30 outubro 2016

Mulheres norte-americanas em crise sexual / U sexu nu mundo 9

Para os homens americanos, desejo carnal incontrolável significa tão somente aquela irresistível compulsão que os leva a devorar montanhas de suculentos hambúrgueres. Suas ianques esposas é que não  aprovam nem um pouquinho esta preferência carnal demonstrada pelos ianques maridos. E elas vão mais além nas suas queixas, reclamando do fato de que, integrando seus poderosos exércitos, os homens americanos vivem invadindo tudo que é lugar mundo afora e que só não invadem mesmo as Ilhas Virgens nem o Cusaquistão de suas carentes esposas, seja por ataques frontais, seja pelas retaguardas xurriadas lá delas, o que as deixam qual o aracnídeante Peter Parker, ou seja, subindo pelas paredes do Empire State Building. Imperioso se faz dizer que os apoteóticos e bem sucedidos atentados aos EUA ocorridos naquele fatídico setembro de 2001, mergulharam os filhos do Tio Sam num mar de paranoias, estresses diversos e impotência brochativa generalizada. Com tanta fobia, nem com reza braba os americanos  estão conseguindo fazer o pentágono endurecer. A população lá anda vendo a coisa preta menos a Primeira-dama Michelle que pelos corredores da Casa Branca anda reclamando de forma histérica que seu marido, Barack Obama, nunca mais adentrou seu Salão Oval nem tem comparecido ao Cupitólio. Comenta-se que ONGs feministas americanas, preocupadas com o Produto Interno Bruto, estão importando carregamentos de rapazes latino-americanos sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e dispostos a dar duro por uns dólares a mais. O fato é que as pudibundas e maldebundas americanas passaram a frequentar compulsivamente os estádios de baseball alegando que lá é o único lugar nos EUA em que elas podem admirar homens fortes e musculosos segurando tacos roliços enormes e rijos, o que sempre as leva ao delírio. Uma loucura! Deus salve a América e as mocetonas americanas, em tão difícil momento.
(290110)

As espanholas e seu furor sexual / U sexu nu mundo 2


No imaginário popular, todas as mulheres da Espanha trazem em suas veias o mais puro sangre caliente e por isso mesmo são consideradas verdadeiros furacões sexuais e só piensam naquilo. Puro exagero, as espanholas também gostam muito de Artes e dos artistas maiores. Um desses, é o graaaande Picasso que sempre andou de boca em boca entre as mulheres. Se você acha que a seleção de futebol da pátria de Cervantes faz jus ao epíteto de "Fúria Espanhola", não imagina que este título pertence mesmo é às mujeres da Espanha que com seu furor uterino jamais concediam um segundo de descanso ao afamado pintor catalão, enquanto vivo ele foi. Agarravam o Picasso em qualquer lugar, de todo jeito e de com força e não queriam mais largar. E o Picasso tinha que ser muito, muito duro para conseguir dar suas famosas e milionárias pinceladas que qualquer uma disputaria - e bota disputaria nisto - já que levavam à loucura as guapas espanholas que noite e dia assediavam o bravo Picasso que, aliás, ficava logo todo excitado quando via um belo Cubismo à sua frente. Segundo outro famoso espanhol, Pedro Almodóvar, diante de Picasso ficavam as Mujeres al borde de un ataque de nervios. Muitas delas, com a Carne Trémula, em um estonteante Laberinto de Pasiones. Descontroladas, mostrando La Mala Educación e escancarando sua Julieta, para ele gritavam Entre Tinieblas: "Mira acá La flor de mi secreto!" e, lúbricas, insinuantes e concupiscentes imploravam: "Hable con ella!".  Usando Tacones Lejanos, fêmeas sadomasoquistas histericamente lhe imploravam: "Átame!!", sem demonstrar o mínimo respeito à La Ley del Deseo. Desse modo, como era de se esperar, o pintante catalão foi definhando e acabou morrendo na couve-flor da idade. Muita gente hoje em dia critica Pablo Picasso por ele ter sido um incondicional adepto das corridas de toros, prática que vem sendo banida da vida dos espanhóis nestes atuais tempos politicamente corretos. Mas em verdade as plazas de toros eram para ele apenas um porto seguro, um providencial refúgio salvador para onde ele corria na tentativa de encontrar um necessário repouso, já que ali era o único lugar em que as mulheres deixavam o Picasso em paz, pois na arena só tinham olhos para admirar a famosa espada do graaaande Dominguin. Apesar da proibição atual, a verdade é que os bravos espanhóis estão muito acostumados com touros e touradas e por isto mesmo acham este lance de chifres uma coisa muito normal. E é aí, señoras y señores, que entra em cena El Ricardon que, sem vacilar, vai adentrando a arena e otras cositas más, passando a mão nas castanholas de la chica que se contorce toda. E evocando o sempre pranteado e eternamente graaaande Picasso, ela entonces suspira fundo, revira os olhinhos, e entusiasmada grita "Olé!!"
(12/01/10)

O sexo e os portugueses ou Fornicar é preciso / U sexu nu mundo 1

Em Portugal o rigoroso inverno muitas vezes impede que a mulher portuguesa faça o devido asseio pessoal, inclusive o íntimo. Nestes casos de sua lusa genitália desprende-se um forte e inevitável odor de bacalhau o que, em verdade, não é privilégio das lusitanas, podendo isto acontecer com qualquer mulher de qualquer parte do mundo que passar um longo período sem lavar o objeto de desejo dos machos da espécie, desde o Éden. O grande diferencial está em que, se para nós, brasileiros, o tal odor se configura em fator brochante e nada convidativo, para os bravos rapazes lusitanos isto até instiga o apetite sexual pois sabido é o quanto os portugueses adoram comer um bom bacalhau, não dispensam esse acepipe por nada e caem de boca vorazmente quando veem um à sua frente, ora pois, pois. Verdade ou não, é voz corrente que o maior problema lá nas terras de Camões e de Pessoa é que grande parte das mulheres ostentam buços tão compridos que são verdadeiros bigodes, e os bigodes das Marias costumam ser maiores que os bigodes dos Manuéis e Joaquins. Como é muito difícil habituar-se a tal coisa, os gajos portugueses vivem tomando enormes sustos todas as manhãs, ao acordar e olhar para sua companheira, ó pá! Nos livros, compêndios e almanaques deste planeta não é creditada aos portugueses nenhuma das grandes invenções em prol da Humanidade tais como o automóvel, o telefone, a televisão, o laser e as calcinhas comestíveis. Tremenda injustiça e falta de reconhecimento para com os gajos lusos já que eles são os responsáveis por uma das mais espetaculares invenções para a raça humana: a mulata brasileira, Ôba, Ôba! Graças à libido dos homens portugueses,  incontrolável diante das abundâncias carnais das negras amas e mucamas desde o tempo da colonização, é que surgiu esta nova raça superior, a das mulatas sestrosas. Se por um lado a mulata é gostosa, por outro é mais gostosa ainda. Por séculos os lusitanos em suas naus surrupiaram para a corte d'Além Mar quase todo o ouro do Brasil. Para nossa sorte, como as naus saíam das costas brasileiras sobrecarregadas com precioso metal, os portugas foram obrigados tristemente  a abrir mão das preciosas mulatas,  deixando-as todas aqui sem imaginar que desta forma nós, brazucas, é que ficaríamos no lucro. A atual crise econômica em Portugal é prova incontestável disto vez que todo ouro que nos tomaram já se acabou por lá, foi pras cucuias.  Em compensação aqui no Brasil temos uma fartura em mulatas maravilhosas que com suas exuberâncias, reentrâncias e abundâncias valem mais que todo ouro do mundo!
(121010)

Os cubanos: bons de cana e maus de cama? / U sexu nu mundo 3


As cubanas reclamam que a vida sexual em Cuba anda precisando urgentemente de uma revolução. As bravas e mui guapas chicas vivem se queixando que anoche, anoche soñe contigo, na hora del cuerpo a cuerpo, seus respectivos maridóns não se animam muito na cama, frustrando as sequiosas chicas que inutilmente ficam de olho fixo na guevara do cabisbaixo compañeroesperando em vão que a dita guevara do sujeito dê algum sinal de vida. Seja em Guantanamera, Siboney ou Habana, todas las chicas gritam desesperadas “hay que endurecer, hay que endurecer, por Dios!. Mas é tudo debalde, nada de los hombres endurecerem, armarem as barracas en Sierra Maestra ou em qualquer outro recanto da ilha. Também pudera!, depois de haverem escutado, em pé e ao sol, por sete intermináveis horas o loquaz e verborrágico comandante Fidel Castro Ruz discursar contra os porcos imperialistas norte-americanos, os homens cubanos chegam em casa combalidos, trôpegos, extenuados e sem tesón para atender as inflamadas chicas de la cor de la canelaAssim, sin embargo, ficam todas elas con sus pererequitas em chamas, subindo por las paredes e por lo paredón. Enquanto la mujer cubaña, cheia de lubricidade, fica na mão, siempre a periglo, e matando perro a gritoel macho cubaño, atualmente já não tão macho assim, anda por aí de cabeças baixas, cheio de vergonha por haver se tornado um desditoso empata-rumba. A chegada da noite na Ilha passou a ser uma constante ameaça para los hombres cubaños, e eles não conseguem mais adormecer, apavorados, com receio de que quando estiverem em seus sonos mais profundos, las compañeras, exímias cortadoras de cana, usem suas afiadas foices para lhes cortar seus preciosos charutos cubanos e o jogar para los insaciables porcos imperialistas.
(151110 )

29 outubro 2016

A Bahia e a dita dura ditadura que perdura.

Houve uma Bahia que comportava toda a felicidade que o ser humano pode alcançar nesta existência. Jorge Amado, nosso bardo maior, ao som do violão de Caymmi, cantou aos quatro cantos do mundo esta ventura. E pessoas vinham de terras distantes para aqui encontrar cada uma sua estrela-guia. Mas chegaram os anos de chumbo, a era das trevas que se diziam luz. Vinte longuíssimos anos depois de uma ditadura militar truculenta e sufocante nos costados, ficou a incontida tristeza de nos defrontarmos em todas as partes com um desfile de fascistas de todos os calibres, restou-nos um país com um profundo e grave apartheid social e com ele os guetos, a miséria inaudita, a violência que nos atinge a todos, a constatação flagrante da impunidade, a insegurança geral, um viciado sistema eleitoreiro onde incontáveis infames se revezam nos cargos. Aqui, nesta terra Bahia, houve resistência a tão terríveis algozes e pessoas que deram suas vidas lutando contra eles. Gente que já antecipava as mazelas que viriam e a grave situação de injustiça que cá vinha se instalando. Mas houve também por aqui magotes de sórdidos, venais e arrivistas travestidos de políticos, trazendo a reboque seus séquitos de asseclas que ajudaram a canalha retrógrada a nos trazer a sombra, a dor, o medo. E muito do ruim há em nossa volta. Não obstante, há no âmago do povo desta terra, Boa Terra, algo inescrutável que nos faz seguir em frente com a fronte erguida e um sorriso nos lábios. E ainda que tão dessemelhante de nosso antigo estado, Gregório, a Bahia ri e dança e ama e passeia e vive a vida com intensidade mostrando que nossa vocação mais genuína e legítima é a felicidade que nos brota espontaneamente d'alma. Procuro captar um pouco disto quando caminho pelas praias, ruas, becos, vielas e ladeiras de Soterópolis -que é o outro nome dessa cidade de Salvador- e intento, em telas pintadas com tinta acrílica, transmitir essas particularidades e as cores vivas e alegres dessas nossas almas baianas, como nessa pintura que ilustra esta postagem mostrando um momento de descontração praieira do povão soteropolitano.
(050513)

Em Terras Americanas: quadrinhos baianos de alta qualidade em dose tripla.

"Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto, lutamos mal rompe a manhã." Lindo, não? Você, pessoinha de alma sensível e de elevada inteligência gostou muitíssimo, não é mesmo? E antes que os mais incautos comecem a achar que sou eu o autor de tal preciosidade, vou logo avisando que a surrupiei de uma poesia de Drummond. Se havia pedras no meio do caminho de sua poesia, o vate itabiranocarioca as retirava e seguia em frente, versejando, tal era sua vontade de exercer o seu ofício de poeta de versos livres. Esse preâmbulo todo é para mostrar que é possível vislumbrar uma analogia entre a luta para fazer poesia e a peleja que é fazer quadrinhos nessas plagas que um dia Cabral achou dando sopa nos trópicos. Fazer quadrinhos por aqui é dificultoso, sim, mas driblam-se os obstáculos e se faz. E é com grata satisfação, respeitável público leitor, que vos anuncio que já foram publicados e podem ser adquiridos três belíssimos volumes de histórias em quadrinhos intitulados Em Terras Americanas. O material publicado, modéstia às favas, é belíssimo, todo made in Bahia, e teve sua publicação viabilizada por haver sido selecionado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, recebendo recursos do Fundo de Cultura da Bahia. O argumento e o roteiro, levam a assinatura de Tom S. Figueiredo, e são bastante originais, mostrando super-heróis vivendo uma vida em sociedade, misturados aos denominados cidadãos comuns, de uma maneira pouco habitual nas HQs. Escritor premiado, Tom tem ampla experiência no campo dos quadrinhos, adquirida em jornadas empíricas no famoso Estúdio Cedraz, onde labutou por mais de quinze anos. Os desenhos são de Paulo Setúbal, que é -entre outras nobres atividades- presidente, officeboy e moleque de recados deste bloguito, e as cores -belíssimas- são de Vitor Souza, sendo que ambos são profissionais com larga trajetória nos quadrinhos. Antonio Cedraz foi o editor, em um dos seus últimos trabalhos feito em sua vida devotada às histórias em quadrinhos. A Coordenação de Produção do Projeto é de Paulo Milha. Como foram publicadas com numerário advindo de verba oficial, as três revistas estão sendo vendidas por preço mais que acessível, sendo que a renda angariada será totalmente revertida em favor da ONG Centro Comunitário Batista Soteropolitano. Os mais descolados nerds e os amantes mais amorosos dos quadrinhos podem adquirir por preços beeeeeem módicos, todos os três exemplares de Em Terras Americanas ali na Katapow (Av. Octávio Mangabeira, Edifício Privilege, loja 7, Pituba) e na RV Cultura e Arte (Av. Cardeal da Silva, 158, Rio Vermelho), localizadas ambas aqui nessa cidade de Salvador, Bahia, espaços especializados na venda do que há de melhor no universo dos quadrinhos. Leitores que não moram nessa soteropolitana afrocity, ou mesmo os que não têm tempo de passar em uma das lojas citadas, podem encomendar seus exemplares pela Internet através de-mail para http://editora@estudiocedraz.com.br . Nesse caso, o preço vai acrescido do valor do frete. Em Terras Americanas foi feita com especial carinho por profissionais que amam os quadrinhos e é um marco histórico na arte sequencial produzida na Bahia. Fiz um mix com capa e páginas de desenhos da trilogia de Em Terras Americanas para ilustrar esta postagem, quadrinístico leitor, que é para fazer você ficar com água na boca e tratar de encomendar rapidinho os seus exemplares antes que esgotem, já que você não é a única pessoa de bom gosto aqui nessas terras americanas.
(180116)

Congresso do Brasil cria CPI para apurar honestidades cometidas por alguns parlamentares

Sabemos sobejamente que em um regime democrático autêntico a vontade da maioria tem que prevalecer. Duela a quien duela!, como dizia aquele falecido político que insiste em assombrar o plenário do Senado. Aliás, no aludido Senado e também no Congresso, a esmagadora maioria é - alegadamente - composta de políticos rapaces, mendaces e ladravazes contumaces. Trocando em miúdos, o povo costuma tê-los na conta de uns salafrários indecorosos, safados, pilantras, estelionatários, gatunos, ladrões do nosso tão ansiado e necessário dinheirinho que a todo instante - agora mesmo - está se encaminhando indevidamente para os bolsos destes alegados insaciáveis picaretas. Entretanto, no Senado e no Congresso, como de resto em todo o país, sobrevive uma pequenina, uma reduzida parcela de renitentes que persistem em tratar as questões sociais e os interesses públicos de forma ética, justa, honesta. Indignados com tal proceder, os senhores deputados e senadores ladrões - amparados pelo que lhes outorga os ditames democráticos dado ao seu número amplamente superior - articulam nos obscuros corredores do Congresso e do Senado uma inédita CPI cujo precípuo escopo é investigar, detetar, tornar público e, finalmente, punir exemplarmente quem quer que ouse participar desta minoria idônea que insiste em trafegar na contramão dos usos e costumes da gigantesca maioria formada pelos corruptos de todos os calibres. Minoria, aliás, que insiste em agir explicitamente buscando perpetrar os atos mais abjetamente honestos em prol da população brasileira como leis que propiciem a igualdade social, a equabilidade jurídica, que buscam exterminar consagrados preconceitos de tão largo trânsito popular. Leis que tentam de forma hedionda impedir os fisiologismos, os nepotismos e os tão benéficos e saudáveis desvios de verbas públicas como os da Merenda Escolar e os da Saúde. Leis que, impiedosamente, intentam extinguir esquemas montados com engenho e arte, bem como barrar salutares enriquecimentos com o erário e tantas coisas já tão sobejamente legitimadas pelo tempo de prática que de forma cruel esta minoria exótica tenta erradicar de nossa política. "Pois antes os erradicaremos todos!", bradou num ímpeto patriótico um pralamentar, digo, parlamentar, sob intensa ovação dos colegas, afirmando de forma estóica que irá exibir no Congresso incontestáveis e arrasadores dossiês que desnudam os atos de honestidade explícita que uns poucos maus políticos brasileiros insistem de maneira solerte em perpetrar contra esta auriverde nação. Para esses maus brasileiros, pau na moleira à vontade e de com força, nobre deputado!
(15/03/14)

27 outubro 2016

João Ubaldo Ribeiro no tempo em que era um jornalista, com carteira assinada e tudo.

Antes, bem antes de atingir os píncaros da glória literária e de ser recebido com encarnados tapetes em universidades e palácios primeiromundistas qual um semideus, sendo reverenciado efusivamente em toda parte aonde quer que vá, Oropa, França e adjacências, o cultuado escritor João Ubaldo Ribeiro foi um dia - com direito a somítico salário - redator-chefe do hoje quase extinto periódico Tribuna da Bahia onde eu e Lage atacávamos de rabiscadores. Este jornal, em seus tempos de glória, tinha em seus quadros jornalistas gabaritados, os mais bem humorados com quem eu já trabalhei. Ainda assim nenhum superava o bom humor de Ubaldo que tinha uma risada peculiar, franca, aberta e sonora - uma sonoridade de miríades de decibéis - que ecoava em toda a redação quando ele, atendendo o aviso de algum colega: "Rápido! Está passando o Alberto Roberto na TV!", deixava incontinenti sua pequena sala cercada de vidro batizada de aquário, e vinha lentamente atravessando os mais de 20 metros da sala com seu tonitroante riso, prelibando os momentos de humor que a verve de Chico Anísio lhe traria. Tal proceder valeu-lhe, entre os espirituosos jornalistas, o epíteto de Risadinha. Conhecíamos-lhe e admirávamos o talento invulgar para a escrita - ele já fazia sucesso com o livro Sargento Getúlio - mas ninguém daquela risonha redação poderia prever que nosso bem humorado redator-chefe, unindo seu humor ao raro dom literário, um dia seria capaz de realizar no campo literário façanha tamanha como a que de fato realizou tornando-se um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. De mero vivente, sujeito a frieiras, coqueluches, tosses-de-cachorro, defluxos, pruridos escrotais e afins, Risadinha sagrou-se um escritor de renome, consagrado em todo esse vasto mundo, com direito a vestir o garboso fardão da ABL, munido de espadim e tudo, convertendo-se, destarte, em um venerável imortal admirado e respeitado em todo este imenso orbe. Viva o povo brasileiro! E, é claro, viva também João Ubaldo Ribeiro, já que Risadinha, qual a Tribuna da Bahia, ficou por aí, em algum lugar do passado.
(10/10/12)

O dia triste em que comi Alcione, a marrom

 
Pindorama, além de ser o nome indígena desta Terra Brasilis, é também o nome de uma pequena e aprazível cidade da hinterlândia paulista. Era lá que, ainda um niño de Jesus, eu vivia uma vidinha pacata ao lado dos meus amáveis genitores e irmãos. Meu pai se afastara do emprego para um longo e necessário tratamento de sua debilitada saúde e passava os dias em casa procurando ocupar seu tempo com leituras e escritos. E volta e meia inventava uma nova ocupação. A mais recente era um pequeno galinheiro que ele houvera por bem colocar no fundo do nosso amplo quintal de casa interiorana. Passei a ajudá-lo no trato com as penosas que me atraíram desde a chegada. Trazia-lhes milho, água, ração, remédios. Tão apegado a elas fiquei que decidi dar-lhes nomes da forma com que se faz aos animais de estimação. Como elas cantassem bonito, batizei cada uma com nomes de cantoras de minha preferência, Wanderléa, Vanusa, Martinha, numa sincera homenagem nascida de minha mente sem malícias de inocente infante. Minha predileta entre as preferidas era uma bem mais rechonchuda que todas as outras e que tinha porte de rainha ao caminhar no terreiro. Por ter sua plumagem num lindo tom marrom e por seu canto poderoso, dei-lhe o nome de Alcione. Seu reino, poleiro e terreiro. Ali ela agitava suas asas marrons, tão brilhantes e cacarejava de afinadíssima forma. Uma belezura. Eis que um dia anunciou-se pelos corredores da casa a vinda de um irmão de meu pai, tio Dario, que morava em Bauru e vinha nos visitar aproveitando o feriadão gerado pelo carnaval que se aproximava. Na véspera da chegada de meu tio, mamãe anunciou que ia matar umas galinhas para um lauto almoço de boas-vindas ao ilustre visitante. Meu coração disparou. "A Alcione, não! A Alcione, não, mamãe!" . Todos riram da minha aflição. Mas o que eu temia aconteceu e minhas preferidas terminaram seus cacarejantes dias em grandes panelas a meio de uma infinidade de cebolas, alho, cebolinha picada e congêneres. Lacrimoso, inconsolável, jurei a mim mesmo não tocar nos pratos feitos com minhas amigas. Chegado o momento do ágape o aroma dos guisados e assados invadiu minhas narinas de petiz, enfeitiçando-me. Minha mãe tinha mãos divinas ao cozinhar. Em uma travessa percebi aquelas coxas maiores e mais atraentes que as outras. Eram de Alcione, eu sabia. Com gestos mecânicos puxei a travessa e servi-me generosamente do peito e das coxas. Quase em transe, dispensei os talheres e sem ligar para o preclaro visitante, enfiei meus dedos naquele peito macio e cheiroso e o levei à boca ansiosa. Ah!, prazer dos prazeres! Meus olhos então se fixaram nas coxas de Alcione. Coxas belas, roliças, de maravilhosa cor dourada e capitoso olor. Caí de boca de forma descontrolada. E novamente minha língua passeou naquelas carnes divinas. Simplesmente delirante. O apetite saciado me trouxe de volta à realidade. Caí em mim e incontinenti percebi a grave traição em que eu incorrera com aquela descontrolada e quase antropofágica conduta. Saí da mesa correndo para que não pudessem notar minhas copiosas lágrimas. Era emoção demais para meus verdes anos de vida. Em um só dia conheci os inesquecíveis prazeres da carne, vindos das coxas macias, do peito aveludado de Alcione, a marrom. Desolado descobri que sou um fraco nas minhas convicções e que oscarwildeanamente resisto a tudo, tudo. Menos a uma tentação.
(230514)

Sting: eis que um deus visita o cacique Raoni e fala de Sir Elton John

 
Quando acontecem noites dos mais radiantes plenilúnios, os nativos do Xingu se reunem em torno de aconchegante lume para ouvir dos lábios dos seus macróbios e sapientes pajés miríades de misteriosas lendas e histórias plenas de magia e encantamento. Uma das mais belas versa que, em ensolarada manhã, um deus da música vindo de muito, muito longe, visitou um dia a tribo. Trazia ele em seu alforje um instrumento musical dantes nunca visto. O nome dessa deidade era Sting. Esse ser superior, de alvinitente tez, trouxe consigo para o Cacique Raoni e toda sua tribo uma canastra repleta de espelhos, colares, contas e miçangas que ele, com semblante sereno e feliz, passou a ofertar aos radiantes silvícolas. Em dado momento, ao abaixar-se para pegar mais bugigangas, o popstar e nume supremo deixou escapar sonoro flato. Sonoro, porém inodoro, como sói ser o flato de um correto súdito britânico. O indefectível ruído não passou despercebido aos atentos ouvidos de um guerreiro espadaúdo, alto e assaz musculoso que aproximou-se e olhando fixamente com seus amendoados e coruscantes zoinhos, sussurrou a Sting: "Índio não quer colar. Índio quer apito!" Inabalável, como bom súdito da Rainha, o camaleônico roqueiro, incontestavelmente espada e matador, redarguiu: "Mister Indian, este negócio de dar apito é com outro inglês, Mr. Elton John, que está vindo logo aí atrás em outra expedição!"
(20052014)

José Cândido de Carvalho e seu magnífico romance O Coronel e lobisomem

Sempre que posso releio "O coronel e o lobisomem", de José Cândido de Carvalho. Ou ao menos parágrafos que costumo marcar a lápis, quando gosto muito. E cada releitura, acreditem, é plena de renovada emoção, enlevo e contentamento. Tudo neste livro é maravilhoso e pra mostrar, reproduzo aqui um trechinho que dá uma boa mostra de como José Cândido constrói com rara maestria sua literatura feita de brasilidade, magia e encantamento: "Olhei em derredor. Um fogo de labareda, de cambulhada com um bater de patas, vinha do aceiro. Era o Diabo em seu trabalho nefasto. Pois ia ele saber quem era o neto de Simeão, coronel por valentia e senhor de pasto por direito de herança. Sem medo, peito estofado, cocei a garrucha e risquei, com a roseta, a barriga da mulinha de São Jorge. A danada, boca de seda, obedeceu a minha ordem. O luar caía a pino do alto do céu. Em pata de nuvem, mais por cima do arvoredo do que um passarinho, comecei a galopar. Embaixo da sela passavam os banhados, os currais, tudo que não tinha mais serventia pra quem ia travar luta mortal contra o pai de todas as maldades. Um clarão escorria de minha pessoa. Do lado do mar vinha vindo um canto de boniteza nunca ouvido. Devia ser o canto da madrugada que subia."
(10/10/2014)

26 outubro 2016

O japonês Noboru Yoshihara, o cartunista Biratan, o Boto Tucuxi

Rezam lendas indígenas do misterioso e exótico Pará que quando é noite de perfulgente plenilúnio, o cartunista parauara Biratan Porto sói converter-se no Boto Tucuxi e, assim travestido de Boto, sai por aí Botando geral, atendendo as súplicas de lúbricas moçoilas as quais, depois de devidamente Botadas, passam a ostentar perenemente em suas faces um esgar que denuncia uma intensa satisfação interior, sendo que - para desespero de pais conservadores - não há esculápio que retire de seus rostos tal expressão, como se pode ver nesta fotografia que comprova que este papo todo é mais que mera lenda papaxibé ou simples crendice popular. Esta belíssima foto aí, que estou usando para ilustrar esse post do blog, tomei emprestada do honorável nipônico Noboru Yoshihara. Para ver outras fotos tão incríveis e mais desenhos e caricaturas dele, vá ao seu blog: http://muyukobo.blogspot.com . 
Lembrando aos meus já bem ilustrados leitores que sempre vale a pena visitar o blog do Biratan Porto que, tirando esses incomodativos problemas de Botânica, é um cara super do bem, pra lá de porreta:  http://biratancartoon.blogspot.com . 
Para que eu não me me veja obrigado a me valer do meu proverbial domínio de capoeira em uso da mais legítima defesa, só espero que quando Bira vier aqui nesta Soterópolis, venha mansinho e respeitoso e não ouse Botar pra quebrar nessa afrocity, se engraçando com  meu harém composto de princesas núbias, de loiras oxigenadas e das morenas mais frajolas da Bahia. Sou da paz, mas não admito liberdades e ousadias com meu harém, com o qual mantenho a minha mais fiel fidelidade. E tenho dito.
(120813)

Falando um Português perfeito sem ajuda de le Professeur Antonio Sacconi

Sou um liberal avant la lettre. Quer dizer, lassez faire, lassez aller, lassez passer, mas com um olho aberto, por via das dúvidas. Sou do time da liberté, égalité et fraternité. Já fui um enfant terrible mas jamais um enfant gâté. Nem um franc-maçon. Sempre busquei encarar a vida como um bon vivant e tudo comigo é às claras, ali no vis-à-vis, no tête-à-tête. Nunca morei em chateau, só em modestas maisons. Fui sempre um gourmand mas nem sempre -ai de mim - um bon gourmet. Adoro cassoulet, bouef bourguignon, filet au poivre, e lambo os dedos saboreando um foie gras, mas não dispenso um bom soufflé e um caprichado ratatouille. Esse negócio de novelle cuisine não combina muito com meu estilo de sujeito de baixa extração. Já gostei muito de cognac (à la santé, mon ami Paulo Carrusô!) e de champagne. Mas nunca, mon Dieu, tive o prazer de saborear um Grand Cru como o Romanée-Conti. Ou um Le Montrachet. Mas quem sabe, um dia chego lá. Enquanto isto vou sorvendo um Capelinha, que prefiro chamar de Petite Chapelle o que engana os mais desatentos. Curto Vaudeville e adoraria ir no Moulin Rouge assistir um Can-can. Aprecio filmes noirNovelle VagueArt Naif, Art Noveau e as delícias da Belle Époque. Já Décor e Art Déco nem tanto, talvez por eu não ser um nouveau riche. Gosto de trabalhar com papier marché e com papier glacé. Tento desenhar e pintar e já para tal uso muito o papier couché, cada vez mais difícil de encontrar nesta Soterópolis. Primeiro faço debuxos e croquis depois uso Caran d'Ache. Adoro todas as cores mas não me falem em Les Bleus muito menos em Zidane. Sem falsa modéstia, sou coqueluche nas altas rodas de Montmatre e outros sítios menos votados. E nas minhas vernissages, sorvendo taças de um bom bordeaux, saboreio croissant,  croquete, petit-pois, crème brûlée e um bom petit gâteau au chocolat. Mon Dieu, mon Dieu! Alors, no balanço do Olodum, o meu au revoir para vocês, mons enfants de la patrie.
(040214)

Falando em Português perfeito, dispensando ajuda do Monsieur Professor Pasquale

Por falta de numerário jamais tive uma garçoniére. Nunca fui habituée de rendez-vous, em compensação frequentei muuuito o boudoir de uma madame muito distinta. Enquanto eu, muito cafona, envergava uma pochette, ela - muito chic - ia de nécessaire e manteau. E, para meu gáudio, essa femme fatale nunca usava soutien, ficando très jolie de lingerie, e assaz coquette em uma négligée preta e em um peignoir transparentemente revelador que era de matar le diable. Mas o que ela curtia mesmo era ficar au naturel para um tête-à-tête amoroso à luz difusa do abat-jour lilás. Ulalá! A frase que eu mais ouvia dela era "Voulez-vous coucher avec moi ce soit?" Eu sempre dizia "oui" sem falar uma palavra, de um modo que nem Marcel Marceau faria melhor. Ela sempre organizava uns soirées na base do petit-comité, onde eu era o piéce de résistance, que não sou fraco, não. E a danadinha sempre convidava uma certa mademoiselle muito cheia de predicados que fazia miché e - noblesse oblige - com um belíssimo derrriére de se comer rezando, sendo que a talzinha era uma mistura de uma jovem Catherine Deneuve com a Isabelle Adjani, e dona de um menu sexual ricamente sortido, sendo ela apetrechada de habilidades que me transformavam em um Marquês de Sade afro-baiano. Sacré bleu!, mas que pas de deux, que nada!, a gente se enroscava num ménage à trois alucinante - que eu não sou de ficar só nessa de voyeur - e lá vinham elas com miríades de bouquettes e eu com um verdadeiro pot-pourri de safadezas para atender a ambas, a todo instante solicitando minhas reentrées. Bem, se alguma coisa eu tenho nesta vida é savoir - faire em sacanagens de alcova e aí tome-lhe entrée e reentrée, entrée e reentrée e eu naquele déjà vu só vendo la vie en rose. Vive la différence! Insaciáveis elas vinham prá cima de moi, e eu, sendo o crème de la crème, não deixava barato e fazia minha parte comme il faut. E bota comme il faut nisto. Et alors, c'est fini. Ao som de La Marseillaise em ritmo de samba eu digo au revoir.
(030214)

Para falar bem a Língua Portuguesa não é preciso ajuda do Professor Sérgio Nogueira

 
Moro longe, pra lá da Conchichina. Tenhor pavor de pastor alemão e de gripe espanhola. Tenho mania de comer pão francês com molho inglês . Nunca dirijo um Toyota, um Mitshubishi ou veículos da Asia Motors quando em mão inglesa. Democracia? Plebiscito? Tertius? Pra mim vocês estão falando grego. Loja de artigos de R$1,99: eis o verdadeiro negócio da China. Pra consertar guitarra baiana, uso chave inglesa. Tive um canário belga que cantava Brasileirinho. Você costuma comer americano? Eu prefiro traçar o bacalhau da bela portuguesa, quer dizer, um belo bacalhau à portuguesa. Empresas judias jamais adotam semana inglesa. Em Milão todo bife é à milanesa. Na Ásia toda febre é amarela. Na Rússia toda salada é russa. Na França todo beijo é francês. Na Turquia todo banho é turco. Aliás, nesse calorão, banho turco grátis é presente de grego. Só falsos amigos nos servem uísque paraguaio. Quem tem boca vai à Roma e come pizza alla napolitana. No Japão faça como os japoneses e nunca peça bife à cavalo, mesmo porque você pode acabar comendo basashi, que é um sashimi feito com carne de equino e aí sua indigestão pode ser cavalar. E a proposito, estando na China jamais peça um cachorro-quente. Você pode ter uma surpresa quando lhe trouxerem o prato. Meu parco francês é só pra inglês ver e quando a coisa está ficando russa eu saio à francesa.
(040214)

Não é preciso Pasquale, Sacconi ou Sérgio Nogueira para se falar bem o Português

 
Não sou nenhum mulato inzoneiro mas sou pleno de malemolência. Sou um cara do balacobaco,  cheio de borogodó e de ziriguidum. Sou vacinado contra tudo que é ziquizira. Nunca fui de encarar nenhuma tribufu e comigo não tem ingresia, não tem trelelê, nem  forrobodó. Na hora do bafafá faço a maior quizumba, não sou de dar piriri, nem piripaque e muito menos caruara. Comigo, distinto, não tem trelelê nem trololó. Chego enfiando sapecaiaiá, distribuindo catiripapo e o fuzuê vira um quiproquó de fazer gosto e tudo acaba no maior bundalelê.
(04022014)

25 outubro 2016

Sexo de graça / Jantarzinho romântico com altas vibrações

(1111212)

Toda mulher encalhada tem razões de sobra para ser feliz.

Solteirona, sim. Mas numa boa!
Fiel leitora, tá certo que você não seja lá nenhuma Gisele Bündchen. Que, na verdade, você tem dentes tortos e amarelados, mau hálito, buço espesso, joanetes, varizes, estrias e montanhas de celulite, mas isto não é motivo para ficar chorando copiosamente, desolada, pensando que, pelo simples fato de ser uma tremenda baranga, um verdadeiro dragão, a homaiada não vai querer nada, nadinha com você. Melhor, muito melhor assim, acredite, doçura. Saiba você, barangosa amiga, que os homens, esses sórdidos incorrigíveis, costumam ter defeitos bem piores que os da mais imperfeita das mulheres e é preferível estar só do que mal acompanhada, que mais vale ouvir comentários de que você ficou pra titia do que ter o dissabor de passar o resto da vida ao lado de um Zé Mané qualquer, aturando aquelas insuportáveis manias típicas dos machos da espécie.
Em seu benefício e o de todas as mulheres, listamos aqui uma série de defeitos comportamentais exclusivamente dos homens para provar definitivamente que não vale a pena você juntar-se a um safado desses, sendo bem melhor viver sozinha, desfrutando de uma feliz e prazerosa existência de solteirona. 
Um homem, uma mulher... e um W.C.
Seguindo uma antiga tradição machista criada para enlouquecer as mulheres, os homens quando vão ao banheiro para fazer o number one, jamais levantam a tampa do assento do vaso e ela acaba toda batizada. Então quando você, toda charmosa, entra no banheiro para fazer aquele xixi básico de princesinha de conto de fadas, depara-se com aquele tsunami amarelado, horror dos horrores. Aí, é claro, você faz a coisa mais sensata e racional que uma mulher equilibrada deve fazer em um momento desses, que é dar uns estrondosos berros nos ouvidos do calhorda. Ele, na maior desfaçatez, vai fazer pose de inocentíssimo e com a mais lambida cara de vítima, dirá que você anda muito, muito estressadinha. 
De príncipe a rei... do desleixo.
 Sendo mulher, você é uma romântica incorrigível. Um belo dia, por sei lá quais enganos e equívocos, fica achando que um sujeito qualquer é o seu príncipe encantado e, cheia de ilusões, casa-se com ele. Pobre amiga! Depois de um tempo, você se dá conta que ele foi perdendo todo o charme que você enxergava nele, que foi ficando careca, barrigudo e andando com a barba sempre por fazer. Enfim, deixou de ser príncipe encantado e virou um similar do Shrek, um tremendo ogro. 
Sim!, ele é o maior... o maior engano da sua vida!
Na fase do namoro o homem porta-se como um cavalheiro, abre a porta do carro para você, lhe cobre com as mais olorosas flores e a leva para passear por recantos paradisíacos, maravilhosos. Depois de casado ele dá mostras do sujeito imprestável que é, vai se acomodando e quando não está entornado engradados de cerveja, fica no sofá da sala vendo futebol na TV ou no quarto, roncando de forma insuportável, ou zanzando pela casa, só de cuecas e meias furadas, soltando sonoros flatos e azedíssimos arrotos. 
É a mãe! É a mãe!
Os homens, delicada amiga, são muito mal educados e um belo dia, querida leitora, este grosseirão ofende sua mãezinha, aquela santinha sem máculas, a melhor entre todas as sogras, chamando-a de jararaca velha. Tudo porque ela, pessoa experiente e sábia, fundamentada em sua elevada sapiência, disse umas necessárias verdades para o calhorda. Ao ouvir tais disparates contra sua imaculada genitora, você retruca dizendo que a mãe dele, sim, é que é uma cascavel com chocalho e tudo. E a pancadaria rola solta na casa de Noca. 
Como virar uma mocreia sem sair de casa.
Para manter seu corpo sarado, um bumbum empinado e aquela cinturinha de tanajura, você gasta  uma nota preta e se submete a uma sacrificante rotina, sofre horrores em exaustivos exercícios nas academias. Aí vem um pilantra com uma conversinha mole, cheia de promessas vazias. Quando um dia você cai em si, percebe que sua barriguinha sarada cedeu lugar a um monte de pneuzinhos, seus cabelos e unhas estão um lixo, sua pele parece uma lixa número 5. Ainda por cima, sem que você se desse conta, o vagabundo encheu você de filhos, e os pirralhos passam o dia depredando aquele imóvel que você julgava ser seu inviolável lar ou agarrados à sua saia por todos os cantos da casa. Um desses pirralhos está com a fralda cheia de caca, outro engoliu metade da garrafa de detergente pensando ser refrigerante, outros dois querem mamar em seus peitos, agora já bem caídaços, por sinal. Enquanto isto, alegando que não suporta mais tanto barulho, o sacripanta diz que vai dar uma caminhada para relaxar e se manda direto para um boteco pra encher a cara com aqueles amigos debilóides de Q.I. iguais ao dele. E quando passa uma periguete cheia de curvas, peitões e um bumbum tamanho GG, ele diz: “Isto é que é mulher e não aquela mocreia que eu tenho lá em casa!”
Amiga querida, agora que você já está consciente da verdade sobre os homens, jogue fora seu lencinho encharcado por lágrimas derramadas em vão. A viver sua vida ao lado de um verme desses, é preferível vivê-la só, docinho. E que se danem as línguas maledicentes das vizinhas fofoqueiras, falando pelas suas costas que você é uma solteirona, uma encalhada. Solteirona, sim, encalhada, sim, mas por opção própria. E muito, muitíssimo feliz, por sinal! 
                            ( 17/02/13 )

24 outubro 2016

Danusa se recusa e oclusa não se escusa / Postagem no Facebook number 4

I love Paris in springtime. E quer saber, Mr. Cole? Adoro também no summer, no fall e no winter. Vou lá quantas vezes me dá vontade de ir e cada vez gosto mais. Aquela famosa justificativa da Danusa Leão de não querer mais saber de ir a Paris temendo o dissabor de em parisienses logradouros dar de cara com o porteiro do seu prédio, me cheira mais à desculpa esfarrapada de quem está na pior, mal de finanças, lisa, sem plata, money, l’argent. Li que a ex-dondoca, que já teve seus dias de fausto, pompa e circunstância, hoje não tem grana nem para comprar a prestações um desses pacotes de agências de viagens ou para embarcar em um vôo charter mais lotado que qualquer buzu da periferia em horário de rush. Até que eu compreendo o drama da perua, nem todos têm minha profissão de cartunista e a polpuda conta bancária que os cartuns regiamente me trouxeram. Com a fortuna que amealhei, entre outros mimos, adquiri um confortável jatinho para mim. Quando me bate uma vontade de comer pão francês não vou à padaria da esquina, vou à França e lá me farto com o pão francês original, os mesmos que alimentam a Amélie Poulain, a Isabelle Adjani, a Catherine Deneuve. E quando minha libido exige um beijo francês de verdade, é também pra lá que vou encontrar uma certa mademoiselle que em Montmartre me foi apresentada pelo Juarez Machado, sendo ela do tipo mignon com um derrière très jolie de fazer inveja a qualquer mulata bem servida. E é bom parar o papo por aqui porque eis que ele já envereda por rumos periculosos e isso aqui é um perfil de respeito. Au revoir, mons enfants de La Patrie.

1. BOB MARLEY. Papel Opaline, 180 gramas, esboço com grafite B, caneta nanquim descartável, retículas, um quase nada de Photoshop.
2. CANTORA DE CABELO COR DE ROSA. Tinta acrílica sobre tela de 1,50 x 1,00m.
3. CANTORA E MÚSICOS COM CAMISAS VERMELHAS. Tinta acrílica sobre tela de 1,50 x 1,00m.
(11/02/2015)

23 outubro 2016

Deputado Ulysses Guimarães, em estilo punk / Arte que se reparte 4

Para muita gente todos os políticos brasileiros são desonestos, oportunistas, corruptos, venais e arrivistas. Motivos não faltam para que prevaleça essa certeza de tantos. Mas vale lembrar que no Brasil tempo houve em que a população levava a maior fé em determinados políticos e a eles entregava a missão e o sonho de construir um país melhor para todos os cidadãos. E eles não decepcionavam, atentos aos anseios do povo em nome da democracia empunhavam bandeiras populares urgentes e sem decepcionar, se empenhavam para fazer com que o país fosse de fato mais justo. Os brasileiros mostravam seu reconhecimento dando a esses políticos carinhosos epítetos. Teotônio Portela era chamado de "O menestrel das Alagoas". Já o inesquecível Ulysses Guimarães era chamado de "Senhor Diretas", por sua decidida participação na campanha das Diretas Já. Para homenageá-lo fiz essa caricatura dele, mostrando que seus quase 80 anos eram só um detalhe.
***A arte acima foi feita em papel Schöeller Hammer 4R, 250 gramas, grafite B para o esboço artefinalizado com nanquim e dois pincéis Kolinskys, sendo um número 2, novinho, e um velho número 4, desgastado, já bem, bem acabadinho. O novo foi utilizado nos traços do contorno, tendo o véinho sido usado com as cerdas abertas, levemente embebidas em pouco de nanquim numa antiquíssima técnica chamada pincel seco, que dá uma textura bonita e que é uma gostosura e faz qualquer artista trabalhar com um sorriso nos lábios.
(180215)

Antonio Conselheiro visto pela imprensa de sua época / Arte que se reparte 5


A ilustração que hoje posto mostra a imagem que a imprensa da época fazia de Antônio Conselheiro, como se pode constatar no livro Humor e Sátira na Guerra de Canudos, da escritora e emérita Professora Lizir Arcanjo Alves que pesquisou a fundo tal página infeliz na nossa História, passagem desbotada na memória de nossas novas gerações. Fiz esta ilustração para o citado livro buscando passar para os leitores a versão dos jornais de uma época em que a República ainda engatinhava. Os jornais, é claro, eram de propriedade de famílias das classes dominantes, e eles buscavam fazer com que as pessoas enxergassem as coisas da maneira que seus mui privilegiados proprietários enxergavam. Gente nada heróica foi galgada ao posto de herói da Pátria, gente que nada devia à lei foi dada como bandido dos piores, tudo para atender a mídia daquela época de antanho. Nesse aspecto, as coisas não mudaram muito nos tempos atuais.  
*** Quanto a esta arte aí no alto, ela foi feita em papel Westerprint 180 gramas, com grafite B, usado para esboçar, e uma providencial caneta nanquim, do tipo descartável, para a arte-final.
(190215)

Novela e polícia / Humor de graça

(300412)

Bundamolismo e cabotinismo / Postagem no Facebook number 3

Nem bem se esvanece o rocio e este estóico cartunista já está em plena atividade no Central Park, na mui frígida atmosfera dessa Big Apple, malhando espartanamente. Mister se faz ter hercúleo físico para poder superar as cotidianas barreiras encontradas por um genuíno cartunista. Nós, os cartunistas autênticos, vivemos eternamente em pugna imensa contra as mazelas impingidas à raça humana, inerme e desprotegida, ainda que armada esteja. Tamanha dedicação não impede que tantos não nos reconheçam como seus legítimos e heroicos protetores e que nos dirijam injustas e indevidas ofensas. E se extremistas armados nos trucidam em mortais ataques, comemoram aos gritos de “bem feito, bem feito!!”. Miríades de brasileiros incorrem em tais abomináveis equívocos e em terras tupiniquins não faltam os que nos apodem de quixotescos e, de forma chula, nos chamem de bundas moles. Pensar nisso me faz intensificar a malhação dos meus bíceps, tríceps e principalmente dos meus glúteos para enrijecê-los de forma pétrea. Bunda mole é mãe!
***Neste post mais três trabalhos de ilustração, como me exigiu o cacique Biratan, que é minha participação em um projeto mostrando trabalhos de artistas gráficos exibidos no Facebook. Na sessão de hoje, numa homenagem ao assaz laureado cineasta Lima Barreto, nada de techinicolor, só sertão nordestino, cangaço e cangaceiros em P&B.
1. O HERÓI, história em quadrinhos com argumento e roteiro do graaaaande Gonçalo Júnior, ainda inédita. Arte feita em papel Opaline 180 gramas, grafite B e caneta nanquim descartável.
 2. ROSTO EM CLOSE DO CONSELHEIRO, ilustração para revista. Monotipia feita com tinta preta em bisnaga para paredes e papel ofício.
 3. CANGACEIRO E BANDO. Ilustração para livro, Fakexilo, uma simulação de xilogravura feita com guache branco em papel preto.
(11022015)

Orangotango no tangolomango / Postagem no Facebook number 2

Densa e impenetrável é a selva que me cerca, indecifrável, ameaçadora, ruidosa. Dentre as miríades de ruídos meus ouvidos treinados distinguem o som dos tambores selvagens da amazônica tribo Papaxibé. Mister se faz aqui esclarecer que me refiro à única jângal que conheço, a selva de pedra da Big Apple, onde moro desde tenra infância, tendo aqui sido criado por um orangotango, primata assim chamado por gostar de ouvir o ritmo musical consagrado por Gardel. Quanto ao som de tambor trata-se meramente do toque do meu celular de última geração, presente que recebi do cacique Biratan, verdadeiro silvícola alencariano, espadaúdo e viril de fazer babar qualquer Ceci. Eis que ele me liga exigindo que eu poste mais 3 trabalhos meus no Facebook na qualidade de participante de um projeto envolvendo artistas gráficos. Pois aqui vão eles, preclaro morubixaba.

1. MACHADO DE ASSIS, cidadão brasileiro, mulato, considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Arte feita em papel Opaline, 180 gramas, grafite B, caneta de ponta porosa, cópia xerocada e pintada com ecoline, lápis Caran d'Ache, brilhos e luzes feitas com guache branco e pincel Kolinsky bem como com líquido corretor. Publicado no caderno cultural de uma gazeta.
2. MORTE DE LAMPÍÃO, uma fakexilo, que é uma simulação da arte da xilogravura, feita com guache branco sobre papel preto. Cansa bem menos do que esculpir a madeira com goivas. Ilustração para livro Dadá, do escritor e cineasta José Umberto Dias.
3. GLAUBER ROCHA E ANTONIO DAS MORTES, desenho feito com grafite B, caneta nanquim descartável, recortado e montado sobre retícula xerocada. Ilustração para livro.
(Publicado originalmente em 11/02/2015)

22 outubro 2016

Aninha Franco, Gerônimo, eu e um dos milhões de gaiatos da Bahia


A cada passo um gaiato nato que nos atormenta o dia-a-dia e eis aqui a cidade da Bahia. Meu caro Boca do Inferno, se outros países necessitassem desesperadamente de gaiatos e a Bahia tivesse permissão para exportar tipos que tais, daqui eles sairiam às toneladas acondicionados em infindáveis contêineres, e teríamos um PIB tão elevado que ricos seríamos todos neste afrobaiano torrão. Ser gaiato é qualidade inerente à grande maioria dos baianos. E um sujeito sério como eu não tem vida fácil nesta terra. Por exemplo, quando vou ao Pelô, gosto de almoçar no Restaurante Axêgo. E o sacripanta que é dono do local - cujo nome aqui não declinarei para não dar ousadia - ao me ver chegar me recebe invariavelmente de duas formas. Se estou com meus longos cabelos presos em rabo-de-cavalo, com um largo sorriso grita para mim lá detrás do balcão: "Gerônimo! Seja bem-vindo!", fingindo se equivocar. Depois complementa, com aquele sorrisinho sacana, que eu e o cantante de "Agradecer e abraçar" somos um o focinho do outro, esculpidos e encarnados ou cuspidos e escarrados, como preferirem. Menas verdade diria nosso amado Presidente Lula. Tenho em casa um espelho que está comigo há muitos lustros - lustros na idade, no espelho nem tanto assim. Esse espelho é de minha inteira confiança, nunca falta com a verdade, por isto mesmo sempre enche minha bola e me afirma que estou a cada dia mais parecido com o Brad Pitt, com o Alain Delon de 30 anos atrás. Já Jerônimo muito me pesa dizer que seu único e indiscutível atributo de beleza está na pena que usa no alto do cocoruto a título de adereço. Então, prefiro dar um voto de confiança na sinceridade do meu espelho que tem relevantes serviços prestados a este vivente que vos escreve estas mal digitadas linhas. Ah, a segunda forma: se chego ao Axêgo com meus cabelos soltos, as melenas levemente onduladas livres ao vento qual um indômito silvícola alencariano de olhos garços, o tal proprietário me saúda gritando: "Aninha Franco! Que bom lhe ver!" Aninha se alguém ainda não sabe, é teatróloga e escritora entre outros pendores que ostenta. Admiro seu intelecto, mas ser sósia dela não é exatamente o que almejei para mim na vida. Entretanto uma coisa já constatei: quando - segundo o gaiato em questão - "estou" Jerônimo não consigo a façanha de ter mulheres me olhando com os zoim compridos cheios de quebranto, promessas e desejos inconfessáveis. No entanto quando "estou" Aninha Franco, costumo abiscoitar para meu harém algumas núbias curvilíneas e gringas com sardas, queimadinhas de sol e cheias de love to give, sendo que já recebi inúmeros torpedos de morenas frajolas nativas, que mulher baiana quando está a fim de alguém não é de muitos pudores, formalidades e etiquetas. Por via das dúvidas, agora ando sempre de cabelos soltos Pelô afora. E mesmo quando o supracitado sacripanta ao me ver passar sob seu balcão grita para mim: "Aninha Fraaaanco!", respiro fundo, sigo em frente o meu caminho com a tranquilidade de quem está numa boa e nem tchum pra ele. Mais importante é meu harém.
(060414)

Música para se ouvir. Música para se ver.

Música. Ontem, hoje, agora, ainda e sempre. Gravada ou ao vivo, via rádio, seja AM ou FM, em CD original ou pirata, no MP3, no computador, na trilha sonora de filmes, de novelas, de minisséries televisivas, no coreto da praça, na viola de um cego cantador, no repente surpreendente do eminente repentista, na tuba, no contrabaixo, no alto falante do circo mambembe, na flauta doce ou salgada, na gaita, no saxofone, no violino de som fino, no oboé ou não é, no bandonione, no fagote, no violão, na guitarra, no contrabaixo, no cavaquinho, no bandolim, no banjo do arcanjo, na lira, no fole prateado, só de baixo 120 botão preto como nego empareado, na zabumba, nos oito baixos de Januário, nos pífanos, no pandeiro, no reco-reco, bolão e azeitona, na cuíca, na tumbadora, no piano de cauda, no berimbau, na guitarra havaiana, na guitarra portuguesa, na guitarra baiana, plugged ou unplugged. Música. Música até mesmo feita com tinta acrílica, como nesta pintura aí em cima, que, com mucho gusto, fiz em uma tela de 1.70x1.00m. Música, ah, qualquer música! Samba, rock, baião, xaxado, maxixe e jiló, jazz, tango, fado, valsa, frevo, coco, maracatu, corta-jaca, tarantela, samba-de-véio, samba-duro, samba de roda, samba-reggae, samba-rock, samba de breque, samba de black, blues, bossa-nova, cumbia, reggae, bolero-lero-lero-lero, no beguin the beguine. Música. Música. Música! Excetuando-se a unanimemente indesejada marcha fúnebre, qualquer música, ah, qualquer, logo que me tire da alma esta incerteza que quer qualquer impossível calma!

Branca de Neve e seu beijo gelado / Sexo de graça

(121012)

Dedo-duro convicto / Humor de graça

(221013)

Complexo de inferioridade e analista / Humor de graça

(111013)

Funk, Punk, Skunk / Humor de graça

(231113)

Vacas despeitadas / Humor de graça

(210413)

21 outubro 2016

Furor uterino / Setubardo fescenino

Acordo tarde, bem tarde,
Com uma ressaca ingrata
Depois de uma noite daquelas.
O ar puro quase me mata
Quando abro as janelas.
Meu espelho indeciso
Nem sabe o que me revela
Esta cara, este siso...
Serei eu ou será ela?
Vomito as tripas no vaso
Gemendo, sentindo dor
O que nós temos, um caso?
É paixão, engano, amor?
Ela mal fala comigo
É volúpia, sofreguidão
Me toma qual objeto
Seu escravo predileto
Em pé, na cama, no chão.
Esta musa obtusa
Esta górgone Medusa
Traz letal ninfomania
Nos trejeitos de vadia.
Tem modos de meretriz
Tem cara de perdição
Pra cada transa, um bis
O seu sexo, vulcão
Mas - ai de mim! - sou feliz
Quando me diz:
Vem, tesão!!
(01/05/11)