13 julho 2017

Fauna baiana, Soterópolis, gringos


Esta pintura é um painel de uns 2 metros de altura e de quase outro tanto de largura. Com pincéis e tinta acrílica levei um mês trabalhando nele e penso ter tido a felicidade de colocar uma boa mostra de considerável parcela da fauna humana da Bahia da qual sou integrante parte. Baianas preparando acarajé, gente dançando, namorando, mercando, rezando, olhando, nadando, sorrindo, indo, vindo, comendo, bebendo, dizendo, vivendo. Sob proteção de santos católicos e orixás. Um mês. E o resultado foi sentir um enorme prazer vendo o trabalho pronto. Mas não se quedou muito tempo comigo, achou um dono melhor que eu. E se foi para bem distante da Bahia. Queria retê-lo por mais tempo para dar uma zoiadinha de quando em vez, lamber a cria, mas sei que tal pretensão não posso ter. Como disse uma vez o grande artista plástico e meu querido amigo, Lima Limão, para um cliente seu que lhe indagara se tinha muitas pinturas de sua própria lavra dentro de casa: "Quem sou eu, doutor, para ter um quadro meu? Isto é pro senhor que pode".
(17/12/14)