01 março 2017

A visão da imprensa na época de Antonio Conselheiro e a mídia atual.


Eu e o sertão, esse sertão tão dentro de mim, eu tão urbano. Aprendi a gostar deste tema graças aos filmes de Lima Barreto e Glauber Rocha, aos magistrais desenhos de Flavio Colin e de Percy Lau. Esta ilustração em bico-de-pena fiz para um livro já publicado que mostra como a imprensa da época via e retratava Antonio Conselheiro, tratando-o como um antimonarquista perigoso, um insidioso fanático e ardiloso, um sanguinário ensandecido e cruel que punha em perigo a estabilidade política e social do Brasil. Deu no que deu: um banho de sangue para Hitler e Stalin nenhum botar defeito, ligado para sempre à História do Brasil. Tanto ódio, tanta ira, tanto preconceito, visão distorcida e malsã, tão desmedida incitação à violência e a perseguições aniquiladoras insertadas pelos ricos e influentes donos da mídia, culminaram numa gigantesca e cruel tragédia que fizeram do beato um mártir eterno e deixou na história de nosso país essa mácula indelével, vergonhosamente abjeta. Fica o exemplo para que, nos dias atuais, procuremos todos avaliar melhor as posições da mídia, quais os reais interesses por trás do que veiculam, das campanhas por vezes implacáveis que movem, que ocultam inconfessáveis intentos e lamentavelmente findam por nos induzir a equívocos irreparáveis e armadilhas abissais.