31 janeiro 2017

Mulher de Aquário no Horóscopo de Vinícius de Moraes

Se o que se quer é a boa esposa
A aquariana pousa.
Se o que se quer é uma outra coisa
A aquariana ousa.
Se o que se quer é muito amor
A aquariana
É mulher macho sim senhor.
Porém não são possessivas
Nem procuram dominar
Ou são meigas e passivas
Ou botam para quebrar.

30 janeiro 2017

Paulo Paiva: sucesso no lançamento do Sketch Book pela Editora Criativo.

Da esquerda para a direita, os baluartes Walmir Amaral, Fausto Kataoka, Paulo Paiva e Spacca. Ao fundo, os indômitos Giovanni e Tony Fernandes.
 Esse que está batendo um animado papo com o cartunista Paulo Paiva, não é o astro cinematográfico Richard Gere. Trata-se do intimorato editor e desenhista Franco de Rosa, discutindo com o intrépido Pepê os rumos dos quadrinhos e cartuns nacionais.
Sucesso total o lançamento do sketchbook do cartunista Paulo Paiva na Biblioteca do Memorial da América Latina, em Sampa. Todos os exemplares colocados à venda voaram num piscar de olhos, venderam em tempo recorde e não deu pra quem quis. Esse lançamento do sketchbook de Paiva, o popular Pepê, ocorreu sábado passado, dia 28 de janeiro de 2017 em um evento organizado pela Editora Criativo e a AQC. Em verdade, outros belíssimos sketchbooks foram lançados no mesmo evento. Entre eles, o do grande e experiente profissional Walmir Amaral, o Kid, desenhista mais que gabaritado, de traço refinado, bem pessoal. Walmir foi quem um dia assumiu o posto de desenhista da super clássica HQ Aventuras do Anjo, substituindo o lendário Flavio Colin, quando o Mestre dos Mestres deixou O Anjo para se dedicar a outros projetos. Só por isso Walmir já mereceria um sketchbook, mas ele fez muito mais pelos quadrinhos. Ataíde Braz, argumentista inspirado, autor de várias HQs, também teve lançado seu sketchbook, uma ótima pedida, bem como uma ótima pedida foi o lançamento do versátil e proficiente Franco de Rosa, desenhista, argumentista, criador de personagem, editor, produtor e muito mais. Franco é um guerreiro que tem uma longa e vitoriosa jornada no universo dos quadrinhos e é uma espécie de factótum, pau pra toda obra, sempre trabalhou com afinco em prol dos quadrinhos nacionais. A produção desses oportunos e bem sacados sketchbooks é justamente do próprio Franco. A Editora Criativo cercou-se de ótimos profissionais e encarregou-se de dar aos livros uma qualidade gráfica das mais invejáveis. Tem que ser louvada pela iniciativa de levar ao público leitor o trabalho de grandes profissionais - os já consagrados ou mesmo aqueles que ainda precisam de maior reconhecimento dos fãs de quadrinhos - e o que há de melhor em desenhos e desenhistas, argumentos e argumentistas. O registro do trabalho desses profissionais é importante não só para eles, que tanto batalharam pela arte dos cartuns e quadrinhos, bem como é também para o público consumidor, que os ama e segue suas carreiras. Contribui, em muito, para a formação de novos leitores e futuros profissionais, que ficarão felizes com a valorização da categoria. Vale registrar que entre tantos notáveis presentes ao evento circularam por lá o jornalista e escritor Gonçalo Jr., o professor e escritor Àlvaro de Moya e os insígnes Jal e Gualberto. Pelo sucesso do lançamento, parabéns ao Paulo Paiva, ao Walmir Amaral, ao Ataíde Braz e aos demais autores. E parabéns ao Franco de Rosa, à Editora Criativo, e a todos quantos tornaram realidade os sketchbooks, registro importante da carreira de notáveis cartunistas e quadrinistas, e fonte de prazer para os apaixonados por cartuns e pela Nona Arte.

29 janeiro 2017

Pepê, Dra. Paula Annunciato e o lançamento do Sketch Book de Paulo Paiva.

Paulo Paiva e Dra. Paula, no lançamento do Sketch Book.
Como sei que os leitores desse bloguito são pessoas cultas, atiladas e atualizadas que curtem quadrinhos, cartuns e uma boa arte gráfica, estou preparando uma postagem contando, ao menos em linhas gerais, como foram as coisas no lançamento do sketchbook de Paulo Paiva e outros artistas, que rolou nesse sábado, dia 28 de janeiro de 2017, na Biblioteca do Memorial da América Latina, organizado pela AQC e Editora Criativo. Enquanto não escrevo o post, vou repassar aqui e agora um texto da Dra. Paula Annunciato Fabris, que é fã de quadrinhos e em especial do trabalho cartunístico e quadrinístico do Paiva. Ocorre que a Dra. Paula é uma neurocirurgiã que integrou a equipe de médicos que cuidou de maneira formidável de Paiva após ele sofrer um AVC há alguns anos. Bom, estou ficando mais emotivo a cada dia que passa e quando li o texto que a Dra. Paula, agora amiga pessoal de Pepê, sua esposa Suely e da família, escreveu em sua página do Facebook fiquei pra lá de emocionado. Sucede que sempre vi a coisa como amigo de Pepê, o cara que precisava de socorro médico. Ela, no texto, fala como alguém que estava do outro lado, o da equipe médica cujo bom trabalho propiciou que Pepê pudesse estar no Memorial, brindando seus fãs com esse seu belo sketchbook produzido pela Editora Criativo. Bom, fiquem com o texto da Dra. Paula:
"Da série "coisas na vida que fazem valer, e muito, a minha profissão":
No carnaval de 2007, operei um paciente com hemorragia cerebral gravíssima(estava no início do R3).
Após a cirurgia, paciente permaneceu em coma. A família, sempre presente e todo dia vinha saber informações. Perdi as contas de quantas vezes falei da gravidade e da chance de não se recuperar ou falecer.
Mas, sempre persistentes!!!! Paciente saiu da UTI, foi pra Semi-Intensiva e, quando mais estável, pra cuidados de enfermaria!!! E, após meses em coma, começou a dar os primeiros sinais de recuperação da consciência. Foi de alta semanas,acordado (mas com sequela motora).
Reencontrei, em 2014, quando o Paulo Paiva foi homenageado no troféu Angelo Agostini. Quis a vida que Paulo Paiva, que era cartunista e roteirista, fosse operado por uma neurocirurgiã cosplayer e fã de quadrinhos.
E, hoje, um novo re-encontro!!!!!! Lançamento do livro de Sketchbook dele!!!! Esboços mais recentes e antigos!!!!
Só tenho a agradecer à esposa e a família, que sempre me avisam e têm tanto carinho!!!!
Sem dúvida, o Paulo foi um dos casos que marcaram minha residência médica e é incrível vê-lo e a família que tanto o ama!!!!!
Em breve, posto as fotos!!!!"

Irmã Dulce e a Bahia de Todos os Santos e Orixás.


Boa parte do tempo sou um agnóstico convicto ou um inveterado livre-pensador. Em outras sou um católico apostólico baiano, o que significa ter um pé em Roma - com sua infindável galeria de santos - e outro na África, com seus prestimosos orixás. Aqui nessa afro-terra que habito, múltipla em todos os sentidos, o ecumenismo é um caminho natural que os que se pretendem justos devem civilizadamente trilhar em nome da paz e da mais fraternal das convivências. Há que se respeitar as escolhas pessoais no tocante à fé e tratar todas elas com igual carinho e humano respeito, e não seguir a senda maldita e o horror dos ortodoxos e fundamentalistas de todos os matizes. Preces fervorosas para o Homem de Nazaré, para Nossas Senhoras e oferendas cheias de fé para Oxuns, Yansãs e Yemanjás. Fiz essa caricatura do maior ícone do catolicismo soteropolitano, Irmã Dulce, que tratava com desmesurada bondade pessoas pobres, doentes, desamparadas, sem ter mais a quem recorrer, seres humanos já desesperançados que a procuravam em busca de ajuda e a quem ela acolhia sem se importar se eram católicos, evangélicos, de religião afro, judeus, se eram héteros ou homossexuais, negros ou brancos, nordestinos ou não. Eram seres humanos carentes de amparo e isto era o que mais importava para que ela os acolhesse com suas próprias mãos, praticando o verdadeiro amor que Cristo sempre pregou e que muitos arrogantes que se dizem líderes religiosos jamais aprenderam e praticaram, utilizando o cristianismo e o nome divino para espalhar mentiras, manipular mentes e enganar os crédulos, deles tirando dinheiros, acumulando fortunas pessoais e levando despudoradamente uma vida de luxo e ostentação, bem diferentes de Jesus Cristo que nada tinha de fausto e de pompa. Jesus, em sua simplicidade, trajava apenas uma túnica inconsútil para levar o que realmente importava: o amor, o respeito ao próximo e a palavra de Deus. Assim como Irmã Dulce, que usava tão somente um hábito surrado para amparar os desvalidos. Dulce, dulcíssima. Em sua forma física Irmã Dulce se foi, mas seu exemplo de verdadeiro amor ao próximo ficou, segue entre nós. E hoje certamente ela está lá no céu ajudando muitíssimo seu chefe, que ela não é mulher de ficar acomodada num canto. Odô yá, Irmã!
(11/11/13)

28 janeiro 2017

Detalhes sobre o sketchbook de Paulo Paiva em lançamento pela Editora Criativo.

Sobre o belo sketchbook do cartunista Paulo Paiva que a Editora Criativo estará lançando sábado, 28 de janeiro de 2017, complementando informações expressas na postagem anterior, posto aqui e agora neste batblog um texto com importantes explicações do conteúdo e relevantes detalhes técnicos, que retirei do release enviado pela editora:                                                              "O PAULO PAIVA SKETCHBOOK CUSTOM, volume I, apresenta o trabalho do artista com esboços e artes-finais em vários estágios, estilos e técnicas, tiradas de seu acervo pessoal, num flagrante não convencional de sua produção ao longo da carreira. O objetivo dessa coleção de sketchbooks é formar uma grande galeria com os mais diversos estilos e traços, indo de nome consagrados a iniciantes, incentivando o talento individual. Os álbuns têm acabamento com a qualidade CRIATIVO, com 64 páginas, papel off-set 150 gramas, capas cartonadas com orelhas, no tamanho 21X28 cm, e mostram como cada profissional do desenho é um universo empírico e individualizado, seja ele um autodidata ou com formação acadêmica, havendo alguns pontos em comum na forma de criar e desenvolver os trabalhos."                                                              Repetindo, para que fique bem claro, que o evento ocorrerá sábado, dia 28 de janeiro de 2017, na Biblioteca do Memorial da América Latina, Metrô Barra Funda, das 13 às 18h. Vale também recordar que o link para o site da Editora Criativo é http://www.editoracriativo.com.br  

Lançamento do ótimo SketchBook de Paulo Paiva pela Editora Criativo.

Recebi, via messenger, uma bela notícia para os que são fãs de cartuns e histórias em quadrinhos. Como sou sabidamente um sujeito altruísta, desprendido, solidário e dado praticar os mais generosos e humanitários gestos, vou logo repassando-a a vocês, amáveis e idolatráveis leitores desse mui singelo bloguito. Trata-se do lançamento do Sketch Book do cartunista Paulo Paiva, evento que ocorrerá sábado, dia 28 de janeiro de 2017,  em Sampa, mais precisamente na Biblioteca do Memorial da América Latina, Metrô Barra Funda, das 13 às 18h. A Editora Criativo, responsável pela edição do sketchbooks de magníficos artistas, tem relevantíssimos serviços prestado a todas as pessoas que amam ler ou fazer quadrinhos, cartuns, artes plásticas e artes gráficas e ainda outras artes tão importantes e tão amadas. Uma das coisas mais dignas de nossa admiração e eterno gratidão é o registro do trabalho dos artistas, a maneira própria de cada um de pensar e produzir quadrinhos e cartuns. A Criativo não se limitou a levar ao público os trabalhos de artistas consagradíssimos e cultuadíssimos. Dedicou grandes espaços a outros artistas competentes que, por isso ou por aquilo, não têm um trabalho com maior trânsito entre os leitores, não se situam entre os badalados. Quem clicar no link da editora (http://www.editoracriativo.com.br) vai dar um mergulho em um universo mágico em que transitam grandes artistas e suas artes maravilhosas. E quem mora em Sampa ou lá estiver no dia do lançamento, não deve deixar de ir ao Memorial da América Latina para adquirir seu exemplar, prestigiando a um só tempo, o trabalho de Paulo Paiva, conhecendo melhor os meandros criativos desse tão admirado artista, além de manifestar apoio e gratidão à elogiável iniciativa da Editora Criativo. Vida longa a ela, a Paulo Paiva e a todos os artistas que dão o melhor de si em seu labor artístico.

19 janeiro 2017

O rei Roberto Calos, sua vida dupla, suas manias, e a Velha Jovem Guarda

Mesmo sendo filho do Espírito Santo, os céus não ajudaram muito Roberto Calos em sua juventude. Vindo de uma família de pouquíssima grana, esse cara sou eu tinha que trabalhar arduamente, sendo que era obrigado a encarar uma extenuante jornada dupla para ganhar a vida. De dia, Roberto Calos era jogador de futebol e em campo defendia uns pixulés jogando na lateral esquerda. Mal o juiz apitava o fim do jogo, Roberto Calos saía a 120...150...200 km por hora para os vestiários e ali mesmo colocava uma peruca, vestia um terno azul ou branco, colocava um medalhão no pescoço, enchia os dedos de anéis e, na maior azáfama, ia em busca de mais uns trocados que iria amealhar atuando como cantor de diversas boates. Alguns, invejosos dessa sua versatilidade, insinuavam que ele não cantava banana nenhuma, que ele só urrava, daí o terem cognominado de Urrei Roberto Calos. Depois de muito ralar, RC conseguiu juntar umas economias e com elas resolveu se dedicar inteiramente à sua carreira de cantante e compositante. Desistiu de ser beque e comprou um calhambeque. Empolgado e gritando "Eu sou terrível!", saiu guiando sua caranga que não era lá uma máquina quente. Mas o moço acabou se dando mal pois parou na contramão nas curvas da Estrada de Santos e um guarda apitou. Vai daí, o homem da lei tascou-lhe uma multa que quase fez o cantor perder a voz. Inconformado, o filho de Lady Laura bradou: "Querem acabar comigo!" Como o policial não se comoveu, o cantante não contou conversa e, indignado, vituperou: "Quero que vá tudo pro inferno!". De repente, se tocou que aquilo dava música. Chamou seu amigo Marasmo Calos e com ele fez um hit do iê-iê-iê que se tornou um verdadeiro hino da juventude vendendo toneladas de cópias pelo mundo afora, o que lhes trouxe muita grana cofre a dentro. Já tendo vendido mais de 100 milhões de álbuns no planeta, RC não sabe mais o que fazer com tanto dinheiro que ganhou. São milhões, bilhões e fudelhões de reais, dólares e euros que permitiram, entre otras cositas, que RC contratasse os melhores psicanalistas da praça para tentar curá-lo de algumas excentricidades e manias estapafúrdias que ele havia desenvolvido, como o fato de só gostar das cores branca e azul, achando que as demais lhe traziam mau agouro, abominando a cor preta, o cinza, o marrom e o verde que não te quero verde, cruz-e-credo!, pé de pato!, mangalô!, três vezes! Esse lance bizarro lhe trouxe problemas e constrangimentos, sendo Roberto Calos muito criticado por ter chegado ao cúmulo de dizer à Garota Marota Alcione que parasse de se insinuar para ele, afirmando que jamais iria convidá-la para jantá-la só pelo fato dela ser a Marrom.
(19/05/2014)

11 janeiro 2017

Lage, cartunista e caricaturista maior, tinha lá seus pecadilhos / Pintando o Set 5

O cidadão soteropolitano Hélio Roberto Lage era um formidável arquiteto, merecidamente graduado e de muita competência. Poderia levar uma vida digna com essa sua edificante profissão. Ao invés disso, preferiu seguir os conselhos de algum anjo torto, desses que vivem na sombra, e foi ser cartunista na vida. Um cartunista maior. Munido de seu talento gráfico, elevada consciência política, presença de espírito e invejável sagacidade, lá ia Lage para a redação do jornal em que trabalhava e traçava charges impactantes, cartuns demolidores, caricaturas que desnudavam os políticos mais infames. Podia parar por aí, bem que podia. Mas quem disse que ele parava? Pois é chegada a hora da verdade e a verdade tem que ser dita: Lage não conduzia a nova profissão com a devida seriedade e sempre foi um cartunista metido a engraçadinho. Ao invés de se portar de forma séria, como sói acontecer aos profissionais que têm consciência do dever de ofício, tinha ele o reprochável hábito de viver fazendo piadinhas em seu ambiente de trabalho e mesmo fora dele. E ainda as desenhava, como agravante. É abalado e profundamente traumatizado que aqui deponho que, de forma recorrente e impiedosa, fui vítima dessas suas gracinhas sem graça das quais todos achavam a maior graça, menos eu, a inerme vítima desses motejos gráficos. Desde 1981, ano em que muitos dos leitores desse bloguito sequer haviam nascido, guardo comigo, cheio de mágoa e ressentimento, essa caricatura que ora posto, da lavra de um sujeito que se dizia meu amigo mas que retratava-me de maneira injustificavelmente sórdida, impiedosamente abjeta. Desconfio que ele era movido pela mais infame das invejas, pois sabendo-me um cara de físico apolíneo, um Adônis, um invariável escopo da concupiscência feminina, Lage traçou de mim esta caricatura em que ele subverte tudo, colocando meu avantajado peito de remador no lugar da minha barriga tanquinho, delineada em incansáveis e espartanas malhações. Ó, deuses do Olimpo cartunístico, daí do vosso sacrossanto empíreo enviai-me forças para seguir em frente e suportar tantos e tão desmesurados infortúnios movidos pela mais abjetas zelotipias e as mais hediondas invídias.
(14/07/12)

10 janeiro 2017

Wanderley Caridoso, o Bom rapaz, e a Velha Jovem Guarda

Desde que era ainda um bebê, Wanderley Caridoso já demonstrava toda sua formidável bondade, e sempre dividia sua mamadeira com outros pequerruchos, entre um gugu-dadá e outro. Ele era mesmo uma boa alma, um sujeito generoso para com todos, jamais desmerecendo o sobrenome que tinha. Tão bom ele sempre foi que acabou por isso ganhando o apelido de O Bom rapaz. Vai daí, todos os anjinhos do céu se uniram e fizeram com que ele se tornasse um cantor famoso, bem sucedido e cheio de dindim em sua conta bancária. Quando o sucesso na carreira e a grana chegaram ao fim, WC tinha que fazer alguma coisa. E fez, e fez: colocou à venda o único bem material que lhe sobrara, uma pilha daqueles velhos e enormes discos de vinil chamados longplays ou LPs, todos eles com seus antigos hits que ficaram encalhados. Ninguém desconfiava, mas o desespero do Bom rapaz era tanto que ele tinha o abominável propósito de comprar uma pistola automática e com ela dar cabo da sua própria vida. Para dar um toque melodramático de filme de Almodóvar, o infausto gesto se daria sob o som de um dos seus encalhados  e empoeirados discos tocando na velha vitrola: "Parece que eu sabia que hoje era o dia de tudo terminar...". Felizmente para o bom WC, ninguém aguentava mais ouvir aquelas suas cantilenas e ele não conseguiu a notável façanha de vender um único dos seus encalhados e bem empoeirados discos sequer, deixando de amealhar algum tutu para consumar seu nefasto propósito de comprar a arma como pretendia, o que o forçou a desistir do seu lamentável intento macabro. Foi então que a sorte voltou a sorrir para Wanderley, que acabou fazendo um enorme sucesso com Doce de Coco. Não, não se trata da açucarada canção, mas sim da açucarada, famosa e sempre apreciada cocadinha da Bahia, uma iguaria da melhor qualidade que Caridoso, valendo-se de uma receita que uma sua namorada baiana lhe passara, começou a produzir e a comercializar, logrando dar a volta por cima, voltando ao topo das paradas de sucesso, já não mais como cantante,mas como um mui bem sucedido empresário do ramo alimentício.
(100512)

09 janeiro 2017

A cantora Vã Musa, a confusa, e a Velha Jovem Guarda

Quando se diz que este é um país sem memória, todos os olhares se voltam imediatamente para a cantante Vã Musa. Sendo uma das mais conhecidas princesas da Velha Jovem Guarda, em suas recentes apresentações como cantora Vã Musa costuma esquecer os títulos e as letras das canções de seu repertório que canta há décadas, incluindo-se aí os refrões mais manjados e os hits mais chicletes do pedaço. Comprovando ter uma amnésia de elefante, em solenes solenidades Vã Musa deu até para esquecer a letra do mui glorioso Hino Nacional Brasileiro, coisa de fazer Manuel e Joaquim, autores de nosso hino pátrio, se revirarem em suas patrióticas tumbas. Sobre esse esquecimento específico, a nada mnemônica cantante redargui, prenhíssima de razão: "Se os mais famosos jogadores da seleção brasileira de futebol podem, eu também posso!". Quando se trata de esquecimentos, Vã Musa é bastante eclética e democrática, costumando esquecer-se invariavelmente da sua própria idade, não havendo meios dela lembrar-se em que ano nasceu, em que década, nem mesmo em que século se deu tal efeméride. Em compensação, na hora de receber seu sagrado cachê, toda sua elefântica amnésia parece dissolver-se rapidinho e ela proclama, cheia de entusiasmo: "Hei de receber centavo por centavo ou não me chamo...ou não me chamo...Ihhhhh! Como é mesmo que eu meu nome?!!"  
( 12/1213)

07 janeiro 2017

Marasmo Carlos e a Velha Jovem Guarda

Roberto Calos, cognominado o Rei do Iê Iê Iê, sempre dizia que Marasmo era mais que seu braço direito, era seu umbigo. E assim o apresentava em seus programas e shows: "Com vocês, o meu umbigo...Marasmo Carlos!!" Sendo amigo de fé, irmão e camarada do Rei RC, Marasmo sempre foi um cara muito boa praça e, no entanto, vivia posando de bad boy pois, como diz Leila Diniz, homem tem que ser durão. Convicto disso, ele fazia tudo para manter a sua fama de mau e quando numa Festa de Arromba via uma Gatinha Manhosa, dizia logo: "Pode vir quente que eu estou fervendo!" Apesar de afirmar em uma composição já ter fumado um cigarro e meio esperando uma gata que não veio, Marasmo sempre foi um antitabagista ferrenho, contumaz e renitente e quando alguém tenta acender um nefando tubo nicotífero ao seu lado ele trata de mostrar um aviso que diz "É proibido fumar". Mesmo não tendo ganho durante sua carreira fortuna tão grande como a de RC, Marasmo não ficou sentado à beira do caminho com os braços cruzados e conseguiu amealhar uma boa poupança o que o ajuda muito nos dias de hoje pois, atualmente com 94 anos, o cantante e compositante foi acometido pelo Mal de Parkinson e passa o dia com incontroláveis e incessantes tremedeiras, ganhando por isso o apelido de Tremendão.
(10/05/14)

Wanderléya Ternorinha, Wanderley Luxemburgo e a Velha Jovem Guarda

Além de ser renomada cantora, Wanderléya é irmã de Wanderley, o Luxemburgo, famoso técnico de futebol do Brasil que foi deportado da Espanha por insistir em massacrar impiedosamente a Língua Espanhola durante suas entrevistas. Quando o time do seu amado mano está perdendo, Wandeca costuma invadir os gramados gritando a plenos pulmões para o árbitro: "Por favor, pare agora! Senhor Juiz, pare agora! Senhor Juiz este impedimento será pra mim todo meu tormento!" Precursora do uso de indumentária masculina por belas mulheres, a moça tanto usou vistosos ternos que acabou ganhando o apelido de Ternorinha. Seu irmão, o dono dos referidos ternos, é que nunca gostou muito da elegância arrojada da mana e vai daí que, mesmo sendo muito unidos, a fraternal dupla mantém um acordo: ela não desfila mais pelas ruas, ágoras, veredas, alamedas e avenidas com os ternos do seu irmão. Em contrapartida, Wanderley Luxemburgo não pode sair por aí vestindo as microssaias da irmã das coxas grossas, mesmo que morra de vontade de fazer isso.
(10/10/13)

Elis Regina, insuperável / Umas minas que eu amo 4.

Somos um país musical. Essencialmente, fundamentalmente, visceralmente, extraordinariamente musical. Entre nossos tesouros pátrios, temos cantoras maravilhosas que arrasam ao cantar e interpretar qualquer tipo de música. Que maravilha, que musical deleite é ouvir o canto de Gal Costa, de Rita Lee, de Clara Nunes, de Cássia Eller, de Daúde, de Adriana Calcanhotto, de Clementina de Jesus, de Astrud Gilberto, de Dona Ivone Lara, de Carmen Miranda, de Elba Ramalho, de...ah, são tantas e tantas e tantas! Para mim, entre elas, brilha a estrela mais cintilante: Elis Regina. Elis, a Pimentinha. Inesquecível, incomparável, insuperável. Elis tinha uma voz e uma força interpretativa que supera os limites do que já é muito, muito bom. Tudo quanto ela cantou ou gravou, segue tendo uma força maior e dói saber que se foi dessa vida e não se ouvirá suas possíveis interpretações para canções que amamos, gravadas por outras notáveis cantoras. Ouço uma delas interpretando uma música, gosto do resultado, mas sempre me pego em solilóquio, dizendo que extraordinário seria escutar Elis Regina interpretando aquela canção, de uma forma que só ela saberia interpretar com toda a força que lhe ia na alma de quem nasceu para cantar, com o coração pulsando forte, saindo do peito, extraindo da canção tudo que ela continha em seus mais recônditos dizeres, de um modo que ninguém jamais a igualou, deslizando por sua garganta abençoada, chegando a nós, preciosa e exata, através de sua voz, de sua força interior. Dói muito tal sentimento de perda. Elis tinha um timing que foge ao comum, extraía da canção tudo que ela tinha para dar em termos de emoção, fosse de dor, melancolia, alegria, esperança, amor não correspondido, amor vitorioso, redentor. O músico César Camargo Mariano, que acompanhava Elis, diz que ela não era só uma cantora e grande intérprete - o que não é pouco - que ela ia muito além disso. César a tinha na conta de um músico, em pé de igualdade com os que a acompanhavam e isso gerava uma total empatia e cumplicidade que facilitava as coisas, era fundamental nos ensaios, nas gravações e apresentações. Elis correu o mundo, esteve em várias cidades do planeta e causou admiração por todos os recantos que passou, graças à sua grandeza musical. Mas não quis fincar raízes na Europa ou nos Estados Unidos. Afirmava ser uma cantora genuinamente brasileira, com largos e indissociáveis vínculos com nossa cultura. Aqui se quedou, em ambiente muita vez adverso para ela e  para o Brasil que ela desejava, lutou com seu talento, sua índole e sua bravura pessoal, e seguiu carreira renovando-se a cada dia, agigantando-se, chegando a um patamar em que poucas no mundo da música chegarão. Tinha a sabedoria de adivinhar o formidável, o magistral em compositores ainda neófitos, novatos em que ela vislumbrava talento em potencial, e lançou ao estrelato vários deles em gravações antológicas. Dava às canções uma força que fazia boquiabertos os próprios autores das composições, fossem eles os ainda iniciantes Gilberto Gil, Zé Rodrix, Belchior ou mesmo Aldir Blanc e João Bosco ou, certamente, o Maestro Soberano, Tom Jobim, com quem Elis fez um dia um antológico dueto, interpretando Águas de Março. Elis se foi, e é uma imensurável perda para o mundo da música, mas é confortante poder ver e ouvir em vídeos postados na internet, a voz feminina mais maravilhosa que o Brasil já produziu.