27 setembro 2026

Minha Pátria é a língua de Fernando Pessoa, Caetano Veloso, Chico Buarque, Adoniran Barbosa.

 
Moro longe, pra lá da Conchichina. Tenhor pavor de pastor alemão e de gripe espanhola. Tenho mania de comer pão francês com molho inglês . Nunca dirijo um Toyota, um Mitshubishi ou veículos da Asia Motors quando em mão inglesa. Democracia? Plebiscito? Tertius? Pra mim vocês estão falando grego. Loja de artigos de R$1,99: eis o verdadeiro negócio da China. Pra consertar guitarra baiana, uso chave inglesa. Tive um canário belga que cantava Brasileirinho. Você costuma comer americano? Eu prefiro traçar o bacalhau da bela portuguesa, quer dizer, um belo bacalhau à portuguesa. Empresas judias jamais adotam semana inglesa. Em Milão todo bife é à milanesa. Na Ásia toda febre é amarela. Na Rússia toda salada é russa. Na França todo beijo é francês. Na Turquia todo banho é turco. Aliás, nesse calorão, banho turco grátis é presente de grego. Só falsos amigos nos servem uísque paraguaio. Quem tem boca vai à Roma e come pizza alla napolitana. No Japão faça como os japoneses e nunca peça bife à cavalo, mesmo porque você pode acabar comendo basashi, que é um sashimi feito com carne de equino e aí sua indigestão pode ser cavalar. E, a propósito, estando em certas regiões da China jamais peça um cachorro-quente. Você pode ter uma surpresa pouco agradável quando lhe trouxerem o prato. Meu parco francês é só pra inglês ver e quando a coisa está ficando russa eu saio à francesa.
(040214)

26 setembro 2026

Dr. Jota Cristo, advogado trabalhista, TRT da Bahia, João Jorge Amado e Setúbal.

Histórias reais, ocorridas verdadeiramente, acreditem, acreditem, por mais inacreditáveis que possam soar. Fatos pitorescos, hilariantes, de causar espécie, risos e gargalhadas, ocorridos no âmbito do TRT da Bahia. Todas elas foram pesquisadas, garimpadas, recolhidas, selecionadas e narradas por João Jorge Amado e resultam em um rico material que está contido no seu livro Pequeno Anedotário do TRT da 5ª Região, editado pela Fundação Casa de Jorge Amado. João Jorge, que por muito tempo trabalhou dentro do dito TRT, teve o discernimento de saber que tantos fatos insólitos formavam um mote riquíssimo, dignos de registro literário. Fui chamado pelo autor para fazer as ilustrações e de tanto gostar das histórias narradas, volta e meia costumo reler, principalmente aquelas que considero mais hilariantes. Uma delas fala de certo reclamante que, em tom solene, disse ao juiz ter por advogado ninguém mais, ninguém menos que o próprio Jesus Cristo, o filho de Deus Onipotente. Achava ele que estava sendo original, mas os juízes já estão habituados a coisas que tais. Ocorre que  nestes tempos em que vemos crescer o descrédito nas chamadas autoridades constituídas, quando uma enorme desesperança geral nas coisas terrenas parece tomar conta das pessoas, são muitos os que buscam se agarrar a deidades diversas na esperança de construir uma ponte com o mundo espiritual que lhes garantam a um só tempo, um lugar nos céus e, de quebra, as coisas materiais que ainda sonha possuir aqui na Terra. Vamos aos fatos: iniciada a audiência, o juiz Cláudio Mascarenhas Brandão, que a presidia, indagou ao reclamante se ele tinha advogado para assessorá-lo na audiência. E esse reclamante respondeu dizendo o que deveria soar como impactante frase de efeito:
 "Meu advogado, Doutor, é Jesus Cristo."
Impassível e sagaz, aduziu o juiz:
 “Este daí é muito, muito bom. Infelizmente ele não pode advogar nesta audiência, pois não é inscrito na OAB."
Por estas e outras é que a Bahia foi um dia cognominada a terra da felicidade. 
**********Arte que se reparte: a ilustração desta postagem foi feita em papel Westerprint 180 g, tendo o esboço sido executado com grafite B e a arte-finalização feita com caneta nanquim e retícula Letratone.          
(181020)

Flavio Colin, desenhista de quadrinhos, um cara muito especial.

Um dia um anjo torto me colocou o dedo na testa e me disse: "Vai Setúbal, ser desenhista de quadrinhos na vida." Instantâneamente empolgado, pensei: "Caraca!, estou acima dos outros. Um anjo, um emissário do Onipotente, me tocou a testa e me fez um cara especial". Sim, fizera mesmo, e eu - ainda um meninote e neófito - a meio um desmedido deslumbramento, lesto e presto saí por aí empolgadíssimo, rabiscando tudo o que via a minha frente, feliz por poder fazer coisas que outros não sabiam fazer. E estas gentes vinham e me circundavam com olhos embevecidos a cada ainda incipiente traço que eu traçava para maior gáudio do meu já mui inflado ego. Até que um dia me caíram às mãos revistas com os desenhos de Flavio Colin. Meus olhos saltaram em órbita, meus joelhos tremeram, meu coração disparou um retumbante som de percussão. Que traço maravilhoso, que desenho personalíssimo, seguro! Quanta criatividade ao desenhar personagens apaixonantes, indumentárias, animais, natureza, cenários! Seus traços transmitiam aos meus olhos de leitor o clima requerido por cada cena, drama, tensão, terror, humor, mistério, expectativa, medo, pavor, erotismo, alegrias. Um sentimento difícil de se traduzir em palavras tomava conta de mim a cada nova conferida naquelas maravilhas em preto e branco, sensação que se mostrou perene ao longo de minha vida. Desde seus primeiros trabalhos Colin desenhava quadrinhos como um experimentado Mestre, autêntico, legítimo, anos luz à frente de tantos bons profissionais.
Atônito, um tanto frustrado, meio jururu, voltei ao tal anjo e lhe disse: "Pô, bró...fiquei feliz por saber desenhar, mas eu queria mesmo é que meus desenhos fossem assim, tão maravilhosos como os deste cara". Inabalável, com boa dose de enfado, olhar blasé e ares de este-cara-já-tá-querendo-demais, foi em um tom bem pouco angelical que o anjo redarguiu: "Nada posso fazer, meu caro. Mesmo entre os especiais há aqueles que são, digamos... bem mais especiais que os outros. E meu chefe vive dizendo, amizade, que Flavio Colin, é um cara muito, muito, muuuuito especial!"
(120414)

Lage, Nildão, Setúbal, Zé Vieira, Alexandre Dumas, cartuns.

Aqui neste afrotorrão chamado Bahia, Lage, Nildão e eu, por um bom tempo formamos um inseparável trio, tipo os três mosqueteiros do cartum, um time coeso, como permite entrever esta caricatura aí em cima. O quarto mosqueteiro, o D'Artagnan, era o indômito Zé Vieira com seu bigodinho que lhe dava o irretocável phisique du rôle. Sucede que Zé Vieira, um belo - ou seria triste? - dia deu uma solene banana ao universo cartunístico, botou na praça um tremendo escritório de arquitetura que logo encheu-se de afortunados clientes, graças ao talento arquitetoso do rapaz, e desta forma ele - merecidamente, diga-se - tornou-se um argentário dos mais abastados pois foi sempre o mais sabido de todos nós nestas questões com l'argent, ainda que não fosse um mercenário, longe, bem longe disso. O problema com Zé Vieira era que um ofídio dos mais peçonhentos costumava aninhar-se nos bolsos das suas calças e ele, a precaução em pessoa, ali não metia sua mãozinha com medo de levar uma mordida letal e vai daí que em bares, restaurantes e botecos que frequentávamos jamais víamos a cor do dinheirinho de tão precavido confrade. Diz a chamada sabedoria popular que dinheiro poupado é dinheiro ganho e que de tostão em tostão se faz um milhão. Se verdade houver em tais frases, Zé Vieira certamente acumulou alguns milhões só com o que economizou graças à sua justificada precaução contra mordeduras de ofídios, notadamente certas variedades de letais mambas negras que soem se aninhar em bolsos e bolsas de alguns incautos. Não sei se o hoje abastado Zé Vieira sente algum frêmito de saudade dos tempos em que cartunava e quadrinhava, ele que sempre foi um cara que criava verdadeiras maravilhas, tanto no texto quanto no desenho. E há que ser dito que, de quebra, Zé Vieira sempre foi um dos mais substanciais e agradáveis papos dessa Bahia com h. Ali pelos hoje um tanto distante anos 80s do século anterior, como que inspirado por Alexandre Dumas nosso grupo cartunístico sempre primou pelo conceito de amizade mesclada com lealdade. Poderíamos mesmo empunhar nossos lápis, à guisa de espadas mosqueteiras, erguê-los fazendo tocar no alto suas pontas e, parafraseando os personagens de Monsieur Dumas, bradar alto, a uma só voz: "Um por todos e todos por um, em defesa do Reino do Cartum".

O Bundamolismo e o cabotinismo neste país tupiniquim

Nem bem se esvanece o rocio e este estóico cartunista já está em plena atividade no Central Park, na mui frígida atmosfera dessa Big Apple, malhando espartanamente. Mister se faz ter hercúleo físico para poder superar as cotidianas barreiras encontradas por um genuíno cartunista. Nós, os cartunistas autênticos, vivemos eternamente em pugna imensa contra as mazelas impingidas à raça humana, inerme e desprotegida, ainda que armada esteja. Tamanha dedicação não impede que tantos não nos reconheçam como seus legítimos e heroicos protetores e que nos dirijam injustas e indevidas ofensas. E se extremistas armados nos trucidam em mortais ataques, comemoram aos gritos de “bem feito, bem feito!!”. Miríades de brasileiros incorrem em tais abomináveis equívocos e em terras tupiniquins não faltam os que nos apodem de quixotescos e, de forma chula, nos chamem de bundas moles. Pensar nisso me faz intensificar a malhação dos meus bíceps, tríceps e principalmente dos meus glúteos para enrijecê-los de forma pétrea. Bunda mole é mãe!
***Neste post mais três trabalhos de ilustração, como me exigiu o cacique Biratan, que é minha participação em um projeto mostrando trabalhos de artistas gráficos exibidos no Facebook. Na sessão de hoje, numa homenagem ao assaz laureado cineasta Lima Barreto, nada de technicolor ou tequinicolor, só sertão com suas muitíssimas veredas, sertão nordestino, cangaço e cangaceiros em P&B.
1. O HERÓI, história em quadrinhos com argumento e roteiro do graaaaande Gonçalo Júnior, ainda inédita. Arte feita em papel Opaline 180 gramas, grafite B e caneta nanquim descartável.
 2. ROSTO EM CLOSE DO CONSELHEIRO, ilustração para revista. Monotipia feita com tinta preta em bisnaga para paredes e papel ofício.
3. CANGACEIRO E BANDO. Ilustração para livro, Fakexilo, uma simulação de xilogravura feita com guache branco em papel preto.
(11022015)

20 setembro 2026

Saudades do nazismo e do fascismo..


Nem todo mundo que usa bigodinho estilo toothbrush se chama Carlitos ou Charlot, usa bengala, chapéu-coco, tem pernas tortas como a de Garrincha, um andar que lembra o caminhar de um pinguim, e vive situações expressas através de pantomimas que soem divertir milhões de pessoas ao envolver-se em situações hilariantes com seu jeito único, irreverente e criativo. Exemplificando melhor, bem sabemos que o sujeitinho na ilustraçào desta postagem, com bigodinho similar ao de Carlitos, chama-se Adolf Hitler, sendo que muitos acham mais adequado valer-se de cacofonia para chamá-lo de Adolfo Deu pelas barbaridades que cometia e a mania de querer subjugar todos os seres viventes. Ocorre que se um dia ele já foi muito mal visto, rejeitado, odiado e execrado por milhões, atualmente parece andar em alta mundo afora, inclusivemente em países considerados como sendo o tal Primeiro Mundo. Ou seja, seus simpatizantes se preservaram por décadas em insidioso mutismo e devem achar que agora é chegado o momento de reviver as coisas preconizadas pelo dito Adolfo Deu, e que me perdoem se insisto no infame trocadilho cacofônico, mas infâmia maior não há que a do nazismo e a do fascismo. A propósito, para que não se fale em exageros injustificáveis e paranóias improcedentes, nào devemos jamais esquecer que já houve governantes do Brasil que viram com muita simpatia o projeto nazi-fascista, tendo o DIP de Getúlio Vargas, chegado ao absurdo de proibir terminantemente a exibiçào do filme O GRANDE DITADOR, de Charles Chaplin, cujo alter ego era o citado Carlitos ou Charlot. O fato é que cada vez mais vem aumentando o número dos que estão embarcando com tudo em uma incompreensível onda de malfazejo saudosismo quer pelos ditames ideológicos, quer pelo sórdido proceder. Alegam para tão inaceitáveis decisões os mais nobres e elevados propósitos. Basta ver as atrocidades que vem fazendo Trump em conjunto com os miliardários que formam com ele uma destruidora aliança. Claro está que se o cenário mundial é preocupante, mais preocupante ainda é ver que aqui mesmo neste Patropi abençoá por Dê, que sempre primou por uma democrática mistura de raças, o baixinho da suástica vem sendo visto com preocupante crescente simpatia por quem considera seus métodos a senda redentora para este auriverde torrão. Tais admiradores, saudosistas do nazismo e do fascismo, vêm agindo abertamente e cometendo os mais absurdos desvarios em plena luz do dia, expandindo o terror, alastrando o ódio e o medo. Assim querem nos dominar e impor sua estúpida visão de mundo. Nossos horizontes vão sendo obumbrados pelas mais densas e negras nuvens que os mais alienados não sonham perceber e assim vão engrossando, convictos, as fileiras da maldade. Que os céus nos acudam a todos e que tenhamos muita consciência e destemor para, juntos e fortes, lutarmos com desassombro pelo estado democrático e por um Brasil livre das sufocantes garras dos nefastos que ressurgem nesta nova investida. 
(301218)

As façanhas sexuais de um chefe, segundo o relato de um insuspeito Puxa-saco.

UM PUXA-SACO TEM QUE SER IMAGINATIVO E ENGRANDECER A PLANGENTE PERFORMANCE SEXUAL DE SEU SAGRADO CHEFE.
O criativo e hilariante texto contido no livro MANUAL DO PUXA-SACO, do escritor e jornalista Ademar Gomes, é de imprescindível leitura para os que querem, nestes tempos bicudos, assomar o pedestal da dignidade puxa-saquística e se regalar com os proventos daí advindos. Transcrevo a seguir um trecho do que Ademar Gomes escreveu sobre o assunto no seu delicioso MANUAL:
"Criatividade é essencial. Quem não a tiver o bastante para inventar histórias que exaltem o chefe não deve nem pensar em ingressar na confraria. Mas nada de exageros  - "Doutor Viana é o maior fudedor que eu conheço" - para não expor o chefe ao ridículo, principalmente se ele estiver acostumado a so pegar no tombo, mesmo na primeira...Tem de ser histórias verossímeis, sua briga com três estupradores para defender o cabaço da namorada, botando todos para correr com certeiras pernadas, rabos de arraias, martelos, ainda que o chefe nunca tenha entrado numa roda de capoeira e não saiba sequer o que é um berimbau. No começo, a culhuda sobre a coragem de um frouxo como ele pode até deixá-lo constrangido, mas depois de ouvir algumas vezes acaba incorporando-a às suas próprias fantasias, até porque fama de brigão intimida eventuais agressores..."

**********Quando recebi o texto original de MANUAL DO PUXA-SACO, esta basilar obra de Ademar "Professor Bandeira" Gomes, não pude me conter e li-o de um só fôlego, tão deliciosos eram os escritos de Ademar. Aí então, lesto e presto, esbocei todas as ilustrações usando grafite 2B sobre providencial papel Opaline 180g. Incontinente, arte-finalizei todos os desenhos com uma dócil canetinha de ponta porosa e indiquei o meio-tom em papel vegetal. E se é fato que curti à beça o texto de Ademar, devo aduzir sem constrangimento algum que, qual soteropolitano Narciso, aqui confesso que também curti muito as ilustrações que fiz para tão magistral escriba e tão generoso amigo.
180522

15 setembro 2026

Lage, cartunista e caricaturista maior, tinha lá seus pecadilhos.

O cidadão soteropolitano Hélio Roberto Lage era um formidável arquiteto, merecidamente graduado e de muita competência. Poderia levar uma vida digna com essa sua edificante profissão. Ao invés disso, preferiu seguir os conselhos de algum anjo torto, desses que vivem na sombra, e foi ser cartunista na vida. Um cartunista maior. Munido de seu talento gráfico, elevada consciência política, presença de espírito, invejável sagacidade, a alma plena de um transbordante humor, lá ia Lage para a redação do jornal em que trabalhava e traçava charges impactantes, cartuns demolidores, caricaturas que desnudavam os políticos mais infames. Isto não é pouco e ele poderia parar por aí, bem que poderia. Mas quem disse que ele parava? Pois é chegada a hora da verdade e a verdade tem que ser dita: Lage não conduzia a profissão que exercia com a devida seriedade e sempre foi um cartunista metido a engraçadinho. Ao invés de se portar de forma séria, como sói acontecer aos profissionais que têm consciência do dever de ofício, tinha ele o reprochável hábito de viver fazendo piadinhas em seu ambiente de trabalho e mesmo fora dele. E ainda as desenhava, como agravante. É abalado e até profundamente traumatizado que aqui deponho que, de forma recorrente e impiedosa, fui habitual vítima dessas suas gracinhas sem graça das quais todos achavam a maior graça, menos eu, a inerme vítima desses motejos gráficos. Desde 1981, ano em que muitos dos leitores desse bloguito sequer haviam nascido, guardo comigo, cheio de mágoa e ressentimento, essa caricatura que ora posto, da lavra de um sujeito que se dizia meu amigo mas que retratava-me de maneira injustificavelmente sórdida, impiedosamente abjeta. Desconfio que ele era movido pela mais infame das invejas, pois sabendo-me um cara de físico apolíneo, um Adônis, um invariável escopo da concupiscência feminina, Lage traçou de mim esta caricatura em que ele subverte tudo, me atribuindo um traseiro de baiana de acarajé e, insidiosamente, subvertendo a realidade e colocando meu avantajado peito de remador no lugar da minha barriga tanquinho, delineada em incansáveis e espartanas malhações. Mas Zeus é grande, Zeus é pai e sempre sou atendido quando rogo aos deuses do Olimpo cartunístico que eles, lá do seu sacrossanto empíreo, enviem-me forças para seguir em frente e suportar tantos e tão desmesurados infortúnios movidos pela mais abjetas zelotipias e as mais hediondas invídias.
(140712)

07 setembro 2026

O Humor maior de um gênio francês do cinema chamado Jacques Tati, com seu Monsieur Hulot..

François Truffaut, Jean-Luc Godard, Allain Resnais, Luc Besson, Louis Malle, Claude Lelouch, Jacques Tati. Mon Dieu!, mon Dieu!, são tantos e tão fantásticos os cineastas que a França já produziu! Reunidos aos mais formidáveis atores franceses, esses cineastas nos brindaram com magníficas obras que engrandecem essa arte maior que é o Cinema, produzindo ricos trabalhos nos mais diversos estilos e gêneros, estando entre eles as mais hilárias comédias. Um bom cinemaníaco que teve a fortuna de ver na grande tela do cinema uma comédia francesa feita por diretor e comediantes de elevada qualidade, jamais haverá de esquecer o que viu. Digo isso e penso logo no sempre surpreendente, no fabuloso Jacques Tati, diretor, argumentista, roteirista e ator de formidáveis performances humorísticas que brindou o universo do cinema com inolvidáveis filmes que qualquer candidato a cinéfilo juramentado deve urgentemente assistir. Jacques Tati pode ser chamado de genial que não haverá nenhum exagero nessa assertiva, tão maravilhosamente criativos são seus trabalhos cinematográficos. Seu humor, cuidadosamente estudado, arquitetado, pesado, medido, contém mensagens sutis que revelam o olhar crítico do autor, sendo inimitável - ainda que talentosos comediantes tentassem imitá-lo - brilhantemente raro, coisa própria dos Grandes Mestres, fugindo dos histrionismos apelativos, dos maneirismos e dos lugares comuns, do humor fácil e rasteiro de certos autores que, equivocadamente, intentam seduzir o público valendo-se de recursos óbvios e criativamente paupérrimos. O humor de Tati é único e caminha por vias próprias, permanecendo no patamar mais elevado da criatividade, diferenciado, pleno de ineditismos, sofisticado, meticuloso, surpreendente. Valendo-se muitas vezes de Monsieur Hulot, seu alter ego, Jacques Tati produziu verdadeiros tesouros do Humor de da Arte. Difícil escolher qual o melhor de seus trabalhos. Pessoalmente adoro “As férias do Monsieur Hulot”, rodado em P&B, uma película para se assistir prazeirosamente um bilhão de vezes, com atenção aos seus pormenores, intentando deslindar cada detalhe mais recôndito concebido pela genial mente de Tati, valendo-se do impensável, de personagens cativantes e gags engraçadíssimas, da música e dos efeitos sonoros, com os quais uma porta pode adquirir status de personagem. Tudo isso vale também para “Playtime” e “Meu tio”. Para quem é fã desse cineasta francês, uma grande alegria foi saber que em 2010 foi produzido uma maravilhosa animação franco-britânica chamada “L’illusionniste”, no Brasil foi batizado de "O mágico". Esse belíssimo trabalho de animação que ganhou, entre outros notáveis prêmios, o César de animação em 2011, foi feito com argumento de Sylvain Chomet, a partir de uma obra inédita de Tati, sempre brilhante e atual. Uma homenagem à altura do fantástico cineasta, ator e ser humano, Jacques Monsieur Hulot Tati.
(250816)

05 setembro 2026

José Luiz Torrente, um policial fascista-onanista.

 

Dentre os infindáveis estereótipos que estamos habituados a ver em cenas de filmes norte-americanos está aquele em que dois policiais com a missão de patrulhar as ruas da cidade estão no interior de sua viatura, curtindo aquela calmaria que costuma anteceder os grandes conflitos, conversando amenidades e saboreando com volúpia enormes e deliciosos donuts, que são uma espécie de rosquinha ianque com variados recheios e coberturas transbordantes de caldas com muito açúcar. Na ótima série de comédias do cinema espanhol em que o ator Santiago Segura interpreta o anti-herói José Luis Torrente, um agente policial franquista, racista, machista e fascista, xenofóbico e homofóbico, essa famosa cena é um tanto diferente. Enquanto está com um outro policial dentro de um carro, apatrullando la ciudad ou montando campana em alguma investigação, sob o pretexto de relaxar das tensões da vigília e passar o tempo que monotonamente se arrasta, Torrente propõe ao colega que, a um só tempo, ambos coloquem suas mãos sobre o órgão sexual do parceiro de campana e assim, segurando a jeba alheia, que masturbem um ao outro ao mesmo tempo visando o mútuo prazer. Os já iniciados nessa práxis topam na hora e partem logo para a punhetística parceria, certamente por acharem isso muito mais interessante que ficar se lambuzando com os tais donuts. Já os policiais novéis nessa prática de onanismo em dupla, relutam diante da proposta, alegando que isso não é coisa que fique bem entre dois sujeitos héteros, mas acabam cedendo diante de um argumento definitivo de Torrente que afirma que tudo é feito observando o respeito às mais ortodoxas normas do machismo. Enquanto cada um manipula freneticamente la polla alheia, ou seja, o membro, a piroca, a verga do outro, percebendo que seu parceiro deixa escapar longo e sonoro gemido de prazer, Torrente, resfolegante, em bom espanhol o adverte: ”Sin mariconadas! Sin mariconadas!”.
(091218)

03 setembro 2026

José Luiz Torrente, um mui amado fascista contra homossexuais e a serviço dos cidadãos de bem.

 

Quem quiser saber quem é e do que é capaz José Luiz Torrente Galván, um espanhol, ex-agente policial, um fascista, franquista, xenófobico, misógino, homofóbico e racista, entre outros lamentáveis pendores, basta ver esse vídeo assaz significativo postado abaixo. Nele, Torrente dá mostra de como ser uma pessoa assustadoramente grosseira, inconveniente, agindo com total falta de princípios morais, bom-senso, ética e etiqueta. Como isso fosse pouco, Torrente, esse fantástico anti-herói - magistralmente interpretado no cinema pelo notável ator espanhol Santiago Segura - dá uma demonstração definitiva de como não se deve portar um agente de segurança a bordo de um avião cheio de passageiros e também de tudo que não deve ser feito quando populares estão em situação de gravíssimo perigo. Perto do poder de destruição de Torrente, Átila, o Huno, era um escoteiro inofensivo, tímido e mui bem comportadinho. Quem gosta de boas comédias e ainda não conhece o personagem e muito menos assistiu um dos seus cinco filmes saiba que eles são dirigidas por Santiago Segura, que além de ser o ator versátil que interpreta o deplorável fascista Torrente, é também um formidável diretor, argumentista e otras cositas más. Para assistir há que se buscar navegando nos mares da internet. A procura vale muito. Humor inteligente, riso farto, gargalhadas gerais, diversão garantida.

(040317)