09 dezembro 2015

Praias da Bahia, queijo coalho, cerveja e uma meninada que já batalha

Por mandos e desmandos de uma gente mui canalha, aqui nessa afrobaiana metrópole denominada Soterópolis, o desemprego é uma constante e os soteropolitanos das camadas econômicas mais desapetrechadas do metal vil que ninguém mais viu, viram-se como podem. Sendo assim e assim sendo, enquanto em dias solares, bebericando cervejotas, muitos, com narcisistíco escopo, buscam adquirir um êneo tom epidérmico expondo-se ao sol, magotes de meninos da periferia caminham entre as barracas das praias mercando queijo coalho, que é derretido na hora à vista do cliente. Para tanto levam em uma mão uma bandeja com o dito queijo ainda cru, e na outra uma lata cheia de carvão dotada de uma alça de arame que eles balançam no ar para avivar a brasa, qual um turíbulo que os coroinhas agitam em missas ou em procissões. Com o calor daí advindo, os guris conseguem - à vista do cliente - preparar a iguaria queijocoalhística. Se a brasa não cair em cima de sua impoluta pessoa já meio tostada pelo sol e se você não tomar uma latada nas fuças, deve louvar fato de ser um vivente de sorte e aproveitar, pois o queijinho coalho é acepipe dos melhores, gente boa! 
( Publicado originalmente em 24/07/2011 )