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Fernando Pessoa, poeta e fingidor, as criadas e os moços de fretes. .
(180518)
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Gutemberg Cruz, o indecifrável Coringuto
A lindíssima mostra com trabalhos do cartunista Lage que rolou não faz muito tempo na Caixa Econômica da Rua Carlos Gomes nesta afrobaiana Soterópolis, significativa e comovente, foi produzida por Alice Lacerda e Nildão, constituindo-se uma homenagem tocante e mais que justa para um cara de um talento raro que nunca encontrou similar no mundo dos cartuns. Encheu nossos olhos de prazer, nos envolvendo o coração com uma emoção finíssima, conduzindo-nos a uma alegria reconfortante. Estive por lá como fã, como amigo, como colega de traço e até ministrei uma oficina de caricaturas. Tudo que envolveu Lage em vida teve sempre um elevado astral. E nada parece haver mudado, pois muita coisa boa me aconteceu nas várias vezes que por lá apareci. Uma foi rever meu brodinho Gutemberg Cruz, jornalista e crítico de quadrinhos, gente finíssima, fundamental incentivador dos cartunistas baianos. Fiquei assaz impressionado com o Guto que de tanto gostar, pesquisar, consumir, ver, ler, de muito entender e devorar quadrinhos pareceu-me a cada dia ficar mais parecido com os personagens das páginas agaquesísticas. Guto tem horas que fica a cara feita a nanquim do Coringa, The Joker, com direito a risos indecifráveis, esgares arrepiantes, gestual de saltimbanco, proferindo falas carregadas de dubiedades e mistérios insondáveis. Está dando pinta de que qualquer dia desses cada vez que ele falar suas palavras virão acondicionadas em um balão de HQ com direito a lotes de onomatopeias do conhecido vilão galhofeiro. Santo irmão gêmeo, Batman! Esta missão começa a ficar perigosa, Seu Nildão!(Hoje, dia 3 de abril, reposto esta postagem-exaltação em homenagem ao grande aniversariante do dia, meu confrade Gutemberg Cruz, um ariano-raiz: honesto, criativo, corajoso, batalhador.)
02 abril 2022
O dia em que o cartunista Valtério Sales saiu do armário e botou pra quebrar.
Muito embora este meu papo trate sobre gentes e acontecimentos da Bahia e do Pará, vou encaixar aqui um tremendo gauchão, o analista de Bagé, personagem criado por outro Luís Fernando, o escritor filho de Érico Veríssimo. Entre um joelhaço e outro em seus pacientes, o analista afirma, sem admitir réplica, que não existe gaúcho homossexual, o que existe nos pampas são correntes migratórias. Falo isso porque na Bahia não existem larápios, gatunos, ladravazes e rapaces. Mas volta e meia surgem por aqui umas correntes migratórias de maus elementos, oriundos de sei lá quais rincões, para nos turvar os dias mais solares. Pois uma dupla destas entendeu de dar plantão justamente no flat em que estávamos, assaltando eles todos os apartamentos e seus ocupantes. Precisamente ali, onde nos encontrávamos papeando na maior descontração, bebendo umas geladíssimas. J.Bosco, sedento, fora na cozinha pegar mais umas cervejotas na geladeira e viu os dois amigos do alheio armados com duas automáticas. Por sorte os meliantes não o viram, e ele conseguiu nos dar o alarme. Além de cartunistas, somos todos machos que honram as calças e as samba-canções que vestimos e fizemos o que era imperativo fazer, já que este negócio de valentia tem hora e o bom senso nos alerta que em momentos de desvantagem como o que se anunciou, o ato mais corajoso, racional e sensato a ser feito é tratar de se esconder o melhor e o mais rápido possível. Assim, Luiz Fernando, que tem físico de lutador de sumô, pulou, qual um acróbata, dentro de um grande baú que servia de decoração. Eu, Bosco e Bira, nos enfiamos céleres debaixo da cama e Valtério, na falta de um esconderijo melhor, entocou-se no armário. Não demorou e a dupla entrou no quarto e começou a mexer na bagagem dos nossos amigos. E nós - ai de nós! - todos silentes e sem mexer um músculo, nem respirar. Os sujeitos exultavam, colocando em um saco tudo de valor que encontravam, celulares, relógios, laptops, chave do carro, CDs do Pablo dos quais JBosco jamais se separa. De repente, um dos larápios comemorou em voz alta um achado precioso: “Mermão, olha só este tesouro: cachaça de jambu, vinda de Belém do Pará, meu rei!!”
Dentro do armário, um anjo soprou no ouvido de Valtério uma verdade drástica: se ele não tomasse uma atitude iria ficar sem sua caixa de preciosíssimas cachaças de jambu, que iriam adormecer os beiços do maléfico duo de aves de rapina. Incontinenti, sem pensar nas consequências de seus atos, sem ligar para as armas mortais dos marginais, qual um tigre Valtério saiu do armário de um só salto e brandindo sua bengala de madeira de lei deu certeiras e potentíssimas porretadas nas cucas das ladravazes criaturas, que caíram no chão, estatelados, sem sequer saberem o que os acertou, sem terem noção da chapa da jamanta que passou por cima deles. Com os bandidos totalmente fora de combate, minha coragem aumentou em muito, bem como a do resto da trupe e deixamos nossos esconderijos sem maiores constrangimentos. Na sequência, chegou a justa numa muito escura viatura. Assombrados com o estado em que ficaram os bandidos, os homi os levaram, ainda nocauteados, para a DP. A nenhum de nós Valtério soube explicar direito o que aconteceu. Porém dúvidas não restam: ele agiu movido por um impulso incontrolável ao perceber que ficaria sem seu néctar dos deuses, o jambu engarrafado que tão gentis amigos trouxeram do Pará. Os dias vão passando, passando, e nada da gente esquecer da cena daquele inacreditável massacre que sofreram os indigitados marginais. Na minha memória, na de Bira, Bosco e Luiz Fernando, testemunhas daqueles momentos, o acontecido ficou perenemente registrado, gravado de forma indelével como o dia em que, mostrando uma faceta que até então desconhecíamos em tão cordato amigo, Valtério Sales saiu do armário e entrou para a História.
(120219)
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