Um turbilhão de comentários inunda redes sociais e bancadas de TVs depois do vergonhoso soçobro da "nossa" seleção, ou seleção das Bets e congêneres, na Copa de 2026, nos EUA. Milhares e milhares de postagens com argumentos pretensamente definitivos sobre as razões das pífias atuações individuais e da lamentável campanha brazuca. E - acreditem, pois afinal isso aqui é Brasil-sil-sil - milhares de elementos encontrando méritos na imeritória seleção. Fomos pela sexta vez seguida chutados nos fundilhos para fora das disputas por uma seleção europeia. Intragáveis pletoras de comentaristas convictos de serem PHDs em tudo que se refere a futebol, exaltados, provocando uma torrencial chuva de perdigotos, vem deitando falação sobre a mais recente vexaminosa campanha da seleção que, a exemplo de múltiplas antecessoras, ajudou a desonrar ainda mais o excelente conceito conquistado com todo merecimento por gerações passadas. Pelo mérito dessas predecessoras gerações legiões de torcedores, cronistas esportivos, jogadores e cartolas subiram em um pedestal bem alto e hoje, com a maior das soberbas, vivem arrotando que temos de ser respeitados pois "somos pentas, somos pentas!". Do pedestal não querem descer de jeito nehuma ainda que ao redor tudo esteja desmoronando a passos largos. Como em nada contribuíram para os velhos dias de glória, nem Neymar nem outros quaisquer das recentes seleções têm direito de dar carteirada de pentacampeões. Tudo que os dessas recentes seleções fazem é colocar dezenas de pás de cal sobre o bom conceito do nosso futebol que a cada ano vai se esvaindo enquanto são exaltados os miliardários ídolos de pés de barro dentro de suas chuteiras de grife. Diante do que é tão óbvio deveríamos ter autocrítica para entender a gravidade de insistirmos em viciosos e equivocados argumentos. Recuperar a excelência e o poder de competitividade que tínhamos não é nada, nada, nada fácil, mas impossível não é. Só que as mídias da comunicação e TVs são partes interessadas que não mostram interesse em melhora coisíssima alguma. Perdendo ou ganhando, os lucros exorbitantes continuam a entrar às toneladas para aquela galera de sempre. Para manter esse conceito de "melhor seleção de futebol do mundo" os privilegiados e favorecidos de sempre se valem de discursos que no fundo são propagandas enganosas mantidas até mesmo por certos lixos humanos guindados à condição de "cronistas esportivos" que cotidianamente vomitam enganosos conceitos diante de microfones e câmeras. Tudo fica pior quando cronistas juramentados, considerados racionais, como o assaz simpático Mauro Betting, fazem postagens como uma em que Betting afirma que a "nossa" seleção estará entre as favoritas para ser campeã na próxima Copa do Mundo. Não duvidamos que as já mencionadas Bets e mídias corporativas que faturam fortunas endossarão tal insanidade sem o mínimo fundamento. Mauro, habitualmente um cara ponderado, no caso em pauta parece mais estar preocupado em garantir seu bem remunerado emprego de comentador futebolístico esquecendo-se que esse alegado favoritismo tem se mostrado apócrifo a cada quatriênio. Ao formular tal afirmação Betting deu uma bela derrapada, mas sempre mostra ser boa gente, se porta de forma cordial, bem humorada, acredito na sua lisura profissional e honestidade e não o creio envolvido em suborno vindo de onipresentes e milionárias casas de apostas nem em nada escuso que justifique que ele seja injusta, precipitada e levianamente apodado de Mauro Bets. Tentando entender o porquê de Mauro dizer o que disse, concluo que a seleção do Brasil, pelos seus magistrais prodígios futebolísticos praticados nos áureos tempos, adquiriu para si, de forma vitalícia, o conceito de ser ad infinitum uma "seleção favorita", ainda que hoje esteja muuuuito longe de merecer ser considerada como tal. E nada importa que ela sofra uma acachapante goleada de 7x1 em uma Copa dentro de sua própria casa, ou que seja continuamente eliminada por seleções europeias medianas. Nada lhe retira o perpétuo título de "favorita". Resta esperarmos sentados que um dia a ficha caia e finalmente as pessoas se deem conta que as atuações lastimáveis que hoje chamam de "vexame" deixou de ser fato eventual e tornou-se uma previsível e deplorável rotina. Contando com as quatro Copas sob atuações pífias de Neymar, o resultado é que é desanimadora a história vivida por seleções que tudo de errado fizeram para que perdessemos de forma vergonhosa todos os seis títulos disputados desde 2002. E a coisa é ainda mais grave e deprimente do que enxerga nossa vã filosofia. A ponto de completar um longo quarto de século em busca do título de hexacampeão, tudo o que conseguiram foi serem eliminadas seis vezes seguidas por seleções europeias, algumas de segunda ou terceira grandeza, perpetuando a façanha de nos trazer o desonroso título de hexaeliminados em Copas. Agora a camisa canarinho aonde for leva estampada, indelével, esse indesejado carimbo, um feito inédito que nenhuma seleção almeja igualar. Aí ou você encara essa amarga realidade ou faz como Mauro Betting e tantos mais e segue apostando na falaciosa fantasia do favoritismo perpétuo. (100726)
28 agosto 2026
23 agosto 2026
Um autóctone brasileiro em Nova York e o desígnio de um amigo cartunista.
22 agosto 2026
A LÍNGUA DA BOLA, um e-book feito para que você aprenda a dominar a linguagem do futebol.
Alguém já disse que o Brasil é um país com milhões de técnicos de futebol. Em números atualizados pelo IBGE somos 213,4 milhões de técnicos, professores, místeres. Sobre o esporte mais popular desse patropi abençoá por Dê e bonito por naturê muito já se falou nos mais variados aspectos. Um deles é o jargão futebolístico, a pitoresca linguagem vigente no universo desse popularíssimo esporte falada por torcedores, jogadores, técnicos e diversos profissionais que militam no meio futebolístico. Não é pra me gabar não, mas sou um estudioso do assunto assaz dedicado, laureado, incensado, reverenciado, até glorificado porque sou praticamente um Luis da Câmara Cascudo do esporte bretão nesse país nada bretão. Variados termos e expressões tais quais "maria-chuteira", "xaréu", "voltar de táxi", "regra 18", "baba" e tantos outros mais são explicados tim-tim por tim-tim. Quem quiser ficar bem informado sobre o assunto e aprender a falar essa linguagem enquanto se diverte, que trate logo de ler o livro que eu e meu confrade muito bom de bola, Edilson de Lucena, escrevemos com toda dedicação para os apaixonados torcedores. Para adquiri-lo, basta fazer como bem o fez o conceituado escritor soteropoliaustríaco R. Lackinger: você entra no site da AMAZON e procura pelo livro A LÍNGUA DA BOLA, de Edilson de Lucena e Setúbal. Em breve tempo você, atilado leitor, estará se expressando fluentemente na lingua mais popular desse popular País do Futebol. 
20 agosto 2026
Chico Buarque, Montaigne e eu com eles, a caminho de minha merecida glória literária.
14 agosto 2026
Montaigne, Chico Buarque e o Amor que não pede explicações.
(040916)
09 agosto 2026
06 agosto 2026
Professor Pasquale fez forfait na aula O estrangeirismo no Português do Brasil, mon Dieu!
Por sempre me faltar l'argent jamais tive uma garçoniére ou mesmo um pied-à-terre. Nunca fui habituée de rendez-vous - no sentido usado no Brasil, bien sûr - em compensação frequentei muuuito o boudoir de uma madame altamente distinta. Enquanto eu, eterno cafona, envergava na cintura uma pochette, ela - très chic - ia de nécessaire blanc, evocação ao Aldir, e um manteau estilão pied-de-poule, do Dior. Para meu gáudio, essa femme fatale nunca usava soutien, ficando très jolie de lingerie, e assaz coquette em uma négligée preta e em um peignoir transparentemente revelador que era de matar le diable. Mas o que ela curtia mesmo era ficar au naturel para um tête-à-tête amoroso à luz difusa do abat-jour lilás. Ulalá! A frase que dela mais eu escutava era "Voulez-vous coucher avec moi ce soir?" Eu sempre dizia "oui, oui, oui" sem falar uma palavra, de um modo que nem Marcel Marceau faria melhor. Ela, um azougue, sempre organizava uns soirées na base do petit-comité, onde eu era o piéce de résistance, que não sou fraco, não. E a danadinha sempre convidava uma certa mademoiselle muito cheia de predicados, une belle salope que fazia miché e - noblesse oblige - com um belíssimo derrriére de se comer rezando, sendo que a talzinha era uma mistura de uma jovem Catherine Les parapluies de Cherbourg Deneuve com a Isabelle Adjani, e dona de um menu sexual ricamente sortido, sendo ela apetrechada de libidinagens que du coup me transformavam em um Marquês de Sade afro-baiano e vai daí nas partouzes mais vertiginosas baiser e jouir era comigo mesmo. Sacré bleu!, mas que pas de deux, que nada!, a gente se enroscava num ménage à trois alucinante - que eu não sou de ficar só nessa de voyeur - e lá vinham elas com miríades de bouquettes e eu com um verdadeiro pot-pourri de safadezas para atender a ambas, a todo instante solicitando meus proverbiais faire minettes. Franchement, se alguma coisa tenho nesta vida é savoir - faire em sacanagens de alcova e variadas cochonneries e aí tome-lhe entrée e reentrée, entrée e reentrée, entrée e reentrée, a meio seus gritos e sussurros, e eu naquele doce déjà vu só vendo la vie en rose. Vive la différence! Insaciáveis elas vinham prá cima de moi, e eu, sendo o crème de la crème, não deixava barato e fazia minha parte comme il faut. E bota comme il faut nisto. Et alors, mes enfants, c'est fini. Ao som de La Marseillaise em ritmo de samba de roda da Bahia, maintenant eu digo au revoir, mon roi!02 agosto 2026
01 agosto 2026
Paulo Coelho: depois do extenuante Caminho de Santiago, finalmente La vie en rose

(270813)






