21 outubro 2016

Madonna è mobile (do que uma mulher perdidamente apaixonada é capaz)

Em pleno inverno novaiorquino estava eu em meu badalado studio no Soho pintando um quilométrico portrait da Madonna que a própria diva pop me havia encomendado em pessoa. Ah, mas nem tudo são flowers na vida deste cultuado multimídia soteropolitano que vos mimoseia com estes textos que Oscar Wilde assinaria prenhe de orgulho. Para meu lamento, apesar de se dizer uma eterna ardorosa amante de Jesus, a blonde girl quando se reta vira uma nigrinha dada a barracos, bafafás, pitis e quiproquós. Só que euzinho também tenho lá meus calunduns e não sou de levar desaforos para minha cobertura do Upper East Side, em Manhattan. Assim, depois de um formidável lug-tail ( arranca- rabo ) com a Material Girl, dei um sonoro so long para a ex - Sean Penn, peguei um jatinho e troquei a Big Apple por uma big moqueca de Papa-fumo - marisco de respeito - na Barraca Ó Paí ó, de Tia Marizete em Cacha-Pregos, na baianíssima e assaz paradisíaca Ilha de Itaparica. Com direito a uma caipiroska de siriguela e uma loira geladíssima - e não estou me referindo à Madonna. Quanto à cantora, belatriz e quase atriz, conheço muito bem a fera. Não demora, passada a raiva ela me liga chorando copiosamente cheia dos "come back, come back". Mas desta vez garanto que não saio tão cedo do meu palacete no Vale das Muriçocas nem por todas as verdinhas da terra do Tio Sam. E qualquer integrante de fã-clube da pop star que apareça em meu recôndito valhacouto pedindo que eu ceda às súplicas de La Madonna, será devidamente rechaçado por meus mastins e pitbulls. E se não debandarem correm sério risco de terem as partes pudendas abocanhadas por um deles e aí vão passar o resto da vida cantando "Like a virgin" com a voz em falsete qual um Farinelli pop.
(31/04/13)