29 junho 2017

Os Correios trazendo a felicidade em um pacote da Editora Criativo.

Há uns quinze minutos a felicidade bateu em minha porta. Não é a primeira vez que ela assim o faz. Em incontáveis oportunidades e pelos mais variados e escabrosos motivos - afinal, geminiano eu sou - mandei dizer a ela que eu não estava, e ela, sem outra alternativa, desistiu e se foi. Dessa vez, não! Ah, dessa vez, não! Reconheço que o tempo que passa tem sido generoso com minha esplendorosa pessoa e, além de fazer aumentar minha beleza física máscula e varonil, tem-me fornecido também amplos conteineres de sabedoria e elevada inteligência. Ao ouvi-la me apelando de minha porta, na verdade, de meu portão, corri ao encontro dela ainda de Havaianas, as únicas que não deformam, não têm cheiro e nem soltam as tiras. Pronto! Lá estava, paramentado de uniforme azul e amarelo, um garboso trabalhador brasileiro, um dileto e competente funcionário dos Correios. Assinei o recibo, agradecido, e voltei correndo para o interior de meu palacete assobradado, onde tratei de selfiar-me, belo, formoso e exultante, exibindo um exemplar do Sketch Book Paulo Setúbal, que aqui, generoso, como de habitude, compartilho com vocês, amáveis e idolatráveis leitores, salvem!, salvem! No interior do Sketch Book, há páginas e páginas de desenhos e estudos meus, caricaturas, cartuns e ilustrações, mostras de construções de personagens e uma gama de técnicas diversas. Os amantes de histórias em quadrinhos, trabalhos cartunísticos e caricaturais que estejam interessados em adquirir um exemplar devem acessar o site http://www.criativostore.com.br  
Um viva aos Correios, um viva à Editora Criativo!

27 junho 2017

O homem no parque / Crônica Mente

        O homem sente a brisa fria do outono tocar seu rosto e vai despertando aos poucos de um sono pesado e longo. Com vagar seus sentidos vão se aguçando. Ouve vozes distantes. Risos adolescentes. Gritinhos femininos. Confabulações de velhos senhores. Não entende direito o que dizem. Esforça-se para enxergar de forma clara, mas suas retinas só captam vultos. Imprecisos. Inúteis. Quem são estas pessoas? Que dizem? Que fazem ali? A cabeça do homem parece girar e é forte a sensação de estar saindo de um estado letárgico. Ou acordando, de fato, de um sono muito longo e pesado que ele sequer imagina quando começou.
      Aos poucos, felizmente, as coisas vão se tornando mais nítidas. As vozes mais audíveis. Os vultos vão tomando seus contornos humanos. Então ele vê. Está em um parque. Entretanto, embora a paisagem ao redor lhe pareça familiar, tudo o mais lhe é estranho. As pessoas estão trajadas com exóticas indumentárias. Os mais jovens parecem saídos de um mundo de ficção. São diferentes até no andar, no gestual, nas atitudes.
      Algumas crianças passam em grupo e aos gritos espantam os pombos que para fugir alçam vôo. Vários pousam um pouco mais do, distante e recomeçam a comer as migalhas que encontram pelo chão. Uma das aves vem pousar sobre o chapéu do homem. Instintivamente ele tenta espantá-la com sua mão esquerda mas ela não esboça movimento algum. Tenta agora com a direita e, aterrorizado, percebe que  ela tampouco atende ao seu comando. Sente-se como se estivesse num estado de cruel apoplexia. Um grito às suas costas desvia seu pensamento. Uma voz desesperada grita por ajuda e brada: “Pega ladrão!”
      O homem tenta virar-se o mais rápido que pode mas não consegue. Dá-se conta que traz à cintura uma espada. Procura levar sua mão até ela na clara intenção de empunhá-la em socorro da vítima mas, se inteira, horrorizado, de que seus braços seguem desesperadamente estáticos. E seus antebraços, ombros, pescoço, pernas. Nada obedece ao seu comando. Nem mesmo o puro-sangue, que só agora percebe estar montando, tão imóvel quanto ele próprio. O homem vê aumentar seu desespero. Quer gritar seu grito mais forte. Mas de sua garganta não escapa sequer o mais débil gemido. Tal é seu horror, seu mudo desespero, que de seus olhos brotam duas lágrimas. Nelas, diluída, sua dor. Seu olhar marejado não consegue distinguir bem os dois vultos a uns poucos passos de si. Mas seus ouvidos lhe dizem que se trata de uma mulher adulta e uma menina de cinco ou seis anos. Aproximam-se enquanto conversam.
      _Mãinha, quem é este homem montado neste cavalo enorme?
     _É o velho Barão de Itapuã, filhinha. Homem muitíssimo corajoso, que defendia nosso povo na luta contra os inimigos da nossa amada terra. Um verdadeiro herói, um patriota, tesouro da mamãe! Infelizmente hoje em dia existe pouca gente assim.
_Veja, mãinha! O homem está...está chorando!!
_Chorando?! Aonde já se viu, menina? Deve ser um resto de orvalho, querida. Você não sabe, minha doce criança? Estátuas não choram. 
(Publicado originalmente em 06 de fevereiro de 2013)

Humor de graça / A fé remove montanhas


Biratan Porto, Belém do Pará, Flavio Colin e uma nova tradição

 
Coisa impensável entre católicos praticantes e juramentados é ir a Roma e não ver o Papa. Pois em verdade, em verdade vos digo, fiéis leitores, que um cartunista autêntico ou um genuíno desenhista de histórias em quadrinhos que preza seu ofício, em caso de visita a Belém do Pará, tem o sagrado dever de ir ao estúdio de Biratan Porto, que é também seu lar, pedir a benção ao piramidal cartunista. Se for contemplado com a indeclinável honraria de ser convidado para tal visitação, é claro. Benção pedida e concedida, a coisa não pára por aí, pois no larestúdio do Biratan estando, sem que nenhum protocolo ou norma de etiqueta assim o determine, o desenhista deve em determinado momento do papo, colocar-se ao lado de um pôster com um desenho do incomparável, inigualável e insuperável Flavio Colin, que Bira mantém em uma das paredes a guisa de decoração e homenagem ao Mestre dos Mestres. Foi exatamente o que fiz, preclaros leitores. Mal troquei algumas idéias com meu anfitrião e...catapimba!. Lá fui eu, alegre e altaneiro, posicionar-me ao lado do belo pôster de Colin, para ter uma foto minha comprovando que vivi tão honroso momento. A pose não foi estudada, mas ao ver a foto pronta, nota-se que nela, enquanto aponto orgulhoso a assinatura de Colin, seu personagem, o detetive Castro, ameaçadoramente aponta sua arma automática para meu coração vagabundo que quer guardar o mundo em mim. Em contraponto, no alto, enquanto toca um telefone, uma delicada mãozinha feminina vem sensualmente acarinhar os meus cabelos. Papeando depois com meu piramidal amigo, fico sabendo que essa história de visitantes posarem ao lado do dito pôster é algo que jamais foi planejado, sendo coisa que foi acontecendo natural e espontaneamente, e que aos poucos parece que vai se transformando numa espécie de cultuada tradição entre os cartunistas que visitam o larestúdio. Com o carisma e a popularidade de Biratan, não será surpresa se um dia esse ritual visitativo tiver um público comparável ao tradicional Círio de Nazaré. Ao Bira envio aqui, da Bahia, meus mais amistosos amplexos e os mais fraternais ósculos. Aproveito o ensejo e ilustro esta postagem com a mencionada foto, que é para nenhum vivente, cartunista ou não, duvidar do meu marcante feito. Razão, muita razão, têm os meus amigos escritores Gonçalo Junior, Vitor Souza e Tom Figueiredo, quando propagam aos quatro ventos que eu não sou fraco, não!  

25 junho 2017

Vitor Souza, o pastor de muita fé . Vitor Souza, o colorista, ilustrador e designer gráfico.

Um personagem de história em quadrinhos chamado Xaxado foi quem me apresentou ao meu amigo Vitor Souza, competente professor de Teologia e dedicado pastor, designer gráfico e colorista dos melhores. Trocando em miúdos, bem antes de ser amigo de Vitor eu já o era do desenhista Antonio Cedraz, criador de diversos personagens de quadrinhos, sendo o mais famoso deles um menino nordestino, um pequeno sertanejo que usa um chapéu de couro, atende pelo nome de Xaxado e é neto de um autêntico cangaceiro. Cedraz, tão sertanejo quanto seu personagem, desde seus dias de infância no interior da Bahia era um grande apaixonado por quadrinhos. Sonhava ter os personagens criados por ele tão cultuados quanto os de outros já consagrados profissionais. Pensando nisso, trabalhou sozinho com perseverança, depois decidiu que era chegada a hora de ter um estúdio e formar uma equipe para produzir seus quadrinhos. Montou seu tão sonhado estúdio e abriu uma editora, a Editora Cedraz, disposto a publicar e divulgar suas criações. Começou a selecionar pessoas que tivessem competência e vontade de fazer quadrinhos. Logo arregimentou gente disposta a trabalhar firme para tornar realidade o sonho dourado de viver de histórias em quadrinhos na Bahia. Dentre essas pessoas selecionadas, estava Tom Figueiredo, literato premiado, argumentista e roteirista de quadrinhos, estava também Sidney Falcão, desenhista profícuo, de grande habilidade, que assimilou com competência o traço de Cedraz e, last but not least, integrava essa turma Vitor Souza, que no estúdio, é claro, não atuava como pastor nem dava aulas deTeologia. O que Vitor fazia por lá, entre outras coisas,  era colocar títulos, letras e balões nos desenhos e colorir digitalmente as histórias que surgiam da cuca de Tom e Cedraz e eram desenhadas por Sidney e pelo próprio Cedraz, a maioria delas com o menino Xaxado que, graças ao seu carisma, havia se tornado o personagem principal e o carro-chefe do estúdio ensejando a produção de centenas de tiras e páginas, sendo a grande maioria colorida por Vitor que, de novato na arte de colorir, foi se aperfeiçoando e se tornando um profissional competente e habilidoso, dominando o uso de diversos programas, ficando íntimo das cores digitais e não apenas isso, das cores em si, suas nuanças, seus matizes, sua linguagem cheia de sutilezas e de possibilidades. Eu gostava de visitar Cedraz no estúdio, era estimulante ver o trabalho que ele e sua equipe desenvolviam com tanto carinho. Ali naquele ambiente pude presenciar Vitor Souza colorindo o Xaxado. A cada visita minha ao estúdio, enquanto ele letreirava ou coloria, conversávamos animadamente e eu gostava de ouvi-lo falar com propriedade sobre os temas mais diversos, cinema, política, sociedade, quadrinhos e um mundo de coisas interessantes. Vitor sempre foi o tipo de gente que gosto de ter como amigo, um cara muito bem informado, com saberes fundamentados através de leitura de livros e revistas de qualidade, cinema, Internet. Nessas fontes que bebia captava informações importantes o que propiciava que ele falasse das coisas com conhecimento de causa. Sendo ainda bem jovem sempre mostrou ter ideias maduras e uma mente aberta, sabendo argumentar com grande embasamento, sem radicalismos. Sabia ouvir e falar na hora certa, mostrando personalidade, sem querer ser o dono da verdade. Findamos por nos tornar amigos próximos e, inevitavelmente, começamos a trabalhar juntos, a misturar nossas artes, eu com meu desenho, ele com suas cores e seu trabalho de designer gráfico. Vitor, além de profissional competente, é um ser humano de boa índole que batalha muito para ser feliz ao lado da própria família. Não sou religioso como ele o é, nem tenho as relações sólidas com Deus como ele as tem, mas mesmo sem maiores intimidades, tenho lá minhas ligações com o Criador e quando rezo pedindo a felicidade de gente da minha estima, peço ao Onipotente que contemple com paz e harmonia a caminhada de tão bom amigo. E que a vida de Vitor e sua família possa ter sempre a mesma maravilhosa harmonia que ele magistralmente consegue dar às suas cores.  
( As ilustrações acima são da HQ Em Terras Americanas com argumento de Tom S. Figueiredo, desenhos de Setúbal, com colorização e letreiramento de Vitor Souza.)
(22/07/2016)

16 junho 2017

Toda mulher encalhada tem razões de sobra para ser feliz.

Solteirona, sim. Mas numa boa!
Fiel leitora, tá certo que você não seja lá nenhuma Gisele Bündchen. Que, na verdade, você tem dentes tortos e amarelados, mau hálito, buço espesso, joanetes, varizes, estrias e montanhas de celulite, mas isto não é motivo para ficar chorando copiosamente, desolada, pensando que, pelo simples fato de ser uma tremenda baranga, um verdadeiro dragão, a homaiada não vai querer nada, nadinha com você. Melhor, muito melhor assim, acredite, doçura. Saiba você, barangosa amiga, que os homens, esses sórdidos incorrigíveis, costumam ter defeitos bem piores que os da mais imperfeita das mulheres e é preferível estar só do que mal acompanhada, que mais vale ouvir comentários de que você ficou pra titia do que ter o dissabor de passar o resto da vida ao lado de um Zé Mané qualquer, aturando aquelas insuportáveis manias típicas dos machos da espécie.
Em seu benefício e o de todas as mulheres, listamos aqui uma série de defeitos comportamentais exclusivamente dos homens para provar definitivamente que não vale a pena você juntar-se a um safado desses, sendo bem melhor viver sozinha, desfrutando de uma feliz e prazerosa existência de solteirona. 
Um homem, uma mulher... e um W.C.
Seguindo uma antiga tradição machista criada para enlouquecer as mulheres, os homens quando vão ao banheiro para fazer o number one, jamais levantam a tampa do assento do vaso e ela acaba toda batizada. Então quando você, toda charmosa, entra no banheiro para fazer aquele xixi básico de princesinha de conto de fadas, depara-se com aquele tsunami amarelado, horror dos horrores. Aí, é claro, você faz a coisa mais sensata e racional que uma mulher equilibrada deve fazer em um momento desses, que é dar uns estrondosos berros nos ouvidos do calhorda. Ele, na maior desfaçatez, vai fazer pose de inocentíssimo e com a mais lambida cara de vítima, dirá que você anda muito, muito estressadinha. 
De príncipe a rei... do desleixo.
 Sendo mulher, você é uma romântica incorrigível. Um belo dia, por sei lá quais enganos e equívocos, fica achando que um sujeito qualquer é o seu príncipe encantado e, cheia de ilusões, casa-se com ele. Pobre amiga! Depois de um tempo, você se dá conta que ele foi perdendo todo o charme que você enxergava nele, que foi ficando careca, barrigudo e andando com a barba sempre por fazer. Enfim, deixou de ser príncipe encantado e virou um similar do Shrek, um tremendo ogro. 
Sim!, ele é o maior... o maior engano da sua vida!
Na fase do namoro o homem porta-se como um cavalheiro, abre a porta do carro para você, lhe cobre com as mais olorosas flores e a leva para passear por recantos paradisíacos, maravilhosos. Depois de casado ele dá mostras do sujeito imprestável que é, vai se acomodando e quando não está entornado engradados de cerveja, fica no sofá da sala vendo futebol na TV ou no quarto, roncando de forma insuportável, ou zanzando pela casa, só de cuecas e meias furadas, soltando sonoros flatos e azedíssimos arrotos. 
É a mãe! É a mãe!
Os homens, delicada amiga, são muito mal educados e um belo dia, querida leitora, este grosseirão ofende sua mãezinha, aquela santinha sem máculas, a melhor entre todas as sogras, chamando-a de jararaca velha. Tudo porque ela, pessoa experiente e sábia, fundamentada em sua elevada sapiência, disse umas necessárias verdades para o calhorda. Ao ouvir tais disparates contra sua imaculada genitora, você retruca dizendo que a mãe dele, sim, é que é uma cascavel com chocalho e tudo. E a pancadaria rola solta na casa de Noca. 
Como virar uma mocreia sem sair de casa.
Para manter seu corpo sarado, um bumbum empinado e aquela cinturinha de tanajura, você gasta  uma nota preta e se submete a uma sacrificante rotina, sofre horrores em exaustivos exercícios nas academias. Aí vem um pilantra com uma conversinha mole, cheia de promessas vazias. Quando um dia você cai em si, percebe que sua barriguinha sarada cedeu lugar a um monte de pneuzinhos, seus cabelos e unhas estão um lixo, sua pele parece uma lixa número 5. Ainda por cima, sem que você se desse conta, o vagabundo encheu você de filhos, e os pirralhos passam o dia depredando aquele imóvel que você julgava ser seu inviolável lar ou agarrados à sua saia por todos os cantos da casa. Um desses pirralhos está com a fralda cheia de caca, outro engoliu metade da garrafa de detergente pensando ser refrigerante, outros dois querem mamar em seus peitos, agora já bem caídaços, por sinal. Enquanto isto, alegando que não suporta mais tanto barulho, o sacripanta diz que vai dar uma caminhada para relaxar e se manda direto para um boteco pra encher a cara com aqueles amigos debilóides de Q.I. iguais ao dele. E quando passa uma periguete cheia de curvas, peitões e um bumbum tamanho GG, ele diz: “Isto é que é mulher e não aquela mocreia que eu tenho lá em casa!”
Amiga querida, agora que você já está consciente da verdade sobre os homens, jogue fora seu lencinho encharcado por lágrimas derramadas em vão. A viver sua vida ao lado de um verme desses, é preferível vivê-la só, docinho. E que se danem as línguas maledicentes das vizinhas fofoqueiras, falando pelas suas costas que você é uma solteirona, uma encalhada. Solteirona, sim, encalhada, sim, mas por opção própria. E muito, muitíssimo feliz, por sinal! 
                            ( 17/02/13 )

15 junho 2017

Mulher de Gêmeos no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que quer 
Mas tirante isso 
É boa mulher 
A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que diz
Mas tirante isso 
Faz o homem feliz 
A mulher de Gêmeos
Não sabe o que faz 
Mas por isso mesmo 
É boa demais...
(09/05/15)

09 junho 2017

Lançamento do Sketch Book Paulo Setúbal pela Editora Criativo em Sampa.

Exibindo paulo-setubal.jpg
 A vida é um eterno desfilar de surpresas e acontecimentos que nos envolvem, muitas vezes movidos pelas mais insondáveis razões. A nós, nos resta festejar e curtir com intensidade quando taís momentos ofertados são bons motivos de celebração. Pois não é que, para gáudio, honra e subida glória do autor desse bloguito a Editora Criativo estará lançando novos Sketch Books e, entre eles, o Sketch Book Paulo Setúbal, o popular euzinho. Nele tenho oportunidade de apresentar ao respeitável público um bom lote de amostras de meus desenhos, ilustrações e estudos diversos, caricaturas, cartuns, ilustrações e histórias em quadrinhos. Como artista participante da coleção fico radiante por haver sido selecionado para integrar esse panteão de tantas feras do desenho. Os mais de 60 Sketch Books que integram a coleção apresentam uma mescla da produção de talentosos artistas, sendo que alguns desses artistas já têm alguma quilometragem no campo das Artes, mas há também as criações de artistas promissores que estão iniciando no campo profissional e também há uma bela seleção de artistas já consagradíssimos, com grandes legiões de fãs Brasil e mundo afora. O lançamento dos Sketch Books pela Editora Criativo acontecerá no próximo dia 11 de junho, domingo, das 13 às 18 h, no Restô & Burgers, na Praça Ana Rosa, 33, Vila Mariana, bem ao lado do metrô Ana Rosa, em Sampa. Ali o aficionado por cartuns, ilustrações e histórias em quadrinhos poderá conseguir um autógrafo do seu autor predileto e até bater um papo com ele para um dia contar para seus futuros netinhos.

Brazilian Tequila, Augustus Young, João Ubaldo Ribeiro, a Irlanda e a Bahia.

Augustus Young é um grande, amado e cultuado escritor que nasceu na fria Irlanda. Leitor de muitos livros, ficou conhecendo o Brasil através dos escritores brasileiros que leu avidamente. Entre eles, escolheu como o seu preferido o baiano João Ubaldo Ribeiro. Cativou-o, principalmente, o humor de Ubaldo, as suas ricas e apaixonantes descrições do povo brasileiro com todas suas peculiaridades que tanto o diferem do povo irlandês. Augustus tanto gostou que findou por entrar em contato com João Ubaldo através de amigos em comum. Manteve correspondência com o renomado escritor e estreitou seus laços de amizade para com ele. Um dia, Augustus decidiu dar um tempo no frio da Irlanda e experimentar a sensação de viver em local bafejado por um clima mais caloroso, tropical, e acabou navegando para a Bahia para encontrar-se com João Ubaldo e conhecer de perto os locais e as gentes que passeiam pelas páginas de livros do escritor baiano. Essa sua decisão, suas épicas andanças pelas terras tropicais estão contadas em seu mais recente livro, Brazilian Tequila, cuja capa mostro acima. Uma vez ilustrei para o jornal A Tarde, de Salvador, Bahia, o texto de um cronista.  Tal texto falava sobre Ubaldo e seu cotidiano na Ilha de Itaparica, onde viveu e escreveu grande parte de seus maravilhosos textos para livros, jornais e revistas. A ilustração que fiz é a mesma que ilustra esta postagem, mostrando João Ubaldo em uma mesa, às voltas com um apetitoso peixe em uma travessa, tendo à mão um copo de uísque, bebida que tanto apreciava, coisa que deve ter contribuído, em muito, a aproximá-lo do irlandês Augustus, também chegado a entornar um bom uísque e similares. Young teve acesso à crônica, leu-a, gostou e gostou também da caricatura que fiz de João Ubaldo. Quando decidiu publicar seu livro contando sua trajetória por terras da Bahia, Augustus, já de volta ao seu lar na Irlanda, fez contato comigo pedindo autorização para usar a caricatura no livro e eu, que sempre adorei João Ubaldo Ribeiro, tanto como escritor, quanto como pessoa de uma mente lúcida, um cara extremamente culto, um causeur com invejável presença de espírito e elevadas doses de humor, autorizei com entusiasmo a publicação do meu desenho. Passados alguns meses, eis que recebo uma correspondência postada em Paris. Fiquei me perguntando quem seria o remetente, se a Catherine Deneuve, se a Isabelli Adjani. Ao abrir o pacote vi que se tratava de Brazilian Tequila, o livro de Augustus Young, em uma belíssima edição. Uma grande honra para mim poder figurar em um livro seu, Augustus, principalmente falando de um querido amigo em comum, tão talentoso e boa-praça como João Ubaldo Ribeiro. Thanks, thanks a lot, Augustus Young, my friend!                      
***** Pedidos de livros e contatos no e-mail:                                   http://books@troubador.co.uk                                
Site: http://www.troubador.co.uk/matador                
Twitter: http://matadorbooks     

08 junho 2017

Biratan Porto, cronista dos bons, e seu livro Ora, mas tá!

Exibicionismos de erudição, sempre gratuitos e desnecessários, não são encontradiços nos textos do cronista Biratan Porto. Suas crônicas no livro Ora, mas tá! chegam aos leitores trilhando o caminho da simplicidade, despojadas de ludibriantes recursos linguísticos em que o supérfluo, desfavoravelmente, pudesse vir a prevalecer. Por aí começam as muitas riquezas contidas em suas crônicas exibidas nesse livro, frisando que essa dita simplicidade não é, digamos, simplesmente tão simples. Coisas aparentemente triviais para os mais desatentos transformam-se em um rico mote para as crônicas de Biratan. Quem haveria de adivinhar as reminiscências que podem se encerrar em uma prosaica folha de imbaubeira caída em uma calçada? As pessoas comuns, certamente, não. Passariam mil vezes por ela sem dela se darem conta. Até poderiam pisá-la, em seu desatento caminhar. Da via pública o cronista recolhe a folha e, extasiado, observa-a com atenção. Embevecido, termina por viajar por suas fibras e nervuras, transportando-se no tempo até sua infância em Castanhal, em uma jornada sentimental que também arrebata a nós, seus leitores, e lá vamos nós com ele. Cada crônica de Biratan nesse seu livro é um périplo a nos conduzir por emoções de todas as grandezas, por reflexões existenciais oriundas dos mais improváveis recantos, por grandiosidades narradas com rara sutileza. Seus textos, em alguns momentos, por vezes se fazem acompanhar de uma leve ironia ao abordar instantes da vida em que vigora o inesperado, as reviravoltas da existência, o errado sobrepondo-se ao correto. A criatividade do cronista se faz onipresente, o seu olhar prima pela busca do insólito, do pitoresco, do inédito, do risível, seja relatando a vida de um incorrigível conquistador e suas pretendentes, seja mostrando um delegado chegado a excessos arbitrários, mas chegado muito mais ao sambista Geraldo Pereira. Seja, ainda, narrando os detalhes de uma imponderável corrida de galinhas ou mesmo expondo as angústias de uma kafkabirataniana barata e sua luta para salvar de trágico holocausto, suas irmãs e todo seu povo. As crônicas de Biratan não deixam espaço para a dor, melancolia ou tristeza. Nelas sempre se faz visível o tom positivo, para cima, comprovando que o autor acredita que o ser humano, malgrado seus equívocos, pode se fazer viável e experimentar a felicidade no planeta que habita e viver em harmonia com os seus semelhantes. Tudo isso se nos apresenta alinhavado pelo refinado humor desse inspirado cronista, Biratan Porto, um humor que ora nos chega de forma sutil, contida - e aí há que se ficar atento para não perder o riquíssimo sabor dessas passagens – e por vezes, esse humor se nos invade de forma histriônica e não há como conter uma gostosa e revigorante gargalhada.                                                                    *****Para os que querem experimentar o prazer de ler as crônicas de Biratan e as de seu partner, o também cronista Max Reis, que com ele divide as páginas desse Ora, mas ta!, basta escrever fazendo o pedido do livro para http://biratan.cartoon@gmail.com 

06 junho 2017

Biratan Porto e Max Reis com suas deliciosas crônicas.

De Belém do Pará, onde tenho amigos do peito, recebo um presente digno de rei que um desses amigos fraternos generosamente me envia. Trata-se de algo assaz envolvente, mas não se trata de um disco de carimbó do Pinduca, nem um tecnopop da vibrante, esfuziante e contagiante Gabi Amarantos. É coisa saborosíssima, mas esclareço logo que não é uma tigela recheada de um delicioso açaí. Trata-se de um belo exemplar de Ora, mas tá!. Se você não captou, explico que esse é o título de um livro de crônicas escritas por Biratan Porto e Max Reis. Magistralmente escritas, devo acrescentar. O livro em si, é bonito, tem belas soluções gráficas para a capa e para os textos internos. Quanto aos autores, caro leitor, como sua mente sagaz e atilada já percebeu, Biratan Porto é aquele cultuado cartunista, autor de belos cartuns premiados mundo afora por conta de seus desenhos e ideias magníficas, muitas delas abordando temas ecológicos, denunciando desmatamentos e a poluição que atinge criminosamente metrópoles, lagoas, mares e rios. E por falar em mares e rios, Biratan não é nenhum peixe fora d’água quando assume o papel de escriba. Na seara das crônicas ele transita com a mesma desenvoltura com que traça seus magistrais cartuns, exibindo sua proverbial criatividade, uma sensibilidade tocante que revela uma autêntica alma de cronista que mergulha na sua rica memória afetiva para nos brindar com as brincadeiras da sua infância plena de alegrias, jogos e descobertas, vividas com intensa felicidade por quem foi um típico menino do interior do Pará, para quem as ruas, becos, praças e campos de Castanhal compunham um reino a ser explorado e ele, um rei em seu corcel, intrépido, arrojado, destemido vivenciando toda sorte de possíveis aventuras, momentos épicos e plenos de magia, tão mágicos que um dia viraram letras, palavras, substantivos, adjetivos, verbos e pousaram no papel das páginas que compuseram um dulcíssimo livro de crônicas que li com intenso prazer. Além, muito além dessas reminiscências vai Biratan, passeando também pela ficção com o mesmo olhar observador, atento aos mais discretos detalhes ocultos nos lugares mais recônditos. Mas reservarei isso para abordar em um próximo texto. Nesse me cabe contar também sobre seu companheiro de empreitada literária, Max Reis, que vem a ser o outro cronista de Ora, mas tá!. Que formidável dupla formam Biratan e Max Reis! Max, também se vale de sua memória para buscar na infância - igualmente vivida de forma intensa - e na sua juventude as lembranças de amigos fiéis, lugares, folguedos, namoros, as paixões adolescentes e as maduras. Tudo costurado com a mesma linha da emoção, própria de quem sente um perceptível prazer em viver, sempre olhando as coisas de um ângulo bastante pessoal em que se acumulam o humor, o amor, o filosofar, a indagação, a contestação, o apego ao modo de vida próprio dos viventes do Pará, de detalhes simples à primeira vista, mas com uma riqueza e exuberância que Max sabe captar, apreender e revelar aos leitores de suas crônicas. Não se resume ele a fazer um memorial. Das coisas vividas e vistas ao longo da de sua vida, Max Reis - mostrando intimidade com as palavras – recupera detalhes que agora revela em minúcias, coisas que por vezes escapa aos olhares dos mais desatentos, daqueles muitos que passam pelas coisas olhando sem ver. 
*****Com entusiasmo, aconselho aos que são chegados a uma boa leitura, especialmente de crônicas, que encomendem seu exemplar desse livro de leitura tão convidativa e prazerosa. Para fazer a encomenda do livro basta enviar uma mensagem para http://biratan.cartoon@gmail.com . E é bom você não marcar touca, senão a edição se esgota e aí vai ficar se lamentando. E quem olhar você, no maior desconsolo por ter dado tal bobeira, há de dizer: “Ora, mas tá!”  

01 junho 2017

Laerte, Ziraldo, coletes, calçolas e preconceitos.


Fico sabendo pelas gazetas e pela Dona Net que o cartunista Laerte de há muito se confessou um inveterado, contumaz e renitente adepto do uso de femininas vestes e que sendo assim e assim sendo, preconiza aos quatro ventos as delícias de ser um crossdresser, nome com o qual costumam batizar uma pessoa que adota um comportamento pouco convencional já que, sendo de um determinado sexo, sente-se bem vestindo roupas consideradas de uso reservado ao sexo oposto. Não é lá muito sensato concordar com a definição, hoje em dia isso soa como algo bem vago, ainda mais nesses tempos em que sopram ventos metrossexuais, tempos em que, por exemplo, mulheres soem usam terninhos bem ao feitio masculino e ainda assim não perdem o charme e nem podem ser chamadas de crossdresseres. Sou, como milhares de brasileiros, um fã incondicional do trabalho de Laerte, cartuns, tiras e HQs. O cara é uma fera nas ideias e no seu trabalho como um todo, na sua participação como cidadão - ou cidadã - com enorme consciência social e política e invejável destemor como qual arrosta os poderosos de plantão e gangsters políticos de todos os calibres.  E seus saques sobre os assuntos que aborda são sempre definitivos. Acho uma fortuna ter podido ver originais dele quando estive no Salão de Humor de Teresina a convite de meus amigos Kenard Kruel e Albert Piauí alguns lustros se vão. Pranchas de HQ tamanhos extra large, um traço a pincel e nanquim de cair o queixo. Não conheço pessoalmente o Laerte. E isto se deve ao fato dele não ter permitido que isto acontecesse quando me dirigi a ele, também convidado do mesmo Salão. O cara não me deu espaço, negou-me um mínimo de aproximação. Tratou-me com frio desinteresse, secura inequívoca, imensa falta de polidez, com evidente irritação. Saí daquele frustrado encontro achando-o neurótico e um chato de galochas. Não é isso - muito pelo contrário - que ele mostra ser em suas entrevistas e declarações.  Talvez ele não estivesse num bom momento. Ou quem sabe a intuição dele tenha lhe soprado nos ouvidos que eu, sim, era um chato galochante a ser mantido a uma distância segura. Não misturo as coisas e não guardo mágoa, já me bastam neuroses outras em minh'alma. O trabalho dele,  vale repetir, considero um dos melhores que já vi, tanto no traço quanto nas idéias. O mesmo se dá com outro cartunistaço, Ziraldo, que é um profissional consagrado e admirado por todos. No entanto, certo dia vi o pai do Menino Maluquinho na telinha, todo paramentado com seus habituais coletes, em uma entrevista com Leda Nagle e ele desferiu inesperadamente algumas bombas preconceituosas ao vivo e a cores contra as afrogentes desta terra de Jorge Amado, entre os quais estou incluído. E não foi no varejo, foi no atacado mesmo. Afirmou que o baiano é, por natureza, um falso e insidioso. Tão estupefato fiquei que fiz aqui uma postagem sobre o lance. Já Laerte, me dá prazer e enorme satisfação ouvir seu discurso claro, límpido, embasado. Nunca o vi dizer coisas tão equivocadas como disse Ziraldo, que se traja de maneira política e geriatricamente correta com seus vistosos coletes podendo desfilar em qualquer ambiente familiar sem causar espantos ou fofocas. Não serei eu a barrar o Laerte em nenhum espaço se ele aparecer envergando uma evasê rosa- choque ou qualquer outra almodovarivana cor. Isto não fere a honra e o amor próprio de nenhum grupo de pessoas ao derredor. Se o sujeito sente-se bem usando calçolas de babados, se a namorada do cara o acha sexy assim, isto é lá com ele e com ela. Entre as atitudes de Laerte e as do cartunista de colete com suas declarações deploráveis, fico com o criador dos Piratas do Tietê. Com calçola e tudo.
(18/10/13)