30 dezembro 2016

Ano Novo, Brasil, trevas e claridade.

Onde anda Dona Esperança, alguém sabe, alguém viu? Eis que o ano de 2016 vai se encerrando e abrindo caminho para seu sucessor, 2017. A menos que um decreto ou mais uma das manobras espúrias do congresso nacional ou do senado altere a ordem natural das coisas, o que não é de se duvidar dado tantos e tantos descalabros que já vimos acontecer nesse ano tão aziago, tão infausto para nossa democracia e para nossas vidas pessoais, para o país, ano esse que ora vai terminando. Se permitirem, repito, se permitirem, pois podem decidir estender um pouco mais esses dias tão recheados de desmedidos absurdos e ignomínias inomináveis, justamente para que eles sigam acontecendo, enchendo de júbilo uma minoria para a qual a coisa é boa assim dessa maneira, não se importando se a grande maioria sofre duros revezes que vão enchendo os dias vindouros de temores, incertezas, maus presságios, que só os absolutamente alienados não conseguem vislumbrar. Um ano em que Dona Esperança levou um trompaço, caiu de mau jeito e está custando a se levantar. Amados e idolatrados leitores, já que esse negócio de começar um Ano Novo com sentimentos negativos, desesperança e falta de horizontes não é nem um pinguinho bom, nós próprios, com nossas atitudes e iniciativas, temos que nos ajudar e ajudar Dona Esperança a se reerguer e seguir caminhando ao nosso lado em 2017. Para essa tarefa contamos com o auxílio luxuoso dos versos e da melodia de Juízo Final, metafísica composição de Élcio Soares e Nelson Cavaquinho, ouro puro, verdadeiro tesouro em que reluz a frase "o amor será eterno novamente". Eterno...novamente?! Uau! Pois, para nosso gáudio, Clara Nunes, com toda sua intensa claridade, um dia gravou tal tesouro. Ao ouvir essa música, esse canto, não há Dona Esperança que não se recomponha. 

18 dezembro 2016

As Histórias em Quadrinhos, o diabo contra o Brasil

Tempos houve em que as Histórias em Quadrinhos aqui neste Patropi eram consideradas coisas do demo, do canhoto ou seja lá que nome dêem ao anjo dissidente das hordes celestiais. Você, amável e atilado leitor, que no conforto do seu sacrossanto lar gosta de ler bem editados álbuns de luxo de HQ que hoje circulam em toda parte com pompa e circustância, ficará um tanto cético diante de tal afirmação, mas ela é a pura expressão da verdade, por mais absurda que lhe possa parecer. Em meados de 1930 o empresário Adolfo Aizen, através do Suplemento Juvenil, lançou as HQs aqui no Brasil. Quer dizer, esta é a versão corrente, embora haja os que afirmem que antes dele já havia pubicações pioneiras de quadrinhos por aqui. O fato é que Aizen lançou com grande repercussão, em larga escala, de maneira maciça e por isso é considerado o grande marco dos quadrinhos no Brasil. Entre os leitores e os quadrinhos houve uma paixão instantânea e fulminante que se fortaleceu à medida em que o tempo foi passando. Mas gente que se crê dona da verdade e se autoentitula defensora legítima da moral e dos bons costumes não é uma sandice dos tempos atuais, sempre existiu. Infiltradas nos órgãos oficiais, nos gabinetes acabaram por desenvolver verdadeiras campanhas onde a tônica era o mais improcedente preconceito e buscaram fazer uma lavagem cerebral por atacado afirmando que as revistas de HQs, os conhecidos Gibis, eram um inimigo natural dos livros didáticos, um adversário maléfico, um feroz antagonista das consagradas obras dos bons escritores, que destarte eram um inimigo do próprio Brasil e do povo brasileiro e um monte de sandices congêneres. Difícil de acreditar em algo assim, não é? Pois coisas até piores que isso foram ditas, escritas, impressas e circularam entre nós. Afirmavam, em cartazes e por outros meios, que a criança que lia quadrinhos inexoravelmente haveria de se tornar um malfeitor que empunharia armas contra as pessoas ditas normais. Valei-me meu São Stanislaw! Esta autêntica Idade das Trevas das comunicações graças aos céus parece ter chegado ao fim e hoje os quadrinhos circulam nos mais salutares ambientes com as devidas alvíssaras e são comercializados em versões bem cuidadas, até luxuosas, em livrarias conceituadas, sendo largamente empregados em campanhas governamentais, seja na área de saúde ou outra qualquer, onde se faça necessária uma forma de comunicação rápida e de alcance de todas as camadas. E, glória das glórias, hoje são utilizados amiúde em parcerias com os livros didáticos que assim levam ao povo, com o auxílio luxuoso das HQs, o doce sabor do Saber. Os quadrinhistas brasileiros, comovidos, agradecem, não é mesmo Bira Dantas e Cedraz?
(publicado originalmente em 21 de março de 2014)

Quem é quem na Velha Jovem Guarda

Recordar é viver, já dizia Lázaro que, depois de ter estado morto, bem morto, duro, teso e esticadão voltou à vida, levantou e andou por artes e ordens expressas de um nazareno conhecido por JC, um cara quase tão famoso quanto os Beatles e que não brincava em serviço quando o papo era fazer milagres. Então recordemos, pois. Deixe que sua memória o leve de volta aos cultuados anos 60s, década em que surgiu um movimento musical e comportamental batizado de Jovem Guarda. Se você ainda não havia nascido naquela época, não tem problema. É só você recordar-se do que já viu em algum especial televisivo sobre aqueles tempos de tanto glamour em que jovens e talentosos cantores surgiram cheios de inovações para ocupar o lugar dos cantantes medalhões na cena brasileira. E nunca mais saíram dela, tornando-se os medalhões da vez e vai daí que também tiveram que ceder os holofotes aos novos talentos e sumiram dos palcos e TVs. Como estarão eles agora? - indagará sua atilada pessoa. Pois saiba que, aproveitando as ondas de revival, eles continuam muito bem tocando suas guitarras, cantando e rebolando. Quer dizer, rebolando nem tanto pois nem sempre as dores articulares características na idade atual permitem. Mister se faz este singelo e saudosístico preâmbulo para anunciar que as postagens porvindouras justificarão o título e mostrarão... Quem é quem na Velha Jovem Guarda.
(100512)

17 dezembro 2016

Humor de graça / Vigário e vigarista

(200212)

Paulo Paiva, Suely Furukawa, vida, mistérios e os mais sinceros votos de um Feliz Ano Novo!

Imenso e indecifrável é o mistério que cerca nossas humanas existências. Por culpa da Dona Cegonha e seu longo bico, ou pela existência do tal conceito de continuação da espécie ou, quem sabe, por sermos mera e simplesmente parte integrante do chamado reino animal, estando portanto sujeitos a atitudes em que a racionalidade é posta de lado e o instinto prevalece, ou quiçá seja mesmo por obra de um Grande Arquiteto, um Supremo Criador, sei lá, o fato é que a gente, sem saber como e nem porquê, é colocado nesse mundo grande e desprovido de porteira, sem panos a cobrir nossas vergonhas e aqui chegando somos recebidos com um doloroso tapa no bumbum dado por um sacripanta embuçado atrás de uma máscara branca. E neste planeta estando, vem a vida, o fado, le destin, the fate, a sina, o destino e a todo instante nos convida a dançar, seja uma lúdica cantiga de roda, um saltitante samba de breque, um instigante rock'n roll, um delirante axé, um sensualíssimo tango e mesmo a indesejável Marcha Fúnebre, valha-me Deus!, Alá nos proteja!, Maomé, Jeová, Buda, Jah, Olorum e Tupã olhem por nós e nos cubram com protetora égide! Não é preciso ser um Nietzsche, um Schopenhauer para tirar da existência tais ilações. À medida que vamos vivendo vamos recebendo nossos quinhões de pequenas ou grandes dores, perdas e frustrações e de inesperadas e inexplicáveis alegrias que nosso peito por vezes parece não saber comportar. Incontáveis vezes a vida nos dói, mas somos a velha raça humana e sendo assim e assim sendo, Esperança é nosso sobrenome. Escrevo essas prosaicas divagações movido pelo fato de que acabo de receber uma mensagem pelo Facebook que me pegou de surpresa, me alegrou e me trouxe intensa emoção. Quem a escreveu foi meu amigo de longa data, o cartunista Paulo Paiva, marido de Suely Hiromi Furukawa, editora, colorista, redatora, enfermeira, amiga, esposa, mãe, avó. Pelos mistérios que nossas existências encerram, Paulo Paiva sofreu há alguns anos um severo AVC. Mas mistérios outros determinaram que Paulo não morreria nos privando de sua agradável presença, de sua alegria, seu humor, de sua privilegiada criatividade. E o apoio da esposa, Suely, da filha Paulinha e agora também de Eric, seu amado neto, ainda um bebê, são fundamentais para Paiva driblar as dificuldades inerentes ao AVC. Confesso que fiquei com os olhos marejados ao ler e reler a mensagem que contém um desenho saído da cuca e das mãos do Paiva que mostra uma criança representando o Ano Novo a nos desejar com um largo sorriso, pleno do mais lídimo sentimento de esperança e de fé, um grande, um muito bom ano novo para todos. Foi fácil decidir que mais uma vez vou me valer do contagiante e elevadíssimo astral de Paulo Paiva e de Suely para estender e desejar a todos os que curtem e acompanham este meu bloguito um graaaaande, um redentor, um felicíssimo, um benfazejo e profícuo Ano Novo. Um 2017 bom demais para todos nós, galera!!
(Publicado originalmente no dia 30/12/14)

Um desenho de Paulo Paiva com direito a Happy New Year

Paulo Paiva, meu cartunista de estimação, como é do seu consuetudinário proceder, produz assaz criativos desenhos a todo vapor nos finais de ano. Guardo um deles com especial carinho, que é este aí em cima postado, que me enviou minha chapinha Suely Hiromi Furukawa em que ela própria aparece ao lado de PP e da amada filha deles, Paulinha, vestida com sua vistosa farda de moça-da-lei. Você vê na ilustração um dos gatos da família, mas não vê o Eric, filho de Paulinha, neto de Suely e Paulo Paiva, porque essa postagem é um remake de uma que aqui postei há alguns anos, quando Eric ainda não havia chegado para alegrar um pouco mais esse planeta azulzinho. Sucede que de tanto gostar desta mensagem enviado pela família Paiva-Furukawa, costumo repetir a postagem em natalinas épocas. Também pudera, o desenho de Pepê mostra sua família, que é uma família bem bonita e bem brasileira, que pretendo crer que há de bem simbolizar e adequadamente representar todas as outras deste patropi abençoá po Dê e boni po naturê, como diz e canta o velho e sempre bom Babulina. Paulo Paiva é um cara de astral elevadíssimo e a temática do desenho trata de sinceros votos de um Natal feliz e um Ano Novo massa, que é exatamente o que eu desejo aos amigos e aos meus fiéis e caríssimos leitores que leem este meu bloguito, e é justamente por isso que vou reincidentemente grilando, usurpando o desenho, me apossando mui semcerimoniosamente, remakando uma vez mais, pegando carona no ótimo astral dessa família de meu nobre amigo e editor e aqui postando para que todos que visitem este espaço possam ler e receber bons fluidos e se sentirem em estado de graça.
(Publicado originalmente em 20/12/13)

11 dezembro 2016

A verdadeira origem dos Doces Bárbaros

Corria o ano de 1976 e Santo Amaro da Purificação vivia dias de um regozijo sem precedentes em sua história. Tudo porque Dona Canô, líder natural da comunidade e quitueira de invulgares dotes e assaz justificado prestígio, decidira que seus mui deliciosos acepipes, dantes restritos às privilegiadas papilas gustativas de seus familiares e uns poucos agregados, iriam ser postos à venda para todo o povo santoamarense. Tudo movido pelo nobre objetivo de angariar fundos para viabilizar a festa anual ao santo padroeiro da simpática urbe. Sendo a venerável matriarca dos Vellosos, Dona Canô contou com a consuetudinária participação de todos da família. Mesmo os mais novos como o ainda glabro Caêzinho e sua mana Beta, Beta, Bethâninha, ambos de prendas canoras aclamadas nas tertúlias do clã. A dupla chamou seus amiguinhos Gilzinho e Galzinha que incontinentemente aceitaram o convite. Unindo talento artístico com tino comercial o quarteto criou - e apresentava na praça - um show de canto e dança de fazer Michael Jackson babar de inveja. Tudo para ajudar na vendagem feita por nobres motivos. E com tal fim bolaram um jingle em que preconizavam ainda mais as virtudes e a já reconhecida suprema qualidade dos doces canônianos, os quais batizaram de Doces Bárbaros, usando um neologismo da época. Sucesso total! Multidões acorriam à praça e as vendas aconteciam aos borbotões. Com a renda arrecadada a igreja fez a mais linda festa ao santo padroeiro que como reconhecimento retribuiu aos habitantes com mais que farta distribuição de graças. Uma delas foi fazer com que entre o público admirador dos meninos estivesse, de passagem por Santo Amaro, um influente empresário do ramo musical que viu logo que em futuro mui breve eles se tornariam grandes estrelas da MPB. E não pestanejou: contratou, célere, toda a trupe que levou para Sampa. Lá montou o show Doces Bárbaros, aquele mesmíssimo criado pelos precoces infantes para vender as canônianas delícias em modesta ágora santamarense. O sucesso foi estrondoso como previsto e hoje os Doces Bárbaros são conhecidos e reverenciados em todo o planeta graças, sobretudo, às habilidades culinárias e ao axé de Dona Canô, a mui amada matriarca.
(10/08/13)

05 dezembro 2016

Juazeiro, Petrolina e Ilha do Fogo: lá 1964 ainda não acabou

Redigo: a Ilha do Fogo é  um patrimônio legítimo e indissociável do povo, do amável e ordeiro povo brasileiro que habita as vizinhas cidades de Juazeiro, Bahia, e Petrolina, Pernambuco. Bem entre estas urbes, situa-se essa bucólica ínsula fluvial, dividindo ao meio naquele trecho, o histórico e lendário Rio São Francisco. Por quase meio século pescadores e habitantes da região transitaram por suas areias. Eis que então militares pernambucanos botaram enormes e cobiçosos olhos sobre a ilha e decidiram usurpá-las, arrancando das mãos dos pacíficos moradores sob o descabido pretexto de que ali é ponto estratégico, vital para a segurança desse país varonil de Gugu e Clodovil. Pois tais militares, conhecedores da questionável máxima que por aqui impera de que "decisão judicial não se discute, se cumpre", foram a um juiz simpático aos castrenses. Longe vai o tempo em que os brasileiros enxergavam um juiz como um monumento da idoneidade e da imparcialidade, um oceano da integridade moral. Os próprios juízes, fazendo o que muitos, de forma escancaradamente absurda, vêm fazendo, trataram de eliminar em nós outros quaisquer resquícios de crença e de confiabilidade. Sendo assim e assim sendo, procurado pelos militares, o tal juiz foi mostrando logo que sua toga era verde que te quero verde...oliva, foi tratando, célere, de dar parecer legal às pretensões dos militares e autorizando a posse e ocupação da Ilha do Fogo pelos fardados. Tudo feito sem uma prévia consulta popular, sem que as comunidades pudessem ter voz e vez para se manifestar democraticamente, bem ao estilo dos anos de chumbo. Nenhum plebiscito, nenhum referendo popular. Puro arbítrio travestido de legalidade. Um ato bem ao feitio dos negros tempos do nada saudoso regime militar que, iniciado em 1964, golpeou nossa gente por mais de 20 anos e que saudosistas do fascismo insistem em trazer de volta. Lamentável, lamentável. O Rio São Francisco é extenso. A caatinga é vasta. Nas terras do sem fim sanfranciscanas é de notório conhecimento que gentes inescrupulosas mantém plantações de  maconha que geram toneladas da erva-do-capeta que abastecem o mercado das drogas. Por ali, sim, seria de grande utilidade instalação de um batalhão de militares bem armados e preparados. Mas todos sabemos que além de traficantes, jagunços e pistoleiros armados, por ali há cobras, onças, mosquitos e sabe-se lá mais o quê. Ao contrário de todo este inferno, a Ilha do Fogo é lugar mais que aprazível, fica perto da casa dos militares, das suas amadas famílias, de shoppings, do aeroporto e dos bons restaurantes que servem a melhor carne de bode deste orbe. Por tudo isso, certamente a finada apresentadora Hebe Camargo diria que os militares pernambucanos envolvidos nesta questão são uma gracinha. Mas da Ilha do Fogo não arredam de jeito nenhum mesmo diante da justíssima pressão popular. Diante dela estão falando em conceder à população o acesso à Ilha do Fogo nos domingos e feriados, como uma reles espórtula. Quanto ao povo...ora, o povo que vá reclamar ao Papa. Menos mal que o atual Sumo Pontífice sempre mostrou não gostar de injustiças praticadas contra as camadas mais populares e, por providencial coincidência, ele também se chama Chico, um xará do Rio São Francisco, o Velho Chico.
(200913)

01 dezembro 2016

Gonzalo Cárcamo, um caricaturista mais que ingrato / Pintando o Set 2

Até onde vai a sordidez humana? A que níveis rasteiros e mesquinhos podemos descer? Quão baixo, torpe e vil pode chegar a ser o homem, senhoras e senhores? Vocês são testemunhas do meu proverbial esforço para neste blog louvar as pretensas virtudes do caricaturista e do homem Gonzalo Cárcamo. Cordato, ilustrei a postagem com uma caricatura assaz singela e melíflua do referido cidadão. Coisa que qualquer genitora haveria de guardar orgulhosa em seu mais íntimo relicário. E ele me pagou com igual moeda? Nada disso! Avaliem esta caricatura da minha magnânima e irreprochável pessoa em que o supracitado Cárcamo desrespeita minha condição de caricaturista espada e matador e zomba da minha proverbial virilidade. Só uma mente malévola poderia conceber semelhante opróbrio, algo tão repulsivamente ignóbil. É, caríssimos leitores, assim caminha a humanidade. Vejam, meus caros confrades Paulo Caruso, Biratan Porto, Loredano e JBosco, o que tenho de suportar de forma estóica para não pegar em armas. Ah!, bons tempos aqueles retaliativos em que vigoravam as ações do CCC (Comando dos Caricaturistas Caricaturados).
(10/05/2012)

Mulher de Sagitário no Horóscopo de Vinicius de Moraes

As mulheres sagitarianas
São abnegadas e bacanas
Mas não lhe venham com grossuras
Nem injustiças ou censuras
Porque ela custa mas se esquenta
E pode ser muito violenta.
Aí, o homem que se cuide...
-Também, quem gosta de censura!
(121114)

30 novembro 2016

Roberto Ferri, pintor italiano: um pouquinho mais de sua arte instigante.

Em postagem anterior brindei você, meu cordialíssimo e sapientíssimo leitor, com uns belíssimos trabalhos de um pintor italiano ainda jovem mas extremamente habilidoso no manejo dos pincéis e tintas que segue uma linha clássica de pintura. O nome do ragazzo é Roberto Ferri, um cara veramente meraviglioso. A galera que acompanha este troppo piccolo blog curtiu muito os instigantes trabalhos do itálico pintante. Adesso volto a carga com mais uma dose do talento do signore Ferri para degustação geral da nação. Links até o trabalho de Ferri: http://www.robertoferri.net/ e http://robertoferripittore.blogspot.com/ . Auguri.
(121214)

29 novembro 2016

Roberto Ferri, fabuloso artista plástico da Itália na atualidade.

Da Vinci, Michelangelo, Giotto, Rafael, Caravaggio, Veronese, Ticiano, Modigliani. A Itália sempre brindou o mundo com pintores magníficos e com deslumbrantes escolas de pintura ao longo da História da humanidade. Uma bela tradição que se mantém até os dias atuais, basta ver as pinturas feitas pelo talentosíssimo italiano Roberto Ferri, artista que maneja com maestria pincéis e tintas, mostrando ter a habilidade natural dos grandes, dos maravilhosos Mestres da pintura italiana. Sim, a Itália é pátria dos diversos gênios da pintura acima citados e pelo jeito esta história de DNA faz toda a diferença, pois fácil é concluirmos que Ferri traz no sangue um talento atávico vindo de um dos seus compatriotas, Mestres reverenciados em todo o planeta. Para você que gosta de arte feita com talento vale a pena visitar o site e o blog de Roberto: http://www.robertoferri.net/
e http://robertoferripittore.blogspot.com/  
(101014)

27 novembro 2016

O cartunista Simanca, Fidel Castro, Cuba e Bahia


 É do bravo comandante Fidel Castro o olhar nostálgico que perlustra o mar caribenho nesta tépida noite de estio em que intenso plenilúnio ilumina toda esta Baía dos Porcos. Doces reminiscências povoam a mente de El Comandante certamente evocando pelejas vitoriosas contra esbirros enviados pelos porcos imperialistas ianques em pretérito não muito distante aqui neste mesmo cenário. Aboletado sobre uma pedra, Castro abre uma caixa de madeira onde guarda um tesouro: seus puros cubanos. Retira um, acende e saboreia cada baforada demonstrando um inebriante prazer. Neste momento entra em cena um outro personagem, o jovem cartunista cubano Osmani Simanca, ainda um novel, que por ali vai passando. O dibujante saúda Fidel e solicita dele um dos charutos para poder desfrutar também daquele prazeiroso momento. Com chispas nos olhos e mão no gatilho o guerrilheiro vocifera: "Que puerra es esta, pendejo?! Querendo hacer socialismo moreno con mis puritos?! Sarta fuera, bundón!!" O jovem Simanca, assustado, balbucia em solilóquio: "Hay que adolescer, péro sin perder mi gostosura!" Aí, para preservar sua vida que ainda adolescia, tratou de ir saindo de fininho praguejando em voz baixa contra todos os socialistas insulares e seu barbudo líder. Temeroso de uma retaliación nel paredón, tratou de se picar da ilha embarcando em uma lancha que fazia a linha Havana - Isla de Itaparica. De lá pegou um ferry-boat para Soterópolis. Aqui chegando, tratou de invadir a redação do jornal A Tarde armado de lápis, pena e pincel, preconizando que chegara o momento de se fazer uma revolução gráfica. Passou-se já um bom tempo e ainda assim Simanca deixa evidente em suas charges feitas para o periódico baiano que não perdoou Castro até hoje hoje pelo episódio ocorrido entre ambos naquela noite na Baía dos Porcos. Não quer nem saber se Fidel, por ordens médicas, já não fuma mais seus puros e, já provecto, passou o poder em Cuba para o hermano, Raúl. Isso nada animou Simanca a retornar para a isla que é dele tanto quanto de Célia Cruz, Bola de Nieve, La Lupe, Perez Prado e do Buena Vista Social Club. Vivendo na Bahia todo este tempo, abaianou-se de tal forma que já não quer mais saber de beber mojito en La Bodeguita, prefere entornar umas caipirinhas no Mercado das Sete Portas. E já não dança salsas nem rumbas, só quer saber mesmo é de quebrar em sambões. Tornou-se mestre de capoeira, não perde um Ba-Vi e já está providenciando mudar seu nome para Osmani Caymmi Amado Rocha Ubaldo Veloso Gil Simanca.
  Para ver mais trabalhos de Simanca, clique no link: http://simancablog.blogspot.com/  
(24/10/13)

25 novembro 2016

Paulo Paiva, Mestre Shaolindo / Pintando o Set 6

Talento e competência são virtudes que nunca faltaram ao Paulo Paiva em sua longa trajetória no universo editorial dos quadrinhos e dos cartuns onde sempre foi respeitado qual um sábio Mestre Shaolin por todos nós, seus gafanhotíssimos discípulos. But nobody is perfect - como diria Bill Shakespeare - e Paiva não deixa de ter seu lote de pecadilhos. Por exemplo, morando há tanto tempo em Sampa insiste em não ser torcedor do glorioso e retumbante Corinthians, o Campeão dos Campeões eternamente dentro dos nossos corações. Imperdoável. Mas a coisa não para por aí, tem mais, tem mais: Pepê foi sempre um temido criador de abomináveis trocadilhos infames, um martírio para meus refinados pavilhões auriculares de scholar, pessoa com elevada sapiência e dotado de raro refinamento cultural. O mundo deu giros e giros, o tempo passou para todos e muitos que eram aloprados adolescentes amadureceram e hoje são circunspectos senhores. Paiva, no entanto, parece insistir em se perpetuar na adolescência vez que esse sujeito não honra suas cãs, insistindo em ser um cara muitíssimo abusado e forgado o que me deixa assaz indignado. Volta e meia esse sacripanta faz uns desenhos e contando com a cumplicidade de Suely Hiromi Furukawa - um mix de esposa, enfermeira e comparsa - me envia pela Net umas caricaturas da minha intocabilíssima pessoa, coisa que bastante incomoda meu justificadamente inflado ego e que muito me exaspera. Qualé, Pepê? Perdeu a noção do perigo, cara?! Você e Suely em um pretérito dia passaram a lua-de-mel aqui nessa afro-terra chamada Bahia e sua pessoa sabe bem que os legendários Mestres Bimba e Pastinha me ensinaram in persona as artes e as astúcias da capoeira, que sob minha aparência dócil e meu jeito humanitário e pacifista oculta-se um beligerante capoeirista cordão branco, inclemente para com desafetos e desavisados que atravessam meu nobilíssimo caminho. Se liga, meu rei!
PS: Fiéis e preclaros leitores, errar é o Mano (Menezes) e eu errei gravemente. Pepê pode ter todos os defeitos contidos no cardápio da raça humana, mas o imperdoável deslize de não ser corintiano, ele não tem. Pepê é, sim, e com todo orgulho, um fiel torcedor do Todo Poderoso Timão e, portanto, um Bi-Campeão do Mundo tanto quanto o sou. Contrito, peço perdão ao Pepê por tão grave crime de lesa-majestade-torcedor que cometi de forma infame e assaz abjeta devido à minha infalível memória que ultimamente anda falhando muitíssimo. Meus mais humildes pedidos de perdão ao nobre, ao magistral, ao perfulgente Mestre cartunístico e quadrinhístico.
(20/03/13)

22 novembro 2016

Riachão, o samba da Bahia na primeira pessoa do singular

O samba feito na Bahia tem cara, corpo, jeito, elegância, doce malícia, muita ginga e sabedoria ancestral. Tudo isto concentrado numa só figura, aliás, uma figuraça, um menino chamado Riachão, nascido em 14 de novembro de 1921, que completou há uma semana 95 aninhos de existência, bem vividos em rodas de samba nas noites da Bahia. Com muito samba, naturalmente, principalmente os de autoria do próprio Riachão, compositor considerado um inspirado cronista do cotidiano pelas suas letras que reproduzem a realidade com um viés bem popular. Esse seu estilo pessoal de compor mereceu gravações de personalidades como Jackson do Pandeiro, Caetano Veloso e Gilberto Gil e de muita gente boa mais. Um dia, a cantora Cássia Eller, encantada com o balanço, a ginga, a malemolência, a criatividade e a contagiante alegria de Riachão, gravou sua composição "Vai morar com o diabo", em que ele relata suas agruras por viver ao lado de uma mulher que não quer nada com o batente e ainda exige luxo. A exemplo do que acontecera com a gravação de Caetano de Cada macaco no seu galho, a deliciosa versão de Cássia Eller para a música de Riachão deu intensa visibilidade a um dos sucessos deste sambista baiano tão amado que sempre desfilou pela vida com seu charme singular, sua alegria retumbante, seu brilho intenso. Riachão, o samba na primeira pessoa, o próprio povo da Bahia com toalha e muitas contas coloridas no pescoço, chaveiro pendurado na calça, anéis nos longos dedos negros, boné na cabeça, bigodinho estiloso, e com um riso gostoso nos exibindo sua galhardia e seu passos harmoniosos de sambista maior pelas ladeiras da afrobaianidade nagô. Riachão, rei do samba na terra em que o samba nasceu, como atestava o carioquíssimo poeta e compositor Vinicius de Moraes. Axé, Riachão, meu rei!

18 novembro 2016

Norman Rockwell / Uns caras que eu amo 3

Na Internet temos todos acesso a um incalculável número de belíssimas ilustrações digitais. Artistas realmente habilidosos produzem-nas com inegável competência e é sempre bom ver muitas delas porque são realmente magníficas, deliciosas. Mas uma ideia me ocorre sempre: Norman Rockwell era um artista fantástico que fazia tudo isso que fazem os grandes ilustradores de agora, mas fazia sem utilizar computador algum. Não usava nada além de prosaicos pincéis, tintas e telas. Para ele isto bastava para atingir a fama incontestável de gênio que a faz jus. Com uma vantagem sobre os atuais ilustradores e pintores: ele não se limitava a fazer reproduções perfeitas como muitos o fazem, ele ia muito, muito mais além, tendo uma capacidade de transmitir em minúcias, cenas do sonho americano, o tal american way of life, os anseios, alegrias, emoções de pequenos instantes da vida comum dos cidadãos aos quais dava uma dimensão sem precedentes. A paixão, o preconceito, as descobertas de infância e adolescência, a solidão, os temores, o amor materno e todos os demais amores, a ansiedade, a angústia, a maledicência, a solidariedade, o preconceito mais indizível, a comoção, as certezas, as esperanças. Tudo isto e muito mais traduzindo como ninguém o sentimento do americano médio, do pobre, do rico e da raça humana como um todo. Mostrava ele um olhar atento ao seu tempo, à vida como um todo. Sem jamais esquecer apaixonantes pitadas de humor e a mais refinada ironia. Fazer belos trabalhos gráficos muitos fazem e o computador em muito ajuda nisto. Mas ter o olhar atento e aguçado e ser tão talentoso quanto Norman Rockwell, bem... aí é outra história.
(040513)

16 novembro 2016

Jorge Amado, Zélia Gattai, Gustavo Tapioca e o imaginário popular.

Este lance de imaginário popular é curioso. Aqui no Brasil, quando ouvimos falar em D. Pedro I, nos lembramos de um belo e sorridente jovem, com nigérrimas suiças, feições e corpo capazes de suscitar vívido interesse feminino. Mas se falamos de seu filho, D. Pedro II, o que nos vem na mente é um senhor austero de longas e alvinitentes barbas, parecendo ser ele o progenitor e não o filho nesta história toda. É que fomos alimentados com as imagens que os livros fartamente nos oferecem. Quando ilustrei para Gustavo Tapioca seu belo livro de memórias, Meninos do Rio Vermelho, tive acesso a uma série de fotos pouco divulgadas pela imprensa mostrando Jorge Amado e sua amada Zélia. Muitas dessas fotos aliás, clicadas por ela própria, fotógrafa habilidosa. Fiquei pensando que com Jorge Amado acontece um lance parecido com o dos Pedros, pai e filho. Falamos no escritor e imediatamente nos vem à mente um octogenário de bigodes alvos, farta e branca cabeleira tremulando ao vento, camisas estampadas e boné. Então entre as ilustrações que fiz para o livro de Tapioca, resolvi fazer estas aí, aproveitando fotos que mostram Jorge e Zélia em momentos plenos de jovialidade, um casal feliz cujo amor recém se iniciara mas que é mais que visível em seus rostos sem as marcas do tempo. Destarte as pessoas poderão ter a alternativa de ver assim, belos, apaixonados e jovens Jorge Amado e Zélia Gattai que tanta coisa boa nos transmitiram com suas vidas e seus escritos. O e-mail para os interessados no livro é gustavo.tapioca@gmail.com .
(14/08/13)

10 novembro 2016

Da Suécia, Odd Nerdrum e sua pintura de mistérios

A beleza pode ter diversas formas. Depois de postar os belos trabalhos do caricaturista israelense Hanoch Piven, de elevadíssimo astral, publico estes do ótimo Odd Nerdrum, um mais que talentoso artista plástico nascido na Suécia, mesma terra do futebolista Zlatan Ibrahimovic, uma fera dos gramados. Nerdrum, também é uma fera, mas no campo das artes e ele nos brinda com uma pintura belíssima, ainda que extremamente soturna, plena de indecifráveis mistérios, deixando entrever, através de sua intensa força pictórica, um mar de sensualidade e um clima de evidente melancolia. Uma rara e invulgar beleza encerram seus trabalhos de pintura, não há como negá-lo. E o que é belo, vale a pena mostrar. Ah, en passant, é curioso dizer que, há um tempo, Odd Nerdrum foi condenado à cadeia, onde por dois anos vê ou viu ou verá o sol nascer quadrado, mesmo que na Suécia dias ensolarados não sejam lá coisas tão comuns assim. Sua condenação foi decorrente do fato do artista não pagar impostos sobre vendas de seus quadros no período de 1998 a 2000, cuja soma, em tão curto período, perfaz algo em torno da bagatela de...2 milhões de euros! Uau, o cara não é fraco, não! E eu, que só sei que nada sei, nem sequer havia ouvido falar no sujeito até descobri-lo na Internet. Santo apedeuta alienado, Batman!
(09/11/13)

J. Jorge Amado e o grande esparro d' umbu


"Nunca vi umbu ser tão grande!"
Esparro frutífero encontrável no livro de João Jorge Amado, Lá ele ( o esparro na Bahia ), do qual já falei aqui neste blog em publicação anterior. Trata-se de uma trabalho dedicado de pesquisa da cultura oral do povo da Bahia. Isso resultou em uma coletânea de esparros. Um esparro é uma espécie de pegadinha oral, feita com frases espirituosas, todas ocultando em si o mais malicioso duplo sentido, fartamente encontrado na boca do povão baiano que adora rir das próprias brincadeiras que faz, como um esparro bem sacana. O livro é um grande saque de J. Jorge Amado, verdadeiro ovo de Colombo, e eu me diverti de montão ao fazer as ilustrações. Se você ainda não leu, já está mais do que na hora. Para ser o feliz possuidor de um exemplar clique no link e contate o pessoal da Editora Publit Soluções Editoriais: http://www.publit.com.br
(30/08/13)

Voto e devoto / Humor de Graça

(10/09/12)

09 novembro 2016

Ronald Searle, cartunista: esse cara só sabia desenhar.

Ronald Searle sempre foi admirado, cultuado pelo seu talento raro. Tinha um traço pessoal, limpo, expressivo. E um humor refinadíssimo. Aos 91 anos foi-se deste mundo deixando órfãos um monte de fãs do cartum e de cartunistas talentosos de quem, aliás,  sempre foi ídolo. Devemos agradecer aos deuses das artes que ele, sempre profícuo em seu fazer artístico, pudesse ter tido o privilégio de viver uma vida tão extensa podendo produzir miríades de trabalhos maravilhosos para a delícia de nós, viventes. Vale a pena dar uma clicadinha neste link da Revista Piauí e conferir uma matéria sobre Searle que um dia, falando de si mesmo, disse que só sabia desenhar. Só isso. Assim como Pelé só sabia jogar bola.  http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-65/despedida-ronald-searle-1920-2011/eu-so-sei-desenhar
( 16/02/12 )

08 novembro 2016

Mestre Paulo Paiva recebendo o Troféu Angelo Agostini

O mês de janeiro de 2014 foi um mês inesquecível para os amantes das histórias em quadrinhos nesse Brasil brasileiro, mulato inzoneiro. Eis que, entre os premiados do HQMIX no citado ano, estava Paulo Paiva, o Pepê, um cara muitíssimo amado pelos profissionais da área, por tudo que ele fez pelos quadrinhos brasileiros, bem como pelos muitos desenhistas, argumentistas e por todos que militam nessa campo de tantos obstáculos, de tantas pedras, monólitos e pedregulhos pelo caminho. Pepê, além de ser um cartunista talentoso, sempre exerceu um fantástico trabalho como editor da área de cartuns e quadrinhos e faz jus ao título de Mestre que recebeu junto com seu troféu. Postei, no referido janeiro, as fotos e o texto abaixo celebrando esse notável acontecimento. Como se trata do Mestre Paulo Paiva, posto agora de novo, para relembrarmos juntos o que não é para ser esquecido, atilado leitor.
Paulo Paiva, mais lindão que nunca, cheio de fidalguia e elegância, com um boné estiloso, recebendo seu cobiçado Troféu Angelo Agostini hoje à tarde no Memorial da América Latina, em uma evento onde imperou o melhor dos climas, como se vê nesses registros fotográficos. Na foto de baixo, o casal Pepê e Suely posa para a posteridade com a amiga, Dra. Paula Annunciato, neurocirurgiã integrante da equipe do magnífico Dr. Wilson Luiz Sanvito, que operou e salvaguardou a vida de nosso estimado Pepê. Um acontecimento para ficar gravado na memória. Coladinha, toda feliz e orgulhosa, Suely Furukawa, competente editora e redatora, além de ser um mix de esposa, enfermeira, terapeuta e dedicado anjo-da-guarda desse que é o mais novo Mestre do Quadrinho Nacional, Paulo Paiva. Parabéns duplamente ao casal. Um dia chego lá, Pepê!
(o1/02/14)

Biratan Porto, um caricaturista letrado.

Antes de ser amigo do cartunista paraense Biratan Porto, sou um seu admirador entusiasmado e confesso. Bira mata a pau no cartum, na charge, nos quadrinhos e nas caricaturas. E ainda se renova sempre. O livro com sua série de caricaturas feitas com as iniciais dos caricaturados famosos, é de deixar qualquer um de queixo caído. Olha só o "F", de Fidel, servindo de chapéu e perfil. O "C" é a barba hirsuta e já grisalha de el comandante. Este do Chê Guevara , então, está um primor de criatividade. Aquela tal simplicidade dos gênios, de que tanto falam. Sorvam estes aperitivos aê e depois vão lá no blog do Bira pra ver o que é um trabalho bem feito e ver se ainda dão sorte de poder comprar o livro, se ele já não esgotou. Olha o link, galera: http://biratancartoon.blogspot.com/
(071113)

Jim Hopkins e o fabuloso destino d'Amelie, de Jennifer Aniston e Salma Hayek.

 
1. Salma Hayek  2. Jennifer Aniston 3. Audrey Tautou
Curto muito o belíssimo trabalho de caricaturas e ilustrações do norte-americano Jim Hopkins, um cara talentoso, mas que ainda não é muito conhecido aqui no Brasil. Por enquanto, por enquanto. Jim tem trabalhos maravilhosos e diversificados, é um verdadeiro homem-dos-sete-instrumentos, um factotum das artes, e eu já postei vários desenhos dele aqui neste bloguito. Para esta postagem, estimado leitor, escolhi uns trabalhos em que ele usou como modelos um trio de belas garotas, sendo todas elas atrizes mui famosas, que Jim Hopkins caricaturou com sua habitual competência. Entre elas, a uvinha mexicana chamada Salma Hayek. Também fez a darling dos ianques, Jennifer Aniston, além da francesa Andrey Tautou que, entre outras coisas, fez a cativante e deliciosa Amélie Poulon, em Le fabuleux destin d'Amelie Poulon, inesquecível. Você gostará, estou certo, e aí poderá ver e curtir muito mais acessando um blog do Jim, através do link http://mugitup.blogspot.com/
(110914)

04 novembro 2016

Os afegãos em burca do Sexo perdido / U Sexu nu mundo 8


A vida sexual dos afegãos sempre foi um marasmo, ficando muito, muito agitada e atribulada em tempos recentes devido à presença ostensiva das tropas americanas em seu país, armadas até os dentes e xeretando tudo e mais um pouco. O marido afegão, mesmo não tendo barba, quando estava fazendo sexo oral na sua esposa muitas vezes era confundido pelos ianques com o Osama Bin Laden, se é que vocês me entendem. Aí era tanto tiro para cima dele que o pobre afegão não conseguia mais manter sua torre gêmea em pé.
(011010)

03 novembro 2016

Cangaceiro, pássaro, Floriano Teixeira

Cangaceiro é um tema recorrente na minha faina pictórica. Floriano Teixeira, maravilhoso ilustrador e pintor, fez diversos trabalhos assim mostrando um momento em que o homem do sertão tem sua dureza quebrada pela interação com o pássaro entre seus dedos acostumados a puxar mortais gatilhos. Eu, que sempre fui admirador incondicional do Flori - meu amigo pessoal, para minha fortuna - volta e meia faço uns desenhos e pinturas mostrando este duo sertanejo. Aqui usei acrílica sobre tela e depois dei umas cacetadas com Photoshop para complementar.
(171214)

29 outubro 2016

Em Terras Americanas: quadrinhos baianos de alta qualidade em dose tripla.

"Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto, lutamos mal rompe a manhã." Lindo, não? Você, pessoinha de alma sensível e de elevada inteligência gostou muitíssimo, não é mesmo? E antes que os mais incautos comecem a achar que sou eu o autor de tal preciosidade, vou logo avisando que a surrupiei de uma poesia de Drummond. Se havia pedras no meio do caminho de sua poesia, o vate itabiranocarioca as retirava e seguia em frente, versejando, tal era sua vontade de exercer o seu ofício de poeta de versos livres. Esse preâmbulo todo é para mostrar que é possível vislumbrar uma analogia entre a luta para fazer poesia e a peleja que é fazer quadrinhos nessas plagas que um dia Cabral achou dando sopa nos trópicos. Fazer quadrinhos por aqui é dificultoso, sim, mas driblam-se os obstáculos e se faz. E é com grata satisfação, respeitável público leitor, que vos anuncio que já foram publicados e podem ser adquiridos três belíssimos volumes de histórias em quadrinhos intitulados Em Terras Americanas. O material publicado, modéstia às favas, é belíssimo, todo made in Bahia, e teve sua publicação viabilizada por haver sido selecionado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, recebendo recursos do Fundo de Cultura da Bahia. O argumento e o roteiro, levam a assinatura de Tom S. Figueiredo, e são bastante originais, mostrando super-heróis vivendo uma vida em sociedade, misturados aos denominados cidadãos comuns, de uma maneira pouco habitual nas HQs. Escritor premiado, Tom tem ampla experiência no campo dos quadrinhos, adquirida em jornadas empíricas no famoso Estúdio Cedraz, onde labutou por mais de quinze anos. Os desenhos são de Paulo Setúbal, que é -entre outras nobres atividades- presidente, officeboy e moleque de recados deste bloguito, e as cores -belíssimas- são de Vitor Souza, sendo que ambos são profissionais com larga trajetória nos quadrinhos. Antonio Cedraz foi o editor, em um dos seus últimos trabalhos feito em sua vida devotada às histórias em quadrinhos. A Coordenação de Produção do Projeto é de Paulo Milha. Como foram publicadas com numerário advindo de verba oficial, as três revistas estão sendo vendidas por preço mais que acessível, sendo que a renda angariada será totalmente revertida em favor da ONG Centro Comunitário Batista Soteropolitano. Os mais descolados nerds e os amantes mais amorosos dos quadrinhos podem adquirir por preços beeeeeem módicos, todos os três exemplares de Em Terras Americanas ali na Katapow (Av. Octávio Mangabeira, Edifício Privilege, loja 7, Pituba) e na RV Cultura e Arte (Av. Cardeal da Silva, 158, Rio Vermelho), localizadas ambas aqui nessa cidade de Salvador, Bahia, espaços especializados na venda do que há de melhor no universo dos quadrinhos. Leitores que não moram nessa soteropolitana afrocity, ou mesmo os que não têm tempo de passar em uma das lojas citadas, podem encomendar seus exemplares pela Internet através de-mail para http://editora@estudiocedraz.com.br . Nesse caso, o preço vai acrescido do valor do frete. Em Terras Americanas foi feita com especial carinho por profissionais que amam os quadrinhos e é um marco histórico na arte sequencial produzida na Bahia. Fiz um mix com capa e páginas de desenhos da trilogia de Em Terras Americanas para ilustrar esta postagem, quadrinístico leitor, que é para fazer você ficar com água na boca e tratar de encomendar rapidinho os seus exemplares antes que esgotem, já que você não é a única pessoa de bom gosto aqui nessas terras americanas.
(180116)

27 outubro 2016

João Ubaldo Ribeiro no tempo em que era um jornalista, com carteira assinada e tudo.

Antes, bem antes de atingir os píncaros da glória literária e de ser recebido com encarnados tapetes em universidades e palácios primeiromundistas qual um semideus, sendo reverenciado efusivamente em toda parte aonde quer que vá, Oropa, França e adjacências, o cultuado escritor João Ubaldo Ribeiro foi um dia - com direito a somítico salário - redator-chefe do hoje quase extinto periódico Tribuna da Bahia onde eu e Lage atacávamos de rabiscadores. Este jornal, em seus tempos de glória, tinha em seus quadros jornalistas gabaritados, os mais bem humorados com quem eu já trabalhei. Ainda assim nenhum superava o bom humor de Ubaldo que tinha uma risada peculiar, franca, aberta e sonora - uma sonoridade de miríades de decibéis - que ecoava em toda a redação quando ele, atendendo o aviso de algum colega: "Rápido! Está passando o Alberto Roberto na TV!", deixava incontinenti sua pequena sala cercada de vidro batizada de aquário, e vinha lentamente atravessando os mais de 20 metros da sala com seu tonitroante riso, prelibando os momentos de humor que a verve de Chico Anísio lhe traria. Tal proceder valeu-lhe, entre os espirituosos jornalistas, o epíteto de Risadinha. Conhecíamos-lhe e admirávamos o talento invulgar para a escrita - ele já fazia sucesso com o livro Sargento Getúlio - mas ninguém daquela risonha redação poderia prever que nosso bem humorado redator-chefe, unindo seu humor ao raro dom literário, um dia seria capaz de realizar no campo literário façanha tamanha como a que de fato realizou tornando-se um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. De mero vivente, sujeito a frieiras, coqueluches, tosses-de-cachorro, defluxos, pruridos escrotais e afins, Risadinha sagrou-se um escritor de renome, consagrado em todo esse vasto mundo, com direito a vestir o garboso fardão da ABL, munido de espadim e tudo, convertendo-se, destarte, em um venerável imortal admirado e respeitado em todo este imenso orbe. Viva o povo brasileiro! E, é claro, viva também João Ubaldo Ribeiro, já que Risadinha, qual a Tribuna da Bahia, ficou por aí, em algum lugar do passado.
(10/10/12)

O dia triste em que comi Alcione, a marrom

 
Pindorama, além de ser o nome indígena desta Terra Brasilis, é também o nome de uma pequena e aprazível cidade da hinterlândia paulista. Era lá que, ainda um niño de Jesus, eu vivia uma vidinha pacata ao lado dos meus amáveis genitores e irmãos. Meu pai se afastara do emprego para um longo e necessário tratamento de sua debilitada saúde e passava os dias em casa procurando ocupar seu tempo com leituras e escritos. E volta e meia inventava uma nova ocupação. A mais recente era um pequeno galinheiro que ele houvera por bem colocar no fundo do nosso amplo quintal de casa interiorana. Passei a ajudá-lo no trato com as penosas que me atraíram desde a chegada. Trazia-lhes milho, água, ração, remédios. Tão apegado a elas fiquei que decidi dar-lhes nomes da forma com que se faz aos animais de estimação. Como elas cantassem bonito, batizei cada uma com nomes de cantoras de minha preferência, Wanderléa, Vanusa, Martinha, numa sincera homenagem nascida de minha mente sem malícias de inocente infante. Minha predileta entre as preferidas era uma bem mais rechonchuda que todas as outras e que tinha porte de rainha ao caminhar no terreiro. Por ter sua plumagem num lindo tom marrom e por seu canto poderoso, dei-lhe o nome de Alcione. Seu reino, poleiro e terreiro. Ali ela agitava suas asas marrons, tão brilhantes e cacarejava de afinadíssima forma. Uma belezura. Eis que um dia anunciou-se pelos corredores da casa a vinda de um irmão de meu pai, tio Dario, que morava em Bauru e vinha nos visitar aproveitando o feriadão gerado pelo carnaval que se aproximava. Na véspera da chegada de meu tio, mamãe anunciou que ia matar umas galinhas para um lauto almoço de boas-vindas ao ilustre visitante. Meu coração disparou. "A Alcione, não! A Alcione, não, mamãe!" . Todos riram da minha aflição. Mas o que eu temia aconteceu e minhas preferidas terminaram seus cacarejantes dias em grandes panelas a meio de uma infinidade de cebolas, alho, cebolinha picada e congêneres. Lacrimoso, inconsolável, jurei a mim mesmo não tocar nos pratos feitos com minhas amigas. Chegado o momento do ágape o aroma dos guisados e assados invadiu minhas narinas de petiz, enfeitiçando-me. Minha mãe tinha mãos divinas ao cozinhar. Em uma travessa percebi aquelas coxas maiores e mais atraentes que as outras. Eram de Alcione, eu sabia. Com gestos mecânicos puxei a travessa e servi-me generosamente do peito e das coxas. Quase em transe, dispensei os talheres e sem ligar para o preclaro visitante, enfiei meus dedos naquele peito macio e cheiroso e o levei à boca ansiosa. Ah!, prazer dos prazeres! Meus olhos então se fixaram nas coxas de Alcione. Coxas belas, roliças, de maravilhosa cor dourada e capitoso olor. Caí de boca de forma descontrolada. E novamente minha língua passeou naquelas carnes divinas. Simplesmente delirante. O apetite saciado me trouxe de volta à realidade. Caí em mim e incontinenti percebi a grave traição em que eu incorrera com aquela descontrolada e quase antropofágica conduta. Saí da mesa correndo para que não pudessem notar minhas copiosas lágrimas. Era emoção demais para meus verdes anos de vida. Em um só dia conheci os inesquecíveis prazeres da carne, vindos das coxas macias, do peito aveludado de Alcione, a marrom. Desolado descobri que sou um fraco nas minhas convicções e que oscarwildeanamente resisto a tudo, tudo. Menos a uma tentação.
(230514)

José Cândido de Carvalho e seu magnífico romance O Coronel e lobisomem

Sempre que posso releio "O coronel e o lobisomem", de José Cândido de Carvalho. Ou ao menos parágrafos que costumo marcar a lápis, quando gosto muito. E cada releitura, acreditem, é plena de renovada emoção, enlevo e contentamento. Tudo neste livro é maravilhoso e pra mostrar, reproduzo aqui um trechinho que dá uma boa mostra de como José Cândido constrói com rara maestria sua literatura feita de brasilidade, magia e encantamento: "Olhei em derredor. Um fogo de labareda, de cambulhada com um bater de patas, vinha do aceiro. Era o Diabo em seu trabalho nefasto. Pois ia ele saber quem era o neto de Simeão, coronel por valentia e senhor de pasto por direito de herança. Sem medo, peito estofado, cocei a garrucha e risquei, com a roseta, a barriga da mulinha de São Jorge. A danada, boca de seda, obedeceu a minha ordem. O luar caía a pino do alto do céu. Em pata de nuvem, mais por cima do arvoredo do que um passarinho, comecei a galopar. Embaixo da sela passavam os banhados, os currais, tudo que não tinha mais serventia pra quem ia travar luta mortal contra o pai de todas as maldades. Um clarão escorria de minha pessoa. Do lado do mar vinha vindo um canto de boniteza nunca ouvido. Devia ser o canto da madrugada que subia."
(10/10/2014)

26 outubro 2016

O japonês Noboru Yoshihara, o cartunista Biratan, o Boto Tucuxi

Rezam lendas indígenas do misterioso e exótico Pará que quando é noite de perfulgente plenilúnio, o cartunista parauara Biratan Porto sói converter-se no Boto Tucuxi e, assim travestido de Boto, sai por aí Botando geral, atendendo as súplicas de lúbricas moçoilas as quais, depois de devidamente Botadas, passam a ostentar perenemente em suas faces um esgar que denuncia uma intensa satisfação interior, sendo que - para desespero de pais conservadores - não há esculápio que retire de seus rostos tal expressão, como se pode ver nesta fotografia que comprova que este papo todo é mais que mera lenda papaxibé ou simples crendice popular. Esta belíssima foto aí, que estou usando para ilustrar esse post do blog, tomei emprestada do honorável nipônico Noboru Yoshihara. Para ver outras fotos tão incríveis e mais desenhos e caricaturas dele, vá ao seu blog: http://muyukobo.blogspot.com . 
Lembrando aos meus já bem ilustrados leitores que sempre vale a pena visitar o blog do Biratan Porto que, tirando esses incomodativos problemas de Botânica, é um cara super do bem, pra lá de porreta:  http://biratancartoon.blogspot.com . 
Para que eu não me me veja obrigado a me valer do meu proverbial domínio de capoeira em uso da mais legítima defesa, só espero que quando Bira vier aqui nesta Soterópolis, venha mansinho e respeitoso e não ouse Botar pra quebrar nessa afrocity, se engraçando com  meu harém composto de princesas núbias, de loiras oxigenadas e das morenas mais frajolas da Bahia. Sou da paz, mas não admito liberdades e ousadias com meu harém, com o qual mantenho a minha mais fiel fidelidade. E tenho dito.
(120813)

24 outubro 2016

Danusa se recusa e oclusa não se escusa / Postagem no Facebook number 4

I love Paris in springtime. E quer saber, Mr. Cole? Adoro também no summer, no fall e no winter. Vou lá quantas vezes me dá vontade de ir e cada vez gosto mais. Aquela famosa justificativa da Danusa Leão de não querer mais saber de ir a Paris temendo o dissabor de em parisienses logradouros dar de cara com o porteiro do seu prédio, me cheira mais à desculpa esfarrapada de quem está na pior, mal de finanças, lisa, sem plata, money, l’argent. Li que a ex-dondoca, que já teve seus dias de fausto, pompa e circunstância, hoje não tem grana nem para comprar a prestações um desses pacotes de agências de viagens ou para embarcar em um vôo charter mais lotado que qualquer buzu da periferia em horário de rush. Até que eu compreendo o drama da perua, nem todos têm minha profissão de cartunista e a polpuda conta bancária que os cartuns regiamente me trouxeram. Com a fortuna que amealhei, entre outros mimos, adquiri um confortável jatinho para mim. Quando me bate uma vontade de comer pão francês não vou à padaria da esquina, vou à França e lá me farto com o pão francês original, os mesmos que alimentam a Amélie Poulain, a Isabelle Adjani, a Catherine Deneuve. E quando minha libido exige um beijo francês de verdade, é também pra lá que vou encontrar uma certa mademoiselle que em Montmartre me foi apresentada pelo Juarez Machado, sendo ela do tipo mignon com um derrière très jolie de fazer inveja a qualquer mulata bem servida. E é bom parar o papo por aqui porque eis que ele já envereda por rumos periculosos e isso aqui é um perfil de respeito. Au revoir, mons enfants de La Patrie.

1. BOB MARLEY. Papel Opaline, 180 gramas, esboço com grafite B, caneta nanquim descartável, retículas, um quase nada de Photoshop.
2. CANTORA DE CABELO COR DE ROSA. Tinta acrílica sobre tela de 1,50 x 1,00m.
3. CANTORA E MÚSICOS COM CAMISAS VERMELHAS. Tinta acrílica sobre tela de 1,50 x 1,00m.
(11/02/2015)