08 março 2026
Eu quero ser uma locomotiva para atropelar você.
Domenico de Masi sobre a atroz aniquilação da inteligência coletiva brasileira.
*“Esta ditadura reduz a inteligência coletiva do Brasil. Durante esta pandemia, Bolsonaro se comportou como uma criança, de um jeito maluco. Ou seja, o ditador conseguiu impor um comportamento idiota em um país muito inteligente. Porque é isso que fazem as ditaduras.*
*Este me parece um fato tão óbvio que às vezes nos passa despercebido. Quando o país é comandado por pessoas tão tacanhas, a tendência é o rebaixamento geral do nível cognitivo da sua população.*
*É fácil entender por quê. Sob Bolsonaro, Damares, Araújo, Pazuello, Salles, Guedes & Cia, vemo-nos obrigados a retomar debates passados, alguns situados na Idade Média, ou no século 19, como se fossem novidades.*
*Terraplanismo, resistência à vacinação e a medidas básicas de segurança sanitária, pautas morais entendidas como questões de Estado, descaso com o meio ambiente, tudo isso remete a um passado que considerávamos longínquo.*
*Quando entramos nesse tipo de debate entre nós, ou com as “autoridades”, é como se voltássemos da pós-graduação às primeiras letras do curso elementar. Somos forçados a recapitular consensos estabelecidos há décadas, como se nada tivéssemos aprendido.*
*É como forçar cientistas a provar de novo a esfericidade da Terra ou a demonstrar eficácia da vacinação. Ou defender, outra vez, a necessária separação entre Igreja e Estado, mais de 230 anos depois da Revolução Francesa.*
*É muita regressão e ela nos atinge. De repente, nos surpreendemos discutindo o óbvio, gastando tempo com temas batidos e desperdiçando energia arrombando portas abertas séculos atrás na história da humanidade.*
*À parte a necessária luta política para nos livrarmos o quanto antes dessa gente, entendo que existe uma luta particular e que depende de cada um de nós: a luta para não emburrecer.*
*Manter a lucidez e a inteligência através da leitura de bons autores e da escrita. Manter viva a sensibilidade pela conversa com pessoas normais e pela boa música. Assistir a bons filmes para contrabalançar a barbárie proposta pela vida diária e pelas redes sociais.*
*Enfim, mantermo-nos íntegros e fortes para a reconstrução futura do país. Não podemos ser como eles. Não devemos imitá-los em sua violência cega. Não podemos nos deixar contaminar por sua estupidez. Eles passarão. E estaremos aqui, para recomeçar.*
*Provavelmente, o que leva a esse rebaixamento é o ódio e o ressentimento por levar as pessoas a se sentirem, no fundo, perdedoras (é o caso de todos os bolsonaristas que conheci mais de perto) e ter de encontrar bodes expiatórios para culpá-los. A cultura competitiva, que estabelece, com critérios perniciosos, o que é ter sucesso, faz com que quem entra nesse jogo perverso, sinta-se, no final das contas, sempre um perdedor.”*
051022
07 março 2026
A inexcedível influência política de Little Banana nos bastidores trumpísticos da White House

Um imperioso aviso aos habitantes dessa auriverde Nação: Dudu Bananinha não aceita mais ser chamado dessa forma no Brasil. Cansado de aguardar do governo ianque sua ardentemente desejada cidadania estadunidense, o prófugo membro da familícia se autoconcedeu-se a si mesmo essa sua cobiçada cidania com direito a green-yellow card. Destarte, já considerando-se um genuíno cidadão dos EUA, Dudu agora exige ser chamado de Ed Little Banana ou, simply, Little Banana. Também conhecido em nosas plagas como Cabeça de Mounjaro, esse entreguista e lesa-pátria ganhou amplos espaços na imprensa corporativa e nas redes sociais vociferando graves ameaças de atormentar com sanções trumpistas a economia e os destinos desse país varonil, também aventando que nós aqui estamos no lucro pois "Trump ainda não jogou uma bomba nuclear no Brasil". Deixou claro que só leva em conta seus elevados interesses extremistas, sem se importar que bombas nucleares não são programadas para seletivamente matar apenas progressistas, o que significaria exterminar milhares de seus próprios apoiadores bozonaristas, os chamados patriotários, que o potroarca da familícia já chamou publicamente de malucos. Ao lado de seu cúmplice, neto de falecido ditador amante de olorosos equinos, Little Banana vive bradando aos quatro ventos e aos sete mares que tem enorme influência política nos Istêites, que conta com a proteção, o apoio e a amizade pessoal de Donald Trump e que por isso desfruta de irrestrito trânsito pelos corredores da White House. A título de provas incontroversas dessas suas grandiloquente afirmações, Little Banana publicou dezenas de fotos como esta acima, dele com seu partner. A bem da verdade, qualquer vivente que tenha mais de dois neurônios não há de engolir essas pretensas provas irrefutáveis que seriam as fotografias publicadas em redes e imprensa corporativa, vez que elas não os mostram transitando altivamente pelo interior da referida White House, aquela cujos corredores o Mr. PokaPika alega frequentar com privilegiada pompa e circunstância. Apenas os mostram do lado de fora dos portões whitehouzísticos, no mesmo ponto da calçada em que se aglomeram todos os visitantes anônimos, sendo ali que ambos posaram para a posteridade exibindo uma insuperável donkey moral (moral de jegue).
04 março 2026
Ed LittleBanana, a calçada da White House e seus segredos revelados
28 fevereiro 2026
"De onde saiu tanto feladumaput(*)?!?!?!" .
Nana Caymmi, a canção de Lô Borges, Milton Bituca e Márcio Borges, a ditadura militar
24 fevereiro 2026
Cau Gomez, mineirim e baianim / Pintando o Set 8
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Mulher de Peixes no Horóscopo de Vinicius de Moraes
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21 fevereiro 2026
Pra não dizer que não falei de bebê reborn
12 fevereiro 2026
Apaches do Tororó, Buck Jones e todos blocos de índios do carnaval da Bahia
Mister se faz dizer que naquela libertária década de 70 o hoje predominantemente noturno carnaval de rua da Bahia tinha seu início ainda pelas manhãs no mais das vezes ensolaradas, e o melhor da festa se concentrava na Praça Castro Alves com o sol rompendo ao meio-dia, como diz o caetanístico frevo Atrás do Trio Elétrico. Ali se misturavam gentes famosas e os anônimos, vendedores, foliões, héteros, gays, brancos, negros, mulatos e gringos, sob sol ou sob chuva, suor, cerveja e muita Maria Joana sob o olhar cúmplice do condoreiro Poeta da Abolição ali esculturado e era bem dali, da mão do poeta, que o sol se levantava e a lua se deitava na côncava praça. Esse carnaval baiano e essa Praça Castro Alves fizeram por onde merecer e foram eternizados, celebrizados, perpetuados em emblemática canção de Caetano Veloso em que, parafraseando o grande vate abolicionista, o mano de Beta Beta Bethânia retratou os costumes populares da época dizendo que "a praça é do povo como o céu é do avião". Ouvi e achando pertinente o dito, tratei de descolar espaço cativo na renomada ágora.









