20 janeiro 2019

Mulher de Aquário no Horóscopo de Vinícius de Moraes

Se o que se quer é a boa esposa
A aquariana pousa.
Se o que se quer é uma outra coisa
A aquariana ousa.
Se o que se quer é muito amor
A aquariana
É mulher macho sim senhor.
Porém não são possessivas
Nem procuram dominar
Ou são meigas e passivas
Ou botam para quebrar.

17 janeiro 2019

Biratan Porto, J.Bosco, LF Carvalho e o dia em que o cartunista Valtério Sales saiu do armário e botou pra quebrar.

Os dias de estio da Bahia soem ser iluminados, plenos de risos, festas, confraternizações amistosas sob o sol, à beira da praia, papos profundos regados à cerveja e roskas de frutas as mais diversas. Antes, bem antes que as águas de malço deem as caras, fechando o verão, há uma enorme promessa de vida nos corações de quem por aqui habita. Ou que por aqui aporta, como é o caso deste retumbante e maravilhoso trio de ilustres paraenses, estimados amigos meus que decidiram passar uns dias sob o convidativo sol desta afrocity chamada Soterópolis, capital da Bahia, e em dias recentes nos visitaram nestas plagas. Refiro-me a Biratan Porto e J. Bosco, caricaturistas brilhantes, e a Luiz Fernando Carvalho, estudioso apaixonado do universo cartunístico e uma batelada de coisas mais. Pois estes intimoratos conterrâneos da Fafá, do Pinduca e da Gaby, planejaram com antecedência sua viagem e estadia, hospedando-se em um confortável flat em Itapuã. Também de forma antecipada ligaram cientificando a mim e ao cartunista e escultor Valtério Sales, por sermos amigos de longa data. No dia e hora da chegada, Valtério – estreando uma nova bengala toda feita em madeira de lei - foi buscá-los, transportando-os para o flat. Não demorou muito e cheguei eu. Reencontrar amigos do peito como Bira, Bosco e Luiz Fernando é sempre uma renovada alegria. E quando Bira anunciou que nos traziam uma mala cheia de regalos, dentre eles, para o Valtério, uma caixa da famosa bebida paraense que chamam de cachaça de jambu, uma cachaça que cachaça não é, segundo os dicionários, reservando eles esta denominação às bebidas feitas com cana de açúcar. Ocorre que esta bebida é famosa por ter características exclusivas dela, tais como um barato que dá, seguido de uma dormência nos lábios, língua e céu da boca. Cachaça ou não cachaça, Valtério, que já a experimentara em outras oportunidades, arregalou os olhos e chegou a flutuar, tal era sua felicidade.                                    
Muito embora este meu papo trate sobre gentes e acontecimentos da Bahia e do Pará, vou encaixar aqui um gauchão, o analista de Bagé, personagem criado por outro Luís Fernando, o escritor, filho de Érico Veríssimo. Entre um joelhaço e outro em seus pacientes, o analista afirma, sem admitir réplica, que não existe gaúcho homossexual, o que existe nos pampas são correntes migratórias. Falo isso porque na Bahia não existem larápios, gatunos, ladravazes e rapaces. Mas volta e meia surgem por aqui umas correntes migratórias de maus elementos, oriundos de sei lá quais rincões, para nos turvar os dias mais solares. Pois uma dupla destas entendeu de dar plantão justamente no flat em que estávamos, assaltando eles todos os apartamentos e seus ocupantes. Precisamente ali, onde estávamos papeando na maior descontração, bebendo umas geladíssimas. J.Bosco, sedento, fora na cozinha pegar mais umas cervejotas na geladeira e viu os dois amigos do alheio armados com duas automáticas. Por sorte os meliantes não o viram, e ele conseguiu nos dar o alarme. Além de cartunistas, somos todos machos que honram as calças e bermudas que vestimos. mas este negócio de valentia tem hora e o bom senso manda que em momentos de desvantagem como o que se anunciou, o ato mais corajoso, racional e sensato a ser feito é tratar de se esconder o melhor e o mais rápido possível. Assim, Luiz Fernando pulou, qual um acróbata, dentro de um grande baú que servia de decoração. Eu, Bosco e Bira, nos enfiamos céleres debaixo da cama e Valtério, na falta de um esconderijo melhor, entocou-se no armário. Não demorou e a dupla entrou no quarto e começou a mexer na bagagem dos nossos amigos. E nós, ai de nós!, todos silentes e sem mexer um músculo, nem respirar. Os sujeitos exultavam, colocando em um saco tudo de valor que encontravam, celulares, relógios, laptops, CDs do Pablo. De repente, um dos larápios comemorou em voz alta um achado precioso: “Mermão, olha só este tesouro: cachaça de jambu, vinda de Belém do Pará, meu rei!!” Dentro do armário, um anjo soprou no ouvido de Valtério uma verdade drástica: se não tomasse uma atitude ele iria ficar sem sua caixa de preciosíssimas cachaças de jambu, que iriam adormecer os beiços do maléfico duo de aves de rapina. Incontinenti, sem pensar nas consequências de seus atos, sem ligar para as armas mortais dos marginais, qual um tigre, Valtério saiu do armário de um só salto. Espumando de raiva e brandindo sua bengala de madeira de lei, deu certeiras e potentíssimas porretadas nas cucas das ladravazes criaturas, que caíram no chão, estatelados, sem sequer saberem o que os acertou, sem terem noção da chapa da jamanta que passou por cima deles. Com os bandidos totalmente fora de combate, minha coragem aumentou em muito, bem como a do resto da trupe e deixamos os esconderijos. Na sequência, chegou a justa numa muito escura viatura. Assombrados com o estado em que ficaram os bandidos, os homi os levaram, ainda nocauteados, para a DP. A nenhum de nós Valtério soube explicar direito o que aconteceu. Tudo leva a crer que ele agiu movido por um impulso incontrolável ao perceber que ficaria sem seu néctar dos deuses, o jambu engarrafado que tão gentis amigos trouxeram do Pará. Os dias vão passando, passando, e nada da gente esquecer da cena daquele inacreditável massacre que sofreram os indigitados marginais. Na minha memória, na de Bira, Bosco e Luiz Fernando, testemunhas daqueles momentos, o acontecido ficou perenemente registrado, gravado de forma indelével como o dia em que, mostrando uma faceta que desconhecíamos em tão estimado amigo, Valtério Sales saiu do armário para entrar para a História.

15 janeiro 2019

Sigmund é Freud e Luciene é ainda mais Freud.




Quando as gentes do mundo se perdem ao buscarem explicações para coisas d'alma humana aparentemente insondáveis, soem dizer "Freud explica."  Mister se faz esclarecer que o Freud evocado nesta ocasiões é o Sigmund, cognominado "Pai da Psicanálise". Seu neto, Lucien, honrou o sobrenome e tornou-se também uma celebridade mas não pela via da Psicanálise. Era um notável artista plástico e faleceu em julho deste corrente ano de 2011. Chamado por um respeitado crítico de "o intérprete da carne e da psique humana na pintura", Lucien jogava na tela tintas pesadas, empunhava seus pincéis com segurança e fúria, fazendo dali surgirem figuras em atitudes e situações que o avô famoso teria que se virar mais que dançarino de hip-hop e usar de toda sua sabedoria psicanalítica para poder explicar ao mundo o que os trabalhos do neto podem almejar dizer. Alemão de nascimento, Lucien foi criado na Inglaterra onde fora morar aos 10 anos de idade e como cidadão britânico viveu até aos 88 anos. Um tempo bastante razoável para incomodar o conservadorismo britânico e o do restante do mundo, incluindo-se os artistas amantes da mesmice que povoam o planeta e a caretice geral que assola a raça humana neste imenso mundo, mundo, vasto mundo.
Para ver mais trabalhos do fabuloso Lucien Freud, basta uma navegada básica na internet, por exemplo, acessando o https://tarjapretarte.wordpress.com/2011/07/10/freud/
(19/09/2011)

O grande cartunista Lage no Portal do Irdeb, em bela homenagem

O IRDEB, Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia, em seu atrativo e bem idealizado portal, está prestando uma bela e justíssima homenagem ao cartunista Lage, amigo inesquecível, cartunista de raro talento e um humor personalíssimo com uma extensa legião de admiradores em toda a Bahia e em todo este mulato inzoneiro chamado Brasil. Não só o público leitor admirava, cultuava, idolatrava Hélio Roberto Lage, seu humor, seus cartuns, seus desenhos. Também os próprios cartunistas os tinham na conta de um artista diferenciado, viam Hélio Lage como uma fera maior dos cartuns, babavam com seus desenhos e sacadas geniais. Quem quiser ver uma deliciosíssima seleção dos trabalhos de Lage, pra conhecer ou pra matar as saudades, é só visitar o belo e diversificado Portal do IRDEB. Você clica aqui neste link, http://www.irdeb.ba.gov.br . 
Acesso feito, você vai lá em Galeria de Imagens onde usufruirá do prazer de se encantar, se divertir, se regozijar com os maravilhosos trabalhos lagenianos.

12 janeiro 2019

A Poesia e a Boca de Béu Machado.

Mal o rocio se esvanecia e lá estava eu, senhor do mar qual um Poseidon, mergulhando nas águas da Praia da Armação, na Boca do Rio, nesta soteropolitana urbe. Tempos antes, Caetano Veloso soltara sua voz tamanha alardeando que a Boca do Rio era beleza pura. Um aval régio desses não é inteligente desprezar-se. Vai daí peguei meus pincéis e tintas e fui habitar o - na época - paradisíaco bairro onde já haviam morado até Os Mutantes, em fase pós-Rita Lee. Entre os tradicionais moradores estava o vate Béu Machado, que eu já conhecia das redações de gazetas baianas, vez que ele sustentava sua prole e família ganhando o pábulo nosso de cada dia nessas redações, escrevendo, com competência e estilo próprio, coluna falando sobre as artes made in Bahia, divulgando os artistas locais, notadamente os da música, muitos dos quais ainda emergiam na profissão, antes de tornarem-se as estrelas que hoje são. Fora das redações, Béu curtia mesmo era prosear bebendo umas e outras em algum cacete-armado do seu bairro, cotovelo no balcão, fumando um cigarro atrás do outro com seu jeito pacato, sua mansidão bovina. Observando-o assim ninguém adivinharia que ali estava um poeta de surpreendente criatividade e um frasista mais que inspirado, ora crítico, ora cínico, às vezes debochado, muita vez lírico, e o letrista, parceiro de Moraes Moreira em canções em que diz coisas como "Salvador é um Porto Seguro". Um dia, quando a bebida e o cigarro lhe golpearam mais duramente a saúde, atendendo à amada e aos filhos deixou de beber para melhor se cuidar. De Brasília, o jornalista Fernando Vita, também apreciador de liquors variados, envia texto a ser publicado em que lamenta o recesso alcoólico de tão querido amigo. Tempos depois não resistindo mais à prolongada abstinência, Béu rendeu-se e voltou a beber contrariando médicos, esposa e filhos, todos receosos de nefastas consequências dessa sua decisão, até de uma possível morte prematura. Em nota na sua coluna Swing, enfim responde a Vita, colocando-o a par de sua atitude e justificando sua humana fraqueza: "Vita, querido, voltei ao etílico. Aquela força-de-vontade não podia continuar me dominando!" Grande, grande, grande Béu Machado.
(24/11/12)

Histórias em Quadrinhos no Brasil, seus inimigos ferrenhos e seus incansáveis defensores.


Prof. Álvaro de Moya
Consideradas erroneamente uma forma de expressão nefasta que deveria ser extinta por desviar crianças e jovens dos bons caminhos e ainda por cima atrofiar os cérebros dos leitores transformando-os em marginais irrecuperáveis, as histórias em quadrinhos sofreram implacável perseguição nos EUA. Infelizmente para nós brasileiros, essa onda moralista norte-americana que se iniciou no período da Segunda Guerra, não se restringiu aos States, vindo também a inundar em cheio o Brasil já que em nosso país o reacionarismo sempre se fez presente, não sendo um privilégio dos tempos atuais. Por aqui uma absurda campanha difamatória contra os quadrinhos aconteceu de forma oficial nos anos quarentas, notadamente pelo político Carlos Lacerda. Nessa época foi distribuída entre a população uma famosa cartilha  afirmando que os quadrinhos deveriam ser execrados porque eram inimigos mortais da literatura tradicional,  além de um tenebroso caminho que conduziria  jovens incautos ao banditismo, uma apavorante escola do crime. Tamanhos disparates fizeram com que respeitados escritores e intelectuais mais equilibrados se pronunciassem contra o absurdo equívoco existente em tal campanha. 

Profª. Sonia Bibe Luyten
Professores universitários dentro de suas atividades curriculares foram formando uma resistência contra a difamação orquestrada esclarecendo que os quadrinhos eram, na verdade, uma forma de expressão forte, direta, bela, vigorosa, inovadora. Que essa forma de expressão deveria ser acolhida sem reservas, estudada a fundo, compreendida e divulgada no âmbito acadêmico, como sendo um exemplo positivo da comunicação de massa. Que os quadrinhos não deveriam ser vistos como um inimigo a ser combatido e sim como um poderoso aliado dos docentes na sua árdua tarefa de ensinar, facilitando nas aulas ministradas a compreensão e a assimilação dos ensinamentos. Esses bravos professores, para desconstruir a rede de mentiras sobre os quadrinhos e mostrar o valor que eles continham, usaram de oratória em salas de aulas, fizeram palestras, promoveram debates, escreveram livros e artigos em revistas de prestígio, organizaram mostras e exposições, inclusive a I Exposição Internacional de Quadrinhos, em 1950. Nas universidades eram fortes as resistências, veladas ou explícitas, por parte de muitos que insistiam em não querer enxergar os quadrinhos como uma nova e formidável forma de expressão. Entretanto, tais resistências foram sendo superadas aos poucos até que a força dos quadrinhos se impôs e hoje, além do seu enorme sucesso popular, garantiu oficialmente lugar nas salas das mais respeitadas faculdades e um justo e merecido espaço no pódio científico. 

Prof. Moacy Cirne
A saga das histórias em quadrinhos e sua luta épica para se firmar entre nós como um salutar meio de expressão está em livros diversos escrito pelos bravos e pioneiros professores que nunca foram munidos de visão de raios-x qual a de certo superherói, e ainda assim enxergaram muito além do que outros enxergaram. Um dos bons livros sobre o assunto chama-se Os pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil, organizado por Waldomiro Vergueiro, Paulo Ramos e Nobu Chinen, uma edição da Editora Criativo, do ano 2013. Nesse livro estão os depoimentos de professores que foram pioneiros dos estudos das HQs,  pela mudança de conceito e mesmo pela redenção do bom nome dos quadrinhos, entre eles: Álvaro de Moya, Antonio Luiz Cagnin, José Marques de Melo, Moacy Cirne, Sonia Bibe Luyten e Wsssaldomiro Vergueiro. Pow!, bang!, sniff! e kisses!, kisses! procês, amáveis e idolatráveis professores e insignes leitores. 
(28/10/2015)

11 janeiro 2019

Deus e o Diabo na Tela do Sol!


O cinema norte-americano sempre foi uma arma de aculturamento em nossas cabecinhas tupiniquins desde Celia Cruz, quando eu era um niño de Jesus. A TV e a internet ainda não haviam adentrado os lares brasileiros. Os tais bípedes implumes, que tanto se gabam de serem racionais, também ainda não haviam inventado e disseminado as maldades mais torpes, o ódio, a brutalidade e a pedofilia como práticas corriqueiras. Crianças de cinco, seis, sete anos podiam caminhar pelas ruas sem correrem riscos de rapto, violências. Em feriados e finais de semanas, meus pais consentiam e eu, minhas irmãs e meu irmão, pequerruchos desacompanhados de adultos, íamos ao cinema na minha cidade natal, Candeias, na Bahia. E foi através da telona, linda, panorâmica, apaixonante, que a magia do cinema me pegou. E vai daí que eu, embevecido, via filmes de cowboys metendo certeiras e mortíferas balas em indígenas que eles nos mostravam como sendo sórdidos, cruéis e nada hospitaleiros com o bom e sempre assaz bem intencionado homem branco americano, sendo destarte merecedores de todos os letais balaços que recebiam em suas rubicundas epidermes. Depois surgiu em cena nosso Lima Barreto abocanhando, em 1953, o prêmio de Melhor Filme de Aventuras do Festival de Cannes mostrando nas telonas de todo o planeta um brasileiríssimo cangaceiro em suas andanças pelo inóspito sertão nordestino. E o mundo inteiro ficou conhecendo o cangaço e os cangaceiros. O sucesso do filme foi muito além do prêmio recebido, sendo exibido com pompas em mais de 80 países, causando furor na Europa. Só na França ficou em cartaz por quase 5 anos seguidos, uma façanha que nenhum blockbuster norte-americano logrou igualar. Pela vereda aberta por Lima Barreto mais tarde veio o vulcão Glauber Rocha e seu genial Antonio das Mortes e de quebra Deus e o Diabo se arrostando na Terra do Sol. E eu ali sempre firme, cada vez mais apaixonado pela temática do cangaço. Sempre que faço uma HQ ou um cartum costumo aproveitar o tema, mostrando cenários e tipos do sertão do nordeste. E quando pinto telas, muitas vezes o resultado é como o que está na foto, um painel de quase 1 metro e meio de largura por 2 metros de altura, esboçado com lápis 2B e pintados com tinta acrílica, prazer e cangaceirística paixão.
(02/01/15)

09 janeiro 2019

Facebook e vingança / Humor de Graça

((26/08/16)

Decerto é deserto / Frases do Barão de Itararé 3

Não é triste mudar de ideia. Triste é não ter ideias para mudar.
(Já dizia Aparício Torelly, o Barão de Itararé)
(20/10/16)

Mulher de Capricórnio no Horóscopo de Vinicius de Moraes


A capricorniana é capricornial
Como a cabra de João Cabral.
Eu amo a mulher de Capricórnio
Porque ela nunca lhe põe os próprios.
A caprina é tão ciumenta
Que até os ciúmes ela inventa.
Mulher fiel está aí: é cabra
Só que com muito abracadabra.
Suas flores: a papoula e o cânhamo
De onde vem o ópio e a maconha
Ela é uma curtição medonha
Por isto nos capricorniamos.
(211013)

06 janeiro 2019

Roberto Rivelino, Friedrich Nietzsche, Sérgio Echigo, Corinthians..

O imenso bigode nietschiniano indica que esse cara aí é um grande e respeitado pensador. Não há como contestar isto, gentis leitores. Embora seus melhores trabalhos legados à humanidade não constem em nenhum dos compêndios da literatura universal, esse rapaz era um grande, um formidável pensador. Ostentando o número 10 nas costas de sua camisa do S.C. Corinthians Brasileiro, sagrado manto, ele pensava, pensava, racionalizava, arquitetava, construía, tecia o jogo do meu glorioso, salve, salve, Coringão do Parque São Jorge. Lá ele chegara ainda imberbe e ali seu bigodinho foi crescendo, crescendo até virar um frondoso e imponente moustache. E seu futebol também cresceu, cresceu, cresceu ainda muito mais, virou craque diferenciado aqui e no vasto universo do esporte bretão. Nós, torcedores mais atilados, já víamos isso nas partidas preliminares, ele arrasando no time corintiano de aspirantes, passagem de muitos para a consagração junto à Fiel. E a galera antenada chegava cedo aos estádios para ver o espetáculo dos aspirantes do Corinthians. Ah, meu Deus!, tantas e tantas alegrias nos deu Riva com sua técnica apurada, sua garra, sua vibração contagiante, tudo tão corintiano demais em sua essência. Sua canhotinha abençoada nos inebriava os olhos, com seus dribles desconcertantes, como o elástico que ele aprendera com Sérgio Echigo - o generoso amigo nissei, ponta direita dos mesmos aspirantes - que Riva lançou ao mundo dando o devido crédito ao amigo. Hoje, o elástico é peça fundamental no repertório de grandes craques do mundo. Sou eternamente grato a Riva como corintiano e como brasileiro já que ele, ao lado de Pelé, Tostão, Jairzinho e outros craques, deu-nos a todos nós, o título mais incontestável que temos de Campeões Mundiais de Futebol, o de 1970. E ainda assim, pasmem, foi injustiçado por culpa de um decisão carregada de burrice do presidente Mateus e seus dirigentes, muito também pela ainda mais burra indução de obtusos cronistas de futebol da época que. em sórdida e difamatória campanha, tiraram de Riva a camisa 10 do Corinthians e quem saiu perdendo com isso foi a Nação Alvinegra, para alegria do Fluminense do Rio que soube dar a Rivelino o devido valor e carinho e ele soube retribuir dentro dos gramados. Negaram-lhe no Corinthians a glória do título de campeão paulista que já estava maduro após 20 anos de espera e aconteceria três anos depois da saída forçada de Rivelino. Quem ficou no prejuízo, nunca é demais repetir, fomos nós, apaixonados torcedores corintianos, que pagamos pela sordidez e a burrice alheias que permeiam o mundo do futebol com insistência. 
Históricos de mediocridades assim deveriam ensinar coisas melhores a dirigentes, torcedores, a certos jornalistas e cronistas de futebol, mas sei lá porque não ensinam e os medíocres e mal intencionados seguem sendo o que são, sendo que alguns ganham fortunas para dizerem com convicção suas asneiras e suas "verdades" distorcidas, contribuindo com cartolas espertalhões e suas políticas nefastas, suas ligações espúrias com emissoras de TV, contribuindo assim para afundar o futebol brasileiro. 
Ainda bem, para todos nós do bando de loucos, que Rivelino é também um craque como ser humano e driblou todas as burrices que lhe fizeram, deu um elástico nas injustiças a ele cometidas e hoje propaga ao mundo o amor e reconhecimento que nutre pelo Corinthians. Merecidamente, desde 2014 Rivelino tem um busto em sua homenagem na sede do Timão. E nessa sede, ao ver o pela primeira vez o busto que o homenageia, Rivelino chorou como uma criança e ali ficou claro que em seu coração o amor pelo Corinthians a tudo superou. Quando falamos nos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, nesse mais que seleto panteão passeia uma formidável legião de maravilhosos e inolvidáveis cracaços de bola e entre eles, com seu moustache niestzchiniano,o inigualável pensador Roberto Rivelino a quem os deuses do futebol legaram seus dribles mágicos, suas fintas desconcertantes, sua cabeça sempre erguida olhando o jogo, seus lançamentos precisos, seus chutes potentes e indefensáveis, sua genialidade enchendo de alegria meu coração torcedor corintiano da adolescência aos dias atuais. Rivelino ficou conhecido por Reizinho do Parque, Riva, Bigode, Curió, Patada Atômica. Para nós, corintianos, ele é o eterno Garoto do Parque São Jorge - Ogun-yê, meu pai! A Riva, a minha eterna, inefável e imensurável gratidão.
(30/05/10)
********* Nesta seção Arte que se reparte de hoje, bretãonístico leitor, você certamente percebeu que adentrei o gramado usando uma tática diferente. No desenho ligeiro e de traços econômicos que fiz de Rivelino, não usei lápis sobre papel, como geralmente sói acontecer. Optei pelo uso do Photoshop, valendo-me do mouse para fazer o traço e a coloração. Só pra variar. Como dizia o Didi Mocó, aí vareia.

Um sol muito negro nos céus do Brasil, Meio ambiente, Folks from EUA. Três ilustrações de Setúbal em P&B.

SOBRE NOSSAS CABEÇAS UM SOL MUITO NEGRO. Ilustração esboçada com grafite 2B sobre papel de diagramação, arte-finalizada com caneta nanquim. Clicando sobre cada ilustração você as vê ampliadas.
NATUREZA EM PERIGO, O HOMEM, O MEIO AMBIENTE. Esboço com grafite B. Na arte-final, pincel Tigre Kolinsky 02, nanquim, guache branco, colagem à mancheia e uso de um trapinho embebido em nanquim à guisa de retículas. 
EUA FOLKS. Lápis dermatográfico white sobre black paper

05 janeiro 2019

O japonês Noboru Yoshihara, o cartunista Biratan, o Boto Tucuxi

Rezam lendas indígenas do misterioso e exótico Pará que quando é noite de perfulgente plenilúnio, o cartunista parauara Biratan Porto sói converter-se no Boto Tucuxi e, assim travestido de Boto, sai por aí Botando geral, atendendo as súplicas de lúbricas moçoilas as quais, depois de devidamente Botadas, passam a ostentar perenemente em suas faces um esgar que denuncia uma intensa satisfação interior, sendo que - para desespero de pais conservadores - não há esculápio que retire de seus rostos tal expressão, como se pode ver nesta fotografia mostrando que Bira-Boto-Tucuxi não brinca em serviço. A imagem comprova de uma vez por todas que tudo que se diz é mais que mera lenda papaxibé ou simples crendice popular. 
Esta belíssima e antológica fotografia que estou usando para ilustrar este post do blog, tomei emprestada do honorável nipônico Noboru Yoshihara. Para ver outras fotos tão incríveis e mais desenhos e caricaturas dele, vá ao seu blog: http://muyukobo.blogspot.com . 
Lembrando aos meus já bem ilustrados leitores apreciadores de cartuns de alta qualidade que sempre vale a pena visitar o blog do Biratan Porto:   http://biratancartoon.blogspot.com 
Biratan é fera nos cartuns e além do mais, tirando esses incomodativos problemas de Botânica, ele é um cara super do bem, pra lá de porreta. Ainda assim, por pura precaução e para que eu não me me veja obrigado a me valer do meu proverbial domínio de capoeira em uso da mais legítima defesa do que me pertence, deixo um aviso ao Bira que quando vier me visitar aqui nesta afrocity é bom que venha bem mansinho e respeitoso e não ouse Botar pra quebrar se engraçando com meu harém composto de princesas núbias, de loiras oxigenadas e das morenas mais frajolas da Bahia. Sou filho de Ghandi, sou da paz, mas não admito liberdades e ousadias com meu harém, com o qual mantenho a minha mais fiel fidelidade. E tenho dito.
(120813)

02 janeiro 2019

Farofeiros unidos jamais serão vencidos

 Quem pensa que farinha e farofa são privilégios exclusivos das baianas gentes, engana-se em muito. A farofa é uma instituição nacional sempre presente na vida dos brasileiros mais brasileiros. Com tantos entreguistas dando de bandeja nosso ouro negro aos gringos, tem ficado difícil bradar aos quatro ventos que o petróleo é nosso, sem que fiquemos sujeitos a sermos tachados de formidáveis mentirosos, expostos aos motejos, zombarias, comentários sardônicos e risos de escárnio dos que mercantilizam as riquezas pátrias por 30 dinheiros. Por enquanto, ao menos por enquanto, a nós nos resta o orgulho de poder gritar bem alto que, pra consolo geral desta auriverde nação, a farofa ainda é nossa. Em suas diversas variedades ela nos acompanha, constante e fiel, nos eventos mais importantes e confraternizantes de nossa existência neste brioso torrão tropical em cujas densas matas a caucasiana Cecy costumava dar uns créus com o aborígene Pery, ciente de que o único pecado debaixo da Linha do Equador é deixar de comer uma capitosa farofa. 
Esta ilustração que postei aí em cima é uma reprodução de parte de um grande painel que pintei com tinta acrílica sobre tela e que me divertiu muitíssimo haver pintado, pois desde os primórdios de minha existência domino com maestria todas as conjugações do verbo farofar. Mesmo correndo em minhas veias o mais puro sangue indigo blue, sou assumidamente um farofeiro inveterado, contumaz e renitente, plenamente convicto de que a farofa é tudo aquilo de bom que eu já disse e é mais, muito mais. E como farofa é cultura, embora soe esquisito em nossos pavilhões auditivos ela também pode ser chamada de farófia, com i e acento, segundo registra Buarque - o Aurélio, não o Chico. Em verdade, perfulgente leitor, a farofa é mais antiga que se pode pensar, não se limitando a praias e recantos deste patropi abençoá por Dê, sendo ela universal, como podemos atestar vendo inúmeros filmes do neorrealismo italiano que mostram famílias napolitanas numerosas, entre risos e canções populares, farofando na maior felicidade do mundo, uma felicidade que só os privilegiados farofeiros podem experimentar em toda sua plenitude. Pois viva a farofa e vivam esses grandes felizardos do mundo, os farofeiros, sejam italianos, argentinos, brazucas! E antes que as malignas gentes queiram também entregar esta nossa iguaria a quem não a merece, é com a boca cheia de farofa que proclamo num brado: farofeiros do Brasil e de todo o mundo, uni-vos!
(10/05/10)

01 janeiro 2019

Pablo Picasso, Euclides da Cunha, Fernando Namora em retratos P&B traçados por Setúbal.

EUCLIDES DA CUNHA, escritor e jornalista, escreveu o célebre livro Os Sertões baseado nos acontecimentos que viu pessoalmente cobrindo-os como jornalista enviado no final do século XIX a Canudos, Ba,  pelo jornal A Província de São Paulo, atual Estadão. Como correspondente, Euclides testemunhou in loco os fatos que redundaram em um massacre perpetrado pelo exército brasileiro contra uma comunidade de penitentes sertanejos que seguiam o líder religioso Antonio Conselheiro, enxergado pela elite da época como uma feroz ameaça à República do Brasil, o que serviu de pretexto para aterrorizante banho de sangue ordenado pelo governo federal da época, tornando-se um indelével labéu na história do exército. A imprensa, que desde aqueles tempos, sempre foi parcial, chamava os acontecimentos de Guerra de Canudos, não levando em conta que pra se fazer uma guerra são necessários ao menos dois exércitos antagônicos. E em Canudos só havia um único exército. 
Os relatos de Euclides, esplendidamente redigidos, são uma peça fundamental da literatura brasileira. O livro foi traduzido para inúmeras línguas, tendo sido levada às telas de cinemas, TVs e palcos de teatro e até mesmo transformada em ópera. 
Fiz este retrato para um jornal cultural em papel Opaline 180 g, esbocei com grafite HB, arte-finalizei com bico de pena e um trapinho embebido em nanquim Talens para dar o efeito de retículas.
FERNANDO NAMORA, escritor, poeta e médico português. Autor de um grande número de livros, foi galardoado com prêmios literários diversos. Retrato feito em papel de diagramação, esboçado com grafite 2B, arte-finalizado com caneta nanquim e pincel, sobre um fundo xerocado.
Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno Maria de los Remédios Cipriano de la Santíssima Trindad Ruiz y Picasso. Se seu fôlego não der para tanto, pode chamá-lo apenas de PABLO PICASSO ou simplesmente PICASSO. Nasceu na região da Andaluzia, sul da Espanha, na cidade de Málaga, aquela mesma sobre a qual João Gilberto fala na canção, dizendo que "il mio amore è nato a Malaga, il mio cuore resta a Malaga". Foi desenhista, pintor, escultor, gravurista, cenógrafo, poeta, dramaturgo e otras cositas más. Este artista predestinado revolucionou o mundo das Artes onde, para dizer o mínimo, era el perro chupando una manguita. Fiz este retrato do catalão em papel de diagramação, com grafite B, bico de pena e uma maravilha de pincel Winsor & Newton 02.

Retratando Antonio Conselheiro.

Há desenhistas que arrancam as próprias melenas, às vezes até bem raras, em busca de um estilo pessoal que seja passível de reconhecimento como se dá com sua escrita, cujo modo de delinear as letras as pessoas identificam de pronto. Não foi este o caminho que busquei na minha senda de ilustrador, vez que adoro mudar sempre que possível e o mais que puder, tentar novos rumos, novas linguagens, novas técnicas, buscando fugir da mesmice, dos maneirimos, do que é rotineiro. Para mim, fazer a mesma coisa em nome de um estilo pode se tornar algo previsível e mesmo cansativo, desestimulante. Sinto-me mais motivado mudando sempre que possível - geminiano sou - em eterno desafio, tentando surpreender positivamente o público leitor e até mesmo a mim próprio. Nestes retratos de Antonio Conselheiro intentei buscar duas alternativas, dois enfoques diversos. Em uma almejei criar um impacto mostrando em close as marcantes feições de um sertanejo atingido por graves e injustas perseguições que findaram por tirar-lhe a vida. Para tal, utilizei sobre papel ofício uma experimental bisnaga de tinta negra, destas para pintar paredes. Foi uma meleira completa, mas o resultado final me agradou. Na outra, mais clean, usando tinta acrílica fui em busca de um clima semelhante mas agora almejando situar o personagem no seu hábitat recortado por um céu digno de um glauberrochístico filme. Um pincel na mão e uma ideia na cabeça.
(15/11/14)

31 dezembro 2018

As façanhas sexuais de um chefe, segundo o relato de um insuspeito Puxa-saco.

UM PUXA-SACO TEM QUE SER IMAGINATIVO E ENGRANDECER A PLANGENTE PERFORMANCE SEXUAL DE SEU SAGRADO CHEFE.
O criativo e hilariante texto contido no livro MANUAL DO PUXA-SACO, do escritor e jornalista Ademar Gomes, é de imprescindível leitura para os que querem, nestes tempos bicudos, assomar o pedestal da dignidade puxa-saquística e se regalar com os proventos daí advindos.. 
A RELIGIÃO DE UM PUXA-SACO RESPEITÁVEL É A MESMÍSSIMA RELIGIÃO DO SEU VIRTUOSO CHEFE.
Um Puxa-saco tem que ser dedicado aos seu superior nos mínimos detalhes. Deve adotar para si preferências clubísticas e religiosas do chefe. Nada de inaceitáveis heresias, impensáveis apostasias. Um comportamento apóstata não se coaduna com uma conduta de incondicional cumplicidade que deve ser estabelecida e preservada por um Puxa-saco que se respeite. A exemplo de certas figuras que se arvoram a serem influentes líderes religiosos cristãos, o Puxa-saco deve bradar bem alto que o seu amado chefe está no cargo que ocupa por inquestionável e sacrossanta escolha de ninguém  menos que Deus, que é Onipotente e Onisciente, apesar de não ser lá tão Onipresente assim. Isso vale para qualquer que seja a fé, muçulmana, budista, católica. E muito principalmente para os que habitam esta afro-capital baiana pois isto vale também para as religiões de matriz africana como o candomblé. Um Puxa-saco não pode vacilar um só instante: deve, sem indecisão, abraçar a fé afro-brasileira de seu pio chefe. Quando preciso, dançar ao som do toque dos atabaques, e até mesmo fumar charuto e beber marafa no gargalo, se o momento assim determinar, ainda que isto possa resultar em recriminações nada ecumênicas por parte dos preconceituosos e teocráticos setores pentecostais e similares contra as pessoas que professam fé nas religiões afros..
NÃO IMPORTA O QUE VOCÊ ESTEJA FAZENDO, NEM COM QUEM. UM CHAMADO DO CHEFE É COISA SAGRADA E UM PUXA-SACO CONSCIENTE TEM QUE LARGAR TUDO PARA ATENDER SEU IDOLATRADO SUPERIOR.
Digam o que queiram dizer os maledicentes de plantão, a vida de um Puxa-saco nem sempre é um mar de rosas, um lago de perfumadas gardênias, uma fonte de delicadas orquídeas, um oceano de alvissareiros lírios-da-paz A felicidade pessoal é algo que deve ser preservado, mas acima dela e bem acima de tudo o mais, está a vontade do amado chefe. O chefe é uma sacrossanta instituição que garante as refeições diárias e o padrão de vida almejado por um Puxa-saco de valor e suas vontades devem ser atendidas incontinente, sem indevidos questionamentos, injustificáveis alegações e inaceitáveis excusas.
**********Quando recebi o texto original de MANUAL DO PUXA-SACO, esta basilar obra de Ademar "Professor Bandeira" Gomes, não pude me conter e li-o de um só fôlego, tão deliciosos eram os escritos de Ademar. Aí então, lesto e presto, esbocei todas as ilustrações usando grafite 2B sobre papel Opaline 180 g. Incontinente, arte-finalizei todos os desenhos com uma dócil canetinha de ponta porosa e indiquei o meio-tom em papel vegetal. Curti à beça o texto hilariante de Ademar e, qual um Narciso soteropolitano, curti também as ilustrações que fiz para ele.

Soldados, armas, franco-atirador, o Brasil. Três ilustrações de Setúbal.

SOLDADOS E ARMAS. Ilustração esboçada com grafite B sobre papel Opaline 120 g , arte-finalizada com pincel Tigre Kolinsky 02, manchas com trapinho molhado na dita tinta china. Aliás, o uso copioso de nanquim nesta ilustração tem o escopo de propiciar um clima pesado e um tom de drama requerido pelo texto do artigo jornalístico. Querendo ver as ilustrações em tamanho GG, basta clicar sobre cada uma delas.
FRANCO-ATIRADOR. Esboço com grafite B sobre papel de diagramação, arte-final com caneta nanquim. Reticulado de tons cinza impresso por indicação em arte anexada feita em papel vegetal.
RETRATOS DO BRASIL. Nesta ilustração abri mão do nanquim. Ela foi esboçada com grafite B sobre papel de diagramação e a arte-final foi executada com marcadores e pincéis atômicos de cor cinza e preta. 

Chico Buarque de Hollanda, Kid Morengueira e Miles Davis. Três retratos em P&B por Setúbal.

MOREIRA DA SILVA, o popular Kid Morengueira, homem dos sambas de breque e do humor delicioso em incontáveis sucessos musicais. Desenho em papel Opaline 180 g, esboço feito com grafite 2B, arte-final com caneta nanquim, pincel seco e nanquim Talens. Clicando sobre cada uma destas ilustrações, intrépido leitor, você poderá vê-las ampliadas.
 CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, cantor e compositor cultuado em todo o planeta, escritor e dramaturgo mais que premiado, suas canções, nas letras e melodias, têm a marca da genialidade, sendo cantadas e regravadas em diversos países pelos mais consagrados cantores. Ao lado de Caetano foi apresentador de um programa televisivo musical, escreveu inúmeras trilhas musicais antológicas para filmes e peças teatrais. Retrato feito em papel de diagramação, esboço com grafite B, arte-final com caneta nanquim, meio-tom em retícula executada graficamente.
Mr. Miles Dewey Davis III, o virtuosíssimo trompetista MILES DAVIS, também compositor e bandleader, deixou seu nome marcado no jazz e em toda a música norte-americana e mundial. Retrato em papel Westerprint 180 g, grafite B, caneta nanquim, fundo com retícula xerocada. 

30 dezembro 2018

William ''Bill'' Shakespeare no traço de Setúbal.

Há jogadores profissionais de futebol que só jogam em uma única posição, seja ela qual for. Outros, entretanto, se adaptam a diversas posições, do ataque à defesa, passando pelo meio de campo. Há até uns craques que, mesmo não sendo goleiros de ofício, em caso de uma emergência calçam as luvas de arqueiro e vão estoicamente defender o chamado último reduto. O fato em si não torna um jogador eclético melhor que o que não o é, é só uma questão de versatilidade que um não tem e no outro por vezes sobra. Falo isso porque já conheci desenhistas que sempre seguiram uma única linha de trabalho e dessa forma mostravam-se notáveis. Outros conheci que tinham inúmeras variantes para se expressar. Meu trabalho se situa entre os destes profissionais. Faço isso por gostar de fazer um número de coisas diferentes, variar, ousar, experimentar técnicas e materiais novos, o que me enche de prazer e satisfação. Assim, busco dar o melhor de mim e fazer um bom trabalho profissional, quer fazendo cartuns, HQs, tiras, ilustrações variadas, caricaturas e retratos. Destes últimos, os retratos, já fiz um bom número mostrando artistas, políticos, escritores, intelectuais e um infindável número de gentes outras. 
Nesta postagem, mostro acima o mais que extraordinário William Shakespeare, poeta, dramaturgo e ator inglês, celebrizado como "O bardo do Avon". Não confundir com o Bar do Avon, que deve ser - há de existir - o nome de algum pub local. Shakespeare é considerado o poeta nacional da Inglaterra, eternizado como o criador de Romeu e Julieta - e não estou me referindo à sobremesa de goiabada-cascão-com-muito-queijo, falo do casal de jovens apaixonados de Verona que não há quem desconheça neste mundo. 
********Usando grafite B esbocei o desenho em papel de diagramação. Fiz a arte-final com caneta nanquim e sobre ela - qual um inventivo MacGyver - me valendo de uma velha escova de dentes, aspergi tinta nanquim para dar um toque visual mutcho porreta, como dizem as mais representativos representantes do povão desta minha afrocity baiana, Soterópolis. 

O Primeiro Mundo, o Brasil e Adolf Hitler em desenho traçado por Setúbal.


Nem todo mundo que usa bigodinho se chama Carlitos, usa bengala, chapéu-coco e diverte multidões de pessoas, envolvendo-se em situações hilariantes com seu jeito irreverente e criativo. Exemplificando, o nome deste sujeitinho de bigodinho aí em cima é ADOLF HITLER, que muitos acham mais adequado chamar de Adolfo Deu. Ocorre que se um dia ele já foi muito mal visto, rejeitado, odiado e execrado por milhões, atualmente parece andar em alta mundo afora, incluindo-se em países considerados como sendo o tal Primeiro Mundo. Ou seja, seus simpatizantes se preservaram por décadas em insidioso mutismo e devem achar que agora é chegado o momento de reviver as coisas preconizadas pelo dito Adolfo Deu, e que me perdoem se insisto no infame trocadilho. O fato é que cada vez mais vem aumentando o número dos que estão embarcando com tudo em uma incompreensível onda de malfazejo saudosismo quer pelos ditames ideológicos, quer pelo sórdido proceder. Claro está que se o cenário mundial é preocupante, mais preocupante ainda é ver que aqui mesmo neste Patropi abençoá por Dê, que sempre primou por uma democrática mistura de raças, o baixinho da suástica vem sendo visto com preocupante simpatia por quem considera seus métodos a senda redentora para este auriverde torrão. Tais admiradores vêm agindo abertamente e cometendo os mais absurdos desvarios em plena luz do dia, expandindo o terror, alastrando o ódio e o medo. Nossos horizontes vão sendo obumbrados pelas mais densas e negras nuvens que os mais alienados não sonham perceber e assim vão engrossando, convictos, as fileiras da maldade. Que os céus nos acudam a todos.
*********A ilustração acima foi esboçada com grafite B sobre papel de diagramação e arte-finalizada com bico de pena, com direito a hachuras, tão prazeirosas de se fazer com vagar longe de mouses e digitais canetas.

29 dezembro 2018

O extraordinário da extraordinária no TRT da Bahia. J. Jorge Amado e Setúbal.

Selecionei mais um delicioso caso entre os muitos que compõem o Pequeno Anedotário do TRT da 5ª Região, da lavra do escritor Joâo Jorge Amado, tendo as ilustrações do livro sido feitas por mim. Para alegrar seu dia, venerável leitor, posto aqui o texto de João Jorge narrando o acontecido, pura veracidade:
"O presidente da Junta era Jayme Villas Boas. A mulher reclamou contra uma determinada pensão. De um lado da mesa de audiência, a proprietária da pensão com o marido, do outro lado, a reclamante. Na tentativa de acordo, o advogado da reclamante sempre dizia:
_Sem pagar alguma coisa pelo extraordinário, eu não faço. 
Até que Jayme disse:
_Mas que extraordinário?
_Doutor Juiz, ela tinha extraordinário.
_Qual era o extraordinário? Quantas horas a mais ela trabalhava por dia?
_Não era propriamente a mais.
Aí o juiz percebeu que o advogado não queria dizer e passou a se dirigir à reclamante que tinha sido empregada na pensão. 
_Minha filha, qual é o extraordinário que você está pleiteando?
E a reclamante, direta, sem meias palavras:
_Depois que eu arrumava os quartos, ele ia no meu quarto e a gente trepava...
Ao ouvir tal relato, a dona da pensão virou a mão na cara do marido. A audiência foi suspensa."
Diante disto, diria um amigo meu tirado a poliglota: És muele? 
***********Arte que se reparte: a ilustração acima fiz sobre papel Opaline 180 g, tendo sido esboçada com grafite B e arte-finalizada com caneta nanquim e retícula Letratone. 

Porretadas por decreto. Texto de J. Jorge Amado, desenho de Setúbal.

Do livro Pequeno Anedotário do TRT da 5ª Região, escrito por João Jorge Amado e por mim ilustrado, selecionei o presente caso com o qual lhe brindo nesta postagem, venusta leitora. Este livro, tão gostoso de se ler, J. Jorge o escreveu a partir de fatos acontecidos na ambitude do referido TRT da Bahia. Transcrevo, a seguir, o texto de J. Jorge, que, por sua vez, nos transcreve uma portaria baixada por um prefeito, da forma como foi redigida pelo referido alcaide: 
"Na Junta de Jacobina, o vigilante Antônio Lima Santana reclama contra a Prefeitura Municipal de Serrolândia. Entre os documentos juntados ao processo está a seguinte portaria:
O Prefeito Municipal de Serrolândia, Estado da Bahia, no uso de suas Atribuições que são conferidas por lei, RESOLVE:
fica designado o Sr. Antônio Lima Santana funcionário desta Prefeitura para exercer as funções de Vigilante do Prédio Escolar onde funciona o Colégio Municipal do Povoado de Quixabeira p/ Exercer a função por ordem e respeito Caso a Malandragem venha perturbar tem ordem expressa para Baixar a Porrada sob a responsabilidade desta Repartição.
Gabinete da Prefeitura Municipal de Serrolândia, 14 de Abril de 1986."
Benquisto leitor, não incorra em indevido ceticismo, na Bahia o improvável faz parte do cotidiano.
************O desenho que ilustra esta postagem esbocei com grafite B em papel Opaline 180 g e arte-finalizei com caneta nanquim e retícula Letratone

28 dezembro 2018

Dr. Jota Cristo, advogado trabalhista, TRT da Bahia, João Jorge Amado e Setúbal.

Histórias reais, ocorridas verdadeiramente, por mais inacreditáveis que possam soar. Fatos pitorescos, hilariantes, de causar espécie, risos e gargalhadas, ocorridos no âmbito do TRT da Bahia. Todas elas foram pesquisadas, garimpadas, recolhidas, selecionadas e narradas por João Jorge Amado e resultam em um rico material que está contido no seu livro Pequeno Anedotário do TRT da 5ª Região, editado pela Fundação Casa de Jorge Amado. João Jorge, que por muito tempo trabalhou dentro do dito TRT, teve o discernimento de saber que tantos fatos insólitos formavam um mote riquíssimo, dignos de registro literário. Fui chamado pelo autor para fazer as ilustrações e de tanto gostar das histórias narradas, volta e meia costumo reler, principalmente aquelas que considero mais hilariantes. Uma delas fala de certo reclamante que, em tom solene, disse ao juiz ter por advogado ninguém mais, ninguém menos que o próprio Jesus Cristo, o filho de Deus Onipotente. Achava ele que estava sendo original, mas os juízes já estão habituados a coisas que tais. Ocorre que  nestes tempos em que vemos crescer o descrédito nas chamadas autoridades constituídas, quando uma enorme desesperança geral nas coisas terrenas parece tomar conta das pessoas, são muitos os que buscam se agarrar a deidades diversas na esperança de construir uma ponte com o mundo espiritual que lhes garantam a um só tempo, um lugar nos céus e, de quebra, as coisas materiais que ainda sonha possuir aqui na Terra. Vamos aos fatos: iniciada a audiência, o juiz Cláudio Mascarenhas Brandão, que a presidia, indagou ao reclamante se ele tinha advogado. Como resposta, ouviu:
 "Meu advogado, Doutor, é Jesus Cristo."
Impassível e sagaz, aduziu o juiz:
 “Este daí é muito, muito bom. Infelizmente ele não pode advogar nesta audiência, pois não é inscrito na OAB."
Por estas e outras é que a Bahia foi um dia cognominada a terra da felicidade. 
**********Arte que se reparte: a ilustração desta postagem foi feita em papel Westerprint 180 g, tendo o esboço sido executado com grafite B e a arte-finalização feita com caneta nanquim e retícula Letratone.           

26 dezembro 2018

Nem Portugal, nem Brasil: nossa verdadeira pátria é a língua portuguesa,

  O que quer, o que pode esta língua? Ah, pode nos encantar a todos e a todos seduzir, esta língua portuguesa, tão sonoramente gostosa, tão vária e tão bela, que encerra um “assombro vocálico em que os sons são cores ideais”, como definiu Bernardo Soares. Aliás, este escritor português, em meados do século passado, escreveu um texto que até hoje reverbera grandemente entre nós, habitantes dos países que têm o Português como língua materna. Decidido, com segurança, destemor e ousadia, no referido texto Bernardo nos diz que a ele pouco importava, que nada se lhe dava se um dia Portugal fosse invadido, se o solo lusitano fosse tomado por quem quer que fosse, porque sua única pátria era outra: a língua portuguesa. A esta não admitia, sob nenhuma hipótese, que tratassem com apedeutismo, insciência, incúria. Asseverava Bernardo Soares: “Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente.”     
Tanto tempo se passou e até hoje a mencionada frase é motivo de grandes burburinhos, discordâncias e de controvertidas análises, tanto mais por sabermos que Bernardo Soares é outro dos muitos heterônimos utilizados pelo escritor Fernando Pessoa, dos quais se valia para dizer o que lhe ia na sua rica alma de poeta, escritor e intelectual. 
Grandes escritores e poetas portugueses ensinaram a nós, do Brasil, a amar o idioma que um dia nos chegou a bordo de caravelas lusitanas. Através dele, talentosos escritores, cantores, compositores. cineastas e atores brasileiros se expressam, se manifestam por palcos, telas, recantos do mundo todo, encantando plateias de idiomas diversos e ampliando enormemente a força e a glória que esta língua encerra.   
Passados mais de 500 anos, no Brasil a língua portuguesa foi criando uma forma própria de ser, aqui se permitindo todas as influências e mudanças possíveis. Hoje, nosso idioma comporta galicismos, anglicanismos, neologismos e influências as mais diversas, temos diferenças na forma de falar de acordo com cada região deste país tão extenso, erros acolhidos e incorporados, gírias inumeráveis que sempre se renovam. Nesses tempos de globalização, a cultura brasileira, por sua criatividade e força comunicativa, se faz conhecida em diversos países do mundo. Em parte, isso se deve à internet e ao veículo TV, notadamente às novelas feitas por aqui, uma febre em muitos países há dezenas de anos. Em Portugal, Angola, Moçambique e em países outros, os habitantes locais tomam conhecimento e terminam mesmo adotando as gírias, o gestual, o vocabulário, este modo de falar exuberante, pontuado pela irreverência do povo brasileiro, um modo bem pouco restrito a normas e dogmas idiomáticos. Assim nos expressamos nós, nativos desta terra que um dia Cabral encontrou dando sopa, dando mole, dando a maior bobeira aqui pelos trópicos. Desta nossa maneira de falar o Português, melhor não pensar o que poderiam dizer Luís de Camões, Eça de Queiroz e o Padre António Vieira. Muito menos o que pensariam e diriam Bernardo Soares, autor da tão polêmica frase, e Fernando Pessoa. Estes dois, aliás, ainda que em alguns pontos pudessem divergir entre si, certamente teriam opiniões semelhantes e bem pouco lisonjeiras sobre este modo que muitas vezes nós, brasileiros, usamos para falar e escrever esta tão amada língua portuguesa.
***************E neste cantinho singelamente batizado de Arte que se reparte, informo aos interessados que a ilustração em preto e branco esbocei em papel de diagramação usando grafite 2B. Para a arte-finalização usei caneta nanquim, pincel 02 e 04 e nanquim Talens. A arte das coloridas foi toda feita com lápis 6B sobre papel Canson 120 g, tendo as cores sido aplicadas posteriormente no Photoshop.

25 dezembro 2018

O Judiciário e a Lei dos mais fortes / Frases de Béu Machado 12

Todos os homens são iguais perante a lei. 
Mas como são diferenciados perante os juízes!
(Frase de Béu Machado, do seu livro Pensamentando)
(23/09/16)

Excelentíssimo Ladrão / Frases de Béu Machado 16

Para alguns ladrões, nenhuma clemência. 
Outros são chamados até de Vossa Excelência.
(Frase de Béu Machado, do seu livro Pensamentando)
(26/09/16)

A dita Guerra de Canudos em versos do escritor Édio Souza, com desenhos de Setúbal


Eu já havia ilustrado crônicas que o escritor Édio Souza enviava de Santo Amaro da Purificação para o jornal A Tarde. Um dia, por telefone, ele me convidou para ilustrar um livro seu, escrito com versos à maneira da instigante, bela e tão brasileira linguagem dos livros de cordéis. Topei. Com uma ajuda do Núcleo de Incentivo Cultural de Santo Amaro fizemos um opúsculo que é, sim, pequeno em tamanho, mas que no final resultou em um belo livro que considero merecedor de uma nova edição feita por alguém que enxergue na obra o real valor que tem. Uma edição nova, bem feita, em um tamanho maior, em bom papel, impressão e revisão à altura da obra, pois a narração em inspirados versos escrita por Édio Souza faz por merecer ser lida por um público mais amplo, sendo esta narrativa de Édio uma preciosidade, lançando um olhar próprio e novo de um homem inteirado sobre uma temática já tão amplamente debatida mas que jamais se esgota, um olhar que é amplo, aguçado e embasado sobre esta ferida que carregamos na alma através de sucessivas décadas e que parece não querer cicatrizar, uma mais que delicada e inquietante página da História do nosso país de tantas e tantas páginas inquietantes que se repetem contra a vontade dos que querem uma pátria mais humana, mais justa. 
**********Acima, a capa, logo abaixo, três das ilustrações que fiz para o livro. Para fazê-las, utilizei grafite 2B sobre papel westerprint 180gramas, canetas nanquim, pincel Kolinsky 02, nanquim e uma cor laranja-céu-da-caatinga indicada graficamente. Clique em cima das figuras para ampliá-las.