24 junho 2026

Pequenas dicas para deixar você por dentro das terminologias do futebol usados na Copa do Mundo/ Parte 2 de 2

                    5.Entrando com bola e tudo

Maria-Chuteira que se preza adora quando o craque malhadão mostra seu gingado e parte com tudo pra cima da meta com toda sua potência e maledurência, indo fundo e adentrando a tão desejada meta com bola e tudo. Aí é aquele delírio, galera!

6. Elemento surpresa vindo de trás
Nunca é demais dizer que o elemento surpresa é decisivo e muitas vezes é preciso uma virada de jogo para satisfazer as gatinhas que estão cada dia mais fogosas, mais exigentes e mais sem barreiras. 

7. Triangulação
 Tem mulher de jogador que acha que um pouco, dois é bom e três é bom pra caraca, que é do cacete. E bote cacete nisto! Toda véspera de jogo o marido boleiro vai para a concentração por ordem do técnico linha-dura do time e lá fica com um monte de barbudos, deixando em casa a excelentíssima. E bote excelentíssima nisto! Já ela, sempre fogosa e insaciável, aproveita para se concentrar em sua alcova com o sempre prestativo Ricardão que chega cheio de amor pra dar, faz um rápido aquecimento secando rapidinho todo o scotch do ausente marido atleta, e depois de  mostrar aqueeeele seu invejável alongamento que sempre deixa a moçoila babando, vai adentrando no maior pique o gramado da ansiosa beldade e para o êxtase da gata, sempre dá aquele vibrante show de bolas.

8. Tabelinha
 Jogadores de futebol juram o tempo todo que tem o maior respeito e amor pela camisa do seu time. Já pela famosa e popular camisinha costumam deixar claro que não sentem o mínimo respeito nem amor algum, demonstrando total desprezo pelos preservativos. De sua parte a Maria-Chuteira diz que não usa pílula porque não se dá bem com químicas e prefere usar o método da tabelinha, mais natural e saudável. Aí, num retumbante dia a tabelinha falha e a sarada barriguinha da moça, moldada em academias, começa a crescer, crescer. O resto é aquela velha história: depois de nove meses um advogado com a cara do Sérgio Mallandro - ié, ié! - aparece na porta da luxuosa-porém-kitsch mansão do jogador com um risinho irônico nos lábios, exibindo um teste de DNA numa das  mãos e trazendo na outra uma ordem judicial  mostrando que o boleiro vai ter, pelo resto de sua vida, de morrer todo mês com uma milionária pensão à Maria-Chuteira.
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Pequenas dicas para deixar vocè por dentro das terminologias do futebol usadas na Copa do Mundo/ Parte 1 de 2

                                       1. Cruzamentos 

 Quando estão afinzonas de um jogador, as assaz determinadas Marias-Chuteiras costumam usar e abusar dos cruzamentos para que seu alvo - e não estou falando de tom de pele - perceba que está sendo convidado para adentrar o gramado lá delas, que por sinal está sempre em excelentes condições para a prática de um match de muito mais que 90 minutos, com direito a intermináveis prorrogações. 

2.Invadindo a pequena área
 Em tempos pretéritos que longe vão, as donzelas militantes e juramentadas, mesmo subindo pelas paredes e morrendo de vontade de dar, por questões da moral vigente não podiam deixar que a rapaziada do Bráz - ou de qualquer parte -  invadisse suas grandes áreas. Suas pequenas áreas, então, nem pensar. Hoje, com a revolução sexual, está valendo tudo e se o jogador não vai à linha de fundo da parceira um monte de vezes fica mal falado porque atualmente no campo do sexo está valendo tudo e mais um pouco.

 3. Gol de bico
  Recurso muito utilizado no futebol feminino, embora aparente ser um tanto dolorido.

4. Impedimento
  Em certos dias do mês a namorada do jogador costuma exibir um cartão vermelho-sangue para ele, uma coisa verdadeiramente menstruosa, digo, monstruosa. Assim, impedido de penetrar a zona do agrião da sua amada e desejada, o craque sai de campo de cabeças baixas.                                                                        130514

22 junho 2026

Mulher de Câncer no Horóscopo de Vinicius de Moraes

Você nunca avance
Em mulher de Câncer.
Seu planeta é a Lua
E a lua, é sabido,
Só vive na sua.
É muito apegada
E quando pegada
Pega da pesada.
É mulher que ama
Com muito saber
No tocante à cama
Não sei lhe dizer...

20 junho 2026

Brasil. De repente a gente cai em si e se pergunta: "De onde saiu tanto feladaput(*)?!?!?!" .

Uma das mais antológicas e memoráveis postagens das redes sociais é essa frase em negrito logo aí abaixo que, apesar de lapidar como poucas, passou despercebida para muita gente desatenta desse auriverde torrão de um povo profissional em desatenções, mormente as de ordem política e social. Surgiu como um incontível desabafo que traduz de forma simples e direta o instante em que os mais execráveis extremistas bozolóides saíram das sombrias catacumbas em que se ocultavam há um espaço de tempo. Por não se sentirem seguros, evitavam dar bandeira, mantinham-se ocultos, camuflados, até o momento que uma súbita sensação de segurança total se apossou de suas deploráveis mentes ao constatarem que a partir de certo momento da História desse Brazil-zil-zil finalmente tinham um líder que os representava em suas malsãs determinações. Então eles, muitos empunhando armas fumegantes, afloraram com estrondoso alarde ao mundo dos seres civilizados, equilibrados. Num chocante atropelo, sequestraram para si as cores pátrias e, trajando camisa da CBF, invadiram as ruas em manadas berrando serem eles formidáveis patriotas, quando em verdade sempre fizeram de tudo para destruir quaisquer traços de progresso, realizações, empatia e humanismo dessa Nação tropical, almejando com sua fúria transformar a maior democracia de toda a América Latina em nova sangrenta ditadura comandada por um traste abjeto, de conduta nazifascista, retrógrado, misógino, homofóbico, xenofóbico, aporofóbico, racista, entreguista, lesa-pátria, de propósitos catastróficos, esgares constantes e permanente riso alvar. O autor da definitiva frase abaixo reproduzida, postada no X em 9 de julho de 2019, é um jornalista chamado Fabio Pannunzio. Mais que um questionamento, a dita frase é uma afirmação que encerra indignada surpresa ao constatar o incalculável número dos mais asquerosos dejetos humanos que deixaram seus mais fétidos esgotos no raiar da destrutiva era bozolóide, ganharam incompreensível e ameaçador protagonismo com direito a câmeras, microfones, perfis de redes, podcasts, horários ditos nobres. Como qualquer praga, propagaram-se rápido e hoje - com jeitão de "daqui não saio, daqui ninguém me tira" - ocupam, intimidantes, ambientes comerciais, domésticos, escolares, esportivos, eclesiásticos, trioeletrizantes carnavais e o mais amplo escambau, até mesmo OABzísticas gentes e entidades, bem como suspeitíssimos consultórios de psiquiatria e psicologia (não como pacientes, mas - acreditem - como profissionais que indicam ortodoxias religiosas a título de soluções terapêuticas (!). São catervas inteiras que, assolantes, empinantes, escoiceantes, insistem em atormentar nossos demócráticos e solares dias.

FABIO PANNUNZIO
@blogdopannunzio
"Olho ao redor e me pergunto: de onde saiu tanto filho da puta? Tanta gente assumidamente perversa, mau-caráter, invejosa e cruel? O Brasil de hoje parece o set de Walking Dead. Bastou um aceno para os fantasmas saírem do Hades e virem assombrar as ruas."

18 junho 2026

O Fundamentalismo neopentecostal, Israel,Teoria do Domínio: a periculosa mudança teológica que ameaça o Brasil e o mundo.

Um dos mais danosos equivocos da humanidade é julgar que as religiões e líderes religiosos são inquestionáveis fontes de benevolência, de verdade, uma ponte segura entre os fiéis e a deidade em que creem, bem como uma porta aberta para um sagrado reino divino que almejam desfrutar. Os mais atilados sabem que não é bem assim. As religiões por vezes podem ocultar sórdidas manipulações, ganâncias financeiras estupendas, líderanças maléficas e perigos de consequências inimagináveis. A propósito, assistam ao vídeo abaixo.

17 junho 2026

Sábios primeiros parágrafos reciclados da literatura. Melville, Proust, LFV. A literatura construída por escritores e poetas maiores.

Início de ‘Moby Dick’ ganhou uma paródia do grande Verissimo, mas o da abertura de ‘Anna Kariênina’ é favorito
 
por Sérgio Augusto,
em O Estadão
Nos seis únicos romances de Luis Fernando Verissimo, agora reeditados e acondicionados numa caixa pela Alfaguara, o que mais me seduziu foi mesmo o primeiro que ele, relutantemente escreveu: O Jardim do Diabo. Custou-lhe mais aceitar o desafio de seguir os passos do pai e arcar com as inevitáveis comparações do que produzir uma obra ficcional de encomenda, como foi o caso de O Jardim do Diabo.O que nela me comprou? Suas duas irresistíveis frases de abertura:“Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome é Estevão.”            LFV não foi o primeiro a parodiar o mítico exórdio de Moby Dick, de Herman Melville, mas, afora Harvey Kurtzman, na revista Mad, ninguém o fez com mais graça.
Parágrafo inicial do clássico "Moby Dick", de Hermann Melville, ilustrdo por Rockwell Kent em 1930 Rokwell Kent)
Parágrafo inicial do clássico "Moby Dick", de Hermann Melville, ilustrdo por Rockwell Kent em 1930 Rokwell Kent) Foto: Rokwell Kent

Estevão, o narrador do paródico thriller, é um escritor de bagatelas policiais e de espionagem vendidas em bancas de jornal. Há outras referências melvilleanas na história, que me abstenho de abordar porque meu tema de hoje são, et pour cause, as grandes frases de abertura do romanceiro mundial. “Me chame de Ismael” é uma delas.                                              Já a vi encimando inúmeras listas de preferidas da categoria, lúdica frivolidade intelectual em que uma palavra (“Nonada”, Grande Sertão: Veredas; “riverrun”, Finnegans Wake) tem o mesmo peso das 465 com que García Márquez abre o empolgante primeiro parágrafo de Cem Anos de Solidão.                         Se seguida de um ponto em vez de uma vírgula, “Lolita”, a primeira palavra do epônimo romance de Nabokov, compartilharia esse rol com “nonada” e “riverrun”. Mas seu destacado lugar no pódio é indisputável e eterno, em qualquer idioma. Na tradução de Jorio Dauster, ficou assim:                                                  “Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.”                                                          Nem sempre um inspirado introito precede um grande romance – e a recíproca é verdadeira. Como o de tantos outros clássicos da literatura (vide No Caminho de Swann, de Proust), o começo de A Montanha Mágica, por exemplo, com o “jovem singelo” Hans Castorp a viajar, “em pleno verão”, de Hamburgo a Davos-Platz, chega a ser prosaico.                          Tolstoi, aliás, só satisfez os dois quesitos em Anna Kariênina: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. Esta é uma das favoritas do leitorado mundial, disputando em citações com o horripilante despertar de Gregor Samsa em A Metamorfose (Kafka), “o melhor dos tempos e o pior dos tempos” de Um Conto de Duas Cidades (Dickens), e esta reflexão sobre o passado de L.P.Hartley na primeira linha de O Mensageiro (The Go-Between): “O passado é um país estrangeiro; lá as coisas são feitas de maneira diferente”.   Se já comprei vários livros atraído pela capa, em outros mais de ficção já mergulhei estimulado por seus primeiros parágrafos, comumente espreitados de pé numa livraria. Tal foi o caso de O Mundo Segundo Garp, de John Irving. Bati os olhos no primeiro parágrafo (“A mãe de Garp, Jenny Fields, foi presa em Boston em 1942 por ferir um homem num cinema”), fechei o volume e, doido para conhecer aquela audaciosa mãe e sua história, fui direto ao caixa fechar minhas compras. Como qualquer escolha, a de melhores aberturas é tremendamente pessoal e não raro idiossincrática. Não creio me distanciar muito dos habituais escolhidos, e conheço pelo menos meia dúzia de pessoas que também se aproximaram da ficção de Carson McCullers pelo feitiço de seus títulos (O Coração é um Caçador Solitário, A Balada do Café TristeRelógio Sem Ponteiro) e pelo lapidar prelúdio de Reflexos Num Olho Dourado: “Uma base militar em tempos de paz é um lugar enfadonho.”Enfadonho, mas não sem novidades e excitação o tempo todo, como sabem os que leram o livro ou apenas viram a decepcionante adaptação dirigida por John.                           (030223)

14 junho 2026

Trump e seu irmão gêmeo, o Irã, Israel, a Palestina, o mundo.

Alguém aí na plateia deste blog sabe dizer quem foi um matusquela chamado Tiú França, elemento ligado ao bolsonarismo, delirantemente fanatizado por paranoias produzidas pelo gabinete do ódio da familícia e pelos discursos belicistas vomitados a todo instante por Bozonazi? Segundo o que foi apurado pela PF, no ano de 2024, o delirante Tiú tentou adentrar o prédio do STF com explosivos para lá dentro causar uma demolidora explosão mas, felizmente, não conseguiu o acesso pretendido. Vai daí, munido de alguns petardos e uns tantos fogos de artifício, levou a cabo o que seria um atentado político, o que resultou em uma vítima fatal na Praça dos Três Poderes, em Brasília. A motivação para o insólito atentado é algo sem resolução vez que o único que poderia decifrar tal enigma seria o enigmático Tiú França, não fora justamente ele a supracitada e desditada única vítima fatal nesse mencionado ato extremista de obscuras razões, motivações, estratégias.   
Falamos do quase anônimo Tiú França e seu intento de explodir pessoas. Falemos agora de um seu irmão, sendo que esse é famoso e nasceu nos Istêites, mas também é feito de intenções igualmente belicosas e insanas. Eis que tal ianque brother anda aprontando no Oriente Médio, tratando-se de ninguém menos que o presidente dos EUA, Donald Trump que, com sua habitual arrogância, pôs fogo ao estopim que pode levar o mundo à III Guerra Mundial, provavelmente a definitiva já que pode redundar no extermínio dos povos, das nações, de todo este planeta Terra. E se digo todo, evidentemente que isso inclue uma certa visgueira na Baixa da Égua que este escriba sói frequentar com o precípuo escopo de sorver umas capitosas canjibrinas, uns milomes e umas erva pôdi que me revigoram e me livram das minhas tensões cotidianas que em muito se ampliaram nesses tempos de extremismos bozonarísticos. Ora, uma absurda violação de direitos de tal magnitude os democratas do mundo não podem admitir. 
É fato notório que em fevereiro desse corrente ano de 2026 o agalegado irmão de Tiú, dando uma demonstração de poderio militar - um aviso extensivo e ostensivo aos países do mundo - bombardeou o Irã assassinando o Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, e achou que isso bastaria para que o Irã se rendesse sem revides como quando, adotando o modus operandis dos mais saqueadores piratas dos mares do Caribe, invadiu a Venezuela pra tomar na mão grande o petróleo do povo venezuelano. Só que o Irã não é a Venezuela e, embora tenha imenso poderio militar, Donald Epstein Files Trump não é o grande estrategista que julga ser. Ainda é precoce falar, mas pra dizer a verdade, no caso em pauta o pretenso estrategista Trump mais parece uma cópia do também pretenso estrategista Tiú França. Como gritante diferença, Trump tem um arsenal nuclear, coisa que Tiú França não tinha. Além do que Tiú era calvo e não escondia do mundo sua calvície, enquanto Trump, irresignável com sua alopecia, insiste em ostentar sobre sua beligerante cabeçorra uma reluzente peruca em tons fulvos que a brisa dos Istêites beija e balança. Fora esses insignificantes detalhes, Trump e Tiú França são irmãos gêmeos.           (100326)

12 junho 2026

Um amor instável sujeito a chuvas e trovoadas que você não ia querer pra sua vida.

Com minha inadvertida aquiescência essa moça adentra um dia meu viver trazendo consigo generosas braçadas de olentes flores que vai depositando em cada cômodo de minha quase misantrópica ânima tornando fúlgida e álacre minha jornada e mais felizes e iluminados meus passos por urbes e orbe. 
Inesperadamente, em dessemelhante dia, essa mesmíssima moça, com gestos impacientes e determinados, arrebata de mim seus ramalhetes, suas corbelhas, seus buquês e os leva, certamente para perfumar almas outras. Não se vai com a mesma delicadeza com que veio, antes dá uma aula de como, com marcial determinação, é possível deletar alguém de sua vida afetiva não permitindo ao outro a possibilidade de esboçar a mínima reação. Sem titubear, toma dos meus pincéis e tintas, rabisca palavras de ordem e beligerantes frases na parede dantes imaculada de meu quarto, rasga em tiras meus lençóis de pura seda, despedaça meus cristais da Bavária, transmuta em cacos toda minha porcelana chinesa, picota em pedacinhos minúsculos minha coleção de Estampas Eucalol, pulveriza meus CDs do Zeca Baleiro, sapateia sobre meu pôster de Lennie Dale e esfrangalha os meus mais amados álbuns de HQs. Estrepitante, bate a porta atrás de si e esgueirando-se pelas esquinas e quebradas deste mundo, mundo, vasto mundo, finda por desaparecer de minha vida de forma cabal, definitivamente.
Definitivamente, eu disse? Diante dos estragos causados pelos seu cataclismo pessoal nada diverso disto se poderia supor. Pois eis que, passado um tempo não tão largo assim, sabe-se lá por quais insondáveis razões, como se nada do que sucedeu houvesse de fato acontecido, essa moça reaparece em cena, enviando-me um inesperado e intrigante e-mail o qual, por mais que eu tente, não logro decifrar o almejado escopo. Em seguida, não satisfeita, com suas artes ela consegue o número do meu telefone e com uma voz dulcíssima, de timbre suave, me diz um amontoado de coisas que me soam pouco claras, até enigmáticas, das quais inutilmente tento traduzir o sentido e as reais intenções. A meio uma tempestade de emoções, um vendaval de sentimentos conflitantes, intento fugir, mas é inútil já que ela tem a capacidade de antever meus passos, me cercar os caminhos. Até que em um alucinado momento as minhas mãos - que a mim deveriam mostrar respeito e fidelidade - sem esperarem que eu com elas concorde, saltam insidiosas e vão deslizando pelo teclado do meu PC, digitando, escrevendo o que bem entendem, frases e palavras que revelam os meus segredos mais guardados, os desejos mais ocultos, as carências mais inconfessáveis e depois, sem esperar qualquer vênia ou autorização de minha parte, enviam para essa moça. 
Como dessa senhorita jamais adivinho as ações, não posso dizer que fico pasmo quando ela - depois de haver me procurado com tanta insistência - nada comenta sobre tais inconfidências de coisas tâo íntimas que minhas mãos insidiosamente lhe escreveram, queda-se silente, faz a egípcia. E nada responde sobre o que lhe foi escrito, não retruca, não aplaude, não discorda, não concorda, não tripudia, não contesta, não me provoca com um esgar jocoso em sua face enquanto me mostra a língua, não me exibe o dedo da mão erguido no obsceno gesto, não sai em insana disparada pelas ruas, ladeiras, praças, vielas, veredas, alamedas e bulevares emitindo ensandecidos gritos que demonstrem alvoroçada alegria ou estridente raiva. Seu silêncio é um brado eloquente que, diuturno, reverbera em todo meu ser
(111114)

11 junho 2026

Aviamentos, atavios e uma estilista mui estilosa.

Em algum momento dessa aventura humana na Terra aqui nesse mundo, mundo, vasto mundo, todo e qualquer vivente já sentiu n'alma a sensação de haver ficado fora de moda. Menos ela. Ela nunca. Não sentiu, não sente, não haverá de sentir. Jamais ultrapassada, cafona, demodée, suas mãos são feitas de seda, sua epiderme é do mais macio tecido que alguém já pôde tocar. Esse planeta azulzinho é todo ele uma passarela infindável por onde ela, segura, desfila seu garbo, sua classe. Jamais perde a linha. Sem pedantismo ou arrogância, sem alfinetar ninguém, desencanada, sua simplicidade é modal. Em matéria de sedução, nunca é mini, é sempre maxi ao máximo. Usa évasée, sem ser evasiva. Sua blusa suscita expectativas maliciosas: tomara que caia, tomara que caia! Quando sai à rua com seu vestido grená ela mexe com o juízo do homem que vai desenhar. Jesus me defenda! Ai de mim que bem sei - ah, e como sei! – o que há debaixo daquele seu vestido de bolero-lero-lero, valei-me, meu Senhor do Bonfim! Pouco ou nada posso dizer de suas rendas, mas assevero que onde quer que esteja esbanja estilo. Bem mais que estilosa, é uma estilista. E das mais recomendáveis. Ao seu toque, uma singela tesoura vira tesouro. Mal ela chega ao seu atelier, os manequins da vitrine ficam indóceis, se alvoroçam e não há quem os contenha.  Afinal, ela é uma linda e rara rosa, feita de negro veludo, viçosa e cobiçada. Quanto a mim, sou só um prosaico cravo que já enfeitou algumas lapelas em efemérides festivas. Malgré tout, ornamos. Um dia, deu-lhe na telha e cobriu-me a mim com seus delicados atavios e do meu tecido bruto fez um terno. Meu coração se tornou uma festa, daquelas elegantes às quais se vai de fraque, luvas, cartola, black-tie. Convidei-a para entrar, não por mera etiqueta mas por sincera vontade. Limitou-se a sorrir e com seus dedos delicados, sem um dedal protetor, valendo-se de agulhas e carretéis, sem medir consequências costurou minh’alma à sua, ponto por ponto, atando-me com suas linhas. Desde então desconfio que me tornei uma das peças integrantes de suas muitas coleções, talvez outono/inverno, quiçá primavera/verão. Sei que não é pouco. Partindo dela, vale muitíssimo. É como abiscoitar o prêmio Agulha de Ouro da Alta Costura em Milão.             (251115)

08 junho 2026

Futiból, a grande Paichãu Nassionau, Caetano Veloso, e tudu çerto nu Brazil .

A arte que modesta, insistente e mui temerariamente busco produzir divido entre o tentar escrever, o buscar desenhar e o pretender pintar. Quando enveredo pelo desenho faço cartuns, quadrinhos, ilustrações. Ao pintar, por vezes incorporo um pouco, só um pouquinho, do espírito critico que transita pelos cartuns como bem se pode entrever pela pintura que ilustra esta postagem construída com tons verde e amarelos almejando me valer do subliminar para dizer que nessa auriverde nação as coisas estão certas, muito certas, tão certas como dois e dois são cinco, como nos versos da formidável canção do formidável Caetano Veloso. Também busco inspiração no regional e no cotidiano urbano. Outra temática recorrente na pintura que faço é mesmo o chamado esporte bretão, o futebol, essa grande passione do povo nada bretão que habita este país afro-luso-indígena, malgrado alguns retumbantes fracassos da nossas mais recentes seleções canarinho, tanto em nossos estádios como em outras praças de esportes mundo afora. Os atuais boleiros que vestem a camisa amarelo-canário do dito escrete nacional, muitos vinculados às biliardárias multinacionais do esportes, estão mais para popstars que para atletas de induvidoso respeito. Como nunca é demais citar o iluminado Caetano, tais boleiros contemporâneos não são proveito, são pura fama. Todos, de forma mui conveniente, usurfruem do conceito extremamente positivo construido com méritos por gerações formadas por grandes jogadores que os precederam décadas atrás. Não nos esquecemos de que de 1958 a 1970, disputando quatro Copas do Mundo a seleção canarinho ganhou nada menos que três, deixando os torcedores de todo o planeta extasiados, siderados, apaixonados. Tempos mágicos de Garrincha, de Pelé e outros garbosos cracaços que em épocas outras vestiam a camisa do Brasil com raro talento e, sobretudo, com honra, fibra e genuíno orgulho pátrio. Bons tempos, bons tempos!
230110

03 junho 2026

A inexcedível influência política de Little Banana junto a Trump e os bastidores da White House.


Um imperioso aviso aos habitantes dessa auriverde Nação: Dudu Bananinha não aceita mais ser chamado dessa forma no Brasil. Cansado de aguardar do governo ianque sua ardentemente desejada cidadania estadunidense, o prófugo membro da familícia se autoconcedeu-se a si mesmo essa sua cobiçada cidania com direito a green-yellow card. Destarte, já considerando-se um genuíno cidadão dos EUA, Dudu agora exige ser chamado de Ed Little Banana ou, simply, Little Banana. Também conhecido em nosas plagas como Cabeça de Mounjaro, esse desprezível quinta-coluna, entreguista e lesa-pátria ganhou amplos espaços na imprensa corporativa e nas redes sociais vociferando graves ameaças de atormentar com sanções trumpistas a economia e os destinos desse país varonil, também aventando que nós aqui estamos no lucro pois "Trump ainda não jogou uma bomba nuclear no Brasil". Deixou claro que só leva em conta seus elevados interesses extremistas, sem se importar que bombas nucleares não são programadas para seletivamente matar apenas progressistas, o que significaria exterminar milhares de seus próprios apoiadores bozonaristas, os chamados patriotários, que o potroarca da familícia já chamou publicamente de malucos. Ao lado de seu cúmplice, neto de falecido ditador amante de olorosos equinos, Little Banana vive bradando aos quatro ventos e aos sete mares que tem enorme influência política nos Istêites, que conta com a proteção, o apoio e a amizade pessoal de Donald Trump e que por isso desfruta de irrestrito trânsito pelos corredores da White House. Seu irmão Flavio Rachadona, acaba de publicar pelas redes uma foto que os mais sensatos e observadores juram não passar de IA, mostrando Rachadão ao lado do Big Carrot em uma imutável pose. Já Little Banana, a título de provas incontroversas dessas suas grandiloquente afirmações, publicou dezenas de fotos como esta acima, dele com seu partner, um fugitivo da Justiça brasileira. A bem da verdade, qualquer vivente que tenha mais de dois neurônios não há de engolir essas pretensas provas irrefutáveis que seriam as fotografias publicadas em redes e imprensa corporativa, vez que elas não mostram Banana e seu comparsa transitando altivamente pelo interior da referida White House, aquela cujos corredores o Mr. PokaPika alega frequentar com privilegiada pompa e circunstância. Apenas os mostram outside, ou seja, do lado de fora, bem fora, dos portões whitehouzísticos, no mesmo ponto da calçada em que se aglomeram grupos de turistas nipônicos e todos os visitantes anônimos, sendo ali que ambos posaram para a posteridade exibindo uma insuperável donkey moral (moral de jegue).                          (070326)

02 junho 2026

Amores Perros, de Alejandro Iñárritu. Revendo um Cinema feito por quem sabe fazer Cinema.

Há toneladas de filmes na história do cinema que nada de importante dizem ou propõem, feitos por diretores que nada têm a dizer ou a propor. São meros produtos comerciais feitos com o objetivo de gerar lucros econômicos, fabricados para atender a uma grande faixa de público não muito exigente, que acorre às salas de projeção buscando um filme feito para proporcionar momentos de relax, construídos com uma narrativa nem um pouquinho complicada, repleta de lugares comuns, cheias de momentos déjà vu, de moral e desfecho previsíveis, atores bonitos e carismáticos, alguns efeitos especiais para enfeitar o bolo e, ainda por cima, dublado, que esse negócio de ler legendas e olhar imagens é coisa intolerável. Quem achar que são uma boa pedida que os assista e sejam felizes. Quanto a este filho de meu pai, ele sempre quer películas das melhores, vai daí essa semana dei uma navegada pelos mares da internet, procurei, achei e revi um filme lançado no Brasil no ano 2000, Amores perros (título brasileiro, Amores brutos), com o áudio original, um filme do qual gosto muito, pois, felizmente, há diretores e filmes que não compactuam com a mediocridade geral que assola o grande écran, diretores como o criativo e inovador cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, que o digam os que assistiram seu Birdman, de 2014, com Michael Keaton. Amores perros é, surpreendentemente, o filme de sua estreia em longa-metragens. E que estreia! O filme é um soco no estômago que tira o fôlego do espectador, tão emocionante é, tão bem escrito é, tão bem dirigido, interpretado e montado é. Entre os atores, se sobressai a figura de um Gael Garcia Bernal bem jovem que, com a visibilidade adquirida a partir dessa película, foi guindado à condição de astro internacional, filmando com renomados cineastas outros, entre eles, Pedro Almodóvar e nosso Walter Moreira Salles, entre outros. Ousado, emocionante, iconoclasta, criativo, surpreendente, Amores perros é feito de narrações e sub-narrações, histórias e personagens de mundos diferentes que acabam se cruzando pelo imponderável da vida. Fortes emoções são reservados ao espectador que não consegue adivinhar como será a próxima cena nem as soluções dos conflitos expostos, em meio ao amor, à paixão, a uma chocante violência urbana, tudo alinhavado por Iñárritu de uma forma em que os perros do título são fatores determinantes na deflagração de conflitos em que imperam emoções incomuns que tomam conta do espectador. Para os que apostam em filmes comerciais medíocres para angariar lucros, é bom dizer que Amores perros é uma das grandes bilheterias do cinema, o quinto em toda a história do cine mexicano. E o filme não precisou se valer da mediocridade, do lugar-comum e de velhas fórmulas para seu êxito comercial.
(061216)

31 maio 2026

Mulher de Gêmeos no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que quer 
Mas tirante isso 
É boa mulher 
A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que diz
Mas tirante isso 
Faz o homem feliz 
A mulher de Gêmeos
Não sabe o que faz 
Mas por isso mesmo 
É boa demais...
(090515)

29 maio 2026

Trump, pedofilia, psicopatia e o definitivo fim da aventura humana na Terra, León Gieco, Mercedes Sosa.

Gravíssimo é esse momento que o mundo atravessa agora que o destino dos povos e o futuro de todas as etnias desse planeta em que habitamos encontra-se perigosamente em mãos de um pulha envolvido em pesados e tristes acontecimentos de pedofilia e crimes outros, insano, insensível, desprezível, sem o mínimo de empatia, fisicamente de corpo rotundo pelo qual se distribuem toneladas de maldade, xenofobia King Size, empáfia, soberba, arrogância, psicopatia e gangsterismo político e social, sem apresentar nenhum traço de humanismo, um biltre cheio da mais letal inconsequência. Por suas diabólicos e desvairados ações, centenas de mihares de inocentes já morreram, a exemplo das dezenas de meninas massacradas em uma escola feminina em Minab, Irã. Não espere você que a Rede Globo, da Famiglia Marinho, e toda a chamada mídia corporativa nos surpreendam e nos mostrem a verdade nua e crua, com imagens autênticas e vídeos que denunciem tal atrocidade. Eles são antigos aliados do Grande Irmão do Norte. Mais que isso, são cúmplices que relativizam a gravidade dos trágicos fatos ocorridos. Sabemos como se comportariam caso fosse o Irã que tivesse bombardeardo uma escola dos EUA pulverizando com mísseis dezenas de loiras menininhas ianques. Ocorreria imediatamente uma histérica cobertura dessa mídia dita das elites, tudo seria convertido em uma grande onda de revolta e infindáveis indignações, cachoeiras de lágrimas e acusações contra o que seria uma imperdoável crueldade iraniana. Pela política do Make America Genocidal Again muitos e muitos ainda morrerão em vão nesse planeta até que ele chegue ao seu término definitivo. C'est fini! Kaput! E muito mais breve do que os pessimistas poderiam imaginar. Tudo porque Trump age como um daqueles vilões de fillmes B roliudianos ou daquelas HQs do Flash Gordon. É estarrecedora sua recente declaração de que havia bombardeado e destruído completamente as Ilhas Kharg, ínsula iraniana de 8000 habitantes considerada um ponto estratégico do Irã. Para tornar as coisas ainda mais chocantes, o Big Carrot disse que talvez voltasse a bombardear as Ilhas Kharg "só por diversão". Salta às nossas mentes a imagem do Imperador Nero tocando harpa e sorrindo de forma diabólica tendo ao fundo Roma ardendo em chamas num incêndio que ele próprio causou com sua psicopatia trumpniana. Então, bem a propósito, vai aqui essa canção de protesto do final dos combativos anos 70s, um conscientizador hino antiguerra mundialmente conhecido do músico argentino León Gieco, que ajuda a refletir e a nos posicionarmos contra esse belicismo catastrófico que nos ameaça a todos. Gracias a la vida, querida Mercedes Sosa e querido León Grieco. Gracias a todos seres sensatos, pacifistas e humanistas.


(010426)

26 maio 2026

A informática e seu impactante papel na vida de milhões de brasileiros, a inclusão, a exclusão.

Ali pelos anos 90s a informática começou aos pouquinhos a entrar no cotidiano de nossas até então analógicas vidas. Surgiu anunciando a louvável intenção de ajudar a coletividade. E nisso não mentiu.  Ajudou, sim, e ajudou muitíssimo, entusiasmou corações e mentes. Mas toda moeda tem duas faces e é indispensável que os mais atentos e atilados questionem até onde as coisas vão bem e onde viram problemas cabeludos, cabeludíssimos. Questionamentos como o que um internauta de nome Cláudio Sá e Guimarães formula e que bota nossas cucas para pensar, pois muitas vezes esquecemos que é para isso que as cucas foram feitas. Qual é o impacto que a informática produz para camadas e camadas da nossa população, como ela se reflete na diversidade social, na vida de milhões?

                                         Cláudio Sá e Guimarães 

24 maio 2026

Lage, Nildão, Setúbal, Zé Vieira, Alexandre Dumas, cartuns.

Aqui neste afrotorrão chamado Bahia, Lage, Nildão e eu, por um bom tempo formamos um inseparável trio, tipo os três mosqueteiros do cartum, um time coeso, como permite entrever esta caricatura aí em cima. O quarto mosqueteiro, o D'Artagnan, era o indômito Zé Vieira com seu bigodinho que lhe dava o irretocável phisique du rôle. Sucede que Zé Vieira, um belo - ou seria triste? - dia deu uma solene banana ao universo cartunístico, botou na praça um tremendo escritório de arquitetura que logo encheu-se de afortunados clientes, graças ao talento arquitetoso do rapaz, e desta forma ele - merecidamente, diga-se - tornou-se um argentário dos mais abastados pois foi sempre o mais sabido de todos nós nestas questões com l'argentainda que não fosse um mercenário, longe, bem longe disso. O problema com Zé Vieira era que um ofídio dos mais peçonhentos costumava aninhar-se nos bolsos das suas calças e ele, a precaução em pessoa, ali não metia sua mãozinha com medo de levar uma mordida letal e vai daí que em bares, restaurantes e botecos que frequentávamos jamais víamos a cor do dinheirinho de tão precavido confrade. Diz a chamada sabedoria popular que dinheiro poupado é dinheiro ganho e que de tostão em tostão se faz um milhão. Se verdade houver em tais frases, Zé Vieira certamente acumulou alguns milhões só com o que economizou graças à sua justificada precaução contra mordeduras de ofídios, notadamente certas variedades de letais mambas negras que soem se aninhar em bolsos e bolsas de alguns incautos. Não sei se o hoje abastado Zé Vieira sente algum frêmito de saudade dos tempos em que cartunava e quadrinhava, ele que sempre foi um cara que criava verdadeiras maravilhas, tanto no texto quanto no desenho. E há que ser dito que, de quebra, Zé Vieira sempre foi um dos mais substanciais e agradáveis papos dessa Bahia com h. Ali pelos hoje um tanto distante anos 80s do século anterior, como que inspirado por Alexandre Dumas nosso grupo cartunístico sempre primou pelo conceito de amizade mesclada com lealdade. Poderíamos mesmo empunhar nossos lápis, à guisa de espadas mosqueteiras, erguê-los fazendo tocar no alto suas pontas e, parafraseando os personagens de Monsieur Dumas, bradar alto, a uma só voz: "Um por todos e todos por um, em defesa do Reino do Cartum".

22 maio 2026

Minha Pátria é minha língua. E de Fernando Pessoa, de Caetano, de Chico Buarque, de Pasquale, de Adoniran.

 
Moro longe, pra lá da Conchichina. Tenhor pavor de pastor alemão e de gripe espanhola. Tenho mania de comer pão francês com molho inglês . Nunca dirijo um Toyota, um Mitshubishi ou veículos da Asia Motors quando em mão inglesa. Democracia? Plebiscito? Tertius? Pra mim vocês estão falando grego. Loja de artigos de R$1,99: eis o verdadeiro negócio da China. Pra consertar guitarra baiana, uso chave inglesa. Tive um canário belga que cantava Brasileirinho. Você costuma comer americano? Eu prefiro traçar o bacalhau da bela portuguesa, quer dizer, um belo bacalhau à portuguesa. Empresas judias jamais adotam semana inglesa. Em Milão todo bife é à milanesa. Na Ásia toda febre é amarela. Na Rússia toda salada é russa. Na França todo beijo é francês. Na Turquia todo banho é turco. Aliás, nesse calorão, banho turco grátis é presente de grego. Só falsos amigos nos servem uísque paraguaio. Quem tem boca vai à Roma e come pizza alla napolitana. No Japão faça como os japoneses e nunca peça bife à cavalo, mesmo porque você pode acabar comendo basashi, que é um sashimi feito com carne de equino e aí sua indigestão pode ser cavalar. E, a propósito, estando em certas regiões da China jamais peça um cachorro-quente. Você pode ter uma surpresa pouco agradável quando lhe trouxerem o prato. Meu parco francês é só pra inglês ver e quando a coisa está ficando russa eu saio à francesa.
(040214)

18 maio 2026

Música pra se ouvir com olhos e ver com os ouvidos.

Música. Ontem, hoje, agora, ainda e sempre. Gravada ou ao vivo, via rádio, seja AM ou FM, em CD original ou pirata, no MP3, no vinil, no computador, na trilha sonora de filmes, de novelas, de minisséries televisivas, de peças teatrais, no coreto da praça, na viola de um cego cantador, no repente surpreendente do repentista eminente, na tuba, na conga, conga, conga, no contrabaixo, no alto falante do circo mambembe, na flauta doce ou salgada, na gaita de quem não tem gaita, no saxofone, no violino de som fino, na rabeca da Rebeca, no oboé ou não é, no bandonione, no realejo, no fagote, no violão, na guitarra, no contrabaixo, na harmônica, no realejo, no órgão da igreja, nos atabaques dos terreiros de candombé, na chaleira do Hermeto, no prato da Edith, na caixinha de fósforos do Cyro Monteiro, no pente sem um dente, no cavaquinho, no bandolim, no banjo do arcanjo, na lira do delírio, no fole prateado só de baixo 120 botão preto bem juntinho como nego empareado, no triângulo, na zabumba, nos oito baixos de Januário, nos pífanos, no pandeiro, no reco-reco, bolão e azeitona, na cuíca, na tumbadora, no piano de cauda, no berimbau, na guitarra havaiana, na guitarra portuguesa, na guitarra baiana, plugged ou unplugged. Bitola no ganzá, Preá no reco-reco, na sanfona Zé Marreco. Música, música. Chico, Caetano, Milton, Tom, João Gilberto, Baden, Gil, Bosco, Aldir, Macalé, Pixinguinha, Gal, Elis, Carmen, Dolores, Maysa, Marisa Monte, Daúde, Gal, Bethânia, Tomzé, Titãs, Mutantes com Rita Lee, Rita Lee sem os Mutantes, Cássia, Calcanhotto, Clementina, Marina, Maysa, Raul, Chico Science, Siba, Arnaldo Antunes, Jorge Benjor, Chorão, Cartola, Nelson, o Gonçalves e o Cavaquinho, Gonzagão, Mozart, Sivuca, Hermeto, Dominguinhos, Jackson, Genival, Manezinho, Gordurinha, Ludugero, Aznavour, Armstrong, Modugno, Amália, Sapoti, Piaff, Callas, Baleiro, Gordurinha, Manezinho Araújo, Riachão, Batatinha, Walmir Lima, Chico César, La Lupe, Chavela Vargas, Chabuca Granda, Celia Cruz, Nina Simone, Mercedes Sosa, Bola de Nieve, Piazzola, Lennon e McCartney, Roberto e Erasmo. Música, música. Samba, rock, baião, xaxado, xote e xoxote, maxixe e jiló, chorinho, dobrado, mazurca, jazz, tango, fado, valsa, frevo, coco, maracatu, corta-jaca, tarantela, samba-de-véio, samba-duro, samba de roda, samba-reggae, samba-rock, samba de breque, samba de black, blues, funk, bossa-nova, chá-chá-chá de la secretária, salsa, mambo, calipso, merengue, cumbia, reggae, bolero-lero-lero-lero, begin the beguine. Música, música. Até mesmo feita plasticamente, com o som fluindo de pincéis deslizando sobre uma tela carregados com tinta acrílica, como nesta pintura que fiz con mucho gusto e que resolvi usar como ilustração para esta postagem. Música, música. Excetuando-se a unanimemente indesejada marcha fúnebre, qualquer música, ah, qualquer, logo que me tire da alma esta incerteza que quer qualquer impossível calma!
(111019)

17 maio 2026

Caetano Veloso, Wladimir Maiakóvski, Fernando Pessoa, Plutarco. Pequenos equívocos sobre grandes poetas.

Além da melodia envolvente contida no fado Os argonautas, também a bela e um tanto enigmática letra desta inebriante canção foi criada pelo compositor Caetano Veloso e não pelo bardo português Fernando Pessoa. Mas não faltam os que repitam por aí e até postem na internet, que a dita letra da música é uma poesia da autoria do bardo Pessoa musicada por Caetano. Quem se der ao trabalho de pesquisar atentamente os muitos poemas de Pessoa, escritos sob qualquer um dos seus muitos pseudônimos, não encontrará versos falando em “o automóvel brilhante, o trilho solto, o barulho do meu dente em sua veia” ou “noite no teu tão bonito sorriso solto, perdido”. As pessoas erram por uma questão de superficialidade, erram por que não se importam em errar, grandes porras, phoda-se. Fernando Pessoa deixa claríssimo na abertura de seu poema, que a frase “navegar é preciso, viver não é preciso”, cuja primeira parte usou para dar título ao belo poema, não é algo criado por ele, vindo ela da boca de antiquíssimas gentes do mar, coisas dos tempos do grande império romano que, segundo textos do impoluto Plutarco, teria sido dita em vez primeira pelo general Pompeu (106-48 a.C.), dirigindo-se a sua tripulação, aos seus soldados, os quais se mostravam excessivamente prudentes e cautelosos - para não dizer trêmulos e acovardados – diante de um mar nigérrimo e proceloso, instigando-os a embarcar.  Como único argumento, Pompeu proferiu a frase que se celebrizou, chegando aos ouvidos de Fernando Pessoa que, parafraseando-o, disse que “viver não  é  necessário , o que é necessário é criar”. Maravilhoso! Todo artista e todo criador deveriam tomar isso como inspiração. Caetano Veloso, usou como refrão de Os argonautas a frase que Pessoa não concebeu mas que tanto amou que dela se valeu para nominar um seu poema famoso e para filosofar sobre sua irrefreável necessidade de criação. A expressão “Navegar é preciso” bem que pode ter sido o lema que norteou todas as intrépidas conquistas portuguesas na Era das Grandes Navegações. A frase, segundo dizem, estaria escrita no pórtico da lendária Escola de Sagres, fundada pelo infante Dom Henrique, no século XV, mais precisamente em 1460, bem antes do nascimento de Pessoa, que nela teria achado inspiração para o poema que escreveu. Mas estamos falando da raça humana e seus enganos, e aí temos que lembrar que não faltam os que, convictos, afirmem que a Escola de Sagres nunca tenha existido de fato, senão na imaginação das pessoas, que tudo não passa de uma lenda. Quanto ao poema de Pessoa, segue abaixo uma reprodução para que não pairem dúvidas sobre o que nela diz o venerável vate luso. Embora já saibamos bem que isso não fará cessar novos e contínuos erros e enganos, pois, aparentemente, quando adotou a frase "errar é humano" o homem outorgou a si próprio o direito de errar quantas vezes queira. Sem se importar em seguir o que versa a frase original, atribuída a Sêneca, que em sua inteireza nos diz: "errare humanum est, perseverare autem diabolicum."
               Navegar é Preciso
               (Fernando Pessoa)
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:    
"Navegar é preciso; viver não é preciso".                    
Quero para mim o espírito desta frase,           
transformada a forma para a casar como eu sou:          
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.         
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.    
Só quero torná-la grande,                                           
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.                                              
Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso.                                        
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue  o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

14 maio 2026

Mulher de Touro no Horóscopo de Vinicius de Moraes


O que é que brilha sem ser ouro?
- A mulher de Touro!
É a companheira perfeita
Quando levanta ou quando deita.
Mas é mulher exclusivista
Se não tem tudo, faz a pista.
Depois, que dona-de-casa...
E à noite ainda manda brasa.
Sua virtude: a paciência
Seu dia bom: a sexta - feira
Sua cor propícia: o verde
As flores dos seus pendores:
Rosa, flor de macieira.
(090515)

12 maio 2026

A procissão da Boa Morte, andores e amores.

Bete olvidou o beijo que da minha nebulosa memória jamais se apagou e em algum cantinho ermo e penumbroso de suas lembranças empilhou, desinteressada, as palavras de carinho que lhe disse e o beijo que trocamos frente ao Castro Alves que até hoje em minha mente trago claro como o mais claro dia de sol. Bete tinha uma moto e com ela tanto cruzou ruas, alamedas e avenidas que findou por descobrir uma recôndita vereda que conduzia ao beco sem saída do meu coração. O capacete que usava escondia dos outros seu rosto mas não ocultava de mim seu sorriso (ai!) e seus lindos olhos ciganos(ui!). Toda mulher é uma multidão. Ser múltiplo pela própria natureza, quem lhe adivinha os inescrutáveis pensamentos? Quem decifra seu sorriso após a lágrima sincera que derrama? A insondável origem de sua força surgindo de sua aparente fragilidade para vencer a mais forte das humanas tormentas, quem pode explicar? No amor, entre gestos de recato, volúpia e devassidão. Na noite tépida, adormecida, a mão sobre o púbis, quem há de antecipar os sonhos que há de sonhar entre lençóis de branco linho? Como prever o que dirá e fará cada uma das mulheres dentro de toda mulher? Não adivinho as palavras e gestos de Bete, pura recusa aos meus apelos. E vejo atônito que essa moça, de um dos oito casacos que usa para se proteger do frio intenso de Cachoeira, puxa a mais afiada das cimitarras e trespassa num golpe seguro minha alma geminiana, romântica como um perro gitano uivando ao plenilúnio. Mesmo inerme e estando ferido, dela ainda quero voltar a sentir o gosto do beijo que numa noite de estio embevecido provei e que trago em meu peito guardado a sete chaves, oito trancas e nove pega-ladrões. Movo minha boca ao encontro da sua mas ela volve o rosto negando-se. Puxo-a pela cintura e colo seu corpo ao meu mas é nítido que seus pensamentos escapolem, descem e sobem as ladeiras de Cachoeira e já dobram a esquina acompanhando, entre cânticos, turíbulos, escapulários, terços e andores a procissão da Irmandade da Boa Morte. E eu, o ouvido surdo de sons, a boca muda de palavras, os braços vazios de gestos, quedo-me só no meio da praça enlaçado a um corpo deserto de alma. Bete sorriso (ai!). Bete de olhos ciganos(ui!). Bete tantas mulheres, uma multidão. Em disparada, pisoteando, aniquilando meu quase inocente coração.                              (150810)

09 maio 2026

Béu Machado, Caetano Veloso, Goethe

Sempre relembro Béu Machado, sempre vale a pena que todos relembremos Béu. Amiúde me vem à mente seu jeito calmo de poeta, quase anônimo, fingindo-se igual aos viventes outros, malgrado o talento imensurável para versejar, criar frases. Contrariando Caê, que diz que só se pode filosofar na língua de Goethe, Béu filosofava em muito bom soteropolitanês. Seu humor, carregado de dendê e pimenta dedo-de-moça, algumas vezes era pura molecagem e outras ocultava, por trás de uma aparente despretensão, uma profundidade que a muitos certamente poderia escapar. O humor béumachadiano e sua filosofia podem ser percebidos a olho nu em frases como estas que aqui reproduzo para matar as saudades do poeta, do frasista, do vizinho na Boca do Rio e do amigo cortês e espirituoso.
***** O fato de marcianos virem periodicamente à Terra só prova uma coisa: não existe vida inteligente em Marte.
***** O açougueiro cortou a parte que eu mais precisava: meu crédito.
***** "Saúde de ferro!", disse o médico, desenganando o hipocondríaco.
*****De lascar é quando a bola bate no pau sem chocar na trave.
***** De nada adiantou eles ordenarem que eu me calasse. Heroicamente continuei gritando "Ai!"
***** Desisti de desafiar o Mike Tyson. Os motivos são de força menor.
***** Desta vez vai correr sangue: aumentaram os preços dos absorventes!
***** Ler Proust é uma perda de tempo.

Ah, que grande, que imensurável falta nos faz Béu Machado.!     (291114)