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27 novembro 2018

Ramona Fradon, uma desenhista de quadrinhos norte-americana, e seus desenhos maravilhosos / Texto 1.


O mundo das Histórias em Quadrinhos, como qualquer manifestação ou segmento da nossa sociedade, artístico ou não, traz em si sinais evidentes do comportamento humano predominante, sejam positivos ou negativos. Jornais, revistas e TV quando noticiam ou deixam de noticiar qualquer coisa fazem a notícia chegar ao público com as marcas de suas influências, forma de pensar, conveniências, seus interesses comerciais e políticos. Por vezes não noticiar algo também é indicativo claro desses interesses sejam individuais ou de grupos, que no mais das vezes não correspondem aos interesses da população.  Não fosse isso o bastante, ainda há nas coisas veiculadas sinais indicativos do pensamento pessoal, individual de quem escreveu o texto a ser veiculado ou do editor que determinou o tipo de enfoque a ser dado na matéria ou artigo a ser publicado. Para uma multidão de leitores desatentos ou mesmo alienados, tais coisas passam despercebidas. No entanto, há os mais antenados, os atentos, os que leem além do que geralmente se publica, que sabem perceber as coisas contidas nas entrelinhas ou decifrar verdades na forma como foi escrito um texto. Assim é que ódios diversos, preconceitos religiosos ou de cor ou de etnia ou de gênero costumam ser engolidos, consumidos, digeridos, assumidos por milhões de pessoas mundo afora, sem serem filtrados pela mente, com a necessária atenção e bom-senso. E esses ódios e preconceitos são digeridos de forma muito rápida e quase instantaneamente se instalam nos cérebros desses seres mais desavisados. Pessoas assim não conseguem enxergar nos textos e notícias veiculados o racismo, a misoginia, a homofobia,a exclusão social, o reacionarismo, as palavras de ordem do extremismo, a exaltação de líderes nefastos, a propagação de ideias repletas de aberrações sociais e políticas ou coisas menos graves mas, ainda assim, nocivas. Evidentemente um assunto tão complexo como esse não se esgota em uma pequena postagem como essa. Longe, muito longe disso. Mas esse meandro todo serve para colocar em questão o tratamento diferenciado e injusto dado às profissionais mulheres em relação aos homens. E aí volto às histórias em quadrinhos, já que quero me referir especificamente a uma profissional dos quadrinhos de altíssima qualidade, dona de uma extensa e extensa produção dentro do universo da chamada Nona Arte. Essa profissional, uma norte-americana, chama-se Ramona Fradon. Quem?!?, é a pergunta que muitos quadrinhomaníacos se farão por saberem de cor uma extensa lista de nomes e nomes de famosos desenhistas de quadrinhos e  não terem jamais lido algo sobre essa extraordinária desenhista. Justamente porque o tratamento dado a uma mulher profissional não é o mesmo dedicado a homens, como na imensa maioria dos setores profissionais, artísticos ou não artísticos. Como se fosse natural, homens são endeusados e mulheres tratadas como seres que merecem apenas o papel de coadjuvantes e que devem se conformar com isso. Posto aqui alguns desenhos de Ramona para que vejam a fera que ela é e sempre foi. Certamente a reação de muitos será de surpresa ao ver que, sim, já conheciam e admiravam tão lindos desenhos, apenas não sabiam se tratar de uma mulher. Não uma mulher qualquer, uma mulher que provou ao longo de sua vasta e ininterrupta produtividade ao longo de seus atuais 90 anos, que o talento e o poder de realização da bela e sempre amada arte das HQs não é um campo restrito a privilegiados do gênero masculino. Viva, Ramona Fradon com seu maravilhoso talento!
(26/08/16)

20 maio 2018

Exposição comemorativa em homenagem ao desenhista Antonio Cedraz.

Quando o amor pelo que fazemos é grande por demais e esse amor se mescla com a dedicação e o empenho mais completo, tal amor invariavelmente dá frutos de excelência. Foi exatamente isso que se deu com o desmesurado amor de Antonio Cedraz pelas histórias em quadrinhos. Desenhista, criador de personagens, argumentista, roteirista, Cedraz sempre amou incondicionalmente as HQs, sempre se deu a elas e por elas lutou com denodo e inabalável fé até conseguir o êxito, o sucesso, a realização que poucos, bem poucos autores atingiram neste continental país chamado Brasil. Por tudo isso Cedraz é tão admirado e reverenciado pelos seus colegas de profissão e por um público imenso, formado por adultos, adolescentes, crianças, respeitáveis senhores. Sua principal criação, com o qual ficou mais conhecido do Oaiapoque ao Chuí, é sem dúvida a Turma do Xaxado, com seus personagens que tanto nos encantam, Marieta, Zé Pequeno, Xaxado, Arturzinho, Capiba, o padre guloso, o jumento Veneta, o porco Linguicinha e tantos e tantos mais. Eis que A Turma do Xaxado está completando duas décadas de sua vitoriosa existência. Uma efeméride dessas não pode passar despercebida e sendo assim, haverá uma comemoração para reunir os fãs e amigos de Cedraz, admiradores das histórias em quadrinhos em geral. No cartaz acima estão os detalhes de tudo que será mostrado, local, dia e hora, galera. É ali na na Galeria Pierre Verger, na Biblioteca Central dos Barris. A abertura acontecerá no dia 26 de maio próximo, às 15h, e a visitação se dará de 27 a 30 de maio no horário das 09h às 18h, com direito à Feira de Gibis, exibição de curtas-metragens e exposição de formidáveis desenhistas que produziram trabalhos em homenagem ao grande, ao amado, ao inesquecível amigo e cultuado Mestre dos Quadrinhos, de quem todos sentimos a falta e uma imensa saudade, o eterno Cedraz.