01 janeiro 2018

Eu quero ser locomotiva para atropelar você.

Eu quero ser como a locomotiva para atropelar você. Fazendo tchuc, tchuc, tchuc, tchuc, tchuc, tchuc... tchuíiíí! Eu quero ser como um gato do mato que vive só miando. Fazendo miau... miau... miau... miau... miau. Eu quero ser como um triste vampiro voando pela cidade. Fazendo vum, vum, vum, vum, vum, vum, vum, vum. Eu quero ser como a serpente da água que vive só na mágoa. Fazendo pisss... pisss... pisss...pisss... pisss... pisss. Eu quero ser como um telefone de plástico para ligar só pra você. Fazendo trrrim, trrrim, trrrim, trrrim, trrrim trrrim. Eu quero ser como uma TV colorida pra mostrar todas as cores. Fazendo miummm, miummm, miummm, miummm, miummm. Eu quero ser como um chiclé de bola pra estourar na sua boca. Fazendo ploft, ploft, ploft, ploft, ploft, ploft, ploft. Eu quero ser como um carro de praça levando a multidão. Fazendo fón, fón, fón, fón, fón, rrrr...fón, fón, fón. Eu quero ser como um riso de amor na boca de um anjo. Fazendo hã, hã, hã, hã, hã, hã, hã, hã... Eu, na verdade, na verdade, na verdade, queria era ser o Jorge Mautner pra pensar e dizer numa canção tantas  coisas tão saudavelmente insanas e tão lindas, ao som do banjo do arcanjo ou do meu violino extra de vários.