25 agosto 2017

As querelas de um Brasil que não merece o Brasil, Elis, Aldir Blanc.

"Um operário eleito e, a seguir, reeleito através das urnas, de forma incontestável, e uma mulher na presidência depois de 120 anos de República. Nada mal para um povo que já elegeu uma pletora de sabichões, gente quase sempre a serviço dos mais abastados e poderosos desse país. Bem-vinda, bem-vinda, Sra.Presidente. Oxalá - para todos nós - tudo possa correr bem em sua gestão e que uma mulher possa mostrar a todos que o sexo frágil não foge à luta, e que dondoca neste país é uma espécie em extinção."
(03/11/10)
A singela postagem acima, intitulada Presidente de batom, publiquei aqui neste bloguito no dia 03 de novembro de 2010, quando a moça Dilma ainda se preparava para assumir a Presidência do Brasil pela primeira vez. Bem sabemos que, de lá para cá muitas águas turvas e tormentosas passaram debaixo da ponte, o que muitíssimo me faz lembrar a canção de Aldir Blanc e Maurício Tapajós, gravada em abril de 1978 por ninguém menos que a fabulosa e a insuperavelmente insuperável Elis Regina, com aquela sua voz tamanha proferindo cada palavra como se fosse uma sentença. Sempre me perguntava, e sigo me perguntando, como é possível um brasileiro desconhecer o país em que nasceu, sua História, sua gente, seus meandros, alternâncias, rumos corretos e descaminhos, acertos e desacertos do passado e do presente, seus horrores e injustiças, sua beleza e feiura, suas alegrias e dores, seu joio, seu trigo. Passados já tantos anos, as palavras contidas na letra da canção seguem desnudando verdades incômodas: "O Brasil não conhece o Brasil. O Brasil não merece o Brasil. O Brasil está matando o Brasil."