16 dezembro 2009

Deus, o homem, a Grafar e o Salão de Piracicaba

Sou um inveterado navegador da Net. Uma das minhas razões deste navegar é a vontade que tenho de ver antigos e novos desenhistas em ação. Achei o Tinta China que mostra cartuns e cartunistas, um blog dos pampas que é bom às pampas. E quando estava fuçando tudo o que via me deparei com um cartum meu que me valeu há alguns anos premiação no Salão de Humor de Piracicaba. Não tenho hábito de mandar regularmente cartuns para Salões. Me falta organização, disciplina e mesmo interesse. Mas mandei este aqui, que é um cartum que foge da temática política tradicional e brinca com um dos grandes grilos que frequentam a cabeça dos homens desde a era das cavernas quando os pitecantropos se engalfinhavam dizendo que seu tacape era bem maior que o do cara da caverna ao lado. Para acessar este blog que tem um belo time de cartunistas, clique aqui: http://grafar.blogspot.com/ Boas risadas, tchê!

20 outubro 2009

A Bahia, o ICBA, a Alemanha e nós, soteropolitanos.


O cinema americano sempre usou de seu glamour para alimentar nas pessoas ódios raciais, visões estereotipadas e preconceitos contra povos que seus financiadores julgavam serem impecilho contra a sanha imperialista de seu país. Não é por acaso que ao ouvirmos o nome Alemanha nos venha à mente qual uma idéia fixa, o nazismo que tanto repudiamos. Como se cada cidadão teuto fosse um execrável nazista em potencial. Aqui na Bahia, ao contrário, as pessoas - ao menos as mais informadas - têm para com a Alemanha um sentimento de gratidão eterna. Nada a ver com o belo futebol de Franz Beckenbauer e outros craques tedescos. Tudo devido a um germânico de nome Roland Schaffner que nos anos 70 dirigiu o ICBA, Instituto Cultural Brasil-Alemanha, uma entidade oficial alemã que não se limitou a nos revelar o melhor da admirável cultura da terra de Goethe e de um interminável lote de brilhantes filósofos e artistas. Foi muito além disso, irmanando-se com as gentes da Bahia em um tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória de nossas novas gerações em que um magote de eqüinos engalanados em verde-oliva tomaram o poder e nos desgovernaram por duas tristes décadas. Com seus coturnos pisavam nossos plexos, jugulares e pomos-de-Adão, sufocando-nos e tirando-nos a voz. Foi então que Schaffner, usando de altruísmo, de senso democrático e de muita coragem abriu e deixou abertas as portas do ICBA para abrigar os baianos mais conscientes que queriam escapar do jugo dos imbecis em gandolas sequiosos de nos impor o que deviámos ver, ler, falar e até pensar. Seus braços truculentos não alcançavam a entidade oficial alemã, seus coturnos sujos de sangue não podiam ali pisar. Invadir o ICBA seria invadir a própria Alemanha. Então ali, naquele autêntico oásis democrático, podíamos ver exposições e também expor sem as amarras da censura em voga no país. Podíamos desenhar, pintar, ver peças teatrais, atuar nelas, ler. E o fazíamos. Líamos, conversávamos, sonhávamos, ríamos, vivíamos. Os ares libertários do ICBA eram os que queríamos respirar nas ágoras de nossa urbe. Hoje, amainada a tempestade da quartelada nefasta, nos ficou um país de visíveis castas onde a desigualdade é gritante. Uns poucos nadam em dinheiro e vivem nababescamente e para eles o paraíso é aqui. Um contigente de sofredores têm que lutar arduamente para sobreviver. E há um outro contigente que só faz aumentar, um número assustador de gentes que transitam na maior indigência, mostrando a quem queira ver que o país que nos legaram os ditadores é uma fábrica de desassistidos, de desqualificados, de marginalizados sem chances. Entre eles aquele guri franzino de sete, oito anos que dentro de poucos dias, com a mente entorpecida pela cola ou pelo crack, meterá uma bala no meio dos cornos do transeunte que retorna de sua faina com uns poucos cruzeiros no bolso. E rezemos, rezemos muito para que este transeunte não seja um de nós. Temos tudo para sermos desesperançados mas não somos. Gente como Roland Schaffner nos mostra que há um modo correto e justo de se agir com os semelhantes. Que ética pode ser mais que uma palavra nas páginas iniciais do Aurélio. Que democracia não deve significar a opressão de muitos por uns poucos. Que para as trevas sufocantes que nos querem impingir a todo instante e de todas as formas, devemos nos unir e, como o seu famoso conterrâneo, von Goethe, clamar em altos brados "Luz!Luz!Deixem entrar a luz!"

19 outubro 2009

Nildão, cartunista, artista gráfico e grafiteiro: trivialidades sobre um cara nada trivial

Um sujeito vestido formalmente, uma cadeira, uma mesinha, uma sinuosa fila de enfadadas pessoas à espera de uma dedicatória. Isto é o que se pode prever no lançamento do livro de qualquer autor. Qualquer? Não quando este autor se chama Nildão, um cara que usando de sua alta criatividade e sua proverbial joie de vivre transforma um evento invariavelmente maçante em um acontecimento prazeroso, um ponto de encontro de gente descontraída e de bem com a vida, cheio de festividade, lúdico, divertido, dançante e memorável. Assim soem ser os lançamentos dos livros deste artista do grafismo, do cartum e da própria vida . E ele tinha que escolher o Humor como forma de manifestação, vez que os pais mostraram serem criativos e bem humorados quando na pia batismal - sem consultá-lo - o nomearam Josanildo. Os amiguinhos não disseram nada, mas pelo não, pelo sim, acharam por bem chamá-lo apenas de Nildão, que é como ele ficou conhecido até hoje em Jacobina, Soterópolis, Sampa e em Paris sendo que semelhante alcunha no aumentativo certamente pode levar qualquer um a induzir de maneira equivocada que seu portador não pode jamais ser um artista e sim um troglodítico beque central de alguma altaneira esquadra do popular esporte bretão que só deixa a grande área para matar a jogada, eufemismo que os frenéticos e irrefreáveis cronistas esportivos usam para descrever aquele lance em que os chamados zagueirões derrubam algum desavisado adversário com um impiedoso e fatídico chute nos quibas e / ou adjacências. Qual o quê, minhas gentes. Nildão é figura mais que leve tanto fisicamente quanto no seu modo de ser. E sabemos que a grande área em que ele transita é bem outra e que engloba além dos ditos cartuns e grafismos um lote de coisas que requeiram o uso de uma cuca competente e saudável como a dele. Nildão grafita. Nildão anima ( nunca desanima ). Nildão logotipeia. Nildão cria frases. Nildão faz Hai-Kai. Nildão agita mas não cai. Foi por eu tentar transitar nas mesmas áreas que o acabei conhecendo há mais de 30 anos e nos tornamos amigos desde então. E além de amigos, nos tornamos cúmplices em parcerias diversas. O ex-Josanildo é pródigo em qualidades positivas sendo talvez a mais forte delas sua incrível postura altamente racional diante das coisas o que costuma livrá-lo das armadilhas dos estereótipos e dos preconceitos de todas as ordens. Improvisações descabidas, amadorismos inócuos, escolhas precipitadas ou calcadas em passionalidades vãs não compõem seu estilo profissional que sempre primou pelo aperfeiçoamento do seu próprio saber. Para tanto muito se informou e entre outras coisas leu muito e de tudo. Sua seriedade profissional não o impediu de ser a pessoa amável que é, carismático, agradável, agregador, detentor de um sorriso sincero e franco, de um bom-humor contagiante, astral elevadíssimo, solícito, um monstro para fazer amigos, tendo sempre para eles um abraço afetuoso e acolhedor sem nunca ter almejado nenhum cargo público. Não me limitei a comprovar de perto estas virtudes Nildônicas pois embora sejamos tão distintos um do outro, de há muito percebi que algumas atitudes e posturas que adoto com a maior propriedade têm muito do que assimilei deste tão querido amigo que sabe viver a vida com sabedoria de guru qual um Mr. Natural do Robert Crumb em versão baiana, sempre aboletado entre nuvens em seu Nirvana na cobertura do Edifício Pedrão, ali na Rua Carijós, no Rio Vermelho. Josanildo, pra você meus mais respeitosos e fraternais amplexos e ósculos, bró!
(Publicado originalmente em 19 de outubro de 2009)

20 setembro 2009

Beijo roubado // Setubardo 7

Um beijo roubado
Furta o fôlego e a voz.
Não é completa maldade
Sói haver cumplicidade
Entre vítima e algoz.

03 setembro 2009

A primeira vez de Jaques Wagner

Na gênese do PT nacional está Jaques Wagner, ombro a ombro com Lula desde o primeiro instante. Na Bahia, ao lado de companheiros cheios de entusiasmo e determinação, Wagner também está no PT desde os alicerces que se iniciou em época em que o Carlismo gozava de ótima saúde e seu líder, Antonio Carlos Magalhães, conhecido nacionalmente comoToninho Malvadeza, mostrava com prazer o porquê de sua famigerada alcunha. Pelejas acirradas contra tais forças sempre soaram como algo quixotesco, utópico. Naquele tempo eu e Wagner éramos vizinhos na Vila Matos, no Rio Vermelho, um lugar simples, de gente simples com quem Jaques bem se relacionava. Ali ele me falou entusiasmado que estava montando seu comitê que dividiria com Roberto Ataíde e Walter Pinheiro. Encomendou-me um folheto para a divulgação. Fiz um mapinha porreta e rematei com simpáticas caricaturas do trio. Ilustrando esta postagem está a primeira caricatura que alguém fez de Jaques Wagner, que curtiu e aprovou tudo numa boa. Wagner ainda não tinha as melenas argênteas nem a olorosa e bem aparada barba que ora ostenta e que lhe dão um ar de distinção e de confiabilidade tão necessárias a um homem público. Além, é claro, de provocar justificável frenesi na primeira-dama. Eram tempos de bovinas anoréxicas e Wagner, acanhado, me pediu uma graninha para pegar um buzu alegando que tinha que ir ao jornal A Tarde, seu local de trabalho, à época, onde iria fazer umas caricaturas a serem publicadas pelo matutino. Passei-lhe a grana e nunca mais vi a cor dela. Mais de duas décadas depois o que parecia quixotesco e utópico acabou tornando-se vontade popular e Wagner pespegou uma histórica derrota ao Carlismo que já vinha cambalido pela decadência física e política do antes temido Malvadeza, agora vergastado por escabrosos escândalos que se sucediam revelando um infindável lote de esqueletos no armário. Hoje Wagner vai governando em luta contra as incontáveis dificuldades construídas por décadas nesta terra, buscando derrubar as gigantescas barreiras espalhadas por toda parte. Quanto a mim, ai de mim. Ouço tocar uma estridente campainha interior que me avisa um tanto tardiamente que quem trabalhava no A Tarde era eu e não Wagner. Quem fazia as caricaturas era eu. Quem pegava o buzu pro jornal era eu, o que me leva a uma nada sherlockiana dedução de que fui eu quem tomou a grana emprestada na mão de Jaques e não o contrário. Ciente disso, reconheço de público minha dívida externa e prometo ao nosso democrático governante que tão logo possa eu passo aí no Palácio de Ondina para quitar meu débito. Não será por falta de grana para o buzu que Vossa Excelência se verá impedido de exercer uma saneadora e progressista gestão tão desejada pela população afrobaiana, meu caro Governador. Ao senhor, os meus respeitos e o meu mais democrático axé.

24 maio 2009

Caetaneando ando
















Caê
Freguês de Dadá.
Ex de Dedé.
Curte Didi.
Filho de Dodô.
Fã do pai do Dudu.

Veloseando ando










Velô
Mano de Beta.
Filho de Canô.
Pai de Zeca.
Tio de Belô.
Parceiro de G.G.
Sândalo pra Ro Ro.
Idolatra João.
Curte Ilê no Pelô.

16 maio 2009

JBosco, Pará, Fafá





Este sujeito aí, com uma batata entre os olhos à guiza de nariz, não é nenhum audaz e heróico compañero de Che e Fidel que arriscava sua própria vida em Sierra Maestra em renhidos e mortais embates contra os esbirros do mendaz ditador Fulgencio Batista. Bem, combatente ele certamente o é. Mas sua trincheira é uma prancheta e sua arma um lápis com o qual dispara certeiros petardos contra a alienação e o mau-humor. E o cara nunca erra o alvo. Estou falando deste mui nobre mameluco, orgulho e glória de Belem do Pará de onde, de algum ponto da selva ( de pedra ), cria e executa com invejável maestria cartuns, charges e caricaturas. Confira o trabalho deste talentoso cartunista no http://jboscocartuns.blogspot.com/ e no http://jboscocaricaturas.blogspot.com/ e vejam que nem só de Fafá vive o Pará.

02 maio 2009

Traçando a galera do Estúdio Cedraz

Dia desses visitei o Estúdio Cedraz para rever meu velho amigo Cedraz e sua valorosa equipe que com ele cria e prepara HQs brasileiríssimas de assaz alta qualidade. Aproveitei para traçar a caricatura dos integrantes da indômita equipe.
Vítor é o homem das cores. Graças a pessoas estóicas como ele gente como Chapeuzinho Vermelho, Duende Verde, Pantera Cor-de-Rosa e Yellow Kid podem levar uma vida normal.





Sidney é o bom no lápis e no nanquim. Baiano da gema é torcedor do tricolor. Mas não o tal tricolor de aço, o E.C. Bahia. Ele torce é pro Grêmio Portoalegrense. Vai-se lá saber o porquê. Se eu, igualmente baiano, não fosse um empedernido, contumaz e renitente tor
cedor do glorioso S.C.
Corinthians Paulista, eu ia achar a escolha dele coisa de aculturado exótico e ia malhar o cara.










Muriel e seu eterno sorriso.
Cabra bom de desenho e de
tablet
.








. Cláudia, além de profissi-onal
competen-te, dá o necessário e providen-cial toque feminino ao Estúdio que é cheio de marmanjos que só sabem falar de quadrinhos e desenho o tempo todo. Quando apareço por lá isto piora que é uma maravilha.












Tom, que não é o Jobim. Mas também sabe lidar muito bem com letras. Seus textos são premiadíssimos.

Para estes amigos, que além de talentosos são gente do bem, vai aqui meu abração.

01 maio 2009

Evento de pessoal da Braskem

 Ói eu, de costas ( que é meu melhor ângulo para fotos, atualmente ), lapiseira na mão, fazendo caricaturas ao vivo em um evento de uma galera da Braskem. Gente pra lá de formidável, de altíssimo astral. Isto torna meu trabalho uma atividade assaz prazerosa.

Caricaturas ao vivo em eventos





Caricaturas ao vivo feitas em eventos empresariais ou não, são uma maneira infalível de você garantir o sucesso daquele acontecimento, daquele treinamento de pessoal, encontros, cursos, formaturas, festas de final de ano ou qualquer outra comemoração. Os participantes ficam mais descontraídos, mais participativos, o astral fica pra lá de elevadíssimo.
Contacte o caricaturista deste blog para maiores detalhes e torne seu
evento memorável.











Caricaturas: o amor de bom humor

Que tal fazer uma caricatura do seu amorzinho fazendo algo que seja a cara deste seu love tão especial? Ou quem sabe você pode fazer uma surpresa deliciosa encomendando uma caricatura mostrando você e seu idolatrado par, bem juntinhos no maior clima romântico. Se vocês já vão casar e são pessoas que gostam de fugir do lugar-comum que tal fazer o convite do casamento de vocês com uma caricatura sua e do amor de sua vida? Seus amigos vão adorar. Ah! e vocês ainda podem contratar este caricaturista para abrilhantar ainda mais sua já maravilhosa festa de casamento fazendo caricaturas ao vivo dos convidados.  

Caricaturas de amigos













Todo mundo tem um amigo legal, uma amiga bacana, não é mesmo? Gente boa de quem tanto gostamos. E cada um deles tem um jeito próprio de ser. Vale a pena mandar fazer uma caricatura desse amigo, dessa amiga tão fraternal, mostrando alguma coisa que seja a marca registrada dele/dela. Uma paixão por um time de futebol, estado de origem, banda preferida, profissão, hobby. Aí você dá de presente, seja no aniversário dele/dela ou quando você achar que vale a pena dar uma demonstração de apreço.






















Caricaturas em grupo//Aniversário

Estas caricaturas foram encomendadas para serem impressas na camisa da festa de aniversário do patriarca desta animada família que, muitíssimo feliz, completava 65 anos de pura felicidade ao lado dos amorosos e numerosos filhos e netos. As camisas foram utilizadas na festa de comemoração pelos integrantes do clã da família do aniversariante e demais convidados. Com tanto humor e irreverência o feliz patriarca seguramente vai emplacar idade centenária.