18 abril 2018

Mulher de Touro no Horóscopo de Vinicius de Moraes


O que é que brilha sem ser ouro?
- A mulher de Touro!
É a companheira perfeita
Quando levanta ou quando deita.
Mas é mulher exclusivista
Se não tem tudo, faz a pista.
Depois, que dona-de-casa...
E à noite ainda manda brasa.
Sua virtude: a paciência
Seu dia bom: a sexta - feira
Sua cor propícia: o verde
As flores dos seus pendores:
Rosa, flor de macieira.
(09/05/15)

14 abril 2018

Ademar Gomes, jornalista e escritor: um Machado de Assis com muita pimenta

 Ser amigo de Ademar Gomes nem sempre era tarefa fácil. Suas alternâncias de humor, suas explosões de indignação e de raiva, seus esgares na face exangue, seus olhos faiscantes surgindo por trás da fumaça de seus puros requeriam paciência digna de monge budista. Em se tratando de inter-relações pessoais Ademar não era exatamente uma grata unanimidade. Professor Bandeira - seu apelido e alter ego - tinha curtíssimo pavio e não primava pelo uso de eufemismos e antífrases quando queria dizer aos outros o que deles pensava. Assim sendo, angariou ao longo da vida um considerável número de desafetos que, à socapa, apodavam-no picareta. Nada mais injusto. Bandeira era um bravo batalhador que sobrevivia com seus escritos. Dos anúncios de seu jornal, o JC, e dos seus livros, ganhava lícita e dignamente o croissant de cada dia e jamais se envolvia em cambalachos, maracutaias, fraudes ou falcatruas que pudessem prejudicar quem quer que fosse. Sua história pessoal daria um rico roteiro cinematográfico. Sendo de baixa extração, tornou-se - qual um Machado de Assis redivivo - um homem de invejável cultura. Boa parte a devia ao escritor Ariovaldo Matos, com quem muito conviveu, e ao respeitado cronista Sylvio "Resistir Quem Há-De" Lamenha, professor e intelectual, uma espécie de mentor de Ademar. Professor Bandeira - ou ainda Zé do Grilo, outro alter ego seu - tinha verve rara e quando as coisas para ele navegavam em mar de almirante, era agradavelmente gárrulo e todos em volta ficavam embevecidos com sua rara dialética e sua retórica entremeada de inspiradas boutades. Conhecia em detalhes a vida, a trajetória de cada político, de cada empresário, de cada figura desta terra. Sabia-lhes o lícito e o ilícito, os golpes perpetrados, as insídias, os adultérios, as tramoias. Um dia meu filho se aproxima de mim com um jornal aberto na página dos obituários, nela o nome do amigo tão fraterno. Abraçamo-nos em pranto convulso. Nutríamos por Ademar um imenso afeto que descobri maior quando ele se foi desta vida. Hoje, sua ausência traz uma constante e indefinível sensação de vazio, uma dor que lancina, análoga a que sinto pela perda precoce de irmãos meus em Sampa. E fica a certeza de que quando alguém que amamos se vai, uma parte da gente segue junto e nunca mais somos completos. Poderia dizer a este tão amado amigo "descanse em paz, Ademar". Mas esta não é a frase adequada para se usar com Professor Bandeira que, agorinha mesmo, Romeo Y Julieta no bico, inexoravelmente está promovendo formidáveis esporros entre as nuvens do céu, questionando São Pedro, enquadrando anjos, arcanjos e querubins, exigindo falar com o Criador em pessoa para reclamar da música, do serviço celestial, do desafinado coral de anjinhos. E o Paraíso nunca mais será o mesmo. Bote pra F, querido irmão!
(23/11/10)

Elis Regina, insuperável. / Umas minas que eu amo 4

Somos um país musical. Essencialmente, fundamentalmente, visceralmente, extraordinariamente musical. Entre nossos tesouros pátrios, temos cantoras maravilhosas que arrasam ao cantar e interpretar qualquer tipo de música. Que maravilha, que musical deleite é ouvir o canto de Gal Costa, de Rita Lee, de Clara Nunes, de Cássia Eller, de Daúde, de Adriana Calcanhotto, de Clementina de Jesus, de Astrud Gilberto, de Dona Ivone Lara, de Carmen Miranda, de Elba Ramalho, de Marinês, de Nara Leão, de Dalva de Oliveira, de Ângela Maria, de...ah, são tantas e tantas e tantas! Para mim, entre elas, brilha a estrela mais cintilante: Elis Regina. Elis, a Pimentinha. Inesquecível, incomparável, insuperável. Elis tinha uma voz e uma força interpretativa que supera os limites do que já é muito, muito bom. Tudo quanto ela cantou ou gravou, segue tendo uma força maior e dói saber que se foi dessa vida e não se ouvirá suas possíveis interpretações para canções que amamos, gravadas por outras notáveis cantoras. Ouço uma delas interpretando uma música, gosto do resultado, mas sempre me pego em solilóquio, dizendo que extraordinário seria escutar Elis Regina interpretando aquela canção, de uma forma que só ela saberia interpretar com toda a força que lhe ia na alma de quem nasceu para cantar, com o coração pulsando forte, saindo do peito, extraindo da canção tudo que ela continha em seus mais recônditos dizeres, de um modo que ninguém jamais a igualou, deslizando por sua garganta abençoada, chegando a nós, preciosa e exata, através de sua voz, de sua força interior. Dói muito tal sentimento de perda. Elis tinha um timing que foge ao comum, mergulhava na canção, ia ao seu âmago, dali arrebatava tudo que essa canção tinha para dar em termos de emoção, fosse a mais profunda dor, melancolia, alegria, esperança, amor não correspondido, amor vitorioso, redentor. O músico César Camargo Mariano, que acompanhava Elis, diz que ela não era só uma cantora e grande intérprete - o que não é pouco - que ela ia muito além disso. César a tinha na conta de um músico, em pé de igualdade com os que a acompanhavam e isso gerava uma total empatia e cumplicidade que facilitava as coisas, era fundamental nos ensaios, nas gravações e apresentações. Elis correu o mundo, esteve em várias cidades do planeta e causou admiração por todos os recantos que passou, graças à sua grandeza musical. Mas não quis fincar raízes na Europa ou nos Estados Unidos. Afirmava ser uma cantora genuinamente brasileira, com largos e indissociáveis vínculos com nossa cultura. Aqui se quedou, em ambiente muita vez adverso para ela e  para o Brasil que ela desejava, lutou com seu talento, sua índole e sua bravura pessoal, e seguiu carreira renovando-se a cada dia, agigantando-se, chegando a um patamar em que poucas no mundo da música chegarão. Tinha a sabedoria de adivinhar o formidável, o magistral em compositores ainda neófitos, novatos em que ela vislumbrava talento em potencial, e lançou ao estrelato vários deles em gravações antológicas. Dava às canções uma força que fazia boquiabertos os próprios autores das composições, fossem eles os ainda iniciantes Gilberto Gil, Zé Rodrix, Belchior ou mesmo Aldir Blanc e João Bosco ou, certamente, o Maestro Soberano, Tom Jobim, com quem Elis fez um dia um antológico dueto, interpretando Águas de Março. Elis se foi, e é uma imensurável perda para o mundo da música. Consola-nos, ao menos, o fato de poder ver e ouvir em vídeos postados na internet, a voz feminina mais maravilhosa que o Brasil já produziu.
(07/07/2016)

Wanderléya Ternorinha, Wanderley Luxemburgo e a Velha Jovem Guarda

Além de ser renomada cantora, Wanderléya é irmã de Wanderley, o Luxemburgo, famoso técnico de futebol do Brasil que foi deportado da Espanha por insistir em massacrar impiedosamente a Língua Espanhola durante suas entrevistas. Quando o time do seu amado mano está perdendo, Wandeca costuma invadir os gramados gritando a plenos pulmões para o árbitro: "Por favor, pare agora! Senhor Juiz, pare agora! Senhor Juiz este impedimento será pra mim todo meu tormento!" Precursora do uso de indumentária masculina por belas mulheres, a moça tanto usou vistosos ternos que acabou ganhando o apelido de Ternorinha. Seu irmão, o dono dos referidos ternos, é que nunca gostou muito da elegância arrojada da mana e vai daí que, mesmo sendo muito unidos, a fraternal dupla mantém um acordo: ela não desfila mais pelas ruas, ágoras, veredas, boulevards, alamedas e avenidas com os ternos do seu irmão. Em contrapartida, Wanderley Luxemburgo não pode sair por aí vestindo as microssaias da irmã das coxas grossas, mesmo que morra de vontade de fazer isso.
(10/10/13)

13 abril 2018

Furio Lonza, o golpe e um povo impopular.

Graças a um golpe ignominioso contra uma mandatária eleita legitimamente pelo povo brasileiro através das urnas, adonou-se do poder em nosso país um magote de seres caquéticos, desalmados, retrógrados, sem escrúpulos, um intragável bando de escrotos que portam, assumidamente ou não, os mais abjetos preconceitos raciais, étnicos, sociais e sexuais, valha-nos Deus, acuda-nos Jeová, socorra-nos Buda, Maomé, Tupã e São Longuinho, com seus três pulinhos. Triste, tudo isso é triste. Mas a maior tristeza está no fato de constatarmos que essa malta maligna só conseguiu concretizar suas abomináveis pretensões antidemocráticas, graças à apatia e - pior ainda -  até mesmo ao impensável apoio de uma grande parte do povo brasileiro. E que povinho é esse que, em grande parte, se posta explicitamente ao lado de tais algozes e avaliza toda sorte de desmandos e decisões indignas, incluindo-se nisso bisonhas farsas jurídicas que livram a cara de bandidos contumazes e enviam para as galés pessoas inocentes? Lembremos que essa maneira de ser não começou com esse golpe. Vem de longe. E de longe vem o questionamento, a vontade de encontrar uma resposta racional a tais irracionalidades. Reproduzo aqui trechos de um texto do final dos anos oitentas, de autoria do grande Furio Lonza, em que o escritor ítalo-brasileiro tece considerações sobre essa parcela do vulgo. Com a palavra, il signore Furio Lonza: 
"Falta povo neste país. Até um tempo atrás, a opinião corrente era de que "todo povo tem o governo que merece". Mentira! Qualquer governo, por mais safado que seja, ainda é muito para esse povo sem brios, sem vergonha na cara, esse povo burro e ridiculamente humilde, vaquinha de presépio que engole tudo até o talo, até a última gota, todos os sapos, todos os calangos, esse povo cativo, covarde, sempre com o rabo entre as pernas, esse povo que marchou com Deus, pela família, esse povo que deu seu ouro para o bem do Brasil, esse povo que vive coçando a virilha, que bebe cerveja sem colarinho, lê horóscopo e coluna social, esse povo que encoxa mulher no ônibus, que cheira cola, que puxa o saco do gerente, alcaguete de polícia, esse povo que, em dia de greve de ônibus, pega táxi para ir para o escritório, que pega avião para assistir Chitãozinho e Xororó em Las Vegas, esse povo besta que deixa a Xuxa fazer a cabeça de seus filhos, esse povo cujo ancestral índio acolheu o português de braços abertos em 1500, que rezou a primeira missa bem comportado junto aos jesuítas, esse povo que recebeu a Independência do Imperador da colônia, esse povo que proclamou a República e botou um militar no lugar do rei, esse povo que paga uma fortuna por uma TV a cabo e só assiste bosta, esse povo que come merda, respira merda, só pensa merda, esse povo que faz na entrada, na saída, no meio e ainda deixa um pouco atrás da porta pra ser encontrado no dia seguinte, um povinho que acredita no Jornal Nacional."

Mais atual, impossível. Se o grande Furio Lonza resolvesse atualizar o texto, sabemos bem que teria um farto material que haveria de incluir aqueles seres sem-noção fazendo aquela ridícula coreografia pró-golpe, todos os parvos teleguiados pela Rede Globo e por toda a grande mídia, vestidos com camisa da CBF, marchando nas ruas ao lado dos mais asquerosos corruptos, repetindo seus mais demagógicos bordões, clamando pelo fim de um governo eleito legitimamente, reivindicando a volta dos militares ao poder, a tortura, a repressão e toda sorte de suplícios e malefícios que causariam inveja aos mais fustigados masoquistas da História. Figuraria, enfim, toda a inconcebível participação desse povinho em apoio a um golpe que extermina direitos populares tão arduamente conquistados, que aniquila sonhos e esperanças, que destrói o país em que ele próprio nasceu e onde vive, inviabilizando o presente e o futuro para si mesmo, seu filhos, famílias e netos. Ai do Brasil. Ai de seu povo. Ai de nós, São Longuinho!

09 abril 2018

O sexo e os portugueses ou Fornicar é preciso / U sexu nu mundo 1

Em Portugal o rigoroso inverno muitas vezes impede que a mulher portuguesa faça o devido asseio pessoal, inclusive o íntimo. Nestes casos, de sua lusa genitália desprende-se um forte e inevitável odor de bacalhau o que, em verdade, não é privilégio das lusitanas, vez que a natureza humana tem seus irrevogáveis ditames, podendo isto acontecer com qualquer mulher de qualquer parte do mundo que passar um longo período sem lavar o objeto de desejo dos machos da espécie, desde o Éden. O grande diferencial está em que se para nós, brasileiros, o tal odor se configura em fator brochante e nada convidativo, para os bravos rapazes lusitanos isto até instiga o apetite sexual pois sabido é o quanto os portugueses adoram comer um bom bacalhau, não dispensam esse acepipe por nada e caem de boca vorazmente quando veem um à sua frente, ora pois, pois. É voz corrente - seja verdade ou maldoso boato - que o maior problema lá nas terras de Camões e da pessoa de Pessoa é que grande parte das mulheres ostentam buços tão compridos que são verdadeiros bigodes, e os bigodes das Marias costumam ser maiores que os bigodes dos Manuéis e Joaquins. Como é muito difícil habituar-se a tal coisa, os gajos portugueses vivem tomando enormes sustos todas as manhãs, ao acordar e olhar para sua companheira, ó pá! Nos livros, compêndios e almanaques deste planeta não é creditada aos portugueses nenhuma das grandes invenções em prol da Humanidade tais como o automóvel, o telefone, a televisão, o laser e as calcinhas comestíveis. Tremenda injustiça e falta de reconhecimento para com os gajos lusos já que eles são os responsáveis por uma das mais espetaculares invenções para a raça humana: a mulata brasileira, Ôba, Ôba! Graças à incomensurável libido dos homens portugueses, incontrolável diante das abundâncias carnais das negras amas e mucamas desde o tempo da colonização, é que surgiu esta nova raça superior, a das mulatas sestrosas. Se por um lado a mulata é gostosa, por outro é mais gostosa ainda. Por séculos os lusitanos em suas naus surrupiaram para a corte d'Além Mar quase todo o ouro do Brasil. Para nossa sorte, como as naus saíam das costas brasileiras sobrecarregadas com o precioso metal, os portugas - contra a vontade e mui melancolicamente - viram-se obrigados a abrir mão das preciosas mulatas,  deixando-as todas aqui sem imaginar que desta forma nós, brazucas, é que ficaríamos no lucro. A recente
crise econômica pela qual passou Portugal é prova incontestável disto, vez que todo ouro que nos tomaram já se acabou por lá, foi pras cucuias.  Em compensação aqui no Brasil temos uma fartura em mulatas maravilhosas que com suas exuberâncias, reentrâncias e abundâncias valem mais que todo ouro do mundo!
(12/10/10)

Os argentinos, sexualmente falando / U Sexu nu mundo 4

Os argentinos vivem alardeando que seu compatriota Messi é o melhor jogador de futebol do mundo, que eles são os reis do tango e que a Argentina tem a mais farta fartura de carnes que se pode imaginar, todas de sabor deliciosamente insuperável, despertando incontrolável apetite carnal, sendo que essa coisa de veganos por lá não se admite, e eles tratam do assunto na base da faca. Da faca e do espeto, em uma boa churrascaria, esclareça-se. Bueno, bueno, depois daquele humilhante sapecaiaiá de 7x1 que levamos da Alemanha na Copa de 2014, é fato que nosso moral futebolístico andou baixíssimo até a chegada de São Tite. Esperemos para ver se ele fará o milagre pelo qual ansiamos na Copa do Mundo da Russia e nela iremos nos redimir do vexame de 2014 ou se iremos confirmar que de fato perdemos a condição de protagonistas e nos tornamos meros coadjuvantes. Enquanto isso, temos que reconhecer que, salvo Neymar, Messi coloca mesmo no bolso todos boleiros profissionais dos maiores times em atividade no Brasil e, de lambuja, os que jogam no exterior. Mas, sin embargo, se os argentinos são os reis do tango, as garotas brasileiras são, disparadamente, as rainhas da tanga. E do fio dental. E do biquini asa delta. Nenhuma compatriota de Gardel & Le Pera há de negar isso, ficando los hermanos de queixo caído ao verem uma brasileira caminhando dentro de uma sumaríssima tanga, exibindo toda sua exuberância e abundância numa praia, ou nos dominicais programas de auditório das mais deseducativas TVs desse patropi. Feministas ortodoxas hão de se exaltar, abominar, se indignar, mas, data venia, no quesito farturas carnais, as mui guapas argentinas perdem de goleada para as sempre bem servidas brasileiras, seja em maminha, chuleta, dianteiro ou traseiro. Uma curiosa curiosidade dos curiosos argentinos é que quando estão com uma mulher na cama para um embate sexual,  os homens só pensam numa coisa: "O Maradona faz isto muito melhor do que o Pelé!". Então la chica percebe logo que linguiça que é bom não vai rolar para ela cair de Boca Juniors. Aí só lhe resta tocar...um tango argentino!
(01/12/10)

08 abril 2018

Os japoneses em seus mínimos detalhes sexuais / U sexu nu mundo 5

O Japão é um país de pequenas dimensões, sabido é. Devido a isto, e à consequente falta de espaço, tudo lá é pequeno em tamanho, menos os lutadores de Sumô. Os apartamentos são todos verdadeiras quitinetes, os rádios são pequenos, as telas dos aparelhos de TVs são minúsculas, os celulares, idem, os carrões de lá são do tamanho daquele do Mr. Bean. Até o biótipo japonês parece acompanhar esta tendência pois os pés das graciosas japonesas são bem pequenininhos. Menores que eles só mesmo as bimbinhas dos homens japoneses, fato que não os deixa nem um pinguinho complexados como ocorre com os brasileiros mal dotados. Se você assistir um filme de sexo explícito feito no Japão, vai logo perceber que os atores pornôs japoneses não tem o mínimo grilo com relação ao diminuto tamanho do seu, digamos, instrumento de trabalho. Entram em cena sem nenhum constrangimento, como se fossem uns autênticos pés-de-mesa. Antes de partir para cima da atriz pornô, o nipônico olha com orgulho para a própria varinha e grita: "Tora! Tora! Tora!". Pensar grande é isto aí. Já no plano familiar, sabe-se que quando vai comer sua venerável esposa, o marido japonês costuma usar dois pauzinhos. Um, é o dele mesmo. O outro é o pauzinho do Ricardón San que está sempre disposto a colaborar porque adora comer primeiro o sashimi e depois o tofu da mulher do seu amigo.
(04/12/10)

07 abril 2018

Michelle Obama, Melania Trump e a grave crise sexual entre as mulheres norte-americanas / U sexu nu mundo 10

Para os homens americanos, desejo carnal incontrolável significa tão somente aquela irresistível compulsão que os leva a devorar montanhas de suculentos hambúrgueres. Suas ianques esposas é que não  aprovam nem um pouquinho esta preferência carnal demonstrada pelos ianques maridos. E elas vão mais além nas suas queixas, reclamando do fato de que, integrando seus poderosos exércitos, os homens norte-americanos vivem invadindo tudo que é lugar mundo afora e que só não invadem mesmo as Ilhas Virgens nem o Cusaquistão de suas carentes esposas, seja por ataques frontais, seja pelas retaguardas xurriadas lá delas, o que as deixam qual o aracnídeante Peter Parker, ou seja, subindo pelas paredes do Empire State Building. Imperioso se faz dizer que os apoteóticos e bem sucedidos atentados aos EUA ocorridos naquele fatídico setembro de 2001, mergulharam os filhos do Tio Sam num mar de paranoias, estresses diversos e impotência brochativa generalizada. Com tanta fobia, nem com reza braba os americanos  estão conseguindo fazer o pentágono endurecer. A população, durante a era Obama, andava vendo a coisa preta, menos a primeira-dama Michelle que pelos corredores da Casa Branca circulava reclamando de forma histérica que seu marido, Barack, nunca mais havia adentrado seu Salão Oval, nem comparecia ao Cupitólio. Já a atual primeira-dama, Melania Trump, não vem dando. Não vem dando ao seu quase marido, Donald Trump, nem a ousadia de pegar em sua suave mãozinha em solenidades oficiais, quanto mais permitir a ele ter um rala-e-rola, um vuco-vuco, um nheco-nheco, um lepo-lepo, não liberando ao topetudo a possibilidade de dar um tapa na aranha, fazer ousadia, molhar o biscoito, afogar o ganso, nem muito menos fazer the old and popular tchaca-tchaca-in the butchaca. Quando tenta penetrar na alcova, Trump ouve de Melania que ela não admite penetrações da parte dele, e em seguida a loura lhe grita um sonoro “You’re fired!”. Depois disso, Trump ainda tenta ser Republicano, mas a mulher não se mostra nem um pouquinho Liberal, revelando para ele a sua total rejeição popular. O ex-apresentador, ex-empresário, ex-poliador e ex-croto Presidente, se exaspera e, de tanta raiva, fica todo vermelho, uma cor que não fica nada bem para um presidente ianque de extrema-direita como ele é. Donald Trump, babando de ódio, diz a Melania que vai apontar para ela seu míssil de longo alcance, o que só piora a situação, pois a quase esposa, dando uma estrondosa gargalhada, diz que o tal míssil não passa de uma pistolinha de cano curto. Ainda por cima, descarregada. E que, além do mais, Trump e o norte-coreano Kim Jong-un estão dando muuuito na pinta com esse negócio de a todo instante dizer um pro outro que “meu míssil é maior que o seu”, “ah, é?!, pois o meu é mais potente que o seu!”, “mostra o seu que eu mostro o meu” e coisas realmente muito bandeirosas que estão fazendo aumentar as paranóias dos ianques e assombrando o mundo inteiro. Comenta-se que ONGs feministas americanas, preocupadas com o Produto Interno Bruto, estão importando carregamentos de rapazes latino-americanos sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e dispostos a dar duro por uns dólares a mais. O fato é que as pudibundas e maldebundas americanas passaram a frequentar compulsivamente os estádios de baseball alegando que lá é o único lugar nos EUA em que elas podem admirar homens fortes e musculosos segurando tacos roliços enormes e rijos, o que sempre as leva ao delírio. Uma loucura! Deus salve a América e as mocetonas americanas, em tão difícil momento.
(290110)

Gordurinha e sua arte, Tio Sam, a Bahia e o bebop no nosso samba. / Uns caras que eu amo 9

Gordurinha, cantor, compositor, humorista e radialista baiano, foi nome de sucesso em todo o Brasil na chamada Época de Ouro do Rádio. Difícil, quase impossível, é alguém da atual geração - tão bem servida de imagens oriundas de TVs, das câmeras fotográficas digitais ou dos múltiplos artefatos eletrônicos que a qualquer momento do dia filmam, gravam, registram imagens, divulgando-as, compartilhando-as instantaneamente - acreditar que existiu um tempo em que eram os ouvidos, e não os olhos, os condutores da arte e de toda e qualquer informação. Acontece, caros smartphonísticos mancebos e tabletísticas moçoilas, que as coisas já foram assim em uma era que já era, a Era do Rádio. Nela brilharam artistas fantásticos, entre eles o baiano Gordurinha, de tantos grandes hits populares, a exemplo de Baiano burro nasce morto, composição solo sua, cantada em todo esse mulato inzoneiro. Sua gravação de Mambo da Cantareira, de Barbosa e Eloíde, fez enorme sucesso, sendo regravado em tempos recentes pelo cantante Fagner. Uma composição sua, Oróra analfabeta, em parceria com Nascimento Gomes, é sucesso até hoje, descrevendo encantos e desencantos de Oróra, uma dona boa lá de Cascadura que é uma boa criatura, mas que escreve gato com J e escreve saudade com C e que, ainda por cima, afirma adorar uma feijoada compreta. De Gordurinha é também a bela e tocante Súplica cearense, feita em parceria com Nelinho, a divertida Caixa alta em Paris, a sensível Vendedor de caranguejo. Mas o maior êxito popular de Gordurinha, certamente é sua composição, Chiclete com banana. letra e música suas, ainda que oficialmente conste o nome de Almira Castilho, esposa e partner de Jackson do Pandeiro, como sua parceira na composição, o que -  segundo consta - de fato não teria acontecido. O que sucedeu, de verdade, foi que a composição agradou em cheio, adentrando com estilo a História da MPB, eternizada que foi pela gravação dele, o venerado Jackson do Pandeiro, senhor do ritmo, mestre da ginga e dono de uma maneira gostosa, única e inigualável de interpretar canções. Chiclete com banana é uma sacada perfeita de Gordurinha para definir o universo da nossa massificação cultural via United States, coisa que sempre nos assolou em diversas áreas de nossas artes.  Se na época o sucesso da música foi enorme, o tempo que passou nos diz que ela segue sendo uma rica referência até os dias atuais, no que muito ajudou sua regravação por Gilberto Gil no disco Expresso 2222. O título da música foi usado para batizar a famosa banda de axé-music e a revista em quadrinhos do cartunista Angeli. Sua letra é uma declaração de amor à música do Brasil, uma afirmação de carinho e apreço a tudo que temos de bom em nossa alma brasileira, um brado de resistência cultural diante da imposição das coisas made in USA, notadamente o constante domínio exercido pelas gravadoras e ritmos norte-americanos sobre a nossa música, no caso, vinda de um ritmo chamado bebop. De forma clara e gostosamente bem-humorada, Gordurinha informa à industria musical ianque que antes, bem antes, de nos aculturarem, eles precisariam conhecer mais profundamente, entender, respeitar e mesmo assimilar a música do Brasil, mandando-lhes um ritmado e irreverente recado: "Eu só boto bebop no meu samba, quando o Tio Sam pegar no tamborim. Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba e entender que o samba não é rumba"... E, concluindo, desafiador: "Eu quero ver o Tio Sam de frigideira numa batucada brasileira."    
 (20/11/16)  

As espanholas e seu furor sexual / U sexu nu mundo 2


No imaginário popular, todas as mulheres da Espanha trazem em suas veias o mais puro sangre caliente e por isso mesmo são consideradas verdadeiros furacões sexuais e só piensam naquilo. E se não estão piensando naquilo é porque estão hacendo aquilo  Puro exagero, as espanholas também gostam muito de Artes e dos artistas maiores. Um desses, é o graaaande Picasso que sempre andou de boca em boca entre as mulheres. Se você acha que a seleção de futebol da pátria de Cervantes faz jus ao epíteto de "Fúria Espanhola", não imagina que este título pertence mesmo é às mujeres da Espanha que com seu furor uterino jamais concediam um segundo de descanso ao afamado pintor catalão, enquanto vivo ele foi. Agarravam o Picasso em qualquer lugar, de todo jeito e de com força e não queriam mais largar. E o Picasso tinha que ser muito, muito duro para conseguir dar suas famosas e milionárias pinceladas que qualquer uma disputaria - e bota disputaria nisto - já que levavam à loucura as guapas espanholas que noite e dia assediavam o bravo Picasso que, aliás, apesar de ser um artista de vanguarda, adorava uma boa retaguarda, e ficava logo todo excitadão quando via um belo Cubismo à sua frente. Segundo outro famoso espanhol, Pedro Almodóvar, diante de Picasso ficavam as Mujeres al borde de un ataque de nervios. Muitas delas, com a Carne Trémula, em um estonteante Laberinto de Pasiones. Descontroladas, mostrando La Mala Educación e escancarando sua Julieta, para ele, Entre Tinieblas, sussurravam: "Mira acá La flor de mi secreto!" e, lúbricas, insinuantes e concupiscentes imploravam: "Hable con ella!". Usando Tacones Lejanos, fêmeas sadomasoquistas histericamente lhe imploravam: "Átame!!", sem Volver atrás e sem demonstrar o mínimo respeito à La Ley del Deseo. Desse modo, como era de se esperar, o pintante catalão foi definhando e acabou morrendo na couve-flor da idade. Muita gente hoje em dia critica Pablo Picasso por ele ter sido um incondicional adepto das corridas de toros, prática que aos poucos vem sendo banida da vida dos espanhóis nestes atuais tempos politicamente corretos. Mas em verdade as plazas de toros eram para ele apenas um porto seguro, um providencial refúgio salvador para onde ele corria na tentativa de encontrar um necessário repouso, já que ali era o único lugar em que as mulheres deixavam o Picasso em paz, pois na arena só tinham olhos para admirar a famosa espada do graaaande Dominguin. Apesar da proibição atual, a verdade é que os bravos espanhóis estão muito acostumados com touros e touradas e por isto mesmo acham este lance de chifres uma coisa muito normal. E é aí, señoras y señores, que entra em cena El Ricardon que, sem vacilar, vai adentrando a arena e otras cositas más, passando a mão nas castanholas de la chica que se contorce toda. E evocando o sempre pranteado e eternamente graaaande Picasso, ela entonces suspira fundo, revira os olhinhos, e entusiasmada grita "Olé!!"
(12/01/10)

Paris e as mulheres francesas estão em chamas / U Sexu nu mundo 7

Os franceses sempre deram mostras de possuírem imensos poderes de inventividade, e provaram isso inventando la guillotine, o crêpe Suzette, o Cancan, a caneta Bic e a Dominique-nique-nique. No entanto, das suas grandes invenções, as mais conhecidas são mesmo o vinho francês, o pão francês e a saída à francesa. A essa última nós, brasileiros, devemos muito do nosso desenvolvimento econômico e social. A História registra que em 1807, na iminência de ter o reino português invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte, o príncipe regente D. João deu uma passativa no beligerante francês se picando com toda sua corte para o Brasil, o que foi bom para nosso progresso pátrio. Resumo da ópera: o regente D. João, autêntico português, saiu à francesa. E como os franceses não tiveram o cuidado de patentear essa sua notável invenção, os lusitanos jamais lhes pagaram um escudo, um franco, nem um euro de royalties por ela. Quanto ao quesito sexual, os compatriotas de Sade não ficam atrás. Quer dizer, ficam atrás, ficam na frente, ficam de ladinho, ficam em todas as posições imagináveis e inimagináveis, essas, com maior frequência. É fato notório que foram os franceses que inventaram o soutien, feito para ser desvestido beeem devagarinho pelas mulheres, deixando qualquer sujeito, francês ou não, mais doidão e piradão que Napoleão. Inventaram também o beijo sur le cou -que não é o que você está pensando- e ainda o rendez-vous, o faire minette, o ménage à trois e, é claro, o famoso e popular beijo francês. Esse amplo e invejável curriculum vitae confere aos franceses uma grande importância e prestígio, sexualmente falando. Mas é preciso levar em conta algumas particularidades. Caso esteja pensando em ir para a cama com algum ou alguma compatriota de Asterix e Obelix e você é uma pessoa ortodoxa no quesito higiene pessoal, é bom ir com um certo cuidado. É que, procedente ou não, rola por aí um enorme buxixo afirmando que o único banho diário praticado pelos inventivos franceses, é o banho de língua. 
(291210)

04 abril 2018

Victor Hugo, Machado de Assis, François Rabelais, João Ubaldo Ribeiro e o idioma franco-português que falamos na terra do Prof. Pasquale.

Sou um liberal avant la lettre. Nos costumes, nos costumes, economicamente, nem pensar. Esse negócio de lassez faire, lassez aller, lassez passer, só é bom mesmo para um grupinho e há que se ter um olho bem aberto. Ou melhor, os dois. Sou do time da liberté, égalité et fraternité. Mas não na base de la guillotine, Sacré bleu! Já fui um enfant terrible, mas jamais um enfant gâté. Nem um franc-maçon, coisa que, aliás, vejo com muitas reservas. Sempre busquei encarar a vida como um bon vivant e tudo comigo é às claras, ali no vis-à-vis, no tête-à-tête. Nunca morei em chateau, só em modestas maisons. Fui sempre um gourmand mas nem sempre -ai de mim - um bon gourmet. Adoro cassoulet, bouef bourguignon, filet au poivre, e lambo os dedos saboreando um foie gras, mas não dispenso um bom soufflé e um caprichado ratatouille. Na sequência, crêpes Suzette flambées ao melhor estilo da Le Cordon Bleu, até minha barriga estufar, já que esse negócio de novelle cuisine não combina muito com meu estilo de sujeito de baixa extração. Já gostei muito de cognac (à la santé, mon ami Paulo Carrusô!) e de champagne. Mas nunca, mon Dieu, tive o prazer de saborear um Grand Cru, como o Romanée-Conti. Ou um Le Montrachet. Mas quem sabe, um dia chego lá. Enquanto isto vou sorvendo umas garrafas de Capelinha, que prefiro chamar de Petite Chapelle, o que engana os mais desatentos. No amor, me envolvi com cocottes e também sofri, com alegria, nas garras de femmes fatales. Curto Vaudeville e adoraria ir no Moulin Rouge assistir um Can-can. Aprecio filmes noirNovelle VagueArt Naif, Art Noveau e as delícias da Belle Époque. Já Décor e Art Déco nem tanto, talvez por eu não ser um nouveau riche. Gosto de trabalhar com papier marché e com papier glacé. Tento desenhar e pintar e, para tal, uso muito o papier couché, cada vez mais difícil de encontrar nesta Soterópolis. Primeiro faço debuxos e croquis depois uso Caran d'Ache. Adoro todas as cores, mas depois daquela Copa da França, não me falem em Les Bleus, muito menos em Zidane. Sem falsa modéstia, sou coqueluche nas altas rodas de Montmatre e outros sítios menos votados. E nas minhas vernissages, sorvendo taças de um bom bordeaux, saboreio croissant, croquete, petit-pois, crème brûlée e um bom petit gâteau au chocolat. Mon Dieu, mon Dieu! Alors, no balanço do Olodum, o meu au revoir para vocês, mons enfants de la patrie.
(040214)

Minha Pátria é minha língua. E de Fernando Pessoa, de Pasquale, de Adoniran.

 
Moro longe, pra lá da Conchichina. Tenhor pavor de pastor alemão e de gripe espanhola. Tenho mania de comer pão francês com molho inglês . Nunca dirijo um Toyota, um Mitshubishi ou veículos da Asia Motors quando em mão inglesa. Democracia? Plebiscito? Tertius? Pra mim vocês estão falando grego. Loja de artigos de R$1,99: eis o verdadeiro negócio da China. Pra consertar guitarra baiana, uso chave inglesa. Tive um canário belga que cantava Brasileirinho. Você costuma comer americano? Eu prefiro traçar o bacalhau da bela portuguesa, quer dizer, um belo bacalhau à portuguesa. Empresas judias jamais adotam semana inglesa. Em Milão todo bife é à milanesa. Na Ásia toda febre é amarela. Na Rússia toda salada é russa. Na França todo beijo é francês. Na Turquia todo banho é turco. Aliás, nesse calorão, banho turco grátis é presente de grego. Só falsos amigos nos servem uísque paraguaio. Quem tem boca vai à Roma e come pizza alla napolitana. No Japão faça como os japoneses e nunca peça bife à cavalo, mesmo porque você pode acabar comendo basashi, que é um sashimi feito com carne de equino e aí sua indigestão pode ser cavalar. E a proposito, estando na China jamais peça um cachorro-quente. Você pode ter uma surpresa pouco agradável quando lhe trouxerem o prato. Meu parco francês é só pra inglês ver e quando a coisa está ficando russa eu saio à francesa.
(040214)

02 abril 2018

Mortinha, o Queijinho de Minas, e a Velha Jovem Guarda


Vinda da terra do heróico Tiradentes, a cantante Mortinha era carinhosamente epitetada de O queijinho de Minas. Este cognome, a um só tempo singelo e carinhoso, fazia menção às origens mineiras da guapa moçoila e rendeu uma enorme polêmica, tudo porque sabido era que Mortinha, O queijinho de Minas, costumava pisar nos palcos para cantar vestindo generosas minissaias que, se não chegavam a deixar à mostra o triângulo mineiro da moçoila, ao menos revelavam um mui bem torneado, invejável e cobiçável par de coxas, sendo que era trajada dessa capitosa forma que a mocetona se apresentava no programa "É uma brasa, mora!", do qual o Rei da Jovem Guarda, Roberto Calos, era o apresentador nas jovens tarde de domingo. E a alardeada polêmica teria surgido do fato de que RC nunca escondeu de ninguém - e até propagava aos quatro ventos - que adorava degustar com avidez todos os tipos de laticínios e gostosuras imagináveis oriundos de Minas Gerais, regalando-se com tais delícias e ainda lambendo os seus reais beiços cantantes.
(10/05/12)

Wanderley Caridoso, o Bom rapaz, e a Velha Jovem Guarda

Desde que era ainda um bebê, Wanderley Caridoso já demonstrava toda sua formidável bondade, e sempre dividia sua mamadeira com outros pequerruchos, entre um gugu-dadá e outro. Ele era mesmo uma boa alma, um sujeito generoso para com todos, jamais desmerecendo o sobrenome que tinha. Tão bom ele sempre foi que acabou por isso ganhando o apelido de O Bom rapaz. Vai daí, todos os anjinhos do céu se uniram e fizeram com que ele se tornasse um cantor famoso, bem sucedido e cheio de dindim em sua conta bancária. Quando o sucesso na carreira e a grana chegaram ao fim, WC tinha que fazer alguma coisa. E fez, e fez: colocou à venda o único bem material que lhe sobrara, uma pilha daqueles velhos e enormes discos de vinil chamados longplays ou LPs, todos eles com seus antigos hits que ficaram encalhados. Ninguém desconfiava, mas o desespero do Bom rapaz era tanto que ele tinha o abominável propósito de comprar uma pistola automática e com ela dar cabo da sua própria vida. Para dar um toque melodramático de filme de Almodóvar, o infausto gesto se daria sob o som de um dos seus encalhados  e empoeirados discos tocando na velha vitrola: "Parece que eu sabia que hoje era o dia de tudo terminar...". Felizmente para o bom WC, ninguém aguentava mais ouvir aquelas suas cantilenas e ele não conseguiu a notável façanha de vender sequer um único dos seus encalhados e bem empoeirados discos, deixando de amealhar algum tutu com o qual pretendia consumar seu nefasto propósito de comprar a arma fatal, o que o forçou a desistir do seu lamentável intento macabro. Foi então que a sorte voltou a sorrir para Wanderley, que acabou fazendo um enorme sucesso com Doce de Coco. Não, não se trata da açucarada canção, mas sim da açucarada, famosa e sempre apreciada cocadinha da Bahia, uma iguaria da melhor qualidade que Caridoso, valendo-se de uma receita que uma sua namorada baiana lhe passara, começou a produzir e a comercializar, logrando dar a volta por cima, voltando ao topo das paradas de sucesso, já não mais como cantante,mas como um mui bem sucedido empresário do ramo alimentício.
(100512)

Marasmo Carlos e a Velha Jovem Guarda

Roberto Calos, cognominado o Rei do iê-iê-iê, sempre dizia que Marasmo era mais que seu braço direito, era seu umbigo. E assim o apresentava em seus programas e shows: "Com vocês, o meu umbigo...Marasmo Carlos!!" Sendo amigo de fé, irmão e camarada do Rei RC, Marasmo sempre foi um cara muito boa praça e, no entanto, vivia posando de bad boy pois, como diz Leila Diniz, homem tem que ser durão. Convicto disso, ele fazia tudo para manter a sua fama de mau e quando numa Festa de Arromba via uma Gatinha Manhosa, dizia logo: "Pode vir quente que eu estou fervendo!" Apesar de afirmar em uma composição já ter fumado um cigarro e meio esperando uma gata que não veio, Marasmo sempre foi um antitabagista ferrenho, contumaz e renitente e quando alguém tenta acender um nefando tubo nicotífero ao seu lado ele trata de mostrar um aviso que diz "É proibido fumar". Mesmo não tendo ganho durante sua carreira fortuna tão grande como a de RC, Marasmo não ficou sentado à beira do caminho com os braços cruzados e conseguiu amealhar uma boa poupança o que o ajuda muito nos dias de hoje pois, atualmente com 94 anos, o cantante e compositante foi acometido pelo Mal de Parkinson e passa o dia com incontroláveis e incessantes tremedeiras, ganhando por isso o apelido de O Tremendão.
(10/05/14)

Roberto Calos, o rei. Sua vida dupla, suas manias, e a Velha Jovem Guarda

Mesmo sendo filho do Espírito Santo, os céus não ajudaram muito Roberto Calos em sua juventude. Vindo de uma família de pouquíssima grana, esse cara sou eu tinha que trabalhar arduamente, sendo que era obrigado a encarar uma extenuante jornada dupla para ganhar a vida. De dia, Roberto Calos era jogador de futebol e em campo defendia uns pixulés jogando na lateral esquerda. Mal o juiz apitava o fim do jogo, Roberto Calos saía a 120...150...200 km por hora para os vestiários e ali mesmo sapecava uma peruca em sua cuca legal, vestia um terno azul ou branco, colocava um medalhão no pescoço, enchia os dedos de anéis e, na maior azáfama, ia em busca de mais uns trocados que iria amealhar atuando como cantor de diversas boates. Alguns, invejosos dessa sua versatilidade, insinuavam que ele não cantava banana nenhuma, que ele só urrava, daí o terem cognominado de Urrei Roberto Calos. Depois de muito ralar, RC conseguiu juntar umas economias e com elas resolveu se dedicar inteiramente à sua carreira de cantante e compositante. Desistiu de ser beque e comprou um calhambeque. Empolgado e gritando "Eu sou terrível!", saiu guiando sua caranga que não era lá uma máquina quente. Mas o moço acabou se dando mal pois parou na contramão nas curvas da Estrada de Santos e um guarda apitou. Vai daí, o homem da lei tascou-lhe uma multa que quase fez o cantor perder a voz. Inconformado, o filho de Lady Laura bradou: "Querem acabar comigo!" Como o policial não se comoveu, o cantante não contou conversa e, indignado, vituperou: "Quero que vá tudo pro inferno!". De repente, se tocou que aquilo dava música. Chamou seu amigo Marasmo Calos e com ele fez um hit do iê-iê-iê que se tornou um verdadeiro hino da juventude vendendo toneladas de cópias pelo mundo afora, o que lhes trouxe muita grana cofre a dentro. Já tendo vendido mais de 100 milhões de álbuns no planeta, RC não sabe mais o que fazer com tanto dinheiro que ganhou. São milhões, bilhões e fudelhões de reais, dólares e euros que permitiram, entre otras cositas, que RC contratasse os melhores psicanalistas da praça para tentar curá-lo de algumas excentricidades e manias estapafúrdias que ele havia desenvolvido, como o fato de só gostar das cores branca e azul, achando que as demais lhe traziam mau agouro, abominando a cor preta, o cinza, o marrom e o verde que não te quero verde, cruz-e-credo!, pé de pato!, mangalô!, três vezes! Esse lance bizarro lhe trouxe problemas e constrangimentos, sendo Roberto Calos muito criticado por ter chegado ao cúmulo de dizer à Garota Marota Alcione que parasse de se insinuar para ele, afirmando que jamais iria convidá-la para jantá-la só pelo fato dela ser a Marrom.
(19/05/2014)

29 março 2018

Farofeiros unidos jamais serão vencidos

 Quem pensa que farinha e farofa são privilégios exclusivos das baianas gentes, engana-se em muito. A farofa é uma instituição nacional sempre presente na vida dos brasileiros mais brasileiros. Com tantos entreguistas dando de bandeja nosso ouro negro aos gringos, tem ficado difícil bradar aos quatro ventos que o petróleo é nosso, sem que fiquemos sujeitos a sermos tachados de formidáveis mentirosos, expostos aos motejos, zombarias e risos de escárnio dos que mercantilizaram as riquezas pátrias por 30 dinheiros. Por enquanto, ao menos por enquanto, ainda nos resta o direito de gritar bem alto que, ao menos, a farofa é nossa. Em suas diversas variedades, ela nos acompanha, constante e fiel, nos eventos mais importantes e confraternizantes de nossa auriverde existência. Esta ilustração que postei aí em cima é uma reprodução de parte de um grande painel que pintei com tinta acrílica e que me divertiu muitíssimo ter pintado, pois desde os primórdios de minha existência domino com maestria todas as conjugações do verbo farofar. Mesmo correndo em minhas veias o mais puro sangue indigo blue, sou assumidamente um farofeiro inveterado, contumaz e renitente, plenamente convicto de que a farofa é tudo aquilo de bom que eu já disse e muito mais. E como farofa é cultura, embora soe esquisito, ela também pode ser chamada de farófia, com i e acento, segundo registra o Buarque - o Aurélio, não o Chico. Em verdade, perfulgente leitor, a farofa é mais antiga que se pode pensar, sendo que não se limita a praias e recantos deste patropi, sendo ela universal, como podemos atestar vendo inúmeros filmes do neorrealismo que mostram famílias italianas, entre risos e canções populares, farofando na maior felicidade do mundo, uma felicidade que só os farofeiros podem experimentar em toda sua plenitude. Vivam esses grandes felizardos do mundo, os farofeiros, sejam italianos, argentinos, brazucas! Viva a farofa! E antes que as malignas gentes queiram também entregar nossa farofa a quem não a merece, farofeiros do Brasil e de todo o mundo, uni-vos!
(10/05/10)

28 março 2018

Os cubanos: bons de cana e maus de cama? / U sexu nu mundo 3


As mulheres cubanas andam reclamando que a vida sexual em Cuba está precisando urgentemente de uma revolução. Estas bravas, indômitas e mui guapas chicas vivem se queixando que anoche, anoche soñe contigo, na hora del cuerpo a cuerpo, seus respectivos maridóns não se animam muito na cama, frustrando as sequiosas mocetas que inutilmente ficam de olho fixo na guevara do cabisbaixo compañeroesperando - em vão - que a dita guevara do sujeito dê algum sinal de vida. Seja em Guantanamera, Siboney ou Habana, todas las chicas gritam desesperadas “hay que endurecer, hay que endurecer, por Dios!. Mas é tudo debalde, nada de los hombres endurecerem, armarem as barracas en Sierra Maestra ou em qualquer outro recanto da ilha. Também pudera, depois de haverem escutado, em pé e ao sol, por sete intermináveis horas o loquaz e verborrágico comandante Fidel Castro Ruz discursar contra os porcos imperialistas norte-americanos, os homens cubanos chegam em casa combalidos, trôpegos, extenuados e sem tesón para atender as súplicas inflamadas das concupiscentes mocetonas de la cor de la canelaAssim, sin embargo, ficam todas elas con sus pererequitas em chamas, subindo por las paredes e por lo paredón. Enquanto la mujer cubaña, cheia de lubricidade, fica na mão, siempre a periglo, e matando perro a gritoel macho cubaño - atualmente, já não tão macho assim - anda por aí de cabeças baixas, cheio de vergonha por haver se tornado um desditoso empata-rumba. A chegada da noite na Ilha passou a ser uma constante ameaça para los hombres cubaños, e eles não conseguem mais adormecer em paz, apavorados, com receio de que quando estiverem em seus sonos mais profundos, las compañeras, exímias cortadoras de cana, usem suas afiadas foices para lhes cortar seus preciosos charutos cubanos e jogar para los insaciables porcos imperialistas.
(15/11/10 )

Flavio Colin, o Mestre dos Mestres das HQs, comentando os desenhos de Setúbal (euzinho, mesmo).

Indômito e estoico, o coração do explorador o leva a penetrar intrepidamente na imperscrutável selva que no emaranhado de seu interior mortais armadilhas oculta. Na jângal de nigérrima escuridão e insondáveis mistérios penetra ele com invulgar destemor, sem quaisquer hesitações. Esse explorador sou eu, leitores. Essa selva, o espaço desorganizado de um quarto de meu larestúdio, em que se amontoam livros, revistas, discos de vinil, papéis com bosquejos, debuxos, rafes, layouts, rabiscos e estudos, lápis, canetas nanquim, pincéis, tintas a óleo e acrílicas, um poster do Odair José, uma figurinha carimbada do Flávio Minuano com a camisa 9 do Corinthians e incontáveis recuerdos de Ypacaraí. Toda sorte de objetos de formas, tipos e procedências se acumulam nessa mui densa selva em que os intrépidos irmãos Villas-Bôas não ousariam adentrar, temerosos. Tais atitudes inconsequentes de minha parte por vezes são altamente compensadoras. Muita vez meu peito experimenta a alegria de um velho arqueólogo que, após décadas de intensa procura, finalmente descobre milenares tesouros de um faraó. Isso se dá quando encontro algo que, estando perdido no meu caos doméstico, ressurge em minha frente, materializa-se em minhas mãos. Como essa carta que um dia, no anno Domini 1998, enviou-me o inimitável, o inigualável, o incomparável Flavio Colin, meu ídolo desde que, ainda um guri, comecei a ler histórias em quadrinhos. Não conheci Colin pessoalmente, só grahambellmente, em longas conversas, principalmente sobre quadrinhos. Enviei a ele livros e revistas com desenhos meus e de amigos aqui da Bahia. Nos papos, Colin mostrava-se um homem culto e politizado. Sendo cortês, não deixou de escrever-me e o fez de forma alongada, falando de coisas que denotavam seu pensamento de profissional e, indo além, de forma espontânea teceu comentários sobre meus desenhos. Nada de teclados, notebooks, e-mails, o que Colin escreveu sobre meu trabalho foi escrito pelo mesmo punho que desenhava aquelas maravilhas todas que fizeram feliz minha existência de voraz devorador de gibis, álbuns, revistas de quadrinhos. Suas palavras foram e são para mim uma grande motivação. Considero que meus desenhos são meras garatujas diante da arte maior de Colin, mas ele, vendo meus desenhos, gostou e se motivou a me escrever, inflando meu peito do mais lídimo e justificável orgulho. Determinam as regras do mais elevado e ético comportamento humano que uma pessoa assim laureada, porte-se com modéstia, de maneira nobre, de forma serena, contida, reservada, sem ostentação. Pois faço saber que nesse caso mando uma banana para a modéstia e outra para sua irmã caçula, a discrição. Uma honra dessas não se acha por aí, aos montes, dando sopa pelas ruas, becos, ladeiras, vielas, veredas, ágoras, alamedas e bulevares, e não serei eu quem irá encobrir com os tecidos da falsa modéstia o irrefreável orgulho que sinto pelas palavras do Mestre Flavio Colin:
"Caro Setúbal:...
...Gostei e admirei especialmente "ABC da Guerra do Absurdo". Sem bajulações e sem salamaleques, considero suas ilustrações belíssimas. Um trabalho realmente primoroso. Vou guardá-lo com todo o carinho. Espero que você alcance êxito, não só profissional e financeiramente, para que possa expor todo o seu potencial artístico e viver do seu talento com a segurança e a dignidade que bem merece. aguardo novos trabalhos seus. Abração do Flavio Colin."
(20/08/17)

The Beatles e Biratan Porto, caricaturista com letras maiúsculas.

Da maravilhosa e supercriativa série de caricaturas do cartunista Biratan feitas com as letras iniciais dos seus modelos famosos, posto aqui e agora esta maravilha que mostra John, Paul, George e Ringo, os célebres cabeludos de Liverpool que juntos formavam The Beatles, banda inglesa que influenciou milhões de pessoas, causando enormes mudanças em todo este planeta índigo blue e que, segundo uma pletora de gentes, foi mais popular do que aquele outro cabeludo e barbudinho que fazia verdadeiros milagres para agradar seu público seguidor.
(07/06/14)

25 março 2018

El gran Vázquez: um fantástico cartunista da Espanha e o filme sobre sua vida e criações.

 El gran Vázquez é nome de um filme de 2010 do cineasta espanhol Óscar Aibar. A película se baseia na vida - por sinal, bastantíssimo atribulada - de um dibujante de historietas, mais exatamente um historietista cómico español, ou seja, um retumbante e altaneiro desenhista de histórias em quadrinhos da Espanha, cujo nome era Manoel Vázquez Gallego. Segundo consta, Vázquez nasceu em Madrid em 24 de janeiro de 1930, sendo filho de pai espanhol e de mãe brasileira, vá vendo você como são as coisas nesse planeta azulzinho que habitamos. Essas atribulações da sua vida eram motivadas em parte por suas muitas dificuldades econômicas que faziam com que o bravo dibujante contraísse dívidas e mais dívidas e constantemente tivesse um monte de cobradores em seus calcanhares e ele tinha que ser mais escorregadio que sabão para escapar dos insistentes sujeitos. Vázquez não era viciado em drogas ou em qualquer tipo de jogo de azar, suas dívidas vinham do fato dele não se conformar com as limitações impostas pelos seus parcos ganhos como desenhista e, malgrado isso, insistir em levar uma vida com nível que ia além do que seus somíticos proventos lhe permitiam. Diretores da Editorial Bruguera tratavam de complicar ainda mais as coisas tirando-lhe todo e qualquer direito sobre os personagens que ele criava, agindo impiedosamente de uma forma injusta e antiética: ou ele assinava a cessão dos direitos ou não recebia nenhum vintém pelos desenhos feitos. Seus personagens, a exemplo de La famillia Cebolleta, Las hermanas Gilda e Anacleto, agente secreto, eram adorados pelos leitores, mas com os direitos autorais nas mãos dos patrões, pouco lhe rendiam. Nada recebia por eles além do valor pouco expressivo pago pelas páginas com as histórias que criava e desenhava. Tal situação abusiva era imposta também a seus colegas de prancheta na Bruguera, entre eles desenhistas que se tornaram famosos como Peñarroya e o hoje consagrado Francisco Ibañez, criador de Mortadelo y Filemon, no Brasil batizados de Mortadelo e Salaminho. Vázquez tinha um ótimo traço, era um artista talentoso que, de forma criativa, muitas vezes se inspirava em suas vivências cotidianas e colocava a si próprio como personagem de suas historietas, revivendo suas agruras e suas alegrias, como uma autêntica catarse em nanquim. Vázquez criava também toda sorte de subterfúgios para driblar a política injusta imposta por seus editores, não as aceitava passivamente como os demais. Enquanto isso, tinha sempre que usar de muita sagacidade para fugir do indesejável séquito de cobradores que o perseguiam a qualquer hora do dia. Seus problemas com o dinheiro e com os editores terminaram por levá-lo à cadeia sob a acusação feita pela Bruguera dele receber indevidamente valores monetários valendo-se de fraude, com direito a falsificações de assinatura pelo dibujante. De certa forma, isso seria um troco à exploração e vilania dos seus patrões, o que nos faz pensar em Vázquez como uma espécie de Robin Hood que tirava dos ricos para dar ao pobre, no caso ele mesmo. Para complicar um pouquinho mais as coisas, a vida amorosa de Vázquez também não era exatamente um mar de rosas. Gostava de mulheres, tendo vivido com sete delas em regime, digamos, de união estável. Através desses relacionamentos colocou no mundo onze filhos, onze boquitas para alimentar com leche, paellas e tortillas. Acusado de bigamia, Vázquez voltou a passar um período na cadeia. Óscar Aibar, antes de se dedicar integralmente ao cinema, trabalhou como guionista de historietas, ou seja, argumentista de quadrinhos, na revista Makoki. Nessa condição conheceu e conviveu com Manolo Vázquez e dele ouviu detalhes de sua vida pessoal que muitíssimo impressionaram o cineasta, surgindo daí a decisão de um dia levar ao écran um filme sobre o historietista famoso e seu modo diferenciado de viver nesse mundo. Quando chegou a ocasião de realizar a película, para interpretar Vázquez, Aibar chamou o ator Santiago Segura, fantástico como sempre. O roteiro é muito bem escrito, todo o elenco está bem, o diretor é habilidoso aos mostrar, de forma contida, as sequências com tom humorístico ou dramático. Não sei se as locadoras de vídeos têm em seus acervos El gran Vázquez. Na verdade, nem sei mesmo se ainda existem locadoras. Em todo caso, sempre é possível, com paciência e vagar, achar-se uma cópia do filme na internet. Para quem, a exemplo de mim, ama historietas, dibujos, dibujantes e o cinema, vale muitíssimo a pena.
(12/01/17)