25 agosto 2017

Todo baiano é um Dorival Caymmi.

A imagem que muita gente no Brasil guarda dos baianos é de um sujeito folgazão, deitado numa rede, morena do lado, voz de estentóreo timbre que entoa canções do mar, um oceano azulzinho pela frente, olhar de pura  indolência e corpo pleno de malemolência. O estereótipo é um, a realidade bem outra. O fato é que neuroses e fobias não são privilégios de paulistas, gaúchos e cariocas ou de qualquer outro cidadão deste imenso país, vez que nós, baianos, somos igualmente neuróticos como qualquer outro vivente normal. Ou anormal, veja você aí, atilado leitor. Acontece que eu sou baiano, acontece que ela não é, quer dizer, por aqui temos a fortuna de possuirmos nas paredes da nossa etnologia índio-afro-lusa, mui ricamente emoldurado, um retrato de Dorival Caymmi, cujo modus vivendi tão invejado por tantos e tantos muitíssimo ajuda a fazer as pessoas pensarem que nós, soteropolitanos e baianos em geral, somos uns seres humanos fora do catálogo, de bem com a vida 24 horas por dia, sete dias na semana, 365 dias por ano. Ou mais que isso. Por uma imagem que tantos compatriotas invejam, a Caymmi, a minha mais que completa admiração e justificada gratitude. Ah!, e esta caricatura aí em cima, pequena homenagem que faço a esse formidável Buda Nagô, que se fez eterno através de suas dulcíssimas composições.
(30/04/2014)