26 novembro 2020

Retratando Antonio Conselheiro.

Há desenhistas que arrancam as próprias melenas, às vezes até bem raras, em busca de um estilo pessoal que seja passível de reconhecimento como se dá com sua escrita, cujo modo de delinear as letras as pessoas identificam de pronto. Não foi este o caminho que busquei na minha senda de ilustrador, vez que adoro mudar sempre que possível e o mais que puder, tentar novos rumos, novas linguagens, novas técnicas, buscando fugir da mesmice, dos maneirimos, do que é rotineiro. Para mim, fazer a mesma coisa em nome de um estilo pode se tornar algo previsível e mesmo cansativo, desestimulante. Sinto-me mais motivado mudando sempre que possível - geminiano sou - em eterno desafio, tentando surpreender positivamente o público leitor e até mesmo a mim próprio. Nestes retratos de Antonio Conselheiro intentei buscar duas alternativas, dois enfoques diversos. Em uma almejei criar um impacto mostrando em close as marcantes feições de um sertanejo atingido por graves e injustas perseguições que findaram por tirar-lhe a vida. Para tal, utilizei sobre papel ofício uma experimental bisnaga de tinta negra, destas para pintar paredes. Foi uma meleira completa, mas o resultado final me agradou. Na outra, mais clean, usando tinta acrílica fui em busca de um clima semelhante mas agora almejando situar o personagem no seu hábitat recortado por um céu digno de um glauberrochístico filme. Um pincel na mão e uma ideia fixa na cabeça.
(151114)

24 novembro 2020

O sexo e os portugueses ou Fornicar é preciso / U sexu nu mundo 1

Em Portugal o rigoroso inverno de frio cortante muitas vezes impede que a mulher portuguesa faça o devido asseio pessoal, inclusive o íntimo. Aí a coisa fica assaz periculosa, acuda-nos Nosso Senhor do Bonfim, valha-nos Nossa Senhora do Rosário de Fátima pois, em tais casos e em casos que tais,
 das lusas genitálias femininas desprende-se um forte e inevitável odor de bacalhau o que, em verdade, não é privilégio das cachopas e das balzaquianas lusitanas, vez que a natureza humana tem seus irrevogáveis ditames, podendo isto acontecer com qualquer mulher de qualquer parte do mundo que passar um longo período sem lavar o objeto de desejo dos machos da espécie desde o Éden. O grande diferencial está em que se para nós, brasileiros, o tal odor se configura em fator brochante e nada convidativo, para os bravos rapazes lusitanos isto até instiga o apetite sexual pois sabido é o quanto os portugueses adoram comer um bom bacalhau, não dispensam esse acepipe por nada e caem de boca vorazmente quando veem um à sua frente, ora pois, pois. É voz corrente - seja verdade ou maldoso boato - que o maior problema lá nas terras de Camões e da pessoa de Pessoa é que em grande parte as mulheres ostentam buços tão compridos que são verdadeiros bigodes e, reza a lenda, os bigodes das Marias costumam ser maiores que os bigodes dos Manuéis e Joaquins. Como é muito difícil habituar-se a tal coisa, os gajos portugueses vivem tomando enormes sustos todas as manhãs, ao acordar, abrir os olhos e dar de cara com a cara de sua bigoduda companheira, ai, meu Jesus!, ai, meu padroeiro São Jorge! 
Em todo mundo é cantada em verso e prosa a bravura dos argonautas portugueses, seu arrojo, intrepidez, determinação e coragem diante dos mares bravios e procelosos em tempos das grandes navegações. Mas nos livros, compêndios e almanaques deste planeta não é creditada aos intimoratos lusitanos nenhuma das grandes invenções em prol da Humanidade tais como o automóvel, o telefone, a televisão, o laser, a informática e as calcinhas comestíveis. Tremenda injustiça e falta de reconhecimento para com os gajos lusos já que eles são os responsáveis por uma das mais espetaculares invenções para a raça humana: a mulata brasileira, Ôba, Ôba! Graças à incomensurável libido dos homens portugueses, incontrolável diante das abundâncias carnais das negras amas e mucamas desde o tempo da colonização, é que surgiu esta nova raça superior, a das mulatas sestrosas. Se por um lado a mulata é gostosa, por outro é mais gostosa ainda. O mundo já girou e girou muito desde os tempos coloniais, mas até hoje muitos brazucas ressentidos vivem se queixando que por séculos os lusitanos com suas naus surrupiaram para a corte d'Além Mar quase todo o ouro do Brasil. Para nossa sorte, como as naus saíam das costas brasileiras sobrecarregadas com o precioso metal, os portugas - contra a vontade e mui melancolicamente - viram-se obrigados a abrir mão das preciosas mulatas, deixando-as todas aqui sem imaginar que desta forma nós, brazucas, é que ficaríamos no lucro. Aquela preocupante crise econômica ocorrida há já algum tempo em Portugal é prova incontestável disto, vez que revelou que todo ouro que nos tomaram já se acabou por lá, foi pras cucuias. Em compensação, aqui no Brasil ostentamos por milionário patrimônio uma fartura em mulatas maravilhosas que com suas exuberâncias, reentrâncias e abundâncias valem mais que todo ouro do mundo, ó pá!
(121010)

02 novembro 2020

Homens é que sois.

"Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!“ —  Charlie Chaplin             



Furor uterino / Setubardo fescenino

Acordo tarde, bem tarde,
Com uma ressaca ingrata
Depois de uma noite daquelas.
O ar puro é um descalabro
Quando abro as janelas.
Meu espelho indeciso
Nem sabe o que me revela
Esta cara, este siso...
Serei eu ou será ela?
Vomito as tripas no vaso
Gemendo, sentindo dor
O que nós temos, um caso?
É paixão, engano, amor?
Ela mal fala comigo
É volúpia, sofreguidão
Me toma qual objeto
Seu escravo predileto
Em pé, na cama, no chão.
Esta musa obtusa
Esta górgone Medusa
Traz letal ninfomania
Nos trejeitos de vadia.
Tem modos de meretriz
Tem cara de perdição
Pra cada transa, um bis
O seu sexo, vulcão
Mas - ai de mim! - sou feliz
Quando me diz:
Vem, tesão!!
(010511)

Perfil de moça com brinco e colar

 Ao ilustrar e pintar sou um eterno amante das variações, buscas, experimentações. Sempre intento variar,  produzir em técnicas diversificadas. Assim, enquanto tento driblar a rotina e a mesmice, procuro alcançar resultados que possam enriquecer as ilustrações e valorizar textos ou postagens em que se insiram. Com persistência e alguma sorte é possível conseguir-se bons resultados que compensam os esforços dispendidos.                                           "Perfil de moça com brinco e colar"/                                       Técnica mista/


30 outubro 2020

Michelle Obama, Melania Trump e a grave crise sexual entre as mulheres norte-americanas .

Para os homens americanos, desejo carnal incontrolável significa tão somente aquela irresistível compulsão que os leva a devorar montanhas de suculentos hambúrgueres. Suas ianques esposas é que não  aprovam nem um pouquinho esta preferência carnal demonstrada pelos ianques maridos. E elas vão mais além nas suas queixas, reclamando do fato de que, integrando seus poderosos exércitos, os homens norte-americanos vivem invadindo tudo que é lugar mundo afora e que só não invadem mesmo as Ilhas Virgens nem o Cusaquistão de suas carentes esposas, seja por ataques frontais, seja pelas retaguardas xurriadas lá delas, o que as deixam qual o aracnídeante Peter Parker, subindo pelas paredes do Empire State Building. Imperioso se faz dizer que os apoteóticos e bem sucedidos atentados aos EUA ocorridos naquele fatídico setembro de 2001, mergulharam os filhos do Tio Sam num mar de paranoias, estresses diversos e impotência brochativa generalizada. Com tanta fobia, nem com reza braba os americanos  estão conseguindo fazer o pentágono endurecer. A população, durante a era Obama, andava vendo a coisa preta, menos a primeira-dama Michelle que pelos corredores da Casa Branca circulava reclamando de forma histérica que seu marido, Barack, nunca mais havia adentrado seu Salão Oval, nem comparecia ao Cupitólio. Já a atual primeira-dama, Melania Trump, não vem dando. Não vem dando ao seu quase marido, Donald Trump, nem a ousadia de pegar em sua suave mãozinha em solenidades oficiais, quanto mais permitir a ele ter um rala-e-rola, um vuco-vuco, um nheco-nheco, um lepo-lepo, não liberando ao topetudo a possibilidade de dar um tapa na aranha, fazer ousadia, molhar o biscoito, afogar o ganso, nem muito menos fazer the old and popular tchaca-tchaca-in the butchaca. Quando tenta penetrar na alcova, Trump ouve de Melania que ela não admite penetrações da parte dele, e em seguida a loura lhe grita um sonoro “You’re fired!”. Depois disso, Trump ainda tenta ser Republicano, mas a mulher não se mostra nem um pouquinho Liberal, revelando para ele a sua total rejeição popular. O ex-apresentador, ex-empresário, ex-poliador e ex-croto Presidente, se exaspera e, de tanta raiva, fica todo vermelho, uma cor que não fica nada bem para um presidente ianque de extrema-direita como ele é. Donald Trump, babando de ódio, diz a Melania que vai apontar para ela seu míssil de longo alcance, o que só piora a situação, pois a quase esposa, dando uma estrondosa gargalhada, diz que o tal míssil não passa de uma pistolinha de cano curto. Ainda por cima, descarregada. E que, além do mais, Trump e o norte-coreano Kim Jong-un estão dando muuuito na pinta com esse negócio de a todo instante dizer um pro outro que “meu míssil é maior que o seu”, “ah, é?!, pois o meu é mais potente que o seu!”, “mostra o seu que eu mostro o meu” e coisas realmente muito bandeirosas que estão fazendo aumentar as paranóias dos ianques e assombrando o mundo inteiro. Comenta-se que ONGs feministas americanas, preocupadas com o Produto Interno Bruto, estão importando carregamentos de rapazes latino-americanos sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes, vindos do exterior dispostos a dar duro por uns dólares a mais. O fato é que as pudibundas e maldebundas americanas passaram a frequentar compulsivamente os estádios de baseball alegando que lá é o único lugar nos EUA em que elas podem admirar homens fortes e musculosos segurando tacos roliços enormes e rijos, o que sempre as leva ao delírio. Uma loucura! Deus salve a América e as mocetonas americanas, em tão difícil momento.
(290110)

19 outubro 2020

Brasil, bico de pena, artistas, escolas / Arte que se reparte

Comecei a fazer desenhos a bico de pena influenciado pelos trabalhos de alguns desenhistas magistrais, autênticos virtuoses no desempenho dessa técnica milenar. Artistas europeus, chineses, norte-americanos, sul-americanos já fizeram maravilhas valendo-se de uma prosaica pena embebida em nanquim e uma singela folha de papel. De tantos artistas, muita coisa que vi me encantou. Já citei várias vezes, volto a citar, que Percy Lau me deixava atônito com seus desenhos a bico de pena, desde que eu ainda era um niño de Jesus. Esse brasileiro, nascido em Arequipa, Peru, era o cão de calçolão. E chupando manga, quando acaba. Também o eram Poty, Carybé, Aldemir Martins. Tenho o orgulho de ter sido amigo de um dos maiores desenhistas deste planeta, Floriano Teixeira, principal ilustrador dos livros escritos por Jorge Amado. Para meu júbilo, Flori gostava de meu desenho, me recebia sempre em seu atelier e me presenteou com alguns tesouros que fez a nanquim. Com cada um desses artistas, aprendi um pouquinho. Ou muitinho, melhor dizendo. Dá-se que quando trabalhei como ilustrador e cartunista em jornais, em uma era pós-clichês e pré-computadores, eu me vali muito de bico de penas, mesmo não sendo penas de metal para desenhos no sentido exato da palavra, aquelas que substituíram as penas de ave usadas em tempos de antanho. A nomenclatura dada a elas, as tais peninhas, era bico de pato e mosquito, penas metálicas enfiadas em um cabinho de madeira. Também as usei muito, mas sempre preferi trabalhar mais com canetas com tinta nanquim, super práticas, as recarregáveis e as do tipo descartáveis, como a que usei para fazer o desenho acima. É a ilustração de uma crônica falando em escolas municipais, merendas e brasilidade, impressa há já algum tempo, em uma gazeta diária dessa cidade batizada de Soterópolis. Para fazer a aludida ilustração, li com a devida atenção o texto do autor, formulei a ideia que achei de acordo com o conteúdo dos escritos, esbocei com grafite B em papel usada em diagramação e finalizei com caneta nanquim descartável, caprichando nas hachuras que soem caracterizar um bico de pena. Te cuida, Percy!

Mulher de Libra no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Libra
Não tem muita fibra
Mas vibra
Quer ver uma libriana contente?
Dê-lhe um presente.
Quando o marido a trai
A mulher de Libra
balança mas não cai.
Se você a paparica
Ela fica.
Com librium ou sem librium
Salve, venusiana
Que guarda o equilíbrio
Na corda mais fina.
(121013)

18 outubro 2020

Torquato Neto e os versos que cantam o fim


Torquato Neto é nome sempre lembrado como um dos co-participantes da construção da Tropicália no sempre rico cenário da música brasileira. Seus versos embelezaram canções e se perpetuaram na história da chamada MPB. Em dia de triste memória decidiu antecipar sua partida deste mundo, tirando a própria vida e nos deixando vazios de novos versos seus. O gesto extremo deste inspirado poeta do Piauí inspirou questionamentos existenciais de um outro versejador talentoso, Caetano Veloso que, estando de passagem pelo Piauí, um dia visitou o pai de Torquato, coisa que, em um canal televisivo, contou em detalhes em comovente relato. Neste encontro, do pai de seu amigo e parceiro Caetano recebeu uma rosa de uma especie conhecida como rosa-menina. Tal gesto emocionou o compositor resultando em "Cajuína", canção memorável que abre com existencial indagação: “Existirmos, a que será que se destina?”. E mais adiante, em outros versos, Caetano diz: “... e se acaso a sina do menino infeliz não se nos ilumina, tampouco turva-se a lágrima nordestina, apenas a matéria viva era tão fina”. 
Para que recordemos o cultuado poeta piauiense, usando grafite B e uma caneta nanquim, fiz este retrato aí no alto que busca falar de um cara amado e da memorável época tropicalista. Aproveito para deixar os versos que ele criou para uma canção linda e tocante - feita em parceria com Edu Lobo - falando de um adeus definitivo, um derradeiro adeus. Vai também um vídeo com a Elis Maravilhosa Regina, acompanhada pelo Zimbo Trio, tornando ainda mais sublime esta canção.
Pra dizer adeus
Adeus
Vou pra não voltar
E onde quer que eu vá
Sei que vou sozinho
Tão sozinho amor
Nem é bom pensar
Que eu não volto mais
Desse meu caminho
Ah, pena eu não saber
Como te contar
Que o amor foi tanto
E no entanto eu queria dizer
Vem
Eu só sei dizer
Vem
Nem que seja só
Pra dizer adeus
(20/11/14)

Dr. Jota Cristo, advogado trabalhista, TRT da Bahia, João Jorge Amado e Setúbal.

Histórias reais, ocorridas verdadeiramente, acreditem, acreditem, por mais inacreditáveis que possam soar. Fatos pitorescos, hilariantes, de causar espécie, risos e gargalhadas, ocorridos no âmbito do TRT da Bahia. Todas elas foram pesquisadas, garimpadas, recolhidas, selecionadas e narradas por João Jorge Amado e resultam em um rico material que está contido no seu livro Pequeno Anedotário do TRT da 5ª Região, editado pela Fundação Casa de Jorge Amado. João Jorge, que por muito tempo trabalhou dentro do dito TRT, teve o discernimento de saber que tantos fatos insólitos formavam um mote riquíssimo, dignos de registro literário. Fui chamado pelo autor para fazer as ilustrações e de tanto gostar das histórias narradas, volta e meia costumo reler, principalmente aquelas que considero mais hilariantes. Uma delas fala de certo reclamante que, em tom solene, disse ao juiz ter por advogado ninguém mais, ninguém menos que o próprio Jesus Cristo, o filho de Deus Onipotente. Achava ele que estava sendo original, mas os juízes já estão habituados a coisas que tais. Ocorre que  nestes tempos em que vemos crescer o descrédito nas chamadas autoridades constituídas, quando uma enorme desesperança geral nas coisas terrenas parece tomar conta das pessoas, são muitos os que buscam se agarrar a deidades diversas na esperança de construir uma ponte com o mundo espiritual que lhes garantam a um só tempo, um lugar nos céus e, de quebra, as coisas materiais que ainda sonha possuir aqui na Terra. Vamos aos fatos: iniciada a audiência, o juiz Cláudio Mascarenhas Brandão, que a presidia, indagou ao reclamante se ele tinha advogado. Como resposta, ouviu:
 "Meu advogado, Doutor, é Jesus Cristo."
Impassível e sagaz, aduziu o juiz:
 “Este daí é muito, muito bom. Infelizmente ele não pode advogar nesta audiência, pois não é inscrito na OAB."
Por estas e outras é que a Bahia foi um dia cognominada a terra da felicidade. 
**********Arte que se reparte: a ilustração desta postagem foi feita em papel Westerprint 180 g, tendo o esboço sido executado com grafite B e a arte-finalização feita com caneta nanquim e retícula Letratone.           

JBosco, Pará, Fafá

Este sujeito aí, com uma batata entre os olhos à guisa de nariz, não é nenhum audaz e heroico compañero de Che e Fidel que em Sierra Maestra arriscava sua própria vida em renhidos e mortais embates contra os esbirros do mendaz ditador Fulgencio Batista y Zaldívia. Bem, combatente ele certamente o é, mas sua trincheira é uma prancheta e sua arma um lápis com o qual dispara certeiros petardos contra o mau-humor, o cara nunca erra o alvo. Estou falando deste mui nobre mameluco, orgulho e glória de Belém do Pará de onde, de algum ponto da selva (de pedra), cria e executa com invejável maestria cartuns, charges, tiras e caricaturas. Conferindo o trabalho deste talentoso cartunista nos links abaixo vocês haverão de concordar comigo quando afirmo que que nem só de Pinduca, Gaby Amarantos e Fafá de Belém vive o maravilhoso Pará.

29 setembro 2020

O Brasil no traço do maravilhoso Percy Lau


Aqui neste bloguito já postei um texto-exaltação em que me alonguei tecendo loas ao estupendo desenhista Percy Lau, uma das minhas maiores paixões pictóricas. Os desenhos acima mostram o porquê. Nascido no ano de 1903 em Arequipa, no Peru, Percy mudou-se para o Brasil em 1921, ou seja, ao 18 anos, certamente com a alma transbordante de sonhos, que em nosso país ele soube tornar realidade.  Aqui ele se naturalizou e com seu talento raro transformou-se em um dos maiores brasileiros que esta terra encontrada por Cabral já teve a honra de conhecer. Sua obra marcou profunda e positivamente minha infância. E certamente marcou também a de milhões de brazucas que tiveram a felicidade de ver os deslumbrantes bicos-de-pena que Percy fazia para o IBGE e eram reproduzidos nos didáticos livros de Geografia adotados pelas escolas da Pátria. Bicos-de-pena de deixar qualquer um boquiaberto, feitos com o apoio de um belíssimo e preciso trabalho fotográfico, mostram aos brasileiros como era - e em muitos aspectos ainda é - o nosso Brasil do Oiapoque ao Chuí. Quem leu tais livros para aprender coisas sobre nossa Pátria, foi além disso pois viu a cara exata de nosso Brasil, um Brasil mostrado por inteiro, traduzido pelos olhos, mãos e coração de um artista com alma verdeamarelaazulebranca a quem devemos reverenciar eternamente, 
(06/12/14)

28 setembro 2020

Manezinho Araújo, o Rei da Embolada / Uns caras que eu amo 8

"Imbolá, vô imbolá, eu quero ver rebola bola, você diz que dá na bola, na bola você não dá." Tais palavras são de uma composição do grande e versátil Zeca Baleiro e você que gosta do trabalho do cara, certamente já o ouviu cantar essa melodia de ritmo e letra instigantes. Trata-se de uma embolada, gênero musical que se ouvia muito do final dos anos trintas até os anos cinquentas e que, em certa medida, é um ancestral do rap. Você, leitor dotado de seletíssimo ouvido e de acendrado gosto musical, sabe bem que Baleiro prima pela mistura de ritmos, pelas composições originais e ecléticas, que podem misturar batidas pop com diversas ritmos regionais do nordeste brasileiro, entre otras cositas. Mas não é o sempre magistral Zeca Baleiro o motivo maior dessa postagem, ele aqui é apenas o fio condutor para falar do Rei da Embolada, título que pertence, com totais méritos, ao genial Manezinho Araújo, compositor, cantor e pintor nascido em Pernambuco em 1910. Manezinho iniciou sua carreira profissional após um inusitado encontro com Carmen Miranda ocorrido em um navio, no tempo em que ele servia a Marinha do Brasil. Durante a viagem, estimulado pelos colegas marinheiros, Manezinho cantou suas emboladas para a Pequena Notável. Ela adorou, seu empresário e sua comitiva, idem, idem. Disso veio o convite para ir ao Rio de Janeiro buscar a sorte nas rádios para nelas cantar profissionalmente, o que acabou acontecendo e Manezinho foi muito bem sucedido, sendo contratado por uma boa gravadora que com ele gravou diversos discos. Na embolada estão amalgamados o lúdico, a alegria, a malícia, a sátira ferina, uma boa pitada de molecagem popular, muita criatividade e, sobretudo, doses maciças de humor e da mais pura brasilidade. Uma das coisas positivas da internet é que ela vem sendo usada como importante registro da História e um meio de preservação da memória popular. Nela podem ser encontradas gravações memoráveis, históricas, para o deleite de quem não se limita a ouvir ouvir apenas e tão somente a onda musical do momento. Quem gosta do que é bom, há de gostar de ouvir os sucessos de Manezinho Araújo, Pra onde vai, valente?, O carreté do Coroné, Coitadinho do Manezinho, A metraia dos navá, Cuma é o nome dele? Dezessete e setecentos, e outros mais. Todos deliciosos e bem brasileiros. Viva Manezinho Araújo! E que ninguém bula com Mané do Arraiá!
(161116)

23 setembro 2020

Nildão e Renatinho da Silveira e a Santa Inquisição nos dias atuais

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1. São Rock 2. Nossa Senhora do HD 3. Aparição da Virgem 4. Santo Antônio 
Em uma bela e enluarada noite de quinta-feira, mais exatamente no dia 27 de janeiro do Anno Domini de 2011 (o teeempo passa, torcida brasileira!), o cidadão Nildão, inspirado poeta, intimorato artista gráfico e iconoclástico cartunista, estava lançando seu mais novo livro de então, sendo tal opúsculo prenhe de criatividades miles. Nildão é o cara! Sabe que o bom humor serve para questionar o estabelecido e os dogmas mais entranhados. Assim é que ele, trabalhando em dupla com seu inseparável comparsa, o maravilhoso Renato da Silveira, criou e lançou algum tempo atrás a série "São Será o Benedito e outros santos geneticamente modificados". Católicos ortodoxos não gostaram nadinha de mexerem com seus ícones. E um grupo um tantinho fundamentalista, lá de Sorocaba, SP, moveu um processo criminal que foi encampado pelo Ministério Público Federal de São Paulo. Qual seria o próximo passo? A excomunhão de Nildão e Renatinho da Silveira? A ressurreição de Torquemada para, com seus autos-de-fé e suas fogueiras, punir as heresias gráficas da dupla? Não sei responder, sou péssimo em opinar sobre coisas em que a sensatez e a racionalidade nos escapam, em que as escolhas de atitudes fogem ao bom-senso. E sabemos bem até onde isso pode nos levar, desde a devastadoras guerras santas, como a acusações de bruxaria e queima de inocentes nas fogueiras de Salem, por exemplo. Não, não sei. O que sei é que Nildão e Renatinho são fantásticos criadores gráficos, plenos de humor e sapiência, mentes mais iluminadas que qualquer grande fogueira da Inquisição, caras do bem, talentosos e profícuos, que a toda hora lançam alguma coisa nova, instigante, que nos faz rir, e que assim nos chega ao cérebro e nos faz parar para refletir um pouco mais sobre sentidos e valores atribuídos às coisas. Quem quiser conferir pode ir ao site do Nildão e dar uma olhadinha lá que vai sair fã da dupla. O link é http://www.nildao.com.br
(18010211)

22 setembro 2020

Fernando Pessoa, criadas, moços de fretes e o fingimento do poeta.

Durante longo tempo trabalhei diariamente em redações com a incumbência de ilustrar matérias, artigos, crônicas e coisas quejandas, entre as quais se incluem a feitura de caricaturas e retratos de insignes gentes, como o grande poeta da língua portuguesa, Fernando Pessoa. Para aproveitar o momento, eu sempre buscava experimentar toda sorte de materiais que me possibilitassem fazer uma boa ilustração e ao mesmo tempo, me permitissem conhecer mais do uso desses referidos materiais. Um deles, o lápis 6B, foi o que usei para fazer em papel westerprint 180 gramas este retrato do grande, do formidável poeta fingidor que fingia tão completamente que chegava a fingir que era dor a dor que deveras sentia, que sofria enxovalhos e se mantinha calado, fingindo não perceber a troça das criadas de hotel nem o piscar de olhos dos moços de fretes. Gajo porreiro, gajo fixe, o Pessoa. Cabra bão!
(180518)

21 setembro 2020

Nenhuma mulher me resiste / Frases de Béu Machado 13

 As mulheres não resistem à minha presença: dão no pé.
(Béu Machado, de seu livro Pensamentando)
260916

Dívida dura de engolir / Frases de Béu Machado 03

Uma senhora com um colar de pérolas
pode estar endividada até o pescoço.
(Frase de Béu Machado, de seu livro Pensamentando)
(220916)

Fundos que nos afundam / Frases de Béu Machado 09

Os magnatas não costumam depositar seus fundos no banco dos réus.
(Béu Machado, do seu livro Pensamentando)
(230916)

Telepata que empata / Frases de Béu Machado 20

Pense sempre nos outros. Mas antes se certifique de que seu marido não é telepata. 
(Frase de Béu Machado, de seu livro Pensamentando)
(300916)

18 setembro 2020

O rumoroso caso de amor entre o jornalista Gonçalo Júnior e sua nona.

É com o precípuo escopo de tirar onda de gostoso e posar de intelectual versado em assuntos os mais diversos que passo uma razoável parte do meu tempo lendo o que bons autores escrevem. Não há qualquer intenção nobre nisto tudo, acreditem, pios leitores. Trata-se de meu rotundo e insaciável ego querendo alimentar-se de afagos e salamaleques, mesmo que através de mui imerecidos elogios. Já confidenciei a vocês mas, por garantia, mister se faz que eu volte a confidenciar, que ao assim proceder, lendo um razoável número de livros acabei desenvolvendo alguns traquejos e adquirindo certa prática para bem saber discernir entre os que em reduzido número são de fato bons autores e aqueloutros que em largos contingentes, cheios de pretensão e egolatrias vãs, de forma equivocada julgam que o são. Por exemplo, em matéria de competência, quando o papo são as Histórias em Quadrinhos, não vacilo, leio uma fera que domina o assunto de nome Gonçalo Júnior, respeitadíssimo na área. Gonçalo é jornalista atuante, dos mais conscientes da importância e dos verdadeiras propósitos de sua profissão, é fundador e editor da prolífica Editora Noir, em SP. Ele não se limita a ser uma autoridade na chamada nona arte, vai além, muito além disso, pois é também escritor com muitos importantes livros já publicados, argumentista de HQs, pesquisador incansável, é íntimo das palavras e, claro, do vasto universo dos quadrinhos. Tem uma ampla cultura geral o que lhe dá embasamento para tratar com propriedade de assuntos diversificados, conhece os terrenos em que pisa. Por seus conhecimentos vastos nos campos político e social, pela sua lucidez, sua clareza de pensamentos, seu compromisso para com o povo deste país tão vilipendiado e pelo respeito à profissão de jornalista que abraçou não lhe falta coragem para colocar o dedo na ferida quando necessário, não se limitando a ser um mero repassador de releases fornecidos por políticos ou editoras, hábito tão em voga nos tempos hodiernos. Se na História oficial há algo oculto nas entrelinhas, Gonçalo traz à luz, não acredita em determinadas verdades absolutas. Se há sujeiras sob o tapete, ele as revela a todos, intimorato que é, cônscio que é, ético que é. A participação de alguém da grandeza de Gonçalo só faz enobrecer a chamada nona arte, pela qual nutre imenso amor e evidente apreço. Seu olhar aguçado é guia confiável num mundo que por vezes é pródigo em indesculpáveis equívocos. Vale muito a pena dar uma busca na internet para se ter contato com os textos de tão brilhante autor ou, ainda melhor, ir a uma livraria de respeito e lá comprar os muito bons livros de sua autoria, entre eles, um dos mais lidos e emblemáticos, A guerra dos gibis. Textos escritos por Gonçalo são leitura imperdível, como se diz nos Cadernos Bês da vida.
(10/10/13)

16 setembro 2020

Béu Machado, Caetano Veloso, Goethe

Sempre relembro Béu Machado, sempre vale a pena que todos relembremos Béu. Amiúde me vem à mente seu jeito calmo de poeta, quase anônimo, fingindo-se igual aos viventes outros, malgrado o talento imensurável para versejar, criar frases. Contrariando Caê, que diz que só se pode filosofar na língua de Goethe, Béu filosofava em muito bom soteropolitanês. Seu humor, carregado de dendê e pimenta dedo-de-moça, algumas vezes era pura molecagem e outras ocultava, por trás de uma aparente despretensão, uma profundidade que a muitos certamente poderia escapar. O humor béumachadiano e sua filosofia podem ser percebidos a olho nu em frases como estas que aqui reproduzo para matar as saudades do poeta, do frasista, do vizinho na Boca do Rio e do amigo cortês e espirituoso.
***** O fato de marcianos virem periodicamente à Terra só prova uma coisa: não existe vida inteligente em Marte.
***** O açougueiro cortou a parte que eu mais precisava: meu crédito.
***** "Saúde de ferro!", disse o médico, desenganando o hipocondríaco.
*****De lascar é quando a bola bate no pau sem chocar na trave.
***** De nada adiantou eles ordenarem que eu me calasse. Heroicamente continuei gritando "Ai!"
***** Desisti de desafiar o Mike Tyson. Os motivos são de força menor.
***** Desta vez vai correr sangue: aumentaram os preços dos absorventes!
***** Ler Proust é uma perda de tempo.

Que grande, que imensurável falta nos faz Béu Machado.
(291114)

10 setembro 2020

Chiclete com Banana, Bell Marques e multidões.


No carnaval da Bahia, quando o Chiclete com Banana desponta nas praças, ruas e avenidas trazendo seu som potente e contagiante não há quem fique parado. É um sacolejo geral, amplo e irrestrito. Bell Marques, além de músico que tem o dom de saber levar alegria à multidão das ruas, não deixar ninguém estático, fazer todos cantarem, todos dançarem na mais contagiante empolgação, com essa sua banda Chiclete com Banana criou um estilo, um modo próprio de agitar a galera. Por tal façanha Bell ganhou uma vasta legião de fãs. Ele, no entanto, não posa de inatingível popstar, o cantor é um cara simples que tem enorme empatia com a massa de foliões e um imenso carisma pessoal. Euzinho, hedonista como costumam ser os que nascem nesta terra brasilis, sempre fui Chicleteiro, um a mais na imensa multidão, pulando, cantando, brincando, exorcizando os estresses. Há já um tempinho, Bell Marques, buscando trilhar caminhos próprios, saiu do Chiclete para tristeza dos fãs, mas a banda prometeu não deixar a peteca cair e continuar na estrada com o alto astral de sempre, promessa que vem sendo cumprida. Esta caricatura, com a qual ilustro essa chicleteana postagem, fiz em duas versões, ambas com a presença do graaaande Bell Marques. Na primeira, o grupo segura uma imensa banana, que é a fruta que nomina o grupo. Nesta aí, como você, atilado leitor, bem pode ver, eles estão segurando uma espiga de milho, vez que de há muito as festas juninas fazem parte do calendário da tchurma chicleteira. Mesmo que a canção do mano Caetano diga que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu, já não me arrisco a enfrentar o sufoco das grandes multidões carnavalescas que seguem seus músicos preferidos através dos logradouros dessa soteropolitana afrocity. Não me aventuro mais a seguir o Chiclete com Banana ou outros trios quaisquer, mas sigo sendo um Chicleteiro, ressaltando que, tendo eu um gosto musical beeeem diversificado, sou também um inveterado e fiel Mutanteszeiro, Titãszeiro, um Mestreambrosiozeiro, Camisadevênuscommarcelonovazeiro, Naçãozumbizeiro, Sibaeafulorestazeiro, Chicobuarquezeiro, Caetanovelosozeiro, Raulseixaszeiro, um Genivallacerdazeiro, Jacksondopandeirozeiro e de quebra sou Zecabaleirozeiro. Viva a música brasileira, sua alegria e nosso santificado hedonismo!
(28/10/13)

Elis Regina, insuperável. / Umas minas que eu amo 4

Somos um país musical. Essencialmente, fundamentalmente, visceralmente, extraordinariamente musical. Entre nossos tesouros pátrios, temos cantoras maravilhosas que arrasam ao cantar e interpretar qualquer tipo de música. Que maravilha, que musical deleite é ouvir o canto de Gal Costa, de Rita Lee, de Clara Nunes, de Cássia Eller, de Daúde, de Adriana Calcanhotto, de Marisa Monte, de Clementina de Jesus, de Astrud Gilberto, de Flora Purim, de Bidu Sayão, de Dona Ivone Lara, de Carmen Miranda, de Elba Ramalho, de Marinês, de Nara Leão, de Dalva de Oliveira, de Ângela Maria, de...ah, são tantas e tantas e tantas! Para mim, entre elas, brilha a estrela mais cintilante: Elis Regina. Elis, a Pimentinha. Inesquecível, incomparável e, em diversos aspectos, insuperável. Elis tinha uma voz e uma força interpretativa que supera os limites do que já é muito, muito bom. Tudo quanto ela cantou ou gravou, segue tendo uma força maior e dói saber que se foi dessa vida e não se ouvirá suas possíveis interpretações para canções que amamos, gravadas por outras notáveis cantoras. Ouço uma delas interpretando uma música, gosto do resultado, mas sempre me pego em solilóquio, dizendo que extraordinário seria escutar Elis Regina interpretando aquela canção, de uma forma que só ela saberia interpretar com toda a força que lhe ia na alma de quem nasceu para cantar, com o coração pulsando forte, saindo do peito, extraindo da canção tudo que ela continha em seus mais recônditos dizeres, de um modo que ninguém jamais a igualou, deslizando por sua garganta abençoada, chegando a nós, preciosa e exata, através de sua voz, de sua força interior. Dói muito tal sentimento de perda. Elis tinha um timing que foge ao comum, mergulhava na canção, ia ao seu âmago, dali arrebatava tudo que essa canção tinha para dar em termos de emoção, fosse a mais profunda dor, melancolia, alegria, esperança, amor não correspondido, amor vitorioso, redentor. O músico César Camargo Mariano, que acompanhava Elis, diz que ela não era só uma cantora e grande intérprete - o que não é pouco - que ela ia muito além disso. César a tinha na conta de um músico, em pé de igualdade com os que a acompanhavam e isso gerava uma total empatia e cumplicidade que facilitava as coisas, era fundamental nos ensaios, nas gravações e apresentações. Elis correu o mundo, esteve em várias cidades do planeta e causou admiração por todos os recantos que passou, graças à sua grandeza musical. Mas não quis fincar raízes na Europa ou nos Estados Unidos. Afirmava ser uma cantora genuinamente brasileira, com largos e indissociáveis vínculos com nossa cultura. Aqui se quedou, em ambiente muita vez adverso para ela e  para o Brasil que ela desejava, lutou com seu talento, sua índole e sua bravura pessoal, e seguiu carreira renovando-se a cada dia, agigantando-se, chegando a um patamar em que poucas no mundo da música chegarão. Tinha a sabedoria de adivinhar o formidável, o magistral em compositores ainda neófitos, novatos em que ela vislumbrava talento em potencial, e lançou ao estrelato vários deles em gravações antológicas. Dava às canções uma força que fazia boquiabertos os próprios autores das composições, fossem eles os ainda iniciantes Gilberto Gil, Zé Rodrix, Belchior ou mesmo Aldir Blanc e João Bosco ou, certamente, o Maestro Soberano, Tom Jobim, com quem Elis fez um dia um antológico dueto, interpretando Águas de Março. Elis se foi, e é uma imensurável perda para o mundo da música. Consola-nos, ao menos, o fato de poder ver e ouvir em vídeos postados na internet, sua voz de interpretações que não encontram similares, uma voz maravilhosa, clara, forte e poderosa que encantou não só o Brasil, foi além, bem mais além, e conquistou o mundo.
(070716)

09 setembro 2020

Chico Buarque de Hollanda, Kid Morengueira e Miles Davis. Três retratos em P&B por Setúbal.

MOREIRA DA SILVA, o popular Kid Morengueira, homem dos sambas de breque e do humor delicioso em incontáveis sucessos musicais. Desenho em papel Opaline 180 g, esboço feito com grafite 2B, arte-final com caneta nanquim, pincel seco e nanquim Talens. Clicando sobre cada uma destas ilustrações, intrépido leitor, você poderá vê-las ampliadas.
 CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, cantor e compositor cultuado em todo o planeta, escritor e dramaturgo mais que premiado, suas canções, nas letras e melodias, têm a marca da genialidade, sendo cantadas e regravadas em diversos países pelos mais consagrados cantores. Ao lado de Caetano foi apresentador de um programa televisivo musical, escreveu inúmeras trilhas musicais antológicas para filmes e peças teatrais. Retrato feito em papel de diagramação, esboço com grafite B, arte-final com caneta nanquim, meio-tom em retícula executada graficamente.
Mr. Miles Dewey Davis III, o virtuosíssimo trompetista MILES DAVIS, também compositor e bandleader, deixou seu nome marcado no jazz e em toda a música norte-americana e mundial. Retrato em papel Westerprint 180 g, grafite B, caneta nanquim, fundo com retícula xerocada. 

Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Francis, Zélia Gattai, Godofredo Filho e Tiradentes em retratos feitos a cores por Setúbal.

O lusitano FERNANDO PESSOA, o mineiro CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, o baiano GODOFREDO FILHO, poetas mais que inspirados da língua portuguesa. Retratos em papel Opaline 160 g, esboço com grafite B, arte-final com caneta nanquim, cores feitas com lápis Caran D'ache. Clicando sobre cada uma das ilustrações, luminiscente leitor, você as amplia.

 PAULO FRANCIS, jornalista, crítico de teatro, escritor. Papel Canson, 180 g, esboço com grafite HD, arte-finalização com caneta nanquim, colorização com aquarela.
 ZÉLIA GATTAI, escritora, fotógrafa e memorialista brasileira. Retrato feito sobre papel Opaline 160 g, grafite B para esboçar, caneta nanquim para arte-finalizar, tinta ecoline para colorir. 
TIRADENTES, retrato feito a partir de imagens que costumeiramente  circulam em livros e jornais brasileiros. Papel Fabriano 200 g, desenhado e colorido com pastel seco.

Madonna, Rubem Braga, religiões, protesto e resistência à ditadura. Três ilustrações de Setúbal.

MADONNA BOA DONA E RUBEM AI DE TI PINDORAMA BRAGA. Ilustração esboçada com grafite 2B em papel de diagramação, arte-finalizada com caneta nanquim e com um pincel 02 na aplicação de tinta ecoline de cor cinza. A retícula pontilhada no alto da arte foi garimpada na internet. 
Clicando sobre cada uma das ilustrações você irá vê-las em formato ampliado.
O HOMEM, AS RELIGIÕES. Esboço feito com grafite B sobre papel de diagramação. Sobre este esboço foram colocadas manchas de meios-tons de cinza feitos com aquarela.
RESISTÊNCIA A DITADORES. Ilustração feita com lápis dermatográfico sobre papel preto. Os toques de cinza, que ajudam a visualizar melhor os personagens, foram colocados através do Photoshop. 

08 setembro 2020

O bardo Bill Shakespeare no traço de Setúbal.

Há jogadores profissionais de futebol que só jogam em uma única posição, seja ela qual for. Outros, entretanto, se adaptam a diversas posições, do ataque à defesa, passando pelo meio de campo. Há até uns craques que, mesmo não sendo goleiros de ofício, em caso de uma emergência calçam as luvas de arqueiro e vão estoicamente defender o chamado último reduto. O fato em si não torna um jogador eclético melhor que o que não o é, é só uma questão de versatilidade que um não tem e no outro por vezes sobra. Falo isso porque já conheci desenhistas que sempre seguiram uma única linha de trabalho e dessa forma mostravam-se notáveis. Outros conheci que tinham inúmeras variantes para se expressar. Meu trabalho se situa entre os destes profissionais. Faço isso por gostar de fazer um número de coisas diferentes, variar, ousar, experimentar técnicas e materiais novos, o que me enche de prazer e satisfação e afasta para bem longe qualquer possível chatice contida em rotina que ameace ser enfadonha, Assim, busco renovar um trabalho cotidiano, torná-lo um desafio, dar o melhor de mim e fazer um trabalho profissional que surpreenda sempre aos leitores, quer fazendo cartuns, HQs, tiras, ilustrações variadas, caricaturas e retratos. Destes últimos, os retratos, já fiz um bom número mostrando artistas, políticos, escritores, intelectuais e um infindável número de gentes outras. 
Nesta postagem, mostro acima o mais que extraordinário William Shakespeare, poeta, dramaturgo e ator inglês, celebrizado como "O bardo do Avon". Não confundir com o Bar do Avon, que deve ser - há de existir - o nome de algum pub local. Shakespeare é considerado o poeta nacional da Inglaterra, eternizado como o criador de prodígios como Hamlet, A megera domada, Rei Lear e Romeu e Julieta - frisando que não estou me referindo à sobremesa assim batizada, composta de goiabada-cascão-com-muito-queijo. Falo é do célebre casal de jovens apaixonados de Verona que não há quem desconheça neste mundo, mundo, vasto mundo. 
********Usando grafite B esbocei o desenho em papel de diagramaço. Fiz a arte-final com caneta nanquim e sobre ela - qual um inventivo MacGyver - me valendo de uma velha escova de dentes, aspergi tinta nanquim para dar um toque visual mutcho porreta, como dizem as mais representativos representantes do povão desta minha afrocity baiana, Soterópolis. 
(300518)

05 setembro 2020

A Poesia e a Boca de Béu Machado.

Nem bem dissipava-se a primeira gota de orvalho e lá estava eu, senhor do mar qual um Poseidon, mergulhando nas águas da Praia da Armação, na Boca do Rio, nesta soteropolitana urbe. Tempos antes, Caetano Veloso soltara sua voz tamanha alardeando que a Boca do Rio era beleza pura. Um aval régio desses não é inteligente desprezar-se. Vai daí peguei meus pincéis e tintas e fui habitar o - na época - paradisíaco bairro onde já haviam morado até Os Mutantes, em fase pós-Rita Lee. Entre os tradicionais moradores estava o vate Béu Machado, que eu já conhecia das redações de gazetas baianas, vez que ele sustentava sua prole e família ganhando o pábulo nosso de cada dia nessas redações, escrevendo, com competência e estilo próprio, coluna falando sobre as artes made in Bahia, divulgando os artistas locais, notadamente os da música, muitos dos quais ainda emergiam na profissão, antes de tornarem-se as estrelas que hoje são. Fora das redações, Béu curtia mesmo era prosear bebendo umas e outras em algum cacete-armado do seu bairro, cotovelo no balcão, fumando um cigarro atrás do outro com seu jeito pacato, sua mansidão bovina. Observando-o assim ninguém adivinharia que ali estava um poeta de surpreendente criatividade e um frasista mais que inspirado, ora crítico, ora irônico, às vezes debochado, muita vez lírico, e o letrista, parceiro de Moraes Moreira em canções em que diz coisas como "Salvador é um Porto Seguro". Um dia, quando a bebida e o cigarro lhe golpearam mais duramente a saúde, atendendo à amada e aos filhos deixou de beber para melhor se cuidar. De Brasília, nosso amigo em comum, o jornalista Fernando Vita, também apreciador de liquors variados, envia texto a ser publicado em que lamenta o recesso alcoólico de tão querido amigo. Tempos depois não resistindo mais à prolongada abstinência, Béu rendeu-se e voltou a beber contrariando médicos, esposa e filhos, todos receosos de nefastas consequências dessa sua decisão, até de uma possível morte prematura. Em nota na sua coluna Swing, enfim responde a Vita, colocando-o a par de sua atitude e justificando sua humana fraqueza: "Vita, querido, voltei ao etílico. Aquela força-de-vontade não podia continuar me dominando!" Grande, grande, grande Béu Machado.
(241112)

03 setembro 2020

O Bundamolismo e o cabotinismo neste país tupiniquim

Nem bem se esvanece o rocio e este estóico cartunista já está em plena atividade no Central Park, na mui frígida atmosfera dessa Big Apple, malhando espartanamente. Mister se faz ter hercúleo físico para poder superar as cotidianas barreiras encontradas por um genuíno cartunista. Nós, os cartunistas autênticos, vivemos eternamente em pugna imensa contra as mazelas impingidas à raça humana, inerme e desprotegida, ainda que armada esteja. Tamanha dedicação não impede que tantos não nos reconheçam como seus legítimos e heroicos protetores e que nos dirijam injustas e indevidas ofensas. E se extremistas armados nos trucidam em mortais ataques, comemoram aos gritos de “bem feito, bem feito!!”. Miríades de brasileiros incorrem em tais abomináveis equívocos e em terras tupiniquins não faltam os que nos apodem de quixotescos e, de forma chula, nos chamem de bundas moles. Pensar nisso me faz intensificar a malhação dos meus bíceps, tríceps e principalmente dos meus glúteos para enrijecê-los de forma pétrea. Bunda mole é mãe!
***Neste post mais três trabalhos de ilustração, como me exigiu o cacique Biratan, que é minha participação em um projeto mostrando trabalhos de artistas gráficos exibidos no Facebook. Na sessão de hoje, numa homenagem ao assaz laureado cineasta Lima Barreto, nada de technicolor ou tequinicolor, só sertão com suas muitíssimas veredas, sertão nordestino, cangaço e cangaceiros em P&B.
1. O HERÓI, história em quadrinhos com argumento e roteiro do graaaaande Gonçalo Júnior, ainda inédita. Arte feita em papel Opaline 180 gramas, grafite B e caneta nanquim descartável.
 2. ROSTO EM CLOSE DO CONSELHEIRO, ilustração para revista. Monotipia feita com tinta preta em bisnaga para paredes e papel ofício.
3. CANGACEIRO E BANDO. Ilustração para livro, Fakexilo, uma simulação de xilogravura feita com guache branco em papel preto.
(11022015)

Um pequenino detalhe sexual / Humor de graça

(200115)