28 abril 2018

João Ubaldo Ribeiro, o Brasil e as "reformas de base" / Texto 01

Tenho alguns amigos em alta conta, estimo-os, a eles dedico sincero e desmedido afeto. Que imenso iceberg de tristeza toca minh'alma quando qualquer um deles me revela suas concepções políticas com argumentos oriundos de noticiários da revista Veja, dos Civittas, ou da Rede Globo, dos Marinhos, os maiores mananciais de fakenews deste país. Ou quando me fazem indagações sobre o tema, partindo de coisas plantadas em suas cabeças, que creem iluminadas. Munidos de tal crença, despejam cachoeiras de sofismas ao usarem acusações veiculadas pelos ditos "órgãos de imprensa", assim com aspas mesmo, por serem valhacoutos de gentes que lançam mão das mais desonestas falácias, dos mais aberrantes textos putativos e apócrifos para convencer os incautos de que o que dizem e pregam é a expressão da verdade. Nivelam-se dessa forma, aos que não podendo frequentar escolas, cresceram profundamente alienados. Para se aboletar em tão perfurada canoa, só mesmo quem não conhece a História deste país e as tenebrosas ações de Civittas e Marinhos com seus envolvimentos, digamos, suspeitosos com a abjeta ditadura militar brasileira de triste memória. Ainda assim, não faltam multidões de estultos - e escrotos - que a glorifiquem e que bradem pelo retorno de tão infaustos dias.  Cartunistas sempre se caracterizaram por terem como meta a defesa dos desvalidos, dos injustiçados, dos que foram colocados à margem da sociedade. Mas atualmente é espantoso constatar que muitos e muitos cartunistas, de forma lamentável, pautam seus cartuns, charges diárias e caricaturas pelo conteúdo veiculado pelas mídias mais falaciosas, contribuindo para induzir a um equivocado entendimento dos fatos a nossa população, por mais absurdo que isto possa soar. Fontes tem grande importância na formação dos nossos pensamentos e conduta. Pensar o Brasil, buscar entendê-lo em suas minúncias, seus mistérios, mazelas, tesouros ocultos, males entranhados desde antanho, acertos e descaminhos não é tarefa fácil como querem muitos precipitados em seus julgamentos levianos e superficiais alimentados pelas falácias ditas em TVs e revistas pertencentes a grupos mancomunados com os sórdidos que nos empurram goela abaixo suas torpezas. É necessário que usemos de cautela e que busquemos ler e ouvir o que dizem as pessoas idôneas com uma história de vida comprovadamente confiável. Gente cônscia, de ilibado proceder, que nos fale com clareza as palavras que nos livre das mentiras convenientes aos arrivistas e venais. Palavras que beneficiem com a verdade dos fatos. Como as encontráveis nos textos de Luís Fernando Veríssimo, por exemplo. Ou como as do escritor João Ubaldo Ribeiro que estão neste texto direto em que ele discorre sobre as chamadas ''reformas de base'', esclarecedor, lúcido, acima dos conceitos ideológicos de esquerda e direita, em uma crônica, intitulada "Se reformarem, é para pior", que é encontrável na internet, da qual, em nova postagem, subsequente a esta, repassarei trechos, uma generosa parte do que pensou e escreveu JUR, mas já adianto aqui e agora o link para que vocês possam ler na íntegra o que o notável autor de "Viva o povo brasileiro" escreveu, prenunciando o golpe de 2016. Não porque fosse ele uma pitonisa, apenas porque era um homem culto e bem informado que conhecia profundamente o Brasil, seu povo, sua História.
 http://academia.org.br/artigos/se-reformarem-e-para-piorar
Momento Arte que se reparte: para fazer esta carica do JUR aí de cima não usei lápis, tampouco papel para desenho, como usualmente faço. Quebrando a rotina, usei tão somente mouse e Photoshop. Te cuida, Aroeira!
(Publicado originalmente em 03/04/15)