20 julho 2026

Vampeta, um comentarista extraordinário, subestimado por seu estilo despojado, irreverente, profundamente popular.

      Acabou a Copa do Mundo e no jogo decisivo a seleção da Espanha - como previu o notável comentarista Vampeta - controlou a posse de bola no tempo normal, também na prorrogação, e acabou por meter três gols na Argentina. Dois deles a arbitragem anulou de uma forma, digamos, questionável, algo suspeita. O outro a dita arbitragem não teve como anular. Conforme todos estamos assistindo, um oceano de comentaristas vêm deitando falação com toda espécie de visão, opinião, conceituação. Algumas são bastante aceitáveis, feitos com ponderação e conhecimento do assunto. No entanto o que mais se ouve e se vê formam um espetáculo triste que mistura visões equivocadas, não só do esporte quanto da existência, pobreza espiritual, insipiência mental, conveniência em buscar agradar anunciantes ou empregadores, e toda sorte de absurdos. No meio de um bombardeio de despropósitos, bobagens, equívocos diversos, falas a serviço de interesses suspeitosos, mister se faz enaltecer um grupo reduzido de profissionais das mídias, pessoas que conhecem futebol a fundo e emitem suas opiniões com honestidade, ética, decência. Dentre esse seleto grupo, há que se enaltecer sobremaneira um fabuloso comentarista, ex-jogador e hoje uma pessoa do meio das comunicações, um cara chamado Marcos André, mais conhecido pelo apelido de Vampeta, o Velho Vamp, dileto filho de Nazaré das Farinhas, na Bahia, portanto um nazareno, um conterrâneo de gente muito influente no sacrossanto empíreo. Não vou aqui enumerar, explanar todas as qualidades inerentes a esse ilustre nazareno, mas quero dizer que dele sou fã incondicional em seu labor de comentarista. Antes já o admirava como extraordinário jogador que tanto contribuiu para a grandeza do meu Timão, jogando muita bola e participando ativa e meritoriamente para o título de I Campeão Mundial Interclubes da FIFA, no ano 2000. Jogando pela seleção brasileira, Vamp também brilhou intensamente e foi campeão mundial na Copa do Mundo de 2002, em um tempo que a seleção do Brasil era uma seleção respeitada, admirada, cultuada, reverenciado no mundo inteiro, nada a ver com essas recentes seleções que são eliminada das Copas ano após ano, ad infinitum. Quanto a ser comentaristas, tenho para mim que Marcos André Vampeta é disparadamente o melhor comentarista entre os melhores e mais confiáveis e competentes comentaristas do rádio e das TVs e das mídias da internet. Entre as inúmeras justificativas para tal conceito, basta lembrarmos que nas rodadas finais dessa Copa de 2026, a cada uma das rodadas, enquantos os demais comentaristas viajavam na maionese ou se omitiam, Vampeta, com segurança e muita personalidade cravava quem seria o vencedor. Afirmou que a extraordinária França perderia para a Espanha. Ouvi e, como não sou o gênio da raça, achei um absurdo. Cravou depois que a Inglaterra soçobraria contra a Argentina e que na final, entre Argentina e Espanha, os espanhóis se sagrariam os legítimos campeões do mundo nessa Copa de 2026 devido ao seu estilo de jogo, de jogar como um time entrosado, de ter a posse de bola o tempo todo e, destarte, comandar o ritmo do jogo. As previsões de Vamp foram certeiras, precisas, algo de deixar qualquer torcedor de boca aberta. Diferente de uma extensa pletora dos que se acham grandes PHDs em comentários sobre futebol, Vampeta é um cara simples, contido, moderado, espontâneo, verdadeiro que assume de boas seu estilo de vida pessoal onde se incluem ilimitadas quantidades de gelo e petecas. Certamente por ser pessoa tão simples, humilde e verdadeira, com todo seu extraordinário talento Vampeta é um cara visivelmente subestimado por muita gente do meio e por torcedores, pessoas que não conseguem enxergar no Velho Vamp que ele é, com todo merecimento, um raro, um extraordinário, estupendo comentarista de futebol.