27 outubro 2022

Ôniyllini e Adolf Udeu Obrazil


 

Eeíções 2022 em SP, milícias e o que está em jogo.


 

Eleições do dia 03/11: uma pesquisa fundamental para ajudar os ainda indecisos

Essa bem formulada pesquisa está circulando pelas redes sociais e ajuda em muito eleitores indecisos.  Não há como nos esquecermos que a Folha de SP, um ícone da grande imprensa, já postou que escolhas políticas entre esses lados extremamente diferençados, totalmente distintos, são "escolhas difíceis." É... são extremamente difíceis, e é preciso pensar muiiiiito, imprensa das Zelites e senhores jornalistas cooptados. Ora, por que vocês não vão pra pauta que os pariu, seus vermes?

"1 - Você concorda com o fim da correção dos salários?

( ) Sim 22

( ) Não 13

2 - Você concorda com a extinção do FGTS?

( ) Sim 22

( ) Não 13

3 - Você concorda a redução dos salários dos aposentados?

( ) Sim 22

( ) Não 13

4 - Você concorda com o fim do direito a férias para os trabalhadores?

( ) Sim 22

( ) Não 13

5 - Você aceita dar parte do seu salário para o Presidente comprar imóveis em dinheiro vivo (rachadinhas)?

( ) Sim 22

( ) Não 13

6- Você concorda com o sigilo de 100 anos para que ninguém tenha informações sobre a corrupção do governo?

( ) Sim 22

( ) Não 13

7- Você concorda com desvio de dinheiro da educação para comprar barras de ouro para pastores amigos?

( ) Sim 22

( ) Não 13

8- Você acha certo pagar 400 milhões de dólares para policiais amigos que intermedeiam a compra de vacinas?

( ) Sim 22

( ) Não 13

9- Você acha certo atrapalhar as investigações de crimes cometidos pelos filhos do presidente?

( ) Sim 22

( ) Não 13

10 Você acha certo promover o garimpo ilegal em terras indígenas e colocar fogo nas florestas destruindo a Amazônia?

( ) Sim 22

( ) Não 13

11 - Você acha normal ter 33 milhões de brasileiros passando fome todos os dias?

( ) Sim 22

( ) Não 13

12 - Você concorda com a prisão de pessoas que se manifestam com o presidente?

( ) Sim 22

( ) Não 13

14 - Você acha justo retirar dinheiro da merenda escolar para dar aos amigos do Centrão fazerem farra?

( ) Sim 22

( ) Não 13

15- Você aceita o fascismo e o fim da democracia?

( ) Sim 22

( ) Não 13

16- Você acha correto pintar um clima entre um homem de mais de 60 anos e uma adolescente de 13 ou 14 anos?

( ) Sim 22

( ) Não 13

17- Você acha correto ameaçar uma mulher de estupro e chamá-la de vagabunda?

( ) Sim 22

( ) Não 13

18- Você aceita participar de um ritual de canibalismo?

( ) Sim 22

( ) Não 13

Chegou a hora de decidir de que lado você está."

23 outubro 2022

FINITUDE/ Setubardo

Essa moça tece a teia
Que minh'alma inerme enleia.
Dela fugir procuro 
Qual o diabo da cruz
E quando me creio seguro...
Olha ela aí, meu Jesus!
C'est fini a calmaria.
Tornados, borrascas, procelas,
Tufões, ciclones, querelas,
Psique em desarmonia.
( 010810)

18 outubro 2022

O cantor Gerônimo, a escritora Aninha Franco, eu e um dos milhões de gaiatos da Bahia


A cada passo um gaiato nato que nos atormenta o dia-a-dia e eis aqui a cidade da Bahia. Meu caro Boca do Inferno, se nações outras deste vasto mundo necessitassem desesperadamente de gaiatos e a Bahia tivesse permissão para exportar tipos que tais, daqui eles sairiam às toneladas acondicionados em infindáveis contêineres, e teríamos um PIB tão elevado que ricos seríamos todos neste afrobaiano torrão. Ser gaiato é qualidade inerente à grande maioria dos baianos. E um sujeito sério como eu não tem vida fácil nesta terra. Por exemplo, quando vou ao Pelô, gosto de almoçar no Restaurante Axêgo. E o sacripanta que é dono do local - cujo nome aqui não declinarei para não dar ousadia - ao me ver chegar me recebe invariavelmente de duas formas. Se estou com meus longos cabelos presos em rabo-de-cavalo, com um largo sorriso grita para mim lá detrás do balcão: "Gerônimo! Seja bem-vindo!", fingindo se equivocar. Depois complementa, com aquele sorrisinho sacana, que eu e o cantante de "Agradecer e abraçar" somos um o focinho do outro, esculpidos e encarnados ou cuspidos e escarrados, como preferirem. Menas verdade, diria nosso amado Presidente Lula. Tenho em casa um espelho que está comigo há muitos lustros - lustros na idade, no espelho nem tanto assim. Esse espelho é de minha inteira confiança, nunca falta com a verdade, por isto mesmo sempre enche minha bola e me afirma que estou a cada dia mais parecido com o Brad Pitt, com o Alain Delon de 30 anos atrás. Já Jerônimo, muito me pesa dizer que seu único e indiscutível atributo de beleza está na pena que costuma usar no alto do cocoruto a título de adereço. Então, prefiro dar um voto de confiança na sinceridade do meu espelho que tem relevantes serviços prestados a este vivente que vos escreve estas mal digitadas linhas. Ah, a segunda forma: se chego ao Axêgo com meus cabelos soltos, as melenas levemente onduladas livres ao vento qual um indômito silvícola alencariano de olhos garços, o tal proprietário me saúda gritando: "Aninha Franco! Que bom lhe ver!" Aninha se alguém ainda não sabe, é dramaturga e escritora entre outros pendores que ostenta. Admiro seu intelecto, mas ser sósia dela não é exatamente o que almejei para mim na vida. Entretanto uma coisa já constatei: quando - segundo o gaiato em questão - "estou" Jerônimo não consigo a façanha de ter mulheres me olhando com os zoim compridos cheios de quebranto, promessas e desejos inconfessáveis. No entanto quando "estou" Aninha Franco, costumo abiscoitar para meu harém algumas núbias curvilíneas e gringas com sardas, queimadinhas de sol e cheias de love to give, sendo que já recebi inúmeros torpedos de morenas frajolas nativas, que mulher baiana quando está a fim de alguém não é de muitos pudores, formalidades e etiquetas. Por via das dúvidas, agora ando sempre de cabelos soltos Pelô afora. E mesmo quando o supracitado sacripanta ao me ver passar sob seu balcão grita para mim: "Aninha Fraaaanco!", respiro fundo, sigo em frente o meu caminho com a tranquilidade de quem está numa boa e nem tchum pra ele. Mais importante é meu harém.
(060414)

16 outubro 2022

Fernando Pessoa, Caetano Veloso, a poesia, a necessidade de navegar

"Navigare necesse est, vivere non necesse", disse-o, embarcando em sua galera, sem demonstrar um mínimo temor diante de assaz proceloso mar, o intimorato general romano Pompeu, segundo escritos de Plutarco, que não era homem de articular falácias biográficas. "Navegar é preciso, viver não é preciso". Grande Pompeu! 
Tempos depois ninguém menos que o bardo Fernando Pessoa usaria a frase de Plutarco como título de um poema seu e, com propriedade, a citaria em seus fernandopessoanianos versos dando-lhe um charmosíssimo acento português, que é como a conhecemos no Brasil, tendo sido até perpetuada por Caetano Veloso em um belíssimo fado de inebriante melodia, sendo a canção ricamente embalada por plangentes guitarras portuguesas, tendo o divino e maravilhoso compositor brasileiro escrito para seu fado uma letra belíssima, instigante, que muitas cantoras portuguesas bem sabem interpretar. Certamente por desta forma a conhecermos, pletoras de gentes acreditam ser a autoria da frase fruto da mente do genial poeta lusitano. Em verdade, Fernando Pessoa apenas usou o dito de Pompeu para criar uma feliz paráfrase: "viver não é necessário, o que é necessário é criar". Quanto à necessidade de navegar, sou - qual Pompeu - um destemido e arrojado e nauta mas, copiosamente precavido, me limito a singrar mares menos procelosos - os virtuais - como se os de Netuno fossem pois, como dizem, o seguro morreu decano. Ou para melhor dizer, “insurance mortuus est veteranus”, já que qualquer citação fica mais credível se pronunciada em latim. Mesmo que em um latim apócrifo, canhestramente redigido por um escriba estulto consultando um providencial Google Translator.
****A cantora lusitana Gisela João cantando lindamente o fado "Os Argonautas", letra e melodia do compositor baiano Caetano Veloso.
(310512)

08 outubro 2022

07 outubro 2022

O nacionalismo cristão reacionário, a extrema direita, o fascismo

"Não são as pesquisas que erram, mas sim os analistas que falham em reconhecer as complexidades de um Brasil imerso no nacionalismo cristão.

 NÃO ADIANTA MAIS discutir os evangélicos nessa eleição. Não é mais sobre eles que devemos nos debruçar – é sobre a consolidação do nacionalismo cristão reacionário, que emergiu como ideologia política da extrema direita global, descolada do fascismo tradicional. É nesse movimento que o Brasil está.

Também não há erro nas pesquisas eleitorais. É óbvio que houve um fosso entre o que se projetou e o que se viu na apuração. Mas elas captaram o momento e, uma vez que apenas a porcentagem de votos de Jair Bolsonaro divergiu muito do esperado, a chave para a compreensão dessa diferença está no que permitiu mover a intenção de voto a seu favor.

É saber o que não foi visto. Talvez tenha havido menos equívocos nas pesquisas do que erros na leitura e interpretação do contexto político. Jornalistas, analistas e comentaristas se apegaram a uma forma possivelmente arcaica de interpretação das sondagens. Se prenderam a variáveis tradicionais que cruzavam com os dados e pronto. Uma leitura que, ao que tudo indica, não funciona mais diante de cenários tão complexos quanto o atual.

Mesmo a categoria “evangélicos”, hoje tão em voga, custou a ser uma “variável” levada a sério e, quando passou a ser, suas atitudes e anseios eram resumidos basicamente à “pauta moral”, à “ausência do estado” e à “influência das lideranças evangélicas midiáticas”. No máximo, admitia-se: “evangélicos não são um grupo monolítico”.

Enquanto isso, a extrema direita no Brasil ascendeu sem ser citada, debatida em rede nacional ou sequer entrevistada. Sem profundidade – não por incompetência, mas pela limitação imposta por um tema complexo do qual se sabia pouco ou nada –, os analistas se ativeram ao trivial. As análises olhavam (e ainda olham) em grande parte para o agora, para momentos estanques, que não encontram conexão com um processo que permaneceu em movimento.

A vitória de Bolsonaro em 2018 inseriu o Brasil institucionalmente em uma articulação global de extrema direita “amenizada”, com foco na família e nos valores cristãos conservadores, inspirado no nacionalismo cristão dos Estados Unidos como ideologia política. Esse movimento que voltou a florescer por lá avança no Brasil ainda camuflado de um conservadorismo “evangélico” ou “católico”, que teria como única preocupação a moralização da sociedade. Não havia jornalistas e analistas para discernir as dissimulações da extrema direita e dar nome aos bois.

 Portanto, há anos que a questão já não é sobre os evangélicos. É sobre como o país adentrou um movimento global. Sobre como Eduardo Bolsonaro costurou relações com a extrema direita dos EUA, com muitos políticos e figuras abertamente identificados com supremacistas brancos, participando dos principais eventos que, lá, são divulgados como conservadores mas, na prática, reúnem várias referências e ideólogos das chamadas far-right  e alt-right. Também é sobre como recuperaram o Israel reacionário, idealizado como “nação escolhida”, servindo de referência para uma ideologia que justificasse o Brasil autoritário e moralista, “abençoado por Deus”.

É como o governo Bolsonaro se juntou ao círculo de Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria, que se tornou uma espécie de “guru” e transformou o país no principal referencial de governo de extrema direita no mundo, ostentando um nacionalismo cristão, autoritário, mas muito bem dissimulado em sua política de valorização da família, da identidade nacional e dos “valores ocidentais”.

O ministério conduzido por Damares Alves foi profundamente influenciado pelo programa de Katalin Novák, ex-ministra da Família húngara e hoje presidente do país. As relações e parcerias ideológicas feitas por Damares e Ernesto Araújo não foram monitoradas o suficiente para darem a devida noção do que estavam construindo no Brasil em termos de fundamentalismo transnacional.

Quase nada disso recebeu a devida atenção ou foi alvo de análises abrangentes. Peguemos como exemplo a participação de Damares na 3ª Cúpula da Demografia de Budapeste, capital da Hungria, em 2019. Sob a máscara da discussão do “valor da família”, o Brasil se fez representar numa convenção internacional em que, na prática, se discutia restrições à imigração e um país de povo “puro”.

Vale-tudo não pode ser ignorado

Esse protagonismo nas relações internacionais ultraconservadoras não aconteceria sem um ambiente de acolhimento às ideologias reacionárias no país. A extrema direita estava navegando desde 2018 a fortes ventos na política brasileira. Em nenhum lugar do mundo um grupo nesse nível de reacionarismo fascista entraria com tanta facilidade no Senado em uma única eleição.

O “espírito” foi soprado antes – e há lavajatismo e antipetismo aqui. Com “espírito”, eu me refiro ao pano de fundo do contexto no qual chegamos, que quase nunca é evocado por analistas e comentaristas. A “nova geração” de jovens de direita que surgia e se articulava ainda durante o primeiro mandato de Lula, reivindicando o neoliberalismo e, ainda, um ultraliberalismo para a política econômica brasileira foi o movimento incipiente desta reação.

Obviamente, nada se resumia à economia, mas à insatisfação de um plano de governo que abria os “espaços privilegiados” do país  para as classes populares. Este ressentimento esperou, concentrado, até que o escândalo do mensalão e a adesão à operação Lava Jato por grande parte da classe média brasileira desse nova tração à hostilidade que se transformou em antipetismo.

O salto de Bolsonaro entre as pesquisas e o 1º turno não será explicado olhando com desconfiança para os evangélicos.

Assim, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, com direito a votação de parlamentar homenageando torturador da ditadura militar, abriu de vez o caminho para a radicalização de extrema direita, que se considerava contrária à “velha política”. Uma extrema direita ultraliberal que encontrou uma extrema direita religiosa, dando o caldo para o movimento que nos colocou no meio do lamaceiro.

Mas grande parte da imprensa – aquela preocupada com a democracia, claro – preferiu publicar os “insights” de seus comentaristas do que se aprofundar nas complexidades que envolviam essa transição, com a nova gramática que a extrema direita e o nacionalismo cristão traziam.

Assim, “extrema direita”, “nacionalismo cristão”, “reacionarismo”, “alt-right”, “fundamentalismo transnacional” e “algoritmos” nunca entraram na análise, com raríssimas exceções e nunca no mainstream midiático. Restrito a poucos especialistas, esse mapeamento e sua divulgação e exposição no espaço público faria uma diferença considerável no diagnóstico do momento atual.

No Brasil, mostrou-se muito ineficaz e pouco assertivo olhar pesquisas e analisar política sem que esses novos marcos fossem considerados. Provavelmente, a mobilização de votos e o convencimento dos eleitores estavam atravessados por eles também. A capacidade de reação do bolsonarismo para fazer Bolsonaro dar um salto significativo desde a última pesquisa do Datafolha, que o colocava com 36% no primeiro turno, não será explicada nem buscando erros nas sondagens, nem olhando com desconfiança para os evangélicos. A habilidade de mobilização e articulação da extrema direita (principalmente por criar uma situação de vale-tudo) não pode ser ignorada.

Os esforços de organizações e fundações de fortalecimento da democracia que investiram financeiramente em iniciativas evangélicas progressistas foram louváveis. Mas o que elas podem fazer sem referencial teórico, formação, mapeamento, cruzamento de dados? Nada. Bolhas. “Conversar com os evangélicos” não surtirá efeito agora.

Obviamente, o segmento evangélico é numeroso e relevante. É evidente que ele deve receber atenção e ser ouvido (e procurado). Mas é um erro ver nesse grupo a parte da sociedade que deve ser “convencida” de que Bolsonaro representa a extrema direita e está afundando o país em uma ideologia política reacionária perigosa.

Tem que se conversar com e para a sociedade e desarmar esse arcabouço ideológico, desfazer a captura do sentido da vida pela extrema direita. Enquanto ideologia, o nacionalismo cristão nem de longe está circunscrito aos evangélicos. Não é religião. É política, a pior delas."                                                                                                        Esta importantíssima análise é da autoria de Ronilso Pacheco, Teólogo pela PUC-Rio, ativista, pastor auxiliar na Comunidade Batista em São Gonçalo, autor de "Ocupar, Resistir, Subverter" (2016) e "Teologia Negra: O sopro antirracista do Espírito" (2019); mestrando em teologia no Union Theological Seminary (Columbia University) em NY.                                https://theintercept.com/2022/10/07/conversar-com-os-evangelicos-nao-surtira-efeito-agora/

06 outubro 2022

De um lado, os aiatolás neopentecostais e seus milhões de fanatizados. Do outro, a voraz extrema direita. No Brasil o buraco é muito, muito mais em baixo do que se pensa.

“Bolsonaro tem aliados neofascistas radicais organizados na Europa, diz eurodeputada."                                                                                                                                   Ana Miranda destaca articulação global da extrema direita e laços entre presidente brasileiro e o partido espanhol Vox                                                                              Jair Bolsonaro (PL) não está sozinho em sua cruzada reacionária. O presidente brasileiro tem uma "agenda comum" e aliança com o Vox, partido espanhol que é negacionista da emergência climática, antivacina e anti-imigrante. A avaliação é de Ana Miranda, deputada do Parlamento Europeu pelo Bloco Nacionalista Galego, da Espanha."Eles têm aliados no Parlamento Europeu, que é a extrema direita, e nomeadamente o partido Vox, que é amigo do Bolsonaro e são absolutamente neofascistas. Por que? Porque o neofacista hoje está organizado, compenetrado, coordenado e, sobretudo, tem uma agenda comum de relações internacionais e de apoio mútuo. Isso é preocupante", diz Miranda ao Brasil de Fato. "São antifeministas, são machistas, e eles têm umas políticas muita parecidas."Com 52 deputados, entre 349 possíveis, o Vox é o terceiro maior partido do Congresso da Espanha. A legenda de extrema direita faz oposição à coalizão que governa o país com o presidente Pedro Sánchez, formada pelo Partido Socialista Operário Espanhol e o Podemos.O presidente do Vox e deputado Santiago Abascal enviou um vídeo de apoio a Bolsonaro, compartilhado pelo presidente na véspera do primeiro turno. O registro teve mais de 340 mil visualizações no Twitter e Abascal afirma na mensagem que Bolsonaro é a "opção dos patriotas".Outras lideranças extremistas de direita também enviaram mensagens de apoio para Bolsonaro, como o ex-presidente dos EUA Donald Trump e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.Abascal já esteve no Brasil e se reuniu com o presidente em dezembro de 2021, no mesmo mês em que participou do Congresso Brasil Profundo, do Instituto Conservador-Liberal, criado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em 2020, a liderança do Vox fez uma live com Eduardo Bolsonaro em que defendeu a teoria da conspiração do "marxismo cultural".Reportagem do El País descobriu que o Vox usou recursos públicos para financiar um documentário contra o Foro de São Paulo, apesar de defender uma diminuição do gasto público. Por meio da Fundación Disenso, diversos convidados, incluindo Eduardo Bolsonaro, atacam a esquerda e o ex-presidente Lula (PT).                                https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/76986/bolsonaro-tem-aliados-organizados-e-neofascistas-na-europa-diz-eurodeputada

05 outubro 2022

Domenico de Masi sobre a atroz aniquilação da inteligência coletiva brasileira.

 *“Neste momento, vocês estão nas mãos de um ditador”, disse o sociólogo italiano Domenico de Masi, autor de O Ócio Criativo, argumentando que Mussolini, Hitler e Erdogan também foram eleitos.*

*“Esta ditadura reduz a inteligência coletiva do Brasil. Durante esta pandemia, Bolsonaro se comportou como uma criança, de um jeito maluco. Ou seja, o ditador conseguiu impor um comportamento idiota em um país muito inteligente. Porque é isso que fazem as ditaduras.*

*Este me parece um fato tão óbvio que às vezes nos passa despercebido. Quando o país é comandado por pessoas tão tacanhas, a tendência é o rebaixamento geral do nível cognitivo da sua população.*

*É fácil entender por quê. Sob Bolsonaro, Damares, Araújo, Pazuello, Salles, Guedes & Cia, vemo-nos obrigados a retomar debates passados, alguns situados na Idade Média, ou no século 19, como se fossem novidades.*

*Terraplanismo, resistência à vacinação e a medidas básicas de segurança sanitária, pautas morais entendidas como questões de Estado, descaso com o meio ambiente, tudo isso remete a um passado que considerávamos longínquo.*

*Quando entramos nesse tipo de debate entre nós, ou com as “autoridades”, é como se voltássemos da pós-graduação às primeiras letras do curso elementar. Somos forçados a recapitular consensos estabelecidos há décadas, como se nada tivéssemos aprendido.*

*É como forçar cientistas a provar de novo a esfericidade da Terra ou a demonstrar eficácia da vacinação. Ou defender, outra vez, a necessária separação entre Igreja e Estado, mais de 230 anos depois da Revolução Francesa.*

*É muita regressão e ela nos atinge. De repente, nos surpreendemos discutindo o óbvio, gastando tempo com temas batidos e desperdiçando energia arrombando portas abertas séculos atrás na história da humanidade.*

*À parte a necessária luta política para nos livrarmos o quanto antes dessa gente, entendo que existe uma luta particular e que depende de cada um de nós: a luta para não emburrecer.*

*Manter a lucidez e a inteligência através da leitura de bons autores e da escrita. Manter viva a sensibilidade pela conversa com pessoas normais e pela boa música. Assistir a bons filmes para contrabalançar a barbárie proposta pela vida diária e pelas redes sociais.*

*Enfim, mantermo-nos íntegros e fortes para a reconstrução futura do país. Não podemos ser como eles. Não devemos imitá-los em sua violência cega. Não podemos nos deixar contaminar por sua estupidez. Eles passarão. E estaremos aqui, para recomeçar.*

*Provavelmente, o que leva a esse rebaixamento é o ódio e o ressentimento por levar as pessoas a se sentirem, no fundo, perdedoras (é o caso de todos os bolsonaristas que conheci mais de perto) e ter de encontrar bodes expiatórios para culpá-los. A cultura competitiva, que estabelece, com critérios perniciosos, o que é ter sucesso, faz com que quem entra nesse jogo perverso, sinta-se, no final das contas, sempre um perdedor.”*

https://viladeutopia.com.br/sociologo-italiano-domenico-di-masi-constata-o-rebaixamento-da-inteligencia-coletiva-brasileira/