18 fevereiro 2018

Orangotango no tangolomango / Postagem no Facebook number 2

Densa e impenetrável é a selva que me cerca, indecifrável, ameaçadora, ruidosa. Dentre as miríades de ruídos meus ouvidos treinados distinguem o som dos tambores selvagens da amazônica tribo Papaxibé. Mister se faz aqui esclarecer que me refiro à única jângal que conheço, a selva de pedra da Big Apple, onde moro desde tenra infância, tendo aqui sido criado por um orangotango, primata assim chamado por gostar de ouvir o ritmo musical consagrado por Gardel. Quanto ao som de tambor, trata-se meramente do toque do meu celular de última geração, presente que recebi do cacique Biratan, verdadeiro silvícola alencariano, espadaúdo e viril de fazer babar qualquer Ceci. Eis que ele me liga exigindo que eu poste mais três de trabalhos meus no Facebook na qualidade de participante de um projeto envolvendo artistas gráficos. Pois aqui vão eles, preclaro morubixaba.

1. MACHADO DE ASSIS, cidadão brasileiro, mulato, considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Arte feita em papel Opaline, 180 gramas, grafite B, caneta de ponta porosa, cópia xerocada e pintada com ecoline, lápis Caran d'Ache, brilhos e luzes feitas com guache branco e pincel Kolinsky bem como com líquido corretor. Publicado no caderno cultural de uma gazeta.
2. MORTE DE LAMPÍÃO, uma fakexilo, que é uma simulação da arte da xilogravura, feita com guache branco sobre papel preto. Cansa bem menos do que esculpir a madeira com goivas. Ilustração para livro Dadá, do escritor e cineasta José Umberto Dias.
3. GLAUBER ROCHA E ANTONIO DAS MORTES, desenho feito com grafite B, caneta nanquim descartável, recortado e montado sobre retícula xerocada. Ilustração para livro.
(11/02/2015)