10 novembro 2015

Floriano Teixeira, um artista maravilhosamente iluminado

Nas artes plásticas brasileiras sempre despontaram soberbos desenhistas. Geralmente também exímios na feitura de gravura e artes afins, esses talentosos artistas tinham como marca maior a criatividade, a excelência no conteúdo das idéias, a busca pelo ineditismo, a elegância e a extrema beleza do traço. Não se limitavam ao talento natural com que eram dotados, empenhavam-se arduamente na tarefa de terem os conhecimentos, as qualidades e as necessárias habilidades de serem os melhores. Desses virtuoses do desenho é possível citar de memória os magistrais Poty, Aldemir Martins, Carybé e Floriano Teixeira. Não por coincidência, todos eles brilharam quando usaram seus desenhos para ilustrar livros de notáveis literatos. Jorge Amado, escritor consagrado mundialmente, era grande amigo de Floriano e o convidou para ilustrar romances seus. Santa amizade, bendito convite! O expressivo número de exemplares vendidos possibilitou que milhares de pessoas tivessem acesso ao elegante desenho de Floriano e a consagração nacional veio fazer jus ao talento desse artista que nasceu no Maranhão, viveu no Ceará e veio morar na Bahia. Essas ilustrações para os romances de Jorge Amado deram de fato uma grande visibilidade ao talento de Floriano, no entanto é preciso ressaltar-se que sua arte já era apurada, madura, premiada e consagrada por onde era exibida, quer fossem pinturas em telas, painéis, esculturas, linóleo, gravuras e quaisquer outros meios, já que seu trabalho sempre foi extremamente diversificado. Em todos imprimia a mesma excelência, vez que destinava a cada um deles cuidado igual, produzindo-os com vagar e paciência, usando de extremo acuro para assim manter em qualquer peça produzida a mesma qualidade excepcional. No desenho, seu traço tinha como marca uma rara elegância. Sua linha refinada, inigualável, única, nos conduzia com delicadeza a um universo por vezes pitoresco, sempre pleno de sensualidade, crítica social e um humor sutil da melhor qualidade em que toda a fauna humana brasileira desfilava. O homem comum, o magnata, o operário, o burguês, pescadores, bêbados, noctívagos, pistoleiros, jagunços, coronéis, padres, polacas, morenas frajolas, mulatas, negras, ricos e pobres, a cara e o espírito do Brasil surgindo de seu traço ora limpo e claro, algumas vezes intencionalmente forte e mais carregado, outras vezes com longos espaços preenchidos por caprichadas hachuras. Entre os materiais empregados, canetas para bico-de-pena, pincéis diversificados, lápis os mais variados, meios que serviam para que o desenho de Floriano gritasse bem alto o talento incomparável desse grande Mestre. Suas cores suaves e belas e suas criações, oníricas e sensuais, nos faziam sonhar sonhos felizes e não poucas vezes, lúbricos. Sonhos maravilhosos, pleno de cores e de belezas inesquecíveis, como a arte de Floriano Teixeira.