25 fevereiro 2020

Cartola e as rosas tagarelas

As rosas não falam?! Ô, Seu Angenor, elas falam, falam, sim, ora, se falam! Algumas são incrivelmente loquazes, outras chegam até a serem beeeem tagarelas e é um custo fazer com que calem suas róseas boquitas. Às vezes puxam um assunto qualquer e logo desandam a falar - de forma muitíssimo bem articulada, por sinal -  sobre o tema que pauta para si. Por exemplo, por exemplo, o samba, um mais que valioso tesouro da nossa música popular. E é claro que se elas falam sobre samba falam de sua notabilíssima pessoa, Seu Angenor de Oliveira, o senhor que é um dos mais valiosos tesouros culturais deste patropi abençoá por Dê, um grande Mestre do samba, da vida, eternizado no universo musical pelo seu cognome de Cartola, o Mestre Cartola, conhecido como sendo o compositor mais identificado com a Escola de Samba da Mangueira. Mas nós, brasileiros, sabemos bem que Seu Angenor, o marido de Dona Zica, foi bem além disto, sendo gravado pelos mais consagrados cantores da nossa rica MPB. Preconizam as mui falantes florzinhas que o compositor Cartola legou à música brasileira autênticas e finíssimas pérolas musicais, tesouros de altíssimo valor, versos que denotam um criador de alma culta, ainda que o autor fosse uma pessoa de origem humilde, de poucos estudos formais, morador do Morro da Mangueira, no Rio, reduto de gente simples e dita comum, mesmo sendo ele um artista incomum. 
Esta carica acima eu fiz um tempo atrás, como presente pro meu nobre e especial amigo Biratan Porto, gente da minha consideração e apreço, que todos sabem bem que é um cartunista e caricaturista piramidal, de alto gabarito e que, de quebra, é ainda um músico habilidoso, um virtuose do bandolim, coisa que tive a fortuna de comprovar ao vivo e a cores em Belém do Pará. E não fosse isso o bastante, Bira é também um cartolamaníaco inveterado, contumaz e renitente, no que lhe dou inteira razão, convicto de que ele merece ouvir das rosas umas loas tão enaltecedoras quanto as que elas dirigem ao Mestre Cartola.
(281114)

Sketchbook 03 / estudo de homem com camisa listrada

Trabalhar com computador é sempre gratificante. Mas são tantas as formas prazerosas de fazer um bom desenho que é bom experimentar um pouco de cada um de tais prazeres, notadamente as técnicas mais tradicionais já utilizadas por tantos e tantos artistas deste mundo, mundo, vasto mundo. Aquarela é sempre uma delícia das mais deliciosamente deliciosas. Ainda mais assim, manchadona, feita meio que com uma estudada falta de acuro. O lado bom de quem ama desenhar e escolheu como profissão justamente o trabalho com desenho, é que este se torna ao mesmo tempo fonte de sobrevivência e um enorme e perene prazer.
(171110)

21 fevereiro 2020

Carnaval de rua na Bahia, tinta acrílica, beldades e um temerário ser chamado Caó.


Já é carnaval, cidade, acorda pra ver! Curtir a folia, brincar o carnaval nas ruas da Bahia é puro delírio. A festa é um painel colorido, belo e efervescente, cheio de personagens maravilhosos. A velha raça humana se esquece dos problemas e vai à praça gritar a alegria que segue cultivando em seu peito malgrado as ações dos nefastos, integrando-se ao melhor dos hedonismos, com direito àqueles beijos nada colombinos, desejos luxuriosos mais que legítimos e novos amores eternos que durarão até a quarta-feira de cinzas. Ou quinta-feira. Ou sexta, já que o carnaval aqui nunca sabemos dizer com precisão quando termina, considerando-se a remotíssima hipótese de que ele termina. Bom, ninguém aqui nesse bloguito é tão alienado que não saiba que na elaboração da festa há enormes manipulações oficiais e interesses empresariais que atropelam a honestidade, a tranquilidade e o conforto de moradores de bairros ocupados pela folia oficial e até mesmo o direito de ir e vir desses e de outros moradores, e ainda as tradições mais populares e o bom senso na busca do lucro fácil e farto. Mas fiquemos, por ora, no aspecto lúdico, na alegria e na loucura a que todos se permitem, pois é por motivos tais que o carnaval da Bahia é mesmo uma bela temática para se pintar, caprichando no colorido de cores vivas, cores quentes, cores redondas ou seja lá que outro nome lhes deem, como aliás busquei fazer nesta pintura concebida com massa acrílica e tinta acrílica sobre tela de 1.00 x 0.80 m. Ditas tais quase profundas e filosóficas palavras, eu agora vou correndo pro Pelô, senão o Caó come as mulheres todas que estiverem por lá e não sobra nada pra ninguém, sendo que isto inclui talqualmente minha pessoa. Caó é phoda, quando vê murundum não considera amigo nenhum! Axé, galera!! Sem perda de tempo, lá vou eu. Fuiiii!
(250217)

Samba e turismo sexual no País do Carnaval

 Você, sapientíssimo leitor, já deve ter notado que Carmen Miranda é uma figura recorrente em minhas pinturas. Isto se explica pela formidável admiração que ela exerce sobre mim e também em miríades de gentes deste planeta azulzinho. Na ilustração deste post está uma versão da Pequena Notável executada com tinta acrílica sobre tela, sendo ela parte integrante de uma extensa série de pinturas que fiz buscando falar sobre um amontoado de erros com os quais convivemos, por vezes indiferentes, nesta Terra Brasilis, pátria amada nem sempre tão gentil que, ainda assim, intenso amor nos inspira, apesar dos tantos e tantos pesares. Por aqui, hedonistas que somos, amamos o samba, que é nosso e que é tão bom, entre tantos ritmos brasileiros que celebram nossa admirável alegria interior. Mas não podemos perder de vista o fato de que neste país amado, entre outros malefícios, perdura um forte turismo sexual e a pedofilia, frutos da desigualdade, praticados por gentes inescrupulosas, que trazem suas moedas fortes com as quais logram corromper nosso caráter por vezes tão macunaímico. E tudo tende a piorar quando um presidente do Brasil diz o que já disse acerca de estrangeiros e turismo sexual.  Há ainda a terrível e abominável situação da infância que foi abandonada - e não é de hoje - pelos governantes mas pela sociedade também. Estamos em tempo de carnaval. Dancemos e celebremos nas ruas e praças a vida movidos por nossa inesgotável, elogiável, invejável alegria interior. Mas nada de guardar nossa consciência num pano de guardar confetes. Evoé!
(150213)

18 fevereiro 2020

O lendário escritor Jorge Amado, o Rio Vermelho e o jornalista GustavoTapioca.

Gustavo Tapioca é jornalista da melhor linhagem. De um tempo em que jornal que se prezasse tinha que comportar em suas fileiras jornalistas autênticos, o que significava ser um profissional com consciência social e política, brios, coragem e, acima de tudo, saber escrever bem. Nada a ver com um magote de vaquinhas de presépio que se limitam a reproduzir os releases que recebem de fontes pouco fidedignas, nem com os descompreendidos, prenhes de mercenários intentos, que tomaram de assalto as redações dos jornalões de ricos patrões, abancaram-se nos jornais nacionais, globos news e similares para divulgar coisas que pouco ou nada têm a ver com a verdade dos fatos, servindo apenas para privilegiar os já mui privilegiados, para dizer o mínimo. E fazem tudo isso com uma naturalidade assombrosa, julgando-se acima do bem e do mal, convictos de que todos assimilam tudo de errado que eles articulam e veiculam. Bem, o pior é que têm motivos para terem convicções que tais vez que um enorme contingente de pessoas engole mesmo as informações - ou desinformações - que recebe numa boa. Mas nem todos, felizmente nem todos. Quanto ao domínio da escrita, é justamente por bem saber escrever que Gustavo Tapioca redigiu e lançou seu livro Meninos do Rio Vermelho, um memorial inspirado de quem foi, ainda infante, vizinho de Jorge Amado, personagem onipresente nas memórias tapiocanísticas grafadas nas páginas desse livro merecedor de sua atenção, leitor atilado que é, para conferir e se deliciar com uma Bahia solar, apaixonante e tão cheia de agradáveis surpresas como o texto de Gustavo, que aliás me brindou com o honroso convite para fazer as ilustrações, convocação que aceitei com júbilo adolescente. Ao sapecar meu traço, aproveitei para fazer, com lápis, pena, nanquim e miríades de hachuras, uma homenagem a Floriano Teixeira, fabuloso ilustrador e artista plástico, ídolo maior e meu amigo pessoal, também ele um tradicional morador do charmoso e emblemático bairro do Rio Vermelho. Estou certo de que o dia que este livro chegar em mãos certas, vira minissérie televisiva ou filme de sucesso. 
**** O e-mail de contato para o leitor que estiver interessado em adquirir um exemplar é: gustavo.tapioca@gmail.com 
(300709)

14 fevereiro 2020

Riachão, 99 anos de samba, luta e alegria.

Quem quiser saber tudo de samba e de Bahia tem de beber no sagrado manancial chamado Riachão. Há que se sorver sofregamente a arte do samba de Riachão. Caetano bebeu em generosos haustos. Gilberto Gil bebeu a se fartar. Cassia Eller, maravilhosamente, idem, idem. Riachão é a Bahia em forma de gente subindo a ladeira do Pelô ao encontro da roda de samba com seu terno branco com cravo na lapela, seu boné, seus óculos, anéis, correntes, toalha no pescoço, jeito de malandro, sua ginga, sua alegria contagiante, dentes escancarados num largo sorriso só encontrável em soteropolitanos tipos. Riachão, em verdade, é o próprio Samba da Bahia, com RG e tudo. Puro e da melhor qualidade, sim, o Samba baiano é este maravilhoso senhor Clementino Rodrigues, o Riachão, que completará 99 anos no próximo novembro, e lançando o disco Se Deus quiser vou chegar aos 100, louvado seja Nosso Senhor do Bonfim! 
Xô, chuá, cada macaco no seu galho, a nega lá em casa não quer trabalhar, quer comer engordurado e nào quer cozinhar. Chega na roda o quase centenário Riachão, Mestre do Samba, e dele transborda a mais carismática baianidade, seu talento de sambista nato é líquido e certo, oferecendo-se generosamente para que nele sorvamos os necessários e substanciais haustos. Com as graças de Oxalá. Epa Babá! Viva Riachão! 
(310514)

Guache Marques, um artista plástico da Bahia e seus múltiplos talentos.

Ainda que a arte da Bahia com maior visibilidade no Brasil e no mundo seja a música, outras artes baianas são igualmente efervescentes e têm seus grandes artífices. Literatura, cinema, fotografia, teatro e também as artes plásticas. Volta e meia, caminho pelas ruas de Salvador em um périplo destinado a rever painéis e esculturas do genial Carybé que estão abrigadas em hotéis, bancos, edifícios residenciais. Puro deleite. Frequento galerias e folheio mil vezes alguns catálogos que guardo, buscando sempre o prazer de ver e rever trabalhos do estupendo Floriano Teixeira, a excelência de seu desenho feito com os traços mais refinados que meus olhos já viram, e sua pintura feita de delicadeza, magia, surpresas. Não se pode dizer que a pintura baiana seja uma única. Há linhas e linhas de trabalhos. Nessas linhas há sempre aqueles que se sobressaem mais por acreditarem nos seus talentos, nas suas artes, e buscam trabalhar com dedicação e amor. Falo isso lembrando-me do trabalho do artista plástico Antonio Gomes Marques, mais conhecido como Guache Marques, nascido em Feira de Santana, BA, formado em Artes Plásticas pela UFBA. Sua arte tem mil aspectos, Guache segue inúmeras vertentes para se expressar, sendo ele múltiplo no seu ofício artístico, oferecendo aos que amam as artes plásticas um vasto leque de caminhos e possibilidades. Em cada um deles, Guache se comunica com total domínio, competência, talento. Habilidoso ao desenhar, na feitura de seus desenhos expressa-se através de diversos materiais, faz bico-de-pena, ilustrações para textos, pinturas em tela, gravuras, artes digitais e fotos-desenhos. Não bastasse isso, é também programador visual. 
O trabalho de Guache Marques não se encerra na grande beleza plástica que trazem em si, limite para muitos artistas que daí não passam, por aí mesmo estacionam, satisfeitos. Nesses tempos em que tantos demonstram grande alienação - incluindo-se nisso, um mundaréu  de gente do mundo das artes plásticas - há que se dizer que Guache é um artista, com alta consciência social, politizado - sem incorrer na panfletagem - e com fortíssimas ligações com a Bahia, sua gente, lutas, aspirações, costumes, História. Através dos seus desenhos, gravuras e pinturas, de tudo que faz, o espectador é contemplado com sua visão das coisas, um enfoque social que, vale repetir,  não é panfletário, falando do homem, suas crenças, sonhos, pelejas, anseios, religiosidade, raízes, signos afro-brasileiros. Guache Marques é profícuo em seu ofício e tem incontáveis exposições, individuais e coletivas, inúmeros painéis, fez instalações, participou de dezenas de Salões de Artes Plásticas, recebendo um expressivo número de premiações. Ser um artista plástico completo e talentosos como Guache Marques é para poucos. Exemplos de sua arte madura e bela podem ser vistos e apreciados na internet através de um bom buscador, como o Google. Alguns trabalhos e dados do artista são encontráveis através do link:

13 fevereiro 2020

J. Jorge Amado e o Jacaré no esparro

Jacaré no seco anda?
Antes de responder esta singela e inocente indagação, saiba você que ela não é assim tããão singela nem inocente. Em verdade, traz implícita em si muita malícia e sacanagem,  tratando-se de um significativo exemplo do que são os esparros, frases utilizados no coloquial do povo da Bahia cheias de duplo sentido e de malícia, recheadas de um humor pra lá de sacana. Tais frases são encontradiças em pitorescos diálogos populares de todo nordeste e de maneira constante na boca do povão baiano que tem como característica marcante ser irreverente, como se pode comprovar nesta particularidade de sua cultura oral que serviu de temática para o escritor João Jorge Amado.  Sempre atento, como é de seu feitio, J. Jorge pesquisou, garimpou, coletou e selecionou com um mais que acurado empenho e publicou esparros à mancheia em seu ótimo livro, "Lá ele ! O esparro na Bahiapor mim ilustrado entre uma gargalhada e outra. Você que é dado a boas leituras pode tentar conseguir um exemplar fazendo contato com a Publit Soluções Editoriais, através do seu site 
http://www.publit.com.br/
(140213)

Música para se ouvir com olhos e ver com os ouvidos.

Música. Ontem, hoje, agora, ainda e sempre. Gravada ou ao vivo, via rádio, seja AM ou FM, em CD original ou pirata, no MP3, no vinil, no computador, na trilha sonora de filmes, de novelas, de minisséries televisivas, de peças teatrais, no coreto da praça, na viola de um cego cantador, no repente surpreendente do repentista eminente, na tuba, no contrabaixo, no alto falante do circo mambembe, na flauta doce ou salgada, na gaita, no saxofone, no violino de som fino, na rabeca da Rebeca, no oboé ou não é, no bandonione, no realejo, no fagote, no violão, na guitarra, no contrabaixo, no órgão da igreja, nos atabaques dos terreiros de candombé, na chaleira do Hermeto, no prato da Edith, na caixinha de fósforos do Cyro, no pente sem um dente, no cavaquinho, no bandolim, no banjo do arcanjo, na lira, no fole prateado, só de baixo 120 botão preto bem juntinho como nego empareado, no triângulo, na zabumba, nos oito baixos de Januário, nos pífanos, no pandeiro, no reco-reco, bolão e azeitona, na cuíca, na tumbadora, no piano de cauda, no berimbau, na guitarra havaiana, na guitarra portuguesa, na guitarra baiana, plugged ou unplugged. Música, música. Chico, Milton, Tom, Baden, Gil, Aldir, Bosco, Gal, Elis, Carmen, Daúde, Bethânia, Titãs, Mutantes com Rita Lee, Rita Lee sem os Mutantes, Cássia, Calcanhotto, Marina, Raul, Science, Siba, Benjor, Chorão,  Gonzagão, Mozart, Sivuca, Hermeto, Jackson, Genival, Manezinho, Gordurinha, Ludugero, Aznavour, Modugno, Amália, Sapoti, Piaff, Baleiro, La Lupe, Chavela Vargas, Celia Cruz, Nina Simone, Bola de Nieve, Lennon e McCartney, Roberto e Erasmo. Música. Música até mesmo feita plasticamente com pincéis e tinta acrílica, como nesta pintura aí em cima, que, com mucho gusto, fiz colorir em uma tela de 1.70x1.00m. Música, ah, qualquer música! Samba, rock, baião, xote, xaxado, xoxote, maxixe e jiló, chorinho, dobrado, jazz, tango, fado, valsa, frevo, coco, maracatu, corta-jaca, tarantela, samba-de-véio, samba-duro, samba de roda, samba-reggae, samba-rock, samba de breque, samba de black, blues, funk, bossa-nova, cumbia, reggae, bolero-lero-lero-lero, beguin the beguine. Música. Música. Música! Excetuando-se a unanimemente indesejada marcha fúnebre, qualquer música, ah, qualquer, logo que me tire da alma esta incerteza que quer qualquer impossível calma!
(111019)

11 fevereiro 2020

Para o gajo Fernando Pessoa uma acrílica que canta em cores.

"Qualquer música. Ah, qualquer, logo que me tire da alma esta incerteza que quer qualquer impossível calma." Lindos esses versos de Fernando Pessoa, gajo fixe, giro, poeta mais que inspirado que no início do século passado escrevia essas coisas, versos e ideias que até nos dias atuais seguimos lendo pra lá, muito pra lá de embevecidos. Há de ter sido inspirado pelos versos do prolífico e iluminado bardo lusitano que pintei essa tela usando tinta acrílica. Cantando como cantaria, com seu vozeirão, o inefável Professor Cauby: ''Pintei, pintei, jamais pintei tão lindo assiiiiiiim''. Bem, bem, exagero, não chega a tanto, mas quando desenhei e pincelei as tintas nesta tela, luminiscente leitor, fique certo que eu ouvia alguma música mais que divinal e que em minh'alma não vagava incerteza alguma.
(220414)

06 fevereiro 2020

Bill Watterson, Calvin and Hobbes / Uns cara que eu amo 5

 
Entre meus quadrinhos preferidos está Calvin and Hobbes, aqui no Brasil conhecidos como Calvin e Haroldo. Bill Watterson não é apenas um estupendo desenhista, é um argumentista de raro talento que criou um universo mais que maravilhoso onde um menino, Calvin, e seu companheiro constante, Haroldo, um tigre de pelúcia que ganha vida quando ambos estão a sós sem a inconveniente interferência de adultos. Estes, por sua vez, transformam-se, na prolífica imaginação de Calvin, em dinossauros ou em monstros estranhos de outros universos, sempre prontos a atrapalhar a vida do inteligente menino. E inteligência é o que mais se vê nas tiras de Watterson, presentes nos diálogos mais criativos das HQs desde que foram inventadas. As situações que ambos vivem, mesclando realidade e fantasia para discutir problemas do homem atual, ultrapassam os limites da mesmice, das fórmulas fáceis, das mensagens convencionais com tipos estereotipados que os americanos tanto adoram. Tão fora do convencional é Bill Watterson que um dia, gozando de notável popularidade e do mais irrestrito respeito, para surpresa geral deixou de produzir desenhos com o menino e seu tigre. Talvez tenha se cansado, talvez fazer as tiras não lhe trouxesse mais alegrias, talvez - quem sabe - achando que poderia repetir-se, tenha resolvido parar depois de 10 anos onde chegou a produzir mais de 3100 tiras da dupla de personagens. Retirou-se do cenário artístico e não pensou como qualquer criador, americano ou não, de explorar comercialmente seus personagens, o que o tornaria um multimilionário, fazendo lembrar o genial desenhista do underground Robert Crumb que se lixava para o mercado de licenciamento para o qual dava sonoras negativas e explícitas bananas. Caramba!, gente assim sempre me causa uma profunda admiração e um enorme e insopitável sentimento de inveja pela firmeza de caráter, pela forte personalidade com que mostram que estão acima da mesmice geral, pela maneira independente de pensar e de recusar-se a ser apenas mais um na manada, mais um na interminável multidão dos medíocres que povoam uma grande extensão neste vasto orbe.
(101113)

04 fevereiro 2020

Saudades do nazismo e do fascismo..


Nem todo mundo que usa bigodinho estilo toothbrush se chama Carlitos ou Charlot, usa bengala, chapéu-coco, tem pernas tortas como a de Garrincha, um andar que lembra o caminhar de um pinguim, e vive situações expressas através de pantomimas que soem divertir multidões de pessoas, envolvendo-se em situações hilariantes com seu jeito único, irreverente e criativo. Exemplificando melhor, bem sabemos que o sujeitinho na ilustraçào desta postagem, com bigodinho similar ao de Carlitos, chama-se Adolf Hitler, sendo que muitos acham mais adequado chamá-lo de Adolfo Deu pelas barbaridades que cometia e a mania de querer subjugar todos os seres viventes. Ocorre que se um dia ele já foi muito mal visto, rejeitado, odiado e execrado por milhões, atualmente parece andar em alta mundo afora, incluindo-se em países considerados como sendo o tal Primeiro Mundo. Ou seja, seus simpatizantes se preservaram por décadas em insidioso mutismo e devem achar que agora é chegado o momento de reviver as coisas preconizadas pelo dito Adolfo Deu, e que me perdoem se insisto no infame trocadilho mas infâmia maior não há que a do nazismo e a do fascismo. A propósito, para que não se fale em exageros injustificáveis e paranóias improcedentes, nào devemos jamais esquecer que já houve governantes do Brasil que viram com muita simpatia o projeto nazi-fascista, tendo o DIP de Getúlio Vargas, chegado ao absurdo de proibir terminantemente a exibiçào do filme O GRANDE DITADOR, de Charles Chaplin, cujo alter ego era o citado Carlitos ou Charlot. O fato é que cada vez mais vem aumentando o número dos que estão embarcando com tudo em uma incompreensível onda de malfazejo saudosismo quer pelos ditames ideológicos, quer pelo sórdido proceder. Alegam para tão inaceitáveis decisões os mais nobres e elevados propósitos.  Claro está que se o cenário mundial é preocupante, mais preocupante ainda é ver que aqui mesmo neste Patropi abençoá por Dê, que sempre primou por uma democrática mistura de raças, o baixinho da suástica vem sendo visto com preocupante simpatia por quem considera seus métodos a senda redentora para este auriverde torrão. Tais admiradores, saudosistas do nazismo e do fascismo, vêm agindo abertamente e cometendo os mais absurdos desvarios em plena luz do dia, expandindo o terror, alastrando o ódio e o medo. Assim querem nos dominar e impor sua estúpida visão de mundo. Nossos horizontes vão sendo obumbrados pelas mais densas e negras nuvens que os mais alienados não sonham perceber e assim vão engrossando, convictos, as fileiras da maldade. Que os céus nos acudam a todos e que tenhamos muita consciência e destemor para, juntos e fortes, lutarmos todos pelo estado democrático e por um Brasil livre das sufocantes garras dos nefastos que ressurgem nesta nova investida. 
(301218)

31 janeiro 2020

La Marijuana e La Cucaracha adicta. Em dose dupla.

Tradicional, lúdica, assaz alegre, a canção popular La cucaracha, que fala nos percalços existenciais de uma barata coxa, é antiquíssima, sendo cantada desde antes da Revolução Mexicana. Pela simplicidade e tom lúdico de sua letra e pela alegria contagiante da melodia, a tal barata tornou-se mundialmente tão famosa quanto sua colega kafkaniana - ou kaftaniana, como diria certo ministro da educação de um certo país - e esta singela canção logrou converter-se em patrimônio cultural da humanidade. Assim como a canção cubana Guantanamera, ela tem variadas letras que se encaixam numa mesma melodia e algumas versões remontam aos tempos de Pancho Villa e Zapata. Uma delas é essa que os bravos rapazes do Kumbia Kings Brown Jr. gravaram. Como o assunto é palpitante e de largo interesse popular, coloco de quebra a versão feita pelo legítimo sucessor de Miguel Aceves Mejia, quiçá de Chavela Vargas, el gran cantante Mario Baez, sendo que, com ligeiras variações, ambas as letras falam em marijuana, coisa seguramente mais antiga e popular que a lúdica e contagiante canção e que, segundo os aficionados, não dá cucaracha, digo, não dá barata, mas dá o maior barato. Se bem que se a gente ouve com a devida seriedade, percebemos nas entrelinhas da letra com essa versão que, em verdade, ela traz em si nobres intenções e edificantes propósitos pois preconiza o uso medicinal da planta cannabis sativa, nos dando conta de que a cucaracha é deficiente, sim, mas só não pode caminhar apenasmente porque lhe falta a marijuana pra fumar, de onde se deduz que, fazendo uso da planta, a deficiente cucarachita pode sair por aí lépida e fagueira e até mandar ver numa dança mariachi sendo, portanto, um santo remédio. De qualquer forma, a prudência alerta para que ouçam a música com moderação, pois  os mais afoitos podem se viciar.
(020616)

27 janeiro 2020

O orgasmo de Wilhelm Reich, o sistema, os EUA em uma ilustração de Setúbal.

WILHELM REICH, PRISÃO E MORTE NOS EUA. 
Sobre o psicanalista e cientista natural antifa Wilhelm Reich, dizia o analista de Bagé, criação do escritor Luís Fernando Veríssimo: "Reich? Reich para mim é véspera do escarro!". Ainda que provoque sonoras gargalhadas, tal frase pode soar rude aos ouvidos mais refinados. Mas ela tem lá sua poesia, lembrando mesmo os versos de Augusto dos Anjos. Sendo o analista de Bagé, "um freudiano de carregar bandeira, mais ortodoxo do que rótulo de Maizena e pijama listrado", não era de se espantar tal opinião emitida. Comecei o texto citando o personagem de LFV, buscando amenizar um pouquinho as coisas, vez que a vida de Wilhelm Reich, nascido em 1897 em Dobzau - hoje norte da Ucrânia, à época território do Império Austro-Húngaro - não foi exatamente um mar de rosas, do nascimento até sua morte. Reich foi um pensador de idéias fortes, que jamais abriu mão de suas idéias, muitas expressas através de livros que escreveu, tais como A revolução sexual e O combate sexual da juventude, A psicologia de massa do fascismo e Análise do caráter. Ele foi um dia colaborador de Sigmund Freud, mas rompeu com o "pai da psicanálise" por contestar conceitos dele dos quais discordava frontalmente. Tinha idéias próprias, por exemplo, sobre a função do orgasmo, idéias para os quais a psicanálise freudiana parecia não estar preparada, originando a dissidência. Reich preferiu prosseguir na elaboração de suas teorias e conceitos próprios, sempre dotados de um olhar novo, revolucionário. 
Como homem político, Reich não deixou por menos. Com a força de suas idéias combateu o nazismo e o fascismo, sendo perseguido com ferocidade. Para um homem dotado de extrema inteligência, uma visão clara e acurada como a dele, ficava fácil perceber o atroz e nefasto engano da população alemã e de países outros que acreditaram nas pregações do nazismo e do fascismo, enxergando neles a redenção para suas pátrias e povos. Tal clarividência é sempre um fardo pesado, doloroso de carregar e ele sofreu por enxergar tão claramente a cegueira popular e a que tragédias essa cegueira conduziria. Reich, no Brasil atual, sofreria em dobro tais dissabores vendo as enormes multidões de cegos caminhando com um sorriso nos lábios e a passos largos para um precipício de profundezas abissais, convictos que seguem a senda correta e que estão salvando a nação brasileira e a si próprios. Sofrendo a perseguição que sofreu, Wilhelm acabou sendo expulso pelos nazi-fascistas. Acabou indo morar naquela que se denomina "a pátria da liberdade", os EUA. E é aqui que tudo se converte em tragicamente irônico, dolorosamente irônico. Por suas idéias revolucionárias lá nos States ele também foi contestado e perseguido pelo chamado sistema que, sabemos bem, é inflexível com cidadãos considerados um estorvo, uma pedra no sapato, um obstáculo ao seus interesses pessoais mas que dizem interesse público. Para comprovar isto nem é preciso ir longe, basta olhar os fatos incrustrados na História deste auriverde torrão dito varonil, a passada e a recente. 
Falei em ironia e em tragedia porque dá-se que o psicanalista e cientista Wilhelm Reich, tido como um mais que inconveniente estorvo por tiranos dos governos nazistas e fascistas, terminou sendo preso, julgado e condenado pelas leis dos EUA. E se os psicopatas nazistas e fascistas, inimigos das democracias, não o mataram, os norte-americanos, que alardeiam serem os EUA a Pátria da Democracia, a terra da Liberdade, se incubiram de desempenhar esta abominável ignomínia. Reich foi encarcerado pelas leis ianques findando por morrer em uma cela na Penitenciária Federal de Lewisburg, na Pensilvânia. Por determinação das autoridades dos EUA, seus livros e instrumentos de pesquisa foram destruídos, no melhor e mais irretocável dos estilos tirânicos e totalitaristas. Suas idéias, no entanto, seguem vivas através de seus livros e de suas frases lapidares como esta: "A própria existência de um movimento fascista constitui uma expressão social indubitável do imperialismo nacionalista. Mas é o movimento de massas da classe média que possibilita a transformação desse movimento fascista num movimento de massas e a sua subida ao poder que vem cumprir a sua função imperialista. Somente levando em consideração estas oposições e contradições, cada uma de per si, é que se pode compreender o fenômeno do fascismo." Ler isto chega a dar arrepios, pois Reich parece estar descrevendo em minúncias o momento tormentoso que atravessa o povo de um certo país localizado abaixo da Linha do Equador.
Este retrato de Reich que ilustra a postagem foi feito por mim para o caderno cultural de um matutino. Intrepidamente, esbocei-o com lápis 2B sobre papel Canson 120 g. A arte-final foi feita com caneta nanquim e uma mais que prazerosa tinta aquarela.
(151218)

O cartunista Simanca, Fidel Castro, Cuba e Bahia



  •  É do bravo comandante Fidel Castro o olhar nostálgico que perlustra o mar caribenho nesta tépida noite de estio em que intenso plenilúnio ilumina toda esta Baía dos Porcos. Doces reminiscências povoam a mente de El Comandante certamente evocando pelejas vitoriosas contra esbirros enviados pelos porcos imperialistas ianques em pretérito não muito distante aqui neste mesmo cenário. Aboletado sobre uma pedra, Castro abre uma caixa de madeira onde guarda um tesouro: seus puros cubanos. Retira um, acende e saboreia cada baforada demonstrando um inebriante prazer. Neste momento entra em cena um outro personagem, o jovem cartunista cubano Osmani Simanca, ainda um novel, que por ali vai passando. O dibujante saúda Fidel e solicita dele um dos charutos para poder desfrutar também daquele prazeiroso momento. Com chispas nos olhos e mão no gatilho o guerrilheiro vocifera: "Que puerra es esta, pendejo?! Querendo hacer socialismo moreno con mis puritos?! Sarta fuera, bundón!!" O jovem Simanca, assustado, balbucia em solilóquio: "Hay que adolescer, péro sin perder mi gostosura!" Aí, para preservar sua preciosa vida que ainda adolescia, tratou de ir saindo de fininho praguejando em voz baixa contra todos os revolucionários insulares e seu barbudo líder. Temeroso de uma retaliación nel paredón, tratou de se picar da ilha embarcando em uma lancha que fazia a linha Havana - Isla de Itaparica. De lá pegou um ferry-boat para Soterópolis. Na capital da Bahia chegando, tratou de invadir a redação do jornal A Tarde armado de lápis, pena e pincel, preconizando que chegara o momento de se fazer uma revolução gráfica.                        Passou-se já um bom tempo e muitos jornais impressos devagarinho foram indo pras cucuias, outros sobrevivem a duras penas, todos atingidos que foram pela crise econômica mundial e mesmo pela chegada impactante da internet. Devido esses fatores muitos profissionais foram dispensados das redações, inclusive dezenas de cartunistas, entre eles Osmani Simanca que, enquanto fez suas elogiadas charges para o periódico baiano mostrava que jamais perdoara Fidel Castro pelo episódio ocorrido entre ambos naquela distante noite na Baía dos Porcos. Não queria nem saber se Fidel, por ordens médicas, já não fumava mais seus puros e, já bem provecto, haja passado o governo de Mi Cocodrilo Verde para seu hermano, Raúl. Isso nada animou Simanca a retornar para a isla que é tão dele tanto quanto de Célia Cruz, Bola de Nieve, La Lupe, Perez Prado e do Buena Vista Social Club. Vivendo na Bahia todo este tempo, abaianou-se de tal forma que já não quer mais saber de beber mojito en La Bodeguita, prefere entornar umas caipirinhas no Mercado das Sete Portas. E já não dança salsas nem rumbas, só quer saber mesmo é de quebrar em sambões. Tornou-se mestre de capoeira, não perde um Ba-Vi e já está providenciando mudar seu nome para Osmani Caymmi Amado Rocha Ubaldo Veloso Gil Simanca.

  Para ver mais trabalhos de Simanca, clique no link: http://simancablog.blogspot.com/  
(241013)

Apaches do Tororó, Buck Jones e todos blocos de índios do carnaval da Bahia

Nos anos 70 morava eu em Sampa quando resolvi me autorrepatriar para a Bahia depois de naquela época haver provado embevecido a magia incomparável do carnaval de rua desta Soteropéia Desvairada. Digo e redigo, há aqui nessa afrocity um povo cuja alegria ultrapassa todas as divisas, que é festeiro e que adorar rir, dançar e amar como nenhum outro, sendo que o carnaval de rua sempre foi sua delirante apoteose. Ah, tempos houve em que este carnaval era verdadeiramente popular e não um produto que ávidos empresários vendem embalado em abadás que, a julgar pelo preço cobrado, devem ser confeccionados em fio do mais puro ouro. E muita coisa mudou desde que certo dia os políticos incubidos de administrar esta afrourbe viram no carnaval e nas festas de largo a possibilidade de lucros fantásticos e trataram de estabelecer novas regras na organização do carnaval, o que alterou profundamente as coisas, barracas perderam todo seu charme popular, foram padronizadas, a diversidade foi sendo esvaziada e entrou em cena uma intragável exclusividade para o fabricantes de cerveja que mais pagasse, suprimindo dos foliões o direito de escolher a marca de cerveja a ser bebida.
Mister se faz dizer que naquela libertária década de 70 o carnaval de rua da Bahia tinha seu início ainda pelas manhãs, sempre ensolaradas, e o melhor da festa se concentrava na Praça Castro Alves. Ali se misturavam gentes famosas e os anônimos, vendedores, foliões, héteros, gays, brancos, negros, mulatos e gringos, sob sol ou sob chuva, suor, cerveja e muita Maria Joana sob o olhar cúmplice do Poeta da Abolição ali esculturado e é ali da mão do poeta que o sol se levanta e a lua se deita na côncava praça.  Este carnaval baiano e esta ágora Castro Alves fizeram por onde merecer e foram eternizados, celebrizados, perpetuados em uma emblemática canção de Caetano Veloso em que, parafraseando o grande vate abolicionista, Caê retratou os costumes populares da época dizendo ele que "a praça é do povo como o céu é do avião". Ouvi e achando pertinente o dito, tratei de descolar espaço cativo na renomada ágora. E em um belíssimo dia desses anos 70, lá estou eu na Praça Castro Alves onde, aboletado em elevado, disputado e privilegiado cantinho à guisa de camarote, espero a passagem de trios e blocos. Eis que alguém brada: "Évem os Apaches do Tororó!" Será que ouvi direito? Ouvi e fico sabendo que o Apaches é o primeiro bloco que surgiu no carnaval da Bahia com a nobre intenção de merecidamente homenagear o povo indígena. Frise-se que por um desses insondáveis mistérios dessa afrocity Soterópolis, os blocos índios nunca foram de homenagear Pataxós, Tupis, Bororós, Guaranis, Xavantes ou qualquer outra tribo indígena da Bahia ou da circunvizinhança e sim os índios norte-americanos tais como Apaches, Comanches e Sioux que aqui só davam as caras nas telas de cinema e das TVs. Ou seja, em matéria de cacique, sempre estiveram mais para Touro Sentado que para Juruna. Percebo, quando se aproximam, que portam os adereços indígenas que Hollywood nos mostra: mocassins, penas, elegantes cocares, indefectíveis machados, rostos com alguma pintura. Com uma substancial diferença: os pele-vermelhas que vejo são em verdade todos de cor negra retinta, o que deixaria em pé a vasta e fulva cabeleira do General Custer. Isto também deve explicar os cliques incessantes das máquinas fotográficas dos gringos à minha volta. Antes que algum solícito antropólogo me esclareça as ideias, um novo arauto anuncia: "Évem Buck Jones!" Pronto. Este eu conheço, é colega de Tom Mix, Gene Autry, John Mac Brown, Tex Ritter, Monte Hale, Ken Maynard, Rocky Lane e Roy Rogers. É cowboy genuíno e certamente a porrada vai comer no centro com a indiada azeviche. Qual o quê. O Buck Jones em questão me explicam que é o nome do cantor da Banda Mel cujo trio se avizinha. Mas como nessa afrocity o inusitado é corriqueiro, fico na minha imaginando que a qualquer momento alguém vai bradar: "Évem John Wayne!" E ao invés do Duke, quem de fato advirá no cenário da praça montado em empinante corcel não será nenhum tipo ariano de zoim azu, mas um macunaímico Grande Otelo ou um glauberrochistíco Mário Gusmão. E as hostilidades de praxe mostradas nas telas darão lugar a confraternizantes abraços entre Apaches, Comanches, Sioux, Pataxós, Gês, negros, brancos, mulatos, cafusos, mamelucos, teutos, sinos, lusos, anglo-saxões e quem mais vier, pois nesta terra, malgrado um indesejável magote de canalhas, é infindável nossa capacidade de amar e inexaurível é nossa alegria de viver.
(020210)

José Luiz Torrente: um fascista contra homossexuais e a serviço dos cidadãos de bem da Espanha e do Mundo.

Quem quiser saber quem é e do que é capaz José Luiz Torrente Galván, ex-agente policial, um fascista, franquista, xenófobico, misógino, homofóbico e racista, entre outros lamentáveis pendores, basta ver esse vídeo assaz significativo postado abaixo. Nele, Torrente dá mostra de como ser uma pessoa assustadoramente grosseira, inconveniente, agindo com total falta de princípios morais, bom-senso, ética e etiqueta. Como isso fosse pouco, Torrente, esse fantástico anti-herói - magistralmente interpretado no cinema pelo notável ator espanhol Santiago Segura - dá uma demonstração definitiva de como não se deve portar um agente de segurança a bordo de um avião cheio de passageiros e também de tudo que não deve ser feito quando populares estão em situação de gravíssimo perigo. Perto do poder de destruição de Torrente, Átila, o Huno, era um escoteiro inofensivo, tímido e mui bem comportadinho. Quem gosta de boas comédias e ainda não conhece o personagem e muito menos já assistiu um dos seus cinco filmes dirigidas por Segura, que trate de procurar em locadoras - se é que ainda existem - ou na sempre mui providencial internet. Humor inteligente, riso farto, gargalhadas gerais, diversão garantida.

(040317)

25 janeiro 2020

Biratan, um cartunista com nobre sangue indígena.

Biratan Porto! Grande Bira, paraense dos bão! Em suas veias corre legítimo sangue papa-chibé, o que está mais do que na cara, basta olhar seus olhos amendoados que ele herdou de seus nobres antepassados indígenas. Amigo queridíssimo, Bira é um virtuose no bandolim e - en passant - um dos cartunistas mais premiados neste globo terrestre nos Salões de Humor destas e de outras plagas. Curto fazer caricaturas dos amigos dos quais mais gosto. Biratan é um destes, amizade de longa data que a distância jamais fez diminuir. Nas vezes que calha da vida nos possibilitar estarmos juntos em um elevado tête-à-tête, lançamos mão da sapiência de bater papos saudáveis regados com algumas cervejotas que ninguém aqui é nenhum Tony Stark, o tal Homem de Ferro da Marvel Comics, que por determinações médicas não pode sorver quaisquer líquidos, pois se enferruja à toa, à toa. Fiz esta homenagem em dose dupla, que é o jeito que Bira gosta de sorver seus etílicos. Se quiser ver humor de qualidade feito por um grande Mestre dos cartuns, quadrinhos e crônicas, clique aqui neste link: http://biratancartoon.blogspot.com/
( 290312)

24 janeiro 2020

Flavio Colin, o Mestre dos Mestres das HQs, comentando os desenhos de Setúbal.

Indômito e estoico, o decidido coração do explorador o leva a penetrar intrepidamente na imperscrutável selva que no seu emaranhado interior mortais armadilhas oculta. Na jângal de nigérrima escuridão e insondáveis mistérios penetra ele com invulgar destemor, sem quaisquer hesitações. Este explorador de quem falo sou eu, leitores. Esta selva, o espaço desorganizado de um quarto de meu larestúdio, em que se amontoam livros, revistas, discos de vinil, papéis com bosquejos, debuxos, rafes, layouts, rabiscos e estudos, lápis, canetas nanquim, pincéis, tintas a óleo e acrílicas, um bolachão do Manezinho Araujo, uma fita cassete com uma coletânea do Odair José, um CD do Bola de Nieve, outro com trilhas sonoras de filmes de Almodóvar, um poster mostrando Chavela Vargas e Atahualpa Yupanki, uma revista O Cruzeiro com Carmen Miranda na capa, uma figurinha carimbada do Flávio Minuano com a camisa 9 do Corinthians e incontáveis recuerdos de Ypacaraí. Toda sorte de objetos de formas, tipos e procedências se acumulam nessa mui densa selva em que os intrépidos irmãos Villas-Bôas não ousariam adentrar, temerosos. 
Tais temerárias atitudes de minha parte por vezes são altamente compensadoras. Muita vez meu peito experimenta a alegria de um velho arqueólogo que, após décadas de intensa procura, finalmente descobre milenares tesouros de um faraó. Isso se dá quando encontro algo que, estando perdido no meu caos doméstico, ressurge diante de meus olhos, materializa-se em minhas mãos. Como esta carta que um dia, no anno Domini 1998, enviou-me o inimitável, o inigualável, o incomparável Flavio Colin, meu ídolo desde que, ainda um guri, comecei a ler histórias em quadrinhos. 
Não conheci Colin pessoalmente, só grahambellmente, em longas conversas, principalmente sobre quadrinhos. Enviei a ele livros e revistas com desenhos meus e de amigos aqui da Bahia. Nos papos, Colin mostrava-se um homem culto e politizado. Sendo cortês, não deixou de escrever-me e o fez de forma alongada, falando de coisas que denotavam seu pensamento de profissional e, indo além, de forma espontânea teceu comentários sobre meus desenhos. Nada de teclados, notebooks, e-mails, o que Colin escreveu sobre meu trabalho foi escrito pelo mesmo punho que desenhava aquelas maravilhas todas que fizeram feliz minha existência de voraz devorador de gibis, álbuns, revistas de quadrinhos. Suas palavras foram e são para mim uma grande motivação. 
Considero que meus desenhos são meras garatujas diante da arte maior de Colin, mas ele, vendo meus trabalhos nos livros e revistas que lhe enviara, gostou e se motivou a me escrever, inflando meu ego, fazendo meu peito estufar preenchido pelo mais lídimo, justificável e salutar sentimento de orgulho. Determinam as regras do mais elevado e ético comportamento humano que uma pessoa assim laureada, porte-se com dignidade, com elevada modéstia, de maneira nobre, de forma serena, contida, reservada, sem ostentação. Pois faço saber que nesse caso mando uma banana para a modéstia e outra para sua irmã caçula, a discrição. Uma honra dessas não se acha por aí, aos montes, dando sopa pelas ruas, becos, ladeiras, vielas, veredas, ágoras, alamedas e bulevares, e não serei eu quem irá encobrir com o diáfano véu da falsa modéstia o irrefreável orgulho que sinto pelas palavras do Mestre Flavio Colin:
"Caro Setúbal:...
...Gostei e admirei especialmente "ABC da Guerra do Absurdo". Sem bajulações e sem salamaleques, considero suas ilustrações belíssimas. Um trabalho realmente primoroso. Vou guardá-lo com todo o carinho. Espero que você alcance êxito, não só profissional e financeiramente, para que possa expor todo o seu potencial artístico e viver do seu talento com a segurança e a dignidade que bem merece. aguardo novos trabalhos seus. Abração do Flavio Colin."
200817

23 janeiro 2020

Chico Buarque e Montaigne, a Revista Prosa Verso e Arte e um cronista a caminho da glória.

De modesto nada tenho, acredite. Pergunte aos escritores consagrados que você tem no seu círculo de amizades - se acaso nele transitam alguns - o que os impulsiona a escrever seus romances intrigantes, ensaios elucidativos, crônicas divertidas, açucaradas poesias ou contos dignos de um Dostoievski, de um José Sarney. Numa quase unanimidade, lhe dirão que escrevem para se expressar, para transmitir aos demais o que lhes vai na alma, que a escrita lhes dá sentido existencial, que sem escrever a cuca poderia explodir em milhões de caquinhos. Escribas ainda neófitos diriam algo similar em uma demonstração de elogiável sinceridade. Pois não eu. Escrevo para atingir os pináculos da fama, a notoriedade, o aplauso geral, os holofotes, o tapete vermelho, a admiração incondicional dos leitores e críticos literários. Chás, fardão e cadeira na ABL eu dispenso desde já, do restante não abro mão de nada. Há uma dezena de anos aqui neste blog venho escrevendo textos definitivos sobre assuntos diversos que, somados, perfazem um total de umas cinco ou seis centenas de postagens. Dez anos e, no entanto, quando consulto as estatísticas do blog elas me dão conta de que em uma década inteira minha postagem mais lida é uma insignificância perto da visualização diária dos blogueiros mais lidos deste patropi. Nada sei de marketing pessoal, desconheço quaisquer mecanismos eficazes de promoção de espaços virtuais e não sou um tipo que se empenhe em fazer convenientes contatos sociais, até porque não sou pessoa dada a maiores sociabilidades. 
Todo este extenso preâmbulo foi para dizer que, passada a surpresa inicial, tive a imensurável, agradável e imprevista admiração de ver um texto meu publicado em um espaço visual mais que nobre, voltado para a divulgação do que há de melhor na literatura, crônicas, poesias e artes em geral. Tal espaço visual tem um vastíssimo contingente de leitores que o acessam para ler, ver, ouvir o que há de melhor para ser lido, visto, ouvido. Trata-se da Revista de Prosa, Verso, Arte. Maravilhosamente rica, encantadora, e meu espanto vem do fato de eu ser dela um leitor fiel e de repente, não mais que de repente, sem prévio aviso, ali encontrei um texto meu figurando entre textos belíssimos de consagrados autores. Fico me indagando como eles chegaram aos meus escritos. É vero que não me consultaram previamente solicitando um autorização minha para a publicação da crônica, mas talvez tivessem tentado um contato e não hajam conseguido. O fato é que, ao publicar mesmo sem minha autorização oficial, eles fizeram o certo, mandaram muitíssimo bem. A Revista é um blog voltado para a Cultura e Cultura eu amo, você ama, nós que não compactuamos com o obscurantismo amamos. Pois toda minha autorização digo que foi dada, tanto mais que o estupendo sucesso da Revista, o magnífico conceito de que desfruta e o espantoso número de visualizações que ela tem me deu a alegria de poder constatar que meus escritos foram vistos por um número de pessoas que este meu blog aqui levaria mais algumas décadas para poder igualar. Anteriormente eles exibiam o número de likes das postagens, já não mostram. Na última vez em que ainda se podia ver os likes, dei uma conferida e vi que eles caminhavam para 40 mil, o que significa que o número total de leitores até então pode ter chegado ao dobro disso, quem sabe mais. Havia também comentários de quem leu e o tom de todos era de satisfação com o conteúdo que a postagem trazia. Ah, ia esquecendo, dei à crônica o título de Montaigne, Chico Buarque e o Amor que Não Pede Explicações
Escrevi o texto depois de haver assistido um vídeo em que Chico explica o que o motivara a escrever uma canção chamada Por que era ela, porque era eu. A mais lida das minhas postagens aqui neste meu blog amarelinho não alcança duas mil visualizações. Por aí você pode deduzir que, ao constatar o retumbante e apoteótico sucesso entre os que amam a Cultura que uma crônica minha pode alcançar ao ser veiculada em um blog de incontestável consagração, meu peito se faz inflado do mais justificável orgulho literário. Não, leitor amigo, nada tenho de modesto, tanto mais agora que os tambores rufaram e minha consagração se fez anunciar. Prêmio Camões, Nobel da Literatura e glória literária, aí vai um imodesto convicto.                             O link para a Revista Prosa e Verso e Arte é:
https://www.revistaprosaversoearte.com/montaigne-chico-buarque-e-o-amor-que-nao-pede-explicacoes/

21 janeiro 2020

Gutemberg Cruz, crítico de Histórias em Quadrinhos, falando sobre o SketchBook de Setúbal pela Editora Criativo.

Gutemberg Cruz e Gonçalo Junior, duas feras da imprensa, dois dos principais estudiosos e críticos das histórias em quadrinhos, são baianos. Para minha fortuna, ambos gostam de meu traço, de meus trabalhos como ilustrador, quadrinista, caricaturista e cartunista. Sorte minha. Esta semana, lendo o blog de Gutemberg Cruz, encontrei esta postagem em que ele comenta sobre o Sketchbook da Editora Criativo, de São Paulo, dedicado aos meus trabalhos de desenhista. A Carlos Rodrigues, da Criativo, a Gutemberg e a Gonçalo Junior meus mais sinceros agradecimentos.
Registro do artista gráfico Setúbal pela EDITORA CRIATIVO, de SP
Sketchbook é um caderno rascunho para registrar ideias e composições para posteriormente transformar em pinturas em telas ou usar outro suporte como papel e aquarela ou outro tipo de técnica. Alguns fazem os rascunhos e deixam dessa forma em cadernos. Servem para registrar a evolução do artista nos desenhos. E é isso o que a Editora Criativo está fazendo. Já lançou mais de 90 álbuns com os trabalhos de diversos artistas gráficos brasileiros.
O volume com o baiano Paulo Setúbal registrou o trabalho do artista com esboços e artes-finais em vários estágios, estilos e técnicas, tiradas de seu acervo pessoal, num flagrante não convencional de sua produção ao longo da carreira. O objetivo da coleção é formar uma grande galeria com os mais diversos estilos e traços, indo de nomes consagrados a iniciantes, incentivando o talento individual. Os álbuns têm acabamento com a qualidade, 64 páginas, papel off-set 150g, capas cartonadas com orelhas, no tamanho 21x28 cm, e mostram como cada profissional do desenho é um universo empírico e individualizado, seja ele um autodidata ou com formação acadêmica, havendo alguns pontos em comum na forma de criar e desenvolver os trabalhos.
Paulo Henrique Setúbal é cartunista, ilustrador, desenhista, argumentista, roteirista de quadrinhos, autor de textos de humor e artista plástico. Assina seus trabalhos como Paulo Setúbal ou simplesmente Setúbal. Nasceu na cidade de Candeias, na Bahia, onde viveu até os 9 anos de idade. Nesse período, as revistas de quadrinhos e o cinema eram suas grandes paixões, as primeiras inspirações e os elementos motivadores para seus primeiros desenhos. Buscando reproduzir o que via nas telonas e nos gibis, começou a desenhar e nunca mais parou. Quando seu pai, paulista de Pindorama, resolveu retornar para o interior de São Paulo, inicialmente, a família morou em Bauru por três anos. Pindorama, a terra natal do patriarca, foi o destino seguinte e ali viveram por dez anos. Com a morte do pai, a família mudou-se para a capital paulista.
 Em Sampa, disposto a fazer quadrinhos profissionalmente, buscou todas as informações possíveis a respeito dessa arte. Essa busca o levou a procurar o desenhista e editor Minami Keizi, que lhe indicou o também desenhista Ignacio Justo, de quem recebeu inúmeras e valiosas orientações que muito o ajudaram a fazer evoluir o seu desenho. Pensando em aprimorar-se, passou a cursar a Escola Panamericana de Artes, embora seu aprendizado tenha, em sua maior parte, acontecido mesmo de forma empírica.
Passando a residir em Salvador, iniciou a colaborar profissionalmente com jornais e revistas da imprensa baiana. Nela, trabalhou por mais de duas décadas, produzindo charges, caricaturas, cartuns, tiras, histórias em quadrinhos, pôsteres e ilustrações. Fez ilustrações para dezenas de livros de autores diversos. Como cartunista e caricaturista, colaborou com a imprensa alternativa, participou de diversas exposições coletivas e individuais, tendo também participado de Salões de Humor, havendo sido premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Atuando como artista plástico, fez igualmente diversas exposições, coletivas e individuais, tendo sido premiado por duas vezes com suas pinturas em Salões da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Tem telas adquiridas por colecionadores da Espanha, Portugal, França, Espanha e Itália, entre outros países do mundo.
Sobre o artista, comenta o pesquisador Gonçalo Júnior: “Setúbal é original, dono de um traço único, singular, personalíssimo. Ao mesmo tempo, traz em sua arte todo o sincretismo de raças, credos e ícones da cultura baiana e nordestina – tento de Salvador quanto do interior. Como o cordel e a xilogravura. Desde o começo de sua carreira, que ganhou ênfase nas páginas do jornal A Tarde, até a produção mais recente, Setúbal tem demonstrado talento tanto para a caricatura e o cartum como para a ilustração, para a imprensa e capas de livros e a história em quadrinhos – linguagem próximas, porém com características próprias”.
Mais informações sobre o artista, leia:
SETÚBAL: “Desenhar, para mim, é abraçar o mundo e a mim mesmo”

                   QUEM SOU Eu 
     GUTEMBERG CRUZ
Jornalista profissional formado pela Escola de Biblioteconomia e Comunicação da UFBa em 1979. Registro Profissional DRT-BA 761. Atuou nos jornais Tribuna da Bahia, Diário de Notícias, Correio da Bahia, A Tarde e Bahia Hoje como repórter, redator e Editor de Cultura. Atuou ainda na Rádio Cruzeiro da Bahia (repórter), Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (gerente de produção), TV Itapuã (produtor) e rádios Piatã e Bandeirantes (produtor de programas). Atualmente exerce a função de Coordenador de Comunicação na União dos Municípios da Bahia.

Estante Virtual e o livro de crônicas futebolísticas do escritor Ademar Gomes com ilustrações de Setúbal.

É com enorme carinho que tenho ilustrado livro para escritores, notadamente os amigos mais próximos que são escribas e me procuram para que eu participe de seus livros na condição de ilustrador. Ocorre que quando tenho alguns exemplares desses livros por mim ilustrados habitualmente presenteio amigos interessados ou faço amigáveis permutas com outros cartunistas em Salões de Humor, no que chamamos de ”trocar figurinhas”, algo muito salutar que me garante ter em minha cartumteca particular preciosidades feitas por colegas de traço feito Biratan Porto, JBosco, Gonzalo Cárcamo, Paulo Caruso, Chico Caruso, Cedraz, Nildão, Valtério, Santiago e outras feras feríssimas. Caro leitor, não sou lá um vivente muito organizado e acontece de presentear mais do que deveria e o resultado é que fico eu próprio sem ter sequer um exemplar do livro que ilustrei e que gostaria de ter nas minhas estantes para folhear quando preciso, para comparar ilustrações, estudar as mudanças de traço, reler. Em casos que tais, há que se recorrer a amigos ou partir para uma nem sempre fácil pesquisa na internet. Isto se deu, por exemplo, com o livro A ÚLTIMA COPA EM PARIS, do escritor e jornalista Ademar Gomes, de quem ilustrei alguns livros. 
Ilustração para uma das crônicas do livro.
Na pesquisa que fiz recorri ao site da Estante Virtual, especializada em livros usados, um sebo eletrônico trabalhando duro para os que, ao contrário dos nazi-fascistas de plantão, são convictos de que cultura, conhecimento, bons livros só nos trazem intensas e benfazejas luzes n’alma, nos ampliando os conhecimentos. Dei sorte, havia um exemplar. Só um único exemplar à venda em um sebo lá de Brasília, aguardando por mim. Curioso pensar como um livro editado de forma independente por um escritor baiano, arrojado, com esforços próprios, sem contar com os préstimos de distribuidora alguma, foi parar em um pequeno sebo do centro do poder político do país. Tratei logo de fazer um cadastro no site, formulei o pedido online e tudo correu maravilhosamente. Paguei o boleto, recebi mensagem com a confirmação e, sem demora, em poucos dias, o livro chegou à minha porta trazido pelas mãos de um altaneiro estafeta paramentado com as cores da ECT. Alegria total, como se pode constatar através de minha alumbrada feição na foto acima. Só quem gosta de ler, só quem gosta de livros e opúsculos em geral pode saber bem do que falo. U-hu, o Fachin é nosso!!, quero dizer, o livro é meu!! Um viva para a rapaziada da Estante Virtual, vida longa para eles. Que outros possam experimentar a alegria, a felicidade que experimento por ter conseguido um livro que desejava ardentemente. Obrigado, Estante Virtual. Salve, salve!