31 julho 2016

O cartunista Laerte e outros homens que se vestem com roupas de mulheres

Estilistas, costureiros, bordadeiras, correi. É chegada a hora de tesourar, costurar e alinhavar para uma nova vertente que surge forte no mundo da moda: o crossdresser. Não que isso seja de fato coisa nova. Lembro-me de ter visto o lance ainda nos anos 70 em um dos primeiros filmes do Woody Allen intitulado "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo e não tinha coragem de perguntar", em que um sizudo pai de família tem o incontrolável impulso de vestir-se às escondidas com as roupas da esposa, passando, assim trajado, horas admirando-se no espelho. Há pouco tempo, depois de uma entrevista feita com o cartunista Laerte, o tema voltou à baila. Curiosamente, vale lembrar que mulheres lutaram e ainda lutam muito para conseguir direitos que sempre lhes foram negados. Voto, cargos políticos, empregos, um mundo de coisa. Mas ao mesmo tempo sempre lhes foram franqueadas coisas que aos homens eram negadas, sempre puderam elas desfilar por ruas e ambientes com cabelos cor-de-rosa ou azuis ou verdes sem reações hostis dos varonis. Também nunca sofreram constrangimentos ao usarem indumentárias tidas como sendo de uso exclusivo dos barbados, como calça comprida. Esta até que deu um pouco de trabalho para elas no início mas hoje é mais que normal. Comum é ver-se por aí belas evas envergando chapéu e ternos masculinos, com gravata e tudo. Mulheres acendendo puros em bares e até jogando sinuca sem jamais aparecer uma nega maluca dizendo que aquilo é uma aberração. Quanto aos homens, pobres homens. Tirando os escoceses e povos da Índia, homem com saia não tem vida fácil. Basta lembrar o grande alvoroço que causou o artista plástico Flávio de Carvalho em 1956 ao desfilar pelo Viaduto do Chá, em Sampa, seu Traje Tropical composto de saiote e mangas curtas, deixando estarrecida e indignada a patuleia da pauliceia. Uma multidão seguia atrás do performático artista, ferozmente gritando em seus ouvidos algo assim como: "Viaduto!" "Viaduto!" Sem colher de Chá. No fim das contas, pelo que eu li sobre personalidades brasileiras, quem estava certa mesmo era uma senhorita chamada Luz del Fuego, que não usava roupa masculina nem feminina, preferindo - a título de indumentária - usar sobre seu corpo desnudo apenas uma prosaica e confortável serpente viva. Uma autêntica snakedresser.
(Publicado originalmente em 15/03/13)

Encontro de Chê Guevara e Bienvenido Granda na Bahia

Nestas fotografias dos anos 70, preclaros leitores, mister se faz esclarecer unas cositas. Na foto mais acima, um barbudo esconde as mãos de forma suspeita, como se ocultasse uma arma. Santo Dios! Será que se trata do lendário guerrilheiro platino-cubano Chê Guevara em incógnita visita à Bahia naquela incendiária década? Na foto central, este cara todo saradão, com bigode de cantor de bolero será el cantante Bienvenido Granda em soteropolitanos dias? Em caso de identificação positiva, de que estariam tratando Chê e Bienvenido naquela animada confabulação da foto número 3? A derrubada do governo militar no Brasil? A construção de uma gravadora especializada em músicas genuinamente latino-americanas sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes? Nada disso, gentes, estas fotos todas eu surripiei do blog do Gutemberg Cruz, precisamente de sua série " A hora e a vez dos quadrinhos baianos". Blog maravilhoso, diga-se, para os fãs das HQs, cartuns e caricaturas onde Guto trata do assunto com seu incontestável conhecimento de causa, apaixonado que é, dedicado que é, competente que é ao abordar tais temáticas. E para não prolongar o suspense, vou revelando: o evento fotografado é uma soteropolitana exposição de cartuns e quadrinhos lá pelo ano de 76. Ali na foto número 1, o barbudo não é o Chê, é o cartunista e multimídia Josanildo Dias de Lacerda, o Nildão, hoje todo clean, mas que já teve um dia este guevarístico visual como comprova a foto e ele não pode negar mesmo se o quisesse. Na fotografia número 2 não se trata de Bienvenido Granda, que era, por razões óbvias, apodado de El bigode cantante. Trata-se, na verdade, do sempre festejado mestre dos quadrinhos Antonio Cedraz, criador do personagem Xaxado e todo um universo de personagens brasileiríssimos. Quem diria, Cedraz já foi um galã do tipo machão latino como bem se pode ver, um autêntico Antônio Banderas sertanejo. No papo entre ambos inexoravelmente o assunto era os rumos dos quadrinhos e cartuns na Bahia, no Brasil e no mundo. O link pro blog do Guto: http://blogdogutemberg.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 07/03/14)

Ashley Wood, desenhista: um salto da Austrália para o mundo


Quando se ouve falar em Austrália, é inevitável: à nossa mente salta um canguru lépido, exibindo invariavelmente um filhote na bolsa. Num segundo momento vem um ornitorrinco. Em seguida, tais condicionamentos nos levam a pensar no Crocodilo Dundee, com aquela sua cara de pau equilibrada sobre o pescoço, agarrando jacarés no muque. Santos estereótipos, Batman! A Austrália está muito além disso. É país próspero, de gente maravilhosa, com artistas soberbos. Como este ilustrador, diretor de arte e desenhista de comics chamado Ashley Wood. Apesar de jovem, Ashley tem larga experiência e um talento maravilhoso. Seu nome se espalhou pelo mundo como desenhista de Tank Girl mas Ashley vai muito mais além disso. Comprove você mesmo clicando nos links: http://www.ashleywoodartist.com
http://www.ashleybambaland.blogspot.com.
(Publicado originalmente em 12/03/14)

28 julho 2016

Mais trabalhos do Rodney Pike para nosso deleite

Vejam vocês, amantes de bons trabalhos de caricaturas, o que o grande Rodney Pike anda aprontando com seu talento fantástico. Um Hugh Laurie, o Dr. House, especialmente hilário. E mais o galã Tom Cruise que está fabuloso. O link para vocês verem outros trabalhos de Rodney é: http://rwpike.blogspot.com
Grande Rod! Cada vez melhor. Owesome,  man! Owesome!
(Publicado originalmente em 03/11/13)

Mulher de Câncer no Horóscopo de Vinicius de Moraes

Você nunca avance
Em mulher de Câncer.
Seu planeta é a Lua
E a lua, é sabido,
Só vive na sua.
É muito apegada
E quando pegada
Pega da pesada.
É mulher que ama
Com muito saber
No tocante à cama
Não sei lhe dizer...

Mulher de Leão no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Leão
Brilha na escuridão
A mulher de Leão, mesmo sem fome
Pega, mata e come 
A mulher de Leão não tem perdão. 
As mulheres de Leão 
Leoas são. 
Poeta, operário, capitão 
Cuidado com a mulher de Leão! 
São ciumentas e antagônicas 
Solares e dominicais 
Ígneas, áureas e sardônicas 
E muito, muito liberais.
(121013)

23 julho 2016

Escribabacas ou Virulências gramaticais que nos impingem os literataços e os sofômanos

No pélago do meu ser trago ocultas um milhão de veleidades . Uma delas é a de ser um poeta, um festejado vate. Não preciso ser um Ruy Espinheira Filho, um Augusto dos Anjos, um Drummond, um Bandeira, que aí é querer muito. A mim basta ser um modesto bardo, quem sabe um Setubardo. Anos e anos de trabalho ilustrando toda sorte de texto para jornais, revistas e livros me possibilitaram a fortuna de manusear e ler em primeira mão originais escritos por quem domina a difícil arte de bem saber escrever. Em injusta contrapartida - hélas, hélas! - também fui obrigado a assistir a um interminável desfile de escribas ilegítimos que se julgam detentores da raríssima habilidade de tratar com intimidade e maestria as palavras. E assim pensando nos impingem um profusão de escritos, invariavelmente alambicados, acacianos e rebarbativos, acometidos que são por deletérios achaques literários que certamente fazem o velho e bom Machado revirar-se no mausoléu qual um irrequieto dançante de hip-hop. O mais das vezes por tais pretensos literatos ignorarem que são portadores de um grave mal, muito comum neste século, de nome científico egoinfladozitis exasperantis, enfermidade que nem sempre é silenciosa, como muitas vezes é estridente. Empunhando impunemente penas, esferográficas e teclados saem por aí de forma inadvertida atropelando o vernáculo, estuprando métricas e sintaxes incautas, violentando as mais inocentes ortoépias. E como mal maior, essas gentes me fazem pensar o impensável e acabam me convencendo que eu próprio tenho o incontestável direito de cometer impunemente prosas e versos e aqui estou eu a escrever sandices inqualificáveis. Tivesse eu o necessário senso de conveniência e guardaria em providenciais gavetas minhas canhestras tentativas de escrevinhar, versejar, sonetar, redondilhar, dando um nobiliárquico exemplo a esses usurpadores de páginas opusculares e gazetais, abjetos invasores dos nossos sacrossantos penates. Mas qual o quê, sou um homem do meu século e não sou dado a nobreza de sentimentos. Se esta gente pode, concluo que também posso, insigne Eça, nobre Pessoa, formidável João Ubaldo, maravilhoso Drummond. Então aqui vou eu com uma pena na mão e pletoras de estultices na cabeça tirando onda de inspirado escriba igualzinho aos inúmeros literataços sem senso de conveniência infiltrados em jornais e revistas. E de quebra hei de perpetrar versos que certamente farão qualquer poeta sensato perder seu norte emocional e entregar uma afiada tesoura a um Doutor, implorando que o dito esculápio lhe corte a sua singularíssima pessoa. Malgrado isso, a julgar por certas figuras eleitas pela Academia e por ela guindadas à condição de imortais, tenho chances reais de conseguir um fardão da ABL.
(Publicado originalmente em 20/03//10)

22 julho 2016

Paulo Paiva, Suely Furukawa, Chico Peste, AQC e otras cositas

Em dias recentes, Paulo Paiva, o moreno mais frajola de Sampa, conduzido pelos notáveis da AQC entrou oficialmente para o sagrado panteão que reúne os mais competentes, dedicados e produtivos profissionais de quadrinhos neste país varonil de Gugu e Clodovil. Revendo meus arquivos implacáveis descobri que entre as primeiríssimas postagens deste bloguito está uma singela homenagem que fiz ao Pepê no longínquo ano de 2009, quando ele ainda não era oficialmente, como hoje o é, um Grande Mestre do Quadrinho Nacional. Eu, arrivista e venal, como de costume, quero aproveitar o momento para dar um repeteco na dita postagem para ver se assim pego uma carona no enorme prestígio que o Mestre Paiva vem desfrutando entre as muitas gentes das classes cartunais, desenhísticas, ilustrativísticas e quadrinhísticas desse sagrado torrão cujo pendão auriverde a brisa do Brasil beija e balança. Amado Mestre, para você meu grande abraço.

Paulo Paiva, um cara cheio de bons argumentos
  
Conheci meu querido amigo Paulo Paiva, o Pepê, há alguns milênios na Editora Abril onde ele escrevia argumentos para Zé Carioca e outros personagens do Papai Disney. Pepê, além de excelente argumentista, notável quadrinhista e cartunista talentoso, é um ótimo criador de personagens. Um dos mais hilários deles é o cangaceiro Chico Peste, feito em parceria com Munhoz. Pois foi no Chico Peste que me inspirei para fazer este portrait charge desse amigão de todos. Falando em amigos, quando o rei Roberto soltava a voz dizendo que queria ter um milhão deles, Pepê já tinha o dobro disso. Não há quem não goste do cara.Mas quem gosta mais  mesmo é a Suely Furukawa que, com sorte, tornou-se sua consorte. Fiz Pepê com um olhar de menino levado que ele tem. Desconfio que para manter esse menino na linha Suely deve ter usado - e muito - seus conhecimentos de artes marciais legados pelos seus honoráveis ancestrais nipônicos.
Publicado originalmente em 09/05/2009)

16 julho 2016

Gutemberg Cruz Andrade, gostas de um bom fumetto, baby?!

"Gostas do delírio, baby? Pois em cima daquele morro tem um pé de Rock'n Roll", indaga e já responde o roqueiríssimo Adriano Falabella com aquele seu olhar misterioso e assaz penetrante que vai fundo na alma dos roqueiros militantes e juramentados. E agora eu indago: gostas de um bom fumetto, de bons fumetti? Bande dessinée? Banda desenhada? Historietas? Comics? Histórias em quadrinhos? Arte Sequencial? Nona Arte? Aí a solução, pessoinha, outra bem é, nada de subir nenhum morro atrás da delirante panaceia do Rock, o lance é ir direto ao blog cult total do Gutemberg Cruz, jornalista versado no assunto, uma das maiores autoridades nesta matéria, autêntico Senhor HQ. Guto, que se pintar o bigode de preto vira um perfeito sósia do grande Grouxo Marx, pode lhe dizer tudo quando o tema é quadrinhos. Datas, nomes, horas, lugares e o escambau. Sabe tudo, sim, senhor, dos quadrinhos do mundo inteiro. Ama o assunto, é um apaixonado, dedicou boa parte de sua vida às pesquisas do tema. Quer bem se informar sobre as HQs e congêneres que tais? Clique aqui no link, gente boa: http://blogdogutemberg.blogspot.com
(Publicado originalmente em 01/07/2014)

Rodney Pike, Snoop Dogg e Barack Obama

Do sempre ótimo caricaturista norte-americano Rodney Pike, vão aqui para vocês estas duas esplêndidas caricaturas mostrando ícones negros que sempre tiveram que usar de muita, muita ginga mesmo pra seguir em frente lá nos States. Um, o Presidente Snoop Dogg, o outro o rapper Barack Obama. Ou será que é o contrário? Santa amnésia alcoólica, Batman! Well, se minha memória falha, Rodney Pike jamais erra nas suas caricaturas. Para ver mais coisas assim vá ao belo blog de Rodney clicando no link: http://www.rwpike.blogspot.com/
Publicado originalmente em 11/03/14.

Sosígenes Costa: o poeta e seu pavão escarlate

Sosígenes Costa, poeta baiano falecido em 1968, era um inspirado criador de belíssimos versos nos quais muitas vezes deixava transparecer suas posições de intelectual de claras posições políticas. Isto sem jamais perder seu lirismo invulgar e seu domínio do fazer poético. Saboreiem bem vagarosamente estes sosigenísticos versos.
O pavão vermelho
Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
Quando é estridente em meu quintal a aurora.
Clarim de lacre, este pavão vermelho
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.
É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.
Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.
(Publicado originalmente em 02/03/14)

14 julho 2016

Flavio Colin, desenhista de quadrinhos. Um cara muito, muito especial

Um dia um anjo torto me colocou o dedo na testa e me disse: "Vai Setúbal, ser desenhista de quadrinhos na vida." Pensei então: "Caraca!, estou acima dos outros. Um anjo, um emissário do Onipotente, me tocou a testa e me fez um cara especial!" Lesto e presto saí por aí empolgadíssimo, rabiscando tudo o que via pela frente, feliz por poder fazer coisas que outros não sabiam fazer e estas gentes vinham e me circundavam com olhos embevecidos a cada traço que eu traçava para maior gáudio do meu já mui inflado ego. Até que um dia me caíram às mãos revistas com os desenhos de Flavio Colin. Meus olhos saltaram em órbita, meus joelhos tremeram, meu coração disparou um som de percussão. Que traço maravilhoso, que segurança, que criatividade! Um sentimento difícil de traduzir em palavras tomava conta de mim a cada nova conferida naquelas maravilhas em preto e branco, sensação que se mostrou perene. Desde seus primeiros trabalhos Colin mostrava desenhar quadrinhos como um Mestre legítimo, anos luz a frente de tantos.
Atônito, um tanto frustrado, meio jururu, voltei ao anjo e lhe disse: "Pô, bró! Eu queria que meus desenhos fossem assim, tão maravilhosos como os deste cara!" Sem se abalar, o anjo, com certo enfado no olhar e ares de esse-cara-já-tá-querendo-demais, redarguiu pouco angelicamente: "Nada posso fazer, meu caro. Mesmo entre os especiais há aqueles que são, digamos... bem mais especiais que os outros. E o Flavio Colin, amizade, é um cara muuuito especial!"
(Publicado originalmente em 12/04/2014)

09 julho 2016

Biratan, Ziraldo, Letras, Caricaturas, Grafismos



1. Fernando Pessoa 2. Charles Chaplin 3. Marilyn Monroe
Seus olhos amendoados, seus cabelos lisos e negros como a asa da graúna evidenciam ser o piramidal paraense Biratan um descendente direto do alencariano Pery, aquele mesmo que vivia dando uns bordejos mata a dentro com a bela Cecy atendendo às súplicas da moça que era fervorosa ecologista e não passava um dia sequer sem ver e alisar um bom pau, o pau-brasil. Tupã, o deus da fé indígena, pai generoso de todos seus filhos, legou ao curumim Biratan virtudes raras como a de ser um soberbo cartunista, um Top 10. Em seu livro, Caricaturas de Letras, Bira mostra suas habilidades gráficas e caricaturais, ao criar e fazer lindos e originais portrait charges construídos a partir das iniciais dos seus modelos. O resultado é tão bom que Ziraldo - o cultuado papa do grafismo mundial - se derrama em elogios ao fantástico trabalho de Biratan. Assim sendo não é preciso que eu diga mais nada, só me resta fazer uma reverência a este nobre parauara e repassar os contatos dele para os interessados: biratan21@uol.com.br e biratan.cartoon@gmail.com Ah, e tem também links para os blogs: http://biratancartoon.blogspot.com e http://greencartoon.blogspot.com
(Publicado originalmente em 06/12/2014)

06 julho 2016

O homem perfeito que todas as mulheres esperavam ansiosamente / Setubardo

Um dia competentes cientistas
Resolveram criar o homem perfeito
Forte, bonito, bom de leito,
Charmoso, grande papo, inteligente,
Físico de deus grego, espirituoso, valente
Então, em um liquidificador gigante
Juntaram uma galera importante:
Adonis, Hércules, Apolo,
Julio Cesar, Colombo, Cabral, Marco Polo,
Bolívar, Che Guevara, Fidel, Napoleão.
Apertaram da máquina um botão
Deixaram misturar com paciência
Acrescentando na sequência
Gene Kelly e Groucho, lá de Hollywood,
Tarantino, Fred Astaire e o bom Woody,
Poetas de muitos bons ofícios:
Maiakovski, Baudelaire e Vinícius,
Shakespeare, Neruda, Borges, Bandeira,
Leminski que estremece a palmeira,
Augusto dos Anjos, Lorca, Drummond
Quintana, tudo de bom,
Lennon, Paul, George e Ringo Starr
E o Jagger, que deixa sangrar,
Todo o Monty Phyton, Tati, Chaplin e Mr. Bean,
Jackson do Pandeiro, Genival e Tom Jobim
Baleiro, Caetano, Gil, João Gilberto,
Raul Seixas, Arnaldo, Erasmo e Roberto
E para complementar
Tal mistura estelar,
Almodóvar, Banderas, Elvis Presley, Brad Pitt
Mistura chocante, pura dinamite.
Concretizado esse homem perfeito
Anunciaram os cientistas seu insuperável feito
E o resultado que deu
Ora, meninas, foi... eu!!
(Publicado originalmente em 91/01/2012) 

Beatles, Jesus Cristo, Biratan

Da maravilhosa e supercriativa série de caricaturas do cartunista Biratan feitas com as letras iniciais dos seus modelos, vai esta aqui dos célebres cabeludos de Liverpool, The Beatles, uma banda que mudou o mundo e que, segundo uma pletora de gentes, foi mais popular do que aquele outro cabeludo e barbudinho que fazia verdadeiros milagres para agradar seu público seguidor.
(Publicado originalmente em 07/06/14)

Paulo Paiva e a ida de Doutor Sócrates para o céu.

Suely Furukawa, editora, redatora, colorista e detentora de um monte de predicados mais, gente finíssima e pessoa de minha querência, como eu já disse antes neste bloguito, volta e meia me envia uns desenhos feito pelo legendário cartunista Paulo Paiva, seu digníssimo consorte, que dia a dia, com a fundamental ajuda de Suely, se recupera de um AVC que em vão tentou deter seu humor de primeira linha e seu traço formidável de cartunista. Em dezembro de 2011 o Brasil se abalou e se comoveu com a morte de um dos seus maiores cidadãos, o ex-jogador de futebol conhecido como Doutor Sócrates, ídolo de todos os brasileiros que amam o bom futebol. Sempre atento, PP fez este cartum aí de cima em que no céu São Pedro recebe o inesquecível craque, já paramentado com asas, e sem perder tempo vai logo lhe dizendo: "Chegou mesmo na hora! Estamos perdendo de 2 x 0 para o inferno!"  Dr. Sócrates Brasileiro -ou simplesmente Magrão- foi um dos meus maiores ídolos de uma vida inteira. Craques mui habilidosos muitos times já tiveram em suas hostes, mas um craque da vida como o Magrão - que me desculpem os não corintianos - só mesmo no Corinthians acharia espaço para dar a aula de democracia, de ética, de retidão de caráter, de lucidez política e social que, com coragem e atitude, deu ao planeta inteiro. PP, que é sabiamente um corintiano juramentado, prova ser no cartum um craque tão magistral quanto o foi o maravilhoso Magrão no futebol. Este cartum de Paulo Paiva é um gol de calcanhar que Sócrates assinaria comovido.
(Publicado originalmente em 07/06/2014)

Ariosvaldo Matos, um grande escritor ( Trechos da crônica Por quem os sinos dobram, de Ademar Gomes )

"Com a morte de Ariosvaldo Matos desapareceu não apenas um jornalista que honrou a classe pela competência e caráter e que teve destacada participação na história da imprensa baiana, mas também um escritor de grande futuro, cuja carreira foi interrompida em plena fase de criatividade. Com efeito, embora tivesse escrito alguns livros importantes - Os Dias do Medo e Corta-Braço, entre outros - a atividade literária de Ariosvaldo Matos estava apenas no início, já que só pouco antes de morrer começou a se dedicar exclusivamente à literatura. Perdi um mestre, e mais do que um mestre um amigo. Uma amizade fraternal de longos anos, imune a mal entendidos e apesar de trilharmos caminhos quase totalmente opostos, ele dedicado à cultura, à humanidade, eu à porralouquice do mundanismo, ensimesmado no brilho fugaz de meu pequeno mundo. Costumávamos almoçar juntos quase todos os dias. Sozinhos ou com amigos comuns. Foram mais de trinta anos de convivência, de aprendizado, lições inesquecíveis. Ari nunca foi de enrustir conhecimentos. Ao contrário: sentia prazer em transmitir o que aprendera - e sem ares professorais. Sua humildade às vezes incomodava. Não a humildade do hipócrita, do vencido, mas a humildade consciente. PhD em comunicação, Ariovaldo Matos era capaz de escrever sobre qualquer assunto e sempre com a mesma desenvoltura - com formalismo num editorial, e com poesia numa crônica feita em cima da perna para tapar o buraco de algum colaborador ausente.Ari era um homem de diálogo, sabia escutar. Uma virtude rara - hoje e sempre. Era um homem simples, sério. E só pode sê-lo quem é forte. Ele era um forte. Enfrentou algumas vicissitudes ao longo da vida e a todas superou com altivez, sem lamúrias. Jamais importunou os amigos com seus problemas existenciais. Nunca confundiu sua vida profissional com a pessoal. Durante minhas andanças pelo mundo, mantivemos assídua correspondência. Toda semana escrevíamos um ao outro. Suas cartas eram lições de vida, de amor, e muitas delas me encheram de força, de esperança, para enfrentar o desespero dos primeiros meses em terras estranhas.
Avesso a formalismos, nem no seu aniversário Ari gostava de manifestações piegas. Bons amigos, papos inteligentes, bastavam para fazê-lo feliz. Tudo muito simples, à sua imagem e semelhança.
É pena que, até hoje, nenhum órgão cultural tenha se interessado em publicar livros seus inéditos. Esta, sim, a homenagem que Ariosvaldo Matos merece. Nome de rua, não. Nome de rua, no Brasil, até pilantra tem..."
(Publicado originalmente em 07/06/14)

02 julho 2016

Blog do Gentil, caricaturista e ilustrador




Fiquei em dívida com vocês, preclaros leitores. E minhas dívidas são sagradas, todas são pagas religiosamente, mesmo que o SPC e o Serasa insistam em me contradizer quanto a isso. Em postagem anterior coloquei uma mostra do excelente trabalho do cartunista, caricaturista e ilustrador Gentil mas no texto não lhes informei se ele tinha blog ou site unicamente por desconhecimento meu, mas que ia usar de toda minha sagacidade sherlockquiana para descobrir, caso existissem. A fé não costuma faiá, diz o grande filósofo da baianidade nagô, Gilberto Passos Gil Moreira, e minhas informático-cibernéticas e piramidais investigações também não. Consegui o blog do Gentil e quito minha dívida para com vocês aqui e agora nesta postagem, a qual aproveito para colocar mais uns exemplos dos trabalhos refinados da fera. Dever cumprido, deleitem-se agora, que o link para os trabalhos do cara é este aqui, galera: http://gentililustracao.blogspot.com