Os franceses sempre deram mostras de possuírem imensos poderes de inventividade e provaram isso apresentando ao mundo laguillotine, le crêpe Suzette,leCancan, lacanetêBic e laDominique-nique-nique. No entanto, das suas grandes invenções as mais conhecidas são mesmo o beijo francês, o vinho francês, o pão francês e a saída à francesa. A essa última nós, brasileiros, devemos muito do nosso desenvolvimento econômico e social. A História registra que em 1807, na iminência de ter o reino português invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte, o príncipe regente D. João deu uma passativa no beligerante gaulês se picando com toda sua corte para o Brasil, o que foi bom para nosso progresso pátrio. Resumo da ópera: o regente D. João, autêntico português, saiu à francesa. E como os franceses não tiveram o cuidado de patentear essa sua notável invenção, os lusitanos jamais lhes pagaram um escudo, um franco, nem um euro de royalties por ela. Quanto ao quesito sexual, os compatriotas de Sade não ficam atrás. Quer dizer, ficam atrás, ficam na frente, ficam de ladinho, ficam por cima, ficam por baixo, ficam em todas as posições imagináveis e inimagináveis, essas com maior frequência. É fato notório que foram tambem os franceses que inventaram osoutien, feito para ser desvestido beeem devagarinho pelas mulheres, deixando qualquer sujeito, francês ou não, mais doidão e piradão que qualquer aldrabão que se crê Napoleão. Inventaram também o beijosur le cou- que não é o que você está pensando - e ainda o rendez-vous, o faire minette, oménage à trois e, é claro, o já mencionado famoso e popular beijo francês. Esse amplo e invejável curriculum vitaeconfere aos franceses uma grande importância e prestígio, sexualmente falando. Mas é preciso levar em conta algumas particularidades. Caso esteja pensando em ir para a cama com algum ou alguma compatriota de Asterix e Obelix e você é uma pessoa ortodoxa no quesito higiene pessoal, é bom ir com um certo cuidado. É que, procedente ou não, rola por aí um enorme buxixo afirmando que o único banho diário praticado pelos inventivos franceses, é o banho de língua. (291210)
Nestas fotografias dos anos 70s, preclaros leitores, mister se faz esclarecer unas cositas. Na foto mais acima, um barbudo esconde as mãos de forma suspeita, como se ocultasse uma arma. Santo Dios! Será que se trata do lendário guerrilheiro platino-cubano Che Guevara em incógnita visita à Bahia naquela incendiária década? Na foto central, este cara todo saradão, com bigode de cantor de bolero, será el cantante Bienvenido Granda em soteropolitanos dias? Em caso de identificação positiva, de que estariam tratando Che e Bienvenido naquela animada confabulação da foto número 3? A derrubada do governo militar no Brasil? A construção de uma gravadora especializada em músicas genuinamente latino-americanas sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes? Nada disso, gentes, estas fotos todas eu surripiei do blog do Gutemberg Cruz, precisamente de sua série "A hora e a vez dos quadrinhos baianos". Blog maravilhoso, diga-se, para os fãs das HQs, cartuns e caricaturas onde Guto trata do assunto com seu conhecimento de causa, sendo apaixonado, dedicado e competente ao abordar tais temáticas. E para não prolongar o suspense, vou revelando: o evento fotografado é uma soteropolitana exposição de cartuns e quadrinhos lá pelo ano de 76 no Instituto Cultural Brasil-Alemanha, o ICBA, que sempre nos abriu as portas. Ali na foto número 1, o barbudo não é o Chê, é o cartunista e multimídia Josanildo Dias de Lacerda. Ah, suas ilustres pessoinhas acham que não conhecem?! Aí eu lhes pego de jeito, dizendo que esse Josanildo é o amado e idolatrado cartunista, irreverente poeta haikainiano e criativo designer gráfico Nildão, que vocês muito bem conhecem. Pois é, o mesmo Nildão, hoje todo clean, mas que já teve um dia este guevarístico visual como comprova a foto e ele não pode negar mesmo se o quisesse, coisa dos anos setentas. Na fotografia número 2 não se trata de Bienvenido Granda, que era, por razões óbvias, apodado de El bigode cantante. Trata-se, na verdade, do sempre festejado mestre dos quadrinhos Antonio Cedraz, criador do personagem Xaxado e todo um universo de personagens brasileiríssimos. Quem diria, Cedraz já foi, em pretéritos tempos, um galã do tipo machão latino como bem se pode ver, um autêntico Antônio Banderas sertanejo. No papo entre ambos o assunto era, inexoravelmente, os rumos dos quadrinhos e cartuns na Bahia, no Brasil e no mundo. Para mais aprofundados saberes, vai aqui o link pro blog do Guto: http://blogdogutemberg.blogspot.com/ (07/03/14)
Alguns artistas não abrem mão de levarem consigo, onde quer que forem, um providencial caderninho, com o fito de fazerem anotações diversas, sendo um valioso auxiliar. É ali que, por exemplo, compositores, escritores e redatores soem anotar ideias que lhes surgem sem hora marcada nem prévio aviso. Se não anotam...puff! Essas ideias se vão e se perdem por aí, sabe lá Deus para onde elas vão. Desenhistas e pintores também costumam utilizar frequentemente seus caderninhos, atualmente rebatizados com um termo da língua inglesa, sketchbook, o que lhes garante uma importância maior nesse país de infindáveis aculturamentos. Nos meus diversos caderninhos há um monte de desenhos que jamais publiquei. São só estudos, divagações gráficas que podem servir de base para novos trabalhos de desenho ou pintura. Entre tais estudos, está este aí em cima, feito em aquarela bem manchada. Manchas à mancheia, como diria o vate. A temática surgiu inspirada em uma velha foto no meu álbum de família e, por isso mesmo, sempre que revejo, me vem à mente Clarice Lispector e eu acabo sentindo, qual ela, uma imensa saudade de mim. (04/07/14)
No ano de 2013 Joel Santana é chamado para socorrer o EC Bahia que não vinha nada bem, recebendo do então presidente do tricolor um lote de jogadores que muitos tinham na conta de refugos, e a missão impossível de levar aquele bando à final do Baianão. A crônica esportiva baiana o espinafra impiedosamente antes mesmo que ele assuma, taxando-o de superado, enganador e inveterado bebedor de etílicos. Papai Joel pega seu laptop, digo, pega sua prancheta, reúne o elenco do qual dispunha, dá uma guaribada e vai à luta. Sua estrela brilha como sempre brilhou, e ele, contrariando a expectativa da mídia, leva aquele quase time à final contra o então forte e entrosado time do EC Vitória - já considerado o virtual campeão - para desespero de seus críticos mais ferrenhos que agora teriam que aturar Joetílico goela abaixo bem mais tempo que planejavam. Ganhar do afinado Leão aí já seria uma outra história, uma tarefa hercúlea, mas o importante é que Papai Joel colocou mesmo o sofrível time do Tricolor de Aço na decisão do título.
Acompanho resenhas esportivas desde pequeno, é mais que um hábito, é quase um vício que não consigo evitar, mesmo sendo claro para mim que cronistas esportivos, com raras, aliás, raríssimas exceções, não podem nunca serem levadas a sério - isso vale para cronistas de todo o Brasil - sendo pessoas que, acomodados em confortáveis assentos em um estúdio com ar acondicionado ou numa cabine de rádio ou TV, nas mesas redondas ou resenhas vivem se colocando na posição de verdadeiros PHDs em Ciência Futebolística Superior e Supremos Analistas dos Mais intrincados Esquemas Táticos. Com indisfarçável e gigantesca presunção, do seu refúgio seguro sugerem que entendem de futebol mais do que qualquer técnico em atividade, dando a si próprios uma importância que não possuem. E não vamos nem falar dos constantes e lamentáveis atentados que, mesmo os que dizem ter curso superior, cometem contra o vernáculo pátrio, nem - ainda pior - as ligações espúrias, nunca assumidas, que muitos mantém com cartolas suspeitíssimos. Cronistas que tais não gostam nem um pouqinho de serem contestados, fazem do microfone uma metralhadora inclemente contra quem os conteste. Mas, com o devido respeito aos bons profissionais - sou amigo pessoal de alguns - a lógica diz que se este fantástico conhecimento do futebol que arrotam fosse mesmo verdadeiro, procedente, qualquer um desses comentaristas mandaria as críticas injustificadas e os insultos que haveria de receber às favas e não hesitaria em assumir sem medo o cargo de professor em um clube de porte do nosso futebol ou mesmo dos States, da China, do Japão, onde iria ganhar em um único mês o que ele, como cronista esportivo, levaria dez anos para ganhar, numa área onde há enorme concorrência, podendo sempre aparecer um outro grande e incontestável gênio dos comentários oferecendo-se para ocupar seu lugar na equipe esportiva em troca de uma merreca. Como este conhecimento que pensam que possuem é coisa só da boca para fora, é só teórico e sem maiores fundamentos, estes pavões dos microfones, aboletados em suas cabines ou estúdios de TV cheios de empáfia vivem emitindo críticas sobre os que de fato são verdadeiramente talhados para o ofício, como Papai Joel, um mais que notável colecionador de títulos por diversos dos maiores clubes do Brasil, um vencedor incontestável com seu invejável histórico de conquistas. E - para aumentar ainda mais as já grandes dores de cotovelos - um garoto-propaganda de renomadas marcas, muitíssimo bem remunerado que, com enorme simpatia, faz até mesmo de seu Inglês-algaravia uma esplendorosa fonte extra de renda que brota de todos os lados, frondzé midôu, frondzé léfite, frondzé ráite. O resto é mesmo um grande e indisfarçável recalque geral, pura inveja, o que para mim explica a bronca que essa turma tem de Papai Joel e de qualquer outro consagrado técnico que alcance o sucesso em sua atividade. (08/05/13)
Quando comecei a pintar, usava sempre a tinta a óleo. Ao longo dos séculos artistas de todo este orbe usaram toneladas desta tinta para pintar seus quadros, expressar o que traziam dentro de suas artísticas almas e, se Minerva lhes sorrisse, alcançar fama, reconhecimento, admiração e respeito do mundo, como sucedeu com caras feito Da Vinci e Picasso.. E, quem sabe ainda, amealhar uma considerável quantidade do dito vil metal. Por isso ou por aquilo, quase todos os artistas plásticos que eu conhecia utilizavam este tipo de material e eu acabei por também adotá-lo. Gostava de pintar com óleo, sim, gostava do prazer táctil contido no pincel deslizando pela tela com suas cerdas carregadas da oleosa tinta. Sentir em minhas narinas o cheiro do óleo me era prazeiroso, mesmo sabendo da toxidade contida neste material que, segundo livros diversos, teria ocasionado grande mal à saúde - e depois a morte - do mais famoso e admirado pintor brasileiro de todos os tempos, Cândido Portinari. Não foi isso que me fez mudar, foi só o fato de eu haver um dia experimentado pintar com a tinta acrílica, uma tinta que se dilui com água, a boa e velha água, dispensando-se o uso de diluentes como terebentina, óleo de linhaça, aguarrás ou até querosene, alternativas utilizadas por diversos colegas pintores. Só este detalhe já me livrava da grande lambança que fazia ao utilizar a tinta a óleo. Depois que experimentei pintar com a tinta acrílica optei por trabalhar sempre com ela. Gosto das tonalidades e do resultado final e uso para pintar quadros que vendo aos que gostam do meu estilo e a colecionadores. Também uso para fazer algumas ilustrações para revistas, livros, jornais. O resultado me traz enorme satisfação.Gosto de variar minha temática e sinto prazer em pintar temas ligados à Bahia, esta terra tão linda, terra onde nasci. Abaixo, dois trabalhos que pintei sobre tela, utilizando a formidável tinta acrílica para mostrar minha paixão por esta afro-city chamada Soterópolis ou Roma Negra ou simplesmente Salvador, capital da Bahia.
MÚSICOS DO OLODUM, esboço com lápis B, pintura com tinta acrílica sobre tela, tamanho 22 x 20 cm.
JOGADOR, esboço com lápis B, pintura com tinta acrílica sobre tela tamanho 22 x 20 cm. (271118)
Quem é do sul, sudeste e centro-oeste, enfim, quem não é do nordeste, talvez desconheça, mas estes aí acima são músicos que compõem bandas do interior baiano e de várias regiões do nordeste brasileiro, sempre cheio de apaixonantes alternativas culturais. São as bandas de pífanos. Ou pífaros como chamam outros. Há tempos, Caetano Veloso os descobriu e fez com que este Brasil que não conhece o Brasil, passasse a identificar e admirar tais grupos. Com seu talento, o mano Caetano colocou letra em uma melodia de uma deles, a Banda de Pífanos de Caruaru, em uma canção batizada de "Pipoca moderna". Aí desanoiteceu a manhã e tudo mudou. Em homenagem a algo tão vivo e forte em nossa cultura popular, esbocei nesta tela com lápis 2B, cobri com massa acrílica e depois sapequei a velha e boa tinta acrílica. Pintura pronta, fotografei e usei uma lasquinha de Photoshop para postar aqui. Viva o sempre inspirado e atento e criativo Caê. E vivam as maravilhosas bandas de pífanos que nos brindam com seu som tão limpo, tão puro, tão genuinamente brasileiro. (130410)
Todos sabemos que hoje em dia Sérgio Rês é um consagrado cantor mas que é também um criador de gado e um dos mais abastados fazendeiros deste país. No entanto, no começo de sua carreira bovino-musical teve que comer o pastel que o diabo amassou. Ou melhor, teve que se virar vendendo pastel nas feiras livres para ganhar algum tutu. Até que Rês levava uma certa vantagem pois sendo muito alto sobressaía-se na multidão com seu tabuleiro na cabeça e isto auxiliava no sucesso da vendagem. O imaginativo cantante ainda por cima criou um jingle para seu produto que dizia "Se você pensa que meu coração é um pastel, não vá mordendo, pois não é!" Um cliente seu, que era dono de uma gravadora, gostou do que ouviu e contratou Sérgio Reis para seu cast. O resultado foi o que todos já sabemos: o sucesso chegou trazendo muito dinheiro, o cara virou dono de muito gado e político cheio da grana. Gosta muitíssimo da política e de seus rebanhos e tanto gosta que, como político, parece não enxergar muita diferença entre gado e gente. Atualmente Sérgio Reis ainda gosta de saborear um bom pastel. Desde, que fique bem claro, que o recheio esteja à altura de seu atual status, o que significa que o dito recheio tem que ser de lagosta, faisão ou caviar Beluga de ovas advindas das gélidas águas do Volga ou mesmo as do Esturjão Siberiano do Lago Baukar, trazidas do distante Tutuquistão do Norte.
Oriunda da terra do heróico Tiradentes, a
cantante Mortinha era carinhosamente epitetada de O queijinho de Minas.
Este cognome, a um só tempo singelo e carinhoso, fazia menção às origens
mineiras da guapa moçoila e rendeu uma enorme polêmica, tudo porque sabido era
que Mortinha, Oqueijinhode Minas, costumava pisar nos
palcos para cantar vestindo generosas minissaias que, se não chegavam a deixar à mostra o
triângulo mineiro da moçoila, ao menos revelavam um mui bem torneado, invejável e cobiçável par
de coxas, sendo que era trajada dessa capitosa forma que a mocetona se apresentava no programa
"É uma brasa, mora!", do qual o Rei da Jovem Guarda, Roberto Calos,
era o apresentador nas jovens tarde de domingo. E a alardeada polêmica teria
surgido do fato de que RC nunca escondeu de ninguém - e até propagava aos
quatro ventos - que adorava degustar com avidez todos os tipos de laticínios e gostosuras imagináveis oriundos de Minas Gerais, regalando-se com tais delícias e ainda
lambendo os seus reais beiços cantantes.
Desde que era ainda um bebê, Wanderley Caridoso já demonstrava toda sua formidável bondade, e sempre dividia sua mamadeira com outros pequerruchos, entre um gugu-dadá e outro. Ele era mesmo uma boa alma, um sujeito generoso para com todos, jamais desmerecendo o sobrenome que tinha. Tão bom ele sempre foi que acabou por isso ganhando o apelido de O Bom rapaz. Vai daí, todos os anjinhos do céu se uniram e fizeram com que ele se tornasse um cantor famoso, bem sucedido e cheio de dindim em sua conta bancária. Quando o sucesso na carreira e a grana chegaram ao fim, WC tinha que fazer alguma coisa. E fez, e fez: colocou à venda o único bem material que lhe sobrara, uma pilha daqueles velhos e enormes discos de vinil chamados longplays ou LPs, todos eles com seus antigos hits que ficaram encalhados. Ninguém desconfiava, mas o desespero do Bom rapaz era tanto que ele tinha o abominável propósito de comprar uma pistola automática e com ela dar cabo da sua própria vida. Para dar um toque melodramático de filme de Almodóvar, o infausto gesto se daria sob o som de um dos seus encalhados e empoeirados discos tocando na velha vitrola: "Parece que eu sabia que hoje era o dia de tudo terminar...". Felizmente para o bom WC, ninguém aguentava mais ouvir aquelas suas cantilenas e ele não conseguiu a notável façanha de vender sequer um único dos seus encalhados e bem empoeirados discos, deixando de amealhar algum tutu com o qual pretendia consumar seu nefasto propósito de comprar a arma fatal, o que o forçou a desistir do seu lamentável intento macabro. Foi então que a sorte voltou a sorrir para Wanderley, que acabou fazendo um enorme sucesso com Doce de Coco. Não, não se trata da açucarada canção, mas sim da açucarada, famosa e sempre apreciada cocadinha da Bahia, uma iguaria da melhor qualidade que Caridoso, valendo-se de uma receita que uma sua namorada baiana lhe passara, começou a produzir e a comercializar, logrando dar a volta por cima, voltando ao topo das paradas de sucesso, já não mais como cantante,mas como um mui bem sucedido empresário do ramo alimentício. (100512)
Apesar do nome assaz pomposo desta dupla musical, Os Vips não tiveram vida farta nem conheceram mordomia no início de suas carreiras artísticas e tinham - qual Sua Majestade RC - de trabalhar em longa e exaustiva jornada dupla. Depois de passarem as noites nos bailes da vida cantando em troca de pão, os dois brothers enchiam um cesto enorme com os pábulos que recebiam como parte do cachê e levavam tudo para uma pequena lanchonete que abriram a duras penas no bairro de Santana, em Sampa. Sempre ralando muito, mal acabavam de fazer um show corriam à lanchonete e, enfrentando o cansaço da pós-apresentação, recheavam no maior capricho os tais pães e vendiam seus deliciosos sanduíches a uma fiel clientela que foi aumentando mais e mais a cada dia. A dupla, harmoniosamente afinada tanto nos palcos quanto na economia, não gostava de esbanjar e eles não abriam as mãos nem para acenar para as fãs durante suas apresentações preferindo, os notáveis irmãos lanchonéticos-musicais, guardarem o lucro auferido em uma poupança comum que ia ficando mais e mais polpuda a cada dia enquanto, felizes com a musicalidade do tilintar das moedas, os manos cantantes entoavam "Estou guardando o que há de bom em mim..." (19/09/13)
Índios são sempre uma temática muito legal para se
ilustrar. Pela beleza plástica que suas figuras encerram, por tudo de genuíno, de autêntico e de benéfica integração com a natureza que representam os povos indígenas desta descomunal Pindorama, os autóctones merecem todo nosso respeito e carinho. Eles se fazem merecedores de nossa estima e constante atenção, principalmente neste momento tão grave que nosso Brasil vem atravessando, dias absolutamente preocupantes em que o governo do país se encontra nas mãos de homens que conduzem de forma desastrosa as questões nacionais. Em tais questões estão incluídas nossas nações indígenas, tratadas de forma assumidamente destruidora. Usei lápis, nanquim e tinta ecoline para retratar esta mãe índia a
partir de uma bela foto que vi em uma revista onde, infelizmente, não consta o devido crédito ao fotógrafo.
Em tempos mais recentes não há como falar da cultura índígena sem falar no célebre astro Sting que sempre demonstrou ter forte ligação com os autóctones
brasileiros, em especial o cacique Raoni, a quem o roqueiro já afirmou considerar um pai. E como felizmente este patropi não é feito só de arbitrariedades e tragedias ambientais, uma velha piadinha foi adaptada para falar sobre
o dia em que Sting visitou a tribo de Raoni pela primeira vez no anos oitentas. Mal
chegara, o popstar retirou de uma canastra alguns colares e os ofertou ao
cacique como prova de consideração e respeito. Ao ex-The Police, o chefe
nativo agradeceu respeitosamente, mas lhe disse: "Índio não quer colar. Índio quer que
você crie entidade para auxiliar tribos do Xingu na luta por nossa preservaçào e para nos ajudar contra a especulação imobiliária e a voracidade dos homens brancos que invadem nossas terras, derrubam e queimam florestas e
exterminam os povos silvícolas". Sting, consciente que só ele, guardou seus balangandãs de volta na
canastra, foi para Nova York e lá criou a Rainforest Foundation, mostrando ser um filho do qual Raoni pode se orgulhar eternamente.
Graças a um golpe ignominioso
contra uma mandatária eleita legitimamente pelo povo brasileiro através das
urnas, adonou-se do poder em nosso país um magote de seres caquéticos,
desalmados, retrógrados, sem escrúpulos, um intragável bando de escrotos que portam,
assumidamente ou não, os mais abjetos preconceitos raciais, étnicos, sociais e
sexuais, valha-nos Deus, acuda-nos Jeová, socorra-nos Buda, Maomé, Tupã e São Longuinho, com seus três pulinhos. Triste, tudo isso é triste. Mas a maior tristeza está no fato de
constatarmos que essa malta maligna só conseguiu concretizar suas abomináveis
pretensões antidemocráticas, graças à apatia e - muito pior ainda - até mesmo ao impensável apoio de uma grande parte do povo
brasileiro. E que povinho é esse que, em grande parte, se posta explicitamente
ao lado de tais algozes e avaliza toda sorte de desmandos, truculências contra a população de baixo poder aquisitivo, projetos de lei que conspurcam a Constituição, caçambas de atitudes indignas, incluindo-se nisso bisonhas farsas jurídicas que livram a cara de bandidos contumazes e enviam para as galés pessoas inocentes? Lembremos
que essa maneira de ser não começou com esse golpe. Vem de longe. E de longe
vem o questionamento, a vontade de encontrar uma resposta racional a tais
irracionalidades. Reproduzo aqui trechos de um texto do final dos anos
oitentas, de autoria do grande Furio Lonza, em que o escritor ítalo-brasileiro tece considerações sobre essa parcela do vulgo. Com a palavra, ilsignore Furio Lonza:
"Falta povo neste país. Até um tempo atrás, a opinião
corrente era de que "todo povo tem o governo que merece". Mentira!
Qualquer governo, por mais safado que seja, ainda é muito para esse povo sem
brios, sem vergonha na cara, esse povo burro e ridiculamente humilde, vaquinha
de presépio que engole tudo até o talo, até a última gota, todos os sapos,
todos os calangos, esse povo cativo, covarde, sempre com o rabo entre as
pernas, esse povo que marchou com Deus, pela família, esse povo que deu seu
ouro para o bem do Brasil, esse povo que vive coçando a virilha, que bebe
cerveja sem colarinho, lê horóscopo e coluna social, esse povo que encoxa
mulher no ônibus, que cheira cola, que puxa o saco do gerente, alcaguete de
polícia, esse povo que, em dia de greve de ônibus, pega táxi para ir para o
escritório, que pega avião para assistir Chitãozinho e Xororó em Las Vegas,
esse povo besta que deixa a Xuxa fazer a cabeça de seus filhos, esse povo cujo
ancestral índio acolheu o português de braços abertos em 1500, que rezou a
primeira missa bem comportado junto aos jesuítas, esse povo que recebeu a
Independência do Imperador da colônia, esse povo que proclamou a República e
botou um militar no lugar do rei, esse povo que paga uma fortuna por uma TV a
cabo e só assiste bosta, esse povo que come merda, respira merda, só pensa
merda, esse povo que faz na entrada, na saída, no meio e ainda deixa um pouco atrás da porta pra ser encontrado no dia seguinte, um povinho que acredita no Jornal Nacional."
Mais atual, impossível. Mas se o grande Furio Lonza tivesse escrito em recentes dias este seu texto, sabemos bem que teria um material ainda mais farto que haveria de incluir aqueles grupos de seres sem-noção fazendo ridículas coreografias pró-golpe, com direito a uma estarrecedora ala geriátrica com seus matusaléns fascistas e todos os parvos teleguiados pela Rede Globo e por toda a grande mídia, vestidos com camisas da CBF, marchando nas ruas ao lado dos mais asquerosos corruptos, repetindo seus mais demagógicos bordões, clamando pelo fim de um governo de cunho popular eleito legitimamente, reivindicando a
volta dos militares ao poder, a tortura, a repressão e toda sorte de suplícios e malefícios que causariam inveja aos mais fustigados masoquistas da História. Figuraria, enfim, toda a inconcebível participação desse
povinho parvo em apoio a um golpe que extermina direitos populares tão arduamente conquistados, que entrega as riquezas naturais da nação à sanha dos mais gananciosos capitalistas apátridas, que aniquila sonhos e esperanças, que destrói o país em que ele próprio nasceu e onde vive,
inviabilizando o presente e o futuro para si mesmo, seu filhos, famílias e
netos. Ai do Brasil. Ai de seu povo. Ai de nós, São Longuinho! (020718)
Além de ser renomada cantora, Wanderléya é irmã de Wanderley, o Luxemburgo, famoso técnico de futebol do Brasil que foi deportado da Espanha por insistir em massacrar impiedosamente a Língua Espanhola durante suas entrevistas. Quando o time do seu amado mano está perdendo, Wandeca costuma invadir os gramados gritando a plenos pulmões para o árbitro: "Por favor, pare agora! Senhor Juiz, pare agora! Senhor Juiz este impedimento será pra mim todo meu tormento!" Precursora do uso de indumentária masculina por belas mulheres, a moça tanto usou vistosos ternos que acabou ganhando o apelido de Ternorinha. Seu irmão, o dono dos referidos ternos, é que nunca gostou muito da elegância arrojada da mana e vai daí que, mesmo sendo muito unidos, a fraternal dupla mantém um acordo: ela não desfila mais pelas ruas, ágoras, veredas, boulevards, alamedas e avenidas com os ternos do seu irmão. Em contrapartida, Wanderley Luxemburgo não pode sair por aí vestindo as microssaias da irmã das coxas grossas, mesmo que morra de vontade de fazer isso. (10/10/13)
Boa parte do tempo sou um agnóstico convicto ou um inveterado livre-pensador. Em outras sou um católico apostólico baiano, o que significa ter um pé em Roma - com sua infindável galeria de santos - e outro na África, com seus prestimosos orixás. Aqui nessa afroterra que habito, múltipla em todos os sentidos, o ecumenismo é um caminho natural que os que se pretendem justos devem civilizadamente trilhar em nome da paz e da mais fraternal das convivências. Há que se respeitar as escolhas pessoais no tocante à fé e tratar todas elas com igual carinho e humano respeito, e não seguir a senda maldita e o horror dos ortodoxos e fundamentalistas de todos os matizes que tentam se assenhorar do poder governista através da religião, visando estabelecer nefasta e sufocante teocracia. Preces fervorosas para o Homem de Nazaré, para Nossas Senhoras, para Siddartha Gautama, Allah, Jeovah,Tupã, orações para Allan Kardec e oferendas cheias de fé para Oxuns, Yansãs e Yemanjás. Fiz essa caricatura do maior ícone do catolicismo soteropolitano, Irmã Dulce, que tratava com desmesurada bondade pessoas pobres, doentes, desamparadas, sem ter mais a quem recorrer, seres humanos já desesperançados que a procuravam em busca de ajuda e a quem ela acolhia sem se importar se eram católicos, evangélicos, de religião afro, judeus, agnósticos, ateus, se eram héteros ou homossexuais, negros ou brancos, nordestinos ou não. Eram seres humanos carentes de amparo e isto era o que mais importava para que ela os acolhesse com suas próprias mãos, praticando o verdadeiro amor que Cristo sempre pregou e que muitos arrogantes que se dizem líderes religiosos jamais aprenderam e praticaram, utilizando o cristianismo e o nome divino para espalhar dominar multidões de carentes ou incautos, manipulando mentes com o grande poder de oratória que têm,
enganando os crédulos, deles tirando dinheiros, acumulando fortunas pessoais e levando despudoradamente uma vida de luxo e ostentação, morando em suntuosas mansões, aqui ou no exterior, com direito a anéis e banheiras de ouro, jatinhos particulares, automóveis dignos de xeiques, roupas dignas de reis, incontáveis latifúndios, lucrativas empresas pessoais e tudo que o dinheiro pode comprar. Diferentes, bem diferentes de Jesus Cristo que nada tinha de fausto e de pompa. Jesus, em sua simplicidade, trajava apenas uma túnica inconsútil para levar o que realmente importava: o amor, o respeito ao próximo e a palavra de Deus. Assim como Irmã Dulce, que usava tão somente um hábito surrado para amparar os desvalidos. Dulce, dulcíssima. Em sua forma física Irmã Dulce se foi, mas seu exemplo de verdadeiro amor ao próximo ficou, segue entre nós. E hoje certamente ela está lá no céu ajudando muitíssimo seu chefe, que ela não é mulher de ficar acomodada num canto. Odô yá, Irmã!
Exibicionismos de erudição, sempre gratuitos e
desnecessários, não são encontradiços nos textos do cronista Biratan Porto.
Suas crônicas no livro Ora, mas tá!
chegam aos leitores trilhando o caminho da simplicidade, despojadas de
ludibriantes recursos linguísticos em que o supérfluo, desfavoravelmente,
pudesse vir a prevalecer. Por aí começam as muitas riquezas contidas em suas
crônicas exibidas nesse livro, frisando que essa dita simplicidade não é,
digamos, simplesmente tão simples. Coisas aparentemente triviais para os mais
desatentos transformam-se em um rico mote para as crônicas de Biratan. Quem
haveria de adivinhar as reminiscências que podem se encerrar em uma prosaica
folha de imbaubeira caída em uma calçada? As pessoas comuns, certamente, não.
Passariam mil vezes por ela sem dela se darem conta. Até poderiam pisá-la, em
seu desatento caminhar. Da via pública o cronista recolhe a folha e, extasiado,
observa-a com atenção. Embevecido, termina por viajar por suas fibras e
nervuras, transportando-se no tempo até sua infância em Castanhal, em uma
jornada sentimental que também arrebata a nós, seus leitores, e lá vamos nós
com ele. Cada crônica de Biratan nesse seu livro é um périplo a nos conduzir
por emoções de todas as grandezas, por reflexões existenciais oriundas dos mais
improváveis recantos, por grandiosidades narradas com rara sutileza. Seus
textos, em alguns momentos, por vezes se fazem acompanhar de uma leve ironia ao
abordar instantes da vida em que vigora o inesperado, as reviravoltas da
existência, o errado sobrepondo-se ao correto. A criatividade do cronista se
faz onipresente, o seu olhar prima pela busca do insólito, do pitoresco, do
inédito, do risível, seja relatando a vida de um incorrigível conquistador e
suas pretendentes, seja mostrando um delegado chegado a excessos arbitrários, mas
chegado muito mais ao sambista Geraldo Pereira. Seja, ainda, narrando os
detalhes de uma imponderável corrida de galinhas ou mesmo expondo as angústias
de uma kafkabirataniana barata e sua luta para salvar de trágico holocausto suas irmãs e todo seu povo. As crônicas de Biratan não deixam espaço para a
dor, melancolia ou tristeza. Nelas sempre se faz visível o tom positivo, para
cima, comprovando que o autor acredita que o ser humano, malgrado seus
equívocos, pode se fazer viável e experimentar a felicidade no planeta que
habita e viver em harmonia com os seus semelhantes. Tudo isso se nos apresenta
alinhavado pelo refinado humor desse inspirado cronista, Biratan Porto, um
humor que ora nos chega de forma sutil, contida - e aí há que se ficar atento
para não perder o riquíssimo sabor dessas passagens – e por vezes, esse humor
se nos invade de forma histriônica e não há como conter uma gostosa e
revigorante gargalhada. *****Para
os que querem experimentar o prazer de ler as crônicas de Biratan e as de seu partner, o também cronista Max Reis, que
com ele divide as páginas desse Ora, masta!, devo dizer que esta edição está esgotada. Resta o consolo de saber que Biratan esta em vias de lançar um livro inedito de crônicas. Aguardemos.
Quando perdemos Lage este país perdeu um dos seus mais brilhantes cartunistas. Hélio Lage era um profissional do Humor que tinha a capacidade rara de fazer um trabalho social e politicamente engajado, transparente, preciso, que atingia infalivelmente os alvos visados. Isto tudo sem perder a sua excepcional veia humorística, que Humor era com ele mesmo. Os amigos e os colegas das redações de jornais morriam de rir com suas frases espirituosas tiradas de improviso sobre qualquer situação e em qualquer local que ele se fizesse presente. Na charge, no cartum, nas HQs, nas suas tiras, Lage tinha a marca do ineditismo. Seu Humor era algo personalíssimo, original, com um timbre só dele, que eu nunca havia visto, que envolvia, apaixonava, encantava, capturava qualquer leitor inteligente, e tudo isso usando a mais risível, a mais autêntica, a mais louvável e deliciosa sacanagem baiana. Recordo-me claramente de cartuns e tiras feitos por ele há já vários lustros. E ainda rio muito com todos, sou capaz de citar de cor textos dos balões com as falas de seus personagens, da mesma forma que, em filmes norte-americanos, cinéfilos adolescentes citam longos diálogos entre protagonistas de seus filmes preferidos. Lage era universal e ao mesmo tempo, profundamente baiano, seu Humor escreve-se assim, com H maiúsculo. Ele fazia um Humor popular, Humor moleque, Humor intimorato que arrostava os poderosos de plantão. Neste presente tempo em que o Brasil vive dias sombrios, frutos de governantes ilegítimos teleguiados por forças do mal, guindados ao poder por vias de um golpe abjeto e fraudes nefárias, Lage faz falta, muita falta, com sua lucidez, sua coragem, sua sagacidade, seus cartuns reveladores, capazes de traduzir toda a canalhice contida nos atos dos que estão destruindo sonhos, esperanças, vida cotidiana, espalhando o medo, a alienação, a submissão, tornando pó todos os direitos trabalhistas, dando privilégios aos já muito privilegiados, e entregando de bandeja aos gringos nossas riquezas pátrias, relegando o Brasil ao humilhante papel de mera colônia, em um inconcebível e inaceitável retrocesso. Dona Benedita, mãe de Lage, Seu Anísio, seu pai, acertaram em cheio na escolha de seu prenome, Hélio. Como Hélio, o Sol, Lage brilhou intensamente nesta terra, nesta vida e nos iluminou a todos. **********Pesa-me dizer que não existe um site unicamente dedicado a Lage, seus cartuns, caricaturas, tiras, quadrinhos e pinturas, e mesmo uma biografia com os detalhes de sua brilhante carreira. Para ver trabalhos do cartunista Lage, há que se procurar no Google ou outro buscador. Também é possível ver uma bela mostra de seu trabalho clicando neste link: http://www.bvconsueloponde.ba.gov.br/arquivos/File/lage/biografia.html
Nos quadrinhos, na telona do cinema, na telinha da TV, Batman sempre agradou. Muitos são os fãs que preferem a versão que mostra o cara como um herói soturno, sombrio, misterioso e implacável, que sói vociferar com voz gutural terríveis ameaças aos vilões, em filmes e HQs. Já eu, geminiano da gema, sempre curti de montão aquele Batman dos seriados plenos de humor feito de sutilezas e fartas onomatopeias com Adam West e Burt Ward, que deixam de cabelos em pé tais fãs mais ortodoxos e, de quebra ainda, magotes de fundamentalistas que se assumiam como inimigos de qualquer herói de HQs, além das próprias HQs, claro é. Sim, eles já existiram de forma escancarada, fantasiados de guardiães da moralidade. Quem os consideravam extintos estão vendo que eles apenas se embuçavam nas sombras, silentes, esperando o momento de deixarem os fétidos esgotos em que se ocultavam. Depois da era macartista, a histeria generalizada deu um tempo e dizer que os quadrinhos, que são arte do diabo, que desencaminham criancinhas desavisadas e podem conduzir ao crime passou a pegar muito mal e ninguém faria sucesso com um discurso arcaico e equivocado desses que funcionava de com força nos anos cinquentas. Os tais fundamentalistas nesse passado não muito distante exibiam orgulhosamente suas caras assustadores e eram tão malucos quanto qualquer fundamentalista. Muito devido a estes caras e a maneira como viam o Bat-seriado e muitas HQs, foi que surgiu a tal teoria contida no livro "Seduction of the innocent", de Frederic Wertham - o Diabo o conserve - que redundariam no Comics Code Authorithy, de triste memória, e no Código de Ética, versão brasileira desta insanidade criada para salvar nossas almas do inferno e que só fez foi dar mais um golpe no movimento pela nacionalização dos quadrinhos neste patropi abençoá por Dê, prejudicando em muito os desenhistas dessas plagas tupinanquins, digo, tupiniquins. Nos dias atuais é fácil constatar que perigos assim voltaram a rondar nossas existèncias. O extremismo religioso vem se alastrando com toda sua estupidez e toneladas de preconceitos e moralismos os mais esdrúxulos que retornaram para nos assombrar. O obscurantismo político e social retornou com mais ousadia. Pesa-me dizer que muitos bons profissionais das histórias em quadrinhos mostraram e mostram ser tremendamente alienados ou, pior, que são política e socialmente retrógrados. Triste ver que uns caras que admiramos pelo seus belos trabalhos participaram ajudaram de alguma forma a trazer de volta o que há de pior para a nosso país e, tolinhos, para eles próprios, como o atual momento político com suas leis e decisões que estão afetando de forma profundamente nefasta nossa economia gerando grandes perdas para a população brasileira. Quanto mais a economia for danificada menor será o campo de trabalho dos desenhistas e argumentistas e coloristas e redatores e editores. Incluindo os que apoiaram a volta das trevas. Por serem de curto alcance mental, tais desavisados demorarão a cair em si, caso caiam. E nào adianta iluminar os céus com o bat-sinal, pois Batman também corre grandes perigos contra sua longa existência agaquesística. Neste desenho acima usei um bat-lápis 2B, uma bat-caneta nanquim 0.5, um bat-pincel seco, um belo bat-reticulado e um precioso bat-graminha de Photoshop. Santa informática, Batman! (290314)
Horiosvaldo. Este é o nome que ele recebera em pia batismal. Horiosvaldo, sim senhor. Assim, com H e tudo. Horiosvaldo Moura Lima, a quem todos chamavam apenas de Lima. Às vezes, jocosamente, de Lima Limão. Artista plástico, gravador de rara habilidade no manejo da goiva que em sua mão penetrava a madeira sem a ela causar dores. Dali iam surgindo casarios com amplas janelas, céus, mares que ele ao final pintava com sua sensibilidade de artista raro. Cursara a Faculdade de Belas Artes sem no entanto concluir o curso, seja por dificuldades econômicas ou por entender que o chamado ensino superior não lhe traria o que a prática generosamente lhe dava. Mal eu chegara de Sampa para morar na Bahia, conheci Lima e ele de pronto me adotou como irmão mais novo. Me acolheu em sua casa, integrou-me em sua família como se um irmão de fato eu fosse. Sua estratégia de vida consistia em pegar os poucos caraminguás que tinha no bolso, conseguir uns dois compensados pequenos, umas poucas bisnagas de tinta acrílica. Assim munido, criava duas belas obras de arte e com elas sob os braços lá ia ele - e eu, fazendo as vezes de fiel escudeiro - pelos edifícios do Comércio visitando profissionais liberais e pequenos empresários aos quais ele mostrava suas criações até que alguém as adquirisse. Então, cheque no bolso, deixávamos a Cidade Baixa pelo Plano Inclinado, atravessávamos o Terreiro de Jesus e íamos direto ao brega, no Pelô. Com as melhores e as mais puras intenções, frise-se. Enquanto descíamos as ladeiras do meretrício, onde a vida imitava os livros de Jorge Amado, das janelas vinham motejos de femininas vozes dirigidos ao meu amigo de corpo franzino: "Macarrão 38!", "Lima Limão!". A elas ele devolvia, sorrindo: "Lindinalva, magrela!", "Marizete, roçona!". E seguíamos sem nos deter, pois no brega não estávamos para desfrutar das gentis senhoritas que ali viviam de mercar seus corpos, mas para trocar o tal cheque recebido com algum coligado, dono de bar, que mediante um ágio, colocava dinheiro vivo na mão de Lima que já sabia o que fazer com ele. Parte seria destinada à manutenção do lar, entregue à Maria, sua fiel companheira de todas as horas, mãe de seus três rebentos, que assim compraria munição de boca para os próximos dias. Esta era a preocupação mor de meu amigo que, enquanto vivo foi, portou-se como um pai exemplarmente zeloso que amava com extremado carinho sua prole e dela cuidava sem incúrias. Uma segunda parte da verba auferida seria para compra de novo lote de material - madeira e tinta - para fazer os próximos quadros, o que garantia este ciclo. E uma terceira parte era destinada a pagar uma série de velhas contas em pequenos botecos, visgueiras e cacetes-armados onde Lima costumava beber sua caninha Saborosa e pendurar as contas. Nem sempre era possível pagar a todos, era preciso fazer uma seleção criteriosa. E muitos ficavam de fora da partilha. Estes ele evitava mudando de calçada e de ruas. E me dizia, enquanto caminhávamos: "Seu Paulo, vamos desviar por aqui. Ali naquela rua tem um cara que está me devendo uma boa grana. E eu não quero receber de jeito nenhum!". Saudade. Muita saudade, Lima Limão. (05/11/14)
A música, ah, a música!, essa paixão que surge mui precocemente na vida de todo ser humano. Paixão que se apodera de nossa alma, vinda através dos pavilhões que temos assentados, um em cada lado de nossos crânios. Música, um tema pictórico dos melhores e, por isso mesmo, dele usam e abusam artistas plásticos de todo esse imenso orbe. Essa pintura aí em cima foi feita em tela de dimensões 1,50m x 1,00m. Na execução do esboço usei lápis 02, daqueles mesmos que desenhistas usam para desenhar em papel. Já para a pintura em si, usei, como sói acontecer, uma antiga companheira e cúmplice, a sempre eficaz tinta acrílica, de secagem muito mais rápida que a tinta a óleo, além de não ser tóxica como essa última. Para mostrar que sou um cara versátil, um artista eclético, de múltiplos talentos, nela empreguei um toque de humor de caricaturista na construção das figuras, uma cantora e seus músicos em plena faina musical. Te cuida, Pablito Picasso!
Robério Cordeiro é um cara que transita no desenho há décadas. Primeiro conheci seu trabalho de quadrinista e criador de personagens quando ele surgiu acompanhando Cedraz, este já um desenhista admirado, a quem Robério, jovem recém chegado lá das bandas de Jacobina, interior baiano, insistentemente chamava de senhor. Era um tal de "Seu Cedraz" prá lá e "Seu Cedraz" prá cá, coisa de se admirar, o respeitoso tratamento. O tempo passou, torcida brasileira, e como por aqui na Bahia não há muito espaço onde se publicar desenhos de quadrinhos, tiras e cartuns, Robério, ao invés de ficar chorando, sentado à beira do caminho, optou por colocar seu traço a serviço do IRDEB/BA, fazendo por lá toda sorte de trabalhos, desde ilustração para livros de teor didático, capas de CD, encartes e uma montanha de coisas onde cabe seu traço fino, sendo ele próprio um rapaz de finos traços. Qual um Wilson Gray, aquele ator brasileiro de ortodoxo visual, Robério Cordeiro atravessa a vida com a mesma cara de menino, o mesmo corpitio que tinha em adolescentes dias. Com o advento da informatização, Robério - hoje artisticamente maduro - ampliou seu universo, acrescentando ao seu cabedal o domínio do Photoshop e uma cacetada de programas outros que só fizeram aumentar a qualidade do trabalho desse artista gráfico baiano, que pode ser conferido nestes links aqui:http://www.roberiocordeiro.blogger.com.br http://www.flickr.com/photos/roberiocordeiro . Ah, sim, há também o link para o Portal do IRDEB/BA. Você clica aqui neste http://www.irdeb.ba.gov.br/ e lá acessa a Galeria de Imagens para ver algumas das mui belas criações do Robério Cordeiro.
"Ponciano de Azeredo Furtado, coronel de patente, de que tenho orgulho e faço alarde". Esta é a auto-apresentação de um dos mais apaixonantes personagens da literatura que tive o imenso prazer de conhecer. Saído da mente iluminada de José Cândido de Carvalho para as páginas de seu magistral romance "O coronel e o lobisomem", este maravilhoso Coronel Ponciano cativa, envolve, diverte, elucida, deslumbra e nunca mais se evade da memória de quem teve a ventura de ler o livro do brilhante escritor. Tão maravilhado sou pelo personagem que de quando em vez rabisco o papel tentando captar em um desenho - perdão, Poty, perdão! - o dito Ponciano na esperança, quem sabe, de que ele ganhe vida e que eu possa vê-lo inpersonaentrar em luta renhida contra onças gigantescas e vorazes, cobras de alta peçonha e de desmedida metragem, lobisomens sequiosos de carne humana e até contra o próprio diabo, o cão, o satanás, o coisa ruim. Sou mais o coronel!
Gordurinha,
cantor, compositor, humorista e radialista baiano, foi nome de sucesso em todo
o Brasil na chamada Época de Ouro do Rádio. Difícil, quase impossível, é alguém
da atual geração - tão bem servida de imagens oriundas de TVs, das câmeras
fotográficas digitais ou dos múltiplos artefatos eletrônicos que a qualquer
momento do dia filmam, gravam, registram imagens, divulgando-as, compartilhando-as
instantaneamente - acreditar que existiu um tempo em que eram os ouvidos, e não
os olhos, os condutores da arte e de toda e qualquer informação. Acontece, caros smartphonísticos mancebos e tabletísticas moçoilas, que as coisas já
foram assim em uma era que já era, a Era do Rádio. Nela brilharam artistas fantásticos,
entre eles o baiano Gordurinha, de tantos grandes hits populares, a exemplo de Baiano
burro nasce morto, composição solo sua, cantada em todo esse mulato
inzoneiro. Sua gravação de Mambo da
Cantareira, de Barbosa e Eloíde, fez enorme sucesso, sendo regravado em
tempos recentes pelo cantante Fagner. Uma composição sua, Oróra analfabeta, em parceria com Nascimento Gomes, é
sucesso até hoje, descrevendo encantos e desencantos de Oróra, uma dona boa lá de Cascadura que é uma boa criatura, mas que
escreve gato com J e escreve saudade com C e que, ainda por cima, afirma adorar uma feijoada compreta. De
Gordurinha é também a bela e tocante Súplica
cearense, feita em parceria com Nelinho, a divertida Caixa alta em Paris, a sensível Vendedor
de caranguejo. Mas o maior êxito popular de Gordurinha, certamente é sua
composição, Chiclete com banana. letra e música suas, ainda que oficialmente conste o nome de Almira Castilho, esposa e partner de Jackson do Pandeiro, como sua parceira na composição, o que - segundo consta - de fato não teria acontecido. O que sucedeu, de verdade, foi que a composição agradou em cheio, adentrando com estilo a História da MPB, eternizada que foi pela gravação dele, o venerado Jackson do Pandeiro, senhor do ritmo, mestre da
ginga e dono de uma maneira gostosa, única e inigualável de interpretar canções. Chicletecombanana é uma sacada perfeita de Gordurinha para definir o universo da nossa massificação cultural via United States, coisa que sempre nos assolou em diversas áreas de nossas artes. Se na época o sucesso da música foi enorme, o tempo que passou nos diz que ela segue sendo uma rica referência até os dias atuais, no que muito ajudou sua regravação por Gilberto Gil no disco Expresso 2222. O título da música foi usado para batizar a famosa banda de axé-music e a revista em quadrinhos do cartunista Angeli. Sua letra é uma declaração de amor à música do Brasil, uma
afirmação de carinho e apreço a tudo que temos de bom em nossa alma brasileira, um brado de resistência cultural diante da imposição das coisas made inUSA, notadamente o constante domínio exercido pelas gravadoras e ritmos norte-americanos sobre a nossa música, no caso, vinda de um ritmo chamado bebop. De forma clara e gostosamente bem-humorada, Gordurinha informa à industria musical ianque que antes, bem antes, de nos aculturarem, eles precisariam conhecer mais
profundamente, entender, respeitar e mesmo assimilar a música do Brasil, mandando-lhes um ritmado e irreverente recado: "Eu só boto bebop no meu samba,
quando o Tio Sam pegar no tamborim. Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba e entender que o samba não é rumba"... E, concluindo, desafiador: "Eu quero ver o Tio Sam de frigideira numa batucada brasileira."
"Posso resistir a tudo. Menos à uma tentação." "Nada é mais necessário do que o supérfluo." "Quando eu era jovem pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje eu tenho certeza!" Tais frases geniais recheadas de deliciosa ironia e um humor cortante mas refinadaço, saíram da cuca deste cara aí acima, o pensador, o escritor, o polêmico, o maldito, o maravilhosamente criativo Oscar Wilde, aqui mostrado nesta bela caricatura feita pelo caricaturista espanhol Pol Serra que ilustra maravilhas nas terras da Espanha. O link para o site dele é http://polserra.blogspot.com/ (280913)
Sem o habitual séquito de paparicadores e seguranças, Michael Jackson chega ao Céu, onde tem reserva garantida pois se o papa é pop, São Pedro é hiperpop. Um coral de anjinhos de olhos gázeos, fulvas e cacheadas melenas, todos desnudos como nas pinturas renascentistas vem receber com cânticos o novo habitante do sacrossanto empíreo. Ao vê-los, Michael não contém sua emoção: "Uau! Isto aqui é mesmo o Paraíso!!" São Pedro o recebe com igual entusiasmo mas não deixa barato a presença do popstar e encomenda logo de cara uma apresentação à altura do muso para louvar o Pai Celestial. Para tanto, convocam os percussionistas que já habitam por ali, na celeste morada. Ensaiam exaustivamente. Mas Michael sente que falta algo mais, um swing maior pra fazer o Paraíso vibrar com alegria no mais apoteótica dos shows. O criador do moonwalker procura São Pedro e diz que necessita de alguém para dar à grande festividade a aura perfulgente, a alma radiosa, a contagiante alegria rítmica que lhe falta. E segreda um nome ao ouvido do guardião dos Reinos do Céu. Inteirado do que Michael precisa, Pedrão cofia a barba hirsuta, medita e finalmente berra para um querubim que por ali vai passando: "Manakel, meu zifio... vai voando na Bahia, passa lá na sede do bloco Olodum e me traga urgente o Neguinho do Samba!" (10082013)
Numa de suas belas composições, Caetano Veloso – sempre um
sábio - asseverou que só se é possível filosofar em alemão. Para grande
parte dos brasileiros parece que só se é permitido cantar e gravar canções se elas
forem feitas em Inglês. Basta ver o repertório apresentado por calouros em
atuais programas das nossas TVs. E olha que isto já foi beeeeem pior, acreditem
vocês. Nos anos setentas, em quase toda sua totalidade, cantores brasileiros
foram sumariamente varridos das paradas de sucesso, programa de rádios, das TVs,
da mídia em geral deste patropi abençoá por Dê e boni por naturê, maquibelê! Só
se tocavam, só se escutavam, só eram divulgadas nas nossas mídias as músicas norte-americanas
e inglesas. E como o ditado versa que quando você não pode com um inimigo, deve
unir-se a ele, houve à época um acontecimento que vale a pena que nos
recordemos sempre, dado o inaudito e o irônico do fato. Um novo contingente de
gringos, nomes nunca dantes consagrados, sequer ouvidos até então, foi invadindo rádios e TVs tupiniquins,
sem esbarrar nas mesmas resistências às canções e aos cantantes brasileiros,
tocando, recebendo enorme consagração popular, integrando trilhas musicais de novelas,
vendendo toneladas de discos, ficando meses em paradas de sucesso. Estes
gringos, a bem da verdade eram "gringos", grafados assim, com aspas, por serem tão norte-americanos
e ingleses quanto você e eu. Em outras words, eram cantantesmade
in Brazil que acharam um jeitinho de fazer chegar a hora desta
gente bronzeada mostrar seu valor. Pois é, pois é, "norte-americanos" e
"ingleses" nascidos por aqui mesmo, já que eram cantores e
compositores brasileiros que, para burlar a aparentemente intransponível barreira erguida pelo
aculturamento, passaram a compor músicas no idioma de Bill Shakespeare e a adotar como pseudônimos uma lista de nomes de origem anglo-saxônica para dar
mais credibilidade, lembrando um recurso que cineastas e atores italianos
empregavam, à época, ao produzirem seus contestados spaghetti
westerns. Para completar, as capas de tais discos feitas de forma a parecer
que eram originalmente produzidos no exterior, e assim os nossos criativos “gringos”
iam conseguindo seu lugarunderthe sun. Ou seja, foi imprescindível essa bendita transgressão para que muitos
artistas brazucas conseguissem fazer sucesso. E que sucesso, que sucesso!
Nomes como Morris Albert, Terry Winter, Mark Davis, Tony Stevens, Steve Maclean
e Michael Sullivan, entre outros, que embalavam as festinhas adolescentes,
adentravam os lares, vendiam pilhas e pilhas de discos, ficavam meses nas
paradas de sucesso. E depois de conseguirem esta façanha, partiram para uma
maior, e começaram a figurar por largos tempos nas paradas de sucesso de
diversos países e a serem gravados e regravados por gringos, estes, sim,
autênticos. Morris Albert, por exemplo, teve sua composição
"Feelings" gravado por cantantes do mundo inteiro, incluindo os lendários Frank Sinatra e Elvis Presley, façanha que muitos grandes compositores ianques não lograram conseguir por mais que se empenhassem neste desiderato. Outros grandes astros e estrelas da
música norte-americana, como a grandiosa Nina Simone, também a gravaram. A lista de celebridades
a gravá-la é vastíssima, incluindo o supracitado Caetano Veloso, a diva Ella Fitzgerald e Barbra Streisand. No filme "Susie e os Baker Boys" a canção extrapola seu lugar na trilha sonora e invade o roteiro pois ela é o pomo da discórdia entre os
personagens da lindinha Michelle Pfeiffer e os brothers Jeff e Beau Bridges. Aliás a canção está em mais de uma centena de filmes, séries e novelas televisivas. Morris vendeu mais de 160 milhões de discos pelo planeta! Uau! Uau de novo! Ontem, ao rever "Entre Tenieblas", de Almodóvar,
percebi que uma das músicas utilizadas era "Dime", grande sucesso na Espanha. Nada mais que uma versão em
língua espanhola para "Feelings", de Morris Albert. Um dia, um juiz da
corte norte-americana afirmou em sentença que ao compor a música, Morris teria
plagiado uma antiga canção de nome "Pour toi", composta em
1956 pelo francês Loulou Gasté, canção essa gravada por Dario Moreno, que fazia
parte da trilha sonora do filmeLes
Feux aux podres.
Muita gente que opina concorda que há semelhanças,
notadamente nos acordes iniciais da canção, mas que elas não chegam a se
constituir em um plágio, discordando frontalmente do juiz, cuja sentença foi
amplamente favorável ao compositor francês já que, no entendimento do
maugistrado, Morris deve ser considerado apenas o autor da letra em Inglês, um
absurdo que configura um autêntico assalto jurídico adredemente consumado em um tribunal, e nós, brasileiros, sabemos
sobejamente o que é essa coisa de juízes tendenciosos, abjetamente parciais, que agem ao arrepio da lei atropelando a verdade, a decência, a honestidade e os pricípios mais basilares da Constituição e do Direito, em nada se importando com as consequências calamitosas que suas injustas decisões haverão de impor às vidas de terceiros.
Polêmicas jurídicas à parte, ''Feelings" tornou-se incontestavelmente um dos imortais clássicos mundiais da
canção graças ao talento de Maurício Alberto, nome verdadeiro de Morris, sendo
Maurício um cidadão brasileiro, um paulista que, nesse país tantas vezes tão surrealista, por força das circunstâncias, tornou-se certo dia um antológico e inolvidável cantor e compositor “gringo”.