29 julho 2017

Machadiano graças a Machado de Assis e a Béu Machado

Sempre relembro Béu Machado, sempre vale a pena que todos relembremos Béu. Amiúde me vem à mente seu jeito calmo de poeta, quase anônimo, fingindo-se igual aos viventes outros, malgrado o talento imensurável para versejar, criar frases. Contrariando Caê, que diz que só se pode filosofar na língua de Goethe, Béu filosofava em muito bom soteropolitanês. Seu humor carregado de dendê algumas vezes era pura molecagem e outras ocultava por trás de uma aparente despretensão uma profundidade que a muitos pode escapar. O humor béumachadiano e sua filosofia podem ser percebidos a olho nu em frases como estas que aqui reproduzo para matar as saudades do poeta, do frasista, do vizinho na Boca do Rio e do amigo cortês e espirituoso.
*O fato de marcianos virem periodicamente à Terra só prova uma coisa: não existe vida inteligente em Marte.
*O açougueiro cortou a parte que eu mais precisava: meu crédito.
*"Saúde de ferro!", disse o médico, desenganando o hipocondríaco.
*De lascar é quando a bola bate no pau sem chocar na trave.
*De nada adiantou eles ordenarem que eu me calasse.Heroicamente continuei gritando "Ai!"
*Desisti de desafiar o Mike Tyson. Os motivos são de força menor.
*Desta vez vai correr sangue: aumentaram os preços dos absorventes!
* Ler Proust é uma perda de tempo.

Que grande, grande falta nos faz Béu Machado.
(29/11/2014)