André Nunes é paraense, um insular nascido e criado na
fluvial Ilha do Arapujá , que fica bem defronte a Altamira, e que divide o Rio
Xingu, importante afluente do Rio Amazonas. Um ribeirinho, sim, de boa cepa e com
muito orgulho. Mas também é um cidadão do mundo, com ampla e benéfica visão
social e política, um homem consciente, de rica trajetória existencial, culto,
que ama sua gente, sua terra, a vida em toda sua plenitude. Tais qualidades
somadas acabaram por torná-lo o notável escritor que é, inspirado, cônscio,
senhor das palavras. Em seu livro Xingu,
causos e crônicas, André nos permite embarcar em seu caxiri que seguramente
nos conduz em instigante périplo por rios, igarapés, matas amazônicas, seringais
em que se evidenciam quilombos, ditadura militar, cabanos, seringueiros,
ribeirinhos, indígenas, caboclos, grileiros, pistoleiros, almas, corações e
mentes num itinerário que envolve e emociona o leitor. A rica narrativa é
construída pela privilegiada memória do autor que descreve em minúncias cada
detalhe dos acontecimentos, por vezes poéticos, compostos pelo vôo de
borboletas azuis, por vezes brutais, protagonizados por homens inclementes com
suas motosserras rasgando o ventre da floresta amazônica, aniquilando flora e
fauna, pelo massacres de inocentes e desvalidos, pela desfiguração e incerteza
trazidos pela implantação de grande hidrelétrica. Acontecimentos que foram
todos vividos com intensidade, plenos dos mais variados sentimentos e emoções
diversas. Neles sempre se faz presente um humor contido, bem pessoal e uma
declaração de amor à vida. Sem se valer de frases de efeito ou maneirismos
inócuos, usando as palavras exatas com o domínio de escritor de notável talento
que é, André sabe dar a cada narrativa o toque de emoção e verossimilhança,
criando um clima envolvente e prazeroso que delicia e encanta o leitor. Seu
texto sobre o Haiti, em luta desigual contra as grandes potências do mundo, é
leitura que lança preciosas luzes sobre a forma de agir da velha e da nova
Ordem Mundial. Quando escreve sobre o Pará, o carinho de André pelo chão, pelo
seu círculo parental, pelos seus mais fiéis amigos e por toda a gente paraense
se evidencia, e sua paixão pela terra se faz facilmente identificável em cada
um de seus relatos e observações numa antropologia exata feita do mais tocante amor.
31 agosto 2018
27 agosto 2018
Cleomar Brandi: velório e sepultamento festejados com muita alegria
"Notícia não é folha de outono; não cai no colo." Essa frase, dizia-a Cleomar Brandi, jornalista baiano nascido na cidade de Ipiaú que, acometido de câncer, faleceu em julho de 2011 em Sergipe, onde morava. Fica evidente que, além de periodista, o cara era também escritor e poeta. Não o conheci pessoalmente, mas tivemos amigos em comum, e trabalhei muito tempo no jornal A Tarde com seu irmão, o também jornalista Chico Ribeiro Neto. Por um amigo do IRDEB, Robério, fiquei sabendo que Cleomar, que viveu a vida intensamente, amava sua profissão com todas as forças da alma assim como amava os amigos e a própria vida, era um cara querido e especial. Tão especial que, sabendo que sua morte era iminente, reuniu as forças e escreveu uma carta de despedida reafirmando suas escolhas, seu amor à vida, os bons momentos vividos, o apreço aos verdadeiros amigos. Edith Piaf em sua canção maior, Rien de rien, dizia que não, não se arrependia de nada e desfilava segurança e ausência de mágoas pelos acontecimentos de sua conturbada existência, desconsiderando cizânias, dores e traições em que porventura fora enredada, minimizando possíveis frustrações ocasionais na longa jornada do viver. Cleomar foi além, deixou determinado e bem claro a todos os amigos que eles deveriam fazer do seu velório não um acontecimento encharcado por copiosas lágrimas, pungentes lamentações que perdas costumam trazer, instantes para tristes e lancinantes lembranças do amigo que partira, mas, sim, uma alegre festa de celebração da vida, da felicidade de viver entre seres amados desfrutando da amizade verdadeira, momentos onde não coubesse nenhum pingo de deprimente tristeza, tudo muito de acordo com a filosofia que ele seguira à risca vida afora. E foi ainda mais longe: sabendo que os amigos, fiéis, iriam em peso ao seu sepultamento, conclamou que todos, depois de saírem do cemitério deveriam ir ao Bar do Camilo onde ele, previamente, deixara paga a conta para uma mais que alegre bebemoração com seus queridos confrades, ainda que ele ali não pudesse estar presente em seu corpo físico. Quem lá esteve, disse que no momento em que bebiam em seu louvor, surgiu no céu um inefável arco-íris duplo, indicativo de que Cleomar não ia perder essa, comparecia espiritualmente e se juntava aos amigos nessa sua retumbante festa de despedida deste mundo. O clima alegre e fraternal que marcou o encontro pode ser visto nestas fotografias que mostram a festa alusiva ao evento pós-sepultamento. Na última delas, uma foto recente do amado Cleomar, um ser humano que soube viver a vida, um anjo radiante em sua derradeira despedida, em sua última saideira.
(09/08/11)
(09/08/11)
J. Jorge Amado, o nume, o esparro
(05/11/13)
Marcadores:
Fala amizade,
Soterópolis/soteropolitanos,
Vale a pena Verdi e Nova
26 agosto 2018
O fascismo brasileiro também usa avental de cozinha e assiste novelas da Globo .
Navegando na internet, encontrei e li este texto do consagrado jornalista Gonçalo Junior, a quem muito respeito e admiro e com o qual compartilho muitíssimo da visão sobre os tristes e deletérios fatos políticos e sociais que nos assolam nesses recentes tempos, fustigados que vamos sendo por ventos do nazismo e vendavais do fascismo, ainda que tomem formas de pacatas senhorinhas e insuspeitas donas de casas paramentadas com o indefectível traje auriverde dos patinhos e patinhas da FIESP. Deus nos defenda, Alá nos proteja, Jah, Buda e Tupã nos guardem destas senhorinhas, muitas das quais levam nas mãos uma Bíblia que sacam a torto e a direito, usando-a como se fora uma arma de destruição em massa contra quantos delas discordem. Mesmo me dizendo um livre pensador, em tais horas me agarro a um velho terço que comigo guardo e, contrito e genuflexo, imploro que alguma brisa de sabedoria e bom senso nos arejem os dias presentes e futuros. Sem consultar o grande Gonçalo Junior, reproduzo aqui para meus leitores mais fiéis, já que os tenho em mui elevada conta.
"31/05/2018, Avenida Paulista, agora...
"31/05/2018, Avenida Paulista, agora...
ADENDO: Eram cerca de 100 pessoas, a maioria enrolada com a bandeira do
Brasil ou vestindo camisa da Seleção Brasileira. Em meia hora, cruzei com dois
grupos com o mesmo discurso. Esse era comandado por uma senhora que tentava articular
frases feitas para justificar aquele circo todo. As pessoas olhavam aquilo como
se vê bichos no zoológico, com curiosidade (com todo respeito aos animais dos
zoos), mas sem aderir ou apoiar. Isso se chama apologia contra a ordem
institucional e a Constituição. Para mim, é crime. Como pregar o nazismo, pois
sua essência vai contra as liberdades e os direitos das pessoas. Alguém precisa
enquadrar essas pessoas, pois isso nada tem a ver com liberdade de expressão.
Pelamordedeus..."
(02/06/18)
Marcadores:
Brechó,
Soterópolis/soteropolitanos,
Vale a pena Verdi e Nova
23 agosto 2018
19 agosto 2018
Partindo para a ignorância com o Paulo Paiva / Pintando o Set 9

Justiça se faça, o cidadão Paulo Paiva - famoso no universo das HQs com o codinome Pepê - é um cara retado. E retado, aqui onde me encontro, neste afro-baiano torrão, significa que o indivíduo assim nominado é um sujeito competente, que sabe das coisas, cheio de denodo e de muita fibra. Fibra, aliás, é coisa que nele sobra, Pepê tem mais fibra que a embalagem de uma tonelada da Aveia Quaker vendida nos supermercados por aí. Tanto é verdade que nem um AVC conseguiu deter este meu amigo. Passado o susto inicial, Pepê - com o auxílio fundamental de sua cara-metade Suely Furukawa - lutou com determinação e foi reassumindo aos poucos seus afazeres que o fizeram tão conhecido e amado. Pois foi este meu amigo que um tempo atrás me pegou de surpresa ao me enviar via internet uma mensagem gravada em vídeo onde aparecia dirigindo-se a mim, falando entusiasmado sobre alguns desenhos meus que lhes havia remetido e que ele viria a publicar em uma das revistas de HQs, textos e cartuns que co-editava à época com Suely. No referido vídeo, mostrou-se mais que satisfeito com a qualidade do material que lhes enviei para publicação e me teceu elogios que um cara durão como sou, um ente machão-porém-mui-emotivo, não pode receber sem se debulhar em lágrimas dignas das vertidas por quaisquer acompanhantes das mais lacrimosas novelas mexicanas. Ah, meu Senhor do Bonfim, se esta história parasse por aqui, seria um final feliz digno de filmes de Hollywood. Mas o caso é que ao retomar suas atividades, além de editar, Pepê também foi voltando a escrever, criar e ainda desenhar. É bem aí, amigos, que reside indesejável cizânia. Tudo solamente porque dentre os confrades que fiz neste grande mulato inzoneiro, Pepê é daqueles que perdem o amigo mas não perdem a oportunidade de sacanear em nome de umas boas gargalhadas. Passado um recesso, eis que ele me enviou, de sua atual lavra, outra caricatura da minha magnânima e régia pessoa, apesar de eu já haver previamente alertado ao meu amigo que não aprecio gestos que tais. Em postagem anterior, cordatamente já o advertira, dei indiretas diretíssimas, já fiz ameaças veladas e outras escancaradas, já blasfemei, já vituperei, já desconjurei, mas nada do Pepê se mancar. Então mister se faz subir o tom. Que Seu Pepê não reclame quando estiver no conforto de seu sacrossanto lar e, sem aviso prévio, receber a contraporra. E se ele não sabe o que é isso, esclareço didaticamente que aqui na Bahia isto é o mesmo que receber a galinha pulando, o que equivale ao vivente se tornar alvo de uns catiripapos muito bem aplicados de sopetão nas fuças, como os que aplicarei resoluto naquela cara de sacana que ele tem assentada em cima do seu pescoço. Sou ainda capaz de fazer coisas mais deletérias. Isto é claro se Suely, mais exatamente Suely Hiromi Furukawa, se distrair por algum momento, pois de besta só tenho a cara. Plenamente cônscio de ser ela uma nissei versada em tradicionais nipônicas artes marciais não sou em quem vai dar moleza e passar de agressor a candidato à vaga em leito de UTI. Para lá quem vai mesmo é o Pepê se continuar a me enviar tantas e tão depreciativas caricaturas de minha augusta pessoa. Abre o olho, seu Pepê! E tenho dito.
(Publ. orig. 25/11/09)
(Publ. orig. 25/11/09)
18 agosto 2018
Sketchbook 01 / Um rosto enigmático em traços rápidos
Quem tem o desenho como meio de expressão, se vale de sketchbooks a toda hora para fazer estudos que serão - ou não - aproveitados mais adiante. E na falta dos sketchbooks, serve um sketchpapelão, um sketchpapeldepão e o que pintar na hora em que bate a vontade de experimentar, deixar a mão se divertir sem maiores compromissos. Aqui usei aquarela e um pincel fino. Gosto de tracejar com canetas descartáveis com nanquim, mas um pincel, um bom pincel com pelo de marta ou similar, é um material com o qual tenho sempre prazer de desenhar ou pintar qualquer coisa.(14/07/15)
16 agosto 2018
Paulo Paiva, Suely Furukawa, Chico Peste, AQC e otras cositas
Em dias recentes, Paulo Paiva, o moreno mais frajola de Sampa, conduzido pelos notáveis da AQC, entrou oficialmente para o sagrado panteão que reúne os mais competentes, dedicados e produtivos profissionais de quadrinhos neste país varonil de Gugu e Clodovil. Revendo meus arquivos implacáveis descobri que entre as primeiríssimas postagens deste bloguito está uma singela homenagem que fiz ao Pepê no longínquo ano de 2009, quando ele ainda não era oficialmente - como hoje o é - um Grande Mestre do Quadrinho Nacional. Eu, arrivista e venal, como de costume, quero aproveitar o momento para dar um repeteco na dita postagem para ver se assim pego uma carona no enorme prestígio que Pepê, aliás, o Mestre Paiva, vem desfrutando entre as muitas gentes das classes cartunais, desenhísticas, ilustrativísticas e quadrinhísticas desse sagrado torrão cujo pendão auriverde a brisa do Brasil beija e balança. Paulo Paiva, amadíssimo Mestre, para você os meus respeitos, a minha admiração e um grande abraço.
Paulo Paiva, um cara cheio de bons argumentos
Paulo Paiva, um cara cheio de bons argumentos
Conheci meu querido amigo Paulo Paiva, o Pepê, há alguns milênios na Editora Abril onde ele escrevia argumentos para Zé Carioca e outros personagens do Papai Disney. Pepê, além de excelente argumentista, notável quadrinhista e cartunista talentoso, é um ótimo criador de personagens. Um dos mais hilários deles é o cangaceiro Chico Peste, feito em parceria com Munhoz. Pois foi no Chico Peste que me inspirei para fazer este portrait charge desse amigão de todos. Falando em amigos, quando o rei Roberto soltava a voz dizendo que queria ter um milhão deles, Pepê já tinha o dobro disso. Não há quem não goste do cara.Mas quem gosta mais mesmo é a Suely Furukawa que, com sorte, tornou-se sua consorte. Fiz Pepê com um olhar de menino levado que ele tem. Desconfio que para manter esse menino na linha Suely deve ter usado - e muito - seus conhecimentos de artes marciais legados pelos seus honoráveis ancestrais nipônicos.
(09/05/2009)
(09/05/2009)
12 agosto 2018
Lage, o cartunista mais amado entre os cartunistas.
Valho-me de minha magnânima generosidade para presentear vocês, sábios leitores, sapientes leitoras, com dois trabalhos do cartunista, chargista e quadrinista baiano Hélio Lage, ciente de que eles demonstram apenasmente um mui diminuto tantinho do vasto talento deste artista maravilhoso, fera no traço e nas ideias, o cartunista mais admirado pelos demais cartunistas baianos, um primus inter pares, que o diga o grande Bigu, primus, digo, primo carnal de Hélio. Depois desse aperitivo, lhanos leitores, dulcíssimas leitoras, o lance é acessar o diversificado PORTAL DO IRDEB e ver os outros trabalhos de Lage que lá estão a espera de quem sabe o que é bom. Clique aqui neste link, meu rei: www.irdeb.ba.gov.br
Depois é só entrar no tópico Galeria de Imagens e se deliciar com os cartuns e desenhos com gosto de acarajé do mais maravilhoso cartunista que a Bahia já viu em afortunados dias. Bon appétit.
Depois é só entrar no tópico Galeria de Imagens e se deliciar com os cartuns e desenhos com gosto de acarajé do mais maravilhoso cartunista que a Bahia já viu em afortunados dias. Bon appétit.
11 agosto 2018
Imprensa pró-golpe, Jornalismo sério, Democracia, Desenhos e Pinturas de Setúbal no OutraBahia Online.
A grande imprensa brasileira mergulhou fundo no proceloso mar do golpe de 2016, apoiando-o da forma mais abjeta possível, participando ativamente das articulações golpistas, mentindo e distorcendo fatos, criando os chamados factóides, as mais lamentáveis mentiras travestidas de notícias autênticas, sérias, colocando-se totalmente do lado dos patrões - os seus donos e os demais patrões - e contra os interesses e conquistas de décadas da classe trabalhadora do Brasil, com inequívoca parcialidade, deixando de lado os propósitos de noticiar com isenção, de cumprir seu papel de bem informar, de atuar de forma imparcial e honesta. Isso é que as pessoas esperam de órgãos de imprensa em países democráticos. Talvez achando - sabe-se lá o porquê - que das procelas golpistas nasceria sua redenção. Ledo engano, total engano, fatal engano. Tempos houve em que a grande imprensa tinha total poder de publicar coisas sem que houvesse contestações e o que diziam viravam verdades absolutas Mas neste mundo hodierno surgiu a internet que deu voz e vez para contestações e amostragem das mais variadas visões e opiniões, mostrando que a verdade não é propriedade de ricos empresários donos de jornais, emissoras de rádio e canais de TV. Se ao aderir ao golpe a grande imprensa pensava resgatar sua credibilidade, perdeu-a de vez ao intentar, sem o mínimo respeito à Democracia, duramente golpeada, ao sustentar com enormes e absurdas falácias e calúnias as mais diversas, um esquema que envolve o que há de pior nesse patropi, a escória em termos de políticos e privilegiados ocupantes de cargos em instituições. A credibilidade abalada perdeu-se de vez e não será possível para essa grande imprensa tão comprometida, resgatá-la agora, diante da gravidade de seus erros. Nesse vácuo, cresceram os blogs e sites de jornalistas com fortes personalidades. cheios de brios, coragem e credibilidade, jornalistas de fato, que não fogem da briga, plenos da necessária competência jornalística e determinação, dispostos a mostrar que a confiança e a dita credibilidade são frutos de um trabalho honesto, sério em que a mentira não tem vez. Eles se contrapõem a uma desacreditada grande imprensa e às mídias financiadas para criarem as mais abjetas fakenews. Aqui na Bahia eis que surge um blog jornalístico novo, o OutraBahia. Conheço boa parte da galera que está à frente, já trabalhei com quase todos, sei da competência e determinação deles. São jornalistas sérios que amam profundamente o que fazem, são experimentados, tarimbados, competentes. Por tudo isso foi que atendi convite dessa galera e a eles entreguei um material com trabalhos meus, de caricaturas, cartuns e ilustrações. Para vocês, amáveis e idolatráveis leitores, conhecerem o OutraBahia online e também para verem um pouco mais dos muitos desenhos meus que lá se encontram, vai aqui o link:(27/09/17)
09 agosto 2018
Calúnia Social de Setubrahim Sued e a nata do cartum no Brasil.
Em sociedade tudo se sabe. Na sua sofisticada mansão em Belle Island, santuário dos milionários do jet set paulistano quatrocentão, o megapainter Gonzalito del Cárcamo recebeu em petit-comité os big shots do portrait-charge nacional, Paul Le Carrusô e Richard Onlyairs, vindos da Supercap. No farto buffet servido, entre os mais diversos acepipes constava o exótico ceviche, uma espécie de sashimi latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do exterior. Tais iguarias cruas têm hoje um viés politicamente correto, vez que ajuda o Brasil a economizar gás, iniciativa assaz patriótica nestes tempos economicamente tão bicudos quanto o Evo Morales. Para dizer uma verdade nua e muito crua, quando oferecem carpaccio para meu chauffeur, Paulo Miklos, ele - bom de Estômago - vai logo bradando: "O meu quero bem passado!". Visando regar os bofes dos convivas, Don Gonzalito serviu champanhota, cervejota e cachaçota. De leve. Ou melhor, da pesada. No crepúsculo, o hostess chileno-soteropaulistano mostrou seus dotes badenpowellísticos e dorivalcaymmicos dedilhando um violão e soltando sua estentórea e bem afinada voz em clássicos de Waldick Soriano, Frankito Lopes, Anísio Silva e Miguel Aceves Mejia. Le Carrusô além de emprestar sua voz para um luxuoso dueto vocal , empolgou-se e provou que em matéria de samba, tem polca nos pés. Tremendo Su. A tertúlia só foi interrompida com a chegada de les hommes numa muito escura viatura, chamados que foram pelos vizinhos que não aguentaram mais ouvir Don Gonzalito cantar pela centésima vez o "Cu-cu-ru-cu-cu Paloma". Bola preta para tais invejosos. Os cães lavam e a caravana enxuga e passa. Ademã, que eu vou em frente. Cavalo não desce escada. Meus puros-sangues árabes, por exemplo, só vão de elevador. Social, é claraaaro, que é para eles não se misturarem com a gentalha. Sorry, periferia!
(06/02/14)
(06/02/14)
31 julho 2018
Xaxado e Cedraz na Itália: Spaghetti com acarajé, mamma mia!

Vale a pena dar uma navegadazinha básica e uma vislumbrada no blog do superpremiado desenhista e argumentista de histórias em quadrinhos Antonio Cedraz que nos mostra personagens de HQs criados por ele, vistos pelos traços de vários desenhistas que são também admiradores do seu belo e brasileiríssimo trabalho, entre os quais estou euzinho, com alguns desenhos, tal como este cangaceiro aí em cima proseando com Xaxado, feito com nanquim. Cada artista usou seu traço pessoal e - só pra rimar - o resultado final é muitíssimo legal, sensacional, piramidal. Entre os colegas de traço você poderá ver por lá grandes profissionais com o mineiro Mozart Couto,
orgulho e glória dos quadrinhos nacionais, o venerável e venerado mestre Júlio Shimamoto, também Emir Ribeiro, aquele da Velta, mais o Alexandre Montandom, além do sempre excelente Carlos Avalone, fera do traço, um dos poucos quadrinistas brasileiros a conseguir ficar arquimilionário com os quadrinhos, o que o faz atualmente viver incógnito em algum ponto de Santos, SP, temeroso de ser alvo de sequestro, e longe, bem longe dos pedidos de empréstimos de antigos colegas desenhistas do tipo Dyrango Kid.
E, por fim - mas não menos importante - o espetacular desenhista italiano Ivo Milazzo,
aqueeeele mesmo que, entre tantos trabalhos, desenhou o aclamado herói cult Ken Parker, uma unanimidade entre os fãs de HQs. Meu amigo Antonio Cedraz não é fraco, não, galera! Clique aqui e divirta-se:
http://fotolog.terra.com.br/desenhosdoxaxado
- Caros e gentis leitores, aqui faz-se necessário um providencial PS: está postagem acima foi escrita originalmente em 2013 e esse link que estava disponível para chegar à referida página, não rola mais, já dançou, infelizmente. Mas permanece forte minha alegria e meu orgulho de haver sido convidado por Cedraz para participar com meus desenhos de tão belo projeto artístico, bem como a satisfação de saber que há ainda muitos outros caminhos para ver trabalhos do inesquecível Mestre dos quadrinhos, amigo querido por todos, que tanta, tanta falta nos faz. Entre esses caminhos, estes links aqui:
http://tirasemquadrinhos.blogspot.com.br/
http://turmadoxaxado.blogspot.com.br/2008/12/conhea-turma-do-xaxado.html
(Publ. orig. 03/11/2013)
25 julho 2018
Submarinos soviéticos podem invadir o Brasil via Rio São Francisco
Não sei se fazendo parte das comemorações pelos recentemente completados 50 anos do golpe militar no Brasil, mas a verdade é que os militares pernambucanos decidiram retirar dos moradores de Juazeiro, BA, e de Petrolina, PE, o sagrado, democrático e constitucional direito de ir e vir. Com o questionável aval de um juiz que não ouviu como deveria o povo destas cidades, essas gentes com seus coturnos, suas gandolas e seus fuzis estão proibindo os moradores da região de circularem nesta fluvial ilha que se situa no meio do Rio São Francisco entre ambas as citadas urbes. Da ilha se assenhoraram os militares respaldados por decisão do supracitado juiz que, sem nenhum vontade de dar testa a militares, atendeu o argumento castrense de que a Ilha do Fogo é ponto axial para a segurança de nossa Pátria amada, idolatrada, salve!, salve! Tenho a deplorável mania de tentar entender as coisas racionalmente, pensar com meus botões e tirar minhas próprias conclusões. Inigualáveis pérolas têm surgido dessas elucubrações, como as que se seguem. Ciente de que os militares, são sempre zelosos e atentos às marxistas artimanhas e manobras, deduzi de pronto que os senhores fardados, movidos por compreensível e salutar paranoia, devem considerar e temer uma invasão de nosso auriverde torrão por insidiosos submarinos soviéticos. Mas se são disto temerosos e crédulos certamente deve ser devido ao fato de que não foram devidamente informados por quem deveria informá-los, de que a Guerra Fria de há muito acabou e que a URSS já não mais existe, nem exércitos ou espiões soviéticos, a não ser em antigos filmes do velho James Bond, aquele que precisava de uma licença para matar, coisa anacrônica já que hoje as TVs, rádios e jornais vivem noticiando em horário nobre que policiais civis e militares matam a torto e a direito, sem que para isso se faça necessário se valer de licença alguma. Além do mais, nestes hodiernos tempos os russos é que foram invadidos pelos capitalistas norte-americanos sendo que os Ivans, os Sergeis, os Yuris, as Helgas, as Sashas e as Natashas agora bebem ianquíssimas coca-colas e arrotam McDonaldíssimos sandubas para tristeza do velho Marx que, devido a isso, perdeu a paz que tinha em seu jazigo e agora, em seu hoje pouco visitado túmulo, se revira mais que bumbum em baile funk. Quem sabe, ao serem colocados a par destas novidades que ora vigoram, os militares que estão impedindo os moradores de Juazeiro e Petrolina e demais civis de pisarem as areias da Ilha do Fogo possam ficar mais tranquilos e assim decidam revogar a impopular a proibição e devolver a aprazível ilha aos seus legítimos donos, os moradores, para o gáudio e a felicidade geral da nação..
((09/11/14)
((09/11/14)
18 julho 2018
Béu Machado, um poeta e pensador que encantou a Bahia
Jornalista e colunista competente, poeta e compositor de
versos cheios de originalidade, frasista criador de frases memoráveis. Béu
Machado era um mistura de tudo isso concentrado em uma só criatura. Uma pessoa
gentil, de coração enorme, de excelente índole, simples, cordato, pacato. Um
atento observador de tipos populares, dos fatos cotidianos das gentes mais
simples, dali vinham seus poemas mais inspirados, suas letras de músicas. Ao
ler e ouvir frases e poemas de Béu, inevitavelmente converti-me em seu
admirador. Convivendo com ele nas redações de jornais, de colegas nos tornamos
amigos, com direito a longos e divertidos papos nos mais recomendáveis frege-moscas, em barracas, biroscas,
visgueiras e cacetes-armados da Boca do Rio, bairro em que éramos vizinhos,
sendo os diálogos regados com talagadas de capitosas fôias
pôdi. Como colega de redação, testemunhei o quanto Béu era admirado e querido
por todos, sendo enorme o seu prestígio junto à classe artística e aos demais
jornalistas. Em sua coluna de Artes, democraticamente promoveu centenas de
artistas, deu-lhes visibilidade e importância. Muitos desses artistas o tempo
se encarregou de consagrar. Mas Béu não
era homem dado a autopromoções. Tinha um
enorme talento, sim, gostava de escrever, de criar, mas não se importava com a
glória pessoal, com os holofotes da fama. Talvez isso explique o pouco material
sobre ele encontrado na Internet, seus poemas e frases. No ano em que Béu
Machado faleceu, amigos mais próximos se reuniram e, capitaneados pelo artista
gráfico e plástico Washington Falcão, editaram um livro com as antológicas
frases de Béu. A mim coube a missão de fazer as ilustrações, o que fiz com
enorme carinho. Selecionei algumas das frases de Béu, por mim ilustradas, e vou
postar neste espaço amarelinho algumas delas para que vocêzinhos, poética
leitora, fiel leitor, possam desfrutar, saborear e se regalar com o talento
desse grande e inesquecível poeta, que um dia se autorrebatizou como Béu Machado
de Xangô, e que, entre as poucas coisas que escreveu sobre si próprio, cravou
esta maravilha: “Amo, apesar da amargura. Sorrio, apesar do dente podre.”
**************** Retrato de Béu esboçado com grafite HB, arte-finalizado com caneta nanquim descartável, colorido com Ecoline / Arte que se reparte
(21/09/2016)
**************** Retrato de Béu esboçado com grafite HB, arte-finalizado com caneta nanquim descartável, colorido com Ecoline / Arte que se reparte
(21/09/2016)
Damion, Dunnm, caricaturista e ilustrador norte-americano, e seu belo trabalho
Recentemente postei neste impoluto bloguito diversos trabalhos do caricaturista e ilustrador norte-americano Damion Dunn e não deu outra: eles agradaram em cheio aos leitores. Vai daí que é inevitável que eu poste mais uns trabalhos do cara. Ali no alto, puxando a fila - nem é preciso que eu diga, mas assim mesmo eu digo - o hispânico Javier Bardem, de memoráveis filmes espanhóis e dos EUA, um ator bastante admirado pelos cinéfilos brasileiros, entre os quais me faço presente. Em seguida, o rapper, diretor, roteirista e ator Curtis James Jackson III, mais conhecido pelo nome de 50 Cent. Vendo que um nome pessoal tão longo e pomposo foi transformado em um curto e prosaico apelido, por aí os mais atilados já percebem que o humor do cara é dos bons. Ao centro, uma homenagem feita para relembrar o admirável e memorável cantante e dançante Michael Jackson, aquele do Moonwalker. E por último, last but not least, um trabalho bem criativo e original, mostrando a maravilhosa Monica Bellucci, ex-modelo internacional, uma ótima atriz de tantos filmes e, além de tudo, uma mocetona linda, retumbante, transbordante de sensualidade, que o diga o consagrado ator Vincent Cassel, que se casou com a bonitinha, lindinha, maravilhosinha, sendo ele um cara beeem feio, como exige a tradição de grande parte dos galãs franceses, só para fazer raiva a bonitões assim como eu que ficam chupando o dedo enquanto o feioso Cassel desfruta cada uma das muitíssimas delícias da bela.
(02/06/14)
12 julho 2018
Carmen Miranda, the Lady with the Tutti-Frutti Hat / Umas minas que eu amo 1

Nunca houve uma mulher como Gilda, dizem. Concordo que Gilda não era fraca, não, mas digo que nunca houve mesmo é uma mulher como Carmen Miranda. E quem a viu cantando, dançando, atuando, jamais poderá delir da memória Carmen, a brazilian bombshell. Sua imagem que atraía todos os olhares qual um irresistível imã, foi mostrada em todo planeta pelo cinema dos states. Os americanos renderam-se aos seus irresistíveis encantos que tantos eram e quem a conhece jamais a esquece, seja na América do Norte, na Europa, em todo orbe. Mais de meio século já se passou desde suas deslumbrantes aparições nos tais filmes made in USA e volta e meia ela é citada em fitas atuais, sua música, sua imagem. Como em filmes de Woody Allen, que parece adorá-la, até mesmo em desenhos animados como de Tom e Jerry, Patolino, Pantera Cor-de-Rosa, Popeye, Bob Esponja e uma lista interminável de cartoons. É bem verdade que os filmes hollywoodianos com Carmen tendiam para o estereótipo, morenas lânguidas dormitando ao sol, toneladas de banana e brasileiritos com sombreros e maracas, ainda assim vale a pena ver a Pequena Notável em ação muito à vontade dividindo a cena com monstros lendários das telinhas e telonas americanas como Grouxo Marx e Jimmy Durante que deixavam transparecer o prazer de estar atuando ao lado dela. Jerry Lewis vestiu-se como ela em uma cena de um de seus filmes, cantou e dançou, imitando-a. Carmen, aliás, era imitada por diversas estrelas americanas contemporâneas suas e isso vale como homenagem pois todas sabiam que Carmen era única e inimitável. Seu sucesso jamais encontrou similares pelo ineditismo, pelo raro poder criativo, pela força de sua presença em cena. Cantora e atriz que a todos hipnotizava quando no palco ou nas telas, como não se curvar diante de sua voz, sua interpretação, sua brejeirice, sua ginga, seu enorme talento natural para o burlesco, sua graça, seus gestos expressivos, seus figurinos que ela própria criava, seu domínio do palco e das plateias? Tudo em Carmen Miranda sempre foi original, inefável e inaudito. Com seus turbantes e balangandãs, quando The Lady of the Tutti-Frutti Hat pisava no set, não tinha pra mais ninguém, roubava a cena de qualquer grande estrela que com ela contracenasse. Tudo isso não se trata de forma nenhum de mero saudosismo, mas de justo e necessário reconhecimento. Enquanto na memória americana e europeia Carmen segue vivendo, aqui no Brasil, sua terra, tratam de esquecê-la depois de tentarem sepultá-la em vida como artista sob alegação de que teria incorrido no grave delito de voltar americanizada da terra de Tio Sam. Fácil é perceber-se que nestes tempos hodiernos a insaciável indústria musical e a mídia enriquecem seus patrões fabricando em série as maiores bandas de todos os tempos da última semana e uma pletora de astros que serão descartados para dar lugar a outros produtos similares, todos com seus sucessos estrondosos por um ano, um verão ou mesmo uma só música, todos feitos para serem consumidos por pessoas que se satisfazem com bem pouco. Acima, muito acima destes produtos descartáveis estão os verdadeiros astros e estrelas. E entre estas, a maior de todos os tempos, a única e verdadeiramente inesquecível, a estrela mais fulgurante de todas, Carmen Miranda.
(10/10/13)
10 julho 2018
Caetano Veloso e Gilberto Gil, doces e bárbaros meninos.
Gilberto Gil, grande, grande, grande Gil. Quantas canções suas me fizeram ver o mundo com melhores cores. Setentão, o cara aê! Mais exatamente, 76 primaveras, outonos, invernos e verões. Mas, como é possível?!, é quase um garotinho! Breve, o mano Caetano completará também os 76. Perplexo, encantado, indagarei de novo: como é possível, como?! Ambos são amigos há mais de meio século, amam-se, respeitam-se, admiram-se. São grandes, fantásticos artistas, com incontáveis legiões de fãs por todo este vastíssimo orbe de tantas culturas, todas nutrindo por eles incondicional admiração e vasto respeito às suas artes, seus talentos. Conquistaram isso com seus talentos, com seus empenhos e seus carismas. Maravilhosos artistas, grandes seres humanos, suas vidas são espelhos para tantos. Pelos seus quase 80, transitam serenos, criativos, atuantes, maduros, porque dão todos seus passos com fé, com muita fé. Que todos os santos da Bahia e todos seus orixás os protejam em suas caminhadas, meninos!
********Em homenagem a estes dois virtuoses da música e a estas duas fantásticas divas da canção, fiz esta caricatura aí com grafite B, caneta nanquim, ecoline, lápis Caran d'Ache e tinta acrílica. Ou talvez deva dizer acriĺírica ou colírica, parafraseando aquela canção do Caê.
(Publ. Orig. 29/05/12)
********Em homenagem a estes dois virtuoses da música e a estas duas fantásticas divas da canção, fiz esta caricatura aí com grafite B, caneta nanquim, ecoline, lápis Caran d'Ache e tinta acrílica. Ou talvez deva dizer acriĺírica ou colírica, parafraseando aquela canção do Caê.
(Publ. Orig. 29/05/12)
Parlim, João Gilberto, Ivete Sangalo, Velho Chico
Juazeiro, cidade baiana situada à beira do abençoado Rio São Francisco. Do outro lado do célebre rio fica a pernambucana Petrolina que, em dia pretérito, sequer percebeu a flecha preta lançada pelo ciúme que atingiu em cheio o peito do filho mais ilustre de Dona Canô. Juazeiro - que não é a do Norte, aquela que fica no Ceará - é terra natal de ninguém menos que João Bossanova Gilberto e de Ivete Sangalo, de Luís Galvão, criativo vate dos Novos Baianos. Também é terra natal de Miécio Café, cartunista, caricaturista e promotor de saraus culturais com participação da nata da música brasileira, em sua época. Juazeiro é ainda berço dos craques dos gramados Nunes, que jogou ao lado de Zico no Flamengo, Luís Chevrolet Pereira e de Daniel Alves, sendo que Nunes foi um grande ídolo da torcida flamenguista e os dois últimos escreveram de forma brilhante seus nomes no futebol da Europa. Mas Juazeiro, a querida Juazeiro, é, sobretudo, terra de um grande cara chamado Parlim, um criativo, simpático e profícuo desenhista, quadrinhista, artista gráfico, professor respeitado e de quebra um produtor cultural. No tempo que ali morei, frequentava o estúdio dele e ficava encantado ao ver seu amor à arte transformar-se em concorridas apresentações de mamulengos, títeres, bonifrates, manés-gostosos, franca-tripas, fantoches ou que nome mais tenham, animadas oficinas de desenho para guris, e também em bloco infantil de carnaval, em álbuns de quadrinhos que versam sobre fatos e crendices da região são-franciscana, e da própria história local que envolve sua querida Juazeiro, como o seu "A guerra de Canudos em Quadrinhos". Parlim é retadim. Um grande cara, um caráter maravilhoso, um sertanejo sem máculas, um coração enorme, uma alma de criança cheia de amor pelas artes, pelos amigos e por Juazeiro que, ao lado de sua família, compõem suas maiores querências. Desde que retornei a Salvador nunca mais voltei à Juazeiro. Mas não é por falta de saudades, que estas são muitas. Saudades do Velho Chico, de suas águas, suas ilhas, de caminhar com a namorada pela orla da cidade sentindo a aragem vinda do rio, de beber uma cerveja nos barzinhos à beira do São Francisco, jogando conversa fora, de comer surubim e carne de bode com pirão, de passear na vizinha Petrolina, saudades imensas de alguns ótimos amigos juazeirenses que lá fiz. Entre eles, o amável Parlim, ser humano excepcional, um artista dos bão, um autêntico João Gilberto das artes gráficas.
(02/08/2011)
Ao Parlim, in memoriam.
Marcadores:
Fala amizade,
Quadrinhos e quadrinistas,
Vale a pena Verdi e Nova
03 julho 2018
Paulo Paiva, HQs, Maciota, Neymar e Copa do Mundo
Um dos personagens mais legais do sempre inspirado cartunista Paulo Paiva é o craque Maciota, que deve ter lá algum parentesco com o igualmente craque Coalhada, do Chico Anysio. Sempre me deliciei lendo as HQs com o Maciota saídas da cuca de Pepê. A revista com este personagem deixou de sair há tempos mas o personagem paivaniano ficou gravado na memória dos fãs. Para felicidade geral da nação, ouvi que o incansável editor Franco de Rosa lançou no mercado há pouco tempo uma edição só com as tiras e HQs de Maciota. Bom, muito bom. Enquanto isso, malgrado o fiasco de descomunal proporção da seleção brasileira na recente Copa de 2014, por aqui o futebol segue sendo preferência nacional. Valendo-se dessa paixão desmedida pelo chamado esporte bretão e aproveitando uma bela maré criativa, Pepê retou-se, muniu-se de seus apetrechos cartunísticos e mandou este desenho com o sempre admirado Maciota, aqui travestido de Neymarciota para delírio dos milhares de fãs do personagem futebolástico, eu incluso. Aproveitando este momento em que o Brasil está disputando a Copa da Rússia, sacudindo uma bandeira e aboletado na geral do estádio, aplaudo entusiasmado vendo este eterno craque Maciota desfilar seus fiascos futebolísticos, quer dizer, seu garbo e sua classe de craque de la pelota. Agora, craque, cracaço mesmo é o Paulo Paiva. No humor e no traço. Axé, Pepê!
(25/05/14)
Roberto Ferri, fabuloso artista plástico da Itália na atualidade.
Da Vinci, Michelangelo, Giotto, Rafael, Caravaggio, Veronese, Ticiano, Modigliani. A Itália sempre brindou o mundo com pintores magníficos e com deslumbrantes escolas de pintura ao longo da História da humanidade. Uma bela tradição que se mantém até os dias atuais, basta ver as pinturas feitas pelo talentosíssimo italiano Roberto Ferri, artista que maneja com maestria pincéis e tintas, mostrando ter a habilidade natural dos grandes, dos maravilhosos Mestres da pintura italiana. Sim, a Itália é pátria dos diversos gênios da pintura acima citados e pelo jeito esta história de DNA faz toda a diferença, pois fácil é concluirmos que Ferri traz no sangue um talento atávico vindo de um dos seus compatriotas, Mestres reverenciados em todo o planeta. Para você que gosta de arte feita com talento vale a pena visitar o site e o blog de Roberto: http://www.robertoferri.net/
e http://robertoferripittore.blogspot.com/
(101014)
e http://robertoferripittore.blogspot.com/
(101014)
28 junho 2018
Frank Menezes: bofetada com luva de pelica
Quando exponho no Soho, NY, recebo um soberbo tratamento VIP, sendo reverenciado qual autêntico semideus pelo fervilhante e glamuroso universo artístico da Big Apple. Os mais consagrados popstars acorrem para oscular-me as santificadas mãos que pintam e caricaturam como guiadas por anjos - segundo words, words, words publicadas pelo New York Times. Até celebridades como o velho Al Hirschfeld - já falecido - comparecem para me prestigiar. E um providencial tapete vermelho sói antecipar meus passos. Mas - proh pudor!, proh pudor! - quando retorno a esta afro-baiana terra movido por indestrutíveis grilhões sentimentalísticos sou tratado como um reles mortal sujeito a pegar buzus apinhados de viventes com os mais hediondos odores e encarar uma sinuosa e interminável fila no Bradesco da Pituba. Em nela estando, anônimo qual apenas mais um do vulgo, perpasso meus gázeos olhos pelos desconhecidos companheiros de enfileirado infortúnio. Eis que avisto Frank Menezes, o maravilhoso ator, a quem vi a primeira vez atuando em A Bofetada, dirigida pelo meu chegado, Fernando, o Guerreiro, e depois em mini-séries globais, no filme Tieta e em peças outras. Fiquei fã incondicional. Frank, um tremendo artista que ali na fila nada mais era que um cidadão comum pagando suas contas. Luto contra um inesperado impulso tietagenístico que me empurra em sua direção. Ao vê-lo conversando descontraído, solícito e simpático com pessoas na fila crio coragem, aproximo-me, coloco no rosto meu melhor sorriso e declaro: "Sou um seu grande admirador e acompanho todos os seus trabalhos, Jefferson." Valei-me, meu São Freud! Minha mente levemente sequelada por algumas cannabis sativas fumadas no fulgor de minha juventude em anos de flower and power me prega peças até hoje e não me custa nada trocar um nome de provável origem anglo-saxônica por outro e lá vou eu pagando símio por aí. Meu alarme antigafe dispara e tento corrigir a mancada rápido qual um Usain Bolt: "Opa, Jefferson, não... Franklin. Mil perdões, Franklin!" Ele, fleumático e condescendente me diz: "Legal...mas não sou Jefferson nem Franklin. Meu nome é Frank." Isto tudo sorrindo, sem demonstrar indignação ou rancor. Mais uma para meu vasto cabedal de gafes. Vexado, volto lesto e presto ao meu lugar na fila onde permaneço hirto e silente. E resolvo que está mais do que hora de euzinho passar uma nova temporada na Grande Maçã entre meus very crazy fãs norte-americanos até que a vergonha se esvaneça. E tomo uma decisão: continuarei assistindo as peças deste grande ator que tanto admiro. Mas só irei aos teatros de óculos escuros, envergando chapéu de aba larga e uma capa com a gola levantada qual um Humprhey Bogart . E sem nenhuma Ingrid Bergman ao lado para não testemunhar minhas paquidérmicas gafes e dizer "Say it again, Set."
(101012)
25 junho 2018
O cara traçou Xuxa Meneghel e postou na internet sem nenhum pudor.
1. Cabeludos de Liverpool rides again 2. Teórico relativo 3. O filho de Joseph Jackson 4. Um argentino que entrou para a História como herói 5. Um argentino que entrou para a História como vilão (ao fundo, aquela loira boluda, ex do Edson, entende?!)
E para vocês, só para vocês, caros, preclaros e fiéis leitores desse bloguito posto mais uma fantasticamente fantástica coleção de caricaturas do grande dibujante argentino Pablo Lobato, traço excelente, cores excelentes, excelente composição gráfica, em tudo, na verdade, excelente. Não é novidade que a escola argentina sempre foi pródiga em produzir maravilhas nas artes gráficas. Só para que todos vocêzinhos, caroáveis leitores deste bloguito e - ora, sejamos generosos - infonavegantes do mundo todos possam ver e se extasiar com estes fantásticos trabalhos feitos por este Leonel Messi da caricatura, o notável Pablo Lobato, cabra bueno! (07/12/2014)
Marcadores:
Brechó,
Caricaturas e caricaturistas,
Vale a pena Verdi e Nova
23 junho 2018
Os Correios trazendo a felicidade em um pacote da Editora Criativo.
http://www.criativostore.com.br
Um viva aos Correios, um viva à Editora Criativo!
(29/06/2017)
17 junho 2018
Deputado Ulysses Guimarães, em estilo punk / Arte que se reparte 4
Para muita gente todos os políticos brasileiros são desonestos, oportunistas, corruptos, venais e arrivistas. Motivos não faltam para que prevaleça essa certeza de tantos. Mas vale lembrar que no Brasil tempo houve em que a população levava a maior fé em determinados políticos e a eles entregava a missão e o sonho de construir um país melhor para todos os cidadãos. E eles não decepcionavam, atentos aos anseios do povo em nome da democracia empunhavam bandeiras populares urgentes e sem decepcionar, se empenhavam para fazer com que o país fosse de fato mais justo. Os brasileiros mostravam seu reconhecimento dando a esses políticos carinhosos epítetos. Teotônio Portela, por exemplo, era chamado de "O menestrel das Alagoas". Já o inesquecível Ulysses Guimarães era chamado de "Senhor Diretas", por sua decidida participação na campanha das Diretas Já. Por outro lado, aqueles eleitores que consideravam o então presidente Fernando Henrique Cardoso um neoliberal dos mais sórdidos, um entreguista contumaz, cínico e dissimulado, chamavam carinhosamente FHC de ''Um bom fio de uma...''. Bom, deixemos esse pra lá já que entrou neste texto de penetra, voltemos ao grande Ulysses Diretas Já. Para homenageá-lo fiz essa caricatura dele, mostrando que seus quase 80 anos eram só um detalhe.
***A arte acima foi feita em papel Schöeller Hammer 4R, 250 gramas, grafite B para o esboço artefinalizado com nanquim e dois pincéis Kolinskys, sendo um número 2, novinho, e um velho número 4, desgastado, já bem, bem acabadinho. O novo foi utilizado nos traços do contorno, tendo o véinho sido usado com suas cerdas abertas, levemente embebidas em pouco de tinta china ou tinta da China ou nanquim numa antiquíssima técnica chamada pincel seco, que dá uma textura bonita e que é uma gostosura e faz qualquer artista trabalhar com um sorriso nos lábios.
(18/02/15)
***A arte acima foi feita em papel Schöeller Hammer 4R, 250 gramas, grafite B para o esboço artefinalizado com nanquim e dois pincéis Kolinskys, sendo um número 2, novinho, e um velho número 4, desgastado, já bem, bem acabadinho. O novo foi utilizado nos traços do contorno, tendo o véinho sido usado com suas cerdas abertas, levemente embebidas em pouco de tinta china ou tinta da China ou nanquim numa antiquíssima técnica chamada pincel seco, que dá uma textura bonita e que é uma gostosura e faz qualquer artista trabalhar com um sorriso nos lábios.
(18/02/15)
11 junho 2018
Praias da Bahia, queijo coalho, cerveja e uma meninada que já batalha
Por mandos e desmandos de uma gente mui canalha, aqui nessa afro-baiana metrópole denominada Soterópolis, o desemprego é uma constante e os soteropolitanos das camadas econômicas mais desapetrechadas do metal vil, que nenhum deles jamais viu, viram-se e reviram-se como podem. Sendo assim e assim sendo, em dias solares, enquanto uns, os viventes mais privilegiados dessa urbe baiana, quedam-se mirando o lânguido ir e vir do Atlântico e vão bebericando gélidas cervejotas buscando - com um escopo evidentemente narcisístico - adquirir um êneo tom epidérmico expondo-se ao sol, outros, os desafortunados, dão duro em busca de uns somíticos trocados. Magotes de meninos da periferia, por exemplo, caminham pelas areias quentes entre as barracas das praias no firme propósito de ganharem algumas moedas mercando queijo coalho, que é por eles derretido na hora, à vista do cliente. Para tanto levam em uma mão uma bandeja com o dito queijo, ainda cru, e na outra uma lata cheia de carvão dotada de uma alça de arame que eles balançam no ar para avivar a brasa, qual um turíbulo que sacristãos, oblatos ou coroinhas agitam em missas ou em procissões. Com o calor daí advindo, os guris conseguem - para gáudio do cliente - preparar com sucesso a iguaria queijocoalhística. Aí, gente fina, se a brasa não cair em cima de sua impoluta pessoa, já meio tostada pelo sol ou se você não tomar por descuido uma latada nas fuças, deve louvar grandemente o fato de ser um vivente de sorte e aproveitar, pois o queijinho coalho é acepipe dos melhores, gente boa!
******A guisa de ilustração, vai aí essa pintura que fiz com a sempre fiel e prestativa tinta acrílica, sobre uma tela nas dimensões 30cm x 30cm, mostrando estes dois meninos com papéis beeeem diferenciados nessa nossa mui desigual sociedade, a baiana e a brasileira.
(24/07/2011)
******A guisa de ilustração, vai aí essa pintura que fiz com a sempre fiel e prestativa tinta acrílica, sobre uma tela nas dimensões 30cm x 30cm, mostrando estes dois meninos com papéis beeeem diferenciados nessa nossa mui desigual sociedade, a baiana e a brasileira.
(24/07/2011)
07 junho 2018
Sigmund Freud, os irmãos Lumière, Georges Méliès, Vitor Souza.
Entre as coisas que muito amo nesse mundo, mundo, vasto
mundo, estão as Artes. Entre essas Artes, mágico, retumbante e altaneiro, está
o Cinema, bem na primeira fila das minhas preferências. Desde Celia Cruz, quando eu era un niño de Jesus, que a incrível magia do cinema me pegou e ver um bom filme sempre me fez
rir, chorar, vibrar, viajar, me apaixonar, indagar, refletir. Filmes que assistimos podem ser tão
apaixonantes que muitos deles findam por se abancarem em nossas memórias de forma
perene. Da criação inicial até o produto finalizado, tornar um filme uma obra
de Arte é como tornar real um sonho. Isso só é possível de se realizar graças à
qualidade dos competentes e criativos profissionais selecionados e reunidos em
bom número em torno de uma paixão comum, algo que vai além de uma mera
profissão. Essa paixão vira combustível que se alia à técnica, ao preparo profissional
adequado, à experiência nesse campo artístico e ainda a outros elementos,
estando entre esses a Psicanálise, utilizada na criação, do argumento aos
personagens. Através do livro escrito por Vitor Souza, intitulado “Sonhos que
vimos juntos – A aproximação entre Psicanálise e Cinema”, me foi possível
aprender mais sobre a influência das consagradas teorias psicanalíticas
desenvolvidas por ninguém menos que Sigmund Freud, que em 1895 publicou seu hoje cultuado livro “A interpretação dos sonhos”. Tais interpretações relatadas no livro do dito Pai da Psicanálise foram de enorme importância para a compreensão da mente humana. No mesmo ano de 1895 mais dois fatos
significativos marcaram positivamente a História, sendo um deles carregado de total ineditismo, a primeira
exibição pública de um filme, “A chegada do trem na Estação Ciotat”, façanha
possível graças ao Cinematógrafo, pioneira invenção dos irmãos Auguste e Louis
Lumière. Apesar da sua maravilhosíssima
invenção, a dupla de irmãos franceses não era ungida por maiores pendores
artísticos, nem pela criatividade e a fantasia, sendo que ambos queriam apenas
usar o Cinematógrafo para fazer prosaicos registros formais de cenas do
cotidiano. Aí entra o segundo e
altamente importante fato do memorável ano de 1895: na pequena plateia que teve o privilégio de assistir ao filme
projetado pelos Lumière, estava uma figura a quem todos os cinéfilos e
cinemaníacos em geral devem incansavelmente reverenciar de forma fervorosa, o
ilusionista Georges Méliès. Diferentemente dos pioneiros irmãos franceses,
Méliès felizmente era dotado de uma visão além do alcance e percebeu de cara as
infinitas possibilidades que existiriam ao se mesclar as imagens em movimento com o
mundo dos sonhos e da fantasia unidos a altas doses de criatividade. Georges
Méliès, inventivo e até mesmo um visionário, foi o grande diferencial que
possibilitou o desenvolvimento dessa rica forma de expressão que é o Cinema como conhecemos nesse mundo hodierno.Tal é sua força comunicativa, tão imenso sempre foi seu poder de penetração entre as pessoas que logo transformou-se em uma
formidável indústria de entretenimento. Vale repetir a importância da Psicanálise no Cinema, enfoque do bem
escrito livro de Vitor Souza, que evidencia como personagens e argumentos são arquitetados com mais propriedade por quem
sabe dispor dos elementos contidos nas teorias psicanalíticas. Curioso lembrar
que nem Freud nem os irmãos Lumière cogitaram tal funcionalidade para suas
criações, o que mostra a grande bobagem que é essa fábula discriminadora em que a laboriosa formiga é mostrada como sendo superior à cantadora formiguinha multimídia. Também é formidável ver que após servir de apoio ao Cinema, a própria
Psicanálise aprendeu a se valer dele como importante auxiliar no tratamento
terapêutico. O livro de Vitor Souza nos fala de todas essas peculiaridades que unem Cinema
e Psicanálise e cita, entre outras, películas como “Um corpo que cai” e
“Psicose”, de Alfred Hitchcock, e “Um estranho no ninho”, de Milos Forman, que
ajudaram a difundir de forma significativa conceitos freudianos. Sobre a
criação artística, Freud dizia que ela representa a expressão dos primeiros
prazeres da infância que os adultos acabam por perder de vista ou mesmo inibir,
mas que o artista permanece conectado a essa essência, por isso a desenvolve e
a compartilha através de sua obra. Entre essa obras, é fácil perceber o papel
mais que importante da hoje chamada Sétima Arte, também nascida naquele mesmo benfazejo ano de 1895 em que veio ao mundo o famoso livro de Freud, o que praticamente torna Cinema e Psicanálise dois irmãos gêmeos cheios de formidáveis identificações.
(23/08/16)
(23/08/16)
Assinar:
Postagens (Atom)







































