10 julho 2026

Mauro Betting dizendo que o Brasil é favorito em 2030 e um tsunami de revoltosos e elogiosos palpites após o novo vexame mundial.

Um turbilhão de comentários inunda redes sociais e bancadas de TVs depois do vergonhoso soçobro da "nossa" seleção, ou seleção das Bets e congêneres, na Copa de 2026, nos EUA. Milhares e milhares de postagens com argumentos pretensamente definitivos sobre as razões das pífias atuações individuais e da lamentável campanha brazuca. E - acreditem, pois afinal isso aqui é Brasil-sil-sil - milhares de elementos encontrando méritos na imeritória seleção. Fomos pela sexta vez seguida chutados nos fundilhos para fora das disputas por uma seleção europeia. Intragáveis pletoras de comentaristas convictos de serem PHDs em tudo que se refere a futebol, exaltados, provocando uma torrencial chuva de perdigotos, vem deitando falação sobre a mais recente vexaminosa campanha da seleção que, a exemplo de múltiplas antecessoras, ajudou a desonrar ainda mais o excelente conceito conquistado com todo merecimento por gerações passadas. Pelo mérito dessas predecessoras gerações legiões de torcedores, cronistas esportivos, jogadores e cartolas subiram em um pedestal bem alto e hoje, com a maior das soberbas, vivem arrotando que temos de ser respeitados pois "somos pentas, somos pentas!". Do pedestal não querem descer de jeito nehuma ainda que ao redor tudo esteja desmoronando a passos largos. Como em nada contribuíram para os velhos dias de glória, nem Neymar nem outros quaisquer das recentes seleções têm direito de dar carteirada de pentacampeões. Tudo que os dessas recentes seleções fazem é colocar dezenas de pás de cal sobre o bom conceito do nosso futebol que a cada ano vai se esvaindo enquanto são exaltados os miliardários ídolos de pés de barro dentro de suas chuteiras de grife. Diante do que é tão óbvio deveríamos ter autocrítica para entender a gravidade de insistirmos em viciosos e equivocados argumentos. Recuperar a excelência e o poder de competitividade que tínhamos não é nada, nada, nada fácil, mas impossível não é. Só que as mídias da comunicação e TVs são partes interessadas que não mostram interesse em melhora coisíssima alguma. Perdendo ou ganhando, os lucros exorbitantes continuam a entrar às toneladas para aquela galera de sempre. Para manter esse conceito de "melhor seleção de futebol do mundo" os privilegiados e favorecidos de sempre se valem de discursos que no fundo são propagandas enganosas mantidas até mesmo por certos lixos humanos guindados à condição de "cronistas esportivos" que cotidianamente vomitam enganosos conceitos diante de microfones e câmeras. Tudo fica pior quando cronistas juramentados, considerados racionais, como o assaz simpático Mauro Betting, fazem postagens como uma em que Betting afirma que a "nossa" seleção estará entre as favoritas para ser campeã na próxima Copa do Mundo. Não duvidamos que as já mencionadas Bets e mídias corporativas que faturam fortunas endossarão tal insanidade sem o mínimo fundamento. Mauro, habitualmente um cara ponderado, no caso em pauta parece mais estar preocupado em garantir seu bem remunerado emprego de comentador futebolístico esquecendo-se que esse alegado favoritismo tem se mostrado apócrifo a cada quatriênio. Ao formular tal afirmação Betting deu uma bela derrapada, mas sempre mostra ser boa gente, se porta de forma cordial, bem humorada, acredito na sua lisura profissional e honestidade e não o creio envolvido em suborno vindo de onipresentes e milionárias casas de apostas nem em nada escuso que justifique que ele seja injusta, precipitada e levianamente apodado de Mauro Bets. Contando com as quatro Copas sob atuações pífias de Neymar, o resultado é que é desanimadora a história vivida por seleções que tudo de errado fizeram para que perdessemos de forma vergonhosa todos os seis títulos disputados desde 2002. E a coisa é ainda mais grave e deprimente do que enxerga nossa vã filosofia. A ponto de completar um longo quarto de século em busca do título de hexacampeão, tudo o que conseguiram foi serem eliminadas seis vezes seguidas por seleções europeias, algumas de segunda ou terceira grandeza, perpetuando a façanha de nos trazer o desonroso título de hexaeliminados em Copas. Agora a camisa canarinho aonde for leva estampada, indelével, esse indesejado carimbo. Um feito inédito que nenhuma seleção almeja igualar.