21 dezembro 2015

Glauber, Getúlio Vargas e Lorca em caricatura de Setúbal

Glauber, esse Etna baiano, Getúlio Vargas, que tanto marcou a História do Brasil, e Lorca, versejador maduro, apesar de tanto querer verde. Esta caricatura com essas magníficas figuras mostrei em exposição no I FHUBÁ, Festival de Humor da Bahia.
( Publicado originalmente em 28/05/12 )

11 dezembro 2015

No Planeta Futebol

O futebol é uma temática presente na vida da maioria dos habitantes deste país continental. E eu não fico de fora. Sempre que possível revisito o tema com meus pincéis e tinta acrílica sobre tela. 
( Publicado originalmente em 13/04/10 )

Cantoras, músicos e músicas

Cantoras e músicos visitavam constantemente as telas do cinema em memoráveis filmes noir. E estão sempre visitando as telas que pinto com tinta acrílica como esta aí.
( Publicado originalmente em 13/04/10 )

03 dezembro 2015

André Costa Nunes emociona em seu livro que fala de indios, seringueiros e outros brasileiros

Niti, curumim em corpo de cunhã. Niti feliz, mergulhando nas águas de rios e igarapés, cuidando de seus xerimbabos e de seus filhos com igual carinho, amando na rede o seu bravo guerreiro em noites de luar. E rindo, rindo muito, como sempre riam os seus, porque amavam esse mundo verde que Tupã criou e deu a eles de presente com caça e pesca abundante. Um dia - há sempre um dia - chegaram estranhos invasores brancos que de árvores extraíam o látex. E chegaram tirando do povo de Niti o alimento, a liberdade, seus risos, as suas vidas. Foi inevitável: logo a cor clara do látex se tornou vermelho como sangue. Índios mataram brancos que buscavam expulsá-los de seus antigos territórios, do que sabiam ser deles, rios, caça, pesca, vida. Brancos mataram índios, a quem diziam inamistosos, hostis e cruéis assassinos. O silêncio da floresta foi quebrado pelo espocar de tiros, silvos de balas e pelo impacto das bordunas esmagando crânios. Os embates menores eram prenúncios de uma batalha de grandes dimensões, cruenta, talvez definitiva. Niti, curumim e cunhã, inerme, desnorteada, deslocada em meio a uma guerra desigual em que se dispara mortalmente contra cunhãs e curumins. Prevaleceu uma astuciosa e rústica tática militar em uma memorável batalha ou tudo não passou de um condenável e impiedoso massacre? Leia e julgue você mesmo, leitor. Tais acontecimentos estão esplendidamente descritos no livro A Batalha do Riozinho do AnfrísioUma história de índios, seringueiros e outros brasileiros, do escritor paraense André Costa Nunes. Quem ler esse livro escrito por quem sabe tão bem descrever personagens, locais e acontecimentos, reais ou ficcionais, não ficará indiferente, será tomado por intensas emoções de dor ou de alegria, e se verá transportado para os ambientes da majestosa selva amazônica, palco das portentosas ações, vivenciando cada momento descrito como se ali estivesse. Para os interessados em desfrutar dos prazeres dessa boa literatura, os contatos do autor são: xipaia@ibest.com.br e andrecostanunes@gmail.com

25 novembro 2015

Floriano Teixeira, mais desenhos e cores

Não me canso de admirar os desenhos de Floriano Teixeira. Ô cabra bom de desenho! Que traço, que sensualidade e elegância contida em cada linha, que humor refinado na criação de cada cena e personagem. E que saudade de amigo tão talentoso, tão fantástico artista, tão magnífico ser humano.

J. Bosco, novos trabalhos de caricaturas

1.Fassbinder, cineasta 2. Ron "Hellboy" Perlman 3. Mazzaropi
Não faz muito postei aqui um comentário sobre o trabalho de caricaturas do J. Bosco, profissional que de sua base em Belém do Pará envia para o mundo sua arte magnífica. Dizem que o brasileiro é um povo sem memória, mas tal assertiva não se aplica aos meus mnemônicos leitores que, indubitavelmente, trazem bem viva na lembrança a referida postagem, que por sinal mostrava alguns belíssimos trabalhos do Bosco. Para que ninguém ouse me chamar de somítico, preparei esta nova postagem com que os brindo com mais um lote dos notáveis trabalhos bosquinianos, já que é para o bem do povo e felicidade geral da nação.

24 novembro 2015

Caricatura de Setúbal feita por Jim Hopkins cria embaraço diplomático entre os EUA e o Brasil, / Pintando o Set 10

Infindáveis aplausos venho angariando devido à postura dignificante que tenho adotado perante o sórdido proceder de alguns caricaturistas deste patropi abençoá por Dê que em telas e papéis tem tratado de forma abjetamente canalha a minha augusta pessoa. Relevado tenho eu com a galhardia de um autêntico monarca tais repugnantes procederes. Mister se faz entretanto que eu aqui confesse que algumas vezes foi imperioso que eu usasse de marcial rigor para com alguns mais abusados aplicando com necessária severidade uns salutares catiripapos ao pé do escutador de pagode de tais debochados debuxadores. Cartunistas e caricaturistas só são valentes quando entrincheirados em cima de uma prancheta. Longe dela são uns ratos desprezíveis e uns pulsilânimes como o é o paraense J.Bosco que, célere qual um Usain Bolt, tratou de queimar um depreciativo portrait charge meu que ele havia rabiscado e photoshopado, em pânico com a possibilidade - nada remota, frise-se - de receber demolidora contraporra entre os cornos lá dele. Comigo é assim e, assim sendo, custou mas logrei botar ordem na casa neste Brasil varonil de Gugu e Clodovil. Ah!, mas ancho é meu padecer, meus caros Biratan, Paulo Caruso e Gonzalo Cárcamo. Para meu grande pasmar descubro que o complô orquestrado contra meu nobilíssimo ser ultrapassa as fronteiras tupiniquins. Por atentos informantes, da Big Apple chega-me às mãos esta caricatura minha feita pelo artista novaiorquino Jim Hopkins. Em primeiro lugar, Hopkins para mim só o Anthony, que é britânico de nascimento. Em segundo, meu caro Obama, antes que uma séria crise diplomática sem precedentes se instaure entre nossos países vá tratando de cortar as asinhas desse Mr. Hopkins. Nós por aqui já engolimos silentes rotundos batráquios vindos dos states via Kioto e Copenhagen. Mas tudo tem limite. O povo deste país que vai pra frente não permitirá jamais que imperialista algum escarneça de autênticos símbolos tupiniquins tais quais Pelé, Tiririca, Maria da Vovó e eu. Watch your step, man!
**** Caricaturas e outros magníficos trabalhos de Jim Hopkins - que além de talentoso é um cara legal - podem ser vistos clicando nestes links: http://mugitup.blogspot.com/ http://icecreamnobones.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 25/01/1'3)

23 novembro 2015

Jim Hopkins, um formidável caricaturista norte-americano


Bons artistas devem ser lembrados sempre e sempre. Seus trabalhos nos trazem prazer, alegria e toda sorte de bons sentimentos. Já fiz uma postagem anterior falando do caricaturista e ilustrador Jim Hopkins, um cara cujos desenhos tive o prazer de descobrir navegando na Net. Como gostei demais do trabalho dele e também sou fã destes dois caras aê - Harvey keitel e Dennis Blue Velvet Hopper - vou postar de novo os links para você ir lá, dar uma olhada e se deliciar com a arte do great, incredible and amazing Jim Hopkins. http://mugitup.blogspot.com e http://icecreamnobones.blogspot.com
(Publicado originalmente em 01/12/13)

20 novembro 2015

Deus é Fiel porque o Corinthians é Divino

(Publicado oroginalmente em 04/01/2013)

19 novembro 2015

Nildão, plugado e lançando um livro digno de estátua.

Reiteradas vezes aqui nesse majestoso bloguito já afirmei o quanto gosto da arte que é feita pelo Nildão, artista maior dessa soteropolitana city. Ou melhor, gosto das artes dele, que Nildão é um cara de múltiplos talentos, é um multimídia, um artista atuante, inspiradíssimo, inovador, um talento raro. Recebi convite para um novo evento de Nildão e como sobejamente os amo, prezados amigos leitores, vou logo repassando aqui para que vocês também possam desfrutar da notável talento desse artista bom de cartum, de grafite, de designer, de hai-kai, de quadrinhas e de quadrinhos.   
Nildão é atração do Conversas Plugadas e lança livro no Teatro Castro Alves 
No próximo dia 3 de dezembro, quinta feira, o projeto Conversas Plugadas recebe o cartunista e designer Nildão para um bate-papo com a plateia às 19 horas no Foyer do Teatro Castro Alves. Nessa segunda edição do projeto em 2015, Nildão é o convidado para falar de sua trajetória de mais de 30 anos desenvolvendo trabalhos em múltiplas linguagens como cartum, grafite, design e poesia. Após o bate-papo, Nildão receberá o público para o lançamento da reedição de seu livro de cartuns “É duro ser estátua”. Segundo Nildão, que não publica cartuns há muito tempo, “esse livro é uma síntese do meu trabalho como cartunista, onde o lírico e a delicadeza dialogam com a arrogância e a sanha destruidora da natureza humana.”   
O que: Conversas Plugadas com Nildão, seguido de lançamento do livro de cartuns “É duro ser estátua”. Onde: Foyer do TCA. Quando: Dia 03 de dezembro, quinta –feira, às 19 h. Ingressos: Entrada gratuita, convites na bilheteria do TCA até 30 minutos antes do início. O livro será vendido ao preo promocional de lançamento, R$30,00. Informações: Pelo fone (71) 99184 1822 ou pelo e-mail alice@nildao.com.br com a Alice Lacerda – Produtora Cultural.

16 novembro 2015

Ela tem estilo

Em algum momento da vida todos nesse mundo, mundo, vasto mundo sentem a sensação de haver ficado fora de moda. Ela nunca. Nem pensar. Jamais ultrapassada, cafona, demodée, suas mãos são feitas de seda, sua epiderme é do mais macio tecido que alguém já pôde tocar. Esse planeta azulzinho é todo ele uma passarela infindável por onde ela, segura, desfila seu garbo, sua classe. Jamais perde a linha. Sem pedantismo ou arrogância, desencanada, sua simplicidade é modal. Em matéria de sedução, nunca é mini, é sempre maxi ao máximo. Usa évasée, sem ser evasiva. Sua blusa suscita expectativas maliciosas: tomara que caia, tomara que caia! Quando sai à rua com seu vestido grená ela mexe com o juízo do homem que vai desenhar. Jesus me defenda! Ai de mim que sei bem - ah, e como sei! – o que há debaixo daquele seu vestido de bolero-lero-lero, valei-me, meu Senhor do Bonfim! Pouco ou nada posso dizer de suas rendas, mas assevero que onde quer que esteja esbanja estilo. Bem mais que estilosa, é uma estilista. E das mais recomendáveis. Ao seu toque, uma singela tesoura vira tesouro. Mal ela chega ao seu atelier, os manequins da vitrine ficam indóceis, se alvoroçam e não há quem os contenha.  Afinal, ela é uma linda e rara rosa, feita de negro veludo, viçosa e cobiçada. Quanto a mim, sou só um prosaico cravo que já enfeitou algumas lapelas em efemérides festivas. Malgré tout, ornamos. Um dia, deu-lhe na telha e cobriu-me a mim com seus delicados atavios e do meu linho bruto fez um terno. Meu coração se tornou uma festa, daquelas elegantes às quais se vai de fraque, luvas, cartola, black-tie. Convidei-a para entrar, não por mera etiqueta mas por sincera vontade. Limitou-se a sorrir e com seus dedos delicados, sem um dedal protetor, valendo-se de agulhas e carretéis, sem medir consequências costurou minh’alma à sua, ponto por ponto, atando-me com suas linhas. Desde então desconfio que me tornei uma das peças integrantes de suas muitas coleções, talvez outono/inverno, quiçá primavera/verão. Sei que não é pouco. Partindo dela, vale muitíssimo. É como abiscoitar o prêmio Agulha de Ouro da Alta Costura em Milão.

10 novembro 2015

Vida e obra de Floriano Teixeira em livro escrito por Cristiano Teixeira, seu filho

Busquei, em postagem anterior, falar resumidamente da arte de Floriano Teixeira, um dos artistas maiores desse patropi abençoá por Dê. Centrei-me mais no aspecto do seu desenho que sempre me deixou encantado, atônito, boquiaberto diante de tanta maravilha, de tão extenso e raro talento. Esta nova postagem é para falar a você, fidedigno leitor deste bloguito, sobre um livro editado e lançado recentemente pela Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, como parte integrante da Coleção Gente da Bahia, elogiável projeto da ALBA. Trata-se do livro Floriano Teixeira, de autoria de Cristiano Teixeira. O sobrenome não é mera coincidência, já que Cristiano é filho de Floriano. Tendo convivido por toda sua vida com o pai e trabalhando com o ofício de escrever, Cristiano é mais que abalizado para falar da doce figura do grande artista plástico, contando particularidades que interessam a todos que buscam mais informações sobre Floriano, seu rico e admirável lado artístico, bem como o seu lado humano, amigo carinhoso, o chefe atento de uma extensa família, o provedor, o marido, o pai, o avô, o bisavô. Cristiano teve o cuidado de compor o perfil de Floriano valendo-se dos ricos depoimentos de outros artistas, escritores e intelectuais, parentes e amigos de FT, privilegiados que tiveram a felicidade de com ele conviver. O prefácio é um texto saboroso, rico, muito bem escrito pelo amigo Délio Pinheiro, que relata o início de sua amizade com o pintor e desenhista, as impressões que teve do artista, aspectos humanos, sobretudo.  Outros depoimentos igualmente ricos, como os do escritor James Amado, somam-se ao de Délio e assim Cristiano foi aos poucos construindo um retrato que mostra muito do artista de tantos e incomparáveis talentos, com obra vasta e consagrada, mesmo tendo ficado mais conhecido nacionalmente a partir do estrondoso sucesso das suas ilustrações para livros do escritor Jorge Amado, como Dona Flor e Seus Dois Maridos e A Morte e a Morte de Quincas Berro A Morte de D’água. Ficamos sabendo através dos relatos que Floriano nunca desenhava diretamente na tela, evitando manchá-la com borrões, frutos de correções feitas no desenho, o branco ainda imaculado do suporte pronto para receber as tintas. Valendo-se de estudos já feitos, FT definia fora da tela o que nela iria ser colocado e só então transpunha para ela seu desenho elegante e exato através de papel vegetal, já no tamanho adequado e sem mácula alguma. Era chegado o momento de o límpido desenho receber, com o costumeiro carinho, as tintas e todos seus delirantes matizes. Aspectos variados do artista e do homem estão relatados e os leitores ficam sabendo que, além de seu trabalho artístico pessoal, Floriano foi fundador e o primeiro diretor do Museu de Arte da Universidade do Ceará, que ele foi autor de enormes painéis cujos preparos levaram três anos, que o Presidente Sarney era um bom e antigo amigo, que em casas que morou no Rio Vermelho, em Salvador, recebeu como visitantes personalidades mundialmente famosas, admiradores de sua arte maior. Diversas fotos mostram momentos de Floriano recebendo honrarias oficiais e entre amigos, ao lado de artistas, escritores, jornalistas, personalidades diversas e familiares. Enriquecendo mais o livro, Cristiano fez publicar uma expressiva seleção de trabalhos de Floriano, sua pintura que nos faz sonhar, seus desenhos deslumbrantes. 
Interessados em adquirir o livro devem procurar informações na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. 

Floriano Teixeira, um artista maravilhosamente iluminado

Nas artes plásticas brasileiras sempre despontaram soberbos desenhistas. Geralmente também exímios na feitura de gravura e artes afins, esses talentosos artistas tinham como marca maior a criatividade, a excelência no conteúdo das idéias, a busca pelo ineditismo, a elegância e a extrema beleza do traço. Não se limitavam ao talento natural com que eram dotados, empenhavam-se arduamente na tarefa de terem os conhecimentos, as qualidades e as necessárias habilidades de serem os melhores. Desses virtuoses do desenho é possível citar de memória os magistrais Poty, Aldemir Martins, Carybé e Floriano Teixeira. Não por coincidência, todos eles brilharam quando usaram seus desenhos para ilustrar livros de notáveis literatos. Jorge Amado, escritor consagrado mundialmente, era grande amigo de Floriano e o convidou para ilustrar romances seus. Santa amizade, bendito convite! O expressivo número de exemplares vendidos possibilitou que milhares de pessoas tivessem acesso ao elegante desenho de Floriano e a consagração nacional veio fazer jus ao talento desse artista que nasceu no Maranhão, viveu no Ceará e veio morar na Bahia. Essas ilustrações para os romances de Jorge Amado deram de fato uma grande visibilidade ao talento de Floriano, no entanto é preciso ressaltar-se que sua arte já era apurada, madura, premiada e consagrada por onde era exibida, quer fossem pinturas em telas, painéis, esculturas, linóleo, gravuras e quaisquer outros meios, já que seu trabalho sempre foi extremamente diversificado. Em todos imprimia a mesma excelência, vez que destinava a cada um deles cuidado igual, produzindo-os com vagar e paciência, usando de extremo acuro para assim manter em qualquer peça produzida a mesma qualidade excepcional. No desenho, seu traço tinha como marca uma rara elegância. Sua linha refinada, inigualável, única, nos conduzia com delicadeza a um universo por vezes pitoresco, sempre pleno de sensualidade, crítica social e um humor sutil da melhor qualidade em que toda a fauna humana brasileira desfilava. O homem comum, o magnata, o operário, o burguês, pescadores, bêbados, noctívagos, pistoleiros, jagunços, coronéis, padres, polacas, morenas frajolas, mulatas, negras, ricos e pobres, a cara e o espírito do Brasil surgindo de seu traço ora limpo e claro, algumas vezes intencionalmente forte e mais carregado, outras vezes com longos espaços preenchidos por caprichadas hachuras. Entre os materiais empregados, canetas para bico-de-pena, pincéis diversificados, lápis os mais variados, meios que serviam para que o desenho de Floriano gritasse bem alto o talento incomparável desse grande Mestre. Suas cores suaves e belas e suas criações, oníricas e sensuais, nos faziam sonhar sonhos felizes e não poucas vezes, lúbricos. Sonhos maravilhosos, pleno de cores e de belezas inesquecíveis, como a arte de Floriano Teixeira.

09 novembro 2015

O escritor André Nunes,o Xingu e o Pará

André Nunes é paraense, um insular nascido e criado na fluvial Ilha do Arapujá , que fica bem defronte a Altamira, e que divide o Rio Xingu, importante afluente do Rio Amazonas. Um ribeirinho, sim, de boa cepa e com muito orgulho. Mas também é um cidadão do mundo, com ampla e benéfica visão social e política, um homem consciente, de rica trajetória existencial, culto, que ama sua gente, sua terra, a vida em toda sua plenitude. Tais qualidades somadas acabaram por torná-lo o notável escritor que é, inspirado, cônscio, senhor das palavras. Em seu livro Xingu, causos e crônicas, André nos permite embarcar em seu caxiri que seguramente nos conduz em instigante périplo por rios, igarapés, matas amazônicas, seringais em que se evidenciam quilombos, ditadura militar, cabanos, seringueiros, ribeirinhos, indígenas, caboclos, grileiros, pistoleiros, almas, corações e mentes num itinerário que envolve e emociona o leitor. A rica narrativa é construída pela privilegiada memória do autor que descreve em minúncias cada detalhe dos acontecimentos, por vezes poéticos, compostos pelo vôo de borboletas azuis, por vezes brutais, protagonizados por homens inclementes com suas motosserras rasgando o ventre da floresta amazônica, aniquilando flora e fauna, pelo massacres de inocentes e desvalidos, pela desfiguração e incerteza trazidos pela implantação de grande hidrelétrica. Acontecimentos que foram todos vividos com intensidade, plenos dos mais variados sentimentos e emoções diversas. Neles sempre se faz presente um humor contido, bem pessoal e uma declaração de amor à vida. Sem se valer de frases de efeito ou maneirismos inócuos, usando as palavras exatas com o domínio de escritor de notável talento que é, André sabe dar a cada narrativa o toque de emoção e verossimilhança, criando um clima envolvente e prazeroso que delicia e encanta o leitor. Seu texto sobre o Haiti, em luta desigual contra as grandes potências do mundo, é leitura que lança preciosas luzes sobre a forma de agir da velha e da nova Ordem Mundial. Quando escreve sobre o Pará, o carinho de André pelo chão, pelo seu círculo parental, pelos seus mais fiéis amigos e por toda a gente paraense se evidencia, e sua paixão pela terra se faz facilmente identificável em cada um de seus relatos e observações numa antropologia exata feita do mais tocante amor.
Aos interessados em adquirir um exemplar, mensagem para: andre@terradomeio.com.br 

07 novembro 2015

Ziraldo, o preconceito de colete no programa da Leda Nagle.

Dia desses assisti no "Sem Censura", da TVE, uma entrevista feita pela mineira Leda Nagle com o mineiríssimo Ziraldo. Todos os blocos do programa foram a ele dedicados. Nada mais justo. Ziraldo tem uma trajetória brilhante e irretocável no universo das Artes. Sua importância na vida de todos os cartunistas e grafistas brasileiros é imensurável. Criativo, atuante, dinâmico, dono de um traço e de um humor de primeira linha que encanta qualquer um, em qualquer parte do planeta, o grafismo brasileiro deve muito a ele, tanto nacional quanto internacionalmente. Todos os adjetivos usados para elogiar seu trabalho e sua trajetória vitoriosa serão sempre poucos. Voltando ao programa,  a certo momento, não sei a título de que, Ziraldo declarou a Leda: " O baiano é um falso." E não falava de alguém em particular, referia-se à coletividade, e o disse com todas as letras - ipsis litteris e ipsis verbis - como se falasse a mais irrefutável das verdades. Deitou falação afirmando que o baiano fatalmente trai os amigos na primeira oportunidade que tiver devendo as gentes contarem como inevitáveis as insídias perpetradas pelos natos neste afrobaiano torrão. Leda, mineirinha que só ela, mesmo tendo muitos amigos baianos não questionou o entrevistado. Talvez porque o nome do programa a impedisse de fazê-lo. Preconceitos de tal ordem são chocantes e inconcebíveis tanto mais por terem saído da boca de um formador de opinião com enorme influência sobre milhões de crianças que amam o que dele vem, sobretudo através de uma TV pública em que se deve buscar levar à população o melhor que temos em nossa cultura. Injustificável que pensamentos tão mesquinhos, injustos e tão absurdamente falaciosos povoem uma mente criadora revelando vivos resquícios de preconceitos que mais cheiram a chifre queimado. Ao invés de seguir a dialética de outro célebre mineiro, Pelé, famoso por pronunciar frases que não deveriam terem sido ditas, Ziraldo poderia se espelhar no seu nobre conterrâneo Afonso Arinos que passou à História ao ter seu nome numa lei que arrosta e pune os preconceituosos. Ou ainda em um outro mineirinho, o queridíssimo Drummond, mui amado por nós, baianos, por ser lhano, cordato e por bem saber lidar com as palavras não permitindo que elas saíssem por aí impunemente cometendo injustiças nem desabonando o caráter afável do povo mineiro e das amadas Geraes.
(Publicado originalmente em 19 de fevereiro dse 2010)

23 outubro 2015

Biratan, um cartunista com sangue índio nobre

Biratan! Grande Bira, paraense dos bão! Em suas veias corre legítimo sangue papa-chibé, o que está mais do que na cara, basta olhar seus olhos amendoados que ele herdou de seus nobres antepassados indígenas. Amigo queridíssimo, Bira é um virtuose no bandolim e - en passant - um dos cartunistas mais premiados neste globo terrestre nos Salões de Humor destas e de outras plagas. Curto fazer caricaturas dos amigos dos quais mais gosto. Biratan é um destes, amizade de longa data que a distância jamais fez diminuir. Nas vezes que calha da vida nos possibilitar estarmos juntos em um elevado tête-à-tête, lançamos mão da sapiência de bater papos saudáveis regados com algumas cervejotas que ninguém aqui é nenhum Tony Stark, o tal Homem de Ferro da Marvel Comics, que não pode sorver líquidos pois se enferruja à toa, à toa. Fiz esta homenagem em dose dupla que é o jeito que Bira gosta de sorver seus etílicos. Se quiser ver humor de qualidade, clique aqui neste link: http://biratancartoon.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 29/03/2012)

10 outubro 2015

J.Bosco, caricaturista: quem sabe faz ao vivo


Estas caricas todas aí foram feitas pelo J.Bosco. Olhá-las me fez recordar que num dia qualquer dos anos 80 Cárcamo me convidou para expormos desenhos e caricaturarmos ao vivo o público num novo e elegante Shopping Center que surgira em Salvador. Caricaturas pra jornais eu já fazia há uns milênios à sós em recônditos cantinhos de redação. Ao vivo, cercado por um mundo de curiosos, jamais fizera. Mas um convite de Cárcamo não se recusa. Topei e o resultado foi tão bom que nunca mais parei de fazer. Depois disso já trabalhei sozinho em eventos e também com outros caricaturistas, em jornadas que vão de quatro a até 7 horas. É um trabalho em que o profissional tem que ter olhar aguçado para bem observar os traços dos modelos e procurar ser o mais fiel possível ao retratar cada um. Tudo tem que ser feito de forma rápida, de maneira a não cansar quem está posando e procurando atender a demanda que é sempre grande. E esta rapidez não pode resultar em um trabalho mal feito, desleixado, executado de qualquer forma. Seu talento está ligado ao resultado final onde você tem que mostrar um trabalho bem acabado, um traço vistoso e limpo num desenho que as pessoas queiram guardar, emoldurar, exibir orgulhosas aos amigos. Eu já conhecia e admirava o trabalho de cartuns e caricaturas feitas para a mídia impressa pelo paraense J. Bosco, mas dando uma xeretada básica em seu site descobri lá essas belíssimas caricaturas feitas por ele ao vivo, ali na base do tête-a-tête, em eventos. Caricas que evidenciam um traço elegante, refinado e exata precisão ao retratar os rostos dos modelos, como se pode ver pelas fotos, todos sorrindo, felizes. E tem que sorrir mesmo, já que são uns felizardos pois a um só tempo conseguiram um original do J.Bosco e de quebra puderam assistir ao vivo um grande mestre em ação. 
*********Veja mais trabalhos em: http://jboscocaricaturas.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 31 de março de 2011)

22 setembro 2015

Mais algumas cositas de Nildão, cartunista e designer gráfico

Você, querido, perfulgente, preclaro, sapiente e atilado leitor deste bloguito sabe bem que é com constância que posto loas ao trabalho do cartunista e designer gráfico Nildão.  Todas elas mui justas e assaz merecidas,  vez que o cara é um artista de grande talento que gosta de inovar trilhando sempre por novos caminhos e fugindo dos lugares comuns que tantas vezes assolam o universo artístico. Dono de uma criatividade rara, Nildão sempre nos brinda com seu humor refinado e sua visão lúcida do mundo em cada trabalho que cria. Posto aqui e agora essa amostra do trabalho de Nildão para você se deliciar, e de quebra mando esse link para se conferir o trabalho delicioso e diversificado do cara: http:www.nildao.com.br

25 julho 2015

Rockeando ando

A vida de cada um de nós tem uma trilha sonora, qual as que vemos nos filmes. Ela vai sendo editada à medida em que vivemos. Uma pitada de música infantil, de samba, tango, música de suspense e até - Deus nos livre e guarde! - da marcha fúnebre. Na trilha musical da minha vida não entram duplas argh- sertanejas, destas que vendem bilhões de discos no Brasil, nem grupinhos ditos de pagode, que pagode não é, pagode mesmo é outra coisa. Em compensação entram Zeca Baleiro, Daúde, a extinta Mestre Ambrósio, a sempre maravilhosa Bossa Nova, Chico, Caetano, Gil, Gal, Elis Regina, Marisa Monte, Calcanhotto, Gordurinha, Luiz Gonzaga, Hermeto Pascoal e um montão de capitosas especiarias musicais, como Marcelo Nova e o Camisa de Vênus. Sim, porque nesta lista entra - de leve - um rock'n roll da pesada, pois um bom rock nos vale para agitar geral, vez que esta vida rápido passa e rockear é preciso.
(15/05/10)

O malpassado da vaca / Humor de graça

(05/12/15)

15 julho 2015

Comemorando aniversário com grandes amigos em Belém do Pará

Minha estadia em Belém do Pará como convidado do VII Salão de Humor da Amazônia encerrava uma oportuna coincidência. Um dos cinco dias em que eu ficaria na bela Belém era o dia do meu aniversário, 31 de maio. Comentei isso com Biratan Porto que logo confidenciou ao caricaturista J.Bosco. Vai daí que Bira, Bosco, Wânia, sua esposa, e Alllana Queiroz, tendo como cúmplice nessa história meu irmão Luiz Fernando Carvalho, organizaram para mim uma inédita festa-quase-surpresa no aconchegante apartamento de Biratan, um misto de lar e estúdio. Antes da festa, Luiz Fernando passou comigo em um bem suprido supermarket em que comprou umas garrafas de vinhos chilenos e um bom Vinho do Porto, já que além de amar os cartuns, apreciamos também as coisas boas da vida, afinal a gente não nasceu ontem. Chegando ao apartamento de Bira constatei de imediato que na festança que meus generosos e amáveis amigos me prepararam com tanto carinho quem ficaria muito à vontade seria o cantante e compositante Erasmo Carlos, o popular Tremendão, pois não era uma mera festinha, era uma festa de arromba, expressão que o músico usa em uma de suas canções para designar uma festividade memorável em que ele esteve. A sede era imensa e para aplacá-la fomos de cara abrindo uma garrafa de uma outra variedade de belo e capitoso vinho chileno que Bira comprara, não sem antes certificar-se de que se tratava de uma safra pré-Pinochet, bem mais salutar. Dois belíssimos bolos foram providenciados. Um era virtual, criativa e hilária brincadeira do Biratan, mostrando uma caricatura de minha fina estampa feita por ele no seu PC, em que eu soprava velas sobre um bolo que indicavam que eu estaria completando 66 anos de idade, sacanagem do Bira que sabe muito bem que eu tenho pouco mais que a metade disso, o que mostra que mesmo os grandes amigos têm seus momentos malafaios. Quanto ao outro, era um bolo de fato, um lindo, maravilhoso e mais que delicioso bolo de chocolate para chocólatra nenhum botar defeito. Os convivas foram chegando e entrando logo no clima e ao final boa parte da mais fina flor do cartunismo brasileiro lá estava pra se divertir na patuscada. Presentes no local meu inigualável hostess, Biratan Porto com seu indefectível Panamá na cuca, e os cartunistas Waldez Duarte, André Júnior, Mario Alberto, Orlando Pedroso, J.Bosco and family, Wânia e Allana Queiroz. Meu irmão gêmeo, que reencontrei em Belém, Luiz Fernando Carvalho, que é cartunistólogo e caricaturistólogo, além de um dos eficientes organizadores do Salão de Humor lá estava me alegrando e dividindo esses momentos de tão transbordante emoção. Todos nos divertimos à beça, bebemos muitos vinhos bons, cervejotas no capricho, comemos petiscos que o próprio chef Bira preparou com esmero, rimos a alto e bom som e ainda por cima nos divertimos com a verve de Bira que, versado em artes anfitriônicas, animou ainda mais o ambiente contando causos hilariantes para o divertimento e a felicidade geral da galera presente. Sim, senhoras e senhores, o Tremendão Erasmo Carlos haveria de se esbaldar nessa fuzarca. E por participar dela haveria de agradecer muitíssimo comovido. Muitíssimo, mas bem menos que eu. 
Na foto acima, Luiz Fernando Carvalho, André Abreu, Waldez Darte, Biratan Porto, Mario Alberto, Orlando Pedroso, J.Bosco e Wânia Queiroz, consorte do graaaaaande J.Bosco. Logo abaixo, a foto da discórdia. Meu coração generoso já perdoou a atitude insidiosa do Biratan.

Minha viagem para o VII Salão de Humor da Amazônia, Biratan Porto, amigos, Belém

Eis que um anjo de fulvas melenas adentra meu modesto lar e me anuncia que em breve eu haveria de visitar Belém, um sonho que tantos sonham e acabam ficando apenas no sonhar, que Deus tem lá seus imperscrutáveis desígnios e não nos cabe a nós, míseros mortais, questionar suas divinas decisões.  Tendo cumprido sua missão, sai de cena o anjo com suas alvinitentes asas e eu passo a contar os dias que me separam do momento de embarcar para Belém em outras asas que não as do anjo-mensageiro, as asas da Panair. Ou no mínimo em qualquer bom avião de carreira. Vem chovendo copiosamente todos os dias na minha Bahia de Todos os Santos e Orixás, entanto no dia do meu embarque o céu é de brigadeiro e nos ares me sinto tão maravilhoso e seguro qual um Aladim voando em seu confortável tapete mágico.  Uma honraria maior me acompanha nessa viagem: estou indo a Belém para me encontrar pessoalmente com o Nazareno.  Nesse momento cumpre-me esclarecer a você, caro leitor, que a Belém a que me refiro não é aquela que consta nos mapas atuais como situada na Palestina, e que era há 2000 anos apenas uma pequenina cidade próxima ao deserto da Judeia em que, segundo a Bíblia, nasceu ninguém menos que Jesus Cristo. A Belém a qual me refiro trata-se de Belém do Pará, cidade linda e aprazível, onde um povo pleno de calor humano habita.  Ah, e o Nazareno a que faço menção também não é o mesmo Jesus Cristo, convém deixar bem claro, trata-se do meu amigo Biratan Nazareno Porto, cartunista dos mais brilhantes do Brasil e desse vasto mundo. Pois foi esse meu piramidal amigo quem me telefonou formulando, em nome do Salão de Humor da Amazônia, o convite para viajar até sua terra com o precípuo escopo de integrar um júri formado por gente ligada aos cartuns tendo por objetivo de selecionar os premiados desse que é o VII Salão de Humor da Amazônia. De quebra, ficou combinado que eu ministraria uma oficina para falar aos inscritos sobre a arte da ilustração, como criar, que técnicas utilizar. Além do mais eu deveria integrar a mesa de um oportuno debate aberto ao público para falar sobre Liberdade de Imprensa, tema motivado pelo recente ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo e seus cartunistas. Tais encargos para mim são, em verdade, motivo de júbilo e de prazer vez que enxergo a profissão como uma realização pessoal, um lazer, uma forma de expressar meu pensamento diante das coisas do mundo.  Participar in loco de Salões de Humor sói proporcionar a alegria de encontrar amigos de longa data e de conhecer pessoalmente gentes que militam na área do cartum, saber suas opiniões, suas formas de encarar a profissão em comum.  E eis que na terra natal de meu ídolo, Doutor Sócrates, de Pinduca, Gabi Amaranto, Fafá de Belém, do Paysandu e do Remo revi confrades queridos, conheci novos amigos, a oficina foi um sucesso, o debate foi esclarecedor, os melhores do Salão foram premiados e eu, ah!, eu fui recepcionado da mais carinhosa maneira e vivi dias belenenses dignos de monarca.
Na foto de cima, eu ao lado dos meus talentosíssimos amigos J.Bosco e Biratan Porto. Na de baixo, flagrante de momento em que escolhíamos os melhores trabalhos do VII Salão. Da esquerda para a direita -no bom sentido, no bom sentido! - Waldez Duarte, Orlando Pedroso, Setúbal, Mario Alberto( tão encoberto que só dá para ver a ponta de sua brilhante cuca ), Natália Forcart e de costas, meu irmão gêmeo, Luiz Fernando Tavares.

04 julho 2015

Sketchbook 01 / Um rosto enigmático em traços rápidos

Quem tem o desenho como meio de expressão, se vale de sketchbooks a toda hora para fazer estudos que serão - ou não - aproveitados mais adiante. E na falta dos sketchbooks, serve um sketchpapelão, um sketchpapeldepão e o que pintar na hora em que bate a vontade de experimentar, deixar a mão se divertir sem maiores compromissos. Aqui usei aquarela e um pincel fino. Gosto de tracejar com canetas descartáveis com nanquim, mas pincel é um material com o qual tenho sempre prazer de desenhar ou pintar qualquer coisa.
(Publicado originalmente em17 de novembro de 2010)

Aquarela, sketchbook e família em pose solene

No meu sketchbook, um monte de desenhos que jamais publiquei. São só estudos, divagações gráficas que podem servir de base para novos trabalhos de desenho ou pintura. Entre tais estudos, este aí, feito em aquarela bem manchada. Manchas à mancheia, como diria o vate. A temática surgiu inspirada em uma velha foto no meu álbum de família.

Sketchbook 03 / estudo de homem com camisa listrada

Trabalhar com computador é sempre gratificante. Mas são tantas as formas prazerosas de fazer um bom desenho que é bom experimentar um pouco de cada um de tais prazeres. Aquarela é sempre uma delícia. Ainda mais assim, manchadona, feita meio que com uma estudada falta de acuro. O lado bom de quem trabalha com desenho é que ele é ao mesmo tempo fonte de sobrevivência e um enorme e perene prazer.
(Publicado originalmente em 17 de novembro de 2010)

27 junho 2015

Affonso Manta, poeta: masoquista light

Para o deleite dos leitores já postei aqui uns versos irreverentes do poeta baiano Affonso Manta para mostrar a vocês que a boa poesia baiana vai muito além do consagrado Castro Alves. Pesquisando achei estes outros versos de Manta que são também uma delícia. Bon appétit.
Pisciana
Celeste é meio indócil, mas serena.
De gênio calmo. Mas de amor fogoso.
Ela me dá felicidade plena
E surra de cipó de fedegoso.
(Publicado originalmente em 16 de outubro de 2013)

25 junho 2015

J. Jorge Amado e o Jacaré no esparro

Jacaré no seco anda?
Este aí acima é outro significativo exemplo do que são os esparros,  frases utilizados no coloquial do povo da Bahia, cheias de duplo sentido e de malícia, recheadas de um humor pra lá de sacana, largamente encontradiças em pitorescos diálogos populares de todo nordestee de maneira constante na boca do povão baiano que tem como característica marcante ser irreverente, como se pode comprovar nesta particularidade de sua cultura oral que serviu de temática para o escritor João Jorge Amado.  Sempre atento, como é de seu feitio, J. Jorge pesquisou dedicadamente, selecionou com acurado empenho e publicou esparros diversos em seu ótimo livro, "Lá ele ! ( o esparro na Bahia )por mim ilustrado entre uma gargalhada e outra. Você que é dado a boas leituras pode tentar conseguir um exemplar fazendo contato com a Publit Soluções Editoriais, através do seu site http://www.publit.com.br/
( Publicado originalmente em 14 de fevereiro de 2013 )