Usando o nome de
Deus como irresistível publicidade e o de Jesus Cristo como infalível
garoto-propaganda, valendo-se de suas inegáveis capacidades de comunicação de
massa e de persuasão, de seus poderes de oratória, vendem a fé como camelôs vendem produtos suspeitos numa esquina. Usufruindo do forte poder da mídia
televisiva e radiofônica, determinados sacripantas, ditos líderes espirituais,
terrivelmente canalhas e tremendamente anticristãos, cheios de uma enorme lábia e de um
arsenal de intenções abjetas, valendo-se de discursos inflamados, cheio de
conceitos anacrônicos, equivocados, distorcidos, carregados de preconceitos que mal
dissimulam um inconsequente e perigoso ódio aos que não caem nas
insidiosas armadilhas que suas línguas bifurcadas armam para os incautos,
conseguem encher as burras com fábulas de dinheiro que vêm, em sua maior parte,
das classes mais pobres, carentes em todos os sentidos, da classe média e até
de atletas, dos remediados aos milionários. Todos entregam de mão beijada a
grana que dá a boa parte desses tais "líderes espirituais" o
privilégio de morar em suntuosos palácios que em nada lembram os lares da
maioria dos seus seguidores e bem diferente do que pregava o santo rabi. Eis o
crime perfeito. Tão perfeito que nem considerado crime o é. E ai de quem tentar
dizer o contrário aos fanatizados cordeiros que lhes entregam o que têm e o que
não têm. Hoje, como bem se vê na internet, os próprios canastrões
midiáticos oferecem farto material em áudios e vídeos que evidenciam suas
mutretas espantosas. Usando em tudo e por tudo o nome de Deus, sem
cerimônias nem medo de punição. Há os que induzem os incautos a darem dinheiro
que porventura ainda tenham, até mesmo estando desempregados. Outros
choram copiosas lágrimas de crocodilo como que implorando doações aos
ingênuos que se comovem. E por aí vai. É tudo explicitamente explícito pois
eles se sentem intocáveis, inatingíveis. Há os que, sorrindo cinicamente,
desafiam a quem queira desmascará-los e fazem ameaças acintosas dizendo
ter um exército de advogados a sua disposição para processar os que se
atreverem. Muitos deles estão ligados ao mais execrável lixo político e forte é a suspeita de que lavem dinheiro vindo de falcatruas dessas máfias políticas. Associados com o que há de mais abjeto na política, tramam impor a mais absolutista teocracia em que irão mostrar suas cortantes garras, manipulando ainda mais toda a população, impondo a ferro e fogo seus torpes fundamentalismos. E no ritmo que a coisa vai indo, não será surpresa se daqui a um tempinho toda população se veja obrigada a se vestir e a se comportar como povos bíblicos do antigo oriente médio. Só não será adotado o uso de burcas porque isso é coisa de outros religiosos fundamentalistas. Para comprovar certos fatos, lembremos que quando algum desses tais líderes "ungidos de Deus" é
apanhado em alguma de suas armações, há aqueles que pregam que o fiel não deve
cumprir o seu papel cívico de cidadão decente, consciente, denunciando o inegável crime e o ladrão,
que deve apenas mudar de igreja e não denunciar nada, tornando-se cúmplice do salafrário. Vivemos um mundo de
disputas brutais em que os métodos utilizados por muitos são abomináveis. A princípio, pessoas vão às igrejas em busca de se conectar com as divindades em que crê, bem como em busca de
esperança, fé, razão para viver. Conheço líderes espirituais autênticos, seríssimos, gente que honra e dignifica o que fazem. Sou amigo pessoal de um pastor evangélico, pessoa consciente, que ajuda enormemente sua comunidade. Muitas pessoas, os chamados fiéis, veem nas
igrejas uma uma boia de salvação e se agarram fortemente a ela. É aí que entram
em cena os aproveitadores usando o santificado nome de Deus para conseguir o que querem para
si. Os muito crédulos, carentes e desinformados acreditam e depositam
nesse bando, nessa súcia todas as suas esperanças e, é claro, seu escasso dinheirinho ganho tão
duramente. Agarram-se a eles e a seus ditames buscando experimentar a sensação de que não estão sós nesses tempos de grandes e nefastos individualismos, torpeza e sordidez sem limites. Entre eles, iludidos, os ditos fiéis sentem-se protegidos de todos as tormentas da vida. Querendo evitar o mal, seguem justamente para ele, sem desconfiar que estão voluntariamente se imolando no altar onde, disfarçado de bem, está o mal que dizem intentar evitar. Mas lembremos que muitos não embarcam nessa canoa enganados, iludidos. Por detrás dessas aparentemente puras intenções há também motivos não tão puros assim. Acumular riquezas sem repartir, ostentar, comprar carros, casas, enriquecer às custas dos semelhantes, por exemplo, é meta de muitos dos tais fiéis, para os quais o céu pode esperar, importando bem mais os bens materiais que possam vir a acumular graças ao que eles alegam ser a vontade divina. Que Deus ilumine e dê proteção a essa infausta gente crédula. E que nos livre a todos nós desses camelôs da fé.
