28 abril 2015

Ariosvaldo Matos, um grande escritor ( Trechos da crônica Por quem os sinos dobram, de Ademar Gomes )

"Com a morte de Ariosvaldo Matos desapareceu não apenas um jornalista que honrou a classe pela competência e caráter e que teve destacada participação na história da imprensa baiana, mas também um escritor de grande futuro, cuja carreira foi interrompida em plena fase de criatividade. Com efeito, embora tivesse escrito alguns livros importantes - Os Dias do Medo e Corta-Braço, entre outros - a atividade literária de Ariosvaldo Matos estava apenas no início, já que só pouco antes de morrer começou a se dedicar exclusivamente à literatura. Perdi um mestre, e mais do que um mestre um amigo. Uma amizade fraternal de longos anos, imune a mal entendidos e apesar de trilharmos caminhos quase totalmente opostos, ele dedicado à cultura, à humanidade, eu à porralouquice do mundanismo, ensimesmado no brilho fugaz de meu pequeno mundo. Costumávamos almoçar juntos quase todos os dias. Sozinhos ou com amigos comuns. Foram mais de trinta anos de convivência, de aprendizado, lições inesquecíveis. Ari nunca foi de enrustir conhecimentos. Ao contrário: sentia prazer em transmitir o que aprendera - e sem ares professorais. Sua humildade às vezes incomodava. Não a humildade do hipócrita, do vencido, mas a humildade consciente. PhD em comunicação, Ariovaldo Matos era capaz de escrever sobre qualquer assunto e sempre com a mesma desenvoltura - com formalismo num editorial, e com poesia numa crônica feita em cima da perna para tapar o buraco de algum colaborador ausente.Ari era um homem de diálogo, sabia escutar. Uma virtude rara - hoje e sempre. Era um homem simples, sério. E só pode sê-lo quem é forte. Ele era um forte. Enfrentou algumas vicissitudes ao longo da vida e a todas superou com altivez, sem lamúrias. Jamais importunou os amigos com seus problemas existenciais. Nunca confundiu sua vida profissional com a pessoal. Durante minhas andanças pelo mundo, mantivemos assídua correspondência. Toda semana escrevíamos um ao outro. Suas cartas eram lições de vida, de amor, e muitas delas me encheram de força, de esperança, para enfrentar o desespero dos primeiros meses em terras estranhas.
Avesso a formalismos, nem no seu aniversário Ari gostava de manifestações piegas. Bons amigos, papos inteligentes, bastavam para fazê-lo feliz. Tudo muito simples, à sua imagem e semelhança.
É pena que, até hoje, nenhum órgão cultural tenha se interessado em publicar livros seus inéditos. Esta, sim, a homenagem que Ariosvaldo Matos merece. Nome de rua, não. Nome de rua, no Brasil, até pilantra tem..."
(Publicado originalmente em 07/06/14)

01 abril 2015

Russ Cook e suas esplêndidas caricaturas



O que é bom pode ser visto um montão de vezes que sempre terá sabor de inédito, não é mesmo? E sendo assim e assim sendo vão aqui estas maravilhosas caricaturas do Russ Cook, que é um caricaturista lá do Reino Unido. É de babar as caricas dos invocados Bob Dylan e Samuel L. Jackson. Nos traços de Russ, Sophia Loren continua aquela italianona bela, piu bela que qualquer um gostaria de manjare. Em compensação o Serge Gainsbourg continua aquele cara malajambrado de sempre e dele sigo guardando, desde os anos 70 até os dias atuais, uma imensurável raiva não me importando o fato de ele já ter partido deste mundo. Sempre fui um cara de fina estampa, alto, espadaúdo, peito de remador, cabelos sedosos, físico de Adonis, lábios feitos para o prazer das mulheres mais lúbricas, por isso jamais  me conformei com o fato de ver que o Sergei, um cara feio de doer, fumante inveterado, que certamente devia ter um bafo terrível, passava o rodo geral nas maiores beldades de sua época, teve as mulheres que quis, conquistou e deixou gamadonas as atrizes mais famosas e alucinantemente belas do mundo do cinema e da música neste orbe, como La Bardot e a Jane Birkin, enquanto eu, belo e assaz formoso,  ficava por aqui no ora veja, o que comprova que Deus nem sempre é um cara justo.
Para ver os magníficos trabalhos de Russ, acessem o link www.russcook.co.uk  e divirtam-se.
                                           ( Public. origin. 07/11/13 )

Arnaldo Antunes pra chinês ver



Da Romênia, terra do genial cartunista Saul Steinberg, recebo convite via Net para participar de mostra de caricaturas e retratos de personalidades romenas. Dei uma olhada no acervo de caricaturas já existente e achei esta deste cara aê, o Vasile Pârvan, historiador e arqueologista desenhado pelo caricaturista chinês Wu Jianjun, que aliás faz muito sucesso em Quixeramobim. Olhei a foto do homenageado e achei que o sino-coleguinha fez mais foi uma caricatura do altamente criativo poeta, compositor, cantor e performático Arnaldo Antunes. Muito bem feita por sinal! O Arnaldo, com seu proverbial bom gosto, certamente curtirá muito, Wu. Pra quem quiser dar uma conferida, o site é http://www.personality.com.ro
                                     ( Public. origin. 12/02/14 )