26 setembro 2026

Dr. Jota Cristo, advogado trabalhista, TRT da Bahia, João Jorge Amado e Setúbal.

Histórias reais, ocorridas verdadeiramente, acreditem, acreditem, por mais inacreditáveis que possam soar. Fatos pitorescos, hilariantes, de causar espécie, risos e gargalhadas, ocorridos no âmbito do TRT da Bahia. Todas elas foram pesquisadas, garimpadas, recolhidas, selecionadas e narradas por João Jorge Amado e resultam em um rico material que está contido no seu livro Pequeno Anedotário do TRT da 5ª Região, editado pela Fundação Casa de Jorge Amado. João Jorge, que por muito tempo trabalhou dentro do dito TRT, teve o discernimento de saber que tantos fatos insólitos formavam um mote riquíssimo, dignos de registro literário. Fui chamado pelo autor para fazer as ilustrações e de tanto gostar das histórias narradas, volta e meia costumo reler, principalmente aquelas que considero mais hilariantes. Uma delas fala de certo reclamante que, em tom solene, disse ao juiz ter por advogado ninguém mais, ninguém menos que o próprio Jesus Cristo, o filho de Deus Onipotente. Achava ele que estava sendo original, mas os juízes já estão habituados a coisas que tais. Ocorre que  nestes tempos em que vemos crescer o descrédito nas chamadas autoridades constituídas, quando uma enorme desesperança geral nas coisas terrenas parece tomar conta das pessoas, são muitos os que buscam se agarrar a deidades diversas na esperança de construir uma ponte com o mundo espiritual que lhes garantam a um só tempo, um lugar nos céus e, de quebra, as coisas materiais que ainda sonha possuir aqui na Terra. Vamos aos fatos: iniciada a audiência, o juiz Cláudio Mascarenhas Brandão, que a presidia, indagou ao reclamante se ele tinha advogado para assessorá-lo na audiência. E esse reclamante respondeu dizendo o que deveria soar como impactante frase de efeito:
 "Meu advogado, Doutor, é Jesus Cristo."
Impassível e sagaz, aduziu o juiz:
 “Este daí é muito, muito bom. Infelizmente ele não pode advogar nesta audiência, pois não é inscrito na OAB."
Por estas e outras é que a Bahia foi um dia cognominada a terra da felicidade. 
**********Arte que se reparte: a ilustração desta postagem foi feita em papel Westerprint 180 g, tendo o esboço sido executado com grafite B e a arte-finalização feita com caneta nanquim e retícula Letratone.          
(181020)

Flavio Colin, desenhista de quadrinhos, um cara muito especial.

Um dia um anjo torto me colocou o dedo na testa e me disse: "Vai Setúbal, ser desenhista de quadrinhos na vida." Instantâneamente empolgado, pensei: "Caraca!, estou acima dos outros. Um anjo, um emissário do Onipotente, me tocou a testa e me fez um cara especial". Sim, fizera mesmo, e eu - ainda um meninote e neófito - a meio um desmedido deslumbramento, lesto e presto saí por aí empolgadíssimo, rabiscando tudo o que via a minha frente, feliz por poder fazer coisas que outros não sabiam fazer. E estas gentes vinham e me circundavam com olhos embevecidos a cada ainda incipiente traço que eu traçava para maior gáudio do meu já mui inflado ego. Até que um dia me caíram às mãos revistas com os desenhos de Flavio Colin. Meus olhos saltaram em órbita, meus joelhos tremeram, meu coração disparou um retumbante som de percussão. Que traço maravilhoso, que desenho personalíssimo, seguro! Quanta criatividade ao desenhar personagens apaixonantes, indumentárias, animais, natureza, cenários! Seus traços transmitiam aos meus olhos de leitor o clima requerido por cada cena, drama, tensão, terror, humor, mistério, expectativa, medo, pavor, erotismo, alegrias. Um sentimento difícil de se traduzir em palavras tomava conta de mim a cada nova conferida naquelas maravilhas em preto e branco, sensação que se mostrou perene ao longo de minha vida. Desde seus primeiros trabalhos Colin desenhava quadrinhos como um experimentado Mestre, autêntico, legítimo, anos luz à frente de tantos bons profissionais.
Atônito, um tanto frustrado, meio jururu, voltei ao tal anjo e lhe disse: "Pô, bró...fiquei feliz por saber desenhar, mas eu queria mesmo é que meus desenhos fossem assim, tão maravilhosos como os deste cara". Inabalável, com boa dose de enfado, olhar blasé e ares de este-cara-já-tá-querendo-demais, foi em um tom bem pouco angelical que o anjo redarguiu: "Nada posso fazer, meu caro. Mesmo entre os especiais há aqueles que são, digamos... bem mais especiais que os outros. E meu chefe vive dizendo, amizade, que Flavio Colin, é um cara muito, muito, muuuuito especial!"
(120414)

Lage, Nildão, Setúbal, Zé Vieira, Alexandre Dumas, cartuns.

Aqui neste afrotorrão chamado Bahia, Lage, Nildão e eu, por um bom tempo formamos um inseparável trio, tipo os três mosqueteiros do cartum, um time coeso, como permite entrever esta caricatura aí em cima. O quarto mosqueteiro, o D'Artagnan, era o indômito Zé Vieira com seu bigodinho que lhe dava o irretocável phisique du rôle. Sucede que Zé Vieira, um belo - ou seria triste? - dia deu uma solene banana ao universo cartunístico, botou na praça um tremendo escritório de arquitetura que logo encheu-se de afortunados clientes, graças ao talento arquitetoso do rapaz, e desta forma ele - merecidamente, diga-se - tornou-se um argentário dos mais abastados pois foi sempre o mais sabido de todos nós nestas questões com l'argent, ainda que não fosse um mercenário, longe, bem longe disso. O problema com Zé Vieira era que um ofídio dos mais peçonhentos costumava aninhar-se nos bolsos das suas calças e ele, a precaução em pessoa, ali não metia sua mãozinha com medo de levar uma mordida letal e vai daí que em bares, restaurantes e botecos que frequentávamos jamais víamos a cor do dinheirinho de tão precavido confrade. Diz a chamada sabedoria popular que dinheiro poupado é dinheiro ganho e que de tostão em tostão se faz um milhão. Se verdade houver em tais frases, Zé Vieira certamente acumulou alguns milhões só com o que economizou graças à sua justificada precaução contra mordeduras de ofídios, notadamente certas variedades de letais mambas negras que soem se aninhar em bolsos e bolsas de alguns incautos. Não sei se o hoje abastado Zé Vieira sente algum frêmito de saudade dos tempos em que cartunava e quadrinhava, ele que sempre foi um cara que criava verdadeiras maravilhas, tanto no texto quanto no desenho. E há que ser dito que, de quebra, Zé Vieira sempre foi um dos mais substanciais e agradáveis papos dessa Bahia com h. Ali pelos hoje um tanto distante anos 80s do século anterior, como que inspirado por Alexandre Dumas nosso grupo cartunístico sempre primou pelo conceito de amizade mesclada com lealdade. Poderíamos mesmo empunhar nossos lápis, à guisa de espadas mosqueteiras, erguê-los fazendo tocar no alto suas pontas e, parafraseando os personagens de Monsieur Dumas, bradar alto, a uma só voz: "Um por todos e todos por um, em defesa do Reino do Cartum".

O Bundamolismo e o cabotinismo neste país tupiniquim

Nem bem se esvanece o rocio e este estóico cartunista já está em plena atividade no Central Park, na mui frígida atmosfera dessa Big Apple, malhando espartanamente. Mister se faz ter hercúleo físico para poder superar as cotidianas barreiras encontradas por um genuíno cartunista. Nós, os cartunistas autênticos, vivemos eternamente em pugna imensa contra as mazelas impingidas à raça humana, inerme e desprotegida, ainda que armada esteja. Tamanha dedicação não impede que tantos não nos reconheçam como seus legítimos e heroicos protetores e que nos dirijam injustas e indevidas ofensas. E se extremistas armados nos trucidam em mortais ataques, comemoram aos gritos de “bem feito, bem feito!!”. Miríades de brasileiros incorrem em tais abomináveis equívocos e em terras tupiniquins não faltam os que nos apodem de quixotescos e, de forma chula, nos chamem de bundas moles. Pensar nisso me faz intensificar a malhação dos meus bíceps, tríceps e principalmente dos meus glúteos para enrijecê-los de forma pétrea. Bunda mole é mãe!
***Neste post mais três trabalhos de ilustração, como me exigiu o cacique Biratan, que é minha participação em um projeto mostrando trabalhos de artistas gráficos exibidos no Facebook. Na sessão de hoje, numa homenagem ao assaz laureado cineasta Lima Barreto, nada de technicolor ou tequinicolor, só sertão com suas muitíssimas veredas, sertão nordestino, cangaço e cangaceiros em P&B.
1. O HERÓI, história em quadrinhos com argumento e roteiro do graaaaande Gonçalo Júnior, ainda inédita. Arte feita em papel Opaline 180 gramas, grafite B e caneta nanquim descartável.
 2. ROSTO EM CLOSE DO CONSELHEIRO, ilustração para revista. Monotipia feita com tinta preta em bisnaga para paredes e papel ofício.
3. CANGACEIRO E BANDO. Ilustração para livro, Fakexilo, uma simulação de xilogravura feita com guache branco em papel preto.
(11022015)

20 setembro 2026

Saudades do nazismo e do fascismo..


Nem todo mundo que usa bigodinho estilo toothbrush se chama Carlitos ou Charlot, usa bengala, chapéu-coco, tem pernas tortas como a de Garrincha, um andar que lembra o caminhar de um pinguim, e vive situações expressas através de pantomimas que soem divertir milhões de pessoas ao envolver-se em situações hilariantes com seu jeito único, irreverente e criativo. Exemplificando melhor, bem sabemos que o sujeitinho na ilustraçào desta postagem, com bigodinho similar ao de Carlitos, chama-se Adolf Hitler, sendo que muitos acham mais adequado valer-se de cacofonia para chamá-lo de Adolfo Deu pelas barbaridades que cometia e a mania de querer subjugar todos os seres viventes. Ocorre que se um dia ele já foi muito mal visto, rejeitado, odiado e execrado por milhões, atualmente parece andar em alta mundo afora, inclusivemente em países considerados como sendo o tal Primeiro Mundo. Ou seja, seus simpatizantes se preservaram por décadas em insidioso mutismo e devem achar que agora é chegado o momento de reviver as coisas preconizadas pelo dito Adolfo Deu, e que me perdoem se insisto no infame trocadilho cacofônico, mas infâmia maior não há que a do nazismo e a do fascismo. A propósito, para que não se fale em exageros injustificáveis e paranóias improcedentes, nào devemos jamais esquecer que já houve governantes do Brasil que viram com muita simpatia o projeto nazi-fascista, tendo o DIP de Getúlio Vargas, chegado ao absurdo de proibir terminantemente a exibiçào do filme O GRANDE DITADOR, de Charles Chaplin, cujo alter ego era o citado Carlitos ou Charlot. O fato é que cada vez mais vem aumentando o número dos que estão embarcando com tudo em uma incompreensível onda de malfazejo saudosismo quer pelos ditames ideológicos, quer pelo sórdido proceder. Alegam para tão inaceitáveis decisões os mais nobres e elevados propósitos. Basta ver as atrocidades que vem fazendo Trump em conjunto com os miliardários que formam com ele uma destruidora aliança. Claro está que se o cenário mundial é preocupante, mais preocupante ainda é ver que aqui mesmo neste Patropi abençoá por Dê, que sempre primou por uma democrática mistura de raças, o baixinho da suástica vem sendo visto com preocupante crescente simpatia por quem considera seus métodos a senda redentora para este auriverde torrão. Tais admiradores, saudosistas do nazismo e do fascismo, vêm agindo abertamente e cometendo os mais absurdos desvarios em plena luz do dia, expandindo o terror, alastrando o ódio e o medo. Assim querem nos dominar e impor sua estúpida visão de mundo. Nossos horizontes vão sendo obumbrados pelas mais densas e negras nuvens que os mais alienados não sonham perceber e assim vão engrossando, convictos, as fileiras da maldade. Que os céus nos acudam a todos e que tenhamos muita consciência e destemor para, juntos e fortes, lutarmos com desassombro pelo estado democrático e por um Brasil livre das sufocantes garras dos nefastos que ressurgem nesta nova investida. 
(301218)

As façanhas sexuais de um chefe, segundo o relato de um insuspeito Puxa-saco.

UM PUXA-SACO TEM QUE SER IMAGINATIVO E ENGRANDECER A PLANGENTE PERFORMANCE SEXUAL DE SEU SAGRADO CHEFE.
O criativo e hilariante texto contido no livro MANUAL DO PUXA-SACO, do escritor e jornalista Ademar Gomes, é de imprescindível leitura para os que querem, nestes tempos bicudos, assomar o pedestal da dignidade puxa-saquística e se regalar com os proventos daí advindos. Transcrevo a seguir um trecho do que Ademar Gomes escreveu sobre o assunto no seu delicioso MANUAL:
"Criatividade é essencial. Quem não a tiver o bastante para inventar histórias que exaltem o chefe não deve nem pensar em ingressar na confraria. Mas nada de exageros  - "Doutor Viana é o maior fudedor que eu conheço" - para não expor o chefe ao ridículo, principalmente se ele estiver acostumado a so pegar no tombo, mesmo na primeira...Tem de ser histórias verossímeis, sua briga com três estupradores para defender o cabaço da namorada, botando todos para correr com certeiras pernadas, rabos de arraias, martelos, ainda que o chefe nunca tenha entrado numa roda de capoeira e não saiba sequer o que é um berimbau. No começo, a culhuda sobre a coragem de um frouxo como ele pode até deixá-lo constrangido, mas depois de ouvir algumas vezes acaba incorporando-a às suas próprias fantasias, até porque fama de brigão intimida eventuais agressores..."

**********Quando recebi o texto original de MANUAL DO PUXA-SACO, esta basilar obra de Ademar "Professor Bandeira" Gomes, não pude me conter e li-o de um só fôlego, tão deliciosos eram os escritos de Ademar. Aí então, lesto e presto, esbocei todas as ilustrações usando grafite 2B sobre providencial papel Opaline 180g. Incontinente, arte-finalizei todos os desenhos com uma dócil canetinha de ponta porosa e indiquei o meio-tom em papel vegetal. E se é fato que curti à beça o texto de Ademar, devo aduzir sem constrangimento algum que, qual soteropolitano Narciso, aqui confesso que também curti muito as ilustrações que fiz para tão magistral escriba e tão generoso amigo.
180522

15 setembro 2026

Lage, cartunista e caricaturista maior, tinha lá seus pecadilhos.

O cidadão soteropolitano Hélio Roberto Lage era um formidável arquiteto, merecidamente graduado e de muita competência. Poderia levar uma vida digna com essa sua edificante profissão. Ao invés disso, preferiu seguir os conselhos de algum anjo torto, desses que vivem na sombra, e foi ser cartunista na vida. Um cartunista maior. Munido de seu talento gráfico, elevada consciência política, presença de espírito, invejável sagacidade, a alma plena de um transbordante humor, lá ia Lage para a redação do jornal em que trabalhava e traçava charges impactantes, cartuns demolidores, caricaturas que desnudavam os políticos mais infames. Isto não é pouco e ele poderia parar por aí, bem que poderia. Mas quem disse que ele parava? Pois é chegada a hora da verdade e a verdade tem que ser dita: Lage não conduzia a profissão que exercia com a devida seriedade e sempre foi um cartunista metido a engraçadinho. Ao invés de se portar de forma séria, como sói acontecer aos profissionais que têm consciência do dever de ofício, tinha ele o reprochável hábito de viver fazendo piadinhas em seu ambiente de trabalho e mesmo fora dele. E ainda as desenhava, como agravante. É abalado e até profundamente traumatizado que aqui deponho que, de forma recorrente e impiedosa, fui habitual vítima dessas suas gracinhas sem graça das quais todos achavam a maior graça, menos eu, a inerme vítima desses motejos gráficos. Desde 1981, ano em que muitos dos leitores desse bloguito sequer haviam nascido, guardo comigo, cheio de mágoa e ressentimento, essa caricatura que ora posto, da lavra de um sujeito que se dizia meu amigo mas que retratava-me de maneira injustificavelmente sórdida, impiedosamente abjeta. Desconfio que ele era movido pela mais infame das invejas, pois sabendo-me um cara de físico apolíneo, um Adônis, um invariável escopo da concupiscência feminina, Lage traçou de mim esta caricatura em que ele subverte tudo, me atribuindo um traseiro de baiana de acarajé e, insidiosamente, subvertendo a realidade e colocando meu avantajado peito de remador no lugar da minha barriga tanquinho, delineada em incansáveis e espartanas malhações. Mas Zeus é grande, Zeus é pai e sempre sou atendido quando rogo aos deuses do Olimpo cartunístico que eles, lá do seu sacrossanto empíreo, enviem-me forças para seguir em frente e suportar tantos e tão desmesurados infortúnios movidos pela mais abjetas zelotipias e as mais hediondas invídias.
(140712)

07 setembro 2026

O Humor maior de um gênio francês do cinema chamado Jacques Tati, com seu Monsieur Hulot..

François Truffaut, Jean-Luc Godard, Allain Resnais, Luc Besson, Louis Malle, Claude Lelouch, Jacques Tati. Mon Dieu!, mon Dieu!, são tantos e tão fantásticos os cineastas que a França já produziu! Reunidos aos mais formidáveis atores franceses, esses cineastas nos brindaram com magníficas obras que engrandecem essa arte maior que é o Cinema, produzindo ricos trabalhos nos mais diversos estilos e gêneros, estando entre eles as mais hilárias comédias. Um bom cinemaníaco que teve a fortuna de ver na grande tela do cinema uma comédia francesa feita por diretor e comediantes de elevada qualidade, jamais haverá de esquecer o que viu. Digo isso e penso logo no sempre surpreendente, no fabuloso Jacques Tati, diretor, argumentista, roteirista e ator de formidáveis performances humorísticas que brindou o universo do cinema com inolvidáveis filmes que qualquer candidato a cinéfilo juramentado deve urgentemente assistir. Jacques Tati pode ser chamado de genial que não haverá nenhum exagero nessa assertiva, tão maravilhosamente criativos são seus trabalhos cinematográficos. Seu humor, cuidadosamente estudado, arquitetado, pesado, medido, contém mensagens sutis que revelam o olhar crítico do autor, sendo inimitável - ainda que talentosos comediantes tentassem imitá-lo - brilhantemente raro, coisa própria dos Grandes Mestres, fugindo dos histrionismos apelativos, dos maneirismos e dos lugares comuns, do humor fácil e rasteiro de certos autores que, equivocadamente, intentam seduzir o público valendo-se de recursos óbvios e criativamente paupérrimos. O humor de Tati é único e caminha por vias próprias, permanecendo no patamar mais elevado da criatividade, diferenciado, pleno de ineditismos, sofisticado, meticuloso, surpreendente. Valendo-se muitas vezes de Monsieur Hulot, seu alter ego, Jacques Tati produziu verdadeiros tesouros do Humor de da Arte. Difícil escolher qual o melhor de seus trabalhos. Pessoalmente adoro “As férias do Monsieur Hulot”, rodado em P&B, uma película para se assistir prazeirosamente um bilhão de vezes, com atenção aos seus pormenores, intentando deslindar cada detalhe mais recôndito concebido pela genial mente de Tati, valendo-se do impensável, de personagens cativantes e gags engraçadíssimas, da música e dos efeitos sonoros, com os quais uma porta pode adquirir status de personagem. Tudo isso vale também para “Playtime” e “Meu tio”. Para quem é fã desse cineasta francês, uma grande alegria foi saber que em 2010 foi produzido uma maravilhosa animação franco-britânica chamada “L’illusionniste”, no Brasil foi batizado de "O mágico". Esse belíssimo trabalho de animação que ganhou, entre outros notáveis prêmios, o César de animação em 2011, foi feito com argumento de Sylvain Chomet, a partir de uma obra inédita de Tati, sempre brilhante e atual. Uma homenagem à altura do fantástico cineasta, ator e ser humano, Jacques Monsieur Hulot Tati.
(250816)

05 setembro 2026

José Luiz Torrente, um policial fascista-onanista.

 

Dentre os infindáveis estereótipos que estamos habituados a ver em cenas de filmes norte-americanos está aquele em que dois policiais com a missão de patrulhar as ruas da cidade estão no interior de sua viatura, curtindo aquela calmaria que costuma anteceder os grandes conflitos, conversando amenidades e saboreando com volúpia enormes e deliciosos donuts, que são uma espécie de rosquinha ianque com variados recheios e coberturas transbordantes de caldas com muito açúcar. Na ótima série de comédias do cinema espanhol em que o ator Santiago Segura interpreta o anti-herói José Luis Torrente, um agente policial franquista, racista, machista e fascista, xenofóbico e homofóbico, essa famosa cena é um tanto diferente. Enquanto está com um outro policial dentro de um carro, apatrullando la ciudad ou montando campana em alguma investigação, sob o pretexto de relaxar das tensões da vigília e passar o tempo que monotonamente se arrasta, Torrente propõe ao colega que, a um só tempo, ambos coloquem suas mãos sobre o órgão sexual do parceiro de campana e assim, segurando a jeba alheia, que masturbem um ao outro ao mesmo tempo visando o mútuo prazer. Os já iniciados nessa práxis topam na hora e partem logo para a punhetística parceria, certamente por acharem isso muito mais interessante que ficar se lambuzando com os tais donuts. Já os policiais novéis nessa prática de onanismo em dupla, relutam diante da proposta, alegando que isso não é coisa que fique bem entre dois sujeitos héteros, mas acabam cedendo diante de um argumento definitivo de Torrente que afirma que tudo é feito observando o respeito às mais ortodoxas normas do machismo. Enquanto cada um manipula freneticamente la polla alheia, ou seja, o membro, a piroca, a verga do outro, percebendo que seu parceiro deixa escapar longo e sonoro gemido de prazer, Torrente, resfolegante, em bom espanhol o adverte: ”Sin mariconadas! Sin mariconadas!”.
(091218)

03 setembro 2026

José Luiz Torrente, um mui amado fascista contra homossexuais e a serviço dos cidadãos de bem.

 

Quem quiser saber quem é e do que é capaz José Luiz Torrente Galván, um espanhol, ex-agente policial, um fascista, franquista, xenófobico, misógino, homofóbico e racista, entre outros lamentáveis pendores, basta ver esse vídeo assaz significativo postado abaixo. Nele, Torrente dá mostra de como ser uma pessoa assustadoramente grosseira, inconveniente, agindo com total falta de princípios morais, bom-senso, ética e etiqueta. Como isso fosse pouco, Torrente, esse fantástico anti-herói - magistralmente interpretado no cinema pelo notável ator espanhol Santiago Segura - dá uma demonstração definitiva de como não se deve portar um agente de segurança a bordo de um avião cheio de passageiros e também de tudo que não deve ser feito quando populares estão em situação de gravíssimo perigo. Perto do poder de destruição de Torrente, Átila, o Huno, era um escoteiro inofensivo, tímido e mui bem comportadinho. Quem gosta de boas comédias e ainda não conhece o personagem e muito menos assistiu um dos seus cinco filmes saiba que eles são dirigidas por Santiago Segura, que além de ser o ator versátil que interpreta o deplorável fascista Torrente, é também um formidável diretor, argumentista e otras cositas más. Para assistir há que se buscar navegando nos mares da internet. A procura vale muito. Humor inteligente, riso farto, gargalhadas gerais, diversão garantida.

(040317)

28 agosto 2026

Mauro Betting dizendo que o Brasil é favorito em 2030 após o novo vexame mundial.

Um turbilhão de comentários inunda redes sociais e bancadas de TVs depois do vergonhoso soçobro da "nossa" seleção, ou seleção das Bets e congêneres, na Copa de 2026, nos EUA. Milhares e milhares de postagens com argumentos pretensamente definitivos sobre as razões das pífias atuações individuais e da lamentável campanha brazuca. E - acreditem, pois afinal isso aqui é Brasil-sil-sil - milhares de elementos encontrando méritos na imeritória seleção. Fomos pela sexta vez seguida chutados nos fundilhos para fora das disputas por uma seleção europeia. Intragáveis pletoras de comentaristas convictos de serem PHDs em tudo que se refere a futebol, exaltados, provocando uma torrencial chuva de perdigotos, vem deitando falação sobre a mais recente vexaminosa campanha da seleção que, a exemplo de múltiplas antecessoras, ajudou a desonrar ainda mais o excelente conceito conquistado com todo merecimento por gerações passadas. Pelo mérito dessas predecessoras gerações legiões de torcedores, cronistas esportivos, jogadores e cartolas subiram em um pedestal bem alto e hoje, com a maior das soberbas, vivem arrotando que temos de ser respeitados pois "somos pentas, somos pentas!". Do pedestal não querem descer de jeito nehuma ainda que ao redor tudo esteja desmoronando a passos largos. Como em nada contribuíram para os velhos dias de glória, nem Neymar nem outros quaisquer das recentes seleções têm direito de dar carteirada de pentacampeões. Tudo que os dessas recentes seleções fazem é colocar dezenas de pás de cal sobre o bom conceito do nosso futebol que a cada ano vai se esvaindo enquanto são exaltados os miliardários ídolos de pés de barro dentro de suas chuteiras de grife. Diante do que é tão óbvio deveríamos ter autocrítica para entender a gravidade de insistirmos em viciosos e equivocados argumentos. Recuperar a excelência e o poder de competitividade que tínhamos não é nada, nada, nada fácil, mas impossível não é. Só que as mídias da comunicação e TVs são partes interessadas que não mostram interesse em melhora coisíssima alguma. Perdendo ou ganhando, os lucros exorbitantes continuam a entrar às toneladas para aquela galera de sempre. Para manter esse conceito de "melhor seleção de futebol do mundo" os privilegiados e favorecidos de sempre se valem de discursos que no fundo são propagandas enganosas mantidas até mesmo por certos lixos humanos guindados à condição de "cronistas esportivos" que cotidianamente vomitam enganosos conceitos diante de microfones e câmeras. Tudo fica pior quando cronistas juramentados, considerados racionais, como o assaz simpático Mauro Betting, fazem postagens como uma em que Betting afirma que a "nossa" seleção estará entre as favoritas para ser campeã na próxima Copa do Mundo. Não duvidamos que as já mencionadas Bets e mídias corporativas que faturam fortunas endossarão tal insanidade sem o mínimo fundamento. Mauro, habitualmente um cara ponderado, no caso em pauta parece mais estar preocupado em garantir seu bem remunerado emprego de comentador futebolístico esquecendo-se que esse alegado favoritismo tem se mostrado apócrifo a cada quatriênio. Ao formular tal afirmação Betting deu uma bela derrapada, mas sempre mostra ser boa gente, se porta de forma cordial, bem humorada, acredito na sua lisura profissional e honestidade e não o creio envolvido em suborno vindo de onipresentes e milionárias casas de apostas nem em nada escuso que justifique que ele seja injusta, precipitada e levianamente apodado de Mauro Bets. Tentando entender o porquê de Mauro dizer o que disse, concluo que a seleção do Brasil, pelos seus magistrais prodígios futebolísticos praticados nos áureos tempos, adquiriu para si, de forma vitalícia, o conceito de ser ad infinitum uma "seleção favorita", ainda que hoje esteja muuuuito longe de merecer ser considerada como tal. E nada importa que ela sofra uma acachapante goleada de 7x1 em uma Copa dentro de sua própria casa, ou que seja continuamente eliminada por seleções europeias medianas. Nada lhe retira o perpétuo título de "favorita". Resta esperarmos sentados que um dia a ficha caia e finalmente as pessoas se deem conta que as atuações lastimáveis que hoje chamam de "vexame" deixou de ser fato eventual e tornou-se uma previsível e deplorável rotina. Contando com as quatro Copas sob atuações pífias de Neymar, o resultado é que é desanimadora a história vivida por seleções que tudo de errado fizeram para que perdessemos de forma vergonhosa todos os seis títulos disputados desde 2002. E a coisa é ainda mais grave e deprimente do que enxerga nossa vã filosofia. A ponto de completar um longo quarto de século em busca do título de hexacampeão, tudo o que conseguiram foi serem eliminadas seis vezes seguidas por seleções europeias, algumas de segunda ou terceira grandeza, perpetuando a façanha de nos trazer o desonroso título de hexaeliminados em Copas. Agora a camisa canarinho aonde for leva estampada, indelével, esse indesejado carimbo, um feito inédito que nenhuma seleção almeja igualar. Aí ou você encara essa amarga realidade ou faz como Mauro Betting e tantos mais e segue apostando na falaciosa fantasia do favoritismo perpétuo.                                                     (100726)

23 agosto 2026

Um autóctone brasileiro em Nova York e o desígnio de um amigo cartunista.

Em noite do mais argênteo plenilúnio estava eu aqui em minha cobertura no Soho, Big Apple, empenhado no épico labor de livrar-me de incômodos pruridos em minhas pudendas partes, quando eis que me chegou virtualmente às mãos uma infomensagem de sinal de fumaça enviada pelo intimorato cacique-cartunista Biratan, o Bira, saudoso e fraternal confrade, ínclito aborígene paraense que soía desfilar seu garbo varonil pela jângal, paramentado com seu cocar feito com inusitadas penas, daquelas feitas para se desenhar com nanquim. O nobilíssimo silvícola Papaxibé me deixava claro que eu teria que postar nesse espaço três rabiscos diários durante cinco luas. Incontinente, postei essas três minhas garatujas pois muito prezo meu bem-estar, vez que ou Biratan era em tal determinação atendido ou ele declararia guerra contra minha tribo baiana de Mata Escura, os índios Akarajés.
1. NELSON RODRIGUES, grafite B, caneta nanquim descartável, alguns vidros de ecoline e um tostão de Photoshop.
2. GARI, lápis HB2, tinta acrílica sobre tela e um grama de Photoshop.
3. ORELHÃO, grafite B, canetas nanquim descartáveis, pincel Kolinsky number 2, um trapinho manchado de nanquim sobre papel Opaline 180 gramas e uma espórtula de Photoshop. 
(110215)

22 agosto 2026

A LÍNGUA DA BOLA, um e-book feito para que você aprenda a dominar a linguagem do futebol.

Alguém já disse que o Brasil é um país com milhões de técnicos de futebol. Em números atualizados pelo IBGE somos 213,4 milhões de técnicos, professores, místeres. Sobre o esporte mais popular desse patropi abençoá por Dê e bonito por naturê muito já se falou nos mais variados aspectos. Um deles é o jargão futebolístico, a pitoresca linguagem vigente no universo desse popularíssimo esporte falada por torcedores, jogadores, técnicos e diversos profissionais que militam no meio futebolístico. Não é pra me gabar não, mas sou um estudioso do assunto assaz dedicado, laureado, incensado, reverenciado, até glorificado porque sou praticamente um Luis da Câmara Cascudo do esporte bretão nesse país nada bretão. Variados termos e expressões tais quais "maria-chuteira", "xaréu", "voltar de táxi", "regra 18", "baba" e tantos outros mais são explicados tim-tim por tim-tim. Quem quiser ficar bem informado sobre o assunto e aprender a falar essa linguagem enquanto se diverte, que trate logo de ler o livro que eu e meu confrade muito bom de bola, Edilson de Lucena, escrevemos com toda dedicação para os apaixonados torcedores. Para adquiri-lo, basta fazer como bem o fez o conceituado escritor soteropoliaustríaco R. Lackinger: você entra no site da AMAZON e procura pelo livro A LÍNGUA DA BOLA, de Edilson de Lucena e Setúbal. Em breve tempo você, atilado leitor, estará se expressando fluentemente na lingua mais popular desse popular País do Futebol.                   

20 agosto 2026

Chico Buarque, Montaigne e eu com eles, a caminho de minha merecida glória literária.

 

De modesto nada tenho, acredite. Pergunte aos escritores consagrados que você tem no seu círculo de amizades - se nele acaso transitam alguns - o que os impulsiona a escrever seus romances intrigantes, ensaios elucidativos, crônicas divertidas, açucaradas poesias ou contos dignos de um Dostoievski, de um Tolstói, um Eça, um Machado, um José Maribondos de Fogo Sarney. Numa quase unanimidade, lhe dirão que escrevem para se expressar, para transmitir aos demais o que lhes vai na alma, que a escrita lhes dá sentido existencial, que sem escrever a cuca poderia explodir em milhões de caquinhos. Pretendentes a escribas, ainda neófitos, diriam algo similar em uma demonstração de elogiável sinceridade. Pois não eu. Exorbitante em autoafirmação, escrevo para atingir os pináculos da fama, a notoriedade, o aplauso geral, os holofotes, o tapete vermelho, a admiração incondicional dos leitores e críticos literários e, de todos eles, os mais deploráveis sentimentos de inveja. Chás, fardão, aquele chapéu mui suspeitamente batizado de bicórneo e a - por tantos cobiçada- cadeira da ABL eu dispenso desde já. Do restante eu e meu ego não abrimos mão de nada. Há uma dezena de anos aqui neste blog venho escrevendo e postando textos definitivos sobre assuntos os mais vários. Dez anos. E, no entanto, se consulto as estatísticas do blog elas me dão conta de que em uma década inteira minha postagem mais lida é uma insignificância perto do número de visualizações diárias de qualquer post dos blogueiros mais meias bocas e de qualquer das postagens dos influencers mais ineptos deste patropi. Nada sei de marketing pessoal, desconheço quaisquer mecanismos eficazes de promoção de espaços virtuais e não sou um tipo que se empenhe em fazer convenientes contatos sociais, até porque, devido idiossincrasias incontroláveis, não sou pessoa dada a maiores sociabilidades. 
Todo este extenso preâmbulo foi para dizer da minha imensurável e agradabilíssima surpresa por descobrir um texto meu publicado em um espaço virtual mais que nobre, voltado para a divulgação do que há de melhor na literatura, crônicas, poesias e artes em geral. Trata-se da cultuada Revista Prosa, Verso, Artes. O referido texto escrevi depois de haver assistido a um vídeo em que Chico Buarque explica o que o motivara a formular versos buscando decifrar em nós, humanos viventes, a origem do sentimento do amor, numa canção chamada Por que era ela, porque era eu. 
Por alcançar tal apoteótico sucesso de constatar meus escritos republicados em veículo cultural tão nobre, incensado pelos que amam, entendem e praticam o melhor da Cultura, meu peito se fez inflado do mais justificável orgulho literário e, incontinente, corri para repartir com vocês tal retumbante êxito. Não, leitor amigo, nada tenho de modesto, tanto mais agora que os tambores rufaram e minha consagração se fez anunciar. Prêmio Camões, Nobel da Literatura e glória literária, aí vai um imodesto convicto.      
O link para a Revista Prosa e Verso e Arte é:
(070123)

14 agosto 2026

Montaigne, Chico Buarque e o Amor que não pede explicações.

O que faz nascer uma amizade imorredoura? O que move uma paixão desmedidamente extraordinária dentro de nossos humanos corações? O que nos leva a gostarmos tão intensamente de uma pessoa, por vezes tão diversa de nós? Ou a nos apaixonarmos perdidamente por alguém e mantermos com esse alguém um relacionamento que, no dizer do Poetinha, enquanto dura, infinito é. Amigos, parentes, conhecidos e desconhecidos, veem essa relação vivida com olhos de quem assiste a algo em que a lógica se volatiliza e se lhes escapa, algo improvável, indefinível, pleno de estranheza, difícil de ser decodificado, entendido, assimilado. Para desvendar esse mistério, buscando um satisfatório entendimento disso, Chico Buarque - compositor, cantor, dramaturgo e escritor - foi buscar a melhor definição nos ensaios de Michel de Montaigne, o célebre escritor, humanista e filósofo da França, sempre a França. Chico conta em um vídeo que Montaigne era insistentemente questionado sobre o porquê de sua mais que imensa e eterna amizade por outro humanista e filósofo francês, Étienne de La Boétie, cuja morte precoce levou Montaigne a escrever o ensaio “Da amizade”, em que dizia apenas que gostava dele e ponto. Quinze anos mais tarde, revendo o que escrevera, o escritor acrescentou que gostava muito do amigo La Boétie por uma razão: “porque era ele”. Foram precisos que se passassem outros quinze anos para o filósofo fazer um novo acréscimo à frase, completando-a definitivamente: “porque era ele, porque era eu”. Chico entendeu como simples, porém perfeita, a definição dada por Montaigne. Achando que perfeita ela também era para definir a paixão, o amor que sentimos por outro alguém, dela se valeu para compor uma música feita para a trilha sonora do filme brasileiro A máquina, do diretor João Falcão. A essência do que definiu Montaigne está no nome da música: “Porque era ela, porque era eu”. Maravilhoso, formidável Montaigne. Maravilhoso, formidável Chico Buarque.
(040916)

06 agosto 2026

Professor Pasquale fez forfait na aula O estrangeirismo no Português do Brasil, mon Dieu!

Por sempre me faltar l'argent jamais tive uma garçoniére ou mesmo um pied-à-terre. Nunca fui habituée de rendez-vous - no sentido usado no Brasil, bien sûr - em compensação frequentei muuuito o boudoir de uma madame altamente distinta. Enquanto eu, eterno cafona, envergava na cintura uma pochette, ela - très chic - ia de nécessaire blanc, evocação ao Aldir, e um manteau estilão pied-de-poule, do Dior. Para meu gáudio, essa femme fatale nunca usava soutien, ficando très jolie de lingerie, e assaz coquette em uma négligée preta e em um peignoir transparentemente revelador que era de matar le diable. Mas o que ela curtia mesmo era ficar au naturel para um tête-à-tête amoroso à luz difusa do abat-jour lilás. Ulalá! A frase que dela mais eu escutava era "Voulez-vous coucher avec moi ce soir?" Eu sempre dizia "oui, oui, oui" sem falar uma palavra, de um modo que nem Marcel Marceau faria melhor. Ela, um azougue, sempre organizava uns soirées na base do petit-comité, onde eu era o piéce de résistance, que não sou fraco, não. E a danadinha sempre convidava uma certa mademoiselle muito cheia de predicados, une belle salope que fazia miché e - noblesse oblige - com um belíssimo derrriére de se comer rezando, sendo que a talzinha era uma mistura de uma jovem Catherine Les parapluies de Cherbourg Deneuve com a Isabelle Adjani, e dona de um menu sexual ricamente sortido, sendo ela apetrechada de libidinagens que du coup me transformavam em um Marquês de Sade afro-baiano e vai daí nas partouzes mais vertiginosas baiser e jouir era comigo mesmo. Sacré bleu!, mas que pas de deux, que nada!, a gente se enroscava num ménage à trois alucinante - que eu não sou de ficar só nessa de voyeur - e lá vinham elas com miríades de bouquettes e eu com um verdadeiro pot-pourri de safadezas para atender a ambas, a todo instante solicitando meus proverbiais faire minettes. Franchement, se alguma coisa tenho nesta vida é savoir - faire em sacanagens de alcova e variadas cochonneries e aí tome-lhe entrée e reentrée, entrée e reentrée, entrée e reentrée, a meio seus gritos e sussurros, e eu naquele doce déjà vu só vendo la vie en rose. Vive la différence! Insaciáveis elas vinham prá cima de moi, e eu, sendo o crème de la crème, não deixava barato e fazia minha parte comme il faut. E bota comme il faut nisto. Et alors, mes enfants, c'est fini. Ao som de La Marseillaise em ritmo de samba de roda da Bahia, maintenant eu digo au revoir, mon roi!
(030214)

01 agosto 2026

Paulo Coelho: depois do extenuante Caminho de Santiago, finalmente La vie en rose


Deambulava eu pelas ruas de Paris em álacre matinada quando eis que me deparo com meu confrade Paulo Coelho. O leporídeo escriba atravessa a rua em minha direção, aproxima-se e me estreita num fraternal e brasileiríssimo amplexo. Pede-me notícias do greenyellowblueandwhite torrão. Digo ao meu caro amigo que aqui na terra estão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock' n roll, mas que depois de tanto verde-oliva, manipulações midiáticas, instrumentalização da fé y otras cositas más, a coisa aqui está preta, e é muita pirueta pra cavar o ganha-pão. O mago, afável como de habitude, despede-se de mim, volta seus tacões para Montmatre e retoma seu caminho (de Santiago) em inabalável tranquilidade. E eu descubro que não há nada mais maravilhoso que ser brasileiro. Desde, é claro, que você more no lugar certo. Numa requintada mansão no sul da França ou em um deslumbrante palacete na Suiça, por exemplo, e não em um mocambo na invasão da Baixa da Égua ou do Vale da Muriçoca. Desde, também, que sua conta bancária esteja abarrotada com miríades e miríades de euros que lhe permitam fazer matinais gargarejos diários com Romanée-Conti - santo remédio! - pelo simples fato de você ter mais de 350 milhões de livros vendidos no planeta, cifra que faria o finado afinado e refinado Michael Jackson ficar preto de inveja. Santé, xará!
(270813)

31 julho 2026

O belicosoTrump e seu irmão gêmeo brasileiro. O Irã, Israel, a Palestina.

Alguém aí na plateia deste blog sabe dizer quem foi um matusquela chamado Tiú França, elemento ligado ao bolsonarismo, delirantemente fanatizado por paranoias produzidas pelo gabinete do ódio da familícia e pelos discursos belicistas vomitados a todo instante por Bozonazi? Segundo o que foi apurado pela PF, no ano de 2024, o delirante Tiú tentou adentrar o prédio do STF com explosivos para lá dentro causar uma demolidora explosão mas, felizmente, não conseguiu o acesso pretendido. Vai daí, munido de alguns petardos e uns tantos fogos de artifício, levou a cabo o que seria um atentado político, o que resultou em uma vítima fatal na Praça dos Três Poderes, em Brasília. A motivação para o insólito atentado é algo sem resolução vez que o único que poderia decifrar tal enigma seria o enigmático Tiú França, não fora justamente ele a supracitada e desditada única vítima fatal nesse mencionado ato extremista de obscuras razões, motivações, estratégias.   
Falamos do quase anônimo Tiú França e seu intento de explodir pessoas. Falemos agora de um seu irmão, sendo que esse é famoso e nasceu nos Istêites, mas também é feito de intenções igualmente belicosas e insanas. Eis que tal ianque brother anda aprontando no Oriente Médio, tratando-se de ninguém menos que o presidente dos EUA, Donald Trump que, com sua habitual arrogância, pôs fogo ao estopim que pode levar o mundo à III Guerra Mundial, provavelmente a definitiva já que pode redundar no extermínio dos povos, das nações, de todo este planeta Terra. E se digo todo, evidentemente que isso inclue uma certa visgueira na Baixa da Égua que este escriba sói frequentar com o precípuo escopo de sorver umas capitosas canjibrinas, uns milomes e umas erva pôdi que me revigoram e me livram das minhas tensões cotidianas que em muito se ampliaram nesses tempos de extremismos bozonarísticos. Ora, uma absurda violação de direitos de tal magnitude os democratas do mundo não podem admitir. 
É fato notório que em fevereiro desse corrente ano de 2026 o agalegado irmão de Tiú, dando uma demonstração de poderio militar - um aviso extensivo e ostensivo aos países do mundo - bombardeou o Irã assassinando o Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, e achou que isso bastaria para que o Irã se rendesse sem revides como quando, adotando o modus operandis dos mais saqueadores piratas dos mares do Caribe, invadiu a Venezuela pra tomar na mão grande o petróleo do povo venezuelano. Só que o Irã não é a Venezuela e, embora tenha imenso poderio militar, Donald Epstein Files Trump não é o grande estrategista que julga ser. Ainda é precoce falar, mas pra dizer a verdade, no caso em pauta o pretenso estrategista Trump mais parece uma cópia do também pretenso estrategista Tiú França. Como gritante diferença, Trump tem um arsenal nuclear, coisa que Tiú França não tinha. Além do que Tiú era calvo e não escondia do mundo sua calvície, enquanto Trump, irresignável com sua alopecia, insiste em ostentar sobre sua beligerante cabeçorra uma reluzente peruca em tons fulvos que a brisa dos Istêites beija e balança. Fora esses insignificantes detalhes, Trump e Tiú França são irmãos no caráter. Tão idênticos nesse aspecto que, lincontinenti, concluímos: são gêmeos.           (100326)

29 julho 2026

Música pra se ouvir com olhos atentos e ver maravilhado com os ouvidos.

Música. Ontem, hoje, agora, ainda e sempre. Gravada ou ao vivo, via rádio, seja AM ou FM, em CD original ou pirata, no MP3, no vinil, no computador, na trilha sonora de filmes, de novelas, de minisséries televisivas, de peças teatrais, no coreto da praça, na viola de um cego cantador, no surpreendente repente do repentista eminente, na tuba, na conga, conga, conga, no contrabaixo, no alto-falante do circo mambembe, no Spotfy, na flauta doce ou salgada, na gaita de quem não tem gaita, no saxofone, no violino de som fino, na rabeca da Rebeca, no oboé ou não é, no bandonione, no realejo, no fagote, no violão, na guitarra, no contrabaixo, na harmônica, no realejo, no órgão da igreja, nos atabaques dos terreiros de candombé, na chaleira do Hermeto, no prato da Edith, na caixinha de fósforos do Cyro Monteiro, no pente sem um dente, no cavaquinho, no bandolim, no banjo do arcanjo, na lira do delírio, no fole prateado só de baixo 120 botão preto bem juntinho como nego empareado, no triângulo, na zabumba, nos oito baixos de Januário, nos pífanos, no pandeiro, no reco-reco, bolão e azeitona, na cuíca, na tumbadora, no piano de cauda, no berimbau, na guitarra havaiana, na guitarra portuguesa, na guitarra baiana, plugged ou unplugged, Bitola no ganzá, Preá no reco-reco, na sanfona Zé Marreco. Música, música. Chico, Caetano, Milton, Tom, João Gilberto, Caymmi, Vinicius, Baden, Gil, João Bosco, Aldir Blanc, Macalé, Pixinguinha, Gal, Elis, Carmen, Dolores, Maysa, Marisa Monte, Daúde, Gal, Bethânia, Tomzé, Titãs, Mutantes com Rita Lee, Rita Lee sem os Mutantes, Cássia, Calcanhotto, Clementina, Marina, Maysa, Raul, Chico Science, Siba, Arnaldo Antunes, Jorge Benjor, Chorão, Cartola, Nelson - o Gonçalves e o Cavaquinho - Gonzagão, Vital Faria, Xangai, Mozart, Sivuca, Hermeto, Dominguinhos, Jackson, Genival, Gordurinha, Ludugero, Aznavour, Armstrong, Modugno, Amália, Sapoti, Piaff, Callas, Baleiro,  Manezinho Araújo, Riachão, Batatinha, Walmir Lima, Chico César, La Lupe, Chavela Vargas, Chabuca Granda, Celia Cruz, Nina Simone, Mercedes Sosa, Bola de Nieve, Piazzola, Agustín Lara, Lennon e McCartney, Roberto e Erasmo. Música, música. Tango, rock, baião, xaxado, xote e xoxote, maxixe e jiló, chorinho, dobrado, mazurca, jazz, tango, fado, valsa, frevo, coco, maracatu, corta-jaca, tarantela, samba, samba-canção, samba-de-véio, samba-duro, samba de roda, samba-reggae, samba-rock, samba de breque, samba de black, blues, funk, bossa-nova, chá-chá-chá de la secretária, salsa, mambo, calipso, merengue, cumbia, reggae, bolero-lero-lero-lero, begin the beguine. Música, música. Até mesmo feita plasticamente, com o som fluindo de pincéis deslizando sobre uma tela carregados com tinta acrílica, como nesta pintura que ilustra esta postagem que fiz con mucho gusto. Música, música. Excetuando-se a unanimemente indesejada marcha fúnebre, qualquer música, ah, qualquer, logo que me tire da alma esta incerteza que quer qualquer impossível calma!
(111019)

27 julho 2026

Mulher de Leão no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Leão
Brilha na escuridão
A mulher de Leão, mesmo sem fome
Pega, mata e come 
A mulher de Leão não tem perdão. 
As mulheres de Leão 
Leoas são. 
Poeta, operário, capitão 
Cuidado com a mulher de Leão! 
São ciumentas e antagônicas 
Solares e dominicais 
Ígneas, áureas e sardônicas 
E muito, muito liberais.
(121013)

20 julho 2026

Vampeta, um comentarista extraordinário, subestimado por seu estilo despojado, irreverente, profundamente popular.

      Acabou a Copa do Mundo e no jogo decisivo a seleção da Espanha - como previu o notável comentarista Vampeta - controlou a posse de bola no tempo normal, também na prorrogação, e acabou por meter três gols na Argentina. Dois deles a arbitragem anulou de uma forma, digamos, questionável, algo suspeita. O outro a dita arbitragem não teve como anular. Conforme todos estamos assistindo, um oceano de comentaristas vêm deitando falação com toda espécie de visão, opinião, conceituação. Algumas são bastante aceitáveis, feitos com ponderação e conhecimento do assunto. No entanto o que mais se ouve e se vê formam um nefando caldo formado por visões equivocadas, não só do esporte quanto da existência, pobreza espiritual, insipiência mental, conveniência em buscar agradar anunciantes ou empregadores, e toda sorte de absurdos. No meio de um bombardeio de despropósitos, bobagens, equívocos diversos, falas a serviço de interesses suspeitosos, mister se faz enaltecer um grupo reduzido de profissionais das mídias, pessoas que conhecem futebol a fundo e emitem suas opiniões com honestidade, ética, decência. Dentre esse seleto grupo, há que se enaltecer sobremaneira um diferenciado comentarista, ex-jogador e hoje uma pessoa do meio das comunicações, um cara chamado Marcos André, mais conhecido pelo apelido de Vampeta, o Velho Vamp, dileto filho de Nazaré das Farinhas, na Bahia. Não vou aqui enumerar, explanar todas as qualidades inerentes a esse ilustre nazareno, mas não posso deixar de ressalvar a capacidade analítica e sempre muito bem fundamentada de Vampeta e o fato dele mostrar notáveis aptidões etnográficas, antropológicas e uma memorável memória para citar datas e escalações de times inteiros, os nos quais jogou, os dos adversários e o escambau. Encurtando o papo, sou fã incondicional de Vampeta em seu labor de comentarista. Antes já o admirava como extraordinário jogador que tanto contribuiu para a grandeza do meu Timão, jogando muita bola e participando ativa e meritoriamente para o título de I Campeão Mundial Interclubes da FIFA, no ano 2000. Jogando pela seleção brasileira, Vamp também brilhou intensamente e foi campeão mundial na Copa do Mundo de 2002, em um tempo que a seleção do Brasil era uma seleção respeitada, admirada, cultuada, reverenciado no mundo inteiro, nada a ver com essas recentes seleções que são eliminada das Copas ano após ano, ad infinitum. Quanto a ser comentaristas, tenho para mim que Marcos André Vampeta é disparadamente o melhor comentarista entre os melhores e mais confiáveis e competentes comentaristas do rádio e das TVs e das mídias da internet. Entre as inúmeras justificativas para tal conceito, basta lembrarmos que nas rodadas finais dessa Copa de 2026, a cada uma das rodadas, enquantos os demais comentaristas viajavam na maionese ou se omitiam, Vampeta, com segurança e muita personalidade cravava quem seria o vencedor. Afirmou que a extraordinária França perderia para a Espanha. Ouvi e, como não sou o gênio da raça, achei um absurdo. Cravou depois que a Inglaterra soçobraria contra a Argentina e que na final, entre Argentina e Espanha, os espanhóis se sagrariam os legítimos campeões do mundo nessa Copa de 2026 devido ao seu estilo de jogo, de jogar como um time entrosado, de ter a posse de bola o tempo todo e, destarte, comandar o ritmo do jogo. As previsões de Vamp foram certeiras, precisas, algo de deixar qualquer torcedor de boca aberta. Diferente de uma extensa pletora dos que se acham grandes PHDs em comentários sobre futebol, Vampeta é um cara simples, contido, moderado, espontâneo, verdadeiro que assume de boas seu estilo de vida pessoal onde se incluem ilimitadas quantidades de gelo e petecas. A todos que, por suas infalíveis previsões, agora querem colocar sobre sua cabeça uma coroa, Vamp diz que nada mais fez do que se guiar por estatísticas para anunciar o que viria. Tal modéstia gera uma indagação: se é assim, por que os outros comentaristas não igualaram seu feito? Certamente por ser pessoa tão simples, humilde e verdadeira, com todo seu extraordinário talento Vampeta é um cara visivelmente subestimado por muita gente do meio e por torcedores, pessoas que não conseguem enxergar no Velho Vamp que ele é, com todo merecimento, um raro, um extraordinário, estupendo comentarista de futebol e do universo futebolístico.

18 julho 2026

Decisão da Copa do Mundo de Futebol, Política, Arbitragem, Trump e Infantino.

                Hoje, domingo, 19 de julho, logo mais às 16h acontecerá a ansiada peleja que irá decidir quem será o grande campeão dessa atual edição da Copa do Mundo de Futebol no corrente ano de 2026 realizada no Canadá, México e nos EUA pela Fédération Internationale de Football Association, a FIFA. Gianni Infantino manda na FIFA. Por outro lado Donald Trump manda prá (*)aralho em Infantino. Trump detesta tudo que se oponha a si, a seu rotundo ego e à sua conduta que ele próprio reconhece que se trata de ações de pirataria. Vai daí, sabemos que na Europa a Espanha vem há tempos peitando a política pirata de Trump e o arrogante e beligerante Big Carrot está porraqui com os compatriotas de Almodóvar, Cervantes e Angelines La Bruja del 71 Fernández. Por outro lado, o atual presidente da Argentina é Javier Peluca Milei, um assumido lambe-botas dos mais servis de Trump, um rastejante pau-mandado do Cenourão. Considerando que Infantino manda na FIFA, que o pirata Trump manda pra (*)aralho em Infantino e tudo o mais que já foi dito, o que assitirão logo mais os povos do mundo, um espetáculo feito de ética e lisura sem interferências tendenciosas da arbitragem ou do VAR, ou um espetáculo dantesco de rapinagem arbitral explícita contra a Espanha que peita o Big Carrot, e a favor do time da Argentina do seu sabujo extremista Milei? Nem é preciso colocar sobre a cabeça um chapéu de alumínio para considerar possível essas possibilidades em jogo no jogo. Pelo bem da credibilidade do mundo do futebol esperemos que uma versão política e pebolística do clássico literário Relações Perigosas não entre em campo para decidir no apito e no VAR quem será sagrado o legítimo ou ilegítimo campeão da Copa do Mundo neste ano de 2026.

17 julho 2026

Neymar atualmente não está servindo nem para engraxar as chuteiras de Messi.

É na mais célere das azáfamas que escrevo esse textículo, digo, esse breve texto. E a razão é porque hoje é sexta-feira, 17 de julho de 2026 e, destarte, depois de amanhã será domingo, dia 19 de julho, dia da ansiada decisão dessa corrente Copa do Mundo. Transpordantes emoções tomarão conta de todo esse planeta, futebol é o esporte mais popular, amado no mundo inteiro. Em tudo e por tudo, essa final será empolgante, palpitante, eletrizante e será decidida entre uma equipe europeia, a Espanha, e uma sul-americana, a Argentina, por sinal a atual campeã mundial, título que conquistou com todos os méritos na Copa de 2022, no Qatar. Não fossem los hermanos, a final seria entre dois times europeus. O comentarista Marcos André Vampeta, dando um banho nos demais colegas de comentários, cravou que os espanhóis despachariam para casa a maravilhosa e empolgante equipe da França, compostas por grandíssimos craques como Kylian Mbappé, Dembélé, Olise e outras feras. E também disse que a Argentina de Messi ia despachar o English Team. Como assim?! Como assim?! Achei uma loucura de Vampeta cravar tais afirmações enquanto na sua quase totalidade, os demais comentaristas apostavam o contrário ou ficavam em cima do muro. O Velho Vamp, com sua simplicidade, provou que é a fera maior entre os comentaristas, suas previsões emitidas com toda firmeza de quem manja do assunto mais que todos, se confirmaram. Agora ele crava que o time da Argentina não vencerá a Espanha nessa final. Estou longe de entender a fundo os meandros do futebol e suas supreendentes surpresas feito o Marcos André e não vou me arriscar a dar minha previsão nada abalizada. Toda minha pressa, toda essa lufa-lufa para escrever e postar esse texto é por que quero antes da final deixar registrado aqui e agora uma afirmação, e o faço com uma inveja de la puerra do Velho Vamp - tentando mostrar a mesma segurança e firmeza vampetística - que todas as seleções do Brasil das últimas quatro ou cinco Copas até esse ano de 2026, todas elas, não passam e nunca passaram do nível de timezinhos chinfrins ou de várzea diante da talentosa, lutadora, aguerrida, combativa e resiliente equipe da Argentina de Messi e seus compañeros de reparto. Desnecessário dizer que não é à toa que Leonel Messi está sendo considerado o maior jogador do mundo e, até o momento, o segundo maior artilheiro de todas as Copas, sendo que nessa decisão pode vir a ser o primeiro. Os mais sensatos têm que admitir que atualmente diante de Messi, o Mulequi Ney, com quatro participações medíocres, vexatórias, em Copas, perdeu pelo caminho o futebol fantástico que tinha, que encantava a todos e que mostrou ao mundo na época que jogou pelo Barça até 2021. Suas prioridades sempre foram bem diferentes das do que esperavam dele os torcedores brasileiros. Com o agravante de ter desenvolvido um joelho de paçoca, hoje em dia o Mulequi Ney não serve nem para engraxar as chuteiras de Messi, um gigante já lendário em duas Copas. Domingo, o craque argentino poderá se sagrar bicampeão ou, pelo menos, vice-campeão mundial. E os brasileiros que tiverem um mínimo de espírito esportivo, terão que deixar antigas diferenças de lado, engolir a seco esse sapo e reconhecer os méritos de La Pulga por comandar uma seleção sul-americana, que pratica um futebol no mais tradicional estilo latino, competitivo, mas feito de dribles e passes de quem sabe jogar, com garra, lances de arte e talento como a seleção canarinho já praticou em dias cada vez mais distantes.

13 julho 2026

O que aconteceria à seleção do Brasil se tivesse que disputar sua classificação para Copas do Mundo contra seleções europeias?


No futebol, os que insistem em ver as coisas através da ótica do mais ufanista pachequismo têm múltiplos orgasmos ao repetirem que a seleção brasileira é a única no mundo a se classificar e participar em todas as edições de Copas do Mundo. Sabemos que lá pela Europa a campeonissima Itália não consegue se classificar há três edições. A Alemanha, a Holanda e outras tradicionais seleções europeias passam ou já passaram por similar sufoco. Mas o Brasil, não. Encimado em altíssimo pedestal, cheio de soberba, sempre chega às Copas do Mundo como um impávido colosso. Só que se botarmos o pachequismo e toda sorte de ufanismo cego de lado, teremos que reconhecer que no futebol sul-americano o Brasil sempre nadou de braçada, voou em céus de brigadeiro, navegou em mares de almirante. Por aqui a desigualdade sempre foi muito grande, só a Argentina e o Uruguai nos faziam frente. Com o passar do tempo as coisas têm mudado, a evolução vem chegando aos nossos vizinhos e já acontece de perdemos para seleções que antigamente batíamos por 200x0. Ainda assim, a moleza persiste e nessa tranquilona zona de conforto, nessa imensa maria-mole, nessa baba de quiabo, como já disse o sempre perfulgente ídolo Vampeta é impossível a não classificação da canarinho em tão desigual cenário latino-americano. Depois do meio esportivo constatar que temos entre nossos selecionados atuais um craque hipotético, que joga um hipotético futebol de alto padrão hipotético, tal termo vem sendo empregado com frequência pelas mídias. Destarte, pensemos hipoteticamente: com o nível pífio e o futebolzinho meia-boca que temos apresentado de mais ou menos um quarto de século para cá, se tivéssemos de conseguir nossa classificação para as Copas tendo de disputar a vaga na Europa, enfrentando Inglaterra, Holanda, França, Portugal, Espanha e etc., quantas vezes o Brasil se classificaria para uma Copa do Mundo? Os pachequistas militantes e juramentados já sabemos que diriam em sua delirante cegueira ufanista: todas as vezes! Mas você, pessoa habitualmente sensata e racional responderia o quê?