23 setembro 2018

O orgasmo que até Deus aplaudiu / Setubardo fescenino

Ah, que orgasmo divino!
Que coisa mais delirante!
Fui à lua neste instante
Peço perdão pela ausência
Volto ao leito com urgência
Pra te amar com loucura
E pra deixar na fissura
Todos os casais do mundo
Ah, que orgasmo invocado!
Que coisa mais excitante!
Fui à Marte, doce amante
Fui à Vênus, lá no Monte
Sorvendo naquela fonte
O néctar do seu prazer
Volto aos seus braços em febre
Pra que seu corpo celebre
Um rito de ensandecer
Ah, que orgasmo irado!
Que coisa estonteante!
Foi radical, foi chocante
Centenas de maremotos
Milhares de terremotos
Um cataclismo dos bons
Equivalente ao tesão
De mil homens e mil mulheres
Mais de um milhão de amperes
Clareando esta Nação
Ah, que orgasmo retado!
Que coisa mais retumbante!
De repente, num rompante
Soaram suas trombetas
Pletoras de querubins
Rufaram suas baquetas
Um bilhão de serafins
Pois deste orgasmo bendito
Foi tal a repercussão
Que Deus, o onipotente,
Veio do céu pessoalmente
Apertar a minha mão:
"Que orgasmo, hein, meu irmão?!!"
(01/06/2011)

O homem perfeito que todas as mulheres esperavam ansiosamente / Setubardo

Um dia competentes cientistas
Resolveram criar o homem perfeito
Forte, bonito, bom de leito,
Charmoso, grande papo, inteligente,
Físico de deus grego, espirituoso, valente
Então, em um liquidificador gigante
Juntaram uma galera importante:
Adonis, Hércules, Apolo,
Julio Cesar, Colombo, Cabral, Marco Polo,
Bolívar, Che Guevara, Fidel, Napoleão.
Apertaram da máquina um botão
Deixaram misturar com paciência
Acrescentando na sequência
Gene Kelly e Groucho, lá de Hollywood,
Tarantino, Fred Astaire e o bom Woody,
Poetas de muitos bons ofícios:
Maiakovski, Baudelaire e Vinícius,
Shakespeare, Neruda, Borges, Bandeira,
Leminski que estremece a palmeira,
Augusto dos Anjos, Lorca, Drummond
Quintana, tudo de bom,
Lennon, Paul, George e Ringo Starr
E o Jagger, que deixa sangrar,
Todo o Monty Phyton, Tati, Chaplin e Mr. Bean,
Jackson do Pandeiro, Genival e Tom Jobim
Baleiro, Caetano, Gil, João Gilberto,
Raul Seixas, Arnaldo, Erasmo e Roberto
E para complementar
Tal mistura estelar,
Almodóvar, Banderas, Elvis Presley, Brad Pitt
Mistura chocante, pura dinamite.
Concretizado esse homem perfeito
Anunciaram os cientistas seu insuperável feito
E o resultado que deu
Ora, meninas, foi... eu!!
(01/01/2012) 

22 setembro 2018

Biratan Porto, Setúbal e a foto da discórdia em Belém do Pará

Belém do Pará, dia 31 de maio do corrente ano. Esta foto que mostra meu perfil grego, registra o instante em que eu, no larestúdio do cartunista Biratan Porto, sopro um virtual bolo de aniversário, de um dos lados da imagem, enquanto a carica de minha augusta pessoa feita pelo Bira ajuda soprando do outro. Isso foi algo que eu e Bira bolamos na hora e ele clicou para a posteridade. Essas ideias inusitadas surgem do nada da cuca de quem trabalha com humor, uma gente - não por coincidência – mui bem humorada e que leva a vida buscando criar para si e para os que os cercam, momentos felizes, plenos de riso. Só um deslize cometeu o Bira, e não estou falando do físico de bebedor de cerveja que ostento no desenho que ele assaz sordidamente fez. Refiro-me, sim, ao fato dele haver colocado na imagem a ideia de que estou colhendo 66 primaveras no jardim de minha existência, quando em verdade, tenho pouco mais que a metade disso, acreditem querendo, pios leitores. Somos humanos e, portanto, sujeitos a ser tentados pelo coisa ruim a cometer atos malafaios como o que, em momento de fraqueza, foi praticado por esse meu amigo de fé, irmão, camarada. Todos sabem muito bem sabido que Bira habitualmente é um perfeito gentleman, um cavalheiro, um pró-homem, sempre lhano, cordato,  pleno de bonomia e eu, alma nobre que sou, já o perdoei do fundo do meu coração corintiano. 
(25/11/2015)

08 setembro 2018

Diário de bordo: Jerry Adriani e eu em dueto nas nuvens, indo para Belém

Consta que o primeiro dos homens foi feito com uma porção de barro pelo Todo Poderoso que, como bem se vê, tinha lá suas veleidades de escultor. Tendo sido criado, esse primeiro ser da espécie não ganhou a chave da casa própria pelo BNH ou pelo Minha Casa, Minha Vida, ganhou coisa bem melhor: o direito de morar de graça em um verdadeiro Paraíso. Tá bom pra você? Pois pro cara não estava. O papo que rola por aí é que esse primeiro homem não ficou lá muito satisfeito com o divino presente tendo em breve tempo se cansado de bater perna pelos rincões paradisíacos. Ponderou ele que aquilo ali até que era bom mas era também um tanto insípido e fatigantemente monótono. Olhava os pássaros e invejava-lhes os voos livres firmamento afora. Pensou em como seria bom se pudesse voar livre entre as nuvens. Voar, voar, esta ideia virou uma verdadeira obsessão para o homem que só sossegou no dia em que ele inventou o avião e o check in. Para quem há pouco tempo não passava de um montículo de barro, criar o avião e a aviação foi um progresso notável, pois desde que o tal invento não invente de cair e se espatifar no chão, não existe coisa melhor nesse mundão todo. No avião que sigo para Belém indo participar como jurado do VII Salão de Humor da Amazônia, tudo corre maravilhosamente bem e o céu é de brigadeiro - qualquer um, menos o Burnier, de triste memória para a Democracia. Desço em Brasília, espero outra aeronave da conexão. Tudo segue correndo numa nice, eu ali de boa, sentado próximo ao Gate 4, quando avisto ninguém menos que Jerry Adriani, cantante que marcou época no Movimento Jovem Guarda, liderado pelo Rei Roberto Carlos. Está ao lado de um grupo que carrega cases com seus instrumentos musicais e conversa de maneira simpática com todos que a ele se dirigem, tira algumas dezenas de selfies com umas fãs que também o reconheceram. Menos por fome e mais pra passar o tempo, vou em busca de um pãozinho de queijo a título de lanche e, quando percebo, Jerry está ao meu lado no balcão fazendo seu pedido à moça do caixa. Não deixo passar batido a oportunidade e o abordo, digo umas quantas palavras que ele ouve, receptivo, simples, afável, a simpatia em pessoa. Despeço-me, agradecendo. Por coincidência ele também está indo para Belém no mesmo vôo que eu e acabamos por nos encontrar algumas vezes, ele entabula conversa, digo que sou da Bahia. Falamos sobre música em geral e sobre axé music.  Ele me diz do caráter excludente desse ritmo para muitos profissionais da área da música, fala que ela praticamente monopoliza o mercado musical, sendo necessário esforço enorme para cantores de outras tendências musicais conseguirem contratos de shows para se manterem com seus trabalhos. Digo-lhe que esse é um problema que também atinge fortemente músicos da própria Bahia, que perdem em visibilidade e espaço de atuação. Papeamos sobre amigos e conhecidos em comum, como Waldir Serrão, o Big Ben, roqueiro das antigas. O papo prossegue já dentro da aeronave. A empatia foi tamanha que em dado momento, para encantamento das charmosas comissárias e dos demais passageiros, em pé, no corredor do avião, entoamos um dueto cantando um dos hits do meu agora velho amigo, “Doce, doce amoooooor...”. Jerry é profissional do canto, tem uma notável extensão vocal, mas quando decido brindar as pessoas com meus dotes canoros, faço bonito, não tem prá ninguém. Repentinamente toda a tripulação e os demais passageiros entraram no clima, se puseram a cantar conosco e o ambiente fazia lembrar um daqueles filmes musicais hollywoodianos. Maravilha das maravilhas! Só quando pisei em solo belenense é que me ocorreu fazer uma selfie registrando para a posteridade meu encontro com Jerry Adriani, cara admirável, dono de uma vasta e belíssima trajetória no mundo da música, gente super, hiper do bem. Se o habitante do Éden, o primeiro dos homens, estivesse a bordo haveria de sorrir, satisfeito e orgulhoso de seu inventivo invento.
(150715)

França Teixeira, Fan Teixeira, Dadá de Corisco, Cangaço

Nos anos 70 me encantou uma entrevista feita com Dadá, viúva do afamado cangaceiro Corisco, tendo sido ela própria uma participante do cangaço integrando o bando do legendário Capitão Virgulino Ferreira, o Lampião. Quem entrevistava Dadá era França Teixeira, célebre radialista, bom de tv, grande comunicador, emérito criador de um estilo carregado de irreverência jamais igualado em rádio. França é o pai da apresentadora Fan Teixeira, que herdou o talento paterno e apresenta com brilhantismo o ótimo programa Balaio de Gato, da TVE. Ouvindo a entrevista, fiquei inebriado pela rica e peculiar oratória da sertaneja revelando passagens que ela vivera ao lado do bando liderado por Lampião. A certa altura da sua fala, Dadá relata que a arma que Maria Bonita, a célebre companheira de Lampião, usava na cintura era praticamente um adereço, não a usando a bela Maria para alvejar as volantes que sem tréguas, sertão afora perseguiam os cangaceiros atirando para matar. Dadá vai além e afirma que ela própria, sim, é que empunhava quando necessário se fazia, sua arma contra os macacos, que é como os cangaceiros chamavam os soldados da volante. Deixando transparecer um vívido interesse, o rosto de França se torna ainda mais rubicundo quando lhe pergunta: "Então você, Dadá, chegava a atirar nos soldados da volante?" Ela, sem pestanejar: "Sim, quando preciso, atirei." França, interessadíssimo, insiste: " Desses nos quais você atirou, algum morreu?" E Dadá, com um sorriso mais enigmático que o de Monalisa: "Que eu visse, não!"
(Publicado originalmente em 19 de julho de 2013)

31 agosto 2018

O escritor André Nunes,o Xingu e o Pará

André Nunes é paraense, um insular nascido e criado na fluvial Ilha do Arapujá , que fica bem defronte a Altamira, e que divide o Rio Xingu, importante afluente do Rio Amazonas. Um ribeirinho, sim, de boa cepa e com muito orgulho. Mas também é um cidadão do mundo, com ampla e benéfica visão social e política, um homem consciente, de rica trajetória existencial, culto, que ama sua gente, sua terra, a vida em toda sua plenitude. Tais qualidades somadas acabaram por torná-lo o notável escritor que é, inspirado, cônscio, senhor das palavras. Em seu livro Xingu, causos e crônicas, André nos permite embarcar em seu caxiri que seguramente nos conduz em instigante périplo por rios, igarapés, matas amazônicas, seringais em que se evidenciam quilombos, ditadura militar, cabanos, seringueiros, ribeirinhos, indígenas, caboclos, grileiros, pistoleiros, almas, corações e mentes num itinerário que envolve e emociona o leitor. A rica narrativa é construída pela privilegiada memória do autor que descreve em minúncias cada detalhe dos acontecimentos, por vezes poéticos, compostos pelo vôo de borboletas azuis, por vezes brutais, protagonizados por homens inclementes com suas motosserras rasgando o ventre da floresta amazônica, aniquilando flora e fauna, pelo massacres de inocentes e desvalidos, pela desfiguração e incerteza trazidos pela implantação de grande hidrelétrica. Acontecimentos que foram todos vividos com intensidade, plenos dos mais variados sentimentos e emoções diversas. Neles sempre se faz presente um humor contido, bem pessoal e uma declaração de amor à vida. Sem se valer de frases de efeito ou maneirismos inócuos, usando as palavras exatas com o domínio de escritor de notável talento que é, André sabe dar a cada narrativa o toque de emoção e verossimilhança, criando um clima envolvente e prazeroso que delicia e encanta o leitor. Seu texto sobre o Haiti, em luta desigual contra as grandes potências do mundo, é leitura que lança preciosas luzes sobre a forma de agir da velha e da nova Ordem Mundial. Quando escreve sobre o Pará, o carinho de André pelo chão, pelo seu círculo parental, pelos seus mais fiéis amigos e por toda a gente paraense se evidencia, e sua paixão pela terra se faz facilmente identificável em cada um de seus relatos e observações numa antropologia exata feita do mais tocante amor.
Aos interessados em adquirir um exemplar, mensagem para: andre@terradomeio.com.br
(09/11/015)

27 agosto 2018

Cleomar Brandi: velório e sepultamento festejados com muita alegria

"Notícia não é  folha de outono; não cai no colo." Essa frase, dizia-a Cleomar Brandi, jornalista baiano nascido na cidade de Ipiaú que, acometido de câncer, faleceu em julho de 2011 em Sergipe, onde morava. Fica evidente que, além de periodista, o cara era também escritor e poeta. Não o conheci pessoalmente, mas tivemos amigos em comum, e trabalhei muito tempo no jornal A Tarde com seu irmão, o também jornalista Chico Ribeiro Neto. Por um amigo do IRDEB, Robério, fiquei sabendo que Cleomar, que viveu a vida intensamente, amava sua profissão com todas as forças da alma assim como amava os amigos e a própria vida, era um cara querido e especial. Tão especial que, sabendo que sua morte era iminente, reuniu as forças e escreveu uma carta de despedida reafirmando suas escolhas, seu amor à vida, os bons momentos vividos,  o apreço aos verdadeiros amigos. Edith Piaf em sua canção maior, Rien de rien, dizia que não, não se arrependia de nada e desfilava segurança e ausência de mágoas pelos acontecimentos de sua conturbada existência, desconsiderando cizânias, dores e traições em que porventura fora enredada, minimizando possíveis frustrações ocasionais na longa jornada do viver. Cleomar foi além, deixou determinado e bem claro a todos os amigos que eles deveriam fazer do seu velório não um acontecimento encharcado por copiosas lágrimas, pungentes lamentações que perdas costumam trazer, instantes para tristes e lancinantes lembranças do amigo que partira, mas, sim, uma alegre festa de celebração da vida, da felicidade de viver entre seres amados desfrutando da amizade verdadeira, momentos onde não coubesse nenhum pingo de deprimente tristeza, tudo muito de acordo com a filosofia que ele seguira à risca vida afora. E foi ainda mais longe: sabendo que os amigos, fiéis, iriam em peso ao seu sepultamento, conclamou que todos, depois de saírem do cemitério deveriam ir ao Bar do Camilo onde ele, previamente, deixara paga a conta para uma mais que alegre bebemoração com seus queridos confrades, ainda que ele ali não pudesse estar presente em seu corpo físico. Quem lá esteve, disse que no momento em que bebiam em seu louvor, surgiu no céu um inefável arco-íris duplo, indicativo de que Cleomar não ia perder essa, comparecia espiritualmente e se juntava aos amigos nessa sua retumbante festa de despedida deste mundo. O clima alegre e fraternal que marcou o encontro pode ser visto nestas fotografias que mostram a festa alusiva ao evento pós-sepultamento. Na última delas, uma foto recente do amado Cleomar, um ser humano que soube viver a vida, um anjo radiante em sua derradeira despedida, em sua última saideira. 
(09/08/11)

J. Jorge Amado, o nume, o esparro

João Jorge e eu somos amigos há bem duas décadas, embora não nos vejamos amiúde. Sempre me cativou nele a forma com que me trata, com consideração e respeito raros, quer como amigo, quer como parceiro em empreitadas ilustrativo-literárias. Eis que um dia, um nume de amor (não é roubo, é só um temporário empréstimo, Augusto) que certamente gostava de caricaturas, me regalou com a amizade pessoal de Jorge Amado e Zélia Gattai, gentes que - além do imensurável talento - tinham em si o melhor que a índole humana dispõe no cardápio. Fácil é perceber que João Jorge herdou dos amáveis genitores a sua forma cativante de ser, sempre afável, sincero, generoso, justo, cortês, cordato, lhano. E mais não digo porque ainda não instalei um bom e  devidamente atualizado Dicionário de Sinônimos neste meu PC. Esta caricatura de João Jorge fiz para a orelha do seu livro "Lá ele - o esparro na Bahia", que tive o subido prazer de ilustrar há pouco tempo. Ilustrava e ria, ilustrava e ria. Ria, e muito, dos esparros que vêm a ser um aspecto da comunicação oral entre baianos, uma espécie de pegadinha, um jogo de palavras feito de duplo sentido e muita malícia, com o objetivo de ludibriar e tirar sarro da cara de um desavisado interlocutor. J. Jorge pesquisou e coletou farta quantidade de frases que exemplificam esse lado lúdico da oralidade baiana. Se quiser dar boas gargalhadas entre em contato com a editora que imprimiu o livro, a Publit Editora, e encomende o seu hilariante exemplar. Não tem esparro. Ou melhor, só tem esparro. Quer dizer...ah!, deixa pra lá. O link para a Publit, leitores, é: http://www.publit.com.br
(05/11/13)

26 agosto 2018

O fascismo brasileiro também usa avental de cozinha e assiste novelas da Globo .

Navegando na internet, encontrei e li este texto do consagrado jornalista Gonçalo Junior, a quem muito respeito e admiro e com o qual compartilho muitíssimo da visão sobre os tristes e deletérios fatos políticos e sociais que nos assolam nesses recentes tempos, fustigados que vamos sendo por ventos do nazismo e vendavais do fascismo, ainda que tomem formas de pacatas senhorinhas e insuspeitas donas de casas paramentadas com o indefectível traje auriverde dos patinhos e patinhas da FIESP. Deus nos defenda, Alá nos proteja, Jah, Buda e Tupã nos guardem destas senhorinhas, muitas das quais levam nas mãos uma Bíblia que sacam a torto e a direito, usando-a como se fora uma arma de destruição em massa contra quantos delas discordem. Mesmo me dizendo um livre pensador, em tais horas me agarro a um velho terço que comigo guardo e, contrito e genuflexo, imploro que alguma brisa de sabedoria e bom senso nos arejem os dias presentes e futuros. Sem consultar o grande Gonçalo Junior, reproduzo aqui para meus leitores mais fiéis, já que os tenho em mui elevada conta.

"31/05/2018, Avenida Paulista, agora...
ADENDO: Eram cerca de 100 pessoas, a maioria enrolada com a bandeira do Brasil ou vestindo camisa da Seleção Brasileira. Em meia hora, cruzei com dois grupos com o mesmo discurso. Esse era comandado por uma senhora que tentava articular frases feitas para justificar aquele circo todo. As pessoas olhavam aquilo como se vê bichos no zoológico, com curiosidade (com todo respeito aos animais dos zoos), mas sem aderir ou apoiar. Isso se chama apologia contra a ordem institucional e a Constituição. Para mim, é crime. Como pregar o nazismo, pois sua essência vai contra as liberdades e os direitos das pessoas. Alguém precisa enquadrar essas pessoas, pois isso nada tem a ver com liberdade de expressão. Pelamordedeus..."
(02/06/18)

Sogra de um genro vibrante / Sexo de graça

(150313)

Bacanal bacana / Sexo de graça

(180415)

Protetor solar no Oeste / Humor de Graça

020514

19 agosto 2018

Partindo para a ignorância com o Paulo Paiva / Pintando o Set 9


Justiça se faça, o cidadão Paulo Paiva - famoso no universo das HQs com o codinome Pepê - é um cara retado. E retado, aqui onde me encontro, neste afro-baiano torrão, significa que o indivíduo assim nominado é um sujeito competente, que sabe das coisas, cheio de denodo e de muita fibra. Fibra, aliás, é coisa que nele sobra, Pepê tem mais fibra que a embalagem de uma tonelada da Aveia Quaker vendida nos supermercados por aí. Tanto é verdade que nem um AVC conseguiu deter este meu amigo. Passado o susto inicial, Pepê - com o auxílio fundamental de sua cara-metade Suely Furukawa - lutou com determinação e foi reassumindo aos poucos seus afazeres que o fizeram tão conhecido e amado. Pois foi este meu amigo que um tempo atrás me pegou de surpresa ao me enviar via internet uma mensagem gravada em vídeo onde aparecia dirigindo-se a mim, falando entusiasmado sobre alguns desenhos meus que lhes havia remetido e que ele viria a publicar em uma das revistas de HQs, textos e cartuns que co-editava à época com Suely. No referido vídeo, mostrou-se mais que satisfeito com a qualidade do material que lhes enviei para publicação e me teceu elogios que um cara durão como sou, um ente machão-porém-mui-emotivo, não pode receber sem se debulhar em lágrimas dignas das vertidas por quaisquer acompanhantes das mais lacrimosas novelas mexicanas. Ah, meu Senhor do Bonfim, se esta história parasse por aqui, seria um final feliz digno de filmes de Hollywood. Mas o caso é que ao retomar suas atividades, além de editar, Pepê também foi voltando a escrever, criar e ainda desenhar. É bem aí, amigos, que reside indesejável cizânia. Tudo solamente porque dentre os confrades que fiz neste grande mulato inzoneiro, Pepê é daqueles que perdem o amigo mas não perdem a oportunidade de sacanear em nome de umas boas gargalhadas. Passado um recesso, eis que ele me enviou, de sua atual lavra, outra caricatura da minha magnânima e régia pessoa, apesar de eu já haver previamente alertado ao meu amigo que não aprecio gestos que tais. Em postagem anterior, cordatamente já o advertira, dei indiretas diretíssimas, já fiz ameaças veladas e outras escancaradas, já blasfemei, já vituperei, já desconjurei, mas nada do Pepê se mancar. Então mister se faz subir o tom. Que Seu Pepê não reclame quando estiver no conforto de seu sacrossanto lar e, sem aviso prévio, receber a contraporra. E se ele não sabe o que é isso, esclareço didaticamente que aqui na Bahia isto é o mesmo que receber a galinha pulando, o que equivale ao vivente se tornar alvo de uns catiripapos muito bem aplicados de sopetão nas fuças, como os que aplicarei resoluto naquela cara de sacana que ele tem assentada em cima do seu pescoço. Sou ainda capaz de fazer coisas mais deletérias. Isto é claro se Suely, mais exatamente Suely Hiromi Furukawa, se distrair por algum momento, pois de besta só tenho a cara. Plenamente cônscio de ser ela uma nissei versada em tradicionais nipônicas artes marciais não sou em quem vai dar moleza e passar de agressor a candidato à vaga em leito de UTI. Para lá quem vai mesmo é o Pepê se continuar a me enviar tantas e tão depreciativas caricaturas de minha augusta pessoa. Abre o olho, seu Pepê! E tenho dito.
(Publ. orig. 25/11/09)

18 agosto 2018

Sketchbook 01 / Um rosto enigmático em traços rápidos

Quem tem o desenho como meio de expressão, se vale de sketchbooks a toda hora para fazer estudos que serão - ou não - aproveitados mais adiante. E na falta dos sketchbooks, serve um sketchpapelão, um sketchpapeldepão e o que pintar na hora em que bate a vontade de experimentar, deixar a mão se divertir sem maiores compromissos. Aqui usei aquarela e um pincel fino. Gosto de tracejar com canetas descartáveis com nanquim, mas um pincel, um bom pincel com pelo de marta ou similar, é um material com o qual tenho sempre prazer de desenhar ou pintar qualquer coisa.
(14/07/15)

Sexo de graça - Jogador violento e juiz masoquista

(09/06/2015)

16 agosto 2018

Paulo Paiva, Suely Furukawa, Chico Peste, AQC e otras cositas

Em dias recentes, Paulo Paiva, o moreno mais frajola de Sampa, conduzido pelos notáveis da AQC, entrou oficialmente para o sagrado panteão que reúne os mais competentes, dedicados e produtivos profissionais de quadrinhos neste país varonil de Gugu e Clodovil. Revendo meus arquivos implacáveis descobri que entre as primeiríssimas postagens deste bloguito está uma singela homenagem que fiz ao Pepê no longínquo ano de 2009, quando ele ainda não era oficialmente - como hoje o é - um Grande Mestre do Quadrinho Nacional. Eu, arrivista e venal, como de costume, quero aproveitar o momento para dar um repeteco na dita postagem para ver se assim pego uma carona no enorme prestígio que Pepê, aliás, o Mestre Paiva, vem desfrutando entre as muitas gentes das classes cartunais, desenhísticas, ilustrativísticas e quadrinhísticas desse sagrado torrão cujo pendão auriverde a brisa do Brasil beija e balança. Paulo Paiva, amadíssimo Mestre, para você os meus respeitos, a minha admiração e  um grande abraço.

Paulo Paiva, um cara cheio de bons argumentos
  
Conheci meu querido amigo Paulo Paiva, o Pepê, há alguns milênios na Editora Abril onde ele escrevia argumentos para Zé Carioca e outros personagens do Papai Disney. Pepê, além de excelente argumentista, notável quadrinhista e cartunista talentoso, é um ótimo criador de personagens. Um dos mais hilários deles é o cangaceiro Chico Peste, feito em parceria com Munhoz. Pois foi no Chico Peste que me inspirei para fazer este portrait charge desse amigão de todos. Falando em amigos, quando o rei Roberto soltava a voz dizendo que queria ter um milhão deles, Pepê já tinha o dobro disso. Não há quem não goste do cara.Mas quem gosta mais  mesmo é a Suely Furukawa que, com sorte, tornou-se sua consorte. Fiz Pepê com um olhar de menino levado que ele tem. Desconfio que para manter esse menino na linha Suely deve ter usado - e muito - seus conhecimentos de artes marciais legados pelos seus honoráveis ancestrais nipônicos.
(09/05/2009)

12 agosto 2018

Lage, o cartunista mais amado entre os cartunistas.

Valho-me de minha magnânima generosidade para presentear vocês, sábios leitores, sapientes leitoras, com dois  trabalhos do cartunista, chargista e quadrinista baiano Hélio Lage, ciente de que eles demonstram apenasmente um mui diminuto tantinho do vasto talento deste artista maravilhoso, fera no traço e nas ideias, o cartunista mais admirado pelos demais cartunistas baianos, um primus inter pares, que o diga o grande Bigu, primus, digo, primo carnal de Hélio. Depois desse aperitivo, lhanos leitores, dulcíssimas leitoras, o lance é acessar o diversificado PORTAL DO IRDEB e ver os outros trabalhos de Lage que lá estão a espera de quem sabe o que é bom. Clique aqui neste link, meu rei: www.irdeb.ba.gov.br  
Depois é só entrar no tópico Galeria de Imagens e se deliciar com os cartuns e desenhos com gosto de acarajé do mais maravilhoso cartunista que a Bahia já viu em afortunados dias. Bon appétit.

11 agosto 2018

Imprensa pró-golpe, Jornalismo sério, Democracia, Desenhos e Pinturas de Setúbal no OutraBahia Online.


    A grande imprensa brasileira mergulhou fundo no proceloso mar do golpe de 2016, apoiando-o da forma mais abjeta possível, participando ativamente das articulações golpistas, mentindo e distorcendo fatos, criando os chamados factóides, as mais lamentáveis mentiras travestidas de notícias autênticas, sérias, colocando-se totalmente do lado dos patrões - os seus donos e os demais patrões - e contra os interesses e conquistas de décadas da classe trabalhadora do Brasil, com inequívoca parcialidade,  deixando de lado os propósitos de noticiar com isenção, de cumprir seu papel de bem informar, de atuar de forma imparcial e honesta. Isso é que as pessoas esperam de órgãos de imprensa em países democráticos. Talvez achando - sabe-se lá o porquê - que das procelas golpistas nasceria sua redenção. Ledo engano, total engano, fatal engano. Tempos houve em que a grande imprensa tinha total poder de publicar coisas sem que houvesse contestações e o que diziam viravam verdades absolutas  Mas neste mundo hodierno surgiu a internet que deu voz e vez para contestações e amostragem das mais variadas visões e opiniões, mostrando que a verdade não é propriedade de ricos empresários donos de jornais, emissoras de rádio e canais de TV. Se ao aderir ao golpe a grande imprensa pensava resgatar sua credibilidade, perdeu-a de vez ao intentar, sem o mínimo respeito à Democracia, duramente golpeada, ao sustentar com enormes e absurdas falácias e calúnias as mais diversas, um esquema que envolve o que há de pior nesse patropi, a escória em termos de políticos e privilegiados ocupantes de cargos em instituições. A credibilidade abalada perdeu-se de vez e não será possível para essa grande imprensa tão comprometida, resgatá-la agora, diante da gravidade de seus erros. Nesse vácuo, cresceram os blogs e sites de jornalistas com fortes personalidades. cheios de brios, coragem e credibilidade, jornalistas de fato, que não fogem da briga, plenos da necessária competência jornalística e determinação, dispostos a mostrar que a confiança e a dita credibilidade são frutos de um trabalho honesto, sério em que a mentira não tem vez. Eles se contrapõem a uma desacreditada grande imprensa e às mídias financiadas para criarem as mais abjetas fakenews. Aqui na Bahia eis que surge um blog jornalístico novo, o OutraBahia. Conheço boa parte da galera que está à frente, já trabalhei com quase todos, sei da competência e determinação deles. São jornalistas sérios que amam profundamente o que fazem, são experimentados, tarimbados, competentes. Por tudo isso foi que atendi convite dessa galera e a eles entreguei um material com trabalhos meus, de caricaturas, cartuns e ilustrações. Para vocês, amáveis e idolatráveis leitores, conhecerem o OutraBahia online e também para verem um pouco mais dos muitos desenhos meus que lá se encontram, vai aqui o link:
http://outrabahia.com.br/colunas/paulo-setubal/
(27/09/17)

09 agosto 2018

Calúnia Social de Setubrahim Sued e a nata do cartum no Brasil.

Em sociedade tudo se sabe. Na sua sofisticada mansão em Belle Island, santuário dos milionários do jet set paulistano quatrocentão, o megapainter Gonzalito del Cárcamo recebeu em petit-comité os big shots do portrait-charge nacional, Paul Le Carrusô e Richard Onlyairs, vindos da Supercap. No farto buffet servido, entre os mais diversos acepipes constava o exótico ceviche, uma espécie de sashimi latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do exterior. Tais iguarias cruas têm hoje um viés politicamente correto, vez que ajuda o Brasil a economizar gás, iniciativa assaz patriótica nestes tempos economicamente tão bicudos quanto o Evo Morales. Para dizer uma verdade nua e muito crua, quando oferecem carpaccio para meu chauffeur, Paulo Miklos, ele - bom de Estômago - vai logo bradando: "O meu quero bem passado!". Visando regar os bofes dos convivas, Don Gonzalito serviu champanhota, cervejota e cachaçota. De leve. Ou melhor, da pesada. No crepúsculo, o hostess chileno-soteropaulistano mostrou seus dotes badenpowellísticos e dorivalcaymmicos dedilhando um violão e soltando sua estentórea e bem afinada voz em clássicos de Waldick Soriano, Frankito Lopes, Anísio Silva e Miguel Aceves Mejia. Le Carrusô além de emprestar sua voz para um luxuoso dueto vocal , empolgou-se e provou que em matéria de samba, tem polca nos pés. Tremendo Su. A tertúlia só foi interrompida com a chegada de les hommes numa muito escura viatura, chamados que foram pelos vizinhos que não aguentaram mais ouvir Don Gonzalito cantar pela centésima vez o "Cu-cu-ru-cu-cu Paloma". Bola preta para tais invejosos. Os cães lavam e a caravana enxuga e passa. Ademã, que eu vou em frente. Cavalo não desce escada. Meus puros-sangues árabes, por exemplo, só vão de elevador. Social, é claraaaro, que é para eles não se misturarem com a gentalha. Sorry, periferia!
(06/02/14)

31 julho 2018

Xaxado e Cedraz na Itália: Spaghetti com acarajé, mamma mia!


Vale a pena dar uma navegadazinha básica e uma vislumbrada no blog do superpremiado desenhista e argumentista de histórias em quadrinhos Antonio Cedraz que nos mostra personagens de HQs criados por ele, vistos pelos traços de vários desenhistas que são também admiradores do seu belo e brasileiríssimo trabalho, entre os quais estou euzinho, com alguns desenhos, tal como este cangaceiro aí em cima proseando com Xaxado, feito com nanquim. Cada artista usou seu traço pessoal e - só pra rimar - o resultado final é muitíssimo legal, sensacional, piramidal. Entre os colegas de traço você poderá ver por lá grandes profissionais com o mineiro Mozart Couto, 
orgulho e glória dos quadrinhos nacionais, o venerável e venerado mestre Júlio Shimamoto, também Emir Ribeiro, aquele da Velta, mais o Alexandre Montandom, além do sempre excelente Carlos Avalone, fera do traço, um dos poucos quadrinistas brasileiros a conseguir ficar arquimilionário com os quadrinhos, o que o faz atualmente viver incógnito em algum ponto de Santos, SP, temeroso de ser alvo de sequestro, e longe, bem longe dos pedidos de empréstimos de antigos colegas desenhistas do tipo Dyrango Kid.
E, por fim - mas não menos importante - o espetacular desenhista italiano Ivo Milazzo,
aqueeeele mesmo que, entre tantos trabalhos, desenhou o aclamado herói cult Ken Parker, uma unanimidade entre os fãs de HQs. Meu amigo Antonio Cedraz não é fraco, não, galera! Clique aqui e divirta-se: 
http://fotolog.terra.com.br/desenhosdoxaxado 

  1. Caros e gentis leitores, aqui faz-se necessário um providencial PS: está postagem acima foi escrita originalmente em 2013 e esse link que estava disponível para chegar à referida página, não rola mais, já dançou, infelizmente. Mas permanece forte minha alegria e meu orgulho de haver sido convidado por Cedraz para participar com meus desenhos de tão belo projeto artístico, bem como a satisfação de saber que há ainda muitos outros caminhos para ver trabalhos do inesquecível Mestre dos quadrinhos, amigo querido por todos, que tanta, tanta falta nos faz. Entre esses caminhos, estes links aqui: 

http://tirasemquadrinhos.blogspot.com.br/
http://turmadoxaxado.blogspot.com.br/2008/12/conhea-turma-do-xaxado.html
(Publ. orig. 03/11/2013)

25 julho 2018

Submarinos soviéticos podem invadir o Brasil via Rio São Francisco

Não sei se fazendo parte das comemorações pelos recentemente completados 50 anos do golpe militar no Brasil, mas a verdade é que os militares pernambucanos decidiram retirar dos moradores de Juazeiro, BA, e de Petrolina, PE, o sagrado, democrático e constitucional direito de ir e vir. Com o questionável aval de um juiz que não ouviu como deveria o povo destas cidades, essas gentes com seus coturnos, suas gandolas e seus fuzis estão proibindo os moradores da região de circularem nesta fluvial ilha que se situa no meio do Rio São Francisco entre ambas as citadas urbes. Da ilha se assenhoraram os militares respaldados por decisão do supracitado juiz que, sem nenhum vontade de dar testa a militares, atendeu o argumento castrense de que a Ilha do Fogo é ponto axial para a segurança de nossa Pátria amada, idolatrada, salve!, salve! Tenho a deplorável mania de tentar entender as coisas racionalmente, pensar com meus botões e tirar minhas próprias conclusões. Inigualáveis pérolas têm surgido dessas elucubrações, como as que se seguem. Ciente de que os militares, são sempre zelosos e atentos às marxistas artimanhas e manobras, deduzi de pronto que os senhores fardados, movidos por compreensível e salutar paranoia, devem considerar e temer uma invasão de nosso auriverde torrão por insidiosos submarinos soviéticos. Mas se são disto temerosos e crédulos certamente deve ser devido ao fato de que não foram devidamente informados por quem deveria informá-los, de que a Guerra Fria de há muito acabou e que a URSS já não mais existe, nem exércitos ou espiões soviéticos, a não ser em antigos filmes do velho James Bond, aquele que precisava de uma licença para matar, coisa anacrônica já que hoje as TVs, rádios e jornais vivem noticiando em horário nobre que policiais civis e militares matam a torto e a direito, sem que para isso se faça necessário se valer de licença alguma. Além do mais, nestes hodiernos tempos os russos é que foram invadidos pelos capitalistas norte-americanos sendo que os Ivans, os Sergeis, os Yuris,  as Helgas, as Sashas e as Natashas agora bebem ianquíssimas coca-colas e arrotam McDonaldíssimos sandubas para tristeza do velho Marx que, devido a isso, perdeu a paz que tinha em seu jazigo e agora, em seu hoje pouco visitado túmulo, se revira mais que bumbum em baile funk. Quem sabe, ao serem colocados a par destas novidades que ora vigoram, os militares que estão impedindo os moradores de Juazeiro e Petrolina e demais civis de pisarem as areias da Ilha do Fogo possam ficar mais tranquilos e assim decidam revogar a impopular a proibição e devolver a aprazível ilha aos seus legítimos donos, os moradores, para o gáudio e a felicidade geral da nação..
((09/11/14)

18 julho 2018

Béu Machado, um poeta e pensador que encantou a Bahia

Jornalista e colunista competente, poeta e compositor de versos cheios de originalidade, frasista criador de frases memoráveis. Béu Machado era um mistura de tudo isso concentrado em uma só criatura. Uma pessoa gentil, de coração enorme, de excelente índole, simples, cordato, pacato. Um atento observador de tipos populares, dos fatos cotidianos das gentes mais simples, dali vinham seus poemas mais inspirados, suas letras de músicas. Ao ler e ouvir frases e poemas de Béu, inevitavelmente converti-me em seu admirador. Convivendo com ele nas redações de jornais, de colegas nos tornamos amigos, com direito a longos e divertidos papos nos mais recomendáveis frege-moscas, em barracas, biroscas, visgueiras e cacetes-armados da Boca do Rio, bairro em que éramos vizinhos, sendo os diálogos regados com talagadas de capitosas fôias pôdi. Como colega de redação, testemunhei o quanto Béu era admirado e querido por todos, sendo enorme o seu prestígio junto à classe artística e aos demais jornalistas. Em sua coluna de Artes, democraticamente promoveu centenas de artistas, deu-lhes visibilidade e importância. Muitos desses artistas o tempo se encarregou de consagrar.  Mas Béu não era homem dado a autopromoções. Tinha um enorme talento, sim, gostava de escrever, de criar, mas não se importava com a glória pessoal, com os holofotes da fama. Talvez isso explique o pouco material sobre ele encontrado na Internet, seus poemas e frases. No ano em que Béu Machado faleceu, amigos mais próximos se reuniram e, capitaneados pelo artista gráfico e plástico Washington Falcão, editaram um livro com as antológicas frases de Béu. A mim coube a missão de fazer as ilustrações, o que fiz com enorme carinho. Selecionei algumas das frases de Béu, por mim ilustradas, e vou postar neste espaço amarelinho algumas delas para que vocêzinhos, poética leitora, fiel leitor, possam desfrutar, saborear e se regalar com o talento desse grande e inesquecível poeta, que um dia se autorrebatizou como Béu Machado de Xangô, e que, entre as poucas coisas que escreveu sobre si próprio, cravou esta maravilha: “Amo, apesar da amargura. Sorrio, apesar do dente podre.”
**************** Retrato de Béu esboçado com grafite HB, arte-finalizado com caneta nanquim descartável, colorido com Ecoline / Arte que se reparte
(21/09/2016)

Damion, Dunnm, caricaturista e ilustrador norte-americano, e seu belo trabalho

Recentemente postei neste impoluto bloguito diversos trabalhos do caricaturista e ilustrador norte-americano Damion Dunn e não deu outra: eles agradaram em cheio aos leitores. Vai daí que é inevitável que eu poste mais uns trabalhos do cara. Ali no alto, puxando a fila - nem é preciso que eu diga, mas assim mesmo eu digo - o hispânico Javier Bardem, de memoráveis filmes espanhóis e dos EUA, um ator bastante admirado pelos cinéfilos brasileiros, entre os quais me faço presente. Em seguida, o rapper, diretor, roteirista e ator Curtis James Jackson III, mais conhecido pelo nome de 50 Cent. Vendo que um nome pessoal tão longo e pomposo foi transformado em um curto e prosaico apelido, por aí os mais atilados já percebem que o humor do cara é dos bons. Ao centro, uma homenagem feita para relembrar o admirável e memorável cantante e dançante Michael Jackson, aquele do Moonwalker. E por último, last but not least, um trabalho bem criativo e original, mostrando a maravilhosa Monica Bellucci, ex-modelo internacional, uma ótima atriz de tantos filmes e, além de tudo, uma mocetona linda, retumbante, transbordante de sensualidade, que o diga o consagrado ator Vincent Cassel, que se casou com a bonitinha, lindinha, maravilhosinha, sendo ele um cara beeem feio, como exige a tradição de grande parte dos galãs franceses, só para fazer raiva a bonitões assim como eu que ficam chupando o dedo enquanto o feioso Cassel desfruta cada uma das muitíssimas delícias da bela.
(02/06/14)

12 julho 2018

Carmen Miranda, the Lady with the Tutti-Frutti Hat / Umas minas que eu amo 1


 Nunca houve uma mulher como Gilda, dizem. Concordo que Gilda não era fraca, não, mas digo que nunca houve mesmo é uma mulher como Carmen Miranda. E quem a viu cantando, dançando, atuando, jamais poderá delir da memória Carmen, a brazilian bombshell. Sua imagem que atraía todos os olhares qual um irresistível imã, foi mostrada em todo planeta pelo cinema dos states. Os americanos renderam-se aos seus irresistíveis encantos que tantos eram e quem a conhece jamais a esquece, seja na América do Norte, na Europa, em todo orbe. Mais de meio século já se passou desde suas deslumbrantes aparições nos tais filmes made in USA e volta e meia ela é citada em fitas atuais, sua música, sua imagem. Como em filmes de Woody Allen, que parece adorá-la, até mesmo em desenhos animados como de Tom e Jerry, Patolino, Pantera Cor-de-Rosa, Popeye, Bob Esponja e uma lista interminável de cartoons. É bem verdade que os filmes hollywoodianos com Carmen tendiam para o estereótipo, morenas lânguidas dormitando ao sol, toneladas de banana e brasileiritos com sombreros e maracas, ainda assim vale a pena ver a Pequena Notável em ação muito à vontade dividindo a cena com monstros lendários das telinhas e telonas americanas como Grouxo Marx e Jimmy Durante que deixavam transparecer o prazer de estar atuando ao lado dela. Jerry Lewis vestiu-se como ela em uma cena de um de seus filmes, cantou e dançou, imitando-a. Carmen, aliás, era imitada por diversas estrelas americanas contemporâneas suas e isso vale como homenagem pois todas sabiam que Carmen era única e inimitável. Seu sucesso jamais encontrou similares pelo ineditismo, pelo raro poder criativo, pela força de sua presença em cena. Cantora e atriz que a todos hipnotizava quando no palco ou nas telas, como não se curvar diante de sua voz, sua interpretação, sua brejeirice, sua ginga, seu enorme talento natural para o burlesco, sua graça, seus gestos expressivos, seus figurinos que ela própria criava, seu domínio do palco e das plateias? Tudo em Carmen Miranda sempre foi original, inefável e inaudito. Com seus turbantes e balangandãs, quando The Lady of the Tutti-Frutti Hat pisava no set, não tinha pra mais ninguém, roubava a cena de qualquer grande estrela que com ela contracenasse. Tudo isso não se trata de forma nenhum de mero saudosismo, mas de justo e necessário reconhecimento. Enquanto na memória americana e europeia Carmen segue vivendo, aqui no Brasil, sua terra, tratam de esquecê-la depois de tentarem sepultá-la em vida como artista sob alegação de que teria incorrido no grave delito de voltar americanizada da terra de Tio Sam. Fácil é perceber-se que nestes tempos hodiernos a insaciável indústria musical e a mídia enriquecem seus patrões fabricando em série as maiores bandas de todos os tempos da última semana e uma pletora de astros que serão descartados para dar lugar a outros produtos similares, todos com seus sucessos estrondosos por um ano, um verão ou mesmo uma só música, todos feitos para serem consumidos por pessoas que se satisfazem com bem pouco. Acima, muito acima destes produtos descartáveis estão os verdadeiros astros e estrelas. E entre estas, a maior de todos os tempos, a única e verdadeiramente inesquecível, a estrela mais fulgurante de todas, Carmen Miranda.
(10/10/13)

10 julho 2018

Caetano Veloso e Gilberto Gil, doces e bárbaros meninos.

Gilberto Gil, grande, grande, grande Gil. Quantas canções suas me fizeram ver o mundo com melhores cores. Setentão, o cara aê! Mais exatamente, 76 primaveras, outonos, invernos e verões. Mas, como é possível?!, é quase um garotinho! Breve, o mano Caetano completará também os 76. Perplexo, encantado, indagarei de novo: como é possível, como?! Ambos são amigos há mais de meio século, amam-se, respeitam-se, admiram-se. São grandes, fantásticos artistas, com incontáveis legiões de fãs por todo este vastíssimo orbe de tantas culturas, todas nutrindo por eles incondicional admiração e vasto respeito às suas artes, seus talentos. Conquistaram isso com seus talentos, com seus empenhos e seus carismas. Maravilhosos artistas, grandes seres humanos, suas vidas são espelhos para tantos. Pelos seus quase 80, transitam serenos, criativos, atuantes, maduros, porque dão todos seus passos com fé, com muita fé. Que todos os santos da Bahia e todos seus orixás os protejam em suas caminhadas, meninos!
********Em homenagem a estes dois virtuoses da música e a estas duas fantásticas divas da canção, fiz esta caricatura aí com grafite B, caneta nanquim, ecoline, lápis Caran d'Ache e tinta acrílica. Ou talvez deva dizer acriĺírica ou colírica, parafraseando aquela canção do Caê.

(Publ. Orig. 29/05/12)

Parlim, João Gilberto, Ivete Sangalo, Velho Chico


Juazeiro, cidade baiana situada à beira do abençoado Rio São Francisco. Do outro lado do célebre rio fica a pernambucana Petrolina que, em dia pretérito, sequer percebeu a flecha preta lançada pelo ciúme que atingiu em cheio o peito do filho mais ilustre de Dona Canô. Juazeiro - que não é a do Norte, aquela que fica no Ceará - é terra natal de ninguém menos que João Bossanova Gilberto e de Ivete Sangalo, de Luís Galvão, criativo vate dos Novos Baianos. Também é terra natal de Miécio Café, cartunista, caricaturista e promotor de saraus culturais com participação da nata da música brasileira, em sua época. Juazeiro é ainda berço dos craques dos gramados Nunes, que jogou ao lado de Zico no Flamengo, Luís Chevrolet Pereira e de Daniel Alves, sendo que Nunes foi um grande ídolo da torcida flamenguista e os dois últimos escreveram de forma brilhante seus nomes no futebol da Europa. Mas Juazeiro, a querida Juazeiro, é, sobretudo, terra de um grande cara chamado Parlim, um criativo, simpático e profícuo desenhista, quadrinhista, artista gráfico, professor respeitado e de quebra um produtor cultural. No tempo que ali morei, frequentava o estúdio dele e ficava encantado ao ver seu amor à arte transformar-se em concorridas apresentações de mamulengos, títeres, bonifrates, manés-gostosos, franca-tripas, fantoches ou que nome mais tenham, animadas oficinas de desenho para guris, e também em bloco infantil de carnaval, em álbuns de quadrinhos que versam sobre fatos e crendices da região são-franciscana, e da própria história local que envolve sua querida Juazeiro, como o seu "A guerra de Canudos em Quadrinhos". Parlim é retadim. Um grande cara, um caráter maravilhoso, um sertanejo sem máculas, um coração enorme, uma alma de criança cheia de amor pelas artes, pelos amigos e por Juazeiro que, ao lado de sua família, compõem suas maiores querências. Desde que retornei a Salvador nunca mais voltei à Juazeiro. Mas não é por falta de saudades, que estas são muitas. Saudades do Velho Chico, de suas águas, suas ilhas, de caminhar com a namorada pela orla da cidade sentindo a aragem vinda do rio, de beber uma cerveja nos barzinhos à beira do São Francisco, jogando conversa fora, de comer surubim e carne de bode com pirão, de passear na vizinha Petrolina, saudades imensas de alguns ótimos amigos juazeirenses que lá fiz. Entre eles, o amável Parlim, ser humano excepcional, um artista dos bão, um autêntico João Gilberto das artes gráficas.
(02/08/2011)
Ao Parlim, in memoriam.