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25 junho 2026

Sábios primeiros parágrafos reciclados da literatura. Melville, Proust, LFV, Nabokov...

Início de ‘Moby Dick’ ganhou uma paródia do grande Verissimo, mas o da abertura de ‘Anna Kariênina’ é favorito
 
por Sérgio Augusto,
em O Estadão
Nos seis únicos romances de Luis Fernando Verissimo, agora reeditados e acondicionados numa caixa pela Alfaguara, o que mais me seduziu foi mesmo o primeiro que ele, relutantemente escreveu: O Jardim do Diabo. Custou-lhe mais aceitar o desafio de seguir os passos do pai e arcar com as inevitáveis comparações do que produzir uma obra ficcional de encomenda, como foi o caso de O Jardim do Diabo.O que nela me comprou? Suas duas irresistíveis frases de abertura:“Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome é Estevão.”            LFV não foi o primeiro a parodiar o mítico exórdio de Moby Dick, de Herman Melville, mas, afora Harvey Kurtzman, na revista Mad, ninguém o fez com mais graça.
Parágrafo inicial do clássico "Moby Dick", de Hermann Melville, ilustrdo por Rockwell Kent em 1930 Rokwell Kent)
Parágrafo inicial do clássico "Moby Dick", de Hermann Melville, ilustrdo por Rockwell Kent em 1930 Rokwell Kent) Foto: Rokwell Kent

Estevão, o narrador do paródico thriller, é um escritor de bagatelas policiais e de espionagem vendidas em bancas de jornal. Há outras referências melvilleanas na história, que me abstenho de abordar porque meu tema de hoje são, et pour cause, as grandes frases de abertura do romanceiro mundial. “Me chame de Ismael” é uma delas.                                              Já a vi encimando inúmeras listas de preferidas da categoria, lúdica frivolidade intelectual em que uma palavra (“Nonada”, Grande Sertão: Veredas; “riverrun”, Finnegans Wake) tem o mesmo peso das 465 com que García Márquez abre o empolgante primeiro parágrafo de Cem Anos de Solidão.                         Se seguida de um ponto em vez de uma vírgula, “Lolita”, a primeira palavra do epônimo romance de Nabokov, compartilharia esse rol com “nonada” e “riverrun”. Mas seu destacado lugar no pódio é indisputável e eterno, em qualquer idioma. Na tradução de Jorio Dauster, ficou assim:                                                  “Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.”                                                          Nem sempre um inspirado introito precede um grande romance – e a recíproca é verdadeira. Como o de tantos outros clássicos da literatura (vide No Caminho de Swann, de Proust), o começo de A Montanha Mágica, por exemplo, com o “jovem singelo” Hans Castorp a viajar, “em pleno verão”, de Hamburgo a Davos-Platz, chega a ser prosaico.                          Tolstoi, aliás, só satisfez os dois quesitos em Anna Kariênina: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. Esta é uma das favoritas do leitorado mundial, disputando em citações com o horripilante despertar de Gregor Samsa em A Metamorfose (Kafka), “o melhor dos tempos e o pior dos tempos” de Um Conto de Duas Cidades (Dickens), e esta reflexão sobre o passado de L.P.Hartley na primeira linha de O Mensageiro (The Go-Between): “O passado é um país estrangeiro; lá as coisas são feitas de maneira diferente”.   Se já comprei vários livros atraído pela capa, em outros mais de ficção já mergulhei estimulado por seus primeiros parágrafos, comumente espreitados de pé numa livraria. Tal foi o caso de O Mundo Segundo Garp, de John Irving. Bati os olhos no primeiro parágrafo (“A mãe de Garp, Jenny Fields, foi presa em Boston em 1942 por ferir um homem num cinema”), fechei o volume e, doido para conhecer aquela audaciosa mãe e sua história, fui direto ao caixa fechar minhas compras. Como qualquer escolha, a de melhores aberturas é tremendamente pessoal e não raro idiossincrática. Não creio me distanciar muito dos habituais escolhidos, e conheço pelo menos meia dúzia de pessoas que também se aproximaram da ficção de Carson McCullers pelo feitiço de seus títulos (O Coração é um Caçador Solitário, A Balada do Café TristeRelógio Sem Ponteiro) e pelo lapidar prelúdio de Reflexos Num Olho Dourado: “Uma base militar em tempos de paz é um lugar enfadonho.”Enfadonho, mas não sem novidades e excitação o tempo todo, como sabem os que leram o livro ou apenas viram a decepcionante adaptação dirigida por John.                           (030223)

11 abril 2026

As Histórias em Quadrinhos, o diabo contra o Brasil

Tempos houve em que as Histórias em Quadrinhos aqui neste Patropi eram consideradas coisas do demo, do canhoto ou seja lá que nome dêem ao anjo dissidente das hordes celestiais. Você, amável e atilado leitor, que no conforto do seu sacrossanto lar gosta de ler bem editados álbuns de luxo de HQ que hoje circulam em toda parte com pompa e circustância, ficará um tanto cético diante de tal afirmação, mas ela é a pura expressão da verdade, por mais absurda que lhe possa parecer. Em meados de 1930 o empresário Adolfo Aizen, através do Suplemento Juvenil, lançou as HQs aqui no Brasil. Quer dizer, esta é a versão corrente, embora haja os que afirmem que antes dele já havia pubicações pioneiras de quadrinhos por aqui. O fato é que Aizen lançou com grande repercussão, em larga escala, de maneira maciça e por isso é considerado o grande marco dos quadrinhos no Brasil. Entre os leitores e os quadrinhos houve uma paixão instantânea e fulminante que se fortaleceu à medida em que o tempo foi passando. Não percamos de vista que nesse nosso país varonil de céu de anil somos forçados a conviver com um magote de gentes de mentalidade retrógrada, reacionários, autoritários e violentos que têm em comum o repugnante hábito de tentar impor aos demais a sua forma distorcida de enxergar o mundo por seus critérios malévolos como o que enxergava nas HQs a presença maligna do demo, o coisa ruim, o capiroto, o diabo. E não estamos falando do simpático personagem, o diabinho chamado Brasinha, o Hot Stuff, the Little Devil, que circulou no nosso patropi em gibis nos anos 60s e era aceito entre nós sem temores de despropositadas caça às bruxas, quando o número dos ditos cristãos fanatizados e iracundos ainda não parecia algo a ser temido, embora Brizola, que sempre teve uma aguçada visão da política, já fizesse alertas das catástrofes que a fé manipulada por charlatães inevitalmente traria ao Brasil. Hoje os mais atentos se dão conta das terríveis consequências que a fusão em curso das igrejas neopentecostais com a extrema nos ameaça a todos com sérias atrocidades. Premonitório Briza!    
Sim, toda essas hostes compostas por seres assombrosamente reacionários que depois da era bozolóide passou a circular livremente em espaços públicos sob nomes incorretos como "patriotas" ou mesmo "conservadores", um eufemismo indevido adotado para os que, de fato, são retrógrados, uma súcia antiga que não deixava em paz a cultura, a educação, as artes. Uma gente que se crê dona da verdade e se autoentitula defensora legítima da moral e dos bons costumes não é uma sandice dos tempos atuais, como pensam muitos, tal escória sempre existiu. Infiltradas nos órgãos oficiais, nos gabinetes acabaram por desenvolver verdadeiras campanhas onde a tônica era o mais improcedente preconceito e buscaram fazer uma lavagem cerebral por atacado afirmando que as revistas de HQs, os conhecidos Gibis, eram um inimigo natural dos livros didáticos, um adversário maléfico, um feroz antagonista das consagradas obras dos bons escritores, que destarte eram um inimigo do próprio Brasil e do povo brasileiro e um monte de sandices congêneres. Com todos essas acusações absurdas visando estigmatizar as linguagem dos quadrinhos, todo esse reacionarismo explícito, você ficará atônito ao descobrir que hoje existe, entre profissionais das HQs certos grupos de desenhistas e argumentistas que estão interligados abertamente à extrema direita e sua abominável política que odeia a Educação, a Cultura e as artes em geral, incluindo as histórias em quadrinhos, campo onde atuam profissioanalmente? Difícil de acreditar em algo assim, não é? Só as cabeças insanas deles para buscar razões que consideram plausíveis para justificar tão inaceitável aburdo. Quanto ao tempo das cruzadas abertas contra os quadrinho, absurdos inomináveis já foram ditos, escritos, foram impressos e circularam entre nós. Afirmavam, em cartazes e por outros meios, que a criança que lia quadrinhos inexoravelmente haveria de se tornar um malfeitor que empunharia armas contra as pessoas ditas normais. Valei-me meu São Stanislaw! 
Essa autêntica Idade das Trevas das comunicações graças aos céus parece ter chegado ao fim e hoje os quadrinhos circulam nos mais salutares ambientes com as devidas alvíssaras e são comercializados em versões bem cuidadas, até luxuosas, em livrarias conceituadas, sendo largamente empregados em campanhas governamentais, seja na área de saúde ou outra qualquer, onde se faça necessária uma forma de comunicação rápida e de alcance de todas as camadas. E, glória das glórias, hoje são utilizados amiúde em parcerias com os livros didáticos que assim levam ao povo, com o auxílio luxuoso das HQs, o doce sabor do Saber. Os quadrinistas brasileiros conscientes e dignos sempre lutaram pelo reconhecimento das HQs como forma legítima de comunicação e arte maior. Eternos batalhadores em prol do reconhecimento de seus trabalhos, vão sendo a cada dia mais valorizados. Muito justo, justíssimo. Merecido, merecidíssimo.
(210314)

07 março 2022

O Brasil no traço do maravilhoso Percy Lau


Aqui neste bloguito já postei um texto-exaltação em que me alonguei tecendo loas ao estupendo desenhista Percy Lau, uma das minhas maiores paixões pictóricas. Os desenhos acima mostram o porquê. Nascido no ano de 1903 em Arequipa, no Peru, Percy mudou-se para o Brasil em 1921, ou seja, ao 18 anos, certamente com a alma transbordante de sonhos, que em nosso país ele soube tornar realidade.  Aqui ele se naturalizou e com seu talento raro transformou-se em um dos maiores brasileiros que esta terra encontrada por Cabral já teve a honra de conhecer. Sua obra marcou profunda e positivamente minha infância. E certamente marcou também a de milhões de brazucas que tiveram a felicidade de ver os deslumbrantes bicos-de-pena que Percy fazia para o IBGE e eram reproduzidos nos didáticos livros de Geografia adotados pelas escolas da Pátria. Bicos-de-pena de deixar qualquer um boquiaberto, feitos com o apoio de um belíssimo e preciso trabalho fotográfico, mostram aos brasileiros como era - e em muitos aspectos ainda é - o nosso Brasil do Oiapoque ao Chuí. Quem leu tais livros para aprender coisas sobre nossa Pátria, foi além disso pois viu a cara exata de nosso Brasil, um Brasil mostrado por inteiro, traduzido pelos olhos, mãos e coração de um artista com alma verdeamarelaazulebranca a quem devemos reverenciar eternamente, 
(06/12/14)

21 fevereiro 2022

Cartunistas que optam pelo fascismo, o escritor João Ubaldo Ribeiro, o golpe de 2016 e a verdade apunhalada..


Tenho alguns amigos em alta conta, estimo-os, a eles dedico sincero e desmedido afeto. Que imenso iceberg de tristeza toca minh'alma quando qualquer um deles me revela suas concepções políticas com argumentos oriundos de noticiários de revistas e mídias asquerosamente falaciosas tal como a revista Veja, que já teve dias melhores nos tempos dos Civittas, mas sempre fez opção pelos mais ricos, privilegiados e poderosos, categoria em que se inserem. Esses amigos aos quais me refiro, também costumam cultivar o nada salutar hábito de beberem sofregamente na fontes envenenadas da Rede Globo, JN e GloboNews, comentários da nada digerível de Miriam Leitão. A Rede Globo, sabemos todos muito bem, é propriedade 
da mafiosíssima famiglia Marinho, sendo um dos maiores mananciais de desinformação -e, não raramente, até de fakenews - deste patropi, e de deplorável manipulação dos fatos, sempre ocultando, sonegando ou distorcendo informações por interesses escusos. Recentemente veio à tona a participaçào direta dos Marinhos/ Rede Globo na conspiração em atos de lesa-Pátria feitos sordidamente em cumplicidade com certos juízes, procuradores, CIA e FBI, coisa de estarrecer. Tal conspiracionismo possibilitou o golpe de 2016, uma sabotagem contra a democracia brasileira que colocara no poder um partido ligado ao trabalhismo, coisa que os ricos, os privilegiados e os manipulados soem abominar. 
Voltando aos referidos amigos meus, quando alguns deles me fazem indagações sobre a atual política, partindo do lixo plantado em suas cabeças que creem iluminadas, eles o fazem munidos de absurdas inverdades e vão, convictos, despejando cachoeiras de sofismas ao usarem como argumento as falaciosas acusações veiculadas pelos ditos "órgãos de imprensa", assim com aspas mesmo, por serem valhacoutos de gentes que, a troco de polpudos numerários, lançam mão das mais desonestas falácias, dos mais aberrantes textos putativos e apócrifos para convencer os incautos de que o que dizem e pregam é a expressão da verdade. Desta forma, os citados amigos, nivelam-se àqueles que não podendo frequentar escolas, cresceram profundamente alienados. Disse que sigo gostando desses amigos e gosto muito por qualidades que possuem, mas diante dessas derrapadas diminuíram em muito no conceito que deles eu tinha anteriormente, constrange-me vê-los acomodados - e em péssima companhia - numa canoa furada. Para se aboletar em tão perfurada embarcação, só mesmo quem não é dotado de poder de discernimento, ou quem desconhece a História e as tenebrosas malfeitorias dos mafiosos Marinhos et caterva, com seus envolvimentos, digamos, suspeitosos com a abjeta ditadura militar brasileira de triste memória para quem não engrossa o cordão do autoritarismo. Lamentável é dizer que por aqui não faltam multidões de estultos e de escrotos que glorifiquem essa infame ditadura e que bradem pelo retorno de tão infaustos dias. Fui me tornando um cartunista por admirar o talento, a consciência, a lucidez e a coragem dos meus ídolos do cartum, gigantes como Millôr, Ziraldo, Henfil, Jaguar, Angeli, Laerte. Cartunistas sempre se caracterizaram por mostrarem em seus cartuns grande consciência social e política, desnudando o rei ante seus súditos, por livrar a cara dos desvalidos, dos injustiçados, dos que foram colocados à margem da sociedade. Mas atualmente é espantoso constatar que muitos e muitos que se entitulam cartunistas, de uma forma lamentável pautam seus cartuns, charges diárias e caricaturas pelo conteúdo veiculado pelas mídias mais falaciosas, contribuindo para induzir a um equivocado entendimento dos fatos a nossa população, por mais absurdo que isto possa soar. Dia desses meu amigo Santiago, genial cartunista gaúcho, publicou texto em sua rede social mostrando uma charge torpe de um velho desenhista que publicava na extinta revista Mad, em sua versão brasileira. Fiquei estarrecido ao constatar que o cara concebe e veicula ideias absurdamente fascistas 
 através de seus desenhos que, diga-se, são bons desenhos,  ainda que visivelmente calcados nos de Mort Drucker. As charges que vi deste cara são um poço de ódios, de visão deturpada dos atos e fatos e de preconceitos abjetos, coisa aberrante. Pior é saber que ele não está só, que outros usam o humor para caminhar de braços dados com o obscurantismo como vergonhosamente o fizeram, durante a construção do golpe de 2016, uns caricaturistas da supracitada Veja. 
Voltando às fontes, elas têm fundamental importância na formação dos nossos pensamentos, escolhas, postura política e social. Daí a importância de saber se a fonte em que você bebe é salutar, confiável, ou se é venenosa. Pensar o Brasil, buscar entendê-lo em suas minúncias, seus mistérios, mazelas, tesouros ocultos, males entranhados desde antanho, acertos e descaminhos, não é tarefa fácil como querem muitos precipitados em seus julgamentos levianos e superficiais alimentados pelas falácias ditas em TVs e revistas pertencentes a grupos mancomunados com os sórdidos que nos empurram goela abaixo suas torpezas. É necessário que usemos de cautela e que busquemos ler e ouvir o que dizem as pessoas idôneas com uma história de vida comprovadamente confiável. Gente cônscia, de grande inteligência, que conhece a nacão em seus mais intrincados pormenores, gente de ilibado proceder, que nos fale com clareza as palavras que possam nos conscientizar e nos livrar das mentiras convenientes aos arrivistas e venais, que beneficiem a todos com a verdade dos fatos. Como as encontráveis nos textos do respeitabilíssimo escritor e cartunista Luís Fernando Veríssimo, por exemplo. Ou como as do consagrado escritor João Ubaldo Ribeiro que estão neste texto direto em que ele discorre sobre as chamadas ''reformas de base'', esclarecedor, lúcido, acima dos conceitos ideológicos de esquerda e direita, em uma crônica intitulada "Se reformarem, é para pior", que é encontrável na internet, da qual repassarei, em futura postagem, trechos do que pensou e escreveu JUR a respeito do assunto. Mas já adianto aqui e agora o link para que vocês possam ler na íntegra o que o notável autor de "Viva o povo brasileiro" escreveu - para meu espanto e vergonhoso ceticismo - prenunciando golpe que se deu no ano de 2016, mas que poderia ter rolado antes ou mesmo depois, de acordo com a vontade e os interesses dos que se arvoram a serem donos do Brazil-zil-zil. Não porque fosse JUR uma pitonisa, apenas porque era um homem culto e muito bem informado que conhecia profundamente o Brasil, seu povo, suas eltes, sua História. 
Clique no link:
 http://academia.org.br/artigos/se-reformarem-e-para-piorar
( 03/04/15)

13 janeiro 2021

Diana Panton cantando Manhã de Carnaval em Francês. De arrepiar.

Diana Panton é uma cantora canadense que sabe cantar jazz como pouca gente. Para nossa fortuna ela adora Bossa Nova, é grande fã desse ritmo brasileiro que conquistou legiões de fãs planeta afora e vai daí, a moça já gravou diversas canções bossanovísticas. Diana tem uma daquelas vozes afinadas e doces, primordiais para cantoras que incluam em seu repertório a Bossa Nova, vozes que se encaixam suavemente na melodia, no ritmo, nas letras das canções como bem se pode ver nesse disco, aqui vertidas para o Francês e o Inglês. O resultado é belo. Entre outras preciosidades, ela canta Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, canção que encantou o mundo integrando
a trilha do filme Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, premiado com a Palma de Ouro, em Cannes, e com o Oscar de melhor filme estrangeiro, nos EUA, o que redundou em enorme visibilidade na Europa e em grande número de países ao talento de uma geração fantástica de músicos brasileiros, entre eles Jobim e Vinicius, e consagrou Manhã de Carnaval, que foi gravada por uma legião dos mais formidáveis e consagrados intérpretes do planeta, inclusive por Frank Sinatra, cognominado The Voice. Esta interpretação de Diana emociona pela sua docilidade. É ouvir, se comover e diante de tamanha emoção, só resta dizer como diz o povão aqui na Bahia: "Vai matar o diabo!!"
(111214)

18 outubro 2020

JBosco, Pará, Fafá

Este sujeito aí, com uma batata entre os olhos à guisa de nariz, não é nenhum audaz e heroico compañero de Che e Fidel que em Sierra Maestra arriscava sua própria vida em renhidos e mortais embates contra os esbirros do mendaz ditador Fulgencio Batista y Zaldívia. Bem, combatente ele certamente o é, mas sua trincheira é uma prancheta e sua arma um lápis com o qual dispara certeiros petardos contra o mau-humor, o cara nunca erra o alvo. Estou falando deste mui nobre mameluco, orgulho e glória de Belém do Pará de onde, de algum ponto da selva (de pedra), cria e executa com invejável maestria cartuns, charges, tiras e caricaturas. Conferindo o trabalho deste talentoso cartunista nos links abaixo vocês haverão de concordar comigo quando afirmo que que nem só de Pinduca, Gaby Amarantos e Fafá de Belém vive o maravilhoso Pará.

08 julho 2020

Camelôs da fé e suas igrejas que lhes dão fortunas e poder

Usando o nome de Deus como irresistível publicidade e o de Jesus Cristo como infalível garoto-propaganda, valendo-se de suas inegáveis capacidades de comunicação de massa e de persuasão, de seus poderes de oratória, vendem a fé como camelôs vendem produtos suspeitos numa esquina. Usando o forte poder da mídia televisiva e radiofônica, determinados sacripantas, ditos líderes espirituais, terrivelmente canalhas e anti-cristãos, cheios de uma enorme lábia e de um arsenal de más intenções, valendo-se de discursos inflamados, cheio de conceitos anacrônicos, equivocados, distorcidos, carregados de preconceitos que mal dissimulam um inconsequente e perigoso ódio aos que não caem nas insidiosas armadilhas que suas línguas bifurcadas armam para os incautos, conseguem encher as burras com fábulas de dinheiro que vêm, em sua maior parte, das classes mais pobres, carentes em todos os sentidos, da classe média e até de atletas, dos remediados aos milionários. Todos entregam de mão beijada a grana que dá a boa parte desses tais "líderes espirituais" o privilégio de morar em suntuosos palácios que em nada lembram os lares da maioria dos seus seguidores e bem diferente do que pregava o santo rabi. Eis o crime perfeito. Tão perfeito que nem considerado crime o é. E ai de quem tentar dizer o contrário aos fanatizados cordeiros que lhes entregam o que têm e o que não têm. Hoje, como bem se vê na internet, os próprios canastrões midiáticos oferecem farto material que evidenciam suas mutretas espantosas. Usando em tudo e por tudo o nome de Deus, sem cerimônias nem medo de punição. Há os que induzem os incautos a darem dinheiro que porventura ainda tenham, até mesmo estando desempregados. Outros choram copiosas lágrimas de crocodilo como que implorando doações aos ingênuos que se comovem. E por aí vai. É tudo explicitamente explícito pois eles se sentem intocáveis, inatingíveis. Há os que, sorrindo cinicamente, desafiam a quem queira desmascará-los e fazem ameaças acintosas dizendo ter um exército de advogados a sua disposição para processar os que se atreverem. Muitos deles estão ligados com o mais execrável lixo político e forte é a suspeita de que lavem dinheiro vindo de falcatruas dessas máfias políticas. Associados com o que há de pior na política,  tramam impor uma teocracia em que possam manipular toda a população, impor-nos seus torpes fundamentalismos.  E quando algum desses ditos líderes é apanhado em alguma de suas armações, há aqueles que dizem que o fiel não deve cumprir o seu papel de cidadão decente denunciando o inegável crime e o ladrão, que deve apenas mudar de igreja e não denunciar nada, tornando-se cúmplice do salafrário. Vivemos um mundo de disputas brutais em que os métodos utilizados por muitos são abomináveis. Pessoas buscam nas igrejas a esperança, a fé, razão para viver. Conheço líderes espirituais autênticos, seríssimos, gente que honra e dignifica o que fazem. Sou amigo pessoal de um pastor evangélico, pessoa consciente, que ajuda enormemente sua comunidade. Muitas pessoas, os chamados fiéis,  veem nas igrejas uma uma boia de salvação e se agarram fortemente a ela. É aí que entram em cena os aproveitadores usando o santificado nome de Deus para conseguir o que querem para si. Os muito crédulos, carentes e desinformados acreditam e depositam nesse bando, nessa súcia todas as suas esperanças e, é claro, seu escasso dinheirinho ganho tão duramente. Agarram-se a eles e a seus ditames buscando experimentar a sensação de que não estão sós nesses tempos de grandes e nefastos individualismos, torpeza e sordidez sem limites. Entre eles, iludidos,  os ditos fiéis sentem-se protegidos de todos as tormentas da vida. Querendo evitar o mal, seguem justamente para ele, sem desconfiar que estão voluntariamente se imolando no altar onde, disfarçado de bem, está o mal que dizem intentar evitar. Mas lembremos que muitos não embarcam nessa canoa enganados, iludidos. Por detrás dessas aparentemente puras intenções há também motivos não tão puros assim. Acumular riquezas sem repartir, ostentar, comprar carros, casas, enriquecer às custas dos semelhantes, por exemplo, é meta de muitos dos tais fiéis, para os quais o céu pode esperar, importando bem mais os bens materiais que possam vir a acumular graças ao que eles alegam ser a vontade divina. Que Deus ilumine e dê proteção a essa infausta gente crédula. E que nos livre a todos nós desses camelôs da fé. 
(071215)

25 dezembro 2018

O Judiciário e a Lei dos mais fortes / Frases de Béu Machado 12

Todos os homens são iguais perante a lei. 
Mas como são diferenciados perante os juízes!
(Frase de Béu Machado, do seu livro Pensamentando)
(23/09/16)

23 junho 2018

Os Correios trazendo a felicidade em um pacote da Editora Criativo.

Há uns quinze minutos a felicidade bateu em minha porta. Não é a primeira vez que ela assim o faz. Em incontáveis oportunidades e pelos mais variados e escabrosos motivos - afinal, geminiano eu sou - mandei dizer a ela que eu não estava, e a felicidade, sem outra alternativa, desistiu e se foi. Desta vez, não! Ah, desta vez, não! Reconheço que o tempo que passa tem sido generoso com minha esplendorosa pessoa e, além de fazer aumentar minha beleza física máscula e varonil, tem-me fornecido também amplos conteineres de sabedoria, elevada inteligência e desmedido potencial intelectual. Ao ouvi-la me apelando de minha porta, na verdade, de meu portão, corri ao encontro da felicidade ainda de Havaianas, as únicas que não deformam, não têm cheiro e nem soltam as tiras. Pronto! Lá estava, paramentado de uniforme azul e amarelo, um garboso trabalhador brasileiro, um dileto e competente funcionário dos Correios. Assinei o recibo, agradecido, e voltei correndo para o interior de meu palacete assobradado, onde tratei de selfiar-me, belo, formoso e exultante, exibindo um exemplar do SketchBook Paulo Setúbal, que aqui, generoso, como de habitude, compartilho com vocês, amáveis e idolatráveis leitores, salvem!, salvem! No interior do SketchBook, há páginas e páginas de desenhos e estudos meus, caricaturas, cartuns e ilustrações, mostras de construções de personagens e uma gama de técnicas diversas. Os amantes de histórias em quadrinhos, trabalhos cartunísticos e caricaturais que estejam interessados em adquirir um exemplar devem acessar o belo e diversificado site da Editora Criativo, sobejamente sortida de tesouros gráficos miles. O link, posto agorinha mesmo: 
http://www.criativostore.com.br  
Um viva aos Correios, um viva à Editora Criativo!
(29/06/2017)