20 novembro 2025

Marcos Mion, pai de um filho com TEA, cala-se contra atrocidade de direitistas contra autistas.

Há algum tempo fiz postagem citando algo sobre autismo que me causou espécie. Como o assunto envolve tantos e tão delicados aspectos, sociais e humanos, volto à temática, dado sua relevante importância. Muito já se publicou na dita grande imprensa, que "o autismo virou a coisa mais importante na vida de Marcos Mion", por ser o dito cujo pai de filho com Transtorno de Espectro Autista. Bonito, tocante, edificante, comiserável. No entanto, o apresentador, um direitista ortodoxo, contumaz e renitente dos mais reacionários, é bastante seletivo quanto a tão delicado assunto. Quando acha oportunidade, usa o tema para fazer críticas ao Partido dos Trabalhadores, o PT, eleito através da lisura das urnas por mais de 60 milhões de brasileiros mais atentos. No entanto, sendo esse pai alegadamente tão zeloso, Mion não se indignou nem um pouquinho que seja, nem abriu sua seletiva boquinha para rebater aquele nefasto pastor pentecostal que, em pleno culto evangélico, bradou com todas as letras que o "autismo é fruto da visita do diabo ao ventre materno"(!!). Quem cala, concorda; e Mion se calou, avalizou, concordou, assinou em baixo. Assim como não se indignou nem criticou a posição das bancadas congressistas de extrema direita que votaram em peso contra verbas para auxílios governamentais a autistas e pessoas acometidas de fibromialgia.


10 novembro 2025

Nana Caymmi entoando canção de Lô Borges, Milton Bituca e Márcio Borges com destemor e consciência.

No ano de 1979 Nana Caymmi pediu a Márcio Borges que fizesse uma letra para a melodia de Clube da Esquina n°2 que, até então, era uma música só instrumental. Depois de consultar os autores da melodia - seu irmão Lô Borges e Milton Nascimento - Márcio escreveu os célebres versos dessa canção e entregou para a filha de Seu Dorival e de Dona Stella Maris. A cantora recebeu a letra, leu, adorou e a gravou de boas. Nana foi casada com Gilberto Gil, na companhia do qual estava quando vista e fotografada em passeata pelas liberdades democráticas suprimidas por uma ditadura militar de extrema direita que sempre teve ódio figadal às Artes e aos artistas, no atacado e no varejo. Por certo se sobre ela se desencadeasse a violenta repressão costumeira, no meio de tantos gases lacrimogênios a moça Caymmi ficaria calma, calma, calma, calma.                                                               Tempos depois, sabe-se lá o porquê, essa irmã de Dori e Danilo, artista talentosa, de aclamados dotes canoros, descambaria para uma lamentável adesão ao que há de mais abjeto política e socialmente no Brasil, a mais olaviana extrema direita que nutre carradas de ódio mortal pela classe artística, classe que ela, seus irmãos, sua mãe, Stella Maris e seu pai, o lendário Dorival Caymmi, sempre integraram com amor, dedicação e elevada competência.                                                      Felizmente para a história da música brasileira, nos anos 70s Nana pensava diferente e teve a suprema sabedoria de nos brindar a todos com uma maravilhosa gravação de Clube da Esquina n°2 interpretando divinamente e registrando para a posteridade essa emblemática canção que nos ensina a não temer ímpios tiranos, asquerosos e crudelíssimos ditadores e suas desumanas repressões, um verdadeiro hino libertário. Grato, Nana.