25 agosto 2016

Jacques Tati, Monsieur Hulot, a França, o Humor maior / Uns caras que eu amo 10

François Truffaut, Jean-Luc Godard, Allain Resnais, Luc Besson, Louis Malle, Claude Lelouch, Jacques Tati. Mon Dieu!, mon Dieu!, são tantos e tão fantásticos os cineastas que a França já produziu! Reunidos aos mais formidáveis atores franceses, esses cineastas nos brindaram com magníficas obras que engrandecem essa arte maior que é o Cinema, produzindo ricos trabalhos nos mais diversos estilos e gêneros, estando entre eles as mais hilárias comédias. Um bom cinemaníaco que teve a fortuna de ver na grande tela do cinema uma comédia francesa feita por diretor e comediantes de elevada qualidade, jamais haverá de esquecer o que viu. Digo isso e penso logo no sempre surpreendente Jacques Tati, diretor, argumentista, roteirista e ator de formidáveis performances humorísticas que brindou o mundo dos cinéfilos com inolvidáveis filmes que qualquer candidato a cinéfilo juramentado deve urgentemente assistir. Jacques Tati pode ser chamado de genial que não haverá nenhum exagero nessa assertiva, tão maravilhosamente criativos são seus trabalhos cinematográficos. Seu humor, cuidadosamente estudado, arquitetado, pesado, medido, contém mensagens sutis que revelam o olhar crítico do autor, sendo brilhantemente raro, fugindo dos maneirismos e dos lugares comuns, do humor fácil e rasteiro de certos autores que, equivocadamente, intentam seduzir o público valendo-se de recursos óbvios e criativamente paupérrimos. O humor de Tati é único e caminha por vias próprias, permanecendo no patamar mais elevado da criatividade, diferenciado, pleno de ineditismos, sofisticado, meticuloso, surpreendente. Valendo-se muitas vezes de Monsieur Hulot, seu alter ego, Jacques Tati produziu verdadeiros tesouros do Humor de da Arte. Difícil escolher qual o melhor de seus trabalhos. Pessoalmente adoro “As férias do Monsieur Hulot”, rodado em P&B, uma película para se assistir prazeirosamente um bilhão de vezes, com atenção, intentando deslindar cada detalhe concebido pela mente de Tati, valendo-se do impensável, de personagens cativantes e gags engraçadíssimas, da música e dos efeitos sonoros. Tudo isso vale também para “Playtime” e “Meu tio”. Para quem é fã desse cineasta francês, uma grande alegria foi saber que em 2010 foi produzido uma maravilhosa animação franco-britânica chamada “L’illusionniste”, no Brasil foi batizado de "O mágico". Esse belíssimo trabalho de animação que ganhou, entre outros notáveis prêmios, o César de animação em 2011, sendo que foi feito com argumento de Sylvain Chomet, a partir de uma obra inédita de Tati, sempre brilhante e atual. Uma homenagem à altura do fantástico cineasta, ator e ser humano, Jacques Monsieur Hulot Tati.

23 agosto 2016

Aproximações entre Psicanálise e Cinema, no livro de Vítor Souza

Entre as coisas que muito amo nesse mundo, mundo, vasto mundo, estão as Artes. Entre essas Artes, mágico, retumbante e altaneiro, está o Cinema, bem na primeira fila das minhas preferências. Desde Celia Cruz, quando eu era un niño de Jesus, que a incrível magia do cinema me pegou e ver um bom filme sempre me fez rir, chorar, vibrar, viajar, me apaixonar, indagar, refletir. Filmes que assistimos podem ser tão apaixonantes que muitos deles findam por se abancarem em nossas memórias de forma perene. Da criação inicial até o produto finalizado, tornar um filme uma obra de Arte é como tornar real um sonho. Isso só é possível de se realizar graças à qualidade dos competentes e criativos profissionais selecionados e reunidos em bom número em torno de uma paixão comum, algo que vai além de uma mera profissão. Essa paixão vira combustível que se alia à técnica, ao preparo profissional adequado, à experiência nesse campo artístico e ainda a outros elementos, estando entre esses a Psicanálise, utilizada na criação, do argumento aos personagens. Através do livro escrito por Vitor Souza, intitulado “Sonhos que vimos juntos – A aproximação entre Psicanálise e Cinema”, me foi possível aprender mais sobre a influência das consagradas teorias psicanalíticas desenvolvidas por ninguém menos que Sigmund Freud, que em 1895 publicou seu hoje cultuado livro “A interpretação dos sonhos”. Tais interpretações relatadas no livro do dito Pai da Psicanálise foram de enorme importância para a compreensão da mente humana. No mesmo ano de 1895 mais dois fatos significativos marcaram positivamente a História, sendo um deles carregado de total ineditismo, a primeira exibição pública de um filme, “A chegada do trem na Estação Ciotat”, façanha possível graças ao Cinematógrafo, pioneira invenção dos irmãos Auguste e Louis Lumière. Apesar da sua maravilhosíssima invenção, a dupla de irmãos franceses não era ungida por maiores pendores artísticos, nem pela criatividade e a fantasia, sendo que ambos queriam apenas usar o Cinematógrafo para fazer prosaicos registros formais de cenas do cotidiano. Aí entra o segundo e altamente importante fato do memorável ano de 1895: na pequena  plateia que teve o privilégio de assistir ao filme projetado pelos Lumière, estava uma figura a quem todos os cinéfilos e cinemaníacos em geral devem incansavelmente reverenciar de forma fervorosa, o ilusionista Georges Méliès. Diferentemente dos pioneiros irmãos franceses, Méliès felizmente era dotado de uma visão além do alcance e percebeu de cara as infinitas possibilidades que existiriam ao se mesclar as imagens em movimento com o mundo dos sonhos e da fantasia unidos a altas doses de criatividade. Georges Méliès, inventivo e até mesmo um visionário, foi o grande diferencial que possibilitou o desenvolvimento dessa rica forma de expressão que é o Cinema como conhecemos nesse mundo hodierno.Tal é sua força comunicativa, tão imenso sempre foi seu poder de penetração entre as pessoas que logo transformou-se em uma formidável indústria de entretenimento. Vale repetir a importância da Psicanálise no Cinema, enfoque do bem escrito livro de Vitor Souza, que evidencia como personagens e argumentos são arquitetados com mais propriedade por quem sabe dispor dos elementos contidos nas teorias psicanalíticas. Curioso lembrar que nem Freud nem os irmãos Lumière cogitaram tal funcionalidade para suas criações, o que mostra a grande bobagem que é essa fábula discriminadora em que a laboriosa formiga é mostrada como sendo superior à cantadora formiguinha multimídia. Também é formidável ver que após servir de apoio ao Cinema, a própria Psicanálise aprendeu a se valer dele como importante auxiliar no tratamento terapêutico. O livro de Vitor Souza nos fala de todas essas peculiaridades que unem Cinema e Psicanálise e cita, entre outras, películas como “Um corpo que cai” e “Psicose”, de Alfred Hitchcock, e “Um estranho no ninho”, de Milos Forman, que ajudaram a difundir de forma significativa conceitos freudianos. Sobre a criação artística, Freud dizia que ela representa a expressão dos primeiros prazeres da infância que os adultos acabam por perder de vista ou mesmo inibir, mas que o artista permanece conectado a essa essência, por isso a desenvolve e a compartilha através de sua obra. Entre essa obras, é fácil perceber o papel mais que importante da hoje chamada Sétima Arte, também nascida naquele mesmo benfazejo ano de 1895 em que veio ao mundo o famoso livro de Freud, o que praticamente torna Cinema e Psicanálise dois irmãos gêmeos cheios de formidáveis identificações.

20 agosto 2016

No momento da atração sexual o perigo abunda / Sexo de graça 3


Música para se ouvir. Música para se ver.

Música. Ontem, hoje, agora, ainda e sempre. Gravada ou ao vivo, via rádio AM ou FM, em CD original ou pirata, no MP3, no computador, na trilha sonora de filmes, de novelas, de minisséries televisivas, no coreto da praça, na viola de um cego cantador, no repente surpreendente do eminente repentista, na tuba, no contrabaixo, no alto falante do circo mambembe, na flauta doce ou salgada, na gaita, no saxofone, no violino de som fino, no oboé, no bandonione, no fagote, no violão, na guitarra, no contrabaixo, no cavaquinho, no bandolim, no banjo, na lira, no fole prateado, só de baixo 120 botão preto como nego empareado, nos oito baixos de Januário, no pandeiro, no reco-reco, bolão e azeitona, na cuíca, na tumbadora, no piano de cauda, no berimbau, na guitarra havaiana, na guitarra portuguesa, na guitarra baiana, plugged ou unplugged. Música. Música até mesmo feita com tinta acrílica, como nesta pintura que fiz, com mucho gusto, em uma tela de 1.70x1.00m. Música, ah, qualquer música! Samba, rock, baião, xaxado, maxixe e jiló, jazz, tango, fado, valsa, frevo, coco, maracatu, corta-jaca, tarantela, samba-de-véio, samba-duro, samba de roda, samba-reggae, samba-rock, samba de breque, samba de black, blues, bossa-nova, cumbia, reggae, bolero-lero-lero-lero, no beguin the beguine. Música. Música. Qualquer música, ah, qualquer, logo que me tire da alma esta incerteza que quer qualquer impossível calma!

Roberto Corinthians Rivelino, o magnífico.

O imenso bigode nietschiniano indica que esse cara aí foi um grande e respeitado pensador. Não há como contestar isto, gentis leitores. Embora seus melhores trabalhos legados à humanidade não constem em nenhum dos compêndios da literatura universal, esse rapaz era um grande, um formidável pensador. Ostentando o número 10 nas costas de sua camisa do S.C. Corinthians Brasileiro, sagrado manto, ele pensava, pensava, racionalizava, arquitetava, construía, tecia o jogo do meu glorioso, salve, salve, Coringão do Parque São Jorge. Lá ele chegara ainda imberbe e ali seu bigodinho foi crescendo, crescendo até virar um frondoso e imponente moustache. E seu futebol também cresceu, cresceu, cresceu ainda muito mais, virou craque diferenciado aqui e no vasto universo do esporte bretão. Nós, torcedores mais atilados, já víamos isso nas partidas preliminares, ele arrasando no time corintiano de aspirantes, passagem de muitos para a consagração junto à Fiel. E a galera antenada chegava cedo aos estádios para ver o espetáculo dos aspirantes do Corinthians. Ah, meu Deus!, tantas e tantas alegrias nos deu Riva com sua técnica apurada, sua garra, sua vibração contagiante, tudo tão corintiano demais em sua essência. Sua canhotinha abençoada nos inebriava os olhos, com seus dribles desconcertantes, como o elástico que ele aprendera com Sérgio - o amigo nissei, ponta dos mesmos aspirantes - que Riva lançou ao mundo dando o devido crédito ao amigo. Sou eternamente grato a Riva como corintiano e como brasileiro já que ele, ao lado de Pelé, Tostão, Jairzinho e Cia, deu-nos a todos nós, o título mais incontestável que temos de Campeões Mundiais de Futebol que foi o de 1970. E ainda assim, pasmem, foi injustiçado por culpa de um decisão carregada de burrice do presidente Mateus, talvez pela ainda mais burra indução de obtusos cronistas de futebol da época que. em sórdida e difamatória campanha, tiraram de Riva a camisa 10 do Corinthians e quem saiu perdendo com isso foi a Nação Alvinegra, para alegria do Fluminense do Rio que soube dar a Rivelino o devido valor e carinho e ele soube retribuir dentro dos gramados. Negaram-lhe no Corinthians a glória do título de campeão paulista que já estava maduro após 20 anos de espera e aconteceria três anos depois da saída forçada de Rivelino. Quem ficou no prejuízo, nunca é demais repetir, fomos nós, apaixonados torcedores corintianos, que pagamos pela sordidez e a burrice alheias que permeiam o mundo do futebol com insistência. Mediocridades assim deviam ensinar coisas melhores a dirigentes, torcedores, a certos jornalistas e cronistas de futebol, mas sei lá porque não ensinam e seguem sendo o que são, sendo que alguns ganham fortunas para dizerem com convicção suas asneiras e suas "verdades" distorcidas, contribuindo com cartolas espertalhões e suas políticas nefastas, contribuindo assim para afundar o futebol brasileiro. Apesar dos pesares, ainda bem para nós que há o lado bom e nobre do chamado esporte mais popular do mundo: os autênticos craques do futebol. Nesse mais que seleto panteão passeia uma formidável legião de maravilhosos e inolvidáveis cracaços de bola, entre eles, com seu moustache niestzchiniano,o inigualável pensador Roberto Rivelino a quem os deuses do futebol legaram seus dribles mágicos, suas fintas desconcertantes, seus lançamentos precisos, seus chutes potentes e indefensáveis, sua genialidade enchendo de alegria meu coração torcedor corintiano da adolescência aos dias atuais. A Riva, eterno Garoto do Parque São Jorge - Ogun-yê, meu pai! - a minha eterna, inefável e imensurável gratidão.
(Public. orig). 30/05/10)

17 agosto 2016

Finitude / Setubardo, o maior dos poetas menores

Essa moça tece a teia
Que minh'alma inerme enleia.
Me esquivo dela qual o diabo da cruz
E quando me creio seguro,
Olha ela aí, meu Jesus!
C'est fini a calmaria.
Tornados, borrascas, querelas,
Tufões, ciclones, procelas,
Psique em desarmonia.
(Public. 01/08/10)

Passeio de casal nordestino em Sampa com tinta acrílica e muito amor

Em plena megolópole paulistana um casal, tendo à cabeça signos nordestinos, em momento que sugere ser de merecido relaxamento depois de uma longa e estafante semana de trabalho duro, passeiam amorosos em grande praça com seus jubilosos trajos domingueiros, esfuziantes qual uma alegoria carnavalesca. Esta pintura fiz eu lá pelo ano 2000, em que fica a tal estação final do percurso vida na terra-mãe concebida. Trata-se de um painel de 1.80 x 1.50m e para fazê-la, além de meu proverbial talento pictórico, lancei mão do velho e sempre prazeiroso método de usar tinta acrílica sobre tela. De quebra, usei cola e pedaços de tecido para fazer umas colagens com ares dadaístas e assim posar de erudito.  Depois que fotografei com minha Rolleiflax e revelou-se minha enorme aptidão para as coisas pictóricas, escaneei e dei uma tecladas no photoshop pra animar ainda mais esse motivo festivo assaz criativo e mui inventivo.
(Publicado originalmente em 10/02/10)

Jim go bell in New York.

When I'm sailing in the mysterious and dangerous websea my chest is full of courage. Poseidon is at my side all the moments and makes me so strong and so brave like a viking. I'm a impavid navigator like Columbus. Or better, like Popeye, the sailor. Without fear I dive in the dangerous webocean and from the deep waters I always emerge with treasures in my hands and in my indefatigable eyes. Recently I got a chest with fantastic paintings and drawings signed from a guy from the Big Apple called Jim Hopkins. Wow! Jim is really a great artist, friends! If you want to see his marvelous works, don't miss your precious time and go to these blogs to see more of the Jim's productions: http://mugitup.blogspot.com/ and http://icecreamnobones.blogspot.com/ . Jim, here from Bahia I send to you my embrace and my huge admiration.
(Publicado originalmente em 22/12/09)

11 agosto 2016

Martíssima, maior camisa 10 do Brasil / Umas minas que eu amo 2

Da cuca criativa e atenta de Nelson Rodrigues, escritor, cronista esportivo e torcedor do Flu, nasceu a definição mais exata sobre o futebol brasileiro para nós, brazucas: "A seleção é a pátria de chuteiras." Uau! O cara sabia o que estava dizendo. O país parava em dias de jogos do chamado escrete canarinho para se inebriar com o show dos nossos craques, verdadeiros artistas que nos encantavam e de quebra encantavam todo este imenso planeta. Infelizmente a nefasta corrupção que assola nosso solo e não nos dá uma trégua, contaminou também o nosso dito esporte bretão e tornou a seleção brasileira este triste arremedo que aí está com direito a Dungadas, Zagalladas, Ricardoteixeiradas, Felipemeladas, Josémariamarinadas, Delneroadas, 
Redegloboadas, Galvaobuenadas, e derrotas humilhantes para Bolívia, México, Japão, times dos quais sempre ganhávamos de 15 ou 20. A zero! Com direito a baile, olés, gols de bicicleta, de letra, de chaleira, de glúteo, de bingolim, e o escambau. Sucedeu, por Elza e mais outras, como diria Mané Garrincha - um destes geniais artistas-jogadores - que fui perdendo, perdendo e perdi, como perdeu grande parte dos brasileiros, esse amor desmedido pela seleção, verdadeira veneração. Eis, no entanto, que nos dias atuais baixa em mim o espírito do engajado gajo Vaz de Camões e eu digo "Cessa tudo que a antiga musa canta que outro valor mais alto se alevanta!" Marta. Martinha. Martíssima. Uma camisa 10 autêntica, de futebol sublime, maravilhoso, empolgante, que joga como quem brinca, como quem cria uma arte, uma canção inebriante que nos vai ao âmago da alma. Jogadoras adversárias parecem parar em campo para vê-la desfilar seu futebol-arte. Marta nos trouxe de volta o tão cultuado futebol brasileiro que o mundo aprendeu a amar com Pelé, Mané, Didi, Vavá. Há uma abissal distância entre Marta e todas as outras jogadoras do futebol feminino em todo o planeta-bola. Uma pena para nós, que na nossa própria seleção, só a excepcional camisa 9, Cristiane, também premiada pela FIFA como uma das gigantes do futebol no mundo, chega bem pertinho do talento que Marta exibe nos gramados. Quanto às demais jogadoras, muito posso me enganar, mas ficam ainda bem distantes do talento da dupla Marta e Cristiane. Considerando-se que essas meninas não contam com o devido apoio e as necessárias condições básicas para desenvolver um futebol mais brilhante, sabemos o quanto são guerreiras e o quanto lutam para se manterem motivadas em um esporte que sofre com o preconceito e a falta de apoio oficial. Sim, temos que ser gratos a todas, reconhecer-lhes o empenho e o amor ao futebol feminino, uma grande paixão. Mas gênios não são produzidos em larga escala. Felizmente esse empenho das demais meninas ajuda em muito, é mesmo fundamental para que Marta possa nos brindar a todos com sua arte e comandar as memoráveis vitórias às quais estamos nos acostumando. Há muito tempo eu não sentia esta empolgação por ver alguém jogar futebol neste país. Pelos motivos supracitados e por culpa de quase todos os que integram o universo do futebol, sejam eles empresários do setor, cartolas ou os da crônica esportiva que criam ídolos de pés de barro com coroas de lata nas cabeças. Mancomunados e visando apenas o lucro pessoal levaram o futebol brasileiro a ser o arremedo que aí está. Mas felizmente há Marta, Martinha, Martíssima. Jogando muito e encantando o público do Brasil e do mundo, batendo recordes, somando premiações, ela conquistou com seu futebol o direito a figurar no glorioso panteão dos grandes craques de futebol do Brasil. Ao lado do maravilhoso Pelé, do estupendo Garrincha e outros, lá está, com todo o merecimento, a maravilhosa e igualmente estupenda Marta. Agora em que escrevo esta postagem, nas Olimpíadas do Rio o futebol brasileiro se faz presente com os times masculino e o feminino. Quem quiser que assista o futebol masculino,com suas estrelas sem brilho. Quanto a mim, já sei aonde estarão minha atenção, expectativa, torcida e alegria. A você, Marta querida, meus agradecimentos do fundo da minha alma por haver devolvido a mim e a tantos brasileiros o nosso verdadeiro futebol e a admiração incondicional do mundo inteiro, longe dos interesses financeiros e dos nefandos labirintos do arrivismo. Viva Marta, viva Martinha, viva Martíssima! 
P.S. Este post já está bem longo mas tenho que registrar que pouco depois da postagem a seleção do Brasil enfrentou a da Austrália em partida eliminatória dos Jogos Olímpicos e empatou no tempo normal, avançando para as seminais do torneio. Na disputa por pênaltis o Brasil venceu por 7x6 e a única jogadora a perder uma cobrança de pênalti por nossa seleção foi justamente a magnífica Marta. O Brasil só seguiu em frente na competição graças à sua goleira Bárbara que fez duas defesaças antológicas e às demais jogadoras designadas para as cobranças, e que fizeram isso com enorme competência. Em momento que a melhor jogadora de todos os tempos falhou, as demais atletas brasileiras brilharam quando mais necessário se fez, heroicas, firmes, precisas, personalíssimas.

31 julho 2016

O cartunista Laerte e outros homens que se vestem com roupas de mulheres

Estilistas, costureiros, bordadeiras, correi. É chegada a hora de tesourar, costurar e alinhavar para uma nova vertente que surge forte no mundo da moda: o crossdresser. Não que isso seja de fato coisa nova. Lembro-me de ter visto o lance ainda nos anos 70 em um dos primeiros filmes do Woody Allen intitulado "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo e não tinha coragem de perguntar", em que um sizudo pai de família tem o incontrolável impulso de vestir-se às escondidas com as roupas da esposa, passando, assim trajado, horas admirando-se no espelho. Há pouco tempo, depois de uma entrevista feita com o cartunista Laerte, o tema voltou à baila. Curiosamente, vale lembrar que mulheres lutaram e ainda lutam muito para conseguir direitos que sempre lhes foram negados. Voto, cargos políticos, empregos, um mundo de coisa. Mas ao mesmo tempo sempre lhes foram franqueadas coisas que aos homens eram negadas, sempre puderam elas desfilar por ruas e ambientes com cabelos cor-de-rosa ou azuis ou verdes sem reações hostis dos varonis. Também nunca sofreram constrangimentos ao usarem indumentárias tidas como sendo de uso exclusivo dos barbados, como calça comprida. Esta até que deu um pouco de trabalho para elas no início mas hoje é mais que normal. Comum é ver-se por aí belas evas envergando chapéu e ternos masculinos, com gravata e tudo. Mulheres acendendo puros em bares e até jogando sinuca sem jamais aparecer uma nega maluca dizendo que aquilo é uma aberração. Quanto aos homens, pobres homens. Tirando os escoceses e povos da Índia, homem com saia não tem vida fácil. Basta lembrar o grande alvoroço que causou o artista plástico Flávio de Carvalho em 1956 ao desfilar pelo Viaduto do Chá, em Sampa, seu Traje Tropical composto de saiote e mangas curtas, deixando estarrecida e indignada a patuleia da pauliceia. Uma multidão seguia atrás do performático artista, ferozmente gritando em seus ouvidos algo assim como: "Viaduto!" "Viaduto!" Sem colher de Chá. No fim das contas, pelo que eu li sobre personalidades brasileiras, quem estava certa mesmo era uma senhorita chamada Luz del Fuego, que não usava roupa masculina nem feminina, preferindo - a título de indumentária - usar sobre seu corpo desnudo apenas uma prosaica e confortável serpente viva. Uma autêntica snakedresser.
(Publicado originalmente em 15/03/13)

Affonso Manta: um girassol entre os dentes do poeta.

Para o deleite de vocês, leitores de fino trato, vai aqui mais uma dose dos versos de Affonso Manta, poeta da Bahia, para que todos possam perceber que, além de Gregório de Mattos e Castro Alves, há uma poesia baiana luxuosamente inspirada porém ainda inédita para a maioria das gentes.
O Louco
Enlouqueci, um girassol nasceu na minha boca.
Os pássaros já estão fazendo ninho
Atrás da minha orelha.
Enlouqueci, o azul explodiu em fevereiro.
Vou conhecer Londres no meu bergantim de pirata.
As ruas são-me passarela para bailar.
Não me conheceis, transeuntes?
Não me conheceis, moça de olhos calmos
Do último andar do edifício?
Sou o Louco.
Prometi as chuvas do mês passado.
Prometi as árvores.
Prometi os vinhos.
Prometi este intenso azul de fevereiro.
Faço promessas maravilhosas.
E vede que se cumprem.
Abram as portas.
Chamem vossos filhos.
Chamem vossas noivas.
Os garotos vão rir de mim.
Por acaso, não quereis que as vossas noivas se divirtam?
Não há quem não ache graça
Do meu aspecto excessivo de profeta.
Convidem todo mundo.
Trago uma flor no bolso de dentro do paletó
Para ofertar ao sorriso mais inocente da cidade.
Não tenham medo.
Não faço mal a ninguém.
Sou o Louco.
 

(Publicado originalmente em 15/03/14)

Encontro de Chê Guevara e Bienvenido Granda na Bahia

Nestas fotografias dos anos 70, preclaros leitores, mister se faz esclarecer unas cositas. Na foto mais acima, um barbudo esconde as mãos de forma suspeita, como se ocultasse uma arma. Santo Dios! Será que se trata do lendário guerrilheiro platino-cubano Chê Guevara em incógnita visita à Bahia naquela incendiária década? Na foto central, este cara todo saradão, com bigode de cantor de bolero será el cantante Bienvenido Granda em soteropolitanos dias? Em caso de identificação positiva, de que estariam tratando Chê e Bienvenido naquela animada confabulação da foto número 3? A derrubada do governo militar no Brasil? A construção de uma gravadora especializada em músicas genuinamente latino-americanas sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes? Nada disso, gentes, estas fotos todas eu surripiei do blog do Gutemberg Cruz, precisamente de sua série " A hora e a vez dos quadrinhos baianos". Blog maravilhoso, diga-se, para os fãs das HQs, cartuns e caricaturas onde Guto trata do assunto com seu incontestável conhecimento de causa, apaixonado que é, dedicado que é, competente que é ao abordar tais temáticas. E para não prolongar o suspense, vou revelando: o evento fotografado é uma soteropolitana exposição de cartuns e quadrinhos lá pelo ano de 76. Ali na foto número 1, o barbudo não é o Chê, é o cartunista e multimídia Josanildo Dias de Lacerda, o Nildão, hoje todo clean, mas que já teve um dia este guevarístico visual como comprova a foto e ele não pode negar mesmo se o quisesse. Na fotografia número 2 não se trata de Bienvenido Granda, que era, por razões óbvias, apodado de El bigode cantante. Trata-se, na verdade, do sempre festejado mestre dos quadrinhos Antonio Cedraz, criador do personagem Xaxado e todo um universo de personagens brasileiríssimos. Quem diria, Cedraz já foi um galã do tipo machão latino como bem se pode ver, um autêntico Antônio Banderas sertanejo. No papo entre ambos inexoravelmente o assunto era os rumos dos quadrinhos e cartuns na Bahia, no Brasil e no mundo. O link pro blog do Guto: http://blogdogutemberg.blogspot.com/
(Publicado originalmente em 07/03/14)

Ashley Wood, desenhista: um salto da Austrália para o mundo


Quando se ouve falar em Austrália, é inevitável: à nossa mente salta um canguru lépido, exibindo invariavelmente um filhote na bolsa. Num segundo momento vem um ornitorrinco. Em seguida, tais condicionamentos nos levam a pensar no Crocodilo Dundee, com aquela sua cara de pau equilibrada sobre o pescoço, agarrando jacarés no muque. Santos estereótipos, Batman! A Austrália está muito além disso. É país próspero, de gente maravilhosa, com artistas soberbos. Como este ilustrador, diretor de arte e desenhista de comics chamado Ashley Wood. Apesar de jovem, Ashley tem larga experiência e um talento maravilhoso. Seu nome se espalhou pelo mundo como desenhista de Tank Girl mas Ashley vai muito mais além disso. Comprove você mesmo clicando nos links: http://www.ashleywoodartist.com
http://www.ashleybambaland.blogspot.com.
(Publicado originalmente em 12/03/14)

28 julho 2016

Mais trabalhos do Rodney Pike para nosso deleite

Vejam vocês, amantes de bons trabalhos de caricaturas, o que o grande Rodney Pike anda aprontando com seu talento fantástico. Um Hugh Laurie, o Dr. House, especialmente hilário. E mais o galã Tom Cruise que está fabuloso. O link para vocês verem outros trabalhos de Rodney é: http://rwpike.blogspot.com
Grande Rod! Cada vez melhor. Owesome,  man! Owesome!
(Publicado originalmente em 03/11/13)

Mulher de Câncer no Horóscopo de Vinicius de Moraes

Você nunca avance
Em mulher de Câncer.
Seu planeta é a Lua
E a lua, é sabido,
Só vive na sua.
É muito apegada
E quando pegada
Pega da pesada.
É mulher que ama
Com muito saber
No tocante à cama
Não sei lhe dizer...

Mulher de Leão no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Leão
Brilha na escuridão
A mulher de Leão, mesmo sem fome
Pega, mata e come 
A mulher de Leão não tem perdão. 
As mulheres de Leão 
Leoas são. 
Poeta, operário, capitão 
Cuidado com a mulher de Leão! 
São ciumentas e antagônicas 
Solares e dominicais 
Ígneas, áureas e sardônicas 
E muito, muito liberais.

Mulher de Libra no Horóscopo de Vinicius de Moraes

A mulher de Libra
Não tem muita fibra
Mas vibra
Quer ver uma libriana contente?
Dê-lhe um presente.
Quando o marido a trai
A mulher de Libra
balança mas não cai.
Se você a paparica
Ela fica.
Com librium ou sem librium
Salve, venusiana
Que guarda o equilíbrio
Na corda mais fina.

Mulher de Sagitário no Horóscopo de Vinicius de Moraes

As mulheres sagitarianas
São abnegadas e bacanas
Mas não lhe venham com grossuras
Nem injustiças ou censuras
Porque ela custa mas se esquenta
E pode ser muito violenta.
Aí, o homem que se cuide...
-Também, quem gosta de censura!

23 julho 2016

Escribabacas ou Virulências gramaticais que nos impingem os literataços e os sofômanos

No pélago do meu ser trago ocultas um milhão de veleidades . Uma delas é a de ser um poeta, um festejado vate. Não preciso ser um Ruy Espinheira Filho, um Augusto dos Anjos, um Drummond, um Bandeira, que aí é querer muito. A mim basta ser um modesto bardo, quem sabe um Setubardo. Anos e anos de trabalho ilustrando toda sorte de texto para jornais, revistas e livros me possibilitaram a fortuna de manusear e ler em primeira mão originais escritos por quem domina a difícil arte de bem saber escrever. Em injusta contrapartida - hélas, hélas! - também fui obrigado a assistir a um interminável desfile de escribas ilegítimos que se julgam detentores da raríssima habilidade de tratar com intimidade e maestria as palavras. E assim pensando nos impingem um profusão de escritos, invariavelmente alambicados, acacianos e rebarbativos, acometidos que são por deletérios achaques literários que certamente fazem o velho e bom Machado revirar-se no mausoléu qual um irrequieto dançante de hip-hop. O mais das vezes por tais pretensos literatos ignorarem que são portadores de um grave mal, muito comum neste século, de nome científico egoinfladozitis exasperantis, enfermidade que nem sempre é silenciosa, como muitas vezes é estridente. Empunhando impunemente penas, esferográficas e teclados saem por aí de forma inadvertida atropelando o vernáculo, estuprando métricas e sintaxes incautas, violentando as mais inocentes ortoépias. E como mal maior, essas gentes me fazem pensar o impensável e acabam me convencendo que eu próprio tenho o incontestável direito de cometer impunemente prosas e versos e aqui estou eu a escrever sandices inqualificáveis. Tivesse eu o necessário senso de conveniência e guardaria em providenciais gavetas minhas canhestras tentativas de escrevinhar, versejar, sonetar, redondilhar, dando um nobiliárquico exemplo a esses usurpadores de páginas opusculares e gazetais, abjetos invasores dos nossos sacrossantos penates. Mas qual o quê, sou um homem do meu século e não sou dado a nobreza de sentimentos. Se esta gente pode, concluo que também posso, insigne Eça, nobre Pessoa, formidável João Ubaldo, maravilhoso Drummond. Então aqui vou eu com uma pena na mão e pletoras de estultices na cabeça tirando onda de inspirado escriba igualzinho aos inúmeros literataços sem senso de conveniência infiltrados em jornais e revistas. E de quebra hei de perpetrar versos que certamente farão qualquer poeta sensato perder seu norte emocional e entregar uma afiada tesoura a um Doutor, implorando que o dito esculápio lhe corte a sua singularíssima pessoa. Malgrado isso, a julgar por certas figuras eleitas pela Academia e por ela guindadas à condição de imortais, tenho chances reais de conseguir um fardão da ABL.
(Publicado originalmente em 20/03//10)

22 julho 2016

Vitor Souza, o pastor de muita fé . Vitor Souza, o colorista, ilustrador e designer gráfico.

Um personagem de história em quadrinhos chamado Xaxado foi quem me apresentou ao meu amigo Vitor Souza, competente professor de Teologia e dedicado pastor, designer gráfico e colorista dos melhores. Trocando em miúdos, bem antes de ser amigo de Vitor eu já o era do desenhista Antonio Cedraz, criador de diversos personagens de quadrinhos, sendo o mais famoso deles um menino nordestino, um pequeno sertanejo que usa um chapéu de couro, atende pelo nome de Xaxado e é neto de um autêntico cangaceiro. Cedraz, tão sertanejo quanto seu personagem, desde seus dias de infância no interior da Bahia era um grande apaixonado por quadrinhos. Sonhava ter os personagens criados por ele tão cultuados quanto os de outros já consagrados profissionais. Pensando nisso, trabalhou sozinho com perseverança, depois decidiu que era chegada a hora de ter um estúdio e formar uma equipe para produzir seus quadrinhos. Montou seu tão sonhado estúdio e abriu uma editora, a Editora Cedraz, disposto a publicar e divulgar suas criações. Começou a selecionar pessoas que tivessem competência e vontade de fazer quadrinhos. Logo arregimentou gente disposta a trabalhar firme para tornar realidade o sonho dourado de viver de histórias em quadrinhos na Bahia. Dentre essas pessoas selecionadas, estava Tom Figueiredo, literato premiado, argumentista e roteirista de quadrinhos, estava também Sidney Falcão, desenhista profícuo, de grande habilidade, que assimilou com competência o traço de Cedraz e, last but not least, integrava essa turma Vitor Souza, que no estúdio, é claro, não atuava como pastor nem dava aulas deTeologia. O que Vitor fazia por lá, entre outras coisas,  era colocar títulos, letras e balões nos desenhos e colorir digitalmente as histórias que surgiam da cuca de Tom e Cedraz e eram desenhadas por Sidney e pelo próprio Cedraz, a maioria delas com o menino Xaxado que, graças ao seu carisma, havia se tornado o personagem principal e o carro-chefe do estúdio ensejando a produção de centenas de tiras e páginas, sendo a grande maioria colorida por Vitor que, de novato na arte de colorir, foi se aperfeiçoando e se tornando um profissional competente e habilidoso, dominando o uso de diversos programas, ficando íntimo das cores digitais e não apenas isso, das cores em si, suas nuanças, seus matizes, sua linguagem cheia de sutilezas e de possibilidades. Eu gostava de visitar Cedraz no estúdio, era estimulante ver o trabalho que ele e sua equipe desenvolviam com tanto carinho. Ali naquele ambiente pude presenciar Vitor Souza colorindo o Xaxado. A cada visita minha ao estúdio, enquanto ele letreirava ou coloria, conversávamos animadamente e eu gostava de ouvi-lo falar com propriedade sobre os temas mais diversos, cinema, política, sociedade, quadrinhos e um mundo de coisas interessantes. Vitor sempre foi o tipo de gente que gosto de ter como amigo, um cara muito bem informado, com saberes fundamentados através de leitura de livros e revistas de qualidade, cinema, Internet. Nessas fontes que bebia captava informações importantes o que propiciava que ele falasse das coisas com conhecimento de causa. Sendo ainda bem jovem sempre mostrou ter ideias maduras e uma mente aberta, sabendo argumentar com grande embasamento, sem radicalismos. Sabia ouvir e falar na hora certa, mostrando personalidade, sem querer ser o dono da verdade. Findamos por nos tornar amigos próximos e, inevitavelmente, começamos a trabalhar juntos, a misturar nossas artes, eu com meu desenho, ele com suas cores e seu trabalho de designer gráfico. Vitor, além de profissional competente, é um ser humano de boa índole que batalha muito para ser feliz ao lado da própria família. Não sou religioso como ele o é, nem tenho as relações sólidas com Deus como ele as tem, mas mesmo sem maiores intimidades, tenho lá minhas ligações com o Criador e quando rezo pedindo a felicidade de gente da minha estima, peço ao Onipotente que contemple com paz e harmonia a caminhada de tão bom amigo. E que a vida de Vitor e sua família possa ter sempre a mesma maravilhosa harmonia que ele magistralmente consegue dar às suas cores.  
( As ilustrações acima são da HQ Em Terras Americanas com argumento de Tom S. Figueiredo, desenhos de Setúbal, com colorização e letreiramento de Vitor Souza. 

Paulo Paiva, Suely Furukawa, Chico Peste, AQC e otras cositas

Em dias recentes, Paulo Paiva, o moreno mais frajola de Sampa, conduzido pelos notáveis da AQC entrou oficialmente para o sagrado panteão que reúne os mais competentes, dedicados e produtivos profissionais de quadrinhos neste país varonil de Gugu e Clodovil. Revendo meus arquivos implacáveis descobri que entre as primeiríssimas postagens deste bloguito está uma singela homenagem que fiz ao Pepê no longínquo ano de 2009, quando ele ainda não era oficialmente, como hoje o é, um Grande Mestre do Quadrinho Nacional. Eu, arrivista e venal, como de costume, quero aproveitar o momento para dar um repeteco na dita postagem para ver se assim pego uma carona no enorme prestígio que o Mestre Paiva vem desfrutando entre as muitas gentes das classes cartunais, desenhísticas, ilustrativísticas e quadrinhísticas desse sagrado torrão cujo pendão auriverde a brisa do Brasil beija e balança. Amado Mestre, para você meu grande abraço.

Paulo Paiva, um cara cheio de bons argumentos
  
Conheci meu querido amigo Paulo Paiva, o Pepê, há alguns milênios na Editora Abril onde ele escrevia argumentos para Zé Carioca e outros personagens do Papai Disney. Pepê, além de excelente argumentista, notável quadrinhista e cartunista talentoso, é um ótimo criador de personagens. Um dos mais hilários deles é o cangaceiro Chico Peste, feito em parceria com Munhoz. Pois foi no Chico Peste que me inspirei para fazer este portrait charge desse amigão de todos. Falando em amigos, quando o rei Roberto soltava a voz dizendo que queria ter um milhão deles, Pepê já tinha o dobro disso. Não há quem não goste do cara.Mas quem gosta mais  mesmo é a Suely Furukawa que, com sorte, tornou-se sua consorte. Fiz Pepê com um olhar de menino levado que ele tem. Desconfio que para manter esse menino na linha Suely deve ter usado - e muito - seus conhecimentos de artes marciais legados pelos seus honoráveis ancestrais nipônicos.
Publicado originalmente em 09/05/2009)

16 julho 2016

Gutemberg Cruz Andrade, gostas de um bom fumetto, baby?!

"Gostas do delírio, baby? Pois em cima daquele morro tem um pé de Rock'n Roll", indaga e já responde o roqueiríssimo Adriano Falabella com aquele seu olhar misterioso e assaz penetrante que vai fundo na alma dos roqueiros militantes e juramentados. E agora eu indago: gostas de um bom fumetto, de bons fumetti? Bande dessinée? Banda desenhada? Historietas? Comics? Histórias em quadrinhos? Arte Sequencial? Nona Arte? Aí a solução, pessoinha, outra bem é, nada de subir nenhum morro atrás da delirante panaceia do Rock, o lance é ir direto ao blog cult total do Gutemberg Cruz, jornalista versado no assunto, uma das maiores autoridades nesta matéria, autêntico Senhor HQ. Guto, que se pintar o bigode de preto vira um perfeito sósia do grande Grouxo Marx, pode lhe dizer tudo quando o tema é quadrinhos. Datas, nomes, horas, lugares e o escambau. Sabe tudo, sim, senhor, dos quadrinhos do mundo inteiro. Ama o assunto, é um apaixonado, dedicou boa parte de sua vida às pesquisas do tema. Quer bem se informar sobre as HQs e congêneres que tais? Clique aqui no link, gente boa: http://blogdogutemberg.blogspot.com
(Publicado originalmente em 01/07/2014)

Rodney Pike, Snoop Dogg e Barack Obama

Do sempre ótimo caricaturista norte-americano Rodney Pike, vão aqui para vocês estas duas esplêndidas caricaturas mostrando ícones negros que sempre tiveram que usar de muita, muita ginga mesmo pra seguir em frente lá nos States. Um, o Presidente Snoop Dogg, o outro o rapper Barack Obama. Ou será que é o contrário? Santa amnésia alcoólica, Batman! Well, se minha memória falha, Rodney Pike jamais erra nas suas caricaturas. Para ver mais coisas assim vá ao belo blog de Rodney clicando no link: http://www.rwpike.blogspot.com/
Publicado originalmente em 11/03/14.

Sosígenes Costa: o poeta e seu pavão escarlate

Sosígenes Costa, poeta baiano falecido em 1968, era um inspirado criador de belíssimos versos nos quais muitas vezes deixava transparecer suas posições de intelectual de claras posições políticas. Isto sem jamais perder seu lirismo invulgar e seu domínio do fazer poético. Saboreiem bem vagarosamente estes sosigenísticos versos.
O pavão vermelho
Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
Quando é estridente em meu quintal a aurora.
Clarim de lacre, este pavão vermelho
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.
É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.
Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.
(Publicado originalmente em 02/03/14)

Affonso Manta, um poeta maior da Bahia

A mais inquestionável das verdades, preclaro e perfulgente leitor, é que nascer  aqui, nesta afroterra chamada Bahia é nascer poeta. Eu próprio - confesso prenhe de justificável orgulho - com notável frequência sinto em mim o borbulhar do gênio e aí, a torto e a direito, dou minhas cacetadas poéticas cujo refinado e sutil lirismo fariam babar o gauche Drummond, o criativo e multifacetado Fernando Pessoa, o esverdeante Lorca, o pasargástico e alcalóidico Bandeira e tantos inspirados vates mais. Se uso pseudônimo quando isto ocorre, não é por vergonha e sim  pelo mais subido e nobre sentimento de invejável modéstia. Então, gentes finas, quando lhe pedirem para citar nomes de vates baianos, não fiquem restritos ao magistral Castro Alves e seus condores abolicionistas ou a Gregório Boca do Inferno de Mattos e suas impudicas freirinhas. Mostre quão vasto é seu cabedal de conhecimentos, cite e declame esta deliciosa poesia que aqui posto em que Affonso Manta, talentoso bardo soteropolitano, se autodefine de irreverente maneira. O poeta Manta se foi deste mundo em 2003, mas sua poesia criativa, deliciosa e com um capitoso aroma de juventude permanece entre nós, viva, muito bem viva. Leia e comprove.

Lá vai Affonso Manta
Com estrelas na testa de rapaz,
Com uma sede enorme na garganta,
Lá vai, lá vai, lá vai Affonso Manta
Pela rua lilás.
Coroa de alumínio sobre o crânio,
Lapelas enfeitadas de gerânios
E flechas no carcás.
Manto florido de madapolão,
Bengala marchetada de latão,
Desfila o marechal,
O rei da extravagância, o sem maldade,
O campeão de originalidade,
O peregrino astral.
(Publicado originalmente em 02/03/14)

14 julho 2016

Flavio Colin, desenhista de quadrinhos. Um cara muito, muito especial

Um dia um anjo torto me colocou o dedo na testa e me disse: "Vai Setúbal, ser desenhista de quadrinhos na vida." Pensei então: "Caraca!, estou acima dos outros. Um anjo, um emissário do Onipotente, me tocou a testa e me fez um cara especial!" Lesto e presto saí por aí empolgadíssimo, rabiscando tudo o que via pela frente, feliz por poder fazer coisas que outros não sabiam fazer e estas gentes vinham e me circundavam com olhos embevecidos a cada traço que eu traçava para maior gáudio do meu já mui inflado ego. Até que um dia me caíram às mãos revistas com os desenhos de Flavio Colin. Meus olhos saltaram em órbita, meus joelhos tremeram, meu coração disparou um som de percussão. Que traço maravilhoso, que segurança, que criatividade! Um sentimento difícil de traduzir em palavras tomava conta de mim a cada nova conferida naquelas maravilhas em preto e branco, sensação que se mostrou perene. Desde seus primeiros trabalhos Colin mostrava desenhar quadrinhos como um Mestre legítimo, anos luz a frente de tantos.
Atônito, um tanto frustrado, meio jururu, voltei ao anjo e lhe disse: "Pô, bró! Eu queria que meus desenhos fossem assim, tão maravilhosos como os deste cara!" Sem se abalar, o anjo, com certo enfado no olhar e ares de esse-cara-já-tá-querendo-demais, redarguiu pouco angelicamente: "Nada posso fazer, meu caro. Mesmo entre os especiais há aqueles que são, digamos... bem mais especiais que os outros. E o Flavio Colin, amizade, é um cara muuuito especial!"
(Publicado originalmente em 12/04/2014)

10 julho 2016

Camelôs da fé e suas igrejas que lhes dão fortunas e poder

Usando o nome de Deus como irresistível publicidade e o de Jesus como infalível garoto-propaganda, valendo-se de suas inegáveis capacidades de comunicação e de persuasão,  usando o poder da mídia televisiva e radiofônica, determinados sacripantas midiáticos, ditos líderes espirituais, terrivelmente egocêntricos, cheio de lábia e de más intenções, muita vez valendo-se de discursos inflamados, cheio de conceitos anacrônicos, equivocados e de preconceitos que mal dissimulam um inconsequente e perigoso ódio, uma distorção conseguem encher as burras com o dinheiro que vem da classe pobre - carente em todos os sentidos - da classe mais pobre, da classe media e até de atletas, dos remediados aos milionários. Todos entregam de mão beijada a grana que dá a boa parte desses tais líderes o privilégio de morar em suntuosos palácios que em nada lembram os lares da maioria dos seus seguidores e bem diferente do que pregava o santo rabi. Eis o crime perfeito. Tão perfeito que nem considerado crime o é. E ai de quem tentar dizer o contrário aos incautos cordeiros que lhes entregam o que tem e o que não tem.
( Texto publicado originalmente em em 13/07/11 aqui neste blog, quando pouco se falava no assunto em pauta. Hoje, como bem se vê na Internet, os próprios canastrões midiáticos oferecem farto material que evidenciam suas mutretas espantosas. Há os que induzem os incautos a darem dinheiro até mesmo os que estão desempregados, sem um tostão furado no bolso. Outros choram lágrimas de crocodilo como que implorando doações aos ingênuos que se comovem. E por aí vai. É tudo explicitamente explícito pois eles se sentem intocáveis, inatingíveis. Há os que, sorrindo cinicamente, desafiam a quem queira desmascará-los e fazem ameaças acintosas dizendo ter um exército de advogados a sua disposição para processar os que se atreverem. Os muito crédulos, carentes e desinformados acreditam e depositam nessa corja suas esperanças e, é claro, seu escasso dinheirinho ganho tão duramente. Deus proteja essa pobre gente crédula - e a todos nós - dessa corja.)
(Publicado originalmente em 07/12/2015)

Sexo de graça - Sadomasoquismo familiar em flagrante

(Public. orig. 07/05/13)

09 julho 2016

Biratan, Ziraldo, Letras, Caricaturas, Grafismos



1. Fernando Pessoa 2. Charles Chaplin 3. Marilyn Monroe
Seus olhos amendoados, seus cabelos lisos e negros como a asa da graúna evidenciam ser o piramidal paraense Biratan um descendente direto do alencariano Pery, aquele mesmo que vivia dando uns bordejos mata a dentro com a bela Cecy atendendo às súplicas da moça que era fervorosa ecologista e não passava um dia sequer sem ver e alisar um bom pau, o pau-brasil. Tupã, o deus da fé indígena, pai generoso de todos seus filhos, legou ao curumim Biratan virtudes raras como a de ser um soberbo cartunista, um Top 10. Em seu livro, Caricaturas de Letras, Bira mostra suas habilidades gráficas e caricaturais, ao criar e fazer lindos e originais portrait charges construídos a partir das iniciais dos seus modelos. O resultado é tão bom que Ziraldo - o cultuado papa do grafismo mundial - se derrama em elogios ao fantástico trabalho de Biratan. Assim sendo não é preciso que eu diga mais nada, só me resta fazer uma reverência a este nobre parauara e repassar os contatos dele para os interessados: biratan21@uol.com.br e biratan.cartoon@gmail.com Ah, e tem também links para os blogs: http://biratancartoon.blogspot.com e http://greencartoon.blogspot.com
(Publicado originalmente em 06/12/2014)

Mulher de Escorpião no Horóscopo de Vinicius de Moraes

Mulher de Escorpião
Comigo não! 
É a Abelha Mestra 
É a Viúva Negra 
Só sai de vedete
Nunca de extra
Cria o chamado conflito de personalidades
É mãe tirana
Mulher tirana
Irmã tirana
Filha tirana
Neta tirana.
Agora de cama diz que é boa paca.

06 julho 2016

O homem perfeito que todas as mulheres esperavam ansiosamente / Setubardo

Um dia competentes cientistas
Resolveram criar o homem perfeito
Forte, bonito, bom de leito,
Charmoso, grande papo, inteligente,
Físico de deus grego, espirituoso, valente
Então, em um liquidificador gigante
Juntaram uma galera importante:
Adonis, Hércules, Apolo,
Julio Cesar, Colombo, Cabral, Marco Polo,
Bolívar, Che Guevara, Fidel, Napoleão.
Apertaram da máquina um botão
Deixaram misturar com paciência
Acrescentando na sequência
Gene Kelly e Groucho, lá de Hollywood,
Tarantino, Fred Astaire e o bom Woody,
Poetas de muitos bons ofícios:
Maiakovski, Baudelaire e Vinícius,
Shakespeare, Neruda, Borges, Bandeira,
Leminski que estremece a palmeira,
Augusto dos Anjos, Lorca, Drummond
Quintana, tudo de bom,
Lennon, Paul, George e Ringo Starr
E o Jagger, que deixa sangrar,
Todo o Monty Phyton, Tati, Chaplin e Mr. Bean,
Jackson do Pandeiro, Genival e Tom Jobim
Baleiro, Caetano, Gil, João Gilberto,
Raul Seixas, Arnaldo, Erasmo e Roberto
E para complementar
Tal mistura estelar,
Almodóvar, Banderas, Elvis Presley, Brad Pitt
Mistura chocante, pura dinamite.
Concretizado esse homem perfeito
Anunciaram os cientistas seu insuperável feito
E o resultado que deu
Ora, meninas, foi... eu!!
(Publicado originalmente em 91/01/2012)