31 maio 2026

Mulher de Gêmeos no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que quer 
Mas tirante isso 
É boa mulher 
A mulher de Gêmeos 
Não sabe o que diz
Mas tirante isso 
Faz o homem feliz 
A mulher de Gêmeos
Não sabe o que faz 
Mas por isso mesmo 
É boa demais...
(090515)

29 maio 2026

Trump, pedofilia, psicopatia e o definitivo fim da aventura humana na Terra, León Gieco, Mercedes Sosa.

Gravíssimo é esse momento que o mundo atravessa agora que o destino dos povos e o futuro de todas as etnias desse planeta em que habitamos encontra-se perigosamente em mãos de um pulha envolvido em pesados e tristes acontecimentos de pedofilia e crimes outros, insano, insensível, desprezível, sem o mínimo de empatia, fisicamente de corpo rotundo pelo qual se distribuem toneladas de maldade, xenofobia King Size, empáfia, soberba, arrogância, psicopatia e gangsterismo político e social, sem apresentar nenhum traço de humanismo, um biltre cheio da mais letal inconsequência. Por suas diabólicos e desvairados ações, centenas de mihares de inocentes já morreram, a exemplo das dezenas de meninas massacradas em uma escola feminina em Minab, Irã. Não espere você que a Rede Globo, da Famiglia Marinho, e toda a chamada mídia corporativa nos surpreendam e nos mostrem a verdade nua e crua, com imagens autênticas e vídeos que denunciem tal atrocidade. Eles são antigos aliados do Grande Irmão do Norte. Mais que isso, são cúmplices que relativizam a gravidade dos trágicos fatos ocorridos. Sabemos como se comportariam caso fosse o Irã que tivesse bombardeardo uma escola dos EUA pulverizando com mísseis dezenas de loiras menininhas ianques. Ocorreria imediatamente uma histérica cobertura dessa mídia dita das elites, tudo seria convertido em uma grande onda de revolta e infindáveis indignações, cachoeiras de lágrimas e acusações contra o que seria uma imperdoável crueldade iraniana. Pela política do Make America Genocidal Again muitos e muitos ainda morrerão em vão nesse planeta até que ele chegue ao seu término definitivo. C'est fini! Kaput! E muito mais breve do que os pessimistas poderiam imaginar. Tudo porque Trump age como um daqueles vilões de fillmes B roliudianos ou daquelas HQs do Flash Gordon. É estarrecedora sua recente declaração de que havia bombardeado e destruído completamente as Ilhas Kharg, ínsula iraniana de 8000 habitantes considerada um ponto estratégico do Irã. Para tornar as coisas ainda mais chocantes, o Big Carrot disse que talvez voltasse a bombardear as Ilhas Kharg "só por diversão". Salta às nossas mentes a imagem do Imperador Nero tocando harpa e sorrindo de forma diabólica tendo ao fundo Roma ardendo em chamas num incêndio que ele próprio causou com sua psicopatia trumpniana. Então, bem a propósito, vai aqui essa canção de protesto do final dos combativos anos 70s, um conscientizador hino antiguerra mundialmente conhecido do músico argentino León Gieco, que ajuda a refletir e a nos posicionarmos contra esse belicismo catastrófico que nos ameaça a todos. Gracias a la vida, querida Mercedes Sosa e querido León Grieco. Gracias a todos seres sensatos, pacifistas e humanistas.


(010426)

26 maio 2026

A informática e seu impactante papel na vida de milhões de brasileiros, a inclusão, a exclusão.

Ali pelos anos 90s a informática começou aos pouquinhos a entrar no cotidiano de nossas até então analógicas vidas. Surgiu anunciando a louvável intenção de ajudar a coletividade. E nisso não mentiu.  Ajudou, sim, e ajudou muitíssimo, entusiasmou corações e mentes. Mas toda moeda tem duas faces e é indispensável que os mais atentos e atilados questionem até onde as coisas vão bem e onde viram problemas cabeludos, cabeludíssimos. Questionamentos como o que um internauta de nome Cláudio Sá e Guimarães formula e que bota nossas cucas para pensar, pois muitas vezes esquecemos que é para isso que as cucas foram feitas. Qual é o impacto que a informática produz para camadas e camadas da nossa população, como ela se reflete na diversidade social, na vida de milhões?

                                         Cláudio Sá e Guimarães 

25 maio 2026

Os argentinos, sexualmente falando / U Sexu nu mundo 4

Os argentinos, com Javier Peluca Milei e tudo, vivem alardeando que seu compatriota Messi segue sendo o melhor jogador de futebol do mundo, que eles são os reis do tango e que a Argentina tem a mais farta fartura de carnes que se pode imaginar, todas de sabor deliciosamente insuperável, despertando incontrolável apetite carnal, sendo que essa coisa de veganos por lá não se admite, e eles tratam do assunto na base da faca. Da faca e do espeto, em uma boa churrascaria, esclareça-se. Bueno, bueno, depois daquele humilhante sapecaiaiá de 7x1 que levamos da Alemanha na Copa de 2014, é fato que nosso dantes elevado moral futebolístico anda baixíssimo, estando o Brasil relegado à condição de mero produtor de commodities, ou seja, de jogadores que são vendidos como pés de obra para países da Ásia, Europa, leste europeu ou quaisquer outros que se disponham a comprar nossos craques, já não tão craques assim. Mesmo bem antes do vexaminoso vexame de 2014 o futebol do Brasil foi descendo de prateleira e a cada nova Copa nos indagamos, aflitos, se iremos confirmar que de fato perdemos a condição de protagonistas e nos tornamos meros coadjuvantes. O fato é que temos que reconhecer que Messi sempre colocou no bolso todos boleiros profissionais dos maiores times em atividade no Brasil e, de lambuja, os que jogam no exterior, a Copa do Qatar foi a confirmação, a prova dos 9. E como no futebol já não podemos cantar de galo, mudemos de assunto e sigamos para uma seara passível de imputações de resvalar pra conceitos machistas. Se, sin embargo, os argentinos são os reis do tango, as garotas brasileiras são, disparadamente, as rainhas da tanga. E do fio dental. E do biquini asa delta. Nenhuma compatriota de Gardel & Le Pera há de negar isso, ficando los hermanos de queixo caído ao verem uma brasileira caminhando dentro de uma sumaríssima tanga, exibindo toda sua exuberância e abundância numa praia, ou nos dominicais programas de auditório das mais deseducativas TVs desse patropi. Feministas ortodoxas hão de se exaltar, abominar, se indignar, mas, data venia, no quesito farturas carnais, as mui guapas argentinas perdem de goleada para as sempre bem servidas brasileiras, seja em maminha, chuleta, dianteiro ou traseiro. Uma curiosa curiosidade dos curiosos argentinos é que quando estão com uma mulher na cama para um embate sexual, os homens só pensam numa coisa: "O Maradona fazia isto muito melhor do que o Pelé!". Nesse tão insólito momento la chica percebe logo que linguiça que é bom não vai rolar para ela cair de Boca (Juniors). Aí só lhe resta tocar...um tango argentino.
(011210)

24 maio 2026

Lage, Nildão, Setúbal, Zé Vieira, Alexandre Dumas, cartuns.

Aqui neste afrotorrão chamado Bahia, Lage, Nildão e eu, por um bom tempo formamos um inseparável trio, tipo os três mosqueteiros do cartum, um time coeso, como permite entrever esta caricatura aí em cima. O quarto mosqueteiro, o D'Artagnan, era o indômito Zé Vieira com seu bigodinho que lhe dava o irretocável phisique du rôle. Sucede que Zé Vieira, um belo - ou seria triste? - dia deu uma solene banana ao universo cartunístico, botou na praça um tremendo escritório de arquitetura que logo encheu-se de afortunados clientes, graças ao talento arquitetoso do rapaz, e desta forma ele - merecidamente, diga-se - tornou-se um argentário dos mais abastados pois foi sempre o mais sabido de todos nós nestas questões com l'argentainda que não fosse um mercenário, longe, bem longe disso. O problema com Zé Vieira era que um ofídio dos mais peçonhentos costumava aninhar-se nos bolsos das suas calças e ele, a precaução em pessoa, ali não metia sua mãozinha com medo de levar uma mordida letal e vai daí que em bares, restaurantes e botecos que frequentávamos jamais víamos a cor do dinheirinho de tão precavido confrade. Diz a chamada sabedoria popular que dinheiro poupado é dinheiro ganho e que de tostão em tostão se faz um milhão. Se verdade houver em tais frases, Zé Vieira certamente acumulou alguns milhões só com o que economizou graças à sua justificada precaução contra mordeduras de ofídios, notadamente certas variedades de letais mambas negras que soem se aninhar em bolsos e bolsas de alguns incautos. Não sei se o hoje abastado Zé Vieira sente algum frêmito de saudade dos tempos em que cartunava e quadrinhava, ele que sempre foi um cara que criava verdadeiras maravilhas, tanto no texto quanto no desenho. E há que ser dito que, de quebra, Zé Vieira sempre foi um dos mais substanciais e agradáveis papos dessa Bahia com h. Ali pelos hoje um tanto distante anos 80s do século anterior, como que inspirado por Alexandre Dumas nosso grupo cartunístico sempre primou pelo conceito de amizade mesclada com lealdade. Poderíamos mesmo empunhar nossos lápis, à guisa de espadas mosqueteiras, erguê-los fazendo tocar no alto suas pontas e, parafraseando os personagens de Monsieur Dumas, bradar alto, a uma só voz: "Um por todos e todos por um, em defesa do Reino do Cartum".

22 maio 2026

Minha Pátria é minha língua. E de Fernando Pessoa, de Caetano, de Chico Buarque, de Pasquale, de Adoniran.

 
Moro longe, pra lá da Conchichina. Tenhor pavor de pastor alemão e de gripe espanhola. Tenho mania de comer pão francês com molho inglês . Nunca dirijo um Toyota, um Mitshubishi ou veículos da Asia Motors quando em mão inglesa. Democracia? Plebiscito? Tertius? Pra mim vocês estão falando grego. Loja de artigos de R$1,99: eis o verdadeiro negócio da China. Pra consertar guitarra baiana, uso chave inglesa. Tive um canário belga que cantava Brasileirinho. Você costuma comer americano? Eu prefiro traçar o bacalhau da bela portuguesa, quer dizer, um belo bacalhau à portuguesa. Empresas judias jamais adotam semana inglesa. Em Milão todo bife é à milanesa. Na Ásia toda febre é amarela. Na Rússia toda salada é russa. Na França todo beijo é francês. Na Turquia todo banho é turco. Aliás, nesse calorão, banho turco grátis é presente de grego. Só falsos amigos nos servem uísque paraguaio. Quem tem boca vai à Roma e come pizza alla napolitana. No Japão faça como os japoneses e nunca peça bife à cavalo, mesmo porque você pode acabar comendo basashi, que é um sashimi feito com carne de equino e aí sua indigestão pode ser cavalar. E, a propósito, estando em certas regiões da China jamais peça um cachorro-quente. Você pode ter uma surpresa pouco agradável quando lhe trouxerem o prato. Meu parco francês é só pra inglês ver e quando a coisa está ficando russa eu saio à francesa.
(040214)

18 maio 2026

Música pra se ouvir com olhos e ver com os ouvidos.

Música. Ontem, hoje, agora, ainda e sempre. Gravada ou ao vivo, via rádio, seja AM ou FM, em CD original ou pirata, no MP3, no vinil, no computador, na trilha sonora de filmes, de novelas, de minisséries televisivas, de peças teatrais, no coreto da praça, na viola de um cego cantador, no repente surpreendente do repentista eminente, na tuba, na conga, conga, conga, no contrabaixo, no alto falante do circo mambembe, na flauta doce ou salgada, na gaita de quem não tem gaita, no saxofone, no violino de som fino, na rabeca da Rebeca, no oboé ou não é, no bandonione, no realejo, no fagote, no violão, na guitarra, no contrabaixo, na harmônica, no realejo, no órgão da igreja, nos atabaques dos terreiros de candombé, na chaleira do Hermeto, no prato da Edith, na caixinha de fósforos do Cyro Monteiro, no pente sem um dente, no cavaquinho, no bandolim, no banjo do arcanjo, na lira do delírio, no fole prateado só de baixo 120 botão preto bem juntinho como nego empareado, no triângulo, na zabumba, nos oito baixos de Januário, nos pífanos, no pandeiro, no reco-reco, bolão e azeitona, na cuíca, na tumbadora, no piano de cauda, no berimbau, na guitarra havaiana, na guitarra portuguesa, na guitarra baiana, plugged ou unplugged. Bitola no ganzá, Preá no reco-reco, na sanfona Zé Marreco. Música, música. Chico, Caetano, Milton, Tom, João Gilberto, Baden, Gil, Bosco, Aldir, Macalé, Pixinguinha, Gal, Elis, Carmen, Dolores, Maysa, Marisa Monte, Daúde, Gal, Bethânia, Tomzé, Titãs, Mutantes com Rita Lee, Rita Lee sem os Mutantes, Cássia, Calcanhotto, Clementina, Marina, Maysa, Raul, Chico Science, Siba, Arnaldo Antunes, Jorge Benjor, Chorão, Cartola, Nelson, o Gonçalves e o Cavaquinho, Gonzagão, Mozart, Sivuca, Hermeto, Dominguinhos, Jackson, Genival, Manezinho, Gordurinha, Ludugero, Aznavour, Armstrong, Modugno, Amália, Sapoti, Piaff, Callas, Baleiro, Gordurinha, Manezinho Araújo, Riachão, Batatinha, Walmir Lima, Chico César, La Lupe, Chavela Vargas, Chabuca Granda, Celia Cruz, Nina Simone, Mercedes Sosa, Bola de Nieve, Piazzola, Lennon e McCartney, Roberto e Erasmo. Música, música. Samba, rock, baião, xaxado, xote e xoxote, maxixe e jiló, chorinho, dobrado, mazurca, jazz, tango, fado, valsa, frevo, coco, maracatu, corta-jaca, tarantela, samba-de-véio, samba-duro, samba de roda, samba-reggae, samba-rock, samba de breque, samba de black, blues, funk, bossa-nova, chá-chá-chá de la secretária, salsa, mambo, calipso, merengue, cumbia, reggae, bolero-lero-lero-lero, begin the beguine. Música, música. Até mesmo feita plasticamente, com o som fluindo de pincéis deslizando sobre uma tela carregados com tinta acrílica, como nesta pintura que fiz con mucho gusto e que resolvi usar como ilustração para esta postagem. Música, música. Excetuando-se a unanimemente indesejada marcha fúnebre, qualquer música, ah, qualquer, logo que me tire da alma esta incerteza que quer qualquer impossível calma!
(111019)

17 maio 2026

Caetano Veloso, Wladimir Maiakóvski, Fernando Pessoa, Plutarco. Pequenos equívocos sobre grandes poetas.

Além da melodia envolvente contida no fado Os argonautas, também a bela e um tanto enigmática letra desta inebriante canção foi criada pelo compositor Caetano Veloso e não pelo bardo português Fernando Pessoa. Mas não faltam os que repitam por aí e até postem na internet, que a dita letra da música é uma poesia da autoria do bardo Pessoa musicada por Caetano. Quem se der ao trabalho de pesquisar atentamente os muitos poemas de Pessoa, escritos sob qualquer um dos seus muitos pseudônimos, não encontrará versos falando em “o automóvel brilhante, o trilho solto, o barulho do meu dente em sua veia” ou “noite no teu tão bonito sorriso solto, perdido”. As pessoas erram por uma questão de superficialidade, erram por que não se importam em errar, grandes porras, phoda-se. Fernando Pessoa deixa claríssimo na abertura de seu poema, que a frase “navegar é preciso, viver não é preciso”, cuja primeira parte usou para dar título ao belo poema, não é algo criado por ele, vindo ela da boca de antiquíssimas gentes do mar, coisas dos tempos do grande império romano que, segundo textos do impoluto Plutarco, teria sido dita em vez primeira pelo general Pompeu (106-48 a.C.), dirigindo-se a sua tripulação, aos seus soldados, os quais se mostravam excessivamente prudentes e cautelosos - para não dizer trêmulos e acovardados – diante de um mar nigérrimo e proceloso, instigando-os a embarcar.  Como único argumento, Pompeu proferiu a frase que se celebrizou, chegando aos ouvidos de Fernando Pessoa que, parafraseando-o, disse que “viver não  é  necessário , o que é necessário é criar”. Maravilhoso! Todo artista e todo criador deveriam tomar isso como inspiração. Caetano Veloso, usou como refrão de Os argonautas a frase que Pessoa não concebeu mas que tanto amou que dela se valeu para nominar um seu poema famoso e para filosofar sobre sua irrefreável necessidade de criação. A expressão “Navegar é preciso” bem que pode ter sido o lema que norteou todas as intrépidas conquistas portuguesas na Era das Grandes Navegações. A frase, segundo dizem, estaria escrita no pórtico da lendária Escola de Sagres, fundada pelo infante Dom Henrique, no século XV, mais precisamente em 1460, bem antes do nascimento de Pessoa, que nela teria achado inspiração para o poema que escreveu. Mas estamos falando da raça humana e seus enganos, e aí temos que lembrar que não faltam os que, convictos, afirmem que a Escola de Sagres nunca tenha existido de fato, senão na imaginação das pessoas, que tudo não passa de uma lenda. Quanto ao poema de Pessoa, segue abaixo uma reprodução para que não pairem dúvidas sobre o que nela diz o venerável vate luso. Embora já saibamos bem que isso não fará cessar novos e contínuos erros e enganos, pois, aparentemente, quando adotou a frase "errar é humano" o homem outorgou a si próprio o direito de errar quantas vezes queira. Sem se importar em seguir o que versa a frase original, atribuída a Sêneca, que em sua inteireza nos diz: "errare humanum est, perseverare autem diabolicum."
               Navegar é Preciso
               (Fernando Pessoa)
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:    
"Navegar é preciso; viver não é preciso".                    
Quero para mim o espírito desta frase,           
transformada a forma para a casar como eu sou:          
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.         
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.    
Só quero torná-la grande,                                           
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.                                              
Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso.                                        
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue  o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

14 maio 2026

Mulher de Touro no Horóscopo de Vinicius de Moraes


O que é que brilha sem ser ouro?
- A mulher de Touro!
É a companheira perfeita
Quando levanta ou quando deita.
Mas é mulher exclusivista
Se não tem tudo, faz a pista.
Depois, que dona-de-casa...
E à noite ainda manda brasa.
Sua virtude: a paciência
Seu dia bom: a sexta - feira
Sua cor propícia: o verde
As flores dos seus pendores:
Rosa, flor de macieira.
(090515)

12 maio 2026

A procissão da Boa Morte, andores e amores.

Bete olvidou o beijo que da minha nebulosa memória jamais se apagou e em algum cantinho ermo e penumbroso de suas lembranças empilhou, desinteressada, as palavras de carinho que lhe disse e o beijo que trocamos frente ao Castro Alves que até hoje em minha mente trago claro como o mais claro dia de sol. Bete tinha uma moto e com ela tanto cruzou ruas, alamedas e avenidas que findou por descobrir uma recôndita vereda que conduzia ao beco sem saída do meu coração. O capacete que usava escondia dos outros seu rosto mas não ocultava de mim seu sorriso (ai!) e seus lindos olhos ciganos(ui!). Toda mulher é uma multidão. Ser múltiplo pela própria natureza, quem lhe adivinha os inescrutáveis pensamentos? Quem decifra seu sorriso após a lágrima sincera que derrama? A insondável origem de sua força surgindo de sua aparente fragilidade para vencer a mais forte das humanas tormentas, quem pode explicar? No amor, entre gestos de recato, volúpia e devassidão. Na noite tépida, adormecida, a mão sobre o púbis, quem há de antecipar os sonhos que há de sonhar entre lençóis de branco linho? Como prever o que dirá e fará cada uma das mulheres dentro de toda mulher? Não adivinho as palavras e gestos de Bete, pura recusa aos meus apelos. E vejo atônito que essa moça, de um dos oito casacos que usa para se proteger do frio intenso de Cachoeira, puxa a mais afiada das cimitarras e trespassa num golpe seguro minha alma geminiana, romântica como um perro gitano uivando ao plenilúnio. Mesmo inerme e estando ferido, dela ainda quero voltar a sentir o gosto do beijo que numa noite de estio embevecido provei e que trago em meu peito guardado a sete chaves, oito trancas e nove pega-ladrões. Movo minha boca ao encontro da sua mas ela volve o rosto negando-se. Puxo-a pela cintura e colo seu corpo ao meu mas é nítido que seus pensamentos escapolem, descem e sobem as ladeiras de Cachoeira e já dobram a esquina acompanhando, entre cânticos, turíbulos, escapulários, terços e andores a procissão da Irmandade da Boa Morte. E eu, o ouvido surdo de sons, a boca muda de palavras, os braços vazios de gestos, quedo-me só 9no meio da praça enlaçado a um corpo deserto de alma. Bete sorriso (ai!). Bete de olhos ciganos(ui!). Bete tantas mulheres, uma multidão. Em disparada, pisoteando, aniquilando meu quase inocente coração.                              (150810)

09 maio 2026

Béu Machado, Caetano Veloso, Goethe

Sempre relembro Béu Machado, sempre vale a pena que todos relembremos Béu. Amiúde me vem à mente seu jeito calmo de poeta, quase anônimo, fingindo-se igual aos viventes outros, malgrado o talento imensurável para versejar, criar frases. Contrariando Caê, que diz que só se pode filosofar na língua de Goethe, Béu filosofava em muito bom soteropolitanês. Seu humor, carregado de dendê e pimenta dedo-de-moça, algumas vezes era pura molecagem e outras ocultava, por trás de uma aparente despretensão, uma profundidade que a muitos certamente poderia escapar. O humor béumachadiano e sua filosofia podem ser percebidos a olho nu em frases como estas que aqui reproduzo para matar as saudades do poeta, do frasista, do vizinho na Boca do Rio e do amigo cortês e espirituoso.
***** O fato de marcianos virem periodicamente à Terra só prova uma coisa: não existe vida inteligente em Marte.
***** O açougueiro cortou a parte que eu mais precisava: meu crédito.
***** "Saúde de ferro!", disse o médico, desenganando o hipocondríaco.
*****De lascar é quando a bola bate no pau sem chocar na trave.
***** De nada adiantou eles ordenarem que eu me calasse. Heroicamente continuei gritando "Ai!"
***** Desisti de desafiar o Mike Tyson. Os motivos são de força menor.
***** Desta vez vai correr sangue: aumentaram os preços dos absorventes!
***** Ler Proust é uma perda de tempo.

Ah, que grande, que imensurável falta nos faz Béu Machado.!     (291114)

07 maio 2026

A exterminadora pandemia de Covid da era Monstronaro e os mais improváveis Adão e Eva para repovoar o Brasil e o Mundo.

Em tempo de pandemia e forçada quarentena, buscando preencher suas horas ociosas certo vivente anônimo, enclausurado em seu apê, vive dias de enfadonha rotina trazida pelo isolamento anticoronavírus. Eis que por seu cérebro desfilam toda sorte de pensamentos e ele resolve que é chegada a hora de burlar o ócio pandêmico redigindo um livro de ficção científica, um best-seller que venderá às toneladas e o conduzirá aos píncaros da glória literária. Sim, tempo não lhe falta, e ainda por cima o atual clima apreensivo reinante no país colabora, as palavras brotam em sua mente aos borbotões e com facilidade ele vai delineando o cenário da trama. Empolgado, qual um literato experimentado facilmente vai desenvolvendo seu promissor argumento descrevendo os momentos em que uma insólita pandemia avança silente sobre povos diversos, dizimando populações inteiras mundo afora. Morrem centenas, milhares, milhões de pessoas, até que sucumbem bilhões e no mundo resta apenas um único casal. Estão sós no planeta Terra, como se fossem a bíblica díade, a parelha criada pelo Onipotente para habitar o Éden. São os novos Adão e Eva, cabendo-lhes a divinal missão, o glorioso papel de se reproduzirem em prol da continuidade da espécie, de reconstruirem a raça humana. Como conseguiram ficar vivos diante de tamanha calamidade não nos é dado saber, são insondáveis as razões. Um único macho, uma única fêmea, os únicos seres vivos que restaram no orbe. Ela se chama Damares e ele se chama Jair Messias. E é precisamente aí que o escriba neófito estanca, arregala os olhos, empurra o teclado do laptop para longe de si emitindo um estrondoso brado: "Mas que porra é esta que estou escrevendo?!!? Ficção científica é que não é!! Isto daqui está mais é pra enredo de um pavoroso filme de terror!!"
O candidato a escritor consagrado, percebendo-se traído pelos meandros de sua mente fértil, desiste de alcançar a tal glória e seus píncaros, a sonhada celebridade a ser atingida através dos seus escritos. Incontinenti, rasga e joga os manuscritos na lata do lixo e vai acessar uma rede social qualquer onde passa a postar umas fotinhas de seus pets, tão fofinhos, uns amores.

Paulo Coelho: depois do duro Caminho de Santiago, finalmente La vie en rose


Deambulava eu pelas ruas de Paris em álacre matinada quando eis que me deparo com meu confrade Paulo Coelho. O leporídeo escriba atravessa a rua em minha direção, aproxima-se e me estreita num fraternal e brasileiríssimo amplexo. Pede-me notícias do greenyellowblueandwhite torrão. Digo ao meu caro amigo que aqui na terra estão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock' n roll, mas que depois de tanto verde-oliva y otras cositas más,  a coisa aqui está preta, e é muita pirueta pra cavar o ganha-pão. O mago, afável como de habitude, despede-se de mim, volta seus tacões para Montmatre e retoma seu caminho (de Santiago) em inabalável tranquilidade. E eu descubro que não há nada mais maravilhoso que ser brasileiro. Desde, é claro, que você more no lugar certo. Numa requintada mansão no sul da França ou em um deslumbrante palacete na Suiça, por exemplo, e não em um mocambo na invasão da Baixa da Égua ou do Vale da Muriçoca. Desde, também, que sua conta bancária esteja abarrotada com miríades e miríades de Euros que lhe permitam fazer matinais gargarejos diários com Romanée-Conti - santo remédio! - pelo simples fato de você ter mais de 100 milhões de livros vendidos no planeta, cifra que faria o finado afinado e refinado Michael Jackson ficar preto de inveja. Santé, xará!
(270813)

02 maio 2026

Leonardo Da Vinci non era boneconne, era espadonne!

 Línguas recheadas da mais nefária cicuta lançam aos quatro ventos que o proverbial sorriso que Mona Lisa Gioconda exibia era resultado das habilidades libidinais do pintor Leonardo Da Vinci, que aproveitaria a ausência do giocondíssimo marido para comer a tentadora maçã que a sua sensual e bem fornida modelo, radiante lhe ofertava. E para que não se diga que fofoca é coisa da patuleia brasileira, àquela época já circulavam entre os filhos do Lácio fortes buchichos insinuando que o homem vindo da cidadezinha de Vinci não era muito chegado a cheirar, alisar, lamber, mordiscar e muito menos ainda comer a referida fruta. E que em verdade a preferência frugal de Leo era bem outra, constando que ele apreciava mesmo era cair de boca em olorosos bagos de apetitosos efebos cultivados na Grécia. Dizem, mas não há registro fotográfico, cinematográfico nem televisivo algum que ateste tal ignomínia. Tampouco não há nenhum vídeo circulando pelo YouTube que comprove o que tais línguas viperinas insidiosamente afirmam. Além de pintor, desenhista, engenheiro, músico, anatomista, cientista, inventor e o escambau - enfim, um autêntico multimídia avant la lettre - Leonardo era caricaturista, o que o torna um meu colega e em nome do bom, velho e salutar corporativismo, vou logo dizendo que esta queimação pra cima do multitalentoso artista é produto de torpe invídia. A munheca do toscano, que firme empunhava sua paleta, jamais titubeou e ele não era pintor de sair por aí segurando indevidamente em pincéis alheios. Vilezas e calúnias quejandas não podem prosperar entre os dignos. Forza Leo! Forza Italia! Forza Azurra! 
(290813)