22 agosto 2017

A Bahia e a dita dura ditadura que perdura.

Houve uma Bahia que comportava toda a felicidade que o ser humano pode alcançar nesta existência. Jorge Amado, nosso bardo maior, ao som do violão de Caymmi, cantou aos quatro cantos do mundo esta ventura. E pessoas vinham de terras distantes para aqui encontrar cada uma sua estrela-guia. Mas chegaram os anos de chumbo, a era das trevas que se diziam luz. Vinte longuíssimos anos depois de uma ditadura militar truculenta e sufocante nos costados, ficou a incontida tristeza de nos defrontarmos em todas as partes com um desfile de fascistas de todos os calibres, restou-nos um país com um profundo e grave apartheid social e com ele os guetos, a miséria inaudita, a violência que nos atinge a todos, a constatação flagrante da impunidade, a insegurança geral, um viciado sistema eleitoreiro onde incontáveis infames se revezam nos cargos. Aqui, nesta terra Bahia, houve resistência a tão terríveis algozes e pessoas que deram suas vidas lutando contra eles. Gente que já antecipava as mazelas que viriam e a grave situação de injustiça que cá vinha se instalando. Mas houve também por aqui magotes de sórdidos, venais e arrivistas travestidos de políticos, trazendo a reboque seus séquitos de asseclas que ajudaram a canalha retrógrada a nos trazer a sombra, a dor, o medo. E muito do ruim há em nossa volta. Não obstante, há no âmago do povo desta terra, Boa Terra, algo inescrutável que nos faz seguir em frente com a fronte erguida e um sorriso nos lábios. E ainda que tão dessemelhante de nosso antigo estado, Gregório, a Bahia ri e dança e ama e passeia e vive a vida com intensidade mostrando que nossa vocação mais genuína e legítima é a felicidade que nos brota espontaneamente d'alma. Procuro captar um pouco disto quando caminho pelas praias, ruas, becos, vielas e ladeiras de Soterópolis -que é o outro nome dessa cidade de Salvador- e intento, em telas pintadas com tinta acrílica, transmitir essas particularidades e as cores vivas e alegres dessas nossas almas baianas, como nessa pintura que ilustra esta postagem mostrando um momento de descontração praieira do povão soteropolitano.
(050513)