31 julho 2018

Xaxado e Cedraz na Itália: Spaghetti com acarajé, mamma mia!


Vale a pena dar uma navegadazinha básica e uma vislumbrada no blog do superpremiado desenhista e argumentista de histórias em quadrinhos Antonio Cedraz que nos mostra personagens de HQs criados por ele, vistos pelos traços de vários desenhistas que são também admiradores do seu belo e brasileiríssimo trabalho, entre os quais estou euzinho, com alguns desenhos, tal como este cangaceiro aí em cima proseando com Xaxado, feito com nanquim. Cada artista usou seu traço pessoal e - só pra rimar - o resultado final é muitíssimo legal, sensacional, piramidal. Entre os colegas de traço você poderá ver por lá grandes profissionais com o mineiro Mozart Couto, 
orgulho e glória dos quadrinhos nacionais, o venerável e venerado mestre Júlio Shimamoto, também Emir Ribeiro, aquele da Velta, mais o Alexandre Montandom, além do sempre excelente Carlos Avalone, fera do traço, um dos poucos quadrinistas brasileiros a conseguir ficar arquimilionário com os quadrinhos, o que o faz atualmente viver incógnito em algum ponto de Santos, SP, temeroso de ser alvo de sequestro, e longe, bem longe dos pedidos de empréstimos de antigos colegas desenhistas do tipo Dyrango Kid.
E, por fim - mas não menos importante - o espetacular desenhista italiano Ivo Milazzo,
aqueeeele mesmo que, entre tantos trabalhos, desenhou o aclamado herói cult Ken Parker, uma unanimidade entre os fãs de HQs. Meu amigo Antonio Cedraz não é fraco, não, galera! Clique aqui e divirta-se: 
http://fotolog.terra.com.br/desenhosdoxaxado 

  1. Caros e gentis leitores, aqui faz-se necessário um providencial PS: está postagem acima foi escrita originalmente em 2013 e esse link que estava disponível para chegar à referida página, não rola mais, já dançou, infelizmente. Mas permanece forte minha alegria e meu orgulho de haver sido convidado por Cedraz para participar com meus desenhos de tão belo projeto artístico, bem como a satisfação de saber que há ainda muitos outros caminhos para ver trabalhos do inesquecível Mestre dos quadrinhos, amigo querido por todos, que tanta, tanta falta nos faz. Entre esses caminhos, estes links aqui: 

http://tirasemquadrinhos.blogspot.com.br/
http://turmadoxaxado.blogspot.com.br/2008/12/conhea-turma-do-xaxado.html
(Publ. orig. 03/11/2013)

25 julho 2018

Submarinos soviéticos podem invadir o Brasil via Rio São Francisco

Não sei se fazendo parte das comemorações pelos recentemente completados 50 anos do golpe militar no Brasil, mas a verdade é que os militares pernambucanos decidiram retirar dos moradores de Juazeiro, BA, e de Petrolina, PE, o sagrado, democrático e constitucional direito de ir e vir. Com o questionável aval de um juiz que não ouviu como deveria o povo destas cidades, essas gentes com seus coturnos, suas gandolas e seus fuzis estão proibindo os moradores da região de circularem nesta fluvial ilha que se situa no meio do Rio São Francisco entre ambas as citadas urbes. Da ilha se assenhoraram os militares respaldados por decisão do supracitado juiz que, sem nenhum vontade de dar testa a militares, atendeu o argumento castrense de que a Ilha do Fogo é ponto axial para a segurança de nossa Pátria amada, idolatrada, salve!, salve! Tenho a deplorável mania de tentar entender as coisas racionalmente, pensar com meus botões e tirar minhas próprias conclusões. Inigualáveis pérolas têm surgido dessas elucubrações, como as que se seguem. Ciente de que os militares, são sempre zelosos e atentos às marxistas artimanhas e manobras, deduzi de pronto que os senhores fardados, movidos por compreensível e salutar paranoia, devem considerar e temer uma invasão de nosso auriverde torrão por insidiosos submarinos soviéticos. Mas se são disto temerosos e crédulos certamente deve ser devido ao fato de que não foram devidamente informados por quem deveria informá-los, de que a Guerra Fria de há muito acabou e que a URSS já não mais existe, nem exércitos ou espiões soviéticos, a não ser em antigos filmes do velho James Bond, aquele que precisava de uma licença para matar, coisa anacrônica já que hoje as TVs, rádios e jornais vivem noticiando em horário nobre que policiais civis e militares matam a torto e a direito, sem que para isso se faça necessário se valer de licença alguma. Além do mais, nestes hodiernos tempos os russos é que foram invadidos pelos capitalistas norte-americanos sendo que os Ivans, os Sergeis, os Yuris,  as Helgas, as Sashas e as Natashas agora bebem ianquíssimas coca-colas e arrotam McDonaldíssimos sandubas para tristeza do velho Marx que, devido a isso, perdeu a paz que tinha em seu jazigo e agora, em seu hoje pouco visitado túmulo, se revira mais que bumbum em baile funk. Quem sabe, ao serem colocados a par destas novidades que ora vigoram, os militares que estão impedindo os moradores de Juazeiro e Petrolina e demais civis de pisarem as areias da Ilha do Fogo possam ficar mais tranquilos e assim decidam revogar a impopular a proibição e devolver a aprazível ilha aos seus legítimos donos, os moradores, para o gáudio e a felicidade geral da nação..
((09/11/14)

18 julho 2018

Béu Machado, um poeta e pensador que encantou a Bahia

Jornalista e colunista competente, poeta e compositor de versos cheios de originalidade, frasista criador de frases memoráveis. Béu Machado era um mistura de tudo isso concentrado em uma só criatura. Uma pessoa gentil, de coração enorme, de excelente índole, simples, cordato, pacato. Um atento observador de tipos populares, dos fatos cotidianos das gentes mais simples, dali vinham seus poemas mais inspirados, suas letras de músicas. Ao ler e ouvir frases e poemas de Béu, inevitavelmente converti-me em seu admirador. Convivendo com ele nas redações de jornais, de colegas nos tornamos amigos, com direito a longos e divertidos papos nos mais recomendáveis frege-moscas, em barracas, biroscas, visgueiras e cacetes-armados da Boca do Rio, bairro em que éramos vizinhos, sendo os diálogos regados com talagadas de capitosas fôias pôdi. Como colega de redação, testemunhei o quanto Béu era admirado e querido por todos, sendo enorme o seu prestígio junto à classe artística e aos demais jornalistas. Em sua coluna de Artes, democraticamente promoveu centenas de artistas, deu-lhes visibilidade e importância. Muitos desses artistas o tempo se encarregou de consagrar.  Mas Béu não era homem dado a autopromoções. Tinha um enorme talento, sim, gostava de escrever, de criar, mas não se importava com a glória pessoal, com os holofotes da fama. Talvez isso explique o pouco material sobre ele encontrado na Internet, seus poemas e frases. No ano em que Béu Machado faleceu, amigos mais próximos se reuniram e, capitaneados pelo artista gráfico e plástico Washington Falcão, editaram um livro com as antológicas frases de Béu. A mim coube a missão de fazer as ilustrações, o que fiz com enorme carinho. Selecionei algumas das frases de Béu, por mim ilustradas, e vou postar neste espaço amarelinho algumas delas para que vocêzinhos, poética leitora, fiel leitor, possam desfrutar, saborear e se regalar com o talento desse grande e inesquecível poeta, que um dia se autorrebatizou como Béu Machado de Xangô, e que, entre as poucas coisas que escreveu sobre si próprio, cravou esta maravilha: “Amo, apesar da amargura. Sorrio, apesar do dente podre.”
**************** Retrato de Béu esboçado com grafite HB, arte-finalizado com caneta nanquim descartável, colorido com Ecoline / Arte que se reparte
(21/09/2016)

Damion, Dunnm, caricaturista e ilustrador norte-americano, e seu belo trabalho

Recentemente postei neste impoluto bloguito diversos trabalhos do caricaturista e ilustrador norte-americano Damion Dunn e não deu outra: eles agradaram em cheio aos leitores. Vai daí que é inevitável que eu poste mais uns trabalhos do cara. Ali no alto, puxando a fila - nem é preciso que eu diga, mas assim mesmo eu digo - o hispânico Javier Bardem, de memoráveis filmes espanhóis e dos EUA, um ator bastante admirado pelos cinéfilos brasileiros, entre os quais me faço presente. Em seguida, o rapper, diretor, roteirista e ator Curtis James Jackson III, mais conhecido pelo nome de 50 Cent. Vendo que um nome pessoal tão longo e pomposo foi transformado em um curto e prosaico apelido, por aí os mais atilados já percebem que o humor do cara é dos bons. Ao centro, uma homenagem feita para relembrar o admirável e memorável cantante e dançante Michael Jackson, aquele do Moonwalker. E por último, last but not least, um trabalho bem criativo e original, mostrando a maravilhosa Monica Bellucci, ex-modelo internacional, uma ótima atriz de tantos filmes e, além de tudo, uma mocetona linda, retumbante, transbordante de sensualidade, que o diga o consagrado ator Vincent Cassel, que se casou com a bonitinha, lindinha, maravilhosinha, sendo ele um cara beeem feio, como exige a tradição de grande parte dos galãs franceses, só para fazer raiva a bonitões assim como eu que ficam chupando o dedo enquanto o feioso Cassel desfruta cada uma das muitíssimas delícias da bela.
(02/06/14)

12 julho 2018

Carmen Miranda, the Lady with the Tutti-Frutti Hat / Umas minas que eu amo 1


 Nunca houve uma mulher como Gilda, dizem. Concordo que Gilda não era fraca, não, mas digo que nunca houve mesmo é uma mulher como Carmen Miranda. E quem a viu cantando, dançando, atuando, jamais poderá delir da memória Carmen, a brazilian bombshell. Sua imagem que atraía todos os olhares qual um irresistível imã, foi mostrada em todo planeta pelo cinema dos states. Os americanos renderam-se aos seus irresistíveis encantos que tantos eram e quem a conhece jamais a esquece, seja na América do Norte, na Europa, em todo orbe. Mais de meio século já se passou desde suas deslumbrantes aparições nos tais filmes made in USA e volta e meia ela é citada em fitas atuais, sua música, sua imagem. Como em filmes de Woody Allen, que parece adorá-la, até mesmo em desenhos animados como de Tom e Jerry, Patolino, Pantera Cor-de-Rosa, Popeye, Bob Esponja e uma lista interminável de cartoons. É bem verdade que os filmes hollywoodianos com Carmen tendiam para o estereótipo, morenas lânguidas dormitando ao sol, toneladas de banana e brasileiritos com sombreros e maracas, ainda assim vale a pena ver a Pequena Notável em ação muito à vontade dividindo a cena com monstros lendários das telinhas e telonas americanas como Grouxo Marx e Jimmy Durante que deixavam transparecer o prazer de estar atuando ao lado dela. Jerry Lewis vestiu-se como ela em uma cena de um de seus filmes, cantou e dançou, imitando-a. Carmen, aliás, era imitada por diversas estrelas americanas contemporâneas suas e isso vale como homenagem pois todas sabiam que Carmen era única e inimitável. Seu sucesso jamais encontrou similares pelo ineditismo, pelo raro poder criativo, pela força de sua presença em cena. Cantora e atriz que a todos hipnotizava quando no palco ou nas telas, como não se curvar diante de sua voz, sua interpretação, sua brejeirice, sua ginga, seu enorme talento natural para o burlesco, sua graça, seus gestos expressivos, seus figurinos que ela própria criava, seu domínio do palco e das plateias? Tudo em Carmen Miranda sempre foi original, inefável e inaudito. Com seus turbantes e balangandãs, quando The Lady of the Tutti-Frutti Hat pisava no set, não tinha pra mais ninguém, roubava a cena de qualquer grande estrela que com ela contracenasse. Tudo isso não se trata de forma nenhum de mero saudosismo, mas de justo e necessário reconhecimento. Enquanto na memória americana e europeia Carmen segue vivendo, aqui no Brasil, sua terra, tratam de esquecê-la depois de tentarem sepultá-la em vida como artista sob alegação de que teria incorrido no grave delito de voltar americanizada da terra de Tio Sam. Fácil é perceber-se que nestes tempos hodiernos a insaciável indústria musical e a mídia enriquecem seus patrões fabricando em série as maiores bandas de todos os tempos da última semana e uma pletora de astros que serão descartados para dar lugar a outros produtos similares, todos com seus sucessos estrondosos por um ano, um verão ou mesmo uma só música, todos feitos para serem consumidos por pessoas que se satisfazem com bem pouco. Acima, muito acima destes produtos descartáveis estão os verdadeiros astros e estrelas. E entre estas, a maior de todos os tempos, a única e verdadeiramente inesquecível, a estrela mais fulgurante de todas, Carmen Miranda.
(10/10/13)

10 julho 2018

Caetano Veloso e Gilberto Gil, doces e bárbaros meninos.

Gilberto Gil, grande, grande, grande Gil. Quantas canções suas me fizeram ver o mundo com melhores cores. Setentão, o cara aê! Mais exatamente, 76 primaveras, outonos, invernos e verões. Mas, como é possível?!, é quase um garotinho! Breve, o mano Caetano completará também os 76. Perplexo, encantado, indagarei de novo: como é possível, como?! Ambos são amigos há mais de meio século, amam-se, respeitam-se, admiram-se. São grandes, fantásticos artistas, com incontáveis legiões de fãs por todo este vastíssimo orbe de tantas culturas, todas nutrindo por eles incondicional admiração e vasto respeito às suas artes, seus talentos. Conquistaram isso com seus talentos, com seus empenhos e seus carismas. Maravilhosos artistas, grandes seres humanos, suas vidas são espelhos para tantos. Pelos seus quase 80, transitam serenos, criativos, atuantes, maduros, porque dão todos seus passos com fé, com muita fé. Que todos os santos da Bahia e todos seus orixás os protejam em suas caminhadas, meninos!
********Em homenagem a estes dois virtuoses da música e a estas duas fantásticas divas da canção, fiz esta caricatura aí com grafite B, caneta nanquim, ecoline, lápis Caran d'Ache e tinta acrílica. Ou talvez deva dizer acriĺírica ou colírica, parafraseando aquela canção do Caê.

(Publ. Orig. 29/05/12)

Parlim, João Gilberto, Ivete Sangalo, Velho Chico


Juazeiro, cidade baiana situada à beira do abençoado Rio São Francisco. Do outro lado do célebre rio fica a pernambucana Petrolina que, em dia pretérito, sequer percebeu a flecha preta lançada pelo ciúme que atingiu em cheio o peito do filho mais ilustre de Dona Canô. Juazeiro - que não é a do Norte, aquela que fica no Ceará - é terra natal de ninguém menos que João Bossanova Gilberto e de Ivete Sangalo, de Luís Galvão, criativo vate dos Novos Baianos. Também é terra natal de Miécio Café, cartunista, caricaturista e promotor de saraus culturais com participação da nata da música brasileira, em sua época. Juazeiro é ainda berço dos craques dos gramados Nunes, que jogou ao lado de Zico no Flamengo, Luís Chevrolet Pereira e de Daniel Alves, sendo que Nunes foi um grande ídolo da torcida flamenguista e os dois últimos escreveram de forma brilhante seus nomes no futebol da Europa. Mas Juazeiro, a querida Juazeiro, é, sobretudo, terra de um grande cara chamado Parlim, um criativo, simpático e profícuo desenhista, quadrinhista, artista gráfico, professor respeitado e de quebra um produtor cultural. No tempo que ali morei, frequentava o estúdio dele e ficava encantado ao ver seu amor à arte transformar-se em concorridas apresentações de mamulengos, títeres, bonifrates, manés-gostosos, franca-tripas, fantoches ou que nome mais tenham, animadas oficinas de desenho para guris, e também em bloco infantil de carnaval, em álbuns de quadrinhos que versam sobre fatos e crendices da região são-franciscana, e da própria história local que envolve sua querida Juazeiro, como o seu "A guerra de Canudos em Quadrinhos". Parlim é retadim. Um grande cara, um caráter maravilhoso, um sertanejo sem máculas, um coração enorme, uma alma de criança cheia de amor pelas artes, pelos amigos e por Juazeiro que, ao lado de sua família, compõem suas maiores querências. Desde que retornei a Salvador nunca mais voltei à Juazeiro. Mas não é por falta de saudades, que estas são muitas. Saudades do Velho Chico, de suas águas, suas ilhas, de caminhar com a namorada pela orla da cidade sentindo a aragem vinda do rio, de beber uma cerveja nos barzinhos à beira do São Francisco, jogando conversa fora, de comer surubim e carne de bode com pirão, de passear na vizinha Petrolina, saudades imensas de alguns ótimos amigos juazeirenses que lá fiz. Entre eles, o amável Parlim, ser humano excepcional, um artista dos bão, um autêntico João Gilberto das artes gráficas.
(02/08/2011)
Ao Parlim, in memoriam.

03 julho 2018

Paulo Paiva, HQs, Maciota, Neymar e Copa do Mundo

 
Um dos personagens mais legais do sempre inspirado cartunista Paulo Paiva é o craque Maciota, que deve ter lá algum parentesco com o igualmente craque Coalhada, do Chico Anysio. Sempre me deliciei lendo as HQs com o Maciota saídas da cuca de Pepê. A revista com este personagem deixou de sair há tempos mas o personagem paivaniano ficou gravado na memória dos fãs. Para felicidade geral da nação, ouvi que o incansável editor Franco de Rosa lançou no mercado há pouco tempo uma edição só com as tiras e HQs de Maciota. Bom, muito bom. Enquanto isso, malgrado o fiasco de descomunal proporção da seleção brasileira na recente Copa de 2014, por aqui o futebol segue sendo preferência nacional. Valendo-se dessa paixão desmedida pelo chamado esporte bretão e aproveitando uma bela maré criativa, Pepê retou-se, muniu-se de seus apetrechos cartunísticos e mandou este desenho com o sempre admirado Maciota, aqui travestido de Neymarciota para delírio dos milhares de fãs do personagem futebolástico, eu incluso. Aproveitando este momento em que o Brasil está disputando a Copa da Rússia, sacudindo uma bandeira e aboletado na geral do estádio, aplaudo entusiasmado vendo este eterno craque Maciota desfilar seus fiascos futebolísticos, quer dizer, seu garbo e sua classe de craque de la pelota. Agora, craque, cracaço mesmo é o Paulo Paiva. No humor e no traço. Axé, Pepê!
(25/05/14)

Roberto Ferri, fabuloso artista plástico da Itália na atualidade.

Da Vinci, Michelangelo, Giotto, Rafael, Caravaggio, Veronese, Ticiano, Modigliani. A Itália sempre brindou o mundo com pintores magníficos e com deslumbrantes escolas de pintura ao longo da História da humanidade. Uma bela tradição que se mantém até os dias atuais, basta ver as pinturas feitas pelo talentosíssimo italiano Roberto Ferri, artista que maneja com maestria pincéis e tintas, mostrando ter a habilidade natural dos grandes, dos maravilhosos Mestres da pintura italiana. Sim, a Itália é pátria dos diversos gênios da pintura acima citados e pelo jeito esta história de DNA faz toda a diferença, pois fácil é concluirmos que Ferri traz no sangue um talento atávico vindo de um dos seus compatriotas, Mestres reverenciados em todo o planeta. Para você que gosta de arte feita com talento vale a pena visitar o site e o blog de Roberto: http://www.robertoferri.net/
e http://robertoferripittore.blogspot.com/  
(101014)

28 junho 2018

Frank Menezes: bofetada com luva de pelica


Quando exponho no Soho, NY, recebo um soberbo tratamento VIP, sendo reverenciado qual autêntico semideus pelo fervilhante e glamuroso universo artístico da Big Apple. Os mais consagrados popstars acorrem para oscular-me as santificadas mãos que pintam e caricaturam como guiadas por anjos - segundo words, words, words publicadas pelo New York Times. Até celebridades como o velho Al Hirschfeld - já falecido - comparecem para me prestigiar. E um providencial tapete vermelho sói antecipar meus passos. Mas - proh pudor!, proh pudor! - quando retorno a esta afro-baiana terra movido por indestrutíveis grilhões sentimentalísticos sou tratado como um reles mortal sujeito a pegar buzus apinhados de viventes com os mais hediondos odores e encarar uma sinuosa e interminável fila no Bradesco da Pituba. Em nela estando, anônimo qual apenas mais um do vulgo, perpasso meus gázeos olhos pelos desconhecidos companheiros de enfileirado infortúnio. Eis que avisto Frank Menezes, o maravilhoso ator, a quem vi a primeira vez atuando em A Bofetada, dirigida pelo meu chegado, Fernando, o Guerreiro, e depois em mini-séries globais, no filme Tieta e em peças outras. Fiquei fã incondicional. Frank, um tremendo artista que ali na fila nada mais era que um cidadão comum pagando suas contas. Luto contra um inesperado impulso tietagenístico que me empurra em sua direção. Ao vê-lo conversando descontraído, solícito e simpático com pessoas na fila crio coragem, aproximo-me, coloco no rosto meu melhor sorriso e declaro: "Sou um seu grande admirador e acompanho todos os seus trabalhos, Jefferson." Valei-me, meu São Freud! Minha mente levemente sequelada por algumas cannabis sativas fumadas no fulgor de minha juventude em anos de flower and power me prega peças até hoje e não me custa nada trocar um nome de provável origem anglo-saxônica por outro e lá vou eu pagando símio por aí. Meu alarme antigafe dispara e tento corrigir a mancada rápido qual um Usain Bolt: "Opa, Jefferson, não... Franklin. Mil perdões, Franklin!" Ele, fleumático e condescendente me diz: "Legal...mas não sou Jefferson nem Franklin. Meu nome é Frank." Isto tudo sorrindo, sem demonstrar indignação ou rancor. Mais uma para meu vasto cabedal de gafes. Vexado, volto lesto e presto ao meu lugar na fila onde permaneço hirto e silente. E resolvo que está mais do que hora de euzinho passar uma nova temporada na Grande Maçã entre meus very crazy fãs norte-americanos até que a vergonha se esvaneça. E tomo uma decisão: continuarei assistindo as peças deste grande ator que tanto admiro. Mas só irei aos teatros de óculos escuros, envergando chapéu de aba larga e uma capa com a gola levantada qual um Humprhey Bogart . E sem nenhuma Ingrid Bergman ao lado para não testemunhar minhas paquidérmicas gafes e dizer "Say it again, Set." 
(101012)

25 junho 2018

O cara traçou Xuxa Meneghel e postou na internet sem nenhum pudor.

1. Cabeludos de Liverpool rides again 2. Teórico relativo 3. O filho de Joseph Jackson 4. Um argentino que entrou para a História como herói 5. Um argentino que entrou para a História como vilão (ao fundo, aquela loira boluda, ex do Edson, entende?!)
E para vocês, só para vocês, caros, preclaros e fiéis leitores desse bloguito posto mais uma fantasticamente fantástica coleção de caricaturas do grande dibujante argentino Pablo Lobato, traço excelente, cores excelentes, excelente composição gráfica, em tudo, na verdade, excelente. Não é novidade que a escola argentina sempre foi pródiga em produzir maravilhas nas artes gráficas. Só para que todos vocêzinhos, caroáveis leitores deste bloguito e - ora, sejamos generosos - infonavegantes do mundo todos possam ver e se extasiar com estes fantásticos trabalhos feitos por este Leonel Messi da caricatura, o notável Pablo Lobato, cabra bueno
 (07/12/2014)

23 junho 2018

Os Correios trazendo a felicidade em um pacote da Editora Criativo.

Há uns quinze minutos a felicidade bateu em minha porta. Não é a primeira vez que ela assim o faz. Em incontáveis oportunidades e pelos mais variados e escabrosos motivos - afinal, geminiano eu sou - mandei dizer a ela que eu não estava, e a felicidade, sem outra alternativa, desistiu e se foi. Desta vez, não! Ah, desta vez, não! Reconheço que o tempo que passa tem sido generoso com minha esplendorosa pessoa e, além de fazer aumentar minha beleza física máscula e varonil, tem-me fornecido também amplos conteineres de sabedoria, elevada inteligência e desmedido potencial intelectual. Ao ouvi-la me apelando de minha porta, na verdade, de meu portão, corri ao encontro da felicidade ainda de Havaianas, as únicas que não deformam, não têm cheiro e nem soltam as tiras. Pronto! Lá estava, paramentado de uniforme azul e amarelo, um garboso trabalhador brasileiro, um dileto e competente funcionário dos Correios. Assinei o recibo, agradecido, e voltei correndo para o interior de meu palacete assobradado, onde tratei de selfiar-me, belo, formoso e exultante, exibindo um exemplar do SketchBook Paulo Setúbal, que aqui, generoso, como de habitude, compartilho com vocês, amáveis e idolatráveis leitores, salvem!, salvem! No interior do SketchBook, há páginas e páginas de desenhos e estudos meus, caricaturas, cartuns e ilustrações, mostras de construções de personagens e uma gama de técnicas diversas. Os amantes de histórias em quadrinhos, trabalhos cartunísticos e caricaturais que estejam interessados em adquirir um exemplar devem acessar o belo e diversificado site da Editora Criativo, sobejamente sortida de tesouros gráficos miles. O link, posto agorinha mesmo: 
http://www.criativostore.com.br  
Um viva aos Correios, um viva à Editora Criativo!
(29/06/2017)

17 junho 2018

Deputado Ulysses Guimarães, em estilo punk / Arte que se reparte 4

Para muita gente todos os políticos brasileiros são desonestos, oportunistas, corruptos, venais e arrivistas. Motivos não faltam para que prevaleça essa certeza de tantos. Mas vale lembrar que no Brasil tempo houve em que a população levava a maior fé em determinados políticos e a eles entregava a missão e o sonho de construir um país melhor para todos os cidadãos. E eles não decepcionavam, atentos aos anseios do povo em nome da democracia empunhavam bandeiras populares urgentes e sem decepcionar, se empenhavam para fazer com que o país fosse de fato mais justo. Os brasileiros mostravam seu reconhecimento dando a esses políticos carinhosos epítetos. Teotônio Portela, por exemplo, era chamado de "O menestrel das Alagoas". Já o inesquecível Ulysses Guimarães era chamado de "Senhor Diretas", por sua decidida participação na campanha das Diretas Já. Por outro lado, aqueles eleitores que consideravam o então presidente Fernando Henrique Cardoso um neoliberal dos mais sórdidos, um entreguista contumaz, cínico e dissimulado, chamavam carinhosamente FHC de ''Um bom fio de uma...''. Bom, deixemos esse pra lá já que entrou neste texto de penetra, voltemos ao grande Ulysses Diretas Já. Para homenageá-lo fiz essa caricatura dele, mostrando que seus quase 80 anos eram só um detalhe.
***A arte acima foi feita em papel Schöeller Hammer 4R, 250 gramas, grafite B para o esboço artefinalizado com nanquim e dois pincéis Kolinskys, sendo um número 2, novinho, e um velho número 4, desgastado, já bem, bem acabadinho. O novo foi utilizado nos traços do contorno, tendo o véinho sido usado com suas cerdas abertas, levemente embebidas em pouco de tinta china ou tinta da China ou nanquim numa antiquíssima técnica chamada pincel seco, que dá uma textura bonita e que é uma gostosura e faz qualquer artista trabalhar com um sorriso nos lábios.
(18/02/15)

11 junho 2018

Praias da Bahia, queijo coalho, cerveja e uma meninada que já batalha

Por mandos e desmandos de uma gente mui canalha, aqui nessa afro-baiana metrópole denominada Soterópolis, o desemprego é uma constante e os soteropolitanos das camadas econômicas mais desapetrechadas do metal vil, que nenhum deles jamais viu, viram-se e reviram-se como podem. Sendo assim e assim sendo, em dias solares, enquanto uns, os viventes mais privilegiados dessa urbe baiana, quedam-se mirando o lânguido ir e vir do Atlântico e vão bebericando gélidas cervejotas buscando - com um escopo evidentemente narcisístico - adquirir um êneo tom epidérmico expondo-se ao sol, outros, os desafortunados, dão duro em busca de uns somíticos trocados. Magotes de meninos da periferia, por exemplo, caminham pelas areias quentes entre as barracas das praias no firme propósito de ganharem algumas moedas mercando queijo coalho, que é por eles derretido na hora, à vista do cliente. Para tanto levam em uma mão uma bandeja com o dito queijo, ainda cru, e na outra uma lata cheia de carvão dotada de uma alça de arame que eles balançam no ar para avivar a brasa, qual um turíbulo que sacristãos, oblatos ou coroinhas agitam em missas ou em procissões. Com o calor daí advindo, os guris conseguem - para gáudio do cliente - preparar com sucesso a iguaria queijocoalhística. Aí, gente fina, se a brasa não cair em cima de sua impoluta pessoa, já meio tostada pelo sol ou se você não tomar por descuido uma latada nas fuças, deve louvar grandemente o fato de ser um vivente de sorte e aproveitar, pois o queijinho coalho é acepipe dos melhores, gente boa! 
******A guisa de ilustração, vai aí essa pintura que fiz com a sempre fiel e prestativa tinta acrílica, sobre uma tela nas dimensões 30cm x 30cm, mostrando estes dois meninos com papéis beeeem diferenciados nessa nossa mui desigual sociedade, a baiana e a brasileira.
(24/07/2011)

07 junho 2018

Sigmund Freud, os irmãos Lumière, Georges Méliès, Vitor Souza.

Entre as coisas que muito amo nesse mundo, mundo, vasto mundo, estão as Artes. Entre essas Artes, mágico, retumbante e altaneiro, está o Cinema, bem na primeira fila das minhas preferências. Desde Celia Cruz, quando eu era un niño de Jesus, que a incrível magia do cinema me pegou e ver um bom filme sempre me fez rir, chorar, vibrar, viajar, me apaixonar, indagar, refletir. Filmes que assistimos podem ser tão apaixonantes que muitos deles findam por se abancarem em nossas memórias de forma perene. Da criação inicial até o produto finalizado, tornar um filme uma obra de Arte é como tornar real um sonho. Isso só é possível de se realizar graças à qualidade dos competentes e criativos profissionais selecionados e reunidos em bom número em torno de uma paixão comum, algo que vai além de uma mera profissão. Essa paixão vira combustível que se alia à técnica, ao preparo profissional adequado, à experiência nesse campo artístico e ainda a outros elementos, estando entre esses a Psicanálise, utilizada na criação, do argumento aos personagens. Através do livro escrito por Vitor Souza, intitulado “Sonhos que vimos juntos – A aproximação entre Psicanálise e Cinema”, me foi possível aprender mais sobre a influência das consagradas teorias psicanalíticas desenvolvidas por ninguém menos que Sigmund Freud, que em 1895 publicou seu hoje cultuado livro “A interpretação dos sonhos”. Tais interpretações relatadas no livro do dito Pai da Psicanálise foram de enorme importância para a compreensão da mente humana. No mesmo ano de 1895 mais dois fatos significativos marcaram positivamente a História, sendo um deles carregado de total ineditismo, a primeira exibição pública de um filme, “A chegada do trem na Estação Ciotat”, façanha possível graças ao Cinematógrafo, pioneira invenção dos irmãos Auguste e Louis Lumière. Apesar da sua maravilhosíssima invenção, a dupla de irmãos franceses não era ungida por maiores pendores artísticos, nem pela criatividade e a fantasia, sendo que ambos queriam apenas usar o Cinematógrafo para fazer prosaicos registros formais de cenas do cotidiano. Aí entra o segundo e altamente importante fato do memorável ano de 1895: na pequena  plateia que teve o privilégio de assistir ao filme projetado pelos Lumière, estava uma figura a quem todos os cinéfilos e cinemaníacos em geral devem incansavelmente reverenciar de forma fervorosa, o ilusionista Georges Méliès. Diferentemente dos pioneiros irmãos franceses, Méliès felizmente era dotado de uma visão além do alcance e percebeu de cara as infinitas possibilidades que existiriam ao se mesclar as imagens em movimento com o mundo dos sonhos e da fantasia unidos a altas doses de criatividade. Georges Méliès, inventivo e até mesmo um visionário, foi o grande diferencial que possibilitou o desenvolvimento dessa rica forma de expressão que é o Cinema como conhecemos nesse mundo hodierno.Tal é sua força comunicativa, tão imenso sempre foi seu poder de penetração entre as pessoas que logo transformou-se em uma formidável indústria de entretenimento. Vale repetir a importância da Psicanálise no Cinema, enfoque do bem escrito livro de Vitor Souza, que evidencia como personagens e argumentos são arquitetados com mais propriedade por quem sabe dispor dos elementos contidos nas teorias psicanalíticas. Curioso lembrar que nem Freud nem os irmãos Lumière cogitaram tal funcionalidade para suas criações, o que mostra a grande bobagem que é essa fábula discriminadora em que a laboriosa formiga é mostrada como sendo superior à cantadora formiguinha multimídia. Também é formidável ver que após servir de apoio ao Cinema, a própria Psicanálise aprendeu a se valer dele como importante auxiliar no tratamento terapêutico. O livro de Vitor Souza nos fala de todas essas peculiaridades que unem Cinema e Psicanálise e cita, entre outras, películas como “Um corpo que cai” e “Psicose”, de Alfred Hitchcock, e “Um estranho no ninho”, de Milos Forman, que ajudaram a difundir de forma significativa conceitos freudianos. Sobre a criação artística, Freud dizia que ela representa a expressão dos primeiros prazeres da infância que os adultos acabam por perder de vista ou mesmo inibir, mas que o artista permanece conectado a essa essência, por isso a desenvolve e a compartilha através de sua obra. Entre essa obras, é fácil perceber o papel mais que importante da hoje chamada Sétima Arte, também nascida naquele mesmo benfazejo ano de 1895 em que veio ao mundo o famoso livro de Freud, o que praticamente torna Cinema e Psicanálise dois irmãos gêmeos cheios de formidáveis identificações.
(23/08/16)

06 junho 2018

Cangaceiro e umbu / Arte que se reparte

Sempre fui fascinado pelos cangaceiros que via, ainda em P&B, nas telas do cinema que enriqueciam minha infância em Candeias, a meio uma plateia de jovens conterrâneos que não se limitavam a assistir em contemplativo silêncio os filmes que viam, manifestando-se com estridentes assobios e gritos a cada ação considerada digna de incentivo ou reprovação, dos personagens que surgiam no ecrã. Depois tive contato com os audazes cangaceiros desenhados em páginas de revistas de quadrinhos, também sem cores, o que, aliás, não atrapalhava nem um pouco minha fértil imaginação. Hoje, em rápido balanço, constato que já fiz pletoras de ilustrações com o tema, já pintei inúmeras telas, fiz gravuras diversas. A paixão segue enorme, como sempre. Este cangaceiro aí em cima, segurando entre os dedos um umbu para o qual olha com a mesma atenção que Hamlet olhava para a caveira do pobre Yorick, foi feito com uma abordagem mais humorística, de acordo com o texto da crônica que ilustrei. Desenhei com grafite B e arte-finalizei com caneta nanquim descartável. Para ilustrar algo para um jornal, nem sempre a informática é imprescindível, por vezes basta isso e um tantinho de imaginação. E Zé Fini.

04 junho 2018

Mais algumas cositas de Nildão, cartunista e designer gráfico

Você, querido, perfulgente, preclaro, sapiente e atilado leitor deste bloguito de fino trato, sabe bem que é com constância que aqui neste espaço virtual costumo postar enfáticas loas ao trabalho do cartunista e designer gráfico Nildão. Todas elas mui justas e assaz merecidas vez que o cara, além de ter um humor afiadíssimo e refinadíssimo, é um artista de grande talento que gosta de inovar trilhando sempre por novos caminhos e fugindo dos lugares-comuns que tantas e tantas vezes soem assolar o universo artístico. Dono de uma criatividade das mais raras, Nildão sempre nos brinda com este seu humor de altíssimo nível e sua visão lúcida - e lúdica - do mundo em cada trabalho que cria. Pois eis que, para o bem do povo e felicidade geral da nação, posto aqui e agora mais esta amostra do trabalho de Nildão para você, ínclito leitor, se deliciar. De quebra, mando esse link para que se possa conferir o trabalho delicioso e diversificado deste cara mui especialmente especial: 
http:www.nildao.com.br
       (22/09/15)

Irmã Dulce, baiana de Todos os Santos


Irmã Dulce, dulcíssima irmã. Apesar do magote de seres hediondos, canalhas, exploradores do povo, esnobes, venais e arrivistas que esta afro-terra já produziu e segue produzindo aos borbotões, sempre me maravilhou ver que o quanto a Bahia é capaz de produzir figuras assim tão impressionantes e tão dignas da gratidão e da admiração popular.
(30/05/12)

29 maio 2018

Ziraldo, o preconceito de colete no programa da Leda Nagle.

Um dia, já faz algum tempo, assisti no "Sem Censura", da TVE, uma entrevista feita pela mineira Leda Nagle com o mineiríssimo Ziraldo. Todos os blocos do programa foram a ele dedicados. Nada mais justo. Ziraldo tem uma trajetória brilhante e irretocável no universo das Artes. Sua importância na vida de todos os cartunistas e grafistas brasileiros é imensurável. Criativo, atuante, dinâmico, dono de um traço e de um humor de primeira linha que encanta qualquer um, em qualquer parte do planeta, o grafismo brasileiro deve muito a ele, tanto nacional quanto internacionalmente. Todos os adjetivos usados para elogiar seu trabalho e sua trajetória vitoriosa serão sempre poucos. Voltando ao programa,  a certo momento, não sei a título de que, Ziraldo declarou a Leda: " O baiano é um falso!" E não falava de alguém em particular, referia-se à coletividade, e o disse com todas as letras - ipsis litteris e ipsis verbis - como se falasse a mais irrefutável das verdades. Deitou falação afirmando que o baiano fatalmente trai os amigos na primeira oportunidade que tiver, devendo as gentes contarem como inevitáveis as insídias perpetradas pelos natos neste afrobaiano torrão. Leda, mineirinha que só ela, mesmo tendo muitos amigos baianos não questionou o entrevistado sobre a despropositada assertiva. Talvez porque o nome do programa a impedisse de fazê-lo. Preconceitos de tal ordem são chocantes e inconcebíveis tanto mais por terem saído da boca de um formador de opinião com enorme influência sobre milhões de crianças que amam o que dele vem, sobretudo através de uma TV pública em que se deve buscar levar à população o melhor que temos em nossa cultura. Injustificável que pensamentos tão mesquinhos, injustos e tão absurdamente falaciosos povoem uma mente criadora revelando vivos resquícios de preconceitos que mais cheiram a chifre queimado. Ao invés de seguir a dialética de outro célebre mineiro, Pelé, famoso por pronunciar frases que não deveriam terem sido ditas, Ziraldo poderia se espelhar no seu nobre conterrâneo Afonso Arinos que passou à História ao ter seu nome numa lei que arrosta e pune os preconceituosos. Ou ainda em um outro mineirinho, o queridíssimo Drummond, mui amado por nós, baianos, por ser lhano, cordato e por bem saber lidar com as palavras não permitindo jamais que elas saíssem por aí impunemente cometendo injustiças nem desabonando o caráter afável do povo mineiro e das amadas Geraes.
(19/02/10)

20 maio 2018

Exposição comemorativa em homenagem ao desenhista Antonio Cedraz.

Quando o amor pelo que fazemos é grande por demais e esse amor se mescla com a dedicação e o empenho mais completo, tal amor invariavelmente dá frutos de excelência. Foi exatamente isso que se deu com o desmesurado amor de Antonio Cedraz pelas histórias em quadrinhos. Desenhista, criador de personagens, argumentista, roteirista, Cedraz sempre amou incondicionalmente as HQs, sempre se deu a elas e por elas lutou com denodo e inabalável fé até conseguir o êxito, o sucesso, a realização que poucos, bem poucos autores atingiram neste continental país chamado Brasil. Por tudo isso Cedraz é tão admirado e reverenciado pelos seus colegas de profissão e por um público imenso, formado por adultos, adolescentes, crianças, respeitáveis senhores. Sua principal criação, com o qual ficou mais conhecido do Oaiapoque ao Chuí, é sem dúvida a Turma do Xaxado, com seus personagens que tanto nos encantam, Marieta, Zé Pequeno, Xaxado, Arturzinho, Capiba, o padre guloso, o jumento Veneta, o porco Linguicinha e tantos e tantos mais. Eis que A Turma do Xaxado está completando duas décadas de sua vitoriosa existência. Uma efeméride dessas não pode passar despercebida e sendo assim, haverá uma comemoração para reunir os fãs e amigos de Cedraz, admiradores das histórias em quadrinhos em geral. No cartaz acima estão os detalhes de tudo que será mostrado, local, dia e hora, galera. É ali na na Galeria Pierre Verger, na Biblioteca Central dos Barris. A abertura acontecerá no dia 26 de maio próximo, às 15h, e a visitação se dará de 27 a 30 de maio no horário das 09h às 18h, com direito à Feira de Gibis, exibição de curtas-metragens e exposição de formidáveis desenhistas que produziram trabalhos em homenagem ao grande, ao amado, ao inesquecível amigo e cultuado Mestre dos Quadrinhos, de quem todos sentimos a falta e uma imensa saudade, o eterno Cedraz. 

03 maio 2018

O Sr. Pinto e seu traje de gala / Sexo de graça



Nildão, artista gráfico, Elvis, Gilberto Gil e muito humor.

Designer gráfico, humorista e cartunista, Nildão já usou de toda sua rara criatividade e humor para nos mostrar aqui nesse bloguito que o cruzamento do popstar Michael Jackson com o maravilhoso cantor de ritmos nordestinos Jackson do Pandeiro, resulta num magnífico ser batizado de Michael Jackson do Pandeiro. Massa! Agora ele usa sua criativa cuca para nos mostrar qual o híbrido resultante de um cruzamento do rei do rock'n roll, Elvis, com o rei do futebol, Pelé. E ainda nos exibe umas graças para nos encantar e provocar frouxos de riso. Enjoy yourself, baby!
O link para o blog do Nildão é http://www.nildao.com.br
(Publicado originalmente em 23/09/15)

27 abril 2018

Gonzalo Cárcamo, caricaturista e artista plástico: um chileno na Terra do Axé

Por uma dessas inefáveis magias que a Bahia encerra, um dia o cidadão Gonzalo Ivar Cárcamo Luna - que há já algum tempo mudara-se do Chile, seu rincão natal, adotando a cidade de São Paulo como sua moradia - deixou a dita terra dos bandeirantes para vir habitar essa afro-terra de Vadinho e Dona Flor. Por aqui se encantou com céus, mares, gentes e se regalou com moquecas, bobós, efós, acarajés, abarás, xinxins e os quindins  de iaiá cumé, cumé, cumé. Conheci-o mui casualmente em uma galeria de arte e nos tornamos amigos fraternos. Lado a lado caricaturamos mais da metade do povo soteropolitano. Bem mais que um artista estupendo, Cárcamo é um ser humano exemplar, um cara do bem, extremamente ético e culto. E um amigo leal, bem-humorado, compreensivo e generoso, um artigo cada vez mais raro no catálogo humano. Mas só mesmo São Paulo tem um mercado à altura para um trabalho de excelência como o dele. Era inevitável que ele voltasse a se estabelecer em Sampa, onde hoje tem atelier e estúdio, um sólido mercado garantido para si, desfruta de merecido prestígio e garantiu um justíssimo lugar no panteão dos artistas maiores. Em contrapartida, quando descerra as cortinas da imensa janela de sua luxuosa cobertura no Alto do Morumbi, tudo o que vê é um firmamento plúmbeo do qual despencam gélidas toneladas de garoa. Ao passo que eu, quando abro a tosca janela do meu puxadinho na Baixa do Jebe-Jebe, vejo descerrarem-se céus e mares translúcidos e a sublime beleza negra de moças do Ilê Ayê em seu rebolado sensual rumo ao Pelô, enquanto traço um autêntico e celestial bobó de camarão feito por descendentes de núbias mucamas, coisa que não é pro bico de quem mora nessa megalópole chamada São Paulo, colonizada por gentes de culturas outras, itálicos, hispânicos, nipônicos, lusos, sinos, teutos. Bem feito para ele!
Clique aqui para ver os trabalhos de Carcamo: http://gcarcamo.blogspot.com/

14 abril 2018

Ademar Gomes, jornalista e escritor: um Machado de Assis com muita pimenta

 Ser amigo de Ademar Gomes nem sempre era tarefa fácil. Suas alternâncias de humor, suas explosões de indignação e de raiva, seus esgares na face exangue, seus olhos faiscantes surgindo por trás da fumaça de seus puros requeriam paciência digna de monge budista. Em se tratando de inter-relações pessoais Ademar não era exatamente uma grata unanimidade. Professor Bandeira - seu apelido e alter ego - tinha curtíssimo pavio e não primava pelo uso de eufemismos e antífrases quando queria dizer aos outros o que deles pensava. Assim sendo, angariou ao longo da vida um considerável número de desafetos que, à socapa, apodavam-no picareta. Nada mais injusto. Bandeira era um bravo batalhador que sobrevivia com seus escritos. Dos anúncios de seu jornal, o JC, e dos seus livros, ganhava lícita e dignamente o croissant de cada dia e jamais se envolvia em cambalachos, maracutaias, fraudes ou falcatruas que pudessem prejudicar quem quer que fosse. Sua história pessoal daria um rico roteiro cinematográfico. Sendo de baixa extração, tornou-se - qual um Machado de Assis redivivo - um homem de invejável cultura. Boa parte a devia ao escritor Ariovaldo Matos, com quem muito conviveu, e ao respeitado cronista Sylvio "Resistir Quem Há-De" Lamenha, professor e intelectual, uma espécie de mentor de Ademar. Professor Bandeira - ou ainda Zé do Grilo, outro alter ego seu - tinha verve rara e quando as coisas para ele navegavam em mar de almirante, era agradavelmente gárrulo e todos em volta ficavam embevecidos com sua rara dialética e sua retórica entremeada de inspiradas boutades. Conhecia em detalhes a vida, a trajetória de cada político, de cada empresário, de cada figura desta terra. Sabia-lhes o lícito e o ilícito, os golpes perpetrados, as insídias, os adultérios, as tramoias. Um dia meu filho se aproxima de mim com um jornal aberto na página dos obituários, nela o nome do amigo tão fraterno. Abraçamo-nos em pranto convulso. Nutríamos por Ademar um imenso afeto que descobri maior quando ele se foi desta vida. Hoje, sua ausência traz uma constante e indefinível sensação de vazio, uma dor que lancina, análoga a que sinto pela perda precoce de irmãos meus em Sampa. E fica a certeza de que quando alguém que amamos se vai, uma parte da gente segue junto e nunca mais somos completos. Poderia dizer a este tão amado amigo "descanse em paz, Ademar". Mas esta não é a frase adequada para se usar com Professor Bandeira que, agorinha mesmo, Romeo Y Julieta no bico, inexoravelmente está promovendo formidáveis esporros entre as nuvens do céu, questionando São Pedro, enquadrando anjos, arcanjos e querubins, exigindo falar com o Criador em pessoa para reclamar da música, do serviço celestial, do desafinado coral de anjinhos. E o Paraíso nunca mais será o mesmo. Bote pra F, querido irmão!
(23/11/10)

28 março 2018

The Beatles e Biratan Porto, caricaturista com letras maiúsculas.

Da maravilhosa e supercriativa série de caricaturas do cartunista Biratan feitas com as letras iniciais dos seus modelos famosos, posto aqui e agora esta maravilha que mostra John, Paul, George e Ringo, os célebres cabeludos de Liverpool que juntos formavam The Beatles, banda inglesa que influenciou milhões de pessoas, causando enormes mudanças em todo este planeta índigo blue e que, segundo uma pletora de gentes, foi mais popular do que aquele outro cabeludo e barbudinho que fazia verdadeiros milagres para agradar seu público seguidor.
(07/06/14)