29 setembro 2016

Mark Ulriksen, norte-americano, e seu belo trabalho de ilustrações, pinturas e caricaturas



 

Comprei uma The New Yorker só porque, ao folheá-la em uma banca de revistas,  vira uns desenhos que muito me agradaram de um artista chamado Mark Ulriksen. Pelo nome achei que o cara devia ser europeu, talvez sueco. Mas na Net vejo que ele é americano e trabalha tendo como base a bela São Francisco, na Califórnia. Mark não é dado a grandes experimentalismo e inovações, sendo até um tanto ortodoxo, fazendo uso apenas de pincéis e tinta acrílica como material de trabalho. O que importa é que o resultado é de grande beleza e deixa transparecer uma pessoa que sabe pensar de forma diferenciada e construir uma arte cujo resultado agrada aos olhos tendo uma qualidade inegavelmente maravilhosa. Não é à toa que a The New Yorker o exibe em todas as suas edições ocupando grandes espaços dessa mundialmente consagrada revista. Acima, nas imagens que colhi, Michael Jackson, cães (algo recorrente nas ilustrações feitas por Mark) e Hank Williams ao lado de Patsy Cline, a cantora folk que tem a melhor interpretação que eu já ouvi de Crazy, canção-ícone dos acometidos de dor de cotovelo crônica. Awesome, Mark! O link para o site é: http://www.markulriksen.com
(Publicado originalmente em 22/02/14)

21 setembro 2016

Béu Machado, um poeta e pensador que encantou a Bahia

Jornalista e colunista competente, poeta e compositor de versos cheios de originalidade, frasista criador de frases memoráveis. Béu Machado era um mistura de tudo isso concentrado em uma só criatura. Uma pessoa gentil, de coração enorme, de excelente índole, simples, cordato, pacato. Um atento observador de tipos populares, dos fatos cotidianos das gentes mais simples, dali vinham seus poemas mais inspirados, suas letras de músicas. Ao ler e ouvir frases e poemas de Béu, inevitavelmente converti-me em seu admirador. Convivendo com ele nas redações de jornais, de colegas nos tornamos amigos, com direito a longos e divertidos papos em barracas, biroscas, visgueiras e cacetes-armados da Boca do Rio, bairro em que éramos vizinhos, sendo os diálogos regados com talagadas de capitosas  fôias pôdi. Como colega de redação, testemunhei o quanto Béu era admirado e querido por todos, sendo enorme o seu prestígio junto à classe artística e aos demais jornalistas. Em sua coluna de Artes, democraticamente promoveu centenas de artistas, deu-lhes visibilidade e importância. Muitos desses artistas o tempo se encarregou de consagrar.  Mas Béu não era homem dado a autopromoções.  Tinha um enorme talento, sim, gostava de escrever, de criar, mas não se importava com a glória pessoal, com os holofotes da fama. Talvez isso explique o pouco material sobre ele encontrado na Internet, seus poemas e frases. No ano em que Béu Machado faleceu, amigos mais próximos se reuniram e, capitaneados pelo artista gráfico e plástico Washington Falcão, editaram um livro com as antológicas frases de Béu. A mim coube a missão de fazer as ilustrações, o que fiz com enorme carinho. Selecionei algumas das frases de Béu, por mim ilustradas, e vou postar neste espaço amarelinho algumas delas para que vocêzinhos, poética leitora, fiel leitor, possam desfrutar, saborear e se regalar com o talento desse grande e inesquecível poeta, que um dia se autorebatizou como Béu Machado de Xangô, e que, entre as poucas coisas que escreveu sobre si próprio, cravou essa: “Amo, apesar da amargura. Sorrio, apesar do dente podre.”