09 maio 2015

Antonio Conselheiro, Nordeste, estilo, experimento, Arte Gráfica

Há desenhistas que arrancam as próprias melenas, às vezes raras,  em busca de um estilo pessoal que seja passível de reconhecimento como se dá com sua escrita, cujo modo de delinear as letras as pessoas identificam de pronto. Não foi este o caminho que busquei na minha senda de ilustrador, vez que adoro mudar sempre que possível e o mais que puder, tentar novos rumos, novas linguagens, novas técnicas, buscando fugir da mesmice, dos maneirismos. Fazer a mesma coisa em nome de um estilo pode para mim se tornar algo previsível e mesmo cansativo, desestimulante. Sinto-me mais estimulado mudando sempre que possível - geminiano sou - em eterno desafio, tentando surpreender positivamente o público leitor e até mesmo a mim próprio. Nestes retratos de Antonio Conselheiro intentei buscar duas alternativas diversas. Em uma almejei criar um impacto dando um close em suas feições fortes de sertanejo que atingido por graves e injustas perseguições que findaram por tirar-lhe a vida e utilizei sobre papel ofício uma experimental bisnaga de tinta negra, destas para parede. Foi uma meleira total mas o resultado final me agradou. Na outra, mais clean usando tinta acrílica, fui em busca de um clima semelhante mas almejando situar o personagem no seu hábitat, recortado por um céu digno de um glauberrochístico filme. Um pincel na mão e uma ideia na cabeça.
(Publicado originalmente em 15/11/14)