5.Entrando com bola e tudo
7. Triangulação
5.Entrando com bola e tudo
1. Cruzamentos
Quando estão afinzonas de um jogador, as assaz determinadas Marias-Chuteiras costumam usar e abusar dos cruzamentos para que seu alvo - e não estou falando de tom de pele - perceba que está sendo convidado para adentrar o gramado lá delas, que por sinal está sempre em excelentes condições para a prática de um match de muito mais que 90 minutos, com direito a intermináveis prorrogações.:quality(80)/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com/estadao/XHE4TKYLYNCD3N3IY45NIVV4QI.jpg)
Estevão, o narrador do paródico thriller, é um escritor de bagatelas policiais e de espionagem vendidas em bancas de jornal. Há outras referências melvilleanas na história, que me abstenho de abordar porque meu tema de hoje são, et pour cause, as grandes frases de abertura do romanceiro mundial. “Me chame de Ismael” é uma delas. Já a vi encimando inúmeras listas de preferidas da categoria, lúdica frivolidade intelectual em que uma palavra (“Nonada”, Grande Sertão: Veredas; “riverrun”, Finnegans Wake) tem o mesmo peso das 465 com que García Márquez abre o empolgante primeiro parágrafo de Cem Anos de Solidão. Se seguida de um ponto em vez de uma vírgula, “Lolita”, a primeira palavra do epônimo romance de Nabokov, compartilharia esse rol com “nonada” e “riverrun”. Mas seu destacado lugar no pódio é indisputável e eterno, em qualquer idioma. Na tradução de Jorio Dauster, ficou assim: “Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.” Nem sempre um inspirado introito precede um grande romance – e a recíproca é verdadeira. Como o de tantos outros clássicos da literatura (vide No Caminho de Swann, de Proust), o começo de A Montanha Mágica, por exemplo, com o “jovem singelo” Hans Castorp a viajar, “em pleno verão”, de Hamburgo a Davos-Platz, chega a ser prosaico. Tolstoi, aliás, só satisfez os dois quesitos em Anna Kariênina: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. Esta é uma das favoritas do leitorado mundial, disputando em citações com o horripilante despertar de Gregor Samsa em A Metamorfose (Kafka), “o melhor dos tempos e o pior dos tempos” de Um Conto de Duas Cidades (Dickens), e esta reflexão sobre o passado de L.P.Hartley na primeira linha de O Mensageiro (The Go-Between): “O passado é um país estrangeiro; lá as coisas são feitas de maneira diferente”. Se já comprei vários livros atraído pela capa, em outros mais de ficção já mergulhei estimulado por seus primeiros parágrafos, comumente espreitados de pé numa livraria. Tal foi o caso de O Mundo Segundo Garp, de John Irving. Bati os olhos no primeiro parágrafo (“A mãe de Garp, Jenny Fields, foi presa em Boston em 1942 por ferir um homem num cinema”), fechei o volume e, doido para conhecer aquela audaciosa mãe e sua história, fui direto ao caixa fechar minhas compras. Como qualquer escolha, a de melhores aberturas é tremendamente pessoal e não raro idiossincrática. Não creio me distanciar muito dos habituais escolhidos, e conheço pelo menos meia dúzia de pessoas que também se aproximaram da ficção de Carson McCullers pelo feitiço de seus títulos (O Coração é um Caçador Solitário, A Balada do Café Triste, Relógio Sem Ponteiro) e pelo lapidar prelúdio de Reflexos Num Olho Dourado: “Uma base militar em tempos de paz é um lugar enfadonho.”Enfadonho, mas não sem novidades e excitação o tempo todo, como sabem os que leram o livro ou apenas viram a decepcionante adaptação dirigida por John. (030223)
A arte que modesta, insistente e mui temerariamente busco produzir divido entre o tentar escrever, o buscar desenhar e o pretender pintar. Quando enveredo pelo desenho faço cartuns, quadrinhos, ilustrações. Ao pintar, por vezes incorporo um pouco, só um pouquinho, do espírito critico que transita pelos cartuns como bem se pode entrever pela pintura que ilustra esta postagem construída com tons verde e amarelos almejando me valer do subliminar para dizer que nessa auriverde nação as coisas estão certas, muito certas, tão certas como dois e dois são cinco, como nos versos da formidável canção do formidável Caetano Veloso. Também busco inspiração no regional e no cotidiano urbano. Outra temática recorrente na pintura que faço é mesmo o chamado esporte bretão, o futebol, essa grande passione do povo nada bretão que habita este país afro-luso-indígena, malgrado alguns retumbantes fracassos da nossas mais recentes seleções canarinho, tanto em nossos estádios como em outras praças de esportes mundo afora. Os atuais boleiros que vestem a camisa amarelo-canário do dito escrete nacional, muitos vinculados às biliardárias multinacionais do esportes, estão mais para popstars que para atletas de induvidoso respeito. Como nunca é demais citar o iluminado Caetano, tais boleiros contemporâneos não são proveito, são pura fama. Todos, de forma mui conveniente, usurfruem do conceito extremamente positivo construido com méritos por gerações formadas por grandes jogadores que os precederam décadas atrás. Não nos esquecemos de que de 1958 a 1970, disputando quatro Copas do Mundo a seleção canarinho ganhou nada menos que três, deixando os torcedores de todo o planeta extasiados, siderados, apaixonados. Tempos mágicos de Garrincha, de Pelé e outros garbosos cracaços que em épocas outras vestiam a camisa do Brasil com raro talento e, sobretudo, com honra, fibra e genuíno orgulho pátrio. Bons tempos, bons tempos!
Um imperioso aviso aos habitantes dessa auriverde Nação: Dudu Bananinha não aceita mais ser chamado dessa forma no Brasil. Cansado de aguardar do governo ianque sua ardentemente desejada cidadania estadunidense, o prófugo membro da familícia se autoconcedeu-se a si mesmo essa sua cobiçada cidania com direito a green-yellow card. Destarte, já considerando-se um genuíno cidadão dos EUA, Dudu agora exige ser chamado de Ed Little Banana ou, simply, Little Banana. Também conhecido em nosas plagas como Cabeça de Mounjaro, esse desprezível quinta-coluna, entreguista e lesa-pátria ganhou amplos espaços na imprensa corporativa e nas redes sociais vociferando graves ameaças de atormentar com sanções trumpistas a economia e os destinos desse país varonil, também aventando que nós aqui estamos no lucro pois "Trump ainda não jogou uma bomba nuclear no Brasil". Deixou claro que só leva em conta seus elevados interesses extremistas, sem se importar que bombas nucleares não são programadas para seletivamente matar apenas progressistas, o que significaria exterminar milhares de seus próprios apoiadores bozonaristas, os chamados patriotários, que o potroarca da familícia já chamou publicamente de malucos. Ao lado de seu cúmplice, neto de falecido ditador amante de olorosos equinos, Little Banana vive bradando aos quatro ventos e aos sete mares que tem enorme influência política nos Istêites, que conta com a proteção, o apoio e a amizade pessoal de Donald Trump e que por isso desfruta de irrestrito trânsito pelos corredores da White House. Seu irmão Flavio Rachadona, acaba de publicar pelas redes uma foto que os mais sensatos e observadores juram não passar de IA, mostrando Rachadão ao lado do Big Carrot em uma imutável pose. Já Little Banana, a título de provas incontroversas dessas suas grandiloquente afirmações, publicou dezenas de fotos como esta acima, dele com seu partner, um fugitivo da Justiça brasileira. A bem da verdade, qualquer vivente que tenha mais de dois neurônios não há de engolir essas pretensas provas irrefutáveis que seriam as fotografias publicadas em redes e imprensa corporativa, vez que elas não mostram Banana e seu comparsa transitando altivamente pelo interior da referida White House, aquela cujos corredores o Mr. PokaPika alega frequentar com privilegiada pompa e circunstância. Apenas os mostram outside, ou seja, do lado de fora, bem fora, dos portões whitehouzísticos, no mesmo ponto da calçada em que se aglomeram grupos de turistas nipônicos e todos os visitantes anônimos, sendo ali que ambos posaram para a posteridade exibindo uma insuperável donkey moral (moral de jegue). (070326)
Gravíssimo é esse momento que o mundo atravessa agora que o destino dos povos e o futuro de todas as etnias desse planeta em que habitamos encontra-se perigosamente em mãos de um pulha envolvido em pesados e tristes acontecimentos de pedofilia e crimes outros, insano, insensível, desprezível, sem o mínimo de empatia, fisicamente de corpo rotundo pelo qual se distribuem toneladas de maldade, xenofobia King Size, empáfia, soberba, arrogância, psicopatia e gangsterismo político e social, sem apresentar nenhum traço de humanismo, um biltre cheio da mais letal inconsequência. Por suas diabólicos e desvairados ações, centenas de mihares de inocentes já morreram, a exemplo das dezenas de meninas massacradas em uma escola feminina em Minab, Irã. Não espere você que a Rede Globo, da Famiglia Marinho, e toda a chamada mídia corporativa nos surpreendam e nos mostrem a verdade nua e crua, com imagens autênticas e vídeos que denunciem tal atrocidade. Eles são antigos aliados do Grande Irmão do Norte.
Mais que isso, são cúmplices que relativizam a gravidade dos trágicos fatos ocorridos. Sabemos como se comportariam caso fosse o Irã que tivesse bombardeardo uma escola dos EUA pulverizando com mísseis dezenas de loiras menininhas ianques. Ocorreria imediatamente uma histérica cobertura dessa mídia dita das elites, tudo seria convertido em uma grande onda de revolta e infindáveis indignações, cachoeiras de lágrimas e acusações contra o que seria uma imperdoável crueldade iraniana. Pela política do Make America Genocidal Again muitos e muitos ainda morrerão em vão nesse planeta até que ele chegue ao seu término definitivo. C'est fini! Kaput! E muito mais breve do que os pessimistas poderiam imaginar. Tudo porque Trump age como um daqueles vilões de fillmes B roliudianos ou daquelas HQs do Flash Gordon. É estarrecedora sua recente declaração de que havia bombardeado e destruído completamente as Ilhas Kharg, ínsula iraniana de 8000 habitantes considerada um ponto estratégico do Irã. Para tornar as coisas ainda mais chocantes, o Big Carrot disse que talvez voltasse a bombardear as Ilhas Kharg "só por diversão". Salta às nossas mentes a imagem do Imperador Nero tocando harpa e sorrindo de forma diabólica tendo ao fundo Roma ardendo em chamas num incêndio que ele próprio causou com sua psicopatia trumpniana. Então, bem a propósito, vai aqui essa canção de protesto do final dos combativos anos 70s, um conscientizador hino antiguerra mundialmente conhecido do músico argentino León Gieco, que ajuda a refletir e a nos posicionarmos contra esse belicismo catastrófico que nos ameaça a todos. Gracias a la vida, querida Mercedes Sosa e querido León Grieco. Gracias a todos seres sensatos, pacifistas e humanistas.
