português, nossa língua
comum, nem sempre tão comum assim. Aqui a palavra puto é pouco usada em sua forma masculina, e com sentido diverso do uso comum em Portugal. Na terra de Fernando Pessoa, os meninos ainda bem
pequeninos são chamados de miúdos, enquanto os meninos maiorzinhos, já adentrando
a adolescência, são chamados de putos, a exemplo da Itália, em que é comum chamar-se os meninos de puttos, designação oriunda do batismo daquelas esculturas ornamentais
de anjinhos alados de capelas e igrejas, os puttos,
putti, puttinos. No Brasil sabemos que impera um autêntico monopólio na exibição de filmes oriundos do cinema made in USA, e por aqui um filme português como Capitão Falcão praticamente não tem chances de ser exibido nos cinemas regulares. Cônscios disso, cinéfilos brasileiros juramentados não se cansam de tecer loas à internet
por proporcionar o milagre de podermos assistir via online a filmes não encontradiços nas nossas salas de projeções, como essa comédia que mostra que os portugueses, além de serem bons de fado e de literatura, são também bons de humor e de cinema, o que se percebe através das imagens que mostram um Portugal dominado pelo Estado
Novo e sob atenta vigília do Capitão Falcão e de seu amado Puto.
(22/11/16)
(22/11/16)
02 agosto 2020
O Coronga vai às compras.
Em um mercadinho de Pituaçu, bairro soteropolitano, funcionários e clientes (felizmente todos usando máscaras, conforme ditames oficiais) falam alto trocando diversificadas ideias sobre o coronga e a pandemia. Em 40 minutos que os escuto, sem mostrarem um pingo de discernimento nem a menor gota de bom senso, permutam enganos, escambam falácias, mentiras e mais sofismas e distorções dos fatos do que se pode ouvir em horário nobre no JN, mais fakenews que o gabinete do ódio. Tanto escutam quanto proferem toda sorte das mais absurdas inverdades adquiridas de mui suspeitas procedências. E fazem tudo com a mais convicta das certezas, o mais absoluto dos contentamentos nos rostos humildes como se nenhuma epidemia os ameaçasse, nenhum vírus aniquilador os intimidasse, sequer existisse. E ai de alguém que quiser contestar qualquer coisa que afirmam, falar algo que soe sensato, embasado ou emitir qualquer verdade fundamentada. Será trucidado sem piedade.
01 agosto 2020
Saudades do nazismo e do fascismo..
Nem todo
mundo que usa bigodinho estilo toothbrush se chama Carlitos ou Charlot, usa bengala, chapéu-coco, tem pernas tortas como a de Garrincha, um andar que lembra o caminhar de um pinguim, e vive situações expressas através de pantomimas que soem divertir milhões de pessoas ao envolver-se em situações hilariantes com seu jeito único, irreverente e criativo. Exemplificando melhor, bem sabemos que o sujeitinho na ilustraçào desta postagem, com bigodinho similar ao de Carlitos, chama-se Adolf Hitler, sendo que muitos acham mais adequado valer-se de cacofonia para chamá-lo de Adolfo Deu pelas barbaridades que cometia e a mania de querer subjugar todos os seres viventes. Ocorre que se um dia ele já foi muito mal
visto, rejeitado, odiado e execrado por milhões, atualmente parece andar em alta mundo afora, inclusivemente em países considerados como sendo o tal Primeiro Mundo. Ou seja, seus simpatizantes se preservaram por décadas em insidioso mutismo e devem achar que agora é chegado o momento de reviver as coisas preconizadas pelo dito Adolfo Deu, e que me perdoem se insisto no infame trocadilho cacofônico, mas infâmia maior não há que a do nazismo e a do fascismo. A propósito, para que não se fale em exageros injustificáveis e paranóias improcedentes, nào devemos jamais esquecer que já houve governantes do Brasil que viram com muita simpatia o projeto nazi-fascista, tendo o DIP de Getúlio Vargas, chegado ao absurdo de proibir terminantemente a exibiçào do filme O GRANDE DITADOR, de Charles Chaplin, cujo alter ego era o citado Carlitos ou Charlot. O fato é que cada vez mais vem aumentando o número dos que estão embarcando com tudo em uma
incompreensível onda de malfazejo saudosismo quer pelos ditames ideológicos,
quer pelo sórdido proceder. Alegam para tão inaceitáveis decisões os mais nobres e elevados propósitos. Claro está que se o cenário mundial é preocupante, mais
preocupante ainda é ver que aqui mesmo neste Patropi abençoá por Dê, que
sempre primou por uma democrática mistura de raças, o baixinho da suástica vem
sendo visto com preocupante simpatia por quem considera seus métodos a senda redentora para este auriverde torrão. Tais admiradores, saudosistas do nazismo e do fascismo, vêm agindo abertamente e
cometendo os mais absurdos desvarios em plena luz do dia, expandindo o terror,
alastrando o ódio e o medo. Assim querem nos dominar e impor sua estúpida visão de mundo. Nossos horizontes vão sendo obumbrados pelas mais densas
e negras nuvens que os mais alienados não sonham perceber e assim vão
engrossando, convictos, as fileiras da maldade. Que os céus nos acudam a todos e que tenhamos muita consciência e destemor para, juntos e fortes, lutarmos com desassombro pelo estado democrático e por um Brasil livre das sufocantes garras dos nefastos que ressurgem nesta nova investida.
(301218)
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18 julho 2020
Setubardo, o maior dos poetas menores.
Quando, na antiga Grécia,
Peripatéticos mestres
Iniciavam seus pupilos na poesia,
Não podiam sequer desconfiar
Que num futuro solar,
Um belo dia,
Em Candeias, cidade da Bahia,
O maior poeta menor adviria.
Quando os parnasianos versejavam
Faziam versos exatos,
Peripatéticos mestres
Iniciavam seus pupilos na poesia,
Não podiam sequer desconfiar
Que num futuro solar,
Um belo dia,
Em Candeias, cidade da Bahia,
O maior poeta menor adviria.
Quando os parnasianos versejavam
Faziam versos exatos,
passo a passo,
Utilizando esquadro e compasso,
Medindo com régua suas rimas
Sem saber que no Olimpo,
Utilizando esquadro e compasso,
Medindo com régua suas rimas
Sem saber que no Olimpo,
lá em cima,
Minerva, deusa da Sabedoria,
Pesquisara na internet e já sabia
Que na mítica Candeias, Bahia,
O poeta Setubardo à luz viria.
Fui chegando já de olho bem aberto
E um esculápio tirado a esperto
Me deu uma palmada,
Minerva, deusa da Sabedoria,
Pesquisara na internet e já sabia
Que na mítica Candeias, Bahia,
O poeta Setubardo à luz viria.
Fui chegando já de olho bem aberto
E um esculápio tirado a esperto
Me deu uma palmada,
pura covardia,
Pensando que eu choraria.
Vê-se que esse fulustreco,
Pensando que eu choraria.
Vê-se que esse fulustreco,
Esse pulha de jaleco
Não me conhecia,
Isto é certo,
Pois pro espanto de quem estava perto,
Ao invés de chorar, declamei uma poesia.
A primeira mamadeira a gente nunca esquece
E quando ela veio,
Trazia indesejável recheio.
Isto é certo,
Pois pro espanto de quem estava perto,
Ao invés de chorar, declamei uma poesia.
A primeira mamadeira a gente nunca esquece
E quando ela veio,
Trazia indesejável recheio.
À minha mãe, na surdina,
Proferi frase ferina:
"Qualé, Dona Celina?!
Só desejo papa fina!
Quero em minha mamadeira,
Drummond, Pessoa e Bandeira.
Dispensa a vitamina de banana,
Me traga Baudelaire
"Qualé, Dona Celina?!
Só desejo papa fina!
Quero em minha mamadeira,
Drummond, Pessoa e Bandeira.
Dispensa a vitamina de banana,
Me traga Baudelaire
E muito Mário Quintana!"
Minha mãe, bem rapidinha,
Fez uma sopa de letrinhas
Formando versos, quadrinhas.
Assim foi que eu cresci,
Muitos versos ingeri,
Assim foi que eu cresci,
Muitos versos ingeri,
Digeri, hauri, degluti
Do desjejum ao jantar,
Do desjejum ao jantar,
E também pelo almoço.
Já na merenda escolar
Meu alimento, seu moço,
Era todo dia
A mais concreta poesia.
Em Candeias, me iluminei,
Em Santo Amaro da Purificação
Já na merenda escolar
Meu alimento, seu moço,
Era todo dia
A mais concreta poesia.
Em Candeias, me iluminei,
Em Santo Amaro da Purificação
Me purifiquei,
Em Salvador, me salvei.
Hoje eu sou Setubovski,
Sou Quintanúbal,
Sou Setusto dos Anjos.
Minha lira eu tanjo
E nessa vida maluca
Refresco minha cuca
Fazendo versos na raça
Que recito na praça
De qualquer cidade.
Contra a mediocridade
Dessa gente
Não sapiente
De mente vazia,
Poesia, poesia, poesia e poesia!
(01/01/08)
Em Salvador, me salvei.
Hoje eu sou Setubovski,
Sou Quintanúbal,
Sou Setusto dos Anjos.
Minha lira eu tanjo
E nessa vida maluca
Refresco minha cuca
Fazendo versos na raça
Que recito na praça
De qualquer cidade.
Contra a mediocridade
Dessa gente
Não sapiente
De mente vazia,
Poesia, poesia, poesia e poesia!
(01/01/08)
16 julho 2020
A China e o sexo: as chinesas adoram saborear uma rolinha primavera.
Em certos desentendimentos conjugais, o marido chinês perde toda sua proverbial paciência chinesa para com sua cara-metade e a ofende chamando-a de dragão. Chamou, se lascou, pois depois de chamar não adianta dizer "foi Mao!, foi Mao!, foi Mao!". Acontece que na China esse negócio de dragão é coisa muito séria e aí rola a maior kung fu zão, que é uma confusão acrescida por golpes de kung fu. Vai daí que a digníssima fica indignadíssima, partindo exasperadíssima pra quebrar a metade da cara que pertence ao seu cara-metade. E vá ser violenta assim lá na China, pois ela, sem precisar recorrer a nenhum manual de kung fu, quebra mesmo a asiática fuça do sujeito com muita porrada e na casa do casal Imperador, digo, impera a dor. A dor é tamanha que o pobre china faz horrendas caretas e pula gritando: "Aikidô!, aikidô!, aikidô!". Quem acha que chinês e brasileiro não têm nada em comum, não sabe que, igual a qualquer brasuca do povão, o chinês adora um bom pagode. Vá lá que seja pagode chinês, mas é pagode, ora, bolas! Aliás, por aquelas plagas chinesas, nosso Zeca Pagodinho é um grande ídolo. O problema para os brasileiros na China é a comunicação, que é muitíssimo difícil. Você pede ao cozinheiro do hotel para ele mandar uma pizza, mas ele Mandarim, digo, ele manda rim e você, para não passar fome, acaba tendo que comer, mesmo a contragosto. Falando em comer, os homens chineses adoram comer brotinhos. É broto de feijão, broto de bambu e por aí vai. Ele só não come mesmo é a própria mulher, tudo porque ela já não é mais nenhum brotinho.
(281210)
(281210)
14 julho 2020
Aprenda o maravilhoso idioma do Futebol.
Mais recente Copa do Mundo, o torneio da FIFA, ocorrido na Rússia no ano de 2018, pode ter sido a última copa mundial para muitos torcedores, notadamente os do grupo dos mais provectos matusaléns entre os amantes do esporte das multidões. A pandemia que ora assola o planeta está dando pinta de que gostou tanto de seu infeccioso trabalho que pretende esticar sua permanência por aqui, o que impossibilita prever se a próxima Copa, programada para 2022, irá mesmo acontecer ou terá que ser adiada ad infinitum. Quanto ao autoproclamado "país do futebol", ainda que depois daquela humilhante derrota de 7x1 para os germânicos nosso entusiasmo com a seleção brasileira de futebol não seja o mesmo de gloriosos tempos pretéritos, seguimos amantes de um esporte que já nos trouxe tantas alegrias e glórias, e não se pode deixar passar batido um papo sobre o esporte bretão e suas particularidades. Pois bem, senhoras e senhores, mocetinhas, mocetonas e varões deste patropi, saibam que o mundo do futebol utiliza em sua comunicação um palavreado próprio que os não iniciados soem desconhecer completamente. Com esta postagem, leitor, vocês ficará completamente por dentro da jogada.
1. Cruzamentos
Quando estão afinzonas de um jogador, as assaz determinadas Marias-Chuteiras costumam usar e abusar dos cruzamentos para que seu alvo - e não estou falando de tom de pele - perceba que está sendo convidado para adentrar o gramado lá delas, que por sinal está sempre em excelentes condições para a prática de um match de muito mais que 90 minutos, com direito a intermináveis prorrogações.
5.Entrando com bola e tudo
7. Triangulação
1. Cruzamentos

Quando estão afinzonas de um jogador, as assaz determinadas Marias-Chuteiras costumam usar e abusar dos cruzamentos para que seu alvo - e não estou falando de tom de pele - perceba que está sendo convidado para adentrar o gramado lá delas, que por sinal está sempre em excelentes condições para a prática de um match de muito mais que 90 minutos, com direito a intermináveis prorrogações.
2.Invadindo a pequena área
Em tempos d'antanho, que
longe vão, as donzelas militantes e juramentadas, mesmo subindo pelas paredes e
morrendo de vontade de dar, por questões da moral vigente não podiam deixar que
a rapaziada do Bráz - ou de qualquer parte - invadisse suas grandes
áreas. Suas pequenas áreas, então, nem pensar. Hoje, com a revolução sexual,
está valendo tudo e se o jogador não vai à linha de fundo da parceira um monte
de vezes fica mal falado porque atualmente no campo do sexo está valendo tudo e
mais um pouco.
3. Gol de bico
Recurso muito utilizado no futebol feminino, embora aparente ser um tanto dolorido.
4. Impedimento
Em certos dias do mês a namorada do jogador costuma exibir um cartão vermelho-sangue para ele, uma coisa verdadeiramente menstruosa, digo, monstruosa. Assim, impedido de penetrar a zona do agrião da sua amada e desejada, o craque sai de campo de cabeças baixas.5.Entrando com bola e tudo
Maria-Chuteira que se preza adora quando o craque malhadão mostra seu gingado e parte com tudo pra cima dela com toda sua maledurência, indo fundo e adentrando a meta com bolas e tudo. Aí é aquele delírio, galera!
6. Elemento surpresa vindo de trás
Nunca é demais dizer que o elemento surpresa é decisivo e muitas vezes é preciso uma virada de jogo para satisfazer as gatinhas que estão cada dia mais fogosas, mais exigentes e mais sem barreiras.
7. Triangulação
Tem mulher de jogador que acha que um pouco, dois é bom e três é bom pra caraca, que é do cacete. E bote cacete nisto! Toda véspera de jogo o marido boleiro vai para a concentração por ordem do técnico linha-dura do time e lá fica com um monte de barbudos, deixando em casa a excelentíssima. E bote excelentíssima nisto! Já ela, sempre fogosa e insaciável, aproveita para se concentrar em sua alcova com o sempre prestativo Ricardão Fenômeno que chega cheio de amor pra dar, faz um prévio aquecimento secando rapidinho todo o scotch do ausente marido atleta, e depois de mostrar seu invejável alongamento que sempre deixa a moçoila babando, vai adentrando no maior pique o gramado da ansiosa beldade e dando aquele show de bolas para o êxtase da gata.
8. Tabelinha
Jogadores de futebol juram o tempo todo que têm o maior respeito e amor pela camisa do seu time. Já pela famosa e popular camisinha costumam deixar claro que não sentem o mínimo respeito nem amor algum, demonstrando total desprezo pelos preservativos. De sua parte a Maria-Chuteira diz que não usa pílula porque não se dá bem com químicas e prefere adotar o método da tabelinha, mais natural e saudável. Aí, num retumbante dia, a tabelinha falha e a sarada barriguinha da moça, moldada em academias, começa a crescer, crescer, crescer. O resto é aquela velha história: depois de nove meses um advogado com a cara do Sérgio Mallandro - ié, ié! - aparece na porta da luxuosa-porém-kitsch mansão do jogador com um risinho irônico nos lábios, exibindo um teste de DNA numa das mãos e trazendo na outra uma ordem judicial mostrando que o boleiro vai ter, pelo resto de sua vida, de morrer todo mês com uma milionária pensão a ser paga à Maria-Chuteira.
(13/05/14)
08 julho 2020
Camelôs da fé e suas igrejas que lhes dão fortunas e poder
Usando o nome de
Deus como irresistível publicidade e o de Jesus Cristo como infalível
garoto-propaganda, valendo-se de suas inegáveis capacidades de comunicação de
massa e de persuasão, de seus poderes de oratória, vendem a fé como camelôs vendem produtos suspeitos numa esquina. Usando o forte poder da mídia
televisiva e radiofônica, determinados sacripantas, ditos líderes espirituais,
terrivelmente canalhas e anti-cristãos, cheios de uma enorme lábia e de um
arsenal de más intenções, valendo-se de discursos inflamados, cheio de
conceitos anacrônicos, equivocados, distorcidos, carregados de preconceitos que mal
dissimulam um inconsequente e perigoso ódio aos que não caem nas
insidiosas armadilhas que suas línguas bifurcadas armam para os incautos,
conseguem encher as burras com fábulas de dinheiro que vêm, em sua maior parte,
das classes mais pobres, carentes em todos os sentidos, da classe média e até
de atletas, dos remediados aos milionários. Todos entregam de mão beijada a
grana que dá a boa parte desses tais "líderes espirituais" o
privilégio de morar em suntuosos palácios que em nada lembram os lares da
maioria dos seus seguidores e bem diferente do que pregava o santo rabi. Eis o
crime perfeito. Tão perfeito que nem considerado crime o é. E ai de quem tentar
dizer o contrário aos fanatizados cordeiros que lhes entregam o que têm e o que
não têm. Hoje, como bem se vê na internet, os próprios canastrões
midiáticos oferecem farto material que evidenciam suas
mutretas espantosas. Usando em tudo e por tudo o nome de Deus, sem
cerimônias nem medo de punição. Há os que induzem os incautos a darem dinheiro
que porventura ainda tenham, até mesmo estando desempregados. Outros
choram copiosas lágrimas de crocodilo como que implorando doações aos
ingênuos que se comovem. E por aí vai. É tudo explicitamente explícito pois
eles se sentem intocáveis, inatingíveis. Há os que, sorrindo cinicamente,
desafiam a quem queira desmascará-los e fazem ameaças acintosas dizendo
ter um exército de advogados a sua disposição para processar os que se
atreverem. Muitos deles estão ligados com o mais execrável lixo político e forte é a suspeita de que lavem dinheiro vindo de falcatruas dessas máfias políticas. Associados com o que há de pior na política, tramam impor uma teocracia em que possam manipular toda a população, impor-nos seus torpes fundamentalismos. E quando algum desses ditos líderes é
apanhado em alguma de suas armações, há aqueles que dizem que o fiel não deve
cumprir o seu papel de cidadão decente denunciando o inegável crime e o ladrão,
que deve apenas mudar de igreja e não denunciar nada, tornando-se cúmplice do salafrário. Vivemos um mundo de
disputas brutais em que os métodos utilizados por muitos são abomináveis.
Pessoas buscam nas igrejas a esperança, a fé, razão para viver. Conheço líderes espirituais autênticos, seríssimos, gente que honra e dignifica o que fazem. Sou amigo pessoal de um pastor evangélico, pessoa consciente, que ajuda enormemente sua comunidade. Muitas pessoas, os chamados fiéis, veem nas
igrejas uma uma boia de salvação e se agarram fortemente a ela. É aí que entram
em cena os aproveitadores usando o santificado nome de Deus para conseguir o que querem para
si. Os muito crédulos, carentes e desinformados acreditam e depositam
nesse bando, nessa súcia todas as suas esperanças e, é claro, seu escasso dinheirinho ganho tão
duramente. Agarram-se a eles e a seus ditames buscando experimentar a sensação de que não estão sós nesses tempos de grandes e nefastos individualismos, torpeza e sordidez sem limites. Entre eles, iludidos, os ditos fiéis sentem-se protegidos de todos as tormentas da vida. Querendo evitar o mal, seguem justamente para ele, sem desconfiar que estão voluntariamente se imolando no altar onde, disfarçado de bem, está o mal que dizem intentar evitar. Mas lembremos que muitos não embarcam nessa canoa enganados, iludidos. Por detrás dessas aparentemente puras intenções há também motivos não tão puros assim. Acumular riquezas sem repartir, ostentar, comprar carros, casas, enriquecer às custas dos semelhantes, por exemplo, é meta de muitos dos tais fiéis, para os quais o céu pode esperar, importando bem mais os bens materiais que possam vir a acumular graças ao que eles alegam ser a vontade divina. Que Deus ilumine e dê proteção a essa infausta gente crédula. E que nos livre a todos nós desses camelôs da fé.
29 junho 2020
10 junho 2020
.Jorge Amado, Floriano Teixeira, Setúbal.
Em postagens anteriores falei do Floriano Teixeira, artista maravilhoso e ser humano iluminado, cara do bem, divertido, bom papo, de caráter sem jaça. Bateu uma fortecíssima saudade e fui ao meu baú cheio de recuerdos de Ypacaraí com o precípuo escopo de fuçar no intuito de conseguir alguma foto que eu tivesse tirado ao lado de Floriano. No meio da grande bagunça que é esse meu larestúdio, em um cantinho ermo do relicário imenso deste amor achei estas fotografias aí em cima, ambas tiradas quando Floriano Teixeira e Jorge Amado vieram me abraçar durante uma exposição de caricaturas que fiz no Shopping Iguatemi, nesta Soterópolis. Glória das glórias! Dois gigantes das Artes brasileiras que, apesar do endeusamento geral mundo afora, mantinham-se sempre como pessoas de notável simplicidade, companheirismo, sinceridade e solidariedade a toda prova, diferente, bem diferente de um magote de cabotinos desapetrechados de lídimo talento que pululam em toda parte e com os quais topamos a todo instante, contrariando em muito nossas vontades. E nem é bom citar o imenso tsunami de mediocridades gerais e malevolências patológicas com as quais turbas doentias insistem em atormentar nossos presentes dias.
Saudades de Jorge, saudades de Flori, seres humanos extraordinários, a bonomia, a excelência de conduta e a beleza d'alma personificadas, que fazem uma imensurável falta a mim, a todo o povo baiano, ao planeta e à espécie humana. Sorte nossa que, ultrapassando o mero aspecto físico, de forma perene, através de seus trabalhos fantásticos e imorredouros eles permanecem entre nós, iluminados que sempre foram e que seguirão sendo pela eternidade.
(180303)
06 junho 2020
Sylvio Lamenha, amado cronista que tanta falta nos faz, em texto do escritor Ademar Gomes.
Prometi postar neste bloguito alguns textos do jornalista e escritor Ademar Gomes falando de gente de sua estima, seus companheiros mais próximos e estimados, grandes e inesquecíveis amigos. Um deles, um dos caras mais cultos que a Bahia já pode desfrutar da honraria de ter como um dos filhos amados, é o maravilhoso Sylvio Lamenha, uma espécie de tutor intelectual de Ademar, que só chamava Sylvio de Tia Dalva, pelo fato de Lamenha ser amigo pessoal da maravilhosa cantora Dalva de Oliveira, sabendo imitar seu belíssimo canto à perfeição. Pelo tom pesaroso identificável no texto de Ademar, nos apercebemos de sua grande tristeza, da dor pungente, advinda da perda de Sylvio que se foi desta vida deixando seus amigos e admiradores em imenso desconsolo, como bem se pode ver nas palavras de Ademar em homenagem ao cronista e amigo querido.
••••••••••
"E agora, Tia Dalva, quem me socorrerá nas derrapagens semânticas? Quem me libertará das armadilhas da crase, evitando que eu fique à deriva em meus audaciosos mergulhos nos mares da literatura? Quem - sem chute, sem porretismo - me ensinará a história ( e estórias ) da música popular brasileira? Quem, com simplicidade, sem complicações, me fará viajar no mundo da semiótica? Quem, com sua genialidade, para trocar figurinhas sobre passagens dos chamados clássicos do cinema? E agora, Tia Dalva, quem - cheio de remorsos - me acordará de madrugada para um mea culpa patético sobre eventuais grosserias à Bia, sua devotada mãe, a demonstrar a simbiose entre o gênio e a criança? Quem garantirá agora às inúmeras toupeiras que aspiram chegar à universidade a certeza da aprovação no vestibular, com seus infalíveis ensinamentos? Quem, wildeanamente, terá a audácia de agitar o modorrento dia-a-dia da cidade de muros baixos, onde as igrejinhas - embora reconhecendo-lhe o talento - tanto o reprimiram? Quem, après toi, será capaz de desfilar com bengala renascentista, anéis, colares e pulseiras incrustadas de esmeralda em tributo aos olhos verdes de Maureen O'Hara, sua deusa irlandesa? Quem, depois de sua morte, alegrará os almoços dos amigos com suas boutades, suas estórias irreverentes sobre guerras de espada e perfumarias? Quem espargirá cultura sobre a cabeça dos ignorantes, mas sem a chatice dos que se querem excessivamente brilhantes? Quem guiará meus passos nos sebos da vida? Quem me decodificará a linguagem das artes plásticas, poupando-me do constrangimento de confundir primitivismo, impressionismo, cubismo e outros ismos? Quem, com tanto saber, me explicará Diana, Artemis, Júpiter, me libertando da ignorância mitológica? Quem me enfiará na renitente cabeça que mutatis mutandis nada tem a ver com mulato malandro?
Quem evitará que eu confunda vocativo com ablativo ou nominativo com dativo? Quem, com sua cultura, terá coragem e talento para imitar os falsetes da Dalva de Oliveira, tornando gay e festivo os ambientes formais? E agora, Tia Dalva, sem poesia e sem irisadas opalas gráficas, resistir, quem há-de?"(281213)
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04 junho 2020
Baianos são bons de futebol e na Bahia o baba na praia é sagrado
Ah, Bahia, Bahia, gentilíssima mater de filhos negros de todas as cores e nuanças, em minha língua suavemente desliza teu dulcíssimo nome quando o pronuncio com sempiterna emoção que se vai renovando infinitamente. Em seus mares de águas translúcidas, Yemanjá - eterna rainha - fez sua morada. Diáfanas nuvens ornamentam seus céus que se tingem com os mais delicados matizes nesta rododáctila aurora que nem o próprio Homero jamais contemplou similar. Ah, Homero, Homero, pobre Homero, sempre às voltas com Odisseias e Ilíadas, nunca dispondo de tempo para si próprio, na Bahia jamais aportou, seja em gozo de férias ou de merecidas licenças remuneradas, não tendo destarte a fortuna de descobrir o quão deslumbrante é este afro-baiano torrão. Para você, odisseico vate, e para quem interessar possa, mostro aqui um pouquinho dos tipos, usos e costumes das gentes baianas, das quais faço jubilosa parte. Para tal fiz e posto, aqui e agora, ao vivo e a cores, esta tomada geral de um baba, que é assim mesmo, no masculino: jogar um baba, pegar o baba . É o modo como nós baianos chamamos aquela recreação futebolística que no restante do país chamam de pelada, esclarecendo que pelada, para nós, é outra coisa bem diferente, sendo também muitíssimo apreciada e consumida com notável gula pelos viventes dessa afrourbe nominada Soterópolis. Para pintar, utilizei tinta acrílica sobre tela, vez que nem tudo é PC, HD ou sei lá mais o quê.
(24/04/14)
(24/04/14)
01 junho 2020
Batatinha, Maria Bethânia e o circo proibido para tantos e tantos.
Só um compositor de talento muitíssimo vasto, dotado de imensa, de rara criatividade, poderia falar de desigualdades sociais sem resvalar no panfletário, sem patinar no pieguismo gratuito. Pois o sambista BATATINHA, batucando em sua caixinha de fósforo sempre muito bem afinada, sem se deixar enredar por raivas ou rancores, sem incorrer em qualquer espécie de alegado vitimismo, de uma forma serena, com a simplicidade dos que sabem das coisas, entre as muitas maravilhosas que fez como compositor, compôs esta canção de bela melodia e letra concisa e exata. Canção que, sem perder a poesia, fala de exclusão social, desigualdade, dos que vivem à margem da vida, escanteados, obrigados a apenas assistirem os mais privilegiados, apenas eles, desfrutarem das coisas boas da existência, enquanto a um mundaréu de gente vê-se obrigado a se resignar à mera condição de espectadores, colocados à margem, mantidos do lado de fora do grande circo que é a vida, apenas "escutando a gargalhada" dos que nadam de braçada em mares de privilégios. Essa canção inegavelmente cabe em qualquer lista das grandes canções feitas neste nosso país visceralmente musical, de tantos compositores, músicos e cantores maravilhosos. Por conta dela e do talento de Batatinha, aqui posto esta carica do grande compositor popular que fiz para uma gazeta usando bico de pena, trapo embebido em nanquim e uns respingos de guache branco. De quebra, adiciono um vídeo em que ninguém menos que a cultuadíssima filha de Dona Canô, Maria Bethânia Vianna Telles Veloso, empresta sua voz tamanha à bela, sugestiva e cativante composição do saudoso pai do meu amigo Lucas Batatinha.
01 maio 2020
Raul Seixas, Marcelo Nova, muito rock na veia e porrada na cara!

Hoje é dia de rock na Concha Acústica do Teatro Castro Alves neste verão de 88. Tá rebocado, meu compadre, tem rock do bom na veia e é em dose dupla: Raul Seixas e Marcelo Nova. Não sou roqueiro de carteirinha mas sei o que é bom. Ao show, seguramente maravilhoso, que Gal fará no palco principal do TCA logo mais, prefiro o rock que rolará na Concha. E vou a caráter, blusão de couro, jeans e brilhantina no cabelo que é para entrar no clima. Raul está com a saúde abalada pelos excessos cometidos, teme-se o pior. Marceleza surge em cena qual um anjo de blue jeans, organiza shows com o amigo, viagens e até um disco, A Panela do Diabo. Motiva o Maluco Beleza que se revigora. Agora ambos estão se revezando no palco, desfilando suas canções que todos os roqueiros sabem de cor e cantam juntos com os ídolos. Empolgado com o entusiasmo da plateia, Raul emenda uma música após a outra e o concerto se prolonga para deleite do público apaixonado. De repente, atrás de Raul percebo uma coreografia que não faz evidentemente parte do show. Marcelo Nova, enfurecido, está descendo o braço com vontade na cara de um cabeludo. Quando parte do público percebe, começa um coro de "bota pra fudê!" que é a senha pro eterno líder do Camisa de Vênus encher com renovadas muquetas a fuça do sujeito. Um último gancho de direita o arremessa ao poscênio de onde, nocauteado, não retorna. Nova vem para o lado de Raul, empunha o microfone e brada: "Este aqui ao meu lado é o maior artista de rock deste país! Nenhum canalha irá desrespeitá-lo em minha presença. Ele é o maior de todos, ele é Raul!" A platéia enlouquece e renova, ainda mais alto, o grito de "bota pra fudê!" Fico sabendo depois que o cabeludo surrado seria um produtor musical que queria encerrar na marra o show dos roqueiros alegando razões de pauta, horário, conflito de entrada e saída com o público do show de Gal e sei lá mais o quê. Aprendeu da forma mais dura a lição do Professor Marceleza: o respeito aos ídolos autênticos está acima de razões mais comezinhas. Poucos meses depois, o coração debilitado do homem da Sociedade Alternativa cantou e dançou seu derradeiro rock neste mundo. Sabendo que tem tanta estrela por aí, pra alguma delas lá se foi Raul numa carona com o moço do disco voador. Mas naquela noite de verão, ali na Concha Acústica, as duas maiores estrelas do rock nacional brilharam tanto e tão intensamente que os afortunados que lá foram por todas suas vidas jamais poderão delir de suas mentes e de seus corações essas lembranças. Marcelo Nova jogou duro, botou pra fudê como manda o figurino roqueiro. E Raul... bem, Raul foi Raul. E não era preciso nada além disso. Titirrane, Raulzito. Titirrane!
(101012)
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16 abril 2020
Jogador de futebol, um adorado semideus / Arte que se reparte 3
Adoro desenhar e principalmente pintar jogadores de futebol com suais plasticidades características resultantes dos movimentos que executam durante o esporte que praticam. Esta minha predileção origina-se em parte pela minha paixão antiga pelo esporte das multidões, assim denominado por ser a modalidade esportiva que mais apaixonados admiradores costuma aglutinar em praças esportivas de todo este planeta índigo blue chamado Terra que é, significantemente, redondinho como uma bola de futebol. Isto considerando-se que você não seja um desses ensandecidos terraplanistas que andam infestando o Brasil que, frise-se, só foi descoberto porque o intimorato nauta lusitano Cabral comungava das mesmas teorias do seu colega, o destemido nauta genovês Cristovão Colombo a respeito do formato esférico do planeta que habitamos, tendo Colombo provado na prática e não com lero-lero, de maneira irrefutável, que os terraplanistas de sua época eram - como os de agora - uns descomunais imbecilóides galopantes, uns asininos mui chucros.
Feito este preâmbulo político-esportivo, um quase desabafo diante das asnices diárias com as quais buscam turvar nossas luzes, já posso dizer que a pintura que ilustra esta postagem é uma tela tamanho 1m x 0,80cm que hoje faz parte da pinacotéquia do Seu Creysson, do Cassetia i Planetia ou, melhor dizendo, uma tela que atualmente integra a pinacoteca particular do humorista Claudio Manoel, do grupo criador do programa Casseta e Planeta, famoso humorístico da Rede Gloooooobo, segundo me informou o respeitável dono da galeria de Arte em que esse quadro foi vendido.
Para você, pictórico leitor, que almeja ser um dia um renomado artista plástico ou simplesmente gosta de ficar bem a par de detalhes, pormenores e filigranas, saiba que para pintar essa futebólica tela fiz o esboço com lápis B, sendo que para criar uma textura usei massa acrílica aplicada com espátulas. Na bola fiz uma colagem com um tecido para dar um relevo e um toque dadaísta, seja lá o que isso for. Já na pintura propriamente dita, usei um pequeno arsenal de pincéis de variados tamanhos e formas e uns tubos e potes da sempre boa tinta acrílica. E eis que na mesma tela concentrei duas das minhas paixões: o futebol e a pintura que são, aliás, paixões de muita gente espalhada neste planeta Terra, tão redondinho quanto el balón, la pelota, il ballone, the ball, a esférica, a gorduchinha.
(180215)
Feito este preâmbulo político-esportivo, um quase desabafo diante das asnices diárias com as quais buscam turvar nossas luzes, já posso dizer que a pintura que ilustra esta postagem é uma tela tamanho 1m x 0,80cm que hoje faz parte da pinacotéquia do Seu Creysson, do Cassetia i Planetia ou, melhor dizendo, uma tela que atualmente integra a pinacoteca particular do humorista Claudio Manoel, do grupo criador do programa Casseta e Planeta, famoso humorístico da Rede Gloooooobo, segundo me informou o respeitável dono da galeria de Arte em que esse quadro foi vendido.
Para você, pictórico leitor, que almeja ser um dia um renomado artista plástico ou simplesmente gosta de ficar bem a par de detalhes, pormenores e filigranas, saiba que para pintar essa futebólica tela fiz o esboço com lápis B, sendo que para criar uma textura usei massa acrílica aplicada com espátulas. Na bola fiz uma colagem com um tecido para dar um relevo e um toque dadaísta, seja lá o que isso for. Já na pintura propriamente dita, usei um pequeno arsenal de pincéis de variados tamanhos e formas e uns tubos e potes da sempre boa tinta acrílica. E eis que na mesma tela concentrei duas das minhas paixões: o futebol e a pintura que são, aliás, paixões de muita gente espalhada neste planeta Terra, tão redondinho quanto el balón, la pelota, il ballone, the ball, a esférica, a gorduchinha.
(180215)
11 abril 2020
04 abril 2020
João Ubaldo Ribeiro, a quem dei sábios pitacos que o tornaram escritor consagrado no mundo.
(Salvador, Bahia, janeiro de 2012)
03 abril 2020
Casal nordestino passeando na Big City.
Em plena megolópole paulistana um casal, tendo sobre suas cabeças signos nordestinos, em momento que sugere ser de merecido relaxamento depois de uma longa e estafante semana de árdua faina, de duríssimo trabalho - posto que nào é nada fácil a vida de imigrantes do nordeste na chamada supercap. E em um dia qualquer de domingo ou feriado lá vão eles caminhando sobre a grama do que deve ser uma grande e arborizada ágora paulistana, embora aí só se avistem concretos, prédios, fumaça. Abraçam-se, rádio na AM, tendo ao fundo o seu conquistado veículo de duas rodas, sorriem e se mostram lépidos e amorosos, enquanto passeiam suas alegrias de viventes felizes, ainda que tenham sido obrigados a deixar a terra natal. São caminhantes gaios e trigueiros, trazem em si o samba, o xote, o baião, a sanfona, o triângulo, a zabumba, o pandeiro, vêm com seus jubilosos trajos domingueiros, esfuziantes qual uma festiva alegoria carnavalesca.
Esta pintura, fidelíssimos leitores, não é recente, eu a fiz fiz lá pelo ano 2000, em que fica a tal estação final do percurso vida na terra-mãe concebida, como canta Gilberto Gil, não por coincidência um artista da Bahia, do nordeste. Trata-se de um painel de 1.80 x 1.50m e para fazê-la - além de meu vasto talento pictórico, tão vasto quanto minha proverbial modéstia - lancei mão do velho e sempre prazeiroso método de usar tinta acrílica sobre tela. De quebra, utilizei massa acrílica e também cola e pedaços de tecido para fazer umas colagens com ares dadaístas e assim poder posar de erudito, angariar a admiração geral e captar as atenções e os favores de assaz intelectuais e mui concupiscentes musas. Depois que acabei de pintar fotografei com minha Rolleiflax e revelou-se minha enorme aptidão para realizar invulgares coisas pictóricas. Na sequência eu então escaneei e dei uma tecladas ao Photoshop pra animar ainda mais este motivo burlesco e brejeiro, assaz criativo, mui inventivo, que tem umas pitadas de minha vivência pessoal de nordestino que um dia deixou para trás sua querência e foi morar por longo tempo em Sampa onde alguma coisa acontecia em meu coração que só quando eu cruzava a Ipiranga e a Avenida São Joào. Também pudera, ainda não havia para mim Rita Lee, a sua mais completa tradução.
(100210)
Esta pintura, fidelíssimos leitores, não é recente, eu a fiz fiz lá pelo ano 2000, em que fica a tal estação final do percurso vida na terra-mãe concebida, como canta Gilberto Gil, não por coincidência um artista da Bahia, do nordeste. Trata-se de um painel de 1.80 x 1.50m e para fazê-la - além de meu vasto talento pictórico, tão vasto quanto minha proverbial modéstia - lancei mão do velho e sempre prazeiroso método de usar tinta acrílica sobre tela. De quebra, utilizei massa acrílica e também cola e pedaços de tecido para fazer umas colagens com ares dadaístas e assim poder posar de erudito, angariar a admiração geral e captar as atenções e os favores de assaz intelectuais e mui concupiscentes musas. Depois que acabei de pintar fotografei com minha Rolleiflax e revelou-se minha enorme aptidão para realizar invulgares coisas pictóricas. Na sequência eu então escaneei e dei uma tecladas ao Photoshop pra animar ainda mais este motivo burlesco e brejeiro, assaz criativo, mui inventivo, que tem umas pitadas de minha vivência pessoal de nordestino que um dia deixou para trás sua querência e foi morar por longo tempo em Sampa onde alguma coisa acontecia em meu coração que só quando eu cruzava a Ipiranga e a Avenida São Joào. Também pudera, ainda não havia para mim Rita Lee, a sua mais completa tradução.
(100210)
25 março 2020
Futebol, Seleção Brasileira, Timão, muita paixão e muitas pedras no caminho.

Futebol é uma das minhas paixões, brasileirinho que sou, et pour cause é também uma das minhas temáticas preferidas nas pinturas que faço. Há uma grande beleza plástica nos movimentos dos corpos dos jogadores, seja correndo, chutando, cabeceando, driblando. E se esses jogadores vestem a camisa amarela, os calções azuis e as meias brancas, cores usadas no uniforme da seleção brasileira, a coisa vai ainda melhor, tamanha é a empatia mundial em torno de uma elástica admiração, uma aura mágica construída por gerações de craques brasileiros que mostraram ao mundo que um esporte pode se converter em pura arte, uma arte maior que vem influenciando futebolistas dos quatro cantos do mundo, supondo-se que a terra seja mesmo da forma que terraplanistas a descrevem. Eu disse isso tudo e me toquei agora que, embora sendo um corintiano juramentado, não me lembro de haver pintado um único quadro com jogadores paramentados com a sagrada camisa do bicampeão mundial interclubes, a mundialmente famosa e cobiçada segunda pele do alvinegro do Parque São Jorge - Ogun Ye, meu pai!
Pois é, pois é, em contrapartida, amando pintar coisas do apaixonante esporte das multidões, há tempos venho pintando - e vendendo com relativa frequência - craques dentro de campo vestidos com a camisa da seleção canarinho porque, apesar dos pesares, a seleção é ainda grande paixão brasileira, malgrado a camisa auriverde do selecionado brazuca haver servido de uniforme para patos, patinhos e patinhas teleguiados da Fiesp, e apesar da humilhante e vexatória derrota que os germânicos nos sapecaram sem dó dentro de nossa própria casa por 7x1, sendo que podiam ter feito 10, 20, 50 gols, mas resolveram aliviar e puxaram o freio de mão, talvez em consideração à mencionada aura mágica, ao futebol glorioso que já fomos em distantes dias. Ainda assim, para grande parte dos brasileiros, esse vexame suplanta em muito a tristeza da derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950. Como a paixão não costuma andar de mãos dadas com a lógica, seguimos amando muito nosso futebol, apesar dos males trazidos pelo antigo e nefasto monopólio exercido pela Rede Globo que sempre ditou as regras da maneira que quis, insaciável, ávida, em busca dos bilhões que o futebol abriga, reduzindo o futebol a um mero ítem comercial que manipulam da forma que querem e que se lixem os torcedores brasileiros. Apesar também do interminável batalhão de sórdidos formado por Havelanges, Ricardos Teixeiras, Josés Marias Marins, Del Neros, gangsters provectos, alguns já de cujus, dos empresários venais, dos maus dirigentes de clubes, dos lamentáveis cronistas esportivos que os sustentam, dos Dungas, Bebetos, Galvões Buenos e aberrações quejandas as quais somos obrigados a enfiar goela abaixo. A seco, quando acaba.
Ah!, antes que me esqueça, essa tela na foto aí acima é de tamanho 50x40 cm, foi pintada com tinta acrílica e hoje está, para meu orgulho, numa parede da residência de uma grande figura em New York city, um ex-jogador profissional de futebol e atual treinador, cara muito sério, que se tornou um competente coach, construindo sua bela carreira que já é vitoriosa pois trabalha com dedicação, seriedade e amor ao esporte, coisa que no nosso futebol, infelizmente, anda em tempos de grandes carências. Resta-nos rezar fervorosamente para que São Tite, ora técnico da seleção canarinha, nos socorra com algum improvável milagre onde nos faltam competência, seriedade, planejamento e honestidade.
(171214)
Pois é, pois é, em contrapartida, amando pintar coisas do apaixonante esporte das multidões, há tempos venho pintando - e vendendo com relativa frequência - craques dentro de campo vestidos com a camisa da seleção canarinho porque, apesar dos pesares, a seleção é ainda grande paixão brasileira, malgrado a camisa auriverde do selecionado brazuca haver servido de uniforme para patos, patinhos e patinhas teleguiados da Fiesp, e apesar da humilhante e vexatória derrota que os germânicos nos sapecaram sem dó dentro de nossa própria casa por 7x1, sendo que podiam ter feito 10, 20, 50 gols, mas resolveram aliviar e puxaram o freio de mão, talvez em consideração à mencionada aura mágica, ao futebol glorioso que já fomos em distantes dias. Ainda assim, para grande parte dos brasileiros, esse vexame suplanta em muito a tristeza da derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950. Como a paixão não costuma andar de mãos dadas com a lógica, seguimos amando muito nosso futebol, apesar dos males trazidos pelo antigo e nefasto monopólio exercido pela Rede Globo que sempre ditou as regras da maneira que quis, insaciável, ávida, em busca dos bilhões que o futebol abriga, reduzindo o futebol a um mero ítem comercial que manipulam da forma que querem e que se lixem os torcedores brasileiros. Apesar também do interminável batalhão de sórdidos formado por Havelanges, Ricardos Teixeiras, Josés Marias Marins, Del Neros, gangsters provectos, alguns já de cujus, dos empresários venais, dos maus dirigentes de clubes, dos lamentáveis cronistas esportivos que os sustentam, dos Dungas, Bebetos, Galvões Buenos e aberrações quejandas as quais somos obrigados a enfiar goela abaixo. A seco, quando acaba.
Ah!, antes que me esqueça, essa tela na foto aí acima é de tamanho 50x40 cm, foi pintada com tinta acrílica e hoje está, para meu orgulho, numa parede da residência de uma grande figura em New York city, um ex-jogador profissional de futebol e atual treinador, cara muito sério, que se tornou um competente coach, construindo sua bela carreira que já é vitoriosa pois trabalha com dedicação, seriedade e amor ao esporte, coisa que no nosso futebol, infelizmente, anda em tempos de grandes carências. Resta-nos rezar fervorosamente para que São Tite, ora técnico da seleção canarinha, nos socorra com algum improvável milagre onde nos faltam competência, seriedade, planejamento e honestidade.
(171214)
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