25 setembro 2016

Flavio Colin / Uns caras que eu amo 1

Era eu ainda um pequerrucho, tinha lá uns bem vividos 7 anos quando os primeiros desenhos do maravilhoso Flavio Colin saltaram impactantes em minhas mãos. Impressionado, boquiaberto, falei pra mim mesmo: "Puta que o pariu! Os desenhos deste cara são do caralho!" Quer dizer, falar isto não falei, vez que eu nada mais era que um petiz de alma pia e imaculada e palavrões que tais não cabiam numa ânima tão cândida. Além do que, os revolucionários anos setentas ainda não haviam chegado, instaurando de vez o nu artístico nos palcos e nas telonas e muito menos palavrões de calibres diversos na boca do povão deste patropi abençoá por Dê, quanto mais na de um singelo e pudico infante de calças curtas. O que importa é que aqueles desenhos fundiram minha cuquinha de menino com olhos abertos para o cinema e para os quadrinhos. E o traço de Colin, que caminhava pela mesma senda de Frank Robbins, Chester Gould e Milton Caniff, renovava e enriquecia o estilo e em mim despertaram uma paixão que carrego pela vida toda, babando ao ver ou rever os desenhos do Mestre dos Mestres. Flavio, sempre fantástico, usava tão somente lápis, pena e pincel. Bastava isto para o cara ser genial. Ah, e um mar de nanquim em que ele navegou essa sua genialidade em preto e branco. Tudo que ele desenhava nos transmitia o quanto ele era diferenciado, evidenciava sua alta criatividade, sua determinação, personalidade, ousadia e um vigor que jamais voltei a encontrar nas montanhas de quadrinhos made in Brasil que li. Flavio Colin, eternamente fenomenal. Saudades, muitas saudades.            (Publicado originalmente em 11/06/13)