10 outubro 2015

J.Bosco, caricaturista: quem sabe faz ao vivo


Estas caricas todas aí foram feitas pelo J.Bosco. Olhá-las me fez recordar que num dia qualquer dos anos 80 Cárcamo me convidou para expormos desenhos e caricaturarmos ao vivo o público num novo e elegante Shopping Center que surgira em Salvador. Caricaturas pra jornais eu já fazia há uns milênios à sós em recônditos cantinhos de redação. Ao vivo, cercado por um mundo de curiosos, jamais fizera. Mas um convite de Cárcamo não se recusa. Topei e o resultado foi tão bom que nunca mais parei de fazer. Depois disso já trabalhei sozinho em eventos e também com outros caricaturistas, em jornadas que vão de quatro a até 7 horas. É um trabalho em que o profissional tem que ter olhar aguçado para bem observar os traços dos modelos e procurar ser o mais fiel possível ao retratar cada um. Tudo tem que ser feito de forma rápida, de maneira a não cansar quem está posando e procurando atender a demanda que é sempre grande. E esta rapidez não pode resultar em um trabalho mal feito, desleixado, executado de qualquer forma. Seu talento está ligado ao resultado final onde você tem que mostrar um trabalho bem acabado, um traço vistoso e limpo num desenho que as pessoas queiram guardar, emoldurar, exibir orgulhosas aos amigos. Eu já conhecia e admirava o trabalho de cartuns e caricaturas feitas para a mídia impressa pelo paraense J. Bosco, mas dando uma xeretada básica em seu site descobri lá essas belíssimas caricaturas feitas por ele ao vivo, ali na base do tête-a-tête, em eventos. Caricas que evidenciam um traço elegante, refinado e exata precisão ao retratar os rostos dos modelos, como se pode ver pelas fotos, todos sorrindo, felizes. E tem que sorrir mesmo, já que são uns felizardos pois a um só tempo conseguiram um original do J.Bosco e de quebra puderam assistir ao vivo um grande mestre em ação. 
*********Veja mais trabalhos em: http://jboscocaricaturas.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 31 de março de 2011)

25 julho 2015

Rockeando ando

A vida de cada um de nós tem uma trilha sonora, qual as que vemos nos filmes. Ela vai sendo editada à medida em que vivemos. Uma pitada de música infantil, de samba, tango, música de suspense e até - Deus nos livre e guarde! - da marcha fúnebre. Na trilha musical da minha vida não entram duplas argh- sertanejas, destas que vendem bilhões de discos no Brasil, nem grupinhos ditos de pagode, que pagode não é, pagode mesmo é outra coisa. Em compensação entram Zeca Baleiro, Daúde, a extinta Mestre Ambrósio, a sempre maravilhosa Bossa Nova, Chico, Caetano, Gil, Gal, Elis Regina, Marisa Monte, Calcanhotto, Gordurinha, Luiz Gonzaga, Hermeto Pascoal e um montão de capitosas especiarias musicais, como Marcelo Nova e o Camisa de Vênus. Sim, porque nesta lista entra - de leve - um rock'n roll da pesada, pois um bom rock nos vale para agitar geral, vez que esta vida rápido passa e rockear é preciso.
(15/05/10)

15 julho 2015

Comemorando aniversário com grandes amigos em Belém do Pará

Minha estadia em Belém do Pará como convidado do VII Salão de Humor da Amazônia encerrava uma oportuna coincidência. Um dos cinco dias em que eu ficaria na bela Belém era o dia do meu aniversário, 31 de maio. Comentei isso com Biratan Porto que logo confidenciou ao caricaturista J.Bosco. Vai daí que Bira, Bosco, Wânia, sua esposa, e Alllana Queiroz, tendo como cúmplice nessa história meu irmão Luiz Fernando Carvalho, organizaram para mim uma inédita festa-quase-surpresa no aconchegante apartamento de Biratan, um misto de lar e estúdio. Antes da festa, Luiz Fernando passou comigo em um bem suprido supermarket em que comprou umas garrafas de vinhos chilenos e um bom Vinho do Porto, já que além de amar os cartuns, apreciamos também as coisas boas da vida, afinal a gente não nasceu ontem. Chegando ao apartamento de Bira constatei de imediato que na festança que meus generosos e amáveis amigos me prepararam com tanto carinho quem ficaria muito à vontade seria o cantante e compositante Erasmo Carlos, o popular Tremendão, pois não era uma mera festinha, era uma festa de arromba, expressão que o músico usa em uma de suas canções para designar uma festividade memorável em que ele esteve. A sede era imensa e para aplacá-la fomos de cara abrindo uma garrafa de uma outra variedade de belo e capitoso vinho chileno que Bira comprara, não sem antes certificar-se de que se tratava de uma safra pré-Pinochet, bem mais salutar. Dois belíssimos bolos foram providenciados. Um era virtual, criativa e hilária brincadeira do Biratan, mostrando uma caricatura de minha fina estampa feita por ele no seu PC, em que eu soprava velas sobre um bolo que indicavam que eu estaria completando 66 anos de idade, sacanagem do Bira que sabe muito bem que eu tenho pouco mais que a metade disso, o que mostra que mesmo os grandes amigos têm seus momentos malafaios. Quanto ao outro, era um bolo de fato, um lindo, maravilhoso e mais que delicioso bolo de chocolate para chocólatra nenhum botar defeito. Os convivas foram chegando e entrando logo no clima e ao final boa parte da mais fina flor do cartunismo brasileiro lá estava pra se divertir na patuscada. Presentes no local meu inigualável hostess, Biratan Porto com seu indefectível Panamá na cuca, e os cartunistas Waldez Duarte, André Júnior, Mario Alberto, Orlando Pedroso, J.Bosco and family, Wânia e Allana Queiroz. Meu irmão gêmeo, que reencontrei em Belém, Luiz Fernando Carvalho, que é cartunistólogo e caricaturistólogo, além de um dos eficientes organizadores do Salão de Humor lá estava me alegrando e dividindo esses momentos de tão transbordante emoção. Todos nos divertimos à beça, bebemos muitos vinhos bons, cervejotas no capricho, comemos petiscos que o próprio chef Bira preparou com esmero, rimos a alto e bom som e ainda por cima nos divertimos com a verve de Bira que, versado em artes anfitriônicas, animou ainda mais o ambiente contando causos hilariantes para o divertimento e a felicidade geral da galera presente. Sim, senhoras e senhores, o Tremendão Erasmo Carlos haveria de se esbaldar nessa fuzarca. E por participar dela haveria de agradecer muitíssimo comovido. Muitíssimo, mas bem menos que eu. 
Na foto acima, Luiz Fernando Carvalho, André Abreu, Waldez Darte, Biratan Porto, Mario Alberto, Orlando Pedroso, J.Bosco e Wânia Queiroz, consorte do graaaaaande J.Bosco. Logo abaixo, a foto da discórdia. Meu coração generoso já perdoou a atitude insidiosa do Biratan.

Minha viagem para o VII Salão de Humor da Amazônia, Biratan Porto, amigos, Belém

Eis que um anjo de fulvas melenas adentra meu modesto lar e me anuncia que em breve eu haveria de visitar Belém, um sonho que tantos sonham e acabam ficando apenas no sonhar, que Deus tem lá seus imperscrutáveis desígnios e não nos cabe a nós, míseros mortais, questionar suas divinas decisões.  Tendo cumprido sua missão, sai de cena o anjo com suas alvinitentes asas e eu passo a contar os dias que me separam do momento de embarcar para Belém em outras asas que não as do anjo-mensageiro, as asas da Panair. Ou no mínimo em qualquer bom avião de carreira. Vem chovendo copiosamente todos os dias na minha Bahia de Todos os Santos e Orixás, entanto no dia do meu embarque o céu é de brigadeiro e nos ares me sinto tão maravilhoso e seguro qual um Aladim voando em seu confortável tapete mágico.  Uma honraria maior me acompanha nessa viagem: estou indo a Belém para me encontrar pessoalmente com o Nazareno.  Nesse momento cumpre-me esclarecer a você, caro leitor, que a Belém a que me refiro não é aquela que consta nos mapas atuais como situada na Palestina, e que era há 2000 anos apenas uma pequenina cidade próxima ao deserto da Judeia em que, segundo a Bíblia, nasceu ninguém menos que Jesus Cristo. A Belém a qual me refiro trata-se de Belém do Pará, cidade linda e aprazível, onde um povo pleno de calor humano habita.  Ah, e o Nazareno a que faço menção também não é o mesmo Jesus Cristo, convém deixar bem claro, trata-se do meu amigo Biratan Nazareno Porto, cartunista dos mais brilhantes do Brasil e desse vasto mundo. Pois foi esse meu piramidal amigo quem me telefonou formulando, em nome do Salão de Humor da Amazônia, o convite para viajar até sua terra com o precípuo escopo de integrar um júri formado por gente ligada aos cartuns tendo por objetivo de selecionar os premiados desse que é o VII Salão de Humor da Amazônia. De quebra, ficou combinado que eu ministraria uma oficina para falar aos inscritos sobre a arte da ilustração, como criar, que técnicas utilizar. Além do mais eu deveria integrar a mesa de um oportuno debate aberto ao público para falar sobre Liberdade de Imprensa, tema motivado pelo recente ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo e seus cartunistas. Tais encargos para mim são, em verdade, motivo de júbilo e de prazer vez que enxergo a profissão como uma realização pessoal, um lazer, uma forma de expressar meu pensamento diante das coisas do mundo.  Participar in loco de Salões de Humor sói proporcionar a alegria de encontrar amigos de longa data e de conhecer pessoalmente gentes que militam na área do cartum, saber suas opiniões, suas formas de encarar a profissão em comum.  E eis que na terra natal de meu ídolo, Doutor Sócrates, de Pinduca, Gabi Amaranto, Fafá de Belém, do Paysandu e do Remo revi confrades queridos, conheci novos amigos, a oficina foi um sucesso, o debate foi esclarecedor, os melhores do Salão foram premiados e eu, ah!, eu fui recepcionado da mais carinhosa maneira e vivi dias belenenses dignos de monarca.
Na foto de cima, eu ao lado dos meus talentosíssimos amigos J.Bosco e Biratan Porto. Na de baixo, flagrante de momento em que escolhíamos os melhores trabalhos do VII Salão. Da esquerda para a direita -no bom sentido, no bom sentido! - Waldez Duarte, Orlando Pedroso, Setúbal, Mario Alberto( tão encoberto que só dá para ver a ponta de sua brilhante cuca ), Natália Forcart e de costas, meu irmão gêmeo, Luiz Fernando Tavares.

09 maio 2015

Timbalada, Ninha e El Marrón


O cantor Ninha há já um bom tempo deixou a Timbalada. Mas sempre que faço uma pintura em tela - como esta aê - mostrando este tão formidável grupo criado pelo não menos formidável Carlito Marrón, não deixo de colocar uma alegre e rotunda figura ao microfone para lembrar o magistral e - ao menos para mim - eterno timbaleiro, dono de uma voz poderosa que soube mostrar ao mundo que a Timbalada revitaliza. Sem Ninha, o grupo da Timbalada segue sua trilha de músicas e alegrias lançando novos e bons cantores, sempre se reciclando graças à mente inventiva de El Marrón, que também atende pelo nome de Carlinhos Brown. E o próprio Ninha, vida que segue, continua cantando cada vez mais bonito, levando a todos esta vocação musical inegável e toda alegria interior do povo negro da Bahia que se dissemina e a todos contamina. Um brungundum bragadá pra Timbalada, pro Carlito Marrón e procê, Ninha.

01 maio 2015

Humor de graça / Branca de Neve queimadinha


H. Lima, artista plástico ou Lima Limão vai à luta.

Sem providenciais mecenas para ampará-los nesse mundo hodierno, os artistas plásticos que não alcançam as boas galerias - bem raras nesta urbe - sempre tiveram que partir para um renhido embate pela sobrevivência indo buscar possíveis compradores aonde eles estivessem. E nestes anos 70 lá estou eu com meu amigo Lima, que assinava seus trabalhos artísticos como H.Lima e era também conhecido popularmente como Lima Limão ou ainda como Macarrão 38, devido ao fato de em sua quase anoréxica magreza lembrar o famoso produto alimentício, uma massa das mais fininhas. Lima, gravador e pintor, marcha estoicamente, subindo e descendo inacabáveis escadas de prédios da Cidade Baixa tentando vender dois entalhes que recém fizera. Eu, seu fiel e prestativo acólito nesta empreitada dificultosa ajudo a carregar as peças. Lima, como já narrei em postagem anterior, conseguia dois pedaços de compensados, entalhava-os, coloria-os e saía em campo para o corpo-a-corpo necessário à subsistência. Com o dinheiro auferido, comprava novo material para preparar mais dois e repetir a façanha sem assim jamais conseguir acumular em sua casa e ateliê uma produção de seu trabalho, mínima que fosse. Nada disso tirava o constante bom humor baiano de Lima. Certo dia visitamos o escritório de um profissional liberal que em mais de uma oportunidade já comprara obras de meu amigo. Após olhar sem entusiasmo os trabalhos, o sujeito diz : "Você bem sabe que gosto de sua arte. Mas estes trabalhos seus não me agradaram. Façamos o seguinte: no próximo final de semana  passo em seu ateliê e com calma olho todos os outros trabalhos que você tiver lá, escolho um que eu gostar e compro. Certo?" Ao ver o semblante de desalento de Lima, o homem inquire, desconfiado: "Você tem outros trabalhos em casa, não tem?" E Lima, a imagem da humildade personificada: "Quem sou eu, doutor, para ter um quadro meu?! Isto é pro senhor que pode!"
(Publicado originalmente em 06 de novembro de 2010)

01 abril 2015

Russ Cook e suas esplêndidas caricaturas



O que é bom pode ser visto um montão de vezes que sempre terá sabor de inédito, não é mesmo? E sendo assim e assim sendo vão aqui estas maravilhosas caricaturas do Russ Cook, que é um caricaturista lá do Reino Unido. É de babar as caricas dos invocados Bob Dylan e Samuel L. Jackson. Nos traços de Russ, Sophia Loren continua aquela italianona bela, piu bela que qualquer um gostaria de manjare. Em compensação o Serge Gainsbourg continua aquele cara malajambrado de sempre e dele sigo guardando, desde os anos 70 até os dias atuais, uma imensurável raiva não me importando o fato de ele já ter partido deste mundo. Sempre fui um cara de fina estampa, alto, espadaúdo, peito de remador, cabelos sedosos, físico de Adonis, lábios feitos para o prazer das mulheres mais lúbricas, por isso jamais  me conformei com o fato de ver que o Sergei, um cara feio de doer, fumante inveterado, que certamente devia ter um bafo terrível, passava o rodo geral nas maiores beldades de sua época, teve as mulheres que quis, conquistou e deixou gamadonas as atrizes mais famosas e alucinantemente belas do mundo do cinema e da música neste orbe, como La Bardot e a Jane Birkin, enquanto eu, belo e assaz formoso,  ficava por aqui no ora veja, o que comprova que Deus nem sempre é um cara justo.
Para ver os magníficos trabalhos de Russ, acessem o link www.russcook.co.uk  e divirtam-se.
                                           ( Public. origin. 07/11/13 )

Arnaldo Antunes pra chinês ver



Da Romênia, terra do genial cartunista Saul Steinberg, recebo convite via Net para participar de mostra de caricaturas e retratos de personalidades romenas. Dei uma olhada no acervo de caricaturas já existente e achei esta deste cara aê, o Vasile Pârvan, historiador e arqueologista desenhado pelo caricaturista chinês Wu Jianjun, que aliás faz muito sucesso em Quixeramobim. Olhei a foto do homenageado e achei que o sino-coleguinha fez mais foi uma caricatura do altamente criativo poeta, compositor, cantor e performático Arnaldo Antunes. Muito bem feita por sinal! O Arnaldo, com seu proverbial bom gosto, certamente curtirá muito, Wu. Pra quem quiser dar uma conferida, o site é http://www.personality.com.ro
                                     ( Public. origin. 12/02/14 )

29 março 2015

O primeiro beijo na boca entre duas senhoras não foi na Globo, foi no Programa do Gugu.


E o Flamengo tentou dar justa causa a Ronaldinho Gaúcho por ele ser heterossexual

Perdi interesse por jogos da seleção brasileira de futebol quando ficou evidente para mim que a chamada equipe canarinha deixou de ser "a pátria de chuteiras" e se tornou um mero produto comercial a mais na grade de programações da Rede Globo de Televisão. Produto deturpado, estragado, falsificado que visa atender o voraz apetite financeiro da emissora, com direito a narradores que nos impingem suas "verdades" e intentam a cada narração nos fazer engolir felinos por leporídeos. Tudo em conluio com a CBF, leia-se Ricardão Teixeirão, autor da belíssima página musical "se vocês pensa qui nóis fumo imbora, nóis enganemo vocês..." Os jogos aqui ou na China acontecem, por determinação expressa da Globo, nos dias e horários que convém à emissora do Plim-plim. Conveniência que para a população sói ser altamente inconveniente. Também o Campeonato Brasileiro de Futebol foi por este caminho, sendo que os times do Brasil são claramente tratados como mercadorias da loja de secos & molhados da emissora do Projac, especialmente o Flamengo, que é do Rio, a cujos jogos nós, os demais brasileiros, nos vemos muitas vezes a contragosto obrigados a assistir semanas inteiras gostemos ou não. E não venham os urubus me dizer que isto se deve ao número grande de torcedores do time. Agora, vê-se nitidamente a Globo dar ao caso Ronaldinho-Flamengo uma importância de fato grandioso que merece ser discutido em todos os horários por todo o povo brasileiro. Não morro de amores por Ronaldinho, não o quereria em meu time, acho que ele não joga nada desde seus tempos de Milan, anos se vão, desde isso. Mas o Flamengo fez o maior alarde ao anunciar que o contrataria, a Globo avalisou e deu tratamento de superstar, tratou como uma contratação grandiosa que iria dar grande importância ao campeonato carioca sempre acanhado que se limita praticamente aos 4 times principais. Agora que tudo deu chabu, como era de se esperar, a presidente do Flamengo anda falando em traição, em honra, em dignidade,  que o time da gávea será "implacável" na busca dos seus interesses, etc.  Zinho, Superintendente Geral das Pinturas de Rodapé na sede do Fla, despeja tonterias similares. Aí vem a Globo e, tendenciosamente pró-Flamengo, anda exibindo um vídeo antigo que provaria que Ronaldinho é um crápula, dado o conteudo supostamente chocante do tal vídeo, pois com ele estaria demonstrado que Ronaldinho, além de dentuço, é inconcebivelmente heterossexual, pois, em regime de campo de concentração, adentrou o quarto de uma senhorita - cherchez la femme - sendo que tal conduta heterrosexualística motivaria uma justa causa ao jogador. Não sou advogado trabalhista, mas pera lá, mesmo que ele tivesse adentrado o quarto de um negão ou um traveco, ao invés do de uma senhorita, em que isto ajudaria o Flamengo? O jogador admitiu conhecer a moça e lá ter passado a noite. Mas e daí, Carvalho? Pode ter passado a noite batendo palminhas com ela entoando "pirulito que bate, bate..." ou fazendo "pedra, papel e tesoura" ou jogando vídeo game ou assistindo um filme água-com-açúcar. Ou mesmo pode ter ido lá tirar uma soneca embalado pela voz maviosa da moçoila, vez que em seu próprio quarto não estava conseguindo dormir. E se de fato fez sexo, como sordidamente insinua o advogado do Flamengo ( evitando dizer com palavras para não ser acusado por injúria ou calúnia ), devemos lembrar que o lendário Garrincha era adepto do sexo na véspera de uma competição. Romário, idem, idem. Garrincha era um homem de cópulas e de copas. Dois dos 5 canecos de ouro que temos a ele devemos. E Romário dizia com todas as letras que jogava melhor quando na vésperas do jogo afogava o penoso anatidae. Somente um juiz tendencioso - neste país não faltam - poderia condenar Ronaldinho com base neste vídeo apresentado e tascar uma justa causa sob tal descabida alegação. Ou um juiz misógino, valha-me Deus! Ou um magistrado que ostente debaixo da toga, certa indumentária que cartolas rubronegros não vem honrando há décados: a camisa do Flamengo.
(Esse texto foi publicado inicialmente nesse blog em 05 de junho de 2012, beeem antes da malfadada Copa do Mundo de 2014 em que os efeitos deletérios da política da Rede Globo de tratar o futebol como mero produto comercial e fonte de lucros astronômicos ficaram mais que evidentes, só não viu quem é cego. Os humilhantes 7x1 fora o baile que a seleção  preconizada pela Globo como maravilhosa, são vergonhosos e conspurcam a gloriosa história do nosso futebol conquistada por craques verdadeiros.)

11 março 2015

Mestre Cedraz, Cosme e Damião, Luiz Gonzaga e os quadrinhistas da Bahia.


Deitado em minha rede ouço tocar o telefone vermelho – presente dos meus amigos Adam West e Burt Ward que o surrupiaram de um bat-set de filmagens de certo bat-seriado. Estendo a mão para o Graham Bell e alguém, falando em Inglês com forte acento britânico, identifica-se como sendo da assessoria de imprensa do popstar Elton Jonh, que vem à Bahia fazer um megashow na Arena Fonte Nova. Com esse seu acentuado sotaque me informa que estou numa seleta lista de convidados para jantar com Sir Elton. But o cara d’ont realize que de há muito tornei-me um anacoreta inveterado, contumaz e renitente, um verdadeiro Greta Garbo dos cartuns, HQs, caricaturas e pinturas, e só saio de casa movido por causa mui, mui relevante, o que não inclui o rega-bofe com Elton e entourage. Vai daí que, buscando caprichar no sotaque britânico, relembrando meus dias de University of Oxford, digo ao mister que declino da honrosa honraria pois já tenho outro jantar agendado com um outro Sir, o famoso Sir Draz, em verdade,  Cedraz, Mestre do Quadrinho Nacional, honra e glória das HQs brasileiras. Dito isso, na companhia de Vítor Souza e Fabiana Janes, chego para jantar com o Mestre Cedraz em um local aconchegante, amplo, espaçoso e de grande beleza, o Cerimonial Cosme e Damião. Presentes no local o rádio e a televisão, cinema, mil jornais, muita gente, confusão e a galera que faz quadrinhos na Bahia, ao menos a maior parte dela. Cedraz, radiante, recebe a todos com sua costumeira bonomia, com um enorme sorriso sertanejo no rosto, feliz de se saber prestigiado por tantos. Sabedor da alta relevância desse encontro afetivo-gastronômico realizado ao ar livre, São Pedro foi mais santo que nunca pois colaborou contendo possíveis intempéries e o Cerimonial fez um evento de primeira, esbanjando profissionalismo e simpatia. No som ambiente predominava a sanfona e a voz de Luiz Gonzaga, o grande Lua, tão sertanejo quanto Cedraz e seus filhos mais famosos, o Xaxado com toda sua turma. E como somos ecumênicos na arte de misturar o que há de bom, os acepipes servidos foram o que há de melhor na culinária afrobaiana, caruru, vatapá, galinha de xinxim, acarajé, abará, farofa de dendê e tantas iguarias de fazer babar qualquer François Vatel. Mas o piéce de résistance foi mesmo o carinho do pessoal do Quadro-a-quadro  para com Cedraz. Eles se esmeraram e o grupo organizou um inesquecível evento, onde a tônica maior foi mesmo o carisma de Cedraz, transmitindo a todos os amigos sua energia de homem iluminado. Elton John, my son, sinto muito, mas eu não poderia jamais comparecer a um evento apinhado de gélidas gentes britânicas tendo eu a felicidade de haver sido convidado para ir a um ambiente onde imperou o calor humano de Mestre Cedraz recebendo os amigos num acontecimento onde tudo foi perfeito. Nas páginas do meu livro de memórias essa noite ficará marcada de forma indelével. Abraço, Mestre Cedraz, amigão de todas as horas, a quem muito devo, companheiro de tantas jornadas nos caminhos dos quadrinhos e cartuns.
(Texto publicado originalmente em 17 de setembro de 2014)

20 dezembro 2014

Rodney Pike, Mr. Bean, Barack Obama, Raul Castro, Natal

Já postei aqui nesse bloguito trabalhos do ótimo caricaturista norte-americano Rodney Pike. Como já tem um tempinho que não posto nada dele, aproveito o clima de Natal que paira no ar para postar esse belo trabalho que saúda as festas natalinas através de uma imagem da Santa Mãe tendo aos braços seu Santo Menino, ambos feitos por Rodney com seu traço soberbo, suas cores refinadas e seu humor apurado que fica evidente ao vermos que ele utilizou como modelo ninguém menos que Rowan Mr. Bean Atkinson. Postei ainda uma bela caricatura de Barack Obama que - nesse mês em que as pessoas mundo afora comemoram o nascimento de Jesus Cristo, imbuídas de um maior sentimento de boa vontade - de forma inteligente e elogiável anuncia ao Mundo que a partir de agora os Estados Unidos e Cuba reatam relações diplomáticas, o que já não era sem tempo, afinal os EUA já haviam reatado suas relações com a Rússia, coisa bem mais difícil. Obama mostra ser um Presidente com personalidade através de um gesto humanitário, bem a calhar com a ocasião, que ajudará a melhorar em muito a imagem dos EUA na América Latina. A partir de agora, se quiserem, os americanos podem conseguir petróleo de boa qualidade pertinho, com seus vizinhos de Cuba. E de quebra comemorar the american way of life fumando charutos cubanos, os melhores do Mundo. Congratulations to Obama. Congratulations to Master Rodney Pike.
http://rodneypike.com/

Jayme Leão, um felino que é um ofídio / Pintando o Set 3

Jayme Leão sempre foi cobrão. Eis que numa ensolarada tarde, no Recife dos rios cortados de pontes, dos bairros das fontes coloniais, em um dia hoje distante, essa fera traçou com um singelo bolígrafo esta carica minha mostrando-me em plena azáfama cartunística e caricaturesca como é do meu consueto proceder. Grande Jayme Leão, autêntico rei do traço na jângal da paulicéia desvairada!
( publicado originalmente em Dezembro de 2010)

07 dezembro 2014

O versátil Jim Hopkins, talento do traço e das cores

 
E já que falei em postagem anterior sobre a versatilidade do trabalho do caricaturista, ilustrador e pintor norte-americano Jim Hopkins, volto à carga em nova postagem para mostrar um pouquinho do que Jim é capaz de realizar com lápis, papel, tinta ou um PC na mão. Nem é preciso repetir que gosto muito do trabalho do cara. Por isso mesmo, sempre dou uma olhada nos blogs em que ele posta mostras do seu trabalho que, como já disse, não se resume ao desenho de caricaturas. Jim Hopkins é um artista completo, de incontestável talento, como se pode ver nos desenhos contidos em seu sketchbook que ele, generosamente, reparte conosco, como essa maravilhosa série feita a lápis mostrando prosaicos calçados, desses que os viventes costumam usar no dia-a-dia. Singelos tênis e sapatos que são desenhados em ângulos diversos, com a força do desenho de Jim resultam em um belíssimo trabalho. De quebra, paisagem e modelo vivo. Depois de degustarem essa pequena amostra, vale a pena clicar nos links e curtir mais o trabalho belo e diversificado de Jim Hopkins, um mestre norte-americano que marca sua presença numa terra de muitos mestres do desenho.
Links para trabalhos de Jim Hopkins:
http://mugitup.blogspot.com
http://icecreamnobones.blogspot.com
http://www.aboutfacesentertainment.com/entertainers/caricature-artists/l/united-states/new-york/new-york-city-metro/new-york-city-ny/jim-h-caricature-artists.html

Jim Hopkins, um caricaturista e sua arte

1. Audrey Hepburn, a mais bonita de Hollywood 2. O ghostbuster Bill Murray 3. Jack Nacho Libre Black 4. O emblemático casal Obama
Gente de todo o planeta adora ver um belo trabalho de caricatura recheado de humor e habilidosa técnica de desenho.  Eu próprio sou fã de diversos profissionais da área que estão espalhados pelos quatro cantos do mundo. Nos Estados Unidos há uma interminável quantidade deles e gosto de vários. Por exemplo, curto muito o trabalho do versátil Jim Hopkins que além de ilustrador e pintor é um caricaturista dos melhores como se pode ver nas artes aqui postadas. Great Jim Hopkins!
Links para os trabalhos de Jim:
http://mugitup.blogspot.com
http://icecreamnobones.blogspot.com
http://www.aboutfacesentertainment.com/entertainers/caricature-artists/l/united-states/new-york/new-york-city-metro/new-york-city-ny/jim-h-caricature-artists.html

02 dezembro 2014

Cleomar Brandi: a última saideira e o velório mais alegre do mundo

Conforme escrevi na postagem anterior a esta, o jornalista e poeta baiano Cleomar Brandi faleceu há pouco. Enfermo, já sabendo antecipadamente que iria morrer, deixou uma carta para ser distribuída aos seus amigos, participantes da cerimônia de seu sepultamento, em que faz saber a estes amigos que, ao saírem do cemitério depois da referida cerimônia, não deveriam retornar de imediato aos seus lares, devendo antes se encaminharem todos a um determinado bar para ali, juntos, beberem em uma derradeira homenagem ao amigo que partia desse mundo sem mágoas ou tristezas. Para tal deixava devidamente pagas as bebidas e dava a todos ciência disto. Destes seus amigos só queria a presença e a alegria para uma autêntica festa de despedida. Vai aqui, na íntegra, o texto de Cleomar contido em sua derradeira missiva:
"A última saideira"

"Um dia, uma noite, algum boêmio sempre pede a saideira e os garçons nunca gostam dessa história. Mas, o certo, é que sempre chega a hora da última saideira. Dessa vez, chegou minha hora, meu último gole.
Eu, pessoalmente, não diria que estou indo contrariado. A hora e a vez de Matagra. Afinal de contas, soube beber com sede de aprendiz o melhor que havia na taça que a vida me ofertou. Uma taça lavrada, rescendendo a conhaque.
Nadei nas águas mornas de Arembepe, conheci Raulzito quando ele ainda se juntava aos seus Panteras, com Thildo Gama e outros, vi Caetano, Moraes Moreira, Pepeu no encontro de trios, enquanto o poeta apontava com a mão a Baía de Todos os Santos. Arpoei caramuru, tirei polvo da toca, garanti as moquecas da minha adolescência, fui recordista de natação, ungido por Oxalá.
Fui bom de porrada, fiz meu nome nas turmas de rua do Lago dos Aflitos, joguei futebol e, nos babas, ganhei o apelido de “Leonam” onde sou conhecido assim até hoje. Fui batizado nos puteiros da Ladeira da Montanha, conheci Mestre Pastinha e Mestre Bimba, vi meu “Bahêêêa” ganhar para o escrete do Santos e Waldemar Santana encher Hélio Gracie de porrada.
Conheci os mistérios dos becos e ladeiras da velha Salvador, fui amigo de Cid Teixeira, Capinan, Guido Guerra e Luís Orlando, encarei dois anos de internamento no Hospital das Clínicas, tive febres diárias, colecionei escaras coloridas, vibrantes e sangrentas, decepcionei laudos médicos, busquei o tempo que eu queria da minha vida.
Um dia, uma brisa morna me carregou para o colo da bela Aracaju, onde eu soube ser feliz, no tempo que me restava. Aqui, bebi os melhores conhaques da minha vida, amanheci nas libações madrugadoras com o amigo-irmão José Eduardo Sousa, soube ouvir o violão de Pantera, a melodia de Paulo Lobo, o blues de Soyan, as conversas de Mariano e Bel nas andanças do Imbuaça. Aqui, plantei amigos, colhi irmãos, como o grande parceiro Gilson Sousa. Aqui, ouvi a melodia do Cataluzes, comi o melhor pirão de caranguejo do Pastelão, me fartei dos mistérios culinários da cozinha de Camilo.
Nessa terra, amei mulheres que reverencio até hoje. Fiz poemas para algumas, embriaguei-me com outras. Como esquecer do sorriso de Arlinda, que ganhou o mundo e acabou na Sorbonne? Como esquecer do sorriso sacana de Ana Paula? E os finais de tarde no Mosqueiro? E o chiado da tainha na frigideira do Bar de Nem? E a amizade terna da turma do JORNAL DA CIDADE e da Aperipê TV.
Como esquecer da lealdade de meus irmãos a vida inteira? E de Christina Brandi, cunhada que se tornou irmã? E da cumplicidade do irmão Chico Neto, que trilhou a vida inteira os caminhos do bom jornalismo, ético e honesto?
Um dia, o velho barril de carvalho pinga sua última gota de conhaque. E o poeta se despede de tudo, sem tristezas nem vexames. Apenas sabendo que cumpriu seu papel com dignidade, com honestidade e com um brilho de crianças nos olhos.
Quem sabe, eu encontre o amarelo dos girassóis nesse novo caminho?
PS: Os amigos estão convidados para a última saideira no Bar do Camilo, assim que terminar o sepultamento. Já está pago."

Cleomar Brandi.
(Primeira postagem neste blog em 09 de agosto de 2011)

29 novembro 2014

Codinome Beija-Flor, cantada lindamente pela japonesa Tsubasa Imamura

Brasileiros são apaixonados por mangás e animés que, vindos do distante e - para nós - exótico Japão, fazem enorme sucesso popular entre nós. Japoneses amam a música brasileira e sabem tocar e cantar de maneira magistral qualquer composição feita por aqui, da Bossa Nova à mais nova MPB. A linda e afinadíssima cantora Tsubasa Imamura, uma espécie de Nara Leão nipônica, nos dá uma mostra disso com sua magistral interpretação da música de Cazuza.

Flores, dos Titãs: a japonesinha Tsubasa Imamura arrasa cantando essa música

A música é algo comprovadamente entranhada nos corações de toda humanidade. Enquanto alguns aspectos culturais encontram a barreira do preconceito, a música parece ter o mágico condão de abrir as janelas da alma de qualquer vivente, de qualquer parte do planeta. Desde pequenos tentamos, da nossa maneira, cantar em variadas línguas as músicas que nos emocionam positivamente. E cantamos em Italiano, em Inglês, em Francês e por aí vai. Não nos importamos se entendemos ou não as palavras, se as cantamos corretamente. O fato é que entendemos perfeitamente a emoção e a felicidade que essa música nos faz sentir. Muito mais do que isso fazem os japoneses que tocam e cantam a música brasileira de uma forma maravilhosa que nos emociona e nos deixa cheios de orgulhos. Com vocês, Tsubasa Imamura e sua interpretação magistral de As Flores, dos Titãs.  

10 outubro 2014

Montse Rubio, talentosa ilustradora da Espanha

 

Navegando pelos misteriosos - e por vezes procelosos - mares da Net encontrei os trabalhos desta talentosa espanhola de nome Montse Rubio. São aquarelas delicadas, de cores agradáveis sobre um desenho preciso e muito bem delineado. Quem gosta das belíssimas aquarelas de Brian Froud vai gostar também dessa criativa ilustradora, profissional numa terra de tantos formidáveis ilustradores e pintores. Vale a pena clicar nestes links e dar uma olhada nos trabajos de la brillante dibujadora de España:
http://www.montserubio.com/ e
http://montserubio.blogspot.com/              
 

30 setembro 2014

O fim do Orkut e seu efeito na vida das pessoas / Reprodução de texto do jornalista Gonçalo Júnior

"O FIM DO ORKUT"
"O Orkut acaba nesta terça-feira. Decidiram que não serve mais para nada. Não dá lucro. Não dá dinheiro. Por isso, será desativado. Quem quiser fazer download dos arquivos o prazo vai até setembro de 2016. Mas ninguém poderá baixar todo o conteúdo do site, claro. Impossível. Só o quinhão que lhe cabe.
Nunca o explorei como todas as pessoas à minha volta o fizeram por vários anos. Tinha uma conta criada à minha revelia pelo Gmail que jamais alimentei. Tanto que tinha apenas 25 pessoas em conexão e só uma foto. Mas fico pensando que seu fim é, em primeiro lugar, um exemplo do quanto a revolução digital transforma e atropela a história em uma velocidade impressionante.
O Orkut, pelo menos no caso do Brasil, foi uma ferramenta que mudou a vida e as relações de milhões de pessoas. Ali estão registros de reencontros, declarações de amizade, de amor, de alegria, lamentos e tristezas, relações que renasceram ou romperam, ciúmes, ódio e discórdia, depoimentos de amigos, fotos e interações com outros usuários em comunidades.
Não posso ter nostalgia do que não vivi. Mas lamento que todo esse manancial de memórias seja apagado desse modo. Ou seja, a partir de 2016. Por uma questão de respeito, todo esse gigantesco acervo deveria ser preservado para futuras gerações, para a história, do jeito que está, mesmo como um lixão da internet, como aparentemente parece.
Mas não é. Longe disso. O Orkut é, nesse momento, uma monumental biblioteca da memória virtual de seus usuários, da intimidade das pessoas, da explosão de emoções e sentimentos que elas tiveram ao lidar com essa fantástica novidade. Ali estão histórias de pessoas vivas e muitas que já se foram. Desapareceram, algumas foram atraídas por assassinos e estupradores, até. O pouco desses seres tão preciosos para seus entes queridos estão ali.
Não sei se os donos do Orkut têm o direito de sepultar tudo isso. Penso na memória, na história de tantos anônimos. Penso no quanto a rede foi importante para aproximar muitos do computador e da Internet. Penso na história do nosso tempo, extirpada de modo tão violento. Penso como contaremos a nossos netos e bisnetos como existiu em um passado importante a primeira grande rede social da história."

12 setembro 2014

Cedraz, maravilhoso desenhista de HQs, descrito por Suely Furukawa

Sobre o falecimento de Antonio Cedraz, desenhista de quadrinhos com uma carreira brilhante e premiada, amigo leal, constante, homem generoso para com todos, desprendido, que tratava de maneira calorosa e afável quem dele se aproximasse, principalmente desenhistas novatos a procura de conselhos, que devido seu talento, dedicação constante e imensurável amor à Nona Arte se tornou admirado, Suely Kurosawa, profissional da área e fiel amiga de todas as horas escreveu:
"Para quem nao sabe, ANTONIO LUIZ RAMOS CEDRAZ, simplesmente Cedraz, era autor da Turma do Xaxado."
Nós fomos apresentados a Antonio Cedraz por Carlos Avalone, desenhista na antiga Divisao de Publicações Infanto-Juvenis da Editora Abril.Em uma época em que não imaginávamos a Internet, e-mails e muito menos as redes sociais, Avalone trocava figurinhas sobre o mundo das Histórias em Quadrinhos, através de cartas enviadas a Cedraz. Tempo em que DDD era inacessível de tão caro, eles eram amigos por correspondência.
Quando soube que Paulo Paiva e eu iríamos passar nossa lua-de-mel na Bahia, passando por Salvador, Avalone nos deu telefone do Cedraz. Diretor de Arte do Banco Econômico, Cedraz era das raras pessoas que possuía telefone privativo em Salvador.
Hospedados em um antigo hotel decadente da periferia soteropolitana, ligamos para Cedraz. Em poucas horas, ele estava lá, com seu fusquinha cor de laranja, exigindo que fechássemos a conta pra irmos diretamente pra casa dele. Nunca tinha ouvido falar da gente. Éramos os amigos de Avalone, seu correspondente.Era final de julho de 1979, o começo de uma incrível amizade que completou agora 35 anos.
Através de Cedraz, conhecemos toda comunidade de desenhistas de Salvador, como Nildão, Caó e Lage. Com a ajuda dele, PP retomou contato com Setúbal, artista paulistano há muito tempo radicado em Salvador.
Amigo para horas boas e ruins... Foi em momentos de nossa maior dificuldade, quando PP, após sofrer um grave AVC, ficou 35 dias em coma e 5 meses no hospital, que Cedraz se mostrou amigo para todas as horas.
Me ligava regularmente naqueles dias de esperança alguma. Quando chegava exausta do hospital, me enchia de coragem, contando que rezava diariamente por nós.
Pouco depois da alta do PP, veio de Salvador nos visitar. Uns dois anos depois, ele começava a sua luta contra o câncer. Incontáveis cirurgias, baterias de quimioterapia e toda sorte de tratamentos. A cada hospitalização, nos telefonava após a alta, comunicando que vencera mais uma batalha.
Cedraz ainda tinha muitos planos... Mesmo sabendo que um dia o guerreiro seria vencido pelo câncer, a notícia de seu falecimento, na manhã de hoje, nos pegou de surpresa.
Taí um homem que viveu intensamente, realizou uma obra incrível, tanto na vida pessoal como profissional.
Autênticos personagens brasileiros, especialmente nordestinos, com riquíssima pesquisa, retratando nosso folclore como ninguém. Nós, amigos, temos a obrigação de dar continuidade à Turma do Xaxado, divulgando e perpetuando a obra de Antonio Cedraz."

13 julho 2014

Cedraz é o homenageado maior no Festival Internacional de Quadrinhos

  Cedraz é o grande homenageado do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos em 2015

A Noticia foi publicada pelo FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, o quadrinhista, ilustrador e Mestre do Quadrinho Nacional, Antonio  Cedraz, é o nome homenageado em 2015, Antônio Luiz Ramos Cedraz é baiano de Miguel Calmon, nascido em 1945. Começou a desenhar aos 16 anos. Conciliando a carreira de desenhista com a profissão de bancário, Cedraz criou várias séries de histórias: Lúbio,  Zé Bola,  Joinha,  Ana, Pipoca. Mas, seu maior sucesso foi a Turma do Xaxado, publicado por mais de 10 anos no Jornal A tarde e também em mais de 30 livros, com coletâneas das tiras e histórias inéditas.
Cedraz  já recebeu seis prêmios HQMIX, a principal premiação dos quadrinhos brasileiros e foi consagrado com o título de Mestre do quadrinhos nacional, categoria do Prêmio Angelo Agostini, concedido pela Associação dos quadrinhista e caricaturistas de São Paulo, (AQCSP). Fonte: Zine Brasil. EMT - Divulgação
     

05 junho 2014

Paulo Betti nocauteia Thiago Lacerda

Eu me esforço, Deus sabe o quanto me esforço, mas nem sempre consigo deixar de ser um cara com uma visão maniqueísta das coisas desse planetinha azul. Um sujeito que, por isso mesmo, acredita que todo artista e qualquer é uma pessoa capaz de enxergar além, muito além do que enxergam as outras pessoas. E também de ver o mundo e as pessoas através de uma visão humanitária justa, digna, correta, sendo incapaz de produzir e engavetar em sua cachola quaisquer pensamentos reacionários encontradiços nas diversas camadas populares desse mundo. Pobre de mim, equivocado que sou nessas questões. Na verdade, um artista é um cara comum sujeito a distorções comportamentais que qualquer um pode ter além de agir de forma equivocada em assuntos diversos, notadamente quando esse assunto é a política. No noticiário de ontem achei esse texto que relata um episódio protagonizado por dois conhecidos astros da TV Globo, onde se percebe bem o quanto um artista pode adotar um comportamento que não é exatamente marcado por atitudes vanguardistas e progressistas como de forma equivocada costumo crer que todo artista tem, principalmente sendo jovem. A fonte é o MSN.
"Thiago Lacerda e Paulo Betti trocaram farpas na manhã da última terça-feira (3), no Facebook, por causa do candidato à Presidência da República Aécio Neves.Tudo começou quando o ator da atual temporada de "Malhação" marcou o nome de alguns amigos artistas, informando sobre uma reunião de apoio ao político na casa do apresentador Luciano Hu...ck.“Reunião de apoio a Aécio na casa de Luciano Huck e Angélica. Presentes Marcelo Adnet, Kaká, Andrucha Waddington, Fernanda Torres. Sem comentários…[risos]”, publicou Betti.
Lacerda, que curtiu o comentário, resolveu, em seguida, alfinetar o artista na rede social: “Um colega de profissão fez uma lista de nomes de colegas de profissão que se reuniram na casa de colegas de profissão para ‘apoiar’ um determinado candidato de oposição. Me soou bastante irônico, haja visto que o tal dono da página é declaradamente da situação. E também pelo tom usado. Me senti bastante ofendido! Aliás, como me sinto nos tempos de hoje! Esse soldados da situação... Patrulheiros vermelhos"(SIC).E continuou: "Gente xiita, completamente cega e com um discurso enraizado na segunda metade do século passado, onde só existe Companheiro e Inimigo, onde só existe o mundo contra nós, onde só existe certo e errado, verdade absoluta e mentira...(SIC) Sem nenhuma vergonha de mascarar o óbvio, cujo principal objetivo é propagandear a mesmice canalha que assalta o País”.
Paulo Betti, por sua vez, viu o comentário de Lacerda e fez questão de respondê-lo diretamente. “Thiagão, querido. O colega de profissão sou eu! Eu que escrevi esse comentário e coloquei [risos]. Democracia é cada um expressar o que pensa e se expor publicamente apoiando e discutindo política, civilizadamente, sendo responsável! Não sei por que minha ironia chocou você. Achei engraçado reunião política na casa de Luciano Huck. Bem-vindo à disputa política! Sempre vai ter ironia, quando não tem briga e porrada, e às vezes perda de emprego e etc. A situação de hoje já foi oposição. E te garanto que é tão difícil ser oposição quanto ser situação. Abração!”

Thiago Lacerda falou essas coisas a sério ou foi só uma provocação bem-humorada? Não sei o que podem pensar meus atilados e esclarecidos leitores, mas se ele expôs o que lhe de fato lhe vai na cuca, pessoalmente penso que no caso Paulo Betti mostrou mais equilíbrio e bom-humor e que esta ele ganhou de goleada.

03 junho 2014

Romário sem papas na língua nessa Copa do Mundo no Brasil

A Copa do Mundo começa em poucos dias. Não se nota da parte do povo nenhum entusiasmo com a participação da seleção brasileira de futebol no evento. O que se nota, sim, é uma decepção generalizada oriunda de lamentáveis atitudes e declarações das pessoas envolvidas diretamente com a organização da Copa e sua divulgação através das mídias. Nessa caterva pode-se incluir novos e antigos pilantras em busca de fortuna fácil, tais quais Joseph Blatter, Jérôme Walcke, João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Joana Havelange, Bebeto Campos, Ronaldo Fenômeno e o onipresente -quando se trata de opiniões vexatórias- Pelé.
Joana Havelange, neta de João Havelange e filha de Ricardo Teixeira, disse para que a população brasileira ficasse relax, que não haveria mais roubalheiras em torno da organização e divulgação da Copa, tendo declarado para tranquilizar a população brasileira: "O que tinha de ser roubado, já foi roubado".
Felipão, com sua habitual grosseria, falta de educação nas entrevistas entremeada de coices violentos, vem mostrando que "futebol é um potro de chuteiras". Sobre a manifestação de professores e as reivindicações da categoria, disse que "os jogadores estão..." Bom, deixa pra lá. Falou coisas parecidas com as que habitualmente fala.
Diante das cobranças gerais devido ao não cumprimento das promessas governamentais e empresariais de que a Copa do Mundo seguramente traria obras de grande utilidade para a população, ligadas aos transportes, segurança e saúde, Ronaldo Fenômeno disse que as pessoas deveriam esquecer a cobrança de tais promessas já que para ele "uma Copa se faz com a construção de estádios e não com construção de hospitais". Nesta ele ficou à altura de Pelé. Sorte dele que nesse nosso país aconteçam tantos absurdos e a infeliz declaração dele passe a ser tão somente uma a mais entre tantas.
Pelé -um craque na arte de dizer besteiras- disse que era para o povo esquecer, colocar de lado esse assunto de roubalheiras e fazer o que importa, que é torcer para a seleção (!). Sempre sapiente, aconselhou: "Manifestar para quê? O dinheiro roubado não volta mais, entende?"(!) E conclamou do alto da sua real estupidez: "Vamos torcer juntos, esse título vai curar as nossas raivas. Junte a família e pinta a casa, a rua, o cabelo."(!)
Na contramão de tudo isso, o deputado Romário é que disse umas coisinhas sobre essa malfadada corja: "Pelé calado é um poeta." "Ronaldo Fenômeno e Bebeto Campos são dois ignorantes que não sabem das coisas ou que fingem que não sabem". "José Maria Marin e Marco Polo Del Nero são dois ratos." "Jérôme Valcke é um chantagista." "Joseph Blatter é um ladrão, corrupto e filho da puta!" 
As declarações sem meias palavras do Romário são incontestáveis. E os "homenageados" com esta série de adjetivos desqualificativos não contestaram. Romário disse o que todos pensam e adorariam dizer cara a cara com esta canalha que estão no futebol para usurpar, escamotear, surrupiar. Nesta Copa do Mundo, as palavras de Romário foram, inegavelmente, o motivo maior da vibração da torcida brasileira. Um golaço, um gol de placa do baixinho.

31 maio 2014

Fernando Ikoma de volta ao universo das HQs!

Alvíssaras! Fernando Ikoma está de volta aos quadrinhos, gente! Depois de um longo e frígido inverno eis que o homem que criou Fikom e Sibelle, a espiã de Vênus, está de retorno e seus milhares de fãs podem voltar a sorrir e se encantar. E tem mais, é um trabalho virtual que você pode acessar aí no conforto do seu lar, deitadão na sua rede, se uma você tiver. Ou seja, acessando a rede... numa nice em uma rede, e digo isto porque não sou pessoa de passar muito tempo sem fazer um trocadilhozinho infame ou mesmo um joguinho de palavras nada espirituoso como este. Bão, vamos às novíssimas e coloridíssimas HQs do Ikoma. Trata-se das personagens Buubú, a Bruxinha Mixuruca e Mary QI, a Garota Cibernética. Ou seja, além de tudo é em dose dupla. E para este duplicado prazer vou colocar aqui um par de links procê clicar, se deliciar e anunciar por aí que Fernando Ikoma rides again, folks! http://hqentreamigos.blogspot.com/ e http://quadrinhosdebrincadeira.blogspot.com/

Silvio Berlusconi ataca de Cumpadi Washginton pra cima de Michelle Obama