08 julho 2026

O neopentecostalismo tão extremista do campo evangélico foi criado como reação contrária à ala progressista da Igreja Católica.

"Na época da Guerra Fria, o Estado norte-americano viu a Teologia da Libertação e a ala progressista da Igreja Católica como problema geopolítico. Relatórios oficiais dos EUA apontavam a Igreja Católica latino-americana como força de mudança social, especialmente após Medellín e o Vaticano II. Documentos como o de Santa Fé defenderam combater a Teologia da Libertação e houve aproximação entre política externa anticomunista dos EUA, missões evangélicas conservadoras e elites locais.

Pesquisadores como David Stoll tratam a expansão evangélica na América Latina como fenômeno religioso real, com base popular própria, mas ocorrido num ambiente em que Washington via o catolicismo de esquerda como ameaça e setores conservadores dos EUA incentivavam alternativas religiosas anticomunistas.

No Brasil, o crescimento neopentecostal também tem causas internas: urbanização acelerada, crise das comunidades católicas tradicionais, televisão, rádio, empreendedorismo religioso, promessa de cura, disciplina moral, rede de apoio e teologia da prosperidade. Autores como Ricardo Mariano descrevem o neopentecostalismo como “terceira onda” pentecostal, com forte presença midiática, política e empresarial.

E o que vemos hoje é que p neopentecostalismo brasileiro acabou se tornando uma das principais bases sociais e políticas da extrema direita no Brasil. Lideranças religiosas transformaram púlpitos e redes de igrejas em estruturas de mobilização eleitoral, importando também elementos da guerra cultural norte-americana... o anticomunismo permanente, o pânico moral em torno de gênero e s3xualidade e a ideia de uma nação submetida a valores cristãos. Não por acaso o apoio evangélico foi decisivo para a ascensão de Jair Bolsonaro e permanece central para o bolsonarismo."

(extraído do PRAGMATISMO POLÍTICO)