28 agosto 2026

Mauro Betting dizendo que o Brasil é favorito em 2030 após o novo vexame mundial.

Um turbilhão de comentários inunda redes sociais e bancadas de TVs depois do vergonhoso soçobro da "nossa" seleção, ou seleção das Bets e congêneres, na Copa de 2026, nos EUA. Milhares e milhares de postagens com argumentos pretensamente definitivos sobre as razões das pífias atuações individuais e da lamentável campanha brazuca. E - acreditem, pois afinal isso aqui é Brasil-sil-sil - milhares de elementos encontrando méritos na imeritória seleção. Fomos pela sexta vez seguida chutados nos fundilhos para fora das disputas por uma seleção europeia. Intragáveis pletoras de comentaristas convictos de serem PHDs em tudo que se refere a futebol, exaltados, provocando uma torrencial chuva de perdigotos, vem deitando falação sobre a mais recente vexaminosa campanha da seleção que, a exemplo de múltiplas antecessoras, ajudou a desonrar ainda mais o excelente conceito conquistado com todo merecimento por gerações passadas. Pelo mérito dessas predecessoras gerações legiões de torcedores, cronistas esportivos, jogadores e cartolas subiram em um pedestal bem alto e hoje, com a maior das soberbas, vivem arrotando que temos de ser respeitados pois "somos pentas, somos pentas!". Do pedestal não querem descer de jeito nehuma ainda que ao redor tudo esteja desmoronando a passos largos. Como em nada contribuíram para os velhos dias de glória, nem Neymar nem outros quaisquer das recentes seleções têm direito de dar carteirada de pentacampeões. Tudo que os dessas recentes seleções fazem é colocar dezenas de pás de cal sobre o bom conceito do nosso futebol que a cada ano vai se esvaindo enquanto são exaltados os miliardários ídolos de pés de barro dentro de suas chuteiras de grife. Diante do que é tão óbvio deveríamos ter autocrítica para entender a gravidade de insistirmos em viciosos e equivocados argumentos. Recuperar a excelência e o poder de competitividade que tínhamos não é nada, nada, nada fácil, mas impossível não é. Só que as mídias da comunicação e TVs são partes interessadas que não mostram interesse em melhora coisíssima alguma. Perdendo ou ganhando, os lucros exorbitantes continuam a entrar às toneladas para aquela galera de sempre. Para manter esse conceito de "melhor seleção de futebol do mundo" os privilegiados e favorecidos de sempre se valem de discursos que no fundo são propagandas enganosas mantidas até mesmo por certos lixos humanos guindados à condição de "cronistas esportivos" que cotidianamente vomitam enganosos conceitos diante de microfones e câmeras. Tudo fica pior quando cronistas juramentados, considerados racionais, como o assaz simpático Mauro Betting, fazem postagens como uma em que Betting afirma que a "nossa" seleção estará entre as favoritas para ser campeã na próxima Copa do Mundo. Não duvidamos que as já mencionadas Bets e mídias corporativas que faturam fortunas endossarão tal insanidade sem o mínimo fundamento. Mauro, habitualmente um cara ponderado, no caso em pauta parece mais estar preocupado em garantir seu bem remunerado emprego de comentador futebolístico esquecendo-se que esse alegado favoritismo tem se mostrado apócrifo a cada quatriênio. Ao formular tal afirmação Betting deu uma bela derrapada, mas sempre mostra ser boa gente, se porta de forma cordial, bem humorada, acredito na sua lisura profissional e honestidade e não o creio envolvido em suborno vindo de onipresentes e milionárias casas de apostas nem em nada escuso que justifique que ele seja injusta, precipitada e levianamente apodado de Mauro Bets. Tentando entender o porquê de Mauro dizer o que disse, concluo que a seleção do Brasil, pelos seus magistrais prodígios futebolísticos praticados nos áureos tempos, adquiriu para si, de forma vitalícia, o conceito de ser ad infinitum uma "seleção favorita", ainda que hoje esteja muuuuito longe de merecer ser considerada como tal. E nada importa que ela sofra uma acachapante goleada de 7x1 em uma Copa dentro de sua própria casa, ou que seja continuamente eliminada por seleções europeias medianas. Nada lhe retira o perpétuo título de "favorita". Resta esperarmos sentados que um dia a ficha caia e finalmente as pessoas se deem conta que as atuações lastimáveis que hoje chamam de "vexame" deixou de ser fato eventual e tornou-se uma previsível e deplorável rotina. Contando com as quatro Copas sob atuações pífias de Neymar, o resultado é que é desanimadora a história vivida por seleções que tudo de errado fizeram para que perdessemos de forma vergonhosa todos os seis títulos disputados desde 2002. E a coisa é ainda mais grave e deprimente do que enxerga nossa vã filosofia. A ponto de completar um longo quarto de século em busca do título de hexacampeão, tudo o que conseguiram foi serem eliminadas seis vezes seguidas por seleções europeias, algumas de segunda ou terceira grandeza, perpetuando a façanha de nos trazer o desonroso título de hexaeliminados em Copas. Agora a camisa canarinho aonde for leva estampada, indelével, esse indesejado carimbo, um feito inédito que nenhuma seleção almeja igualar. Aí ou você encara essa amarga realidade ou faz como Mauro Betting e tantos mais e segue apostando na falaciosa fantasia do favoritismo perpétuo.                                                     (100726)

23 agosto 2026

Um autóctone brasileiro em Nova York e o desígnio de um amigo cartunista.

Em noite do mais argênteo plenilúnio estava eu aqui em minha cobertura no Soho, Big Apple, empenhado no épico labor de livrar-me de incômodos pruridos em minhas pudendas partes, quando eis que me chegou virtualmente às mãos uma infomensagem de sinal de fumaça enviada pelo intimorato cacique-cartunista Biratan, o Bira, saudoso e fraternal confrade, ínclito aborígene paraense que soía desfilar seu garbo varonil pela jângal, paramentado com seu cocar feito com inusitadas penas, daquelas feitas para se desenhar com nanquim. O nobilíssimo silvícola Papaxibé me deixava claro que eu teria que postar nesse espaço três rabiscos diários durante cinco luas. Incontinente, postei essas três minhas garatujas pois muito prezo meu bem-estar, vez que ou Biratan era em tal determinação atendido ou declararia guerra contra minha tribo baiana de Mata Escura, os índios Akarajés.
1. NELSON RODRIGUES, grafite B, caneta nanquim descartável, alguns vidros de ecoline e um tostão de Photoshop.
2. GARI, lápis HB2, tinta acrílica sobre tela e um grama de Photoshop.
3. ORELHÃO, grafite B, canetas nanquim descartáveis, pincel Kolinsky number 2, um trapinho manchado de nanquim sobre papel Opaline 180 gramas e uma espórtula de Photoshop. 
(110215)

22 agosto 2026

A LÍNGUA DA BOLA, um e-book feito para que você aprenda a dominar a linguagem do futebol.

Alguém já disse que o Brasil é um país com milhões de técnicos de futebol. Em números atualizados pelo IBGE somos 213,4 milhões de técnicos, professores, místeres. Sobre o esporte mais popular desse patropi abençoá por Dê e bonito por naturê muito já se falou nos mais variados aspectos. Um deles é o jargão futebolístico, a pitoresca linguagem vigente no universo desse popularíssimo esporte falada por torcedores, jogadores, técnicos e diversos profissionais que militam no meio futebolístico. Não é pra me gabar não, mas sou um estudioso do assunto assaz dedicado, laureado, incensado, reverenciado, até glorificado porque sou praticamente um Luis da Câmara Cascudo do esporte bretão nesse país nada bretão. Variados termos e expressões tais quais "maria-chuteira", "xaréu", "voltar de táxi", "regra 18", "baba" e tantos outros mais são explicados tim-tim por tim-tim. Quem quiser ficar bem informado sobre o assunto e aprender a falar essa linguagem enquanto se diverte, que trate logo de ler o livro que eu e meu confrade muito bom de bola, Edilson de Lucena, escrevemos com toda dedicação para os apaixonados torcedores. Para adquiri-lo, basta fazer como bem o fez o conceituado escritor soteropoliaustríaco R. Lackinger: você entra no site da AMAZON e procura pelo livro A LÍNGUA DA BOLA, de Edilson de Lucena e Setúbal. Em breve tempo você, atilado leitor, estará se expressando fluentemente na lingua mais popular desse popular País do Futebol.                   

20 agosto 2026

Chico Buarque, Montaigne e eu com eles, a caminho de minha merecida glória literária.

 

De modesto nada tenho, acredite. Pergunte aos escritores consagrados que você tem no seu círculo de amizades - se nele acaso transitam alguns - o que os impulsiona a escrever seus romances intrigantes, ensaios elucidativos, crônicas divertidas, açucaradas poesias ou contos dignos de um Dostoievski, de um Tolstói, um Eça, um Machado, um José Maribondos de Fogo Sarney. Numa quase unanimidade, lhe dirão que escrevem para se expressar, para transmitir aos demais o que lhes vai na alma, que a escrita lhes dá sentido existencial, que sem escrever a cuca poderia explodir em milhões de caquinhos. Pretendentes a escribas, ainda neófitos, diriam algo similar em uma demonstração de elogiável sinceridade. Pois não eu. Exorbitante em autoafirmação, escrevo para atingir os pináculos da fama, a notoriedade, o aplauso geral, os holofotes, o tapete vermelho, a admiração incondicional dos leitores e críticos literários e, de todos eles, os mais deploráveis sentimentos de inveja. Chás, fardão, aquele chapéu mui suspeitamente batizado de bicórneo e a - por tantos cobiçada- cadeira da ABL eu dispenso desde já. Do restante eu e meu ego não abrimos mão de nada. Há uma dezena de anos aqui neste blog venho escrevendo e postando textos definitivos sobre assuntos os mais vários. Dez anos. E, no entanto, se consulto as estatísticas do blog elas me dão conta de que em uma década inteira minha postagem mais lida é uma insignificância perto do número de visualizações diárias de qualquer post dos blogueiros mais meias bocas e de qualquer das postagens dos influencers mais ineptos deste patropi. Nada sei de marketing pessoal, desconheço quaisquer mecanismos eficazes de promoção de espaços virtuais e não sou um tipo que se empenhe em fazer convenientes contatos sociais, até porque, devido idiossincrasias incontroláveis, não sou pessoa dada a maiores sociabilidades. 
Todo este extenso preâmbulo foi para dizer da minha imensurável e agradabilíssima surpresa por descobrir um texto meu publicado em um espaço virtual mais que nobre, voltado para a divulgação do que há de melhor na literatura, crônicas, poesias e artes em geral. Trata-se da cultuada Revista Prosa, Verso, Artes. O referido texto escrevi depois de haver assistido a um vídeo em que Chico Buarque explica o que o motivara a formular versos buscando decifrar em nós, humanos viventes, a origem do sentimento do amor, numa canção chamada Por que era ela, porque era eu
Por alcançar tal apoteótico sucesso de constatar meus escritos republicados em veículo cultural tão nobre, incensado pelos que amam, entendem e praticam o melhor da Cultura, meu peito se fez inflado do mais justificável orgulho literário e, incontinente, corri para repartir com vocês tal retumbante êxito. Não, leitor amigo, nada tenho de modesto, tanto mais agora que os tambores rufaram e minha consagração se fez anunciar. Prêmio Camões, Nobel da Literatura e glória literária, aí vai um imodesto convicto.      
O link para a Revista Prosa e Verso e Arte é:
(070123)

14 agosto 2026

Montaigne, Chico Buarque e o Amor que não pede explicações.

O que faz nascer uma amizade imorredoura? O que move uma paixão desmedidamente extraordinária dentro de nossos humanos corações? O que nos leva a gostarmos tão intensamente de uma pessoa, por vezes tão diversa de nós? Ou a nos apaixonarmos perdidamente por alguém e mantermos com esse alguém um relacionamento que, no dizer do Poetinha, enquanto dura, infinito é. Amigos, parentes, conhecidos e desconhecidos, veem essa relação vivida com olhos de quem assiste a algo em que a lógica se volatiliza e se lhes escapa, algo improvável, indefinível, pleno de estranheza, difícil de ser decodificado, entendido, assimilado. Para desvendar esse mistério, buscando um satisfatório entendimento disso, Chico Buarque - compositor, cantor, dramaturgo e escritor - foi buscar a melhor definição nos ensaios de Michel de Montaigne, o célebre escritor, humanista e filósofo da França, sempre a França. Chico conta em um vídeo que Montaigne era insistentemente questionado sobre o porquê de sua mais que imensa e eterna amizade por outro humanista e filósofo francês, Étienne de La Boétie, cuja morte precoce levou Montaigne a escrever o ensaio “Da amizade”, em que dizia apenas que gostava dele e ponto. Quinze anos mais tarde, revendo o que escrevera, o escritor acrescentou que gostava muito do amigo La Boétie por uma razão: “porque era ele”. Foram precisos que se passassem outros quinze anos para o filósofo fazer um novo acréscimo à frase, completando-a definitivamente: “porque era ele, porque era eu”. Chico entendeu como simples, porém perfeita, a definição dada por Montaigne. Achando que perfeita ela também era para definir a paixão, o amor que sentimos por outro alguém, dela se valeu para compor uma música feita para a trilha sonora do filme brasileiro A máquina, do diretor João Falcão. A essência do que definiu Montaigne está no nome da música: “Porque era ela, porque era eu”. Maravilhoso, formidável Montaigne. Maravilhoso, formidável Chico Buarque.
(040916)

06 agosto 2026

Professor Pasquale fez forfait na aula O estrangeirismo no Português do Brasil, mon Dieu!

Por sempre me faltar l'argent jamais tive uma garçoniére ou mesmo um pied-à-terre. Nunca fui habituée de rendez-vous - no sentido usado no Brasil, bien sûr - em compensação frequentei muuuito o boudoir de uma madame altamente distinta. Enquanto eu, eterno cafona, envergava na cintura uma pochette, ela - très chic - ia de nécessaire blanc, evocação ao Aldir, e um manteau estilão pied-de-poule, do Dior. Para meu gáudio, essa femme fatale nunca usava soutien, ficando très jolie de lingerie, e assaz coquette em uma négligée preta e em um peignoir transparentemente revelador que era de matar le diable. Mas o que ela curtia mesmo era ficar au naturel para um tête-à-tête amoroso à luz difusa do abat-jour lilás. Ulalá! A frase que dela mais eu escutava era "Voulez-vous coucher avec moi ce soir?" Eu sempre dizia "oui, oui, oui" sem falar uma palavra, de um modo que nem Marcel Marceau faria melhor. Ela, um azougue, sempre organizava uns soirées na base do petit-comité, onde eu era o piéce de résistance, que não sou fraco, não. E a danadinha sempre convidava uma certa mademoiselle muito cheia de predicados, une belle salope que fazia miché e - noblesse oblige - com um belíssimo derrriére de se comer rezando, sendo que a talzinha era uma mistura de uma jovem Catherine Les parapluies de Cherbourg Deneuve com a Isabelle Adjani, e dona de um menu sexual ricamente sortido, sendo ela apetrechada de libidinagens que du coup me transformavam em um Marquês de Sade afro-baiano e vai daí nas partouzes mais vertiginosas baiser e jouir era comigo mesmo. Sacré bleu!, mas que pas de deux, que nada!, a gente se enroscava num ménage à trois alucinante - que eu não sou de ficar só nessa de voyeur - e lá vinham elas com miríades de bouquettes e eu com um verdadeiro pot-pourri de safadezas para atender a ambas, a todo instante solicitando meus proverbiais faire minettes. Franchement, se alguma coisa tenho nesta vida é savoir - faire em sacanagens de alcova e variadas cochonneries e aí tome-lhe entrée e reentrée, entrée e reentrée, entrée e reentrée, a meio seus gritos e sussurros, e eu naquele doce déjà vu só vendo la vie en rose. Vive la différence! Insaciáveis elas vinham prá cima de moi, e eu, sendo o crème de la crème, não deixava barato e fazia minha parte comme il faut. E bota comme il faut nisto. Et alors, mes enfants, c'est fini. Ao som de La Marseillaise em ritmo de samba de roda da Bahia, maintenant eu digo au revoir, mon roi!
(030214)

01 agosto 2026

Paulo Coelho: depois do extenuante Caminho de Santiago, finalmente La vie en rose


Deambulava eu pelas ruas de Paris em álacre matinada quando eis que me deparo com meu confrade Paulo Coelho. O leporídeo escriba atravessa a rua em minha direção, aproxima-se e me estreita num fraternal e brasileiríssimo amplexo. Pede-me notícias do greenyellowblueandwhite torrão. Digo ao meu caro amigo que aqui na terra estão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock' n roll, mas que depois de tanto verde-oliva, manipulações midiáticas, instrumentalização da fé y otras cositas más, a coisa aqui está preta, e é muita pirueta pra cavar o ganha-pão. O mago, afável como de habitude, despede-se de mim, volta seus tacões para Montmatre e retoma seu caminho (de Santiago) em inabalável tranquilidade. E eu descubro que não há nada mais maravilhoso que ser brasileiro. Desde, é claro, que você more no lugar certo. Numa requintada mansão no sul da França ou em um deslumbrante palacete na Suiça, por exemplo, e não em um mocambo na invasão da Baixa da Égua ou do Vale da Muriçoca. Desde, também, que sua conta bancária esteja abarrotada com miríades e miríades de euros que lhe permitam fazer matinais gargarejos diários com Romanée-Conti - santo remédio! - pelo simples fato de você ter mais de 350 milhões de livros vendidos no planeta, cifra que faria o finado afinado e refinado Michael Jackson ficar preto de inveja. Santé, xará!
(270813)