25 julho 2017

Submarinos soviéticos podem invadir o Brasil via Rio São Francisco

Não sei se faz parte das comemorações pelos 50 anos do golpe militar no Brasil, mas a verdade é que os militares pernambucanos estão tirando dos moradores de Juazeiro, BA, e de Petrolina, PE, o sagrado, democrático e constitucional direito de ir e vir. Com o questionável aval de um juiz que não ouviu como deveria o povo destas cidades, essas gentes com seus coturnos, suas gandolas e seus fuzis estão proibindo os moradores da região de circularem nesta fluvial ilha que se situa no meio do Rio São Francisco entre ambas as citadas urbes. Da ilha se assenhoraram os militares respaldados por decisão do supracitado juiz que, sem nenhum vontade de dar testa a militares, atendeu o argumento castrense de que a Ilha do Fogo é ponto axial para a segurança de nossa patriamadasalvesalve. Tenho a deplorável mania de tentar entender as coisas racionalmente, pensar com meus botões e tirar minhas próprias conclusões. Inigualáveis pérolas têm surgido dessas elucubrações, como as que se seguem. Ciente de que os militares, são sempre zelosos e atentos às marxistas artimanhas e manobras, deduzi de pronto que os fardados, movidos por compreensível e salutar paranoia, devem considerar e temer uma invasão de nosso auriverde torrão por insidiosos submarinos soviéticos. Mas se são disto temerosos e crédulos é certamente porque não foram devidamente informados por quem deveria, de que a Guerra Fria de há muito acabou e que a URSS já não mais existe, nem exército ou espiões soviéticos a não ser em antigos filmes do velho James Bond, aquele que precisava de uma licença para matar, coisa anacrônica já que hoje, aqui e em toda parte, se mata a torto direito, sem que para isso seja necessário se valer de licença alguma. Além do mais, nestes hodiernos tempos os russos é que foram invadidos pelos capitalistas americanos sendo que agora bebem americaníssimas coca-colas e arrotam Mcsandubas para tristeza do velho Marx que devido isso se revira em seu hoje pouco visitado túmulo. Quem sabe, ao serem colocados a par destas novidades que ora vigoram, os militares que estão impedindo os moradores de Juazeiro e Petrolina e demais civis de pisarem as areias da Ilha do Fogo possam ficar mais tranquilos e para nosso gáudio revogar a proibição e devolver a aprazível ilha aos seus legítimos donos.
(09/11/2014)

Praias da Bahia, queijo coalho, cerveja e uma meninada que já batalha

Por mandos e desmandos de uma gente mui canalha, aqui nessa afro-baiana metrópole denominada Soterópolis, o desemprego é uma constante e os soteropolitanos das camadas econômicas mais desapetrechadas do metal vil, que ninguém do povão mais viu, viram-se e reviram-se como podem. Sendo assim e assim sendo, enquanto em dias solares, muitos viventes mais privilegiados, bebericando cervejotas, com escopo evidentemente narcisístico, buscam adquirir um êneo tom epidérmico expondo-se ao sol, magotes de meninos da periferia caminham entre as barracas das praias mercando queijo coalho, que é derretido na hora, à vista do cliente. Para tanto levam em uma mão uma bandeja com o dito queijo ainda cru, e na outra uma lata cheia de carvão dotada de uma alça de arame que eles balançam no ar para avivar a brasa, qual um turíbulo que sacristãos, oblatos ou coroinhas agitam em missas ou em procissões. Com o calor daí advindo, os guris conseguem - à vista do cliente - preparar a iguaria queijocoalhística. Se a brasa não cair em cima de sua impoluta pessoa, já meio tostada pelo sol, e se você não tomar uma latada nas fuças, deve louvar grandemente o fato de ser um vivente de sorte e aproveitar, pois o queijinho coalho é acepipe dos melhores, gente boa! 
******A guisa de ilustração, vai aí essa pintura que fiz com a sempre fiel e prestativa tinta acrílica, sobre uma tela nas dimensões 30cm x 30cm, mostrando dois meninos com papéis beeeem diferenciados nessa nossa mui desigual sociedade, a baiana e a brasileira.
(24/07/2011)

Deus é Fiel porque o Corinthians é Divino! / Timão ê ô

(21/11/2015)

Pirata da cara de pau / Humor de Graça

(05/12/13)

Biratan Porto, Setúbal e a foto da discórdia em Belém do Pará

Belém do Pará, dia 31 de maio do corrente ano. Esta foto registra o instante em que eu, no larestúdio do cartunista Biratan Porto, sopro um virtual bolo de aniversário, de um dos lados da imagem, enquanto a carica de minha augusta pessoa feita pelo Bira ajuda soprando do outro. Isso foi algo que eu e Bira criamos na hora e ele clicou para a posteridade. Essas ideias inusitadas surgem do nada da cuca de quem trabalha com humor, uma gente - não por coincidência – mui bem humorada e que leva a vida buscando criar para si e para os que os cercam, momentos felizes, plenos de riso. Só um deslize cometeu o Bira, e não estou falando do físico de bebedor de cerveja que ostento no desenho que ele assaz sordidamente fez. Refiro-me, sim, ao fato dele haver colocado na imagem a ideia de que estou colhendo 66 primaveras no jardim de minha existência, quando em verdade, tenho pouco mais que a metade disso, acreditem querendo, pios leitores. Somos humanos e, portanto, sujeitos a ser tentados pelo coisa ruim a cometer atos malafaios como o que, em momento de fraqueza, foi praticado por esse meu amigo de fé, irmão, camarada. Todos sabem muito bem sabido que Bira habitualmente é um perfeito gentleman, um cavalheiro, um pró-homem, sempre lhano, cordato,  pleno de bonomia e eu, alma nobre que sou, já o perdoei do fundo do meu coração corintiano. 
(25/11/2015)

Expressionismo à italiana

Laura Tedeschi é uma talentosa artista italiana que mora na Áustria onde leva a vida a pintar com suas cores expressionistas. Vale a pena conferir o talento da ragazza em seu blog e em seu site no caso de vocês não terem tempo para pegar um avião e dar uma chegadinha em plagas austríacas para admirar de pertinho seu belo trabalho ao vivo e a cores, muitas cores. http://lauratedeschiarte.blogspot.com e www.lauratedeschi.com
(07/07/10)

21 julho 2017

O rumoroso caso de amor entre o jornalista Gonçalo Júnior e sua Nona

É com o precípuo escopo de tirar onda de gostoso e posar de intelectual versado em assuntos os mais diversos que passo uma razoável parte do meu tempo lendo o que bons autores escrevem. Não há qualquer intenção nobre nisto tudo, acreditem, pios leitores, trata-se de meu rotundo e insaciável ego querendo alimentar-se de afagos e salamaleques, mesmo que através de mui imerecidos elogios. Já confidenciei a vocês mas, por garantia, mister se faz que eu volte a confidenciar, que ao assim proceder, lendo um razoável número de livros acabei desenvolvendo alguns traquejos e adquirindo certa prática para bem saber discernir entre os que são de fato bons autores e aqueles que equivocadamente julgam que o são. Por exemplo, em matéria de competência, quando o papo são as Histórias em Quadrinhos, não vacilo, leio uma fera que domina o assunto de nome Gonçalo Júnior, respeitadíssimo na área. Gonçalo é jornalista, escritor com muitos livros já publicados, argumentista de HQs, pesquisador incansável e é íntimo das palavras e do vasto universo dos quadrinhos. Tem uma ampla cultura geral o que lhe dá embasamento para tratar com propriedade de assuntos diversificados, conhece os terrenos em que pisa. E não lhe falta coragem para colocar o dedo na ferida quando necessário, não se limitando a ser um mero repassador de releases fornecidos por políticos ou editoras, hábito tão em voga nos tempos hodiernos. Se na História oficial há algo oculto nas entrelinhas, Gonçalo traz à luz, não acredita em determinadas verdades absolutas. Se há sujeiras sob o tapete, ele as revela a todos, intimorato que é, cônscio que é, ético que é. A participação de alguém como Gonçalo só faz enobrecer a chamada Nona Arte, pela qual nutre imenso amor e evidente apreço. Seu olhar aguçado é guia confiável num mundo que por vezes é pródigo em indesculpáveis equívocos. Vale muito a pena dar uma busca na Internet para se ter contato com os textos de tão brilhante autor ou, ainda melhor, ir a uma livraria de respeito e lá comprar os muito bons livros de sua autoria, entre eles, um dos mais lidos e emblemáticos, A guerra dos gibis. Textos escritos por Gonçalo são leitura imperdível, como se diz nos Cadernos Bês da vida.
(Publicado originalmente em 10/10/2013)

Montaigne, Chico Buarque e o Amor que não pede explicações.

O que faz nascer uma amizade imorredoura? O que move uma paixão desmedidamente extraordinária dentro de nossos humanos corações? O que nos leva a gostarmos tão intensamente de uma pessoa, por vezes tão diversa de nós? Ou a nos apaixonarmos perdidamente por alguém e mantermos com esse alguém um relacionamento que, no dizer do Poetinha, enquanto dura, infinito é. Amigos, parentes, conhecidos e desconhecidos, veem essa relação vivida com olhos de quem assiste a algo em que a lógica se volatiliza e se lhes escapa, algo improvável, indefinível, pleno de estranheza, difícil de ser decodificado, entendido, assimilado. Para desvendar esse mistério, buscando um satisfatório entendimento disso, Chico Buarque - compositor, cantor, dramaturgo e escritor - foi buscar a melhor definição nos ensaios de Michel de Montaigne, o célebre escritor, humanista e filósofo da França, sempre a França. Chico conta em um vídeo que, por ser insistentemente questionado sobre o porquê de sua mais que imensa e eterna amizade por outro humanista e filósofo francês, Étienne de La Boétie, cuja morte precoce levou Montaigne a escrever o ensaio “Da amizade”, em que dizia apenas que gostava dele, e ponto. Quinze anos mais tarde, revendo o que escrevera, o escritor acrescentou que gostava do grande amigo “porque era ele”. Foram precisos que se passassem outros quinze anos para o filósofo fazer um novo acréscimo à frase, completando-a definitivamente: “porque era ele, porque era eu”. Chico entendeu como simples porem perfeita a definição dada por Montaigne. Achando que perfeita ela também era para definir a paixão, o amor que sentimos por outro alguém, dela se valeu para compor uma música feita para a trilha sonora do filme brasileiro A máquina, do diretor João Falcão. A essência do que definiu Montaigne está no nome da música: “Porque era ela, porque era eu”. Maravilhoso, formidável Montaigne. Maravilhoso, formidável Chico Buarque.
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(04/09/16)

Jacques Tati, Monsieur Hulot, a França, o Humor maior / Uns caras que eu amo 6

François Truffaut, Jean-Luc Godard, Allain Resnais, Luc Besson, Louis Malle, Claude Lelouch, Jacques Tati. Mon Dieu!, mon Dieu!, são tantos e tão fantásticos os cineastas que a França já produziu! Reunidos aos mais formidáveis atores franceses, esses cineastas nos brindaram com magníficas obras que engrandecem essa arte maior que é o Cinema, produzindo ricos trabalhos nos mais diversos estilos e gêneros, estando entre eles as mais hilárias comédias. Um bom cinemaníaco que teve a fortuna de ver na grande tela do cinema uma comédia francesa feita por diretor e comediantes de elevada qualidade, jamais haverá de esquecer o que viu. Digo isso e penso logo no sempre surpreendente Jacques Tati, diretor, argumentista, roteirista e ator de formidáveis performances humorísticas que brindou o universo do cinema com inolvidáveis filmes que qualquer candidato a cinéfilo juramentado deve urgentemente assistir. Jacques Tati pode ser chamado de genial que não haverá nenhum exagero nessa assertiva, tão maravilhosamente criativos são seus trabalhos cinematográficos. Seu humor, cuidadosamente estudado, arquitetado, pesado, medido, contém mensagens sutis que revelam o olhar crítico do autor, sendo brilhantemente raro, fugindo dos maneirismos e dos lugares comuns, do humor fácil e rasteiro de certos autores que, equivocadamente, intentam seduzir o público valendo-se de recursos óbvios e criativamente paupérrimos. O humor de Tati é único e caminha por vias próprias, permanecendo no patamar mais elevado da criatividade, diferenciado, pleno de ineditismos, sofisticado, meticuloso, surpreendente. Valendo-se muitas vezes de Monsieur Hulot, seu alter ego, Jacques Tati produziu verdadeiros tesouros do Humor de da Arte. Difícil escolher qual o melhor de seus trabalhos. Pessoalmente adoro “As férias do Monsieur Hulot”, rodado em P&B, uma película para se assistir prazeirosamente um bilhão de vezes, com atenção aos seus pormenores, intentando deslindar cada detalhe mais recôndito concebido pela genial mente de Tati, valendo-se do impensável, de personagens cativantes e gags engraçadíssimas, da música e dos efeitos sonoros, com os quais uma porta pode adquirir status de personagem. Tudo isso vale também para “Playtime” e “Meu tio”. Para quem é fã desse cineasta francês, uma grande alegria foi saber que em 2010 foi produzido uma maravilhosa animação franco-britânica chamada “L’illusionniste”, no Brasil foi batizado de "O mágico". Esse belíssimo trabalho de animação que ganhou, entre outros notáveis prêmios, o César de animação em 2011, foi feito com argumento de Sylvain Chomet, a partir de uma obra inédita de Tati, sempre brilhante e atual. Uma homenagem à altura do fantástico cineasta, ator e ser humano, Jacques Monsieur Hulot Tati.
(25/08/16)

19 julho 2017

Yuri Lima, artista plástico que mantém viva a bela arte do entalhe

A arte da gravura sempre teve uma forte presença na Bahia. Notadamente a xilogravura onde despontaram grandes nomes, habilidosos gravuristas, notáveis entalhadores. Entalhar é arte que requer do artista grande habilidade no manejo da goiva, que não admite erros ao escavar a delicada madeira. H. Lima, foi um dos maiores entalhadores aqui desse afrotorrão, sendo tão bom quanto artistas consagrados que adotaram tão notável arte como forma de expressão, como por exemplo Calazans Neto e Edízio Coelho que nela fizeram fama. Em sua maioria, os artistas plásticos baianos atuais parecem ter colocado de lado a xilogravura e o entalhe, talvez pelo fato de entalhar ser uma arte que requer um considerável esforço maior ou talvez por optarem por novas formas de expressão. Qual não foi minha surpresa ao saber que o artista Yuri Lima estava mostrando seus trabalhos entalhados em madeira e pintados com tinta acrílica. Surpresa em dobro e agradabilíssima, já que Yuri é filho de H. Lima e seguidor de sua arte de bem manejar a goiva e os pincéis. Fui ver de perto a mostra de Yuri que rolou no Centro Cultural que fica bem ao lado da Prefeitura de Salvador e pude comprovar que ele herdou o talento paterno e seguramente há de trilhar uma carreira tão brilhante quanto à de H.Lima. Aproveitei para posar com os meninos ao lado do artista, próximo a um dos seus trabalhos que certamente cumprem bem a missão de manter viva a bela arte do entalhe na madeira. Axé, Yuri!
(26/09/13)

Yuri Lima e seus entalhes que mostram a Bahia

Nesta informatizada era, grandes contingentes de artistas andam buscando novas formas de expressão em meio a bites, bytes, kilobytes, megabytes, gigabytes. Mas há os que seguem valendo-se de um singelo lápis para passear sua arte pelos caminhos da criatividade. Ou de um trabalhoso bico-de-pena. Ou de pincéis e tintas. Ou de goivas afiadas esculpindo a madeira, como é o caso do meu amigo Yuri Lima, gravador dos bons, como já o fora H. Lima, seu criativo pai, um grande ser humano e talentoso artista que enriqueceu com seus entalhes maravilhosos o panorama artístico desta afrocity chamada Soterópolis. Yuri mostra que traz em seu sangue os genes da boa arte, herdados de H. Lima, seu zeloso genitor. E esses providenciais genes garantem a boa qualidade dos 20 trabalhos de entalhe que Yuri vai expor a partir da próxima segunda-feira, 09 de setembro deste 2013, às 18 hs, no Centro de Cultura da Prefeitura de Salvador, na Praça Municipal ao lado do Elevador Lacerda. Quem gosta de arte entalhada em preto e branco ou em cores deve dar uma passadinha no Centro de Cultura e dar uma conferida no trabalho de Yuri Lima, um seguidor à altura de H. Lima, o cultuado Lima Limão, meu fraterno amigo, um grande entalhador baiano.
(05/09/13)

Gutemberg Cruz e história em quadrinhos: É um pássaro? É um avião? Não, é o Super-Guto!

Desde guri o jornalista Gutemberg Cruz nutre uma imensa paixão pela Nona Arte, popularmente conhecida como histórias em quadrinhos. Ele cresceu e essa paixão cresceu junto. Em épocas de adolescência os amigos da mesma idade se divertiam jogando bola, soltando arraias e pipas, tentando descolar as primeiras namoradas. Enquanto isso, na Sala da Justiça, Gutemberg editava caprichados fanzines sobre HQs que eram sucesso entre os aficionados de todo o Brasil. Santa precocidade, Batman! Para nós, desenhistas, Guto sempre foi um anjo-da-guarda, um grande incentivador, um valioso e incondicional aliado. Organizou diversas exposições com nossos desenhos e com eles editou e publicou jornais, revistas e livros e ainda por cima sempre fez um belíssimo trabalho voluntário como nosso assessor de imprensa, empreitadas árduas até para o homem que veio de Krypton. E nunca recebeu um centavo por isso tudo. Até porque histórias em quadrinhos nunca deram dinheiro a ninguém neste país. Com exceção do pai da Mônica e da Magali, é claro, por méritos seus, trabalhando com afinco até alcançar o Nirvana. Vai aqui um link para você curtir o blog do Guto: http://blogdogutemberg.blogspot.com/ . Guto, véio,  
 receba meu mais fraterno abraço, meu reconhecimento e minha gratidão. Sniff!Burp!Zing!Bang!Crash!Zoom! e Smac! pra você, brode!
(19/07/13)

La polla en verso, Espanha, erotismo e Hilda Hilst fescenina


Da Espanha, a belíssima Espanha, de Pedro Almodóvar e de tanta gente boa, descubro o blog http://lapollaenverso.blogspot.com/ de una chica que se assina apenas d.b e que no perfil se define como uma "periodista, con total autonomia e independencia de los regímenes literarios". De lá extraio estes almodovarianamente singelos e cândidos versinhos que a notável poeta Hilda Hilst, em um dos seus deliciosos momentos fesceninos, certamente assinaria prenhe do mais lídimo orgulho:
Religiosamente tuya
Méteme un dedo por el culo
átame a la silla fuertemente
cómeme la boca y rompe aguas sobre ella
porque hoy es el dia del Corpus Christi
y tú eres el cáliz con el que me alimento.
(10/12/13)

13 julho 2017

Fauna baiana, Soterópolis, gringos


Esta pintura é um painel de uns 2 metros de altura e de quase outro tanto de largura. Com pincéis e tinta acrílica levei um mês trabalhando nele e penso ter tido a felicidade de colocar uma boa mostra de considerável parcela da fauna humana da Bahia da qual sou integrante parte. Baianas preparando acarajé, gente dançando, namorando, mercando, rezando, olhando, nadando, sorrindo, indo, vindo, comendo, bebendo, dizendo, vivendo. Sob proteção de santos católicos e orixás. Um mês. E o resultado foi sentir um enorme prazer vendo o trabalho pronto. Mas não se quedou muito tempo comigo, achou um dono melhor que eu. E se foi para bem distante da Bahia. Queria retê-lo por mais tempo para dar uma zoiadinha de quando em vez, lamber a cria, mas sei que tal pretensão não posso ter. Como disse uma vez o grande artista plástico e meu querido amigo, Lima Limão, para um cliente seu que lhe indagara se tinha muitas pinturas de sua própria lavra dentro de casa: "Quem sou eu, doutor, para ter um quadro meu? Isto é pro senhor que pode".
(17/12/14)

Deus e o Diabo na Tela do Sol!


O cinema norte-americano sempre foi uma arma de aculturamento em nossas cabecinhas tupiniquins. Quando eu era ainda um niño de Jesus ia ao cinema na minha cidade natal, Candeias, e foi através da telona, linda, panorâmica, apaixonante, que a magia do cinema me pegou. E vai daí eu, embevecido, via filmes de cowboys metendo certeiras e mortíferas balas em indígenas que eles nos mostravam como sendo sórdidos, cruéis e nada hospitaleiros com o bom e sempre assaz bem intencionado homem branco americano, sendo destarte merecedores de todos os letais balaços que recebiam em suas rubicundas epidermes. Depois surgiu em cena nosso Lima Barreto abocanhando, em 1953, o prêmio de Melhor Filme de Aventuras do Festival de Cannes mostrando nas telonas de todo o planeta um brasileiríssimo cangaceiro em suas andanças pelo inóspito sertão nordestino. E o mundo inteiro ficou conhecendo o cangaço e os cangaceiros. O sucesso do filme foi muito além do prêmio recebido, sendo exibido com pompas em mais de 80 países, causando furor na Europa. Só na França ficou em cartaz por quase 5 anos seguidos, uma façanha que nenhum blockbuster norte-americano logrou igualar. Pela vereda aberta por Lima Barreto mais tarde veio  o vulcão Glauber Rocha e seu genial Antonio das Mortes e de quebra Deus e o Diabo se arrostando na Terra do Sol. E eu ali sempre firme, cada vez mais apaixonado pela temática do cangaço. Sempre que faço uma HQ ou um cartum costumo aproveitar o tema, mostrando cenários e tipos do sertão do nordeste. E quando pinto telas, muitas vezes o resultado é como o que está na foto, um painel de quase 1 metro e meio de largura por 2 metros de altura pintados com tinta acrílica, prazer e cangaceirística paixão.
(02/01/15)

09 julho 2017

Batman em luta titânica contra todos os fundamentalistas

 
Nos quadrinhos, na telona do cinema, na telinha da TV, Batman sempre agradou. Muitos são os fãs que preferem a versão que mostra o cara como um herói soturno, sombrio, misterioso e implacável em filmes e HQs. Já eu, geminiano da gema, sempre curti de montão aquele Batman dos seriados plenos de humor e onomatopeias com Adam West e Burt Ward, que deixam de cabelos em pé tais fãs mais ortodoxos e, de quebra ainda, magotes de fundamentalistas que se assumiam como inimigos de qualquer herói de HQs, além das próprias HQs, claro é. Sim, eles já existiram e hoje, se não extintos, conservam-se silentes devido à imensa paixão que atualmente a maioria das pessoas professa ter pelas histórias em quadrinhos. Hoje dizer que os quadrinhos são arte do diabo, que desencaminham criancinhas desavisadas pega muito mal e ninguém faz sucesso com um discurso arcaico e equivocado desses. Mas um dia, pasmem, isso já aconteceu e de com força. Os tais fundamentalistas num passado não muito distante mostravam suas caras assustadores e eram tão malucos quanto qualquer fundamentalista. Muito devido a estes caras e a maneira como viam o Bat-seriado e muitas HQs, foi que surgiu a tal teoria contida no livro "Seduction of the innocent", de Frederic Wertham - o Diabo o conserve - que redundariam no Comics Code Authorithy, de triste memória, e no Código de Ética, versão brasileira desta insanidade criada para salvar nossas almas do inferno e que só fez foi dar mais um golpe no movimento pela nacionalização dos quadrinhos neste patropi abençoá por Dê e bonipornaturê, prejudicando em muito os desenhistas dessas plagas tupinanquins, digo, tupiniquins. Usei neste desenho uma bat-caneta nanquim 0.5, um bat-pincel seco, um bat-reticulado e um precioso bat-graminha de Photoshop. Santa informática, Batman!
(Publicado originalmente em 29/03/14, antes, bem antes que o Grande Morcego subisse aos céus)

Qualquer música. E um mundo de cores.

A música, ah!, a música, essa paixão que surge precoce na vida de todo ser humano. Paixão que se apodera de nossa alma, vinda através dos pavilhões que temos assentados, um em cada lado de nossos crânios. Música, um tema pictórico dos melhores e, por isso mesmo, dele usam e abusam artistas plásticos de todo esse imenso orbe. Essa pintura aí em cima foi feita em tela de dimensões 1,50m x 1,00m. Usei, como sói acontecer, uma antiga companheira e cúmplice, a sempre eficaz tinta acrílica. Para mostrar que sou um cara versátil, um artista eclético, de múltiplos talentos, nela empreguei um toque de humor de caricaturista na construção das figuras, uma cantora e seus músicos em plena faina musical. Te cuida, Pablo Picasso!
( 27/01/16)

07 julho 2017

Roqueiros David Bowie e Iggy Pop by Jim Hopkins


Hoje dei uma passadinha no blog desta fera da caricatura americana que se chama Jim Hopkins com a intenção de surrupiar, devidamente não autorizado, alguns dos suas magníficas caricas para postar em meu bloguito. A pescaria foi boa e fisguei este magistral desenho do David Bowie e este magnífico Iggy Pop. De repente, entre tantos modelos vi um rosto que conheço bem, já que vejo diariamente no espelho, ou seja, euzinho ao lado de uma gang suspeitíssima. Cheguei a pensar que podia ser um daqueles cartazes de "procura-se" que a gente vê nos filmes da terra do Tio Sam. Acabei descobrindo que aquela galera toda é composta de caricaturistas de países diversos. E o Jim me colocou entre estas feras, veja você. Fiquei pejado do mais lídimo orgulho por ter o reconhecimento de uma fera assim. Aqui na Bahia, caras com o talento dele a gente define como "o cão de calçolão chupando manga". Poliglota que sou, digo pra vocês que lá nos States seguramente devem dizer que Jim é "a devil in a enormous panties licking mango".  Na verdade, o verbo deveria ser sucking, mas tal verbo na Terra do Tio Sam, por questões sexofilosóficas não é visto com bons olhos, nem escutado por bons ouvidos.Para ver mais dos trabalhos do Jim Hopkins clique neste link: http://mugitup.blogspot.com/
(10/09/13)

29 junho 2017

Os Correios trazendo a felicidade em um pacote da Editora Criativo.

Há uns quinze minutos a felicidade bateu em minha porta. Não é a primeira vez que ela assim o faz. Em incontáveis oportunidades e pelos mais variados e escabrosos motivos - afinal, geminiano eu sou - mandei dizer a ela que eu não estava, e ela, sem outra alternativa, desistiu e se foi. Dessa vez, não! Ah, dessa vez, não! Reconheço que o tempo que passa tem sido generoso com minha esplendorosa pessoa e, além de fazer aumentar minha beleza física máscula e varonil, tem-me fornecido também amplos conteineres de sabedoria e elevada inteligência. Ao ouvi-la me apelando de minha porta, na verdade, de meu portão, corri ao encontro dela ainda de Havaianas, as únicas que não deformam, não têm cheiro e nem soltam as tiras. Pronto! Lá estava, paramentado de uniforme azul e amarelo, um garboso trabalhador brasileiro, um dileto e competente funcionário dos Correios. Assinei o recibo, agradecido, e voltei correndo para o interior de meu palacete assobradado, onde tratei de selfiar-me, belo, formoso e exultante, exibindo um exemplar do Sketch Book Paulo Setúbal, que aqui, generoso, como de habitude, compartilho com vocês, amáveis e idolatráveis leitores, salvem!, salvem! No interior do Sketch Book, há páginas e páginas de desenhos e estudos meus, caricaturas, cartuns e ilustrações, mostras de construções de personagens e uma gama de técnicas diversas. Os amantes de histórias em quadrinhos, trabalhos cartunísticos e caricaturais que estejam interessados em adquirir um exemplar devem acessar o site http://www.criativostore.com.br  
Um viva aos Correios, um viva à Editora Criativo!

27 junho 2017

O homem no parque / Crônica Mente

        O homem sente a brisa fria do outono tocar seu rosto e vai despertando aos poucos de um sono pesado e longo. Com vagar seus sentidos vão se aguçando. Ouve vozes distantes. Risos adolescentes. Gritinhos femininos. Confabulações de velhos senhores. Não entende direito o que dizem. Esforça-se para enxergar de forma clara, mas suas retinas só captam vultos. Imprecisos. Inúteis. Quem são estas pessoas? Que dizem? Que fazem ali? A cabeça do homem parece girar e é forte a sensação de estar saindo de um estado letárgico. Ou acordando, de fato, de um sono muito longo e pesado que ele sequer imagina quando começou.
      Aos poucos, felizmente, as coisas vão se tornando mais nítidas. As vozes mais audíveis. Os vultos vão tomando seus contornos humanos. Então ele vê. Está em um parque. Entretanto, embora a paisagem ao redor lhe pareça familiar, tudo o mais lhe é estranho. As pessoas estão trajadas com exóticas indumentárias. Os mais jovens parecem saídos de um mundo de ficção. São diferentes até no andar, no gestual, nas atitudes.
      Algumas crianças passam em grupo e aos gritos espantam os pombos que para fugir alçam vôo. Vários pousam um pouco mais do, distante e recomeçam a comer as migalhas que encontram pelo chão. Uma das aves vem pousar sobre o chapéu do homem. Instintivamente ele tenta espantá-la com sua mão esquerda mas ela não esboça movimento algum. Tenta agora com a direita e, aterrorizado, percebe que  ela tampouco atende ao seu comando. Sente-se como se estivesse num estado de cruel apoplexia. Um grito às suas costas desvia seu pensamento. Uma voz desesperada grita por ajuda e brada: “Pega ladrão!”
      O homem tenta virar-se o mais rápido que pode mas não consegue. Dá-se conta que traz à cintura uma espada. Procura levar sua mão até ela na clara intenção de empunhá-la em socorro da vítima mas, se inteira, horrorizado, de que seus braços seguem desesperadamente estáticos. E seus antebraços, ombros, pescoço, pernas. Nada obedece ao seu comando. Nem mesmo o puro-sangue, que só agora percebe estar montando, tão imóvel quanto ele próprio. O homem vê aumentar seu desespero. Quer gritar seu grito mais forte. Mas de sua garganta não escapa sequer o mais débil gemido. Tal é seu horror, seu mudo desespero, que de seus olhos brotam duas lágrimas. Nelas, diluída, sua dor. Seu olhar marejado não consegue distinguir bem os dois vultos a uns poucos passos de si. Mas seus ouvidos lhe dizem que se trata de uma mulher adulta e uma menina de cinco ou seis anos. Aproximam-se enquanto conversam.
      _Mãinha, quem é este homem montado neste cavalo enorme?
     _É o velho Barão de Itapuã, filhinha. Homem muitíssimo corajoso, que defendia nosso povo na luta contra os inimigos da nossa amada terra. Um verdadeiro herói, um patriota, tesouro da mamãe! Infelizmente hoje em dia existe pouca gente assim.
_Veja, mãinha! O homem está...está chorando!!
_Chorando?! Aonde já se viu, menina? Deve ser um resto de orvalho, querida. Você não sabe, minha doce criança? Estátuas não choram. 
(Publicado originalmente em 06 de fevereiro de 2013)

Humor de graça / A fé remove montanhas


Biratan Porto, Belém do Pará, Flavio Colin e uma nova tradição

 
Coisa impensável entre católicos praticantes e juramentados é ir a Roma e não ver o Papa. Pois em verdade, em verdade vos digo, fiéis leitores, que um cartunista autêntico ou um genuíno desenhista de histórias em quadrinhos que preza seu ofício, em caso de visita a Belém do Pará, tem o sagrado dever de ir ao estúdio de Biratan Porto, que é também seu lar, pedir a benção ao piramidal cartunista. Se for contemplado com a indeclinável honraria de ser convidado para tal visitação, é claro. Benção pedida e concedida, a coisa não pára por aí, pois no larestúdio do Biratan estando, sem que nenhum protocolo ou norma de etiqueta assim o determine, o desenhista deve em determinado momento do papo, colocar-se ao lado de um pôster com um desenho do incomparável, inigualável e insuperável Flavio Colin, que Bira mantém em uma das paredes a guisa de decoração e homenagem ao Mestre dos Mestres. Foi exatamente o que fiz, preclaros leitores. Mal troquei algumas idéias com meu anfitrião e...catapimba!. Lá fui eu, alegre e altaneiro, posicionar-me ao lado do belo pôster de Colin, para ter uma foto minha comprovando que vivi tão honroso momento. A pose não foi estudada, mas ao ver a foto pronta, nota-se que nela, enquanto aponto orgulhoso a assinatura de Colin, seu personagem, o detetive Castro, ameaçadoramente aponta sua arma automática para meu coração vagabundo que quer guardar o mundo em mim. Em contraponto, no alto, enquanto toca um telefone, uma delicada mãozinha feminina vem sensualmente acarinhar os meus cabelos. Papeando depois com meu piramidal amigo, fico sabendo que essa história de visitantes posarem ao lado do dito pôster é algo que jamais foi planejado, sendo coisa que foi acontecendo natural e espontaneamente, e que aos poucos parece que vai se transformando numa espécie de cultuada tradição entre os cartunistas que visitam o larestúdio. Com o carisma e a popularidade de Biratan, não será surpresa se um dia esse ritual visitativo tiver um público comparável ao tradicional Círio de Nazaré. Ao Bira envio aqui, da Bahia, meus mais amistosos amplexos e os mais fraternais ósculos. Aproveito o ensejo e ilustro esta postagem com a mencionada foto, que é para nenhum vivente, cartunista ou não, duvidar do meu marcante feito. Razão, muita razão, têm os meus amigos escritores Gonçalo Junior, Vitor Souza e Tom Figueiredo, quando propagam aos quatro ventos que eu não sou fraco, não!  

25 junho 2017

Vitor Souza, o pastor de muita fé . Vitor Souza, o colorista, ilustrador e designer gráfico.

Um personagem de história em quadrinhos chamado Xaxado foi quem me apresentou ao meu amigo Vitor Souza, competente professor de Teologia e dedicado pastor, designer gráfico e colorista dos melhores. Trocando em miúdos, bem antes de ser amigo de Vitor eu já o era do desenhista Antonio Cedraz, criador de diversos personagens de quadrinhos, sendo o mais famoso deles um menino nordestino, um pequeno sertanejo que usa um chapéu de couro, atende pelo nome de Xaxado e é neto de um autêntico cangaceiro. Cedraz, tão sertanejo quanto seu personagem, desde seus dias de infância no interior da Bahia era um grande apaixonado por quadrinhos. Sonhava ter os personagens criados por ele tão cultuados quanto os de outros já consagrados profissionais. Pensando nisso, trabalhou sozinho com perseverança, depois decidiu que era chegada a hora de ter um estúdio e formar uma equipe para produzir seus quadrinhos. Montou seu tão sonhado estúdio e abriu uma editora, a Editora Cedraz, disposto a publicar e divulgar suas criações. Começou a selecionar pessoas que tivessem competência e vontade de fazer quadrinhos. Logo arregimentou gente disposta a trabalhar firme para tornar realidade o sonho dourado de viver de histórias em quadrinhos na Bahia. Dentre essas pessoas selecionadas, estava Tom Figueiredo, literato premiado, argumentista e roteirista de quadrinhos, estava também Sidney Falcão, desenhista profícuo, de grande habilidade, que assimilou com competência o traço de Cedraz e, last but not least, integrava essa turma Vitor Souza, que no estúdio, é claro, não atuava como pastor nem dava aulas deTeologia. O que Vitor fazia por lá, entre outras coisas,  era colocar títulos, letras e balões nos desenhos e colorir digitalmente as histórias que surgiam da cuca de Tom e Cedraz e eram desenhadas por Sidney e pelo próprio Cedraz, a maioria delas com o menino Xaxado que, graças ao seu carisma, havia se tornado o personagem principal e o carro-chefe do estúdio ensejando a produção de centenas de tiras e páginas, sendo a grande maioria colorida por Vitor que, de novato na arte de colorir, foi se aperfeiçoando e se tornando um profissional competente e habilidoso, dominando o uso de diversos programas, ficando íntimo das cores digitais e não apenas isso, das cores em si, suas nuanças, seus matizes, sua linguagem cheia de sutilezas e de possibilidades. Eu gostava de visitar Cedraz no estúdio, era estimulante ver o trabalho que ele e sua equipe desenvolviam com tanto carinho. Ali naquele ambiente pude presenciar Vitor Souza colorindo o Xaxado. A cada visita minha ao estúdio, enquanto ele letreirava ou coloria, conversávamos animadamente e eu gostava de ouvi-lo falar com propriedade sobre os temas mais diversos, cinema, política, sociedade, quadrinhos e um mundo de coisas interessantes. Vitor sempre foi o tipo de gente que gosto de ter como amigo, um cara muito bem informado, com saberes fundamentados através de leitura de livros e revistas de qualidade, cinema, Internet. Nessas fontes que bebia captava informações importantes o que propiciava que ele falasse das coisas com conhecimento de causa. Sendo ainda bem jovem sempre mostrou ter ideias maduras e uma mente aberta, sabendo argumentar com grande embasamento, sem radicalismos. Sabia ouvir e falar na hora certa, mostrando personalidade, sem querer ser o dono da verdade. Findamos por nos tornar amigos próximos e, inevitavelmente, começamos a trabalhar juntos, a misturar nossas artes, eu com meu desenho, ele com suas cores e seu trabalho de designer gráfico. Vitor, além de profissional competente, é um ser humano de boa índole que batalha muito para ser feliz ao lado da própria família. Não sou religioso como ele o é, nem tenho as relações sólidas com Deus como ele as tem, mas mesmo sem maiores intimidades, tenho lá minhas ligações com o Criador e quando rezo pedindo a felicidade de gente da minha estima, peço ao Onipotente que contemple com paz e harmonia a caminhada de tão bom amigo. E que a vida de Vitor e sua família possa ter sempre a mesma maravilhosa harmonia que ele magistralmente consegue dar às suas cores.  
( As ilustrações acima são da HQ Em Terras Americanas com argumento de Tom S. Figueiredo, desenhos de Setúbal, com colorização e letreiramento de Vitor Souza.)
(22/07/2016)

16 junho 2017

Toda mulher encalhada tem razões de sobra para ser feliz.

Solteirona, sim. Mas numa boa!
Fiel leitora, tá certo que você não seja lá nenhuma Gisele Bündchen. Que, na verdade, você tem dentes tortos e amarelados, mau hálito, buço espesso, joanetes, varizes, estrias e montanhas de celulite, mas isto não é motivo para ficar chorando copiosamente, desolada, pensando que, pelo simples fato de ser uma tremenda baranga, um verdadeiro dragão, a homaiada não vai querer nada, nadinha com você. Melhor, muito melhor assim, acredite, doçura. Saiba você, barangosa amiga, que os homens, esses sórdidos incorrigíveis, costumam ter defeitos bem piores que os da mais imperfeita das mulheres e é preferível estar só do que mal acompanhada, que mais vale ouvir comentários de que você ficou pra titia do que ter o dissabor de passar o resto da vida ao lado de um Zé Mané qualquer, aturando aquelas insuportáveis manias típicas dos machos da espécie.
Em seu benefício e o de todas as mulheres, listamos aqui uma série de defeitos comportamentais exclusivamente dos homens para provar definitivamente que não vale a pena você juntar-se a um safado desses, sendo bem melhor viver sozinha, desfrutando de uma feliz e prazerosa existência de solteirona. 
Um homem, uma mulher... e um W.C.
Seguindo uma antiga tradição machista criada para enlouquecer as mulheres, os homens quando vão ao banheiro para fazer o number one, jamais levantam a tampa do assento do vaso e ela acaba toda batizada. Então quando você, toda charmosa, entra no banheiro para fazer aquele xixi básico de princesinha de conto de fadas, depara-se com aquele tsunami amarelado, horror dos horrores. Aí, é claro, você faz a coisa mais sensata e racional que uma mulher equilibrada deve fazer em um momento desses, que é dar uns estrondosos berros nos ouvidos do calhorda. Ele, na maior desfaçatez, vai fazer pose de inocentíssimo e com a mais lambida cara de vítima, dirá que você anda muito, muito estressadinha. 
De príncipe a rei... do desleixo.
 Sendo mulher, você é uma romântica incorrigível. Um belo dia, por sei lá quais enganos e equívocos, fica achando que um sujeito qualquer é o seu príncipe encantado e, cheia de ilusões, casa-se com ele. Pobre amiga! Depois de um tempo, você se dá conta que ele foi perdendo todo o charme que você enxergava nele, que foi ficando careca, barrigudo e andando com a barba sempre por fazer. Enfim, deixou de ser príncipe encantado e virou um similar do Shrek, um tremendo ogro. 
Sim!, ele é o maior... o maior engano da sua vida!
Na fase do namoro o homem porta-se como um cavalheiro, abre a porta do carro para você, lhe cobre com as mais olorosas flores e a leva para passear por recantos paradisíacos, maravilhosos. Depois de casado ele dá mostras do sujeito imprestável que é, vai se acomodando e quando não está entornado engradados de cerveja, fica no sofá da sala vendo futebol na TV ou no quarto, roncando de forma insuportável, ou zanzando pela casa, só de cuecas e meias furadas, soltando sonoros flatos e azedíssimos arrotos. 
É a mãe! É a mãe!
Os homens, delicada amiga, são muito mal educados e um belo dia, querida leitora, este grosseirão ofende sua mãezinha, aquela santinha sem máculas, a melhor entre todas as sogras, chamando-a de jararaca velha. Tudo porque ela, pessoa experiente e sábia, fundamentada em sua elevada sapiência, disse umas necessárias verdades para o calhorda. Ao ouvir tais disparates contra sua imaculada genitora, você retruca dizendo que a mãe dele, sim, é que é uma cascavel com chocalho e tudo. E a pancadaria rola solta na casa de Noca. 
Como virar uma mocreia sem sair de casa.
Para manter seu corpo sarado, um bumbum empinado e aquela cinturinha de tanajura, você gasta  uma nota preta e se submete a uma sacrificante rotina, sofre horrores em exaustivos exercícios nas academias. Aí vem um pilantra com uma conversinha mole, cheia de promessas vazias. Quando um dia você cai em si, percebe que sua barriguinha sarada cedeu lugar a um monte de pneuzinhos, seus cabelos e unhas estão um lixo, sua pele parece uma lixa número 5. Ainda por cima, sem que você se desse conta, o vagabundo encheu você de filhos, e os pirralhos passam o dia depredando aquele imóvel que você julgava ser seu inviolável lar ou agarrados à sua saia por todos os cantos da casa. Um desses pirralhos está com a fralda cheia de caca, outro engoliu metade da garrafa de detergente pensando ser refrigerante, outros dois querem mamar em seus peitos, agora já bem caídaços, por sinal. Enquanto isto, alegando que não suporta mais tanto barulho, o sacripanta diz que vai dar uma caminhada para relaxar e se manda direto para um boteco pra encher a cara com aqueles amigos debilóides de Q.I. iguais ao dele. E quando passa uma periguete cheia de curvas, peitões e um bumbum tamanho GG, ele diz: “Isto é que é mulher e não aquela mocreia que eu tenho lá em casa!”
Amiga querida, agora que você já está consciente da verdade sobre os homens, jogue fora seu lencinho encharcado por lágrimas derramadas em vão. A viver sua vida ao lado de um verme desses, é preferível vivê-la só, docinho. E que se danem as línguas maledicentes das vizinhas fofoqueiras, falando pelas suas costas que você é uma solteirona, uma encalhada. Solteirona, sim, encalhada, sim, mas por opção própria. E muito, muitíssimo feliz, por sinal! 
                            ( 17/02/13 )

15 junho 2017

Mulher de Gêmeos no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que quer 
Mas tirante isso 
É boa mulher 
A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que diz
Mas tirante isso 
Faz o homem feliz 
A mulher de Gêmeos
Não sabe o que faz 
Mas por isso mesmo 
É boa demais...
(09/05/15)

09 junho 2017

Lançamento do Sketch Book Paulo Setúbal pela Editora Criativo em Sampa.

Exibindo paulo-setubal.jpg
 A vida é um eterno desfilar de surpresas e acontecimentos que nos envolvem, muitas vezes movidos pelas mais insondáveis razões. A nós, nos resta festejar e curtir com intensidade quando taís momentos ofertados são bons motivos de celebração. Pois não é que, para gáudio, honra e subida glória do autor desse bloguito a Editora Criativo estará lançando novos Sketch Books e, entre eles, o Sketch Book Paulo Setúbal, o popular euzinho. Nele tenho oportunidade de apresentar ao respeitável público um bom lote de amostras de meus desenhos, ilustrações e estudos diversos, caricaturas, cartuns, ilustrações e histórias em quadrinhos. Como artista participante da coleção fico radiante por haver sido selecionado para integrar esse panteão de tantas feras do desenho. Os mais de 60 Sketch Books que integram a coleção apresentam uma mescla da produção de talentosos artistas, sendo que alguns desses artistas já têm alguma quilometragem no campo das Artes, mas há também as criações de artistas promissores que estão iniciando no campo profissional e também há uma bela seleção de artistas já consagradíssimos, com grandes legiões de fãs Brasil e mundo afora. O lançamento dos Sketch Books pela Editora Criativo acontecerá no próximo dia 11 de junho, domingo, das 13 às 18 h, no Restô & Burgers, na Praça Ana Rosa, 33, Vila Mariana, bem ao lado do metrô Ana Rosa, em Sampa. Ali o aficionado por cartuns, ilustrações e histórias em quadrinhos poderá conseguir um autógrafo do seu autor predileto e até bater um papo com ele para um dia contar para seus futuros netinhos.

Brazilian Tequila, Augustus Young, João Ubaldo Ribeiro, a Irlanda e a Bahia.

Augustus Young é um grande, amado e cultuado escritor que nasceu na fria Irlanda. Leitor de muitos livros, ficou conhecendo o Brasil através dos escritores brasileiros que leu avidamente. Entre eles, escolheu como o seu preferido o baiano João Ubaldo Ribeiro. Cativou-o, principalmente, o humor de Ubaldo, as suas ricas e apaixonantes descrições do povo brasileiro com todas suas peculiaridades que tanto o diferem do povo irlandês. Augustus tanto gostou que findou por entrar em contato com João Ubaldo através de amigos em comum. Manteve correspondência com o renomado escritor e estreitou seus laços de amizade para com ele. Um dia, Augustus decidiu dar um tempo no frio da Irlanda e experimentar a sensação de viver em local bafejado por um clima mais caloroso, tropical, e acabou navegando para a Bahia para encontrar-se com João Ubaldo e conhecer de perto os locais e as gentes que passeiam pelas páginas de livros do escritor baiano. Essa sua decisão, suas épicas andanças pelas terras tropicais estão contadas em seu mais recente livro, Brazilian Tequila, cuja capa mostro acima. Uma vez ilustrei para o jornal A Tarde, de Salvador, Bahia, o texto de um cronista.  Tal texto falava sobre Ubaldo e seu cotidiano na Ilha de Itaparica, onde viveu e escreveu grande parte de seus maravilhosos textos para livros, jornais e revistas. A ilustração que fiz é a mesma que ilustra esta postagem, mostrando João Ubaldo em uma mesa, às voltas com um apetitoso peixe em uma travessa, tendo à mão um copo de uísque, bebida que tanto apreciava, coisa que deve ter contribuído, em muito, a aproximá-lo do irlandês Augustus, também chegado a entornar um bom uísque e similares. Young teve acesso à crônica, leu-a, gostou e gostou também da caricatura que fiz de João Ubaldo. Quando decidiu publicar seu livro contando sua trajetória por terras da Bahia, Augustus, já de volta ao seu lar na Irlanda, fez contato comigo pedindo autorização para usar a caricatura no livro e eu, que sempre adorei João Ubaldo Ribeiro, tanto como escritor, quanto como pessoa de uma mente lúcida, um cara extremamente culto, um causeur com invejável presença de espírito e elevadas doses de humor, autorizei com entusiasmo a publicação do meu desenho. Passados alguns meses, eis que recebo uma correspondência postada em Paris. Fiquei me perguntando quem seria o remetente, se a Catherine Deneuve, se a Isabelli Adjani. Ao abrir o pacote vi que se tratava de Brazilian Tequila, o livro de Augustus Young, em uma belíssima edição. Uma grande honra para mim poder figurar em um livro seu, Augustus, principalmente falando de um querido amigo em comum, tão talentoso e boa-praça como João Ubaldo Ribeiro. Thanks, thanks a lot, Augustus Young, my friend!                      
***** Pedidos de livros e contatos no e-mail:                                   http://books@troubador.co.uk                                
Site: http://www.troubador.co.uk/matador                
Twitter: http://matadorbooks     

08 junho 2017

Biratan Porto, cronista dos bons, e seu livro Ora, mas tá!

Exibicionismos de erudição, sempre gratuitos e desnecessários, não são encontradiços nos textos do cronista Biratan Porto. Suas crônicas no livro Ora, mas tá! chegam aos leitores trilhando o caminho da simplicidade, despojadas de ludibriantes recursos linguísticos em que o supérfluo, desfavoravelmente, pudesse vir a prevalecer. Por aí começam as muitas riquezas contidas em suas crônicas exibidas nesse livro, frisando que essa dita simplicidade não é, digamos, simplesmente tão simples. Coisas aparentemente triviais para os mais desatentos transformam-se em um rico mote para as crônicas de Biratan. Quem haveria de adivinhar as reminiscências que podem se encerrar em uma prosaica folha de imbaubeira caída em uma calçada? As pessoas comuns, certamente, não. Passariam mil vezes por ela sem dela se darem conta. Até poderiam pisá-la, em seu desatento caminhar. Da via pública o cronista recolhe a folha e, extasiado, observa-a com atenção. Embevecido, termina por viajar por suas fibras e nervuras, transportando-se no tempo até sua infância em Castanhal, em uma jornada sentimental que também arrebata a nós, seus leitores, e lá vamos nós com ele. Cada crônica de Biratan nesse seu livro é um périplo a nos conduzir por emoções de todas as grandezas, por reflexões existenciais oriundas dos mais improváveis recantos, por grandiosidades narradas com rara sutileza. Seus textos, em alguns momentos, por vezes se fazem acompanhar de uma leve ironia ao abordar instantes da vida em que vigora o inesperado, as reviravoltas da existência, o errado sobrepondo-se ao correto. A criatividade do cronista se faz onipresente, o seu olhar prima pela busca do insólito, do pitoresco, do inédito, do risível, seja relatando a vida de um incorrigível conquistador e suas pretendentes, seja mostrando um delegado chegado a excessos arbitrários, mas chegado muito mais ao sambista Geraldo Pereira. Seja, ainda, narrando os detalhes de uma imponderável corrida de galinhas ou mesmo expondo as angústias de uma kafkabirataniana barata e sua luta para salvar de trágico holocausto, suas irmãs e todo seu povo. As crônicas de Biratan não deixam espaço para a dor, melancolia ou tristeza. Nelas sempre se faz visível o tom positivo, para cima, comprovando que o autor acredita que o ser humano, malgrado seus equívocos, pode se fazer viável e experimentar a felicidade no planeta que habita e viver em harmonia com os seus semelhantes. Tudo isso se nos apresenta alinhavado pelo refinado humor desse inspirado cronista, Biratan Porto, um humor que ora nos chega de forma sutil, contida - e aí há que se ficar atento para não perder o riquíssimo sabor dessas passagens – e por vezes, esse humor se nos invade de forma histriônica e não há como conter uma gostosa e revigorante gargalhada.                                                                    *****Para os que querem experimentar o prazer de ler as crônicas de Biratan e as de seu partner, o também cronista Max Reis, que com ele divide as páginas desse Ora, mas ta!, basta escrever fazendo o pedido do livro para http://biratan.cartoon@gmail.com 

06 junho 2017

Biratan Porto e Max Reis com suas deliciosas crônicas.

De Belém do Pará, onde tenho amigos do peito, recebo um presente digno de rei que um desses amigos fraternos generosamente me envia. Trata-se de algo assaz envolvente, mas não se trata de um disco de carimbó do Pinduca, nem um tecnopop da vibrante, esfuziante e contagiante Gabi Amarantos. É coisa saborosíssima, mas esclareço logo que não é uma tigela recheada de um delicioso açaí. Trata-se de um belo exemplar de Ora, mas tá!. Se você não captou, explico que esse é o título de um livro de crônicas escritas por Biratan Porto e Max Reis. Magistralmente escritas, devo acrescentar. O livro em si, é bonito, tem belas soluções gráficas para a capa e para os textos internos. Quanto aos autores, caro leitor, como sua mente sagaz e atilada já percebeu, Biratan Porto é aquele cultuado cartunista, autor de belos cartuns premiados mundo afora por conta de seus desenhos e ideias magníficas, muitas delas abordando temas ecológicos, denunciando desmatamentos e a poluição que atinge criminosamente metrópoles, lagoas, mares e rios. E por falar em mares e rios, Biratan não é nenhum peixe fora d’água quando assume o papel de escriba. Na seara das crônicas ele transita com a mesma desenvoltura com que traça seus magistrais cartuns, exibindo sua proverbial criatividade, uma sensibilidade tocante que revela uma autêntica alma de cronista que mergulha na sua rica memória afetiva para nos brindar com as brincadeiras da sua infância plena de alegrias, jogos e descobertas, vividas com intensa felicidade por quem foi um típico menino do interior do Pará, para quem as ruas, becos, praças e campos de Carvalhal compunham um reino a ser explorado e ele, um rei em seu corcel, intrépido, arrojado, destemido vivenciando toda sorte de possíveis aventuras, momentos épicos e plenos de magia, tão mágicos que um dia viraram letras, palavras, substantivos, adjetivos, verbos e pousaram no papel das páginas que compuseram um dulcíssimo livro de crônicas que li com intenso prazer. Além, muito além dessas reminiscências vai Biratan, passeando também pela ficção com o mesmo olhar observador, atento aos mais discretos detalhes ocultos nos lugares mais recônditos. Mas reservarei isso para abordar em um próximo texto. Nesse me cabe contar também sobre seu companheiro de empreitada literária, Max Reis, que vem a ser o outro cronista de Ora, mas tá!. Que formidável dupla formam Biratan e Max Reis! Max, também se vale de sua memória para buscar na infância - igualmente vivida de forma intensa - e na sua juventude as lembranças de amigos fiéis, lugares, folguedos, namoros, as paixões adolescentes e as maduras. Tudo costurado com a mesma linha da emoção, própria de quem sente um perceptível prazer em viver, sempre olhando as coisas de um ângulo bastante pessoal em que se acumulam o humor, o amor, o filosofar, a indagação, a contestação, o apego ao modo de vida próprio dos viventes do Pará, de detalhes simples à primeira vista, mas com uma riqueza e exuberância que Max sabe captar, apreender e revelar aos leitores de suas crônicas. Não se resume ele a fazer um memorial. Das coisas vividas e vistas ao longo da de sua vida, Max Reis - mostrando intimidade com as palavras – recupera detalhes que agora revela em minúcias, coisas que por vezes escapa aos olhares dos mais desatentos, daqueles muitos que passam pelas coisas olhando sem ver. 
*****Com entusiasmo, aconselho aos que são chegados a uma boa leitura, especialmente de crônicas, que encomendem seu exemplar desse livro de leitura tão convidativa e prazerosa. Para fazer a encomenda do livro basta enviar uma mensagem para http://biratan.cartoon@gmail.com . E é bom você não marcar touca, senão a edição se esgota e aí vai ficar se lamentando. E quem olhar você, no maior desconsolo por ter dado tal bobeira, há de dizer: “Ora, mas tá!”  

01 junho 2017

Laerte, Ziraldo, coletes, calçolas e preconceitos.


Fico sabendo pelas gazetas e pela Dona Net que o cartunista Laerte de há muito se confessou um inveterado, contumaz e renitente adepto do uso de femininas vestes e que sendo assim e assim sendo, preconiza aos quatro ventos as delícias de ser um crossdresser, nome com o qual costumam batizar uma pessoa que adota um comportamento pouco convencional já que, sendo de um determinado sexo, sente-se bem vestindo roupas consideradas de uso reservado ao sexo oposto. Não é lá muito sensato concordar com a definição, hoje em dia isso soa como algo bem vago, ainda mais nesses tempos em que sopram ventos metrossexuais, tempos em que, por exemplo, mulheres soem usam terninhos bem ao feitio masculino e ainda assim não perdem o charme e nem podem ser chamadas de crossdresseres. Sou, como milhares de brasileiros, um fã incondicional do trabalho de Laerte, cartuns, tiras e HQs. O cara é uma fera nas ideias e no seu trabalho como um todo, na sua participação como cidadão - ou cidadã - com enorme consciência social e política e invejável destemor como qual arrosta os poderosos de plantão e gangsters políticos de todos os calibres.  E seus saques sobre os assuntos que aborda são sempre definitivos. Acho uma fortuna ter podido ver originais dele quando estive no Salão de Humor de Teresina a convite de meus amigos Kenard Kruel e Albert Piauí alguns lustros se vão. Pranchas de HQ tamanhos extra large, um traço a pincel e nanquim de cair o queixo. Não conheço pessoalmente o Laerte. E isto se deve ao fato dele não ter permitido que isto acontecesse quando me dirigi a ele, também convidado do mesmo Salão. O cara não me deu espaço, negou-me um mínimo de aproximação. Tratou-me com frio desinteresse, secura inequívoca, imensa falta de polidez, com evidente irritação. Saí daquele frustrado encontro achando-o neurótico e um chato de galochas. Não é isso - muito pelo contrário - que ele mostra ser em suas entrevistas e declarações.  Talvez ele não estivesse num bom momento. Ou quem sabe a intuição dele tenha lhe soprado nos ouvidos que eu, sim, era um chato galochante a ser mantido a uma distância segura. Não misturo as coisas e não guardo mágoa, já me bastam neuroses outras em minh'alma. O trabalho dele,  vale repetir, considero um dos melhores que já vi, tanto no traço quanto nas idéias. O mesmo se dá com outro cartunistaço, Ziraldo, que é um profissional consagrado e admirado por todos. No entanto, certo dia vi o pai do Menino Maluquinho na telinha, todo paramentado com seus habituais coletes, em uma entrevista com Leda Nagle e ele desferiu inesperadamente algumas bombas preconceituosas ao vivo e a cores contra as afrogentes desta terra de Jorge Amado, entre os quais estou incluído. E não foi no varejo, foi no atacado mesmo. Afirmou que o baiano é, por natureza, um falso e insidioso. Tão estupefato fiquei que fiz aqui uma postagem sobre o lance. Já Laerte, me dá prazer e enorme satisfação ouvir seu discurso claro, límpido, embasado. Nunca o vi dizer coisas tão equivocadas como disse Ziraldo, que se traja de maneira política e geriatricamente correta com seus vistosos coletes podendo desfilar em qualquer ambiente familiar sem causar espantos ou fofocas. Não serei eu a barrar o Laerte em nenhum espaço se ele aparecer envergando uma evasê rosa- choque ou qualquer outra almodovarivana cor. Isto não fere a honra e o amor próprio de nenhum grupo de pessoas ao derredor. Se o sujeito sente-se bem usando calçolas de babados, se a namorada do cara o acha sexy assim, isto é lá com ele e com ela. Entre as atitudes de Laerte e as do cartunista de colete com suas declarações deploráveis, fico com o criador dos Piratas do Tietê. Com calçola e tudo.
(18/10/13)

27 maio 2017

Tostão, Paulo Paiva, o Corinthians de Tite, bi-campeão do Mundo, e males do futebol brasileiro.


Ilustração de Paulo Paiva, o Profeta Pirado, feita no dia em que o Timão sagrou-se bi-campeão mundial interclubes no Japão.
Acreditem, além daquela arenga inócua e do velho lengalenga habituais daqueles verborrágicos sujeitos que são chamados de cronistas esportivos, há vida inteligente na cobertura do chamado esporte bretão. São poucos, são raros os que compõem esse grupo, mas existem para nos livrar da mediocridade geral que contempla essa nação de tantos amantes do dito esporte das multidões. Acredito eu que entre esses raros bem-pensantes, no melhor dos sentidos, está o Dr. Eduardo, mais conhecido por Tostão. Suas opiniões podem ser lidas no jornal Folha de São Paulo. Poucos são os cronistas mais contidos e discretos, os outros em grande quantidade infestam rádios e TVs e ali destilam uma multidão de lugares-comuns, frases de efeito, opiniões emitidas por conveniência, pretenso entendimento de táticas e do que acontece em campo, visão rasteira do universo pebolístico e uma sórdida conivência com a cartolagem nefasta. Alguns adotam a linha humorística, imaginam-se engraçadíssimos, creem-se criativos. Emitem suas opiniões com ares de professores, mestres, próceres, grandes luminares do assunto. Não são luminares coisa alguma, grande parte dele, seguramente a maioria, fala pisoteando a última flor do Lácio, assassinando friamente nosso léxico. Quanto ao conteúdo, eles quase nunca acertam o alvo, embora tenham suas opiniões em altíssima conta. Grande parte têm ligações nefárias com a cartolagem podre que tanto mal faz ao esporte, trabalham a serviço da escória. Acho que Tostão é um dos raros casos de cronistas que podem ser lidos e ouvidos com respeito e eu procuro ler tudo o que ele escreve por ser ele pessoa idônea, equilibrada, imparcial que conhece tudo do assunto, conhece o país que vivemos, fala o que de fato pensa, mostrando conhecer profundamente o que se passa nas quatro linhas do campo. Não busca afirmação pessoal nem polêmicas baratas. Para traduzir o que penso sobre a conquista do Campeonato Mundial Interclubes pelo Corinthians nesse ano de 2012 vou fazer minhas as palavras do inigualável Tostão. Se os que se apossaram dos destinos do nosso futebol tivessem sua visão e consciência e não pensassem tão obsessivamente em acumular fortunas às custas desse esporte, certamente não teríamos passado o vexame mundial que passamos na Copa do Mundo que viria em 2014, um lábeu do qual nunca nos livraremos. 
Eu e o grande cartunista Paulo Paiva, integramos o bando de loucos da chamada Fiel Torcida. A ilustração dessa postagem, relativa à conquista do Bi do meu amado Timão, é de autoria dele. Quando o Corinthians foi ao Japão enfrentar o Chelsea pela final do Mundial de Clubes, era época em que uns despirocados andavam anunciando que o Mundo iria se acabar. Não acabou. E a Fiel, com esse seu formidável bando de loucos, mostrou ao mundo e a quem sabe enxergar as coisas com clareza o que é amar verdadeiramente um time de futebol. Isso rolou em 2012, mas vale a pena see again. Principalmente, porque o autor do texto irretocável é o sábio Tostão:
"Aprendam com o Coringão  
Como escrevo aos domingos e quartas, não sou blogueiro, tuiteiro, não participo de rede social, não trabalho no rádio nem na televisão, gosto de palpitar, ainda não escrevi sobre o jogo do Corinthians e tenho a pretensão de achar que algum leitor queira saber minha opinião, continuo com o assunto, já comentado um milhão de vezes pela imprensa. Você já imaginou se, em uma das defesas de Cássio, a bola tivesse sido chutada um pouco para o lado? Seria gol, e o jogo poderia ter tido outra história. As opiniões seriam diferentes. Tite, certamente, seria criticado, o que seria injusto. Seu trabalho foi ótimo, independentemente do resultado. Diferentemente das vitórias do São Paulo sobre o Liverpool e do Internacional sobre o Barcelona, quando os times brasileiros foram dominados durante toda a partida, o Corinthians fez um jogo equilibrado com o Chelsea.Tite, mais uma vez, acertou ao colocar Jorge Henrique de um lado e Danilo de outro, deixando Emerson livre, como gosta e próximo de Guerrero. O time ficou mais forte, na defesa e no ataque. Parecia um clássico inglês. O Corinthians, no tradicional 4-4-2, com duas linhas de quatro e dois atacantes, enquanto o Chelsea atuava como as atuais equipes globalizadas, ditas modernas, com uma linha de três meias e um centroavante (4-2-3-1). O Corinthians não mostrou nenhuma novidade tática. Apenas executou muito bem o que foi planejado.
Ter um grande conhecimento teórico sobre futebol é essencial para ser um bom técnico. Mas o melhor treinador não é o que sabe mais a teoria. É o que percebe os detalhes subjetivos, nebulosos e faz com que os jogadores executem com eficiência o que foi planejado.O Chelsea mostrou por que foi eliminado na primeira fase da Copa dos Campeões, pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, está muito distante dos primeiros colocados no Campeonato Inglês e, recentemente, foi goleado pelo Atlético de Madri, por 4 a 1, pela Supercopa da Europa. Em resumo, há hoje três maneiras de se jogar futebol. Uma, única, a do Barcelona, que ocupa o campo adversário, fica com a bola e espera o momento certo para tentar a jogada decisiva. Outra, a do Corinthians e de equipes da Europa, de times compactos, que alternam a marcação por pressão com a mais recuada e que conseguem sair da defesa para o ataque com troca de passes. E a terceira, a da maioria dos times brasileiros e sul-americanos, com muitos chutões, jogadas aéreas, excesso de faltas e correria. É uma maneira arcaica de se jogar. Espero que outros clubes brasileiros aprendam com o Corinthians a ser organizados, dentro e fora de campo. Isso já se iniciou no Brasileirão deste ano. Alguns técnicos tiraram a máscara, aceitaram as críticas e, lentamente, começam a mudar. Tomara!"
(21/12/12)