10 julho 2026

Mauro Betting dizendo que o Brasil é favorito em 2030 e um tsunami de revoltosos e elogiosos palpites pós-vexame.

Um turbilhão de comentários inunda redes sociais e bancadas de TVs depois da vergonhosa soçobro da "nossa" seleção, ou seleção das Bets e congêneres, na Copa de 2026, nos EUA. Milhares e milhares de postagens com argumentos pretensamente definitivos sobre as pífias atuações individuais e a lamentável campanha brazuca. E - acreditem, porque isso aqui é Brasil - milhares de elementos encontrando méritos na imeritória seleção. Fomos pela sexta vez seguida chutados nos fundilhos para fora das disputas por uma seleção europeia. Uma profusões de comentaristas PHDs em futebol, exaltados, provocando uma torrencial chuva de perdigotos, vem deitando falação sobre a mais recente vexaminosa campanha da seleção que, a exemplo de múltiplas antecessoras, ajudou a desonrar o excelente conceito conquistado com todo merecimento por gerações passadas. Pelo mérito dessas gerações, hoje torcedores, cronistas esportivos e jogadores arrotam com empáfia que temos de ser respeitados pois "somos pentas, somos pentas!". E tudo que fazem é colocar dezenas de pás de terra sobre o bom conceito do nosso futebol que a cada ano vai se esvaindo enquanto exaltam ídolos de pés de barro dentro de suas chuteiras de grife. Diante do óbvio deveríamos ter autocrítica para entender a gravidade de insistirmos em viciosos e equivocados argumentos. Recuperar a excelência e o poder de competitividade que tínhamos não é nada, nada, nada fácil, mas impossível não é. Só que as mídias da comunicação e TVs são partes interessadas que não mostram interesse em melhora alguma. Para manter esse conceito de "melhor seleção de futebol do mundo"elas se valem de discursos que no fundo são propagandas enganosas mantidas até por certos lixos humanos guindados à condição de "cronistas esportivos" que cotidianamente vomitam conceitos diante de microfones e câmeras. Tudo fica pior quando cronistas juramentados, considerados racionais, como o assaz simpático Mauro Betting, fazem postagens como uma em que Betting afirma que a "nossa" seleção estará entre as favoritas para ser campeã na próxima Copa do Mundo. Não duvidamos que as Bets e mídias corporativas que faturam fortunas endossarão tal insanidade sem o mínimo fundamento. Mauro, habitualmente um cara ponderado, no caso em pauta parece mais estar preocupado em garantir seu emprego de comentador futebolístico esquecendo-se que esse alegado favoritismo tem se mostrado apócrifo a cada quatriênio. Ao formular tal afirmação Betting viajou na maionese, deu uma bela derrapada, mas creio na sua lisura profissional e honestidade e não o vejo fazendo o jogo de sedutoras e milionárias casas de apostas nem nada que justifique que ele seja injusta, precipitada e levianamente apodado de Mauro Bets. Contando com as quatro Copas sob atuações pífias de Neymar, o resultado é que a história vivida por seleções que tudo de errado fizeram para que perdessemos de forma vergonhosa todos os seis títulos disputados desde 2002. E a coisa é ainda mais grave e deprimente do que parece ser. Há quase um quarto de século em busca do título de hexacampeão, tudo o que conseguiram foi serem eliminadas seis vezes seguidas por seleções europeias, algumas de segunda ou terceira grandeza, perpetuando a façanha de nos trazer o desonroso título de hexaeliminados em Copas. Agora a camisa canarinho aonde for leva estampada, indelével, esse indesejado e carimbo. Um feito inédito que nenhuma seleção almeja igualar.

09 julho 2026

A LÍNGUA DA BOLA, um livro imperdível para os apaixonados pelo futebol.

Alguém já disse que o Brasil é um país com milhões de técnicos de futebol. Em números atualizados pelo IBGE somos 213,4 milhões de técnicos, professores, místeres. Sobre o esporte mais popular desse patropi abençoá por Dê e bonito por naturê, mas que belê, muito já se falou nos mais variados aspectos. Um deles é o jargão futebolístico, a pitoresca linguagem vigente no universo desse popularíssimo esporte falada por torcedores, jogadores, técnicos e diversos profissionais que militam no meio futebolístico. Não é pra me gabar não, mas sou um estudioso dos assunto dedicado, laureado, incensado, reverenciado, até glorificado porque sou praticamente um Luis da Câmara Cascudo do esporte bretão desse nada bretão país. Variados termos e expressões tais quais "maria-chuteira", "xaréu", "voltar de táxi", "regra 18", "baba" e tantos outros mais são explicados tim-tim por tim-tim. Quem quiser ficar bem informado sobre o assunto e aprender a falar essa linguagem enquanto se diverte, que trate logo de ler o livro que eu e meu confrade muito bom de bola, Edilson de Lucena, escrevemos com toda dedicação para os apaixonados torcedores. Para adquiri-lo, basta entrar no site da AMAZON e procurar pelo livro A LÍNGUA DA BOLA, de Edilson de Lucena e Paulo Setúbal. Em breve estará se expressando fluentemente na lingua mais popular desse popular País do Futebol.                   

Para os que bradam contra jogadores de ascendência africana em seleções europeias saberem.

Como paulistano 'importado' por Mussolini se tornou primeiro brasileiro campeão

Imagem mostra o rosto do ex-jogador Anfilogino Guarisi na década de 1930

Crédito,Arquivo/SS Lazio

Legenda da foto,Anfilogino Guarisi, que integrou a seleção italiana no Mundial de 1934, ainda é uma figura relativamente desconhecida no país em que nasceu e viveu
    • Author,Fernando Duarte
    • Role,Do Serviço Mundial da BBC
  • Published
  • Tempo de leitura: 6 min

Quem foi o primeiro brasileiro a levantar a Copa do Mundo? Se essa pergunta surgir em um quiz, você é bem capaz de responder com o nome de Hideraldo Bellini, o zagueiro capitão da seleção brasileira no Mundial da Suécia, em 1958 – e devidamente imortalizado com uma estátua na entrada do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Mas há uma "pegadinha": de certa maneira a honra coube a Anfilogino Guarisi. Em 1934, o atacante nascido em São Paulo fez parte da equipe italiana que sediou — e conquistou — o Mundial daquele ano para a Azzurra. Tudo graças a uma operação de "importações" de jogadores sul-americanos chancelada por ninguém menos que o ditador Benito Mussolini.

Mussolini, uma figura chave na criação do fascismo, governou a Itália com mão de ferro entre 1922 e 1943. Foi com sua aprovação que o país conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 1934, a primeira a ser realizada na Europa. O homem conhecido como Il Duce também não se opôs ao pedido do técnico da seleção, Vittorio Pozzo, para que a Azzurra se reforçasse de jogadores sul-americanos descendentes de italianos.

Mussolini discursando em um comício nas cercanias de Roma em 1934

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Mussolini aprovou a naturalização de sul-americanos para reforçar a seleção italiana no Mundial de 1934

Injeção de 'sangue novo'

Na época, o futebol não tinha regras rígidas de elegibilidade para seleções nacionais, que só surgiram em 1962.

"A Itália tinha — e ainda tem — um sistema de nacionalidade baseada no sangue. Descendentes de italianos nascidos no exterior são considerados parte de uma nação que transcende as fronteiras do país," explica o historiador britânico Simon Martin, radicado em Roma, e especialista na história do 

Autor do livro Futebol e Fascismo: O esporte nacional sob Mussolini, lançado em 2004, Martin ressalta uma diferença crucial entre o fascismo e o regime nazista alemão em sua visão de raça."O fascismo considera que você fortalece a raça italiana trazendo esse sangue diferente, o que é o oposto da eliminação proposta pelos nazistas."

Pôster da Copa do Mundo de 1934

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O regime fascista italiano viu na Copa de 1934 uma oportunidade preciosa de propaganda

O controverso e celebrado Monti

Naquele momento, a América do Sul reinava no futebol. O Uruguai havia ganho o Mundial de 1930 e sido medalha de ouro em duas Olimpíadas consecutivas (1924 e 28), ao passo que a Argentina era vice-campeã mundial e olímpica. Tanto Brasil como Argentina tinham sido o destino de milhares de imigrantes italianos a partir do final do século 19 e já tinham mais de uma geração de oriundi (descendentes).

Foi assim que quatro argentinos, os atacantes Raimundo Orsi, Enrique Guaita Attilio Demaira, bem como o meia defensivo Luis Monti, receberam contratos lucrativos em clubes italianos e a cidadania. A partida de Monti foi um golpe duro para os argentinos, apesar de sua relação com torcedores e a imprensa ter azedado após o Mundial de 1930.

Ele foi um dos primeiros heróis do futebol do país sul-americano. Foi um dos destaques da seleção albiceleste no Mundial, mas teve atuação discreta na final, vencida pelos uruguaios por 4 a 2.

Especulou-se que o meia jogara lesionado e que recebera ameaças de morte antes da partida. A decisão de deixar o país para ir jogar na Juventus esfregou mais sal ainda nas feridas — virou lugar-comum na época acusar o jogador de ter traído o país.

Luis Monti (centro) posa com a seleção italiana antes de uma partida pelo Mundial de 1934

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Monti (centro) tornou-se a primeira — e última — pessoa da história a disputar finais da Copa do Mundo por países diferentes

Sonhos frustrados em 1930

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Fim do Promoção Agregador de pesquisas

O convite de Pozzo também foi estendido ao brasileiro Guarisi. Embora a seleção brasileira estivesse longe do respeito que hoje impõe, tendo sido eliminada na primeira partida na Copa do Mundo de 1930, o ponta-direita era ídolo na Itália.

Nascido em São Paulo em 1905, Guarisi jogara pela Portuguesa e o extinto Paulistano antes de se juntar ao Corinthians e ganhar três títulos paulistas consecutivos entre 1928 e 30. Era nome cotado para representar o Brasil no primeiro mundial e já havia jogado quatro vezes pela seleção brasileira. Só não contava com a briga entre os dirigentes esportivos de São Paulo e Rio de Janeiro — uma rusga que resultou em um boicote à seleção pelos paulistas.

Em 1931, Guarisi aceitou uma proposta da Lazio, clube de Roma que tinha ninguém menos que Mussolini como torcedor. Fez parte do que ficou conhecido como "Brasilazio", um grupo de diversos oriundi brasileiros que defendeu a equipe romana entre 1931-35. Mas o ponta-direita, filho de mãe italiana, foi o único a integrar a Azzurra no Mundial de 1934.

Enrico Guaita empurra a bola para o gol na vitória por 1 a 0 sobre a Áustria pelas semifinais do Mundial de 1934

Crédito,AFP via Getty Images

Legenda da foto,O argentino Guaita (centro), um dos argentinos "importados" pela Itália, marcou o gol da vitória da Azzurra na semifinal contra a Áustria, em Milão

Estava claro que a Itália e Mussolini tinham grandes expectativas para o torneio. Além de um programa de obras que incluiu a construção de quatro novos estádios, por exemplo, o governo fascista subsidiou custos de transporte e acomodação para as seleções visitantes. Também montou uma máquina de propaganda com o objetivo de alardear as supostas benesses do fascismo para o mundo.

A seleção precisava fazer sua parte. Diversos livros sobre a história da Copa do Mundo falam sobre um suposto telegrama com a assinatura de Il Duce recebido pela equipe na véspera da final contra a então Checoslováquia. "Vençam. Ou morram," teria sido a breve mensagem. Em entrevistas à mídia argentina décadas mais tarde, uma das netas de Monti, Lorena, contou que o avô estava ciente de que saltara do frigideira para a fogo.

"Ele me contava que, em 1930, queriam matá-lo se vencesse. Em 1934, matariam-no se perdesse," disse ela.

'Havia 11 homens dentro de campo'

Guarisi jogou a primeira partida da Itália no torneio — uma vitória por 7 a 1 sobre os EUA —, mas se machucou no fim da partida e não participou das quatro partidas restantes, incluindo um controverso jogo contra a Espanha nas quartas-de-final que ficou marcado por acusações de favorecimento aos anfitriões.

Em uma rara entrevista à extinta revista Cruzeiro em 1958, pouco antes da Copa do Mundo vencida pelo Brasil — e que revelou ao mundo um então adolescente Pelé —, Guarisi rejeitou sugestões de favorecimento.

"Havia 11 homens jogando futebol dentro de campo," Guarisi declarou.

Na final, a Itália consagrou-se campeã com uma vitória de 2 a 1 sobres os tchecos.

Foi o início de uma década mágica para o futebol italiano: a Azzurra foi ouro nas Olimpíadas de Berlim (1936) e conquistou o bicampeonato mundial em 1938, derrotando o Brasil na semifinal.

Guarisi se prepara para chutar a bola, observado por um adversário, durante uma partida da equipe italiana Lazio

Crédito,Arquivo/ SS Lazio

Legenda da foto,Guarisi (à direita) jogando pela Lazio nos anos 30

Guarisi já não estava mais a serviço da seleção. Voltara ao Brasil em 1936 e fora recebido como ídolo no Corinthians. Teve uma segunda passagem pela Lazio em 1938 antes de se juntar ao Palmeiras, onde se aposentou em 1941.

Passou o restante de sua vida cuidando de uma mercearia na capital paulistana, afastado do mundo do futebol. Na rara entrevista que deu à revista Cruzeiro, o ex-jogador revelou seu desejo de que o Brasil ganhasse o título.

"Ser o único brasileiro com o título de campeão mundial de futebol é uma glória que não quero ter sozinho, disse. "

O brasileiro morreu em julho de 1974, aos 68 anos. Seu desejo já tinha sido atendido por Pelé & cia em três ocasiões (1958, 62 e 70). Já a Argentina teria que esperar outros quatro anos para finalmente colocar as mãos na taça.

Depois de Guarisi, mais de 40 brasileiros disputariam a Copa do Mundo por outras seleções que não a brasileira. Nenhum, porém, foi campeão.

( Texto transcrito da BBC NEWS BRASIL)

08 julho 2026

O neopentecostalismo tão extremista do campo evangélico foi criado como reação contrária à ala progressista da Igreja Católica.

"Na época da Guerra Fria, o Estado norte-americano viu a Teologia da Libertação e a ala progressista da Igreja Católica como problema geopolítico. Relatórios oficiais dos EUA apontavam a Igreja Católica latino-americana como força de mudança social, especialmente após Medellín e o Vaticano II. Documentos como o de Santa Fé defenderam combater a Teologia da Libertação e houve aproximação entre política externa anticomunista dos EUA, missões evangélicas conservadoras e elites locais.

Pesquisadores como David Stoll tratam a expansão evangélica na América Latina como fenômeno religioso real, com base popular própria, mas ocorrido num ambiente em que Washington via o catolicismo de esquerda como ameaça e setores conservadores dos EUA incentivavam alternativas religiosas anticomunistas.

No Brasil, o crescimento neopentecostal também tem causas internas: urbanização acelerada, crise das comunidades católicas tradicionais, televisão, rádio, empreendedorismo religioso, promessa de cura, disciplina moral, rede de apoio e teologia da prosperidade. Autores como Ricardo Mariano descrevem o neopentecostalismo como “terceira onda” pentecostal, com forte presença midiática, política e empresarial.

E o que vemos hoje é que p neopentecostalismo brasileiro acabou se tornando uma das principais bases sociais e políticas da extrema direita no Brasil. Lideranças religiosas transformaram púlpitos e redes de igrejas em estruturas de mobilização eleitoral, importando também elementos da guerra cultural norte-americana... o anticomunismo permanente, o pânico moral em torno de gênero e s3xualidade e a ideia de uma nação submetida a valores cristãos. Não por acaso o apoio evangélico foi decisivo para a ascensão de Jair Bolsonaro e permanece central para o bolsonarismo."

(extraído do PRAGMATISMO POLÍTICO)

05 julho 2026

Os argentinos, futebolística e sexualmente falando.

Os argentinos, com Javier Peluca Milei e tudo, vivem alardeando que são melhores que nós, brasileños, em tudo e por tudo. Que seu compatriota Messi segue sendo o melhor jogador de futebol do mundo, que eles são os reis do tango e que a Argentina tem a mais farta fartura de carnes que se pode imaginar, todas de sabor deliciosamente insuperável, despertando incontrolável apetite carnal, sendo que essa coisa de veganos por lá não se admite, e eles tratam do assunto na base da faca. Da faca e do espeto, em uma boa churrascaria, esclareça-se. Bueno, bueno, depois daquele humilhante sapecaiaiá de 7x1 que levamos da Alemanha na Copa de 2014, é fato que nosso dantes elevado moral futebolístico anda baixíssimo, estando o Brasil relegado à condição de mero produtor de commodities, ou seja, de jogadores que são vendidos como pés de obra para países da Ásia, Europa, leste europeu ou quaisquer outros que se disponham a comprar nossos craques, já não tão craques assim. Mesmo bem antes do vexaminoso vexame vexatório de 2014 o futebol do Brasil foi descendo de prateleira e a cada nova Copa nos indagamos, aflitos, se mais uma vez iremos confirmar que de fato perdemos a condição de protagonistas e nos tornamos meros coadjuvantes. O fato é que temos que reconhecer que Messi sempre colocou no bolso todos boleiros profissionais dos maiores times em atividade no Brasil e, de lambuja, os que jogam no exterior, sendo que a Copa do Qatar foi a confirmação disso, a prova dos 9. E como no futebol já não podemos cantar de galo, mudemos de assunto e sigamos para uma seara passível de imputações de resvalar pra execráveis conceitos machistas. Se, sin embargo, os argentinos são os reis do tango, as garotas brasileiras são, disparadamente, as rainhas da tanga. E do fio dental. E do biquini asa delta. Nenhuma compatriota de Gardel & Le Pera há de negar isso, ficando los hermanos de queixo caído ao verem uma brasileira caminhando dentro de uma sumaríssima tanga, exibindo toda sua exuberância e abundância numa praia, ou nos dominicais programas de auditório das mais deseducativas TVs desse patropi. Feministas ortodoxas hão de se exaltar, abominar, se indignar, mas, data venia, no quesito farturas carnais, as mui guapas argentinas perdem de goleada para as sempre bem servidas brasileiras, seja em maminha, chuleta, dianteiro ou traseiro. Uma curiosa curiosidade dos curiosos argentinos é que quando estão com uma mulher na cama para um embate sexual, os hermanos só pensam numa coisa: "O Maradona fazia isto muito melhor do que o Pelé!". Nesse tão insólito momento la chica percebe logo que aquela ansiada linguiça que é bom não vai rolar para ela cair de Boca (Juniors). Aí só lhe resta tocar...um tango argentino.
(011210)

03 julho 2026

Copa do Mundo, seleção brasileira, extremismo político, fanatismo religioso.

     Um amigo compartilhou em seu perfil de uma rede social o texto abaixo que li e gostei muito por entendê-lo lúcido, consciente, pertinente e vindo em momento mais que propício. Para que vocês leiam e avaliem, reparto agora com vocês, fiéis, atilados e mui amados leitores.

"COPA: ESTAMOS CONDENADOS A TORCER POR FANÁTICOS RELIGIOSOS

Dos 26 convocados da Seleção Brasileira que vão disputar a Copa do Mundo no Qatar, a ampla maioria dos jogadores tem lado político bem à direita. Outros tantos só sabem agradecer à Deus pelos seus gols e conquistas. A cada vitória dos profissionais da bola evangélicos, frases como "foi o Senhor que me permitiu...", "quero agradecer à Deus por essa vitória...", "Jesus me ajudou neste caminho...". Palavras de agradecimento aos massagistas, roupeiros, porteiros, maqueiros e funcionários dos clubes e da CBF são raras. O próprio caminho trilhado da miséria à glória de muitos desses atletas dificilmente será lembrado pelo esforço próprio e pela luta daqueles que acreditaram e investiram neles. Mais fácil atribuir tudo à Deus de joelhos no gramado e com o dedo apontado para o céu. Fico imaginando se fossem os jogadores árabes à beijar o chão por Alah a cada gol marcado, que escândalo!          Estamos fadados a torcer para uma seleção de jogadores de futebol que mais parecem ter saído de um culto da Assembleia de Deus. A camisa verde e amarela, outrora patrimônio de um povo sofrido e trabalhador, carrega hoje o cheiro e a imagem de tudo aquilo que o Brasil mereceria se livrar: o fanatismo religioso e a intolerância social.                    Se ganhar, bem. Se não ganhar, amém."

(Gorete Lopes)

28 junho 2026

Tabelinha. Entrando de bola e tudo, etc. Decifrando a linguagem do futebol.

                    5.Entrando com bola e tudo

Maria-Chuteira que se preza adora quando um craque malhadão exibe todo seu gingado e parte sem vacilo pra cima da almejada zona do agrião mostrando ter potência e maledurência, indo fundo, adentrando a cobiçada meta com bola e tudo. Aí é aquele delirante delírio, galera!

6. Elemento surpresa vindo de trás
Nunca é demais dizer que o elemento surpresa é decisivo e muitas vezes é preciso uma virada de jogo para satisfazer as gatinhas que estão cada dia mais fogosas, mais exigentes e mais sem barreiras. 

7. Triangulação
 Tem mulher de jogador que acha que um pouco, dois é bom e três é bom pra caraca, que é do cacete. E bote cacete nisto! Toda véspera de jogo o marido boleiro vai para a concentração por ordem do técnico linha-dura do time e lá fica com um monte de barbudos, deixando em casa a excelentíssima. E bote excelentíssima nisto! Já ela, sempre fogosa e insaciável, aproveita para se concentrar em sua alcova com o sempre prestativo Ricardão que chega cheio de amor pra dar, faz um rápido aquecimento secando rapidinho todo o scotch do ausente marido atleta, e depois de  mostrar aqueeeele seu invejável alongamento que sempre deixa a moçoila babando, vai adentrando no maior pique o gramado da ansiosa beldade e para o êxtase da gata, sempre dá aquele vibrante show de bolas.

8. Tabelinha
 Jogadores de futebol juram o tempo todo que tem o maior respeito e amor pela camisa do seu time. Já pela famosa e popular camisinha costumam deixar claro que não sentem o mínimo respeito nem amor algum, demonstrando total desprezo pelos preservativos. De sua parte a voloptuosa maria-chuteira diz que não usa pílula porque não se dá bem com químicas e prefere usar o método da tabelinha, mais natural e saudável. Aí, num retumbante dia a tabelinha falha e a sarada barriguinha da curvilínea moça, moldada em academias, começa a crescer, crescer. O resto é aquela velha história: depois de nove meses um advogado com a cara do Sérgio Mallandro - ié, ié! - aparece na porta da luxuosa-porém-kitsch mansão do mulherengo jogador com um risinho sardônico nos lábios exibindo um teste de DNA numa das mãos e trazendo na outra uma ordem judicial revelando que o lascivo boleiro vai ter, pelo resto de sua vida, de comparecer todo mês com uma reparadora e milionária pensão à maria-Chuteira.
130514

Cruzamentos. Gol de bico, etc. Decifrando a linguagem do futebol.

                                       1. Cruzamentos 

 Quando estão afinzonas de um jogador, as assaz determinadas Marias-Chuteiras costumam usar e abusar dos cruzamentos para que seu alvo - e não estou falando de tom de pele - perceba que está sendo convidado para adentrar o gramado lá delas, que por sinal está sempre em excelentes condições para a prática de um match de muito mais que 90 minutos, com direito a intermináveis prorrogações. 

2.Invadindo a pequena área
 Em tempos pretéritos que longe vão, as donzelas militantes e juramentadas, mesmo subindo pelas paredes e morrendo de vontade de dar, por questões da moral vigente não podiam deixar que a rapaziada do Bráz - ou de qualquer parte -  invadisse suas grandes áreas. Suas pequenas áreas, então, nem pensar. Hoje, com a revolução sexual, está valendo tudo e se o jogador não vai à linha de fundo da parceira um monte de vezes fica mal falado porque atualmente no campo do sexo está valendo tudo e mais um pouco.

 3. Gol de bico
  Recurso muito utilizado no futebol feminino, embora aparente ser um tanto dolorido.

4. Impedimento
  Em certos dias do mês a namorada do jogador costuma exibir um cartão vermelho-sangue para ele, uma coisa verdadeiramente menstruosa, digo, monstruosa. Assim, impedido de penetrar a zona do agrião da sua amada e desejada, o craque sai de campo de cabeças baixas.                                                                        130514

27 junho 2026

Moro: como um juizeco semianalfabeto e lesa-pátria sabotou a democracia do Brasil e escancarou as portas para o extemismo de direita.

                                              ilustração: JOTA CAMELO
"O pior acontecimento da política brasileira nos últimos trinta anos foi a Operação Lava Jato. Travestida de cruzada moral, ela foi um projeto político deliberado, arquitetado para desorganizar o sistema democrático e reconfigurar o país sob o domínio da antipolítica. Sob o discurso da ética, construiu-se um populismo judicial que destruiu reputações, manipulou processos e sequestrou o Estado. O combate à corrupção virou espetáculo midiático de extermínio político e, no fim, o que ruía não era um partido, mas a própria ideia de República. Economicamente, o estrago foi devastador. As maiores empresas nacionais foram arrasadas, o parque industrial desmontado, milhões de empregos perdidos. Em nome da “limpeza”, liquidou-se o que o Brasil tinha de mais estratégico: a engenharia pesada, a Petrobras, o sonho de autonomia energética. A operação que dizia purificar o país o entregou de bandeja ao capital estrangeiro. Politicamente, a Lava Jato foi o laboratório da extrema direita. Alimentou o antipetismo como religião e a antipolítica como moral pública. Substituiu o debate por linchamento, o voto por sentença, a política por ressentimento. O ódio virou método, e o juiz de Curitiba — com o beneplácito da mídia — transformou-se no herói de uma classe média que confundiu destruição com justiça e parece nao ter entendido nada do que isto representou. O resultado foi a corrosão das instituições e o desmonte do pacto civilizatório. A Justiça tornou-se instrumento de guerra; o Ministério Público, partido político; a imprensa, arma ideológica. O moralismo converteu-se em anestesia para o avanço neoliberal e a repressão social. O Brasil, hipnotizado pelo discurso da pureza, cavou a própria ruína. E, como se não bastasse, o país ainda premiou o algoz. Um dos maiores vacilos da história jurídica e política brasileira foi o alívio concedido a Sérgio Moro — o homem que sabotou a democracia, interferiu em eleições e destruiu a confiança na Justiça. Ele jamais poderia ter sido candidato, jamais poderia ocupar cargo público. Sérgio Moro deveria estar fora da vida pública e preso. Porque é, objetivamente, um criminoso. Há um lavajatismo redivivo no sistema jurídico brasileiro, espalhado como mofo nas paredes do poder. A operação foi formalmente enterrada, mas sua teologia moral segue viva. Na mais alta corte, Luiz Fux reocupa o púlpito da cruzada judicial, enquanto no Ministério Público Federal o espírito de Curitiba renasce com novos apóstolos. O procurador-geral Paulo Gonet abriga em torno de si o mesmo núcleo ideológico que deu sustentação à farsa original — e ali, à sombra do cargo, atua Januário Paludo, o mentor intelectual de Moro, o “guru” que moldou o lavajatismo como se fosse doutrina de fé. Esse vírus institucional também contaminou a Polícia Federal, onde segmentos inteiros ainda operam segundo o manual do espetáculo e da perseguição seletiva. É o velho moralismo punitivista, agora travestido de técnica, infiltrado em inquéritos e vazamentos calculados. O Estado brasileiro continua refém de corporações que confundem poder com virtude e impunidade com justiça. E enquanto essa casta se protege, o país permanece ferido. Sérgio Moro é o símbolo máximo dessa degradação — e o fato de ele estar livre, eleito e com foro é uma afronta à decência. Ele deveria estar fora da vida pública e preso. Porque é, sem disfarces, um criminoso."

Texto de Ricardo Queiroz                (050326)

25 junho 2026

Sábios primeiros parágrafos reciclados da literatura. Melville, Proust, LFV, Nabokov...

Início de ‘Moby Dick’ ganhou uma paródia do grande Verissimo, mas o da abertura de ‘Anna Kariênina’ é favorito
 
por Sérgio Augusto,
em O Estadão
Nos seis únicos romances de Luis Fernando Verissimo, agora reeditados e acondicionados numa caixa pela Alfaguara, o que mais me seduziu foi mesmo o primeiro que ele, relutantemente escreveu: O Jardim do Diabo. Custou-lhe mais aceitar o desafio de seguir os passos do pai e arcar com as inevitáveis comparações do que produzir uma obra ficcional de encomenda, como foi o caso de O Jardim do Diabo.O que nela me comprou? Suas duas irresistíveis frases de abertura:“Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome é Estevão.”            LFV não foi o primeiro a parodiar o mítico exórdio de Moby Dick, de Herman Melville, mas, afora Harvey Kurtzman, na revista Mad, ninguém o fez com mais graça.
Parágrafo inicial do clássico "Moby Dick", de Hermann Melville, ilustrdo por Rockwell Kent em 1930 Rokwell Kent)
Parágrafo inicial do clássico "Moby Dick", de Hermann Melville, ilustrdo por Rockwell Kent em 1930 Rokwell Kent) Foto: Rokwell Kent

Estevão, o narrador do paródico thriller, é um escritor de bagatelas policiais e de espionagem vendidas em bancas de jornal. Há outras referências melvilleanas na história, que me abstenho de abordar porque meu tema de hoje são, et pour cause, as grandes frases de abertura do romanceiro mundial. “Me chame de Ismael” é uma delas.                                              Já a vi encimando inúmeras listas de preferidas da categoria, lúdica frivolidade intelectual em que uma palavra (“Nonada”, Grande Sertão: Veredas; “riverrun”, Finnegans Wake) tem o mesmo peso das 465 com que García Márquez abre o empolgante primeiro parágrafo de Cem Anos de Solidão.                         Se seguida de um ponto em vez de uma vírgula, “Lolita”, a primeira palavra do epônimo romance de Nabokov, compartilharia esse rol com “nonada” e “riverrun”. Mas seu destacado lugar no pódio é indisputável e eterno, em qualquer idioma. Na tradução de Jorio Dauster, ficou assim:                                                  “Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.”                                                          Nem sempre um inspirado introito precede um grande romance – e a recíproca é verdadeira. Como o de tantos outros clássicos da literatura (vide No Caminho de Swann, de Proust), o começo de A Montanha Mágica, por exemplo, com o “jovem singelo” Hans Castorp a viajar, “em pleno verão”, de Hamburgo a Davos-Platz, chega a ser prosaico.                          Tolstoi, aliás, só satisfez os dois quesitos em Anna Kariênina: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. Esta é uma das favoritas do leitorado mundial, disputando em citações com o horripilante despertar de Gregor Samsa em A Metamorfose (Kafka), “o melhor dos tempos e o pior dos tempos” de Um Conto de Duas Cidades (Dickens), e esta reflexão sobre o passado de L.P.Hartley na primeira linha de O Mensageiro (The Go-Between): “O passado é um país estrangeiro; lá as coisas são feitas de maneira diferente”.   Se já comprei vários livros atraído pela capa, em outros mais de ficção já mergulhei estimulado por seus primeiros parágrafos, comumente espreitados de pé numa livraria. Tal foi o caso de O Mundo Segundo Garp, de John Irving. Bati os olhos no primeiro parágrafo (“A mãe de Garp, Jenny Fields, foi presa em Boston em 1942 por ferir um homem num cinema”), fechei o volume e, doido para conhecer aquela audaciosa mãe e sua história, fui direto ao caixa fechar minhas compras. Como qualquer escolha, a de melhores aberturas é tremendamente pessoal e não raro idiossincrática. Não creio me distanciar muito dos habituais escolhidos, e conheço pelo menos meia dúzia de pessoas que também se aproximaram da ficção de Carson McCullers pelo feitiço de seus títulos (O Coração é um Caçador Solitário, A Balada do Café TristeRelógio Sem Ponteiro) e pelo lapidar prelúdio de Reflexos Num Olho Dourado: “Uma base militar em tempos de paz é um lugar enfadonho.”Enfadonho, mas não sem novidades e excitação o tempo todo, como sabem os que leram o livro ou apenas viram a decepcionante adaptação dirigida por John.                           (030223)

22 junho 2026

Mulher de Câncer no Horóscopo de Vinicius de Moraes

Você nunca avance
Em mulher de Câncer.
Seu planeta é a Lua
E a lua, é sabido,
Só vive na sua.
É muito apegada
E quando pegada
Pega da pesada.
É mulher que ama
Com muito saber
No tocante à cama
Não sei lhe dizer...