25 fevereiro 2017

Carnaval na Bahia, artistas, música e tinta acrílica.


Já é carnaval, cidade, acorda pra ver! Curtir a folia, brincar o carnaval nas ruas da Bahia é puro delírio. A festa é um painel colorido, belo e efervescente, cheio de personagens maravilhosos. A velha raça humana se esquece dos problemas e vai à praça gritar sua alegria neste encontro hedonista, com direito a beijos nada colombinos, desejos mais que legítimos e novos amores eternos que durarão até a quarta-feira. Bom, ninguém aqui nesse bloguito  é tão alienado que não saiba que na elaboração da festa há grandes manipulações oficiais e interesses empresariais que atropelam a honestidade e o bom senso. Mas fiquemos, por ora, no aspecto lúdico,  na alegria e na loucura a que todos se permitem, pois é por motivos tais que o carnaval da Bahia é mesmo uma bela temática para se pintar, caprichando no colorido de cores vivas, quentes, redondas ou seja lá que outro nome lhes deem. Ditas tais palavras, agora vou correndo pro Pelô, senão o Caó come as mulheres todas que estiverem por lá e não sobra nada pra ninguém e isso inclui minha pessoa. Caó é phoda,  quando vê murundum não considera amigo nenhum! Axé, galera!! Fui!

De Israel, um pouquinho mais do fantástico Hanoch Piven





E como o que é bom deve ser visto sempre, vão aqui mais estas caricas divertidíssimas da lavra do caricaturista israelense Hanoch Piven, um cara que brinca com colagens e que de forma assaz original consegue fazer estas maravilhas contidas nestas postagem mostrando o genial Woody Allen, que um dia dirigiu um filme chamado "Bananas", e mais Bob Dylan, Keit Richards, com sua língua sempre viperina, Iggy Pop e até o nosso brasileiríssimo ídolo Ronaldinho Gaúcho, quando arrasava pelo Barcelona. Vão ao site do cara que lá tem muito mais procês:
 http://www.pivenworld.com
(Publicado originalmente em 29/11/2013)

Versos para um anjo bêbado // Setubardo

 Um anjo bêbado/Que eu nunca vira mais gordo/Me viu num bar da cidade/E na maior intimidade/Botou a mão em meu ombro/ - Que assombro! - /E me pediu um cigarro/ - Bizarro! - /Resolvi colaborar/De malandragem eu manjo/Impossível adivinhar/Quando se pode precisar/Da ajuda de um anjo/Dei um cigarro, dei dois/E fui-me embora, depois/Enquanto ele cantava, nada teen:/"When the saints go marching in..."/Lá no estacionamento/Um novo aborrecimento/Algum pilantra abusado/Levou meu carro rebocado/Mas por sorte encontrei/Pégasus, o cavalo alado/Saltei no dorso do corcel/E falei: "Toca pro céu!"/Ao sair do perímetro/Ele mudou o taxímetro/Botando bandeira dois/É isso aí, minha gente/Já não se fazem alados como antigamente./Na Via Láctea bebi leite-de-cabra/Que não dá ressaca braba/E só pra rebater/Virei uma cachaça crua/Tropecei em Orion/Esbarrei na Nova Lua./Em Alfa de Centauro/Já me sentia um lixo/Meio homem, meio bicho/Sem querer quebrei um copo/Mas saltei e salvei o pires/Pulei sobre um arco-íris/Escorreguei para a Terra/Caí no meio de uma guerra/Um soldado invocado/Me apontou seu fuzil/Foi um puta que o pariu!/Pra tentar me safar toquei um banjo/Foi quando ressurgiu aquele anjo/A quem o cigarro eu dera/Anjos não são pura quimera/Me levou voando a mais de cem/"Ao infinito e além!!"/Logo estava me apresentando/Sua família cativante/Pela irmã do anjo eu pirei/Os quatro pneus arriei/Fiquei doidão, pedi logo pra casar/Hoje moro num Paraíso, ao léu/Vivo com ela no Sétimo Céu/Ando nas nuvens com seus carinhos/Minha mulher é mais que um anjo/Nossa prole, três anjinhos.
(16/03/08)

20 fevereiro 2017

Apaches do Tororó, Buck Jones e todos blocos de índios do carnaval da Bahia

Nos anos 70 morava eu em Sampa quando resolvi me autorrepatriar para a Bahia depois de naquela época haver provado embevecido a magia incomparável do carnaval de rua desta Soteropéia Desvairada. Digo e redigo, há aqui nessa afrocity um povo cuja alegria ultrapassa todas as divisas, que é festeiro e que adorar rir, dançar e amar como nenhum outro, sendo que o carnaval de rua sempre foi sua delirante apoteose. Ah, tempos houve em que este carnaval era verdadeiramente popular e não um produto que ávidos empresários vendem embalado em abadás que, a julgar pelo preço cobrado, devem ser confeccionados em fio do mais puro ouro. A folia nas ruas se iniciava ainda pelas manhãs sempre ensolaradas e o melhor da festa se concentrava na Praça Castro Alves. O carnaval baiano e a Castro Alves foram tornados famosos numa contagiante canção de Caetano Veloso em que, parafraseando o grande vate abolicionista, retratava os costumes populares da época dizendo ele que "a praça é do povo como o céu é do avião". Ouvi e achando pertinente o dito, tratei de descolar espaço cativo na renomada ágora. E um belo dia lá dos anos 70, lá estou eu na Praça Castro Alves onde, aboletado em privilegiado cantinho à guisa de camarote, espero a passagem de trios e blocos. Eis que alguém brada: "Évem os Apaches do Tororó!" Será que ouvi direito? Ouvi e fico sabendo que o Apaches é o primeiro bloco que surgiu no carnaval da Bahia com a nobre intenção de merecidamente homenagear o povo indígena. Frise-se que por um desses insondáveis mistérios dessa afrocity Soterópolis, os blocos índios nunca foram de homenagear Pataxós, Tupis, Bororós, Guaranis, Xavantes ou qualquer outra tribo indígena da Bahia ou da circunvizinhança e sim os índios norte-americanos tais como Apaches, Comanches e Sioux que aqui só davam as caras nas telas de cinema e das TVs. Ou seja, em matéria de cacique, sempre estiveram mais para Touro Sentado que para Juruna. Percebo, quando se aproximam, que portam os adereços indígenas que Hollywood nos mostra: mocassins, penas, elegantes cocares, indefectíveis machados, rostos com alguma pintura. Com uma substancial diferença: os pele-vermelhas que vejo são em verdade todos de cor negra retinta, o que deixaria em pé a vasta e fulva cabeleira do General Custer. Isto também deve explicar os cliques incessantes das máquinas fotográficas dos gringos à minha volta. Antes que algum solícito antropólogo me esclareça as ideias, um novo arauto anuncia: "Évem Buck Jones!" Pronto. Este eu conheço, é colega de Tom Mix, Gene Autry, John Mac Brown, Tex Ritter, Monte Hale, Ken Maynard, Rocky Lane e Roy Rogers. É cowboy genuíno e certamente a porrada vai comer no centro com a indiada azeviche. Qual o quê. O Buck Jones em questão me explicam que é o nome do cantor da Banda Mel cujo trio se avizinha. Mas como nessa afrocity o inusitado é corriqueiro, fico na minha imaginando que a qualquer momento alguém vai bradar: "Évem John Wayne!" E ao invés do Duke, quem de fato advirá no cenário da praça montado em empinante corcel não será nenhum tipo ariano de zoim azu, mas um macunaímico Grande Otelo ou um glauberrochistíco Mário Gusmão. E as hostilidades de praxe mostradas nas telas darão lugar a confraternizantes abraços entre Apaches, Comanches, Sioux, Pataxós, Gês, negros, brancos, mulatos, cafusos, mamelucos, teutos, sinos, lusos, anglo-saxões e quem mais vier, pois nesta terra, malgrado um indesejável magote de canalhas, é infindável nossa capacidade de amar e inexaurível é nossa alegria de viver.
(02/02/2010)

19 fevereiro 2017

Curtindo o Sketch Book de Paulo Paiva: cartuns, tiras, quadrinhos e humor do melhor!

Do fundo do meu coração corintiano desejo que você, dedicado leitor, tenha amigos tão generosos quanto os tenho em diversos pontos dessa terra em que um dia tropeçou, distraído, o moço Pedro Cabral. Sabendo que gosto de filmes, DVDs, quadrinhos e cartuns, livros e revistas, esses sempre mui amistosos amigos me enviam mimos, como esse que nesse momento tenho em minhas privilegiadas mãos, o Sketch Book do cartunista Paulo Paiva, o popularíssimo Pepê. A Coleção Sketch Book é uma belezura que a Editora Criativo colocou no mercado para brindar aos leitores amantes de cartuns, quadrinhos, ilustrações e mais um monte sem fim de tesouros gráficos, como esse esplêndido exemplar com os trabalhos do indômito Paulo Paiva. Como um bom apaixonado por desenhos de quadrinhos e cartuns, tenho enorme prazer de ver cada etapa da faina criadora dos desenhistas e esse Sketch Book traz uma bela coletânea dos trabalhos de Pepê. Rafes, esboços, layouts, artes-finais, estudos a lápis de personagens ou de tiras e HQs, desenhos com canetas de tinta nanquim ou de pontas porosas, cartuns, caricaturas, histórias em quadrinhos, tiras, ilustrações e até páginas com argumento e seus respectivos desenhos rafeados feitos para o personagem Penadinho, de Maurício de Souza. O traço de Paiva é pra lá de soltíssimo, feito com uma falsa displicência, tem por vezes um aspecto graficamente “sujo”, descuidado, como algo feito às pressas, a toque de caixa, mas que na verdade fica perfeitamente integrado ao humor paiviniano, tão gostosamente peculiar. Sejam nos desenhos, acompanhados ou não de um texto, de um trocadilho sacana, o resultado é invariável: uma fartura de gostosas gargalhadas, uma marca registrada de Paiva. Um dia, ainda adolescente, Pepê trabalhou fazendo argumentos para o hoje lendário Maurício de Souza. Depois foi para a Editora Abril escrever histórias de Zé Carioca e de um monte de personagens de Walt Disney, que eram feitas dentro das dependências da editora, dos quais eu era um inveterado consumidor. Um dia Paiva uniu-se a amigos, fundou sua própria editora e passou a publicar trabalhos de um monte de artistas que almejavam um veículo onde pudessem publicar seus desenhos, além dos próprios trabalhos paivinianos, é claro. Escrevendo, desenhando, editando quadrinhos, tiras e cartuns, assim foi Pepê levando a vida. Uma trajetória brilhante de tanto anos, tinha mesmo que merecer o tributo que a Editora Criativo presta a Paulo Paiva, na forma de um belo exemplar dessa notável coleção de sketchbooks. Coleção cujo elogiável projeto e direção editorial é de Carlos Rodrigues. Marcial Balbás faz um belo trabalho na direção de arte, sendo que a logo da série é fruto da competência gráfica de Eduardo Nojiri. A incumbência de produzir os sketchbooks ficou a cargo do desenhista e editor Franco da Rosa, sempre um guerreiro na sua batalha pelos quadrinhos. E como sem dinheiro não se produz quadrinhos, nem cartuns, nem nada, a direção financeira está a cargo da incansável e eficiente Esilene Lopes de Lima. Um belo texto de Franco da Rosa na quarta capa traça em rápidas pinceladas um retrato de Paulo Paiva em um texto elucidativo e feito com evidente carinho ao sempre cultuado cartunista. 
****Os interessados em adquirir exemplares do Sketch Book de Paiva e de outros artistas, como Mozart Couto, Mike Deodato, Ataíde Braz, Walmir Amaral, Messias de Mello, Júlio Shimamoto e tantos mais (Êi, Franco, senti muitíssimo a falta do grande Mestre Flávio Colin.), pode acessar o site da Editora Criativo: http://www.EDITORACRIATIVO.com.br   

18 fevereiro 2017

Aprenda o maravilhoso idioma do Futebol.

O mundo do futebol utiliza em sua comunicação um palavreado próprio que os não iniciados soem desconhecer completamente. Na passada Copa de 2014, de triste memória para nosotros, o futebol da Alemanha nos ensinou uma dura lição através da impiedosa e vexatória goleada de 7x1 que os germânicos nos impingiram dentro de nossa própria casa, de nossos próprios domínios, se é que a gente ainda domina alguma coisa atualmente. Mas quem disse que aprendemos a lição e nos tornamos mais humildes, mais realistas? Quem disse que perdemos a pose de nos autointitularmos "os insuperáveis reis do futebol mundial"? É claro que sabemos bem que nosso futebol não é o que já foi, de sobra, um dia. Que não somos mais sequer uma sombra do que foi aquela geração maravilhosa que encantou o planeta com Pelé e Garrincha, mas fingimos que somos, repetimos despudoradamente que somos, mesmo sabendo que não somos. Tudo isso porque, malgrado a humilhação que agora teremos que carregar em nossas costas vida afora, o amor pelo esporte mais popular nesse orbe azulzinho insiste em seguir vivendo em nossos corações, e nesse país tropical abençoá por Dê e roubá por um mon de fi da pu, não é justo que nenhum vivente follado y mal pago fique por fora de assunto tão relevante quanto o idioma falado nos bastidores desse esporte que foi um dia importado da terra de Bill Shakespeare e que aqui se tornou tão brasileiro. Sendo assim e assim sendo foi que a quase dinâmica e atuante equipe esportiva que atua neste bloguito, resolveu criar um providencial Dicionário de Futebolês para deixar você por dentro de um Maracanã de palavras e expressões futebolísticas contidas no jargão corrente do dito esporte brutão, quer dizer, esporte bretão.

                                         1. Cruzamentos
 Quando estão afinzonas de um jogador, as assaz determinadas Marias-Chuteiras costumam usar e abusar dos cruzamentos para que seu alvo - e não estou falando de tom de pele - perceba que está sendo convidado para adentrar o gramado lá delas, que por sinal está sempre em excelentes condições para a prática de um match de muito mais que 90 minutos, com direito a intermináveis prorrogações.

2.Invadindo a pequena área
 Em tempos pretéritos que longe vão, as donzelas militantes e juramentadas, mesmo subindo pelas paredes e morrendo de vontade de dar, por questões da moral vigente não podiam deixar que a rapaziada do Bráz - ou de qualquer parte -  invadisse suas grandes áreas. Suas pequenas áreas, então, nem pensar. Hoje, com a revolução sexual, está valendo tudo e se o jogador não vai à linha de fundo da parceira um monte de vezes fica mal falado porque atualmente no campo do sexo está valendo tudo e mais um pouco.



 3. Gol de bico
  Recurso muito utilizado no futebol feminino, embora aparente ser um tanto dolorido.

4. Impedimento
  Em certos dias do mês a namorada do jogador costuma exibir um cartão vermelho-sangue para ele, uma coisa verdadeiramente menstruosa, digo, monstruosa. Assim, impedido de penetrar a zona do agrião da sua amada e desejada, o craque sai de campo de cabeças baixas.

                    5.Entrando com bola e tudo
Maria-Chuteira que se preza adora quando o craque malhadão mostra seu gingado e parte com tudo pra cima dela com toda sua maledurência, indo fundo e adentrando a meta com bolas e tudo. Aí é aquele delírio, galera!

6. Elemento surpresa vindo de trás
Nunca é demais dizer que o elemento surpresa é decisivo e muitas vezes é preciso uma virada de jogo para satisfazer as gatinhas que estão cada dia mais fogosas, mais exigentes e mais sem barreiras. 

7. Triangulação
 Tem mulher de jogador que acha que um pouco, dois é bom e três é bom pra ca-ra-lho!! Toda véspera de jogo o marido boleiro vai para a concentração por ordem do técnico linha-dura do time e lá fica com um monte de barbudos, deixando em casa a excelentíssima. E bote excelentíssima nisto! Já ela, sempre fogosa e insaciável, aproveita para se concentrar em sua alcova com o sempre prestativo Ricardão que chega cheio de amor pra dar,  faz um rápido aquecimento secando rapidinho todo o scotch do ausente marido atleta, e depois de  mostrar seu invejável alongamento que sempre deixa a moçoila babando, vai adentrando no maior pique o gramado da ansiosa beldade e dando aquele show de bolas para o êxtase da gata.

8. Tabelinha
 Jogadores de futebol juram o tempo todo que tem o maior respeito e amor pela camisa do seu time. Já pela famosa e popular camisinha costumam deixar claro que não sentem o mínimo respeito nem amor algum, demonstrando total desprezo pelos preservativos. De sua parte a Maria-Chuteira diz que não usa pílula porque não se dá bem com químicas e prefere usar o método da tabelinha, mais natural e saudável. Aí, num retumbante dia a tabelinha falha e a sarada barriguinha da moça, moldada em academias, começa a crescer, crescer. O resto é aquela velha história: depois de nove meses um advogado com a cara do Sérgio Mallandro - Ié Ié! - aparece na porta da luxuosa-porém-kitsch mansão do jogador com um risinho irônico nos lábios, exibindo um teste de DNA numa das  mãos e trazendo na outra uma ordem judicial  mostrando que o boleiro vai ter, pelo resto de sua vida, de morrer todo mês com uma milionária pensão à Maria-Chuteira.
(130514)

O cangaceiro ilustrado e MacGyver / Arte que se reparte 1

A imagem do homem do cangaço ficou conhecida mundialmente com o sucesso que acompanhou o filme O cangaceiro, do cineasta Lima Barreto, laureado no Festival de cinema de Cannes em 1953. O filme foi comprado por mais de 80 países e exibido com êxito absoluto, notadamente na França, onde o sucesso foi tão grande que o filme ficou em cartaz por quase cinco anos seguidos, façanha que nenhum blockbuster da indústria cinematográfica hollywoodiana conseguiu superar ou mesmo igualar.
***E como esse negócio de Photoshop e Illustrator são para os fracos, fiz este desenho utilizando um papel Opaline bem encorpado, com 200 gramas, esboçado com grafite B, sendo que utilizei pincel Kolinsky e um guache branco que logo foi coberto com alguns litros de nanquim preto e enxaguado debaixo de torneira com água corrente para conseguir a textura pretendida. MacGyver perde fácil, fácil.
(180215)

Marijuana e La Cucaracha em dose dupla.

A tradicional e assaz alegre canção popular La cucaracha, que fala nos percalços existenciais de uma barata coxa, é antiquíssima, sendo cantada desde antes da Revolução Mexicana. Pela simplicidade e tom lúdico de sua letra e pela alegria contagiante da melodia, a tal barata tornou-se tão famosa quanto sua colega kafkaniana e a singela música logrou virar patrimônio cultural do Mundo. Assim como a canção cubana Guantanamera, ela tem variadas letras que se encaixam numa mesma melodia e algumas versões remontam aos tempos de Pancho Villa e Zapata. Uma delas é essa que os bravos rapazes do Kumbia Kings Brown Jr. gravaram. Como o assunto é palpitante e de largo interesse popular, coloco de quebra a versão feita por el gran Mario Baez, sendo que, com ligeiras variações, ambas as letras falam em marijuana, coisa seguramente mais antiga e popular que a lúdica e contagiante canção e que, segundo os aficionados, não dá cucaracha, digo, não dá barata, mas dá o maior barato. Ouçam com moderação, pois  os mais afoitos podem se viciar.
(02/06/16)

17 fevereiro 2017

Um autóctone brasileiro em Nova York / Postagens no Facebook number 1

Em noite do mais argênteo plenilúnio estava eu aqui em minha cobertura no Soho, Big Apple, empenhado no labor de livrar-me de incômodos pruridos em minhas pudendas partes, quando eis que me chega às mãos uma infomensagem de sinal de fumaça enviada pelo intimorato cacique-cartunista Biratan, nobre aborígene paraense que sói desfilar seu garbo varonil pela jângal, paramentado com seu cocar feito com penas...de nanquim. O nobilárquico silvícola Papaxibé me deixa claro que tenho que postar nesse espaço três rabiscos diários durante cinco luas. Ou é isso ou ele declara guerra contra minha tribo baiana, os índios Akarajés.
1. NELSON RODRIGUES, grafite B, caneta nanquim descartável, alguns vidros de ecoline e um tostão de Photoshop.
2. GARI, lápis HB2, tinta acrílica sobre tela e um grama de Photoshop.
3. ORELHÃO, grafite B, canetas nanquim descartáveis, pincel Kolinsky number 2, um trapinho manchado de nanquim sobre papel Opaline 180 gramas e uma espórtula de Photoshop. 
(11/02/2015)

15 fevereiro 2017

Literataços, poetaços e cartunistaços / Postagem no Facebook number 5

Anos e anos de trabalho ilustrando toda sorte de texto para jornais, revistas e livros me possibilitaram a fortuna de manusear e ler em primeira mão originais escritos por quem domina a difícil arte de bem saber escrever. Em injusta contrapartida - hélas, hélas! - também fui obrigado a assistir a um interminável desfile de escribas ilegítimos que se julgam detentores da raríssima habilidade de tratar com intimidade e maestria as palavras. E assim pensando nos impingem uma profusão de escritos, invariavelmente alambicados, acacianos e rebarbativos, acometidos que são por deletérios achaques literários que certamente fazem o velho e bom Machado revirar-se no mausoléu qual um irrequieto dançante de hip-hop. O mais das vezes por tais pretensos literatos ignorarem que são portadores de um grave mal, muito comum neste século, de nome científico egoinfladozitis exasperantis, enfermidade que nem sempre é silenciosa, como muitas vezes é estridente. Empunhando impunemente penas, esferográficas e teclados saem por aí de forma inadvertida atropelando o vernáculo, estuprando métricas e sintaxes incautas, violentando as mais inocentes ortoépias. Tudo tem um limite nessa vida. Foi por não suportar mais conviver com essa gente e suas veleidades malsãs que decidi abandonar meu trabalho na imprensa tupiniquim e desistir de vez de continuar morando em um país de tanta mediocridade travestida de mérito, tanto tráfico de influência torpe, tanta incompetência premiada indevidamente. Hoje, confortavelmente instalado no Soho, aqui na Big Apple, sou a própria imagem da realização. Ah, pobre literato Lima Barreto, pobre Isaías Caminha, obrigado pela necessidade a desperdiçar seus dias em uma redação com aquela corja de peralvilhos. Se houvesse largado tudo e se mandado para um centro mais evoluído como fiz, certamente alcançaria sucesso similar ao que consegui. Hoje, meus céus são de brigadeiro, meus mares são de almirante, minha vida é um mar de rosas e aqui da minha cobertura no Soho, saboreando um maravilhoso Romanée-Conti safra 1892, olho o mundo de cima.
 ***Torcida brasileira, é a última volta do ponteiro! Hoje é o derradeiro dos cinco dias das minhas postagens conforme o inviolável regulamento aqui proposto, se é que há alguma coisa inviolável nesse país. Posto três caricas que publiquei em gazetas e revistas. Cada arte vem acompanhada da respectiva técnica utilizada, não há segredos. Meus mais respeitáveis agradecimentos ao indômito cacique paraense Biratan pelo convite de participar nesse projeto de artistas publicando sua arte no Facebook.

1. AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA E MÁRCIO SOUZA. Papel Opaline, 180 gramas, grafite B, caneta de ponta porosa, tinta Ecoline, lápis Caran D’ache e algumas migalhas de Photoshop.
2. GILBERTO GIL, MARIA BETHÂNIA, CAETANO VELOSO, GAL COSTA no show OS DOCES BÁRBAROS, em sua primeira versão. Papel Opaline, 180 gramas, grafite B, caneta nanquim descartável, tinta Ecoline, lápis Caran D'ache, algumas migalhas de Photoshop.
3. IRMÃ DULCE. Papel Opaline 180 gramas, grafite B, tinta Ecoline, lápis Caran D'ache e umas gotículas de Photoshop.
(12/02/15)

La belle de jour no Rio de Janeiro / Arte que se reparte 2

Quando vou ilustrar o texto de algum profissional da escrita, busco ler seus escritos com o devido respeito e a mais absoluta atenção para poder interpretar bem e saber qual é o terreno em que devo caminhar. Tenho sempre em mente a intenção de me tornar um parceiro do escriba e não seu concorrente na busca pela admiração dos leitores. Sempre almejo criar uma ilustração que desperte nesses leitores o interesse pela leitura do texto, fazer com que fiquem curiosos com o que ele lhes revela, o que nele motivou aquele desenho. Nada de fazer uma ilustração que seja muito bonita graficamente mas que fuja ao espírito do que ali está descrito por palavras. Também acho de primordial importância não cair na armadilha de fazer um desenho que revele antecipadamente o conteúdo dos escritos, tirando a surpresa, o interesse dos amáveis e sapientes leitores, equívoco em que alguns desenhistas por vezes incorrem. Também vale dizer que se no dito texto a ser ilustrado há elementos de malícia ou conteúdo político, sensualidade, suspense, humor ou outros que tais, intento fazer com que esses elementos se incorporem ao desenho que vou produzir, seja através da composição, das linhas, dos enquadramentos, das expressões ou da postura dos personagens colocados em cena. Isto é um pouquinho dos "bastidores" de um desenho que muita gente sequer imagina existir, crentes que um desenhante já tem tudo preparadinho dentro de sua mui privilegiada cuca, como se fosse o conteúdo de um pendrive, bastando que esse artista gráfico empunhe um lápis ou caneta, e aí esse seu pendrive interiorcomo em um passe de mágica, faz todo o trabalho surgir prontinho, prontinho no branco virginal do papel. 
***A ilustração acima foi feita para o texto La belle de jour no Rio de Janeiro, do livro A ÚLTIMA COPA EM PARIS, de autoria do escritor Ademar Gomes. Usei papel Opaline 180 gramas, grafite B, canetas nanquim descartáveis e umas somíticas gotinhas de Photoshop.
(190215)

13 fevereiro 2017

Na cola do original caricaturista Hanoch Piven, de Israel




Há muita gente boa no mundo das artes. Navegando na Net é fácil descobrir uma pletora de caras habilidosos pintando, desenhando, fazendo caricaturas. O mais difícil é ser original entre tanta gente de talento incontestável, fazer algo sem conter aquela inconveniente sensação de déjà vu. Dia desses, ao navegar pelos mares virtuais, tive sorte de encontrar o site de um caricaturista muuuuito massa chamado Hanoch Piven. O cara é de Israel, publica em diversas partes do mundo e tem uma legião de fãs. Seu trabalho, que tem aquela aparente simplicidade das coisas geniais, consiste em fazer caricaturas na base da colagem, o que não é novidade,  sendo tais colagens feitas com prosaicos materiais de uso doméstico com os quais consegue um resultado pra lá de original como se pode ver nestas caricas de sua autoria que ilustram esta postagem mostrando Karl Marx, um verdadeiro cara-de-pão, Obama, Einstein e o já macróbio Fidel Castro, quase virando fumaça, como a oriunda do seu puro. Para quem estiver a fim de se deliciar com o belíssimo trabalho deste israelita fera, vai aqui o link para uma mais que agradável visita ao seu site: http:www.pivenworld.com
(Publicado originalmente em 09/11/13)

12 fevereiro 2017

Filins inmái rarte: cantores norte-americanos made in Brasil

Numa de suas belas composições, Caetano Veloso – sempre um sábio - asseverou que só se é possível filosofar em alemão. Para grande parte dos brasileiros parece que só se é permitido cantar e gravar canções se elas forem feitas em Inglês. Basta ver o repertório apresentado por calouros em atuais programas das nossas TVs. E olha que isto já foi beeeeem pior, acreditem vocês. Nos anos setentas, em quase toda sua totalidade, cantores brasileiros foram sumariamente varridos das paradas de sucesso, programa de rádios, das TVs, da mídia em geral deste patropi abençoá por Dê e boni por naturê, maquibelê! Só se tocavam, só se escutavam, só eram divulgadas nas nossas mídias as músicas norte-americanas e inglesas. E como o ditado versa que quando você não pode com um inimigo, deve unir-se a ele, houve à época um acontecimento que vale a pena que nos recordemos sempre, dado o inaudito e o irônico do fato. Um novo contingente de gringos, nomes não ouvidos até então, foi invadindo rádios e TVs tupiniquins, sem esbarrar nas mesmas resistências às canções e aos cantantes brasileiros, tocando, fazendo enorme sucesso, integrando trilhas musicais de novelas, vendendo toneladas de discos, ficando meses em paradas de sucesso. Estes gringos na verdade eram "gringos", assim, com aspas, sendo tão americanos e ingleses quanto você e eu. Ou sejam, eram cantantes made in Brazil que acharam um jeitinho de fazer chegar a hora desta gente bronzeada mostrar seu valor. "Norte-americanos" e "ingleses" nascidos por aqui mesmo, já que eram cantores e compositores brasileiros que, para burlar a barreira erguida pelo aculturamento, passaram a compor músicas no idioma de Bill Shakespeare e adotando como pseudônimos uma lista de nomes de origem anglo-saxônica para dar mais credibilidade, lembrando um recurso que cineastas e atores italianos empregavam, à época, ao produzirem seus spaghetti westerns. Para completar, as capas de tais discos feitas de forma a parecer que eram originalmente produzidos no exterior, e assim os nossos criativos “gringos” iam conseguindo seu lugar at the sun. Ou seja, foi imprescindível essa transgressão para que muitos artistas brazucas conseguissem fazer sucesso. E que sucesso, que sucesso! Nomes como Morris Albert, Terry Winter, Mark Davis, Tony Stevens, Steve Maclean e Michael Sullivan, entre outros, que embalavam as festinhas adolescentes, adentravam os lares, vendiam pilhas e pilhas de discos, ficavam meses nas paradas de sucesso. E depois de conseguirem esta façanha, partiram para uma maior, e começaram a figurar por largos tempos nas paradas de sucesso de diversos países e a serem gravados e regravados por gringos, estes, sim, autênticos. Morris Albert, por exemplo, teve sua composição "Feelings" gravado por cantantes do mundo inteiro, incluindo o consagrado Frank Sinatra e Elvis Presley. Outros grandes astros e estrelas da música norte-americana, como Nina Simone, também a gravaram, a lista de celebridades a gravá-la é enorme, incluindo o supracitado Caetano Veloso. No roteiro do filme "Susie e os Baker Boys" a canção é o pomo da discórdia entre os personagens da lindinha Michelle Pfeiffer e os brothers Jeff e Beau Bridges. Morris vendeu mais de 160 milhões de discos pelo planeta! Uau! Ontem, ao rever "Entre Tenieblas", de Almodóvar, percebi que uma das músicas utilizadas era "Dime", grande sucesso na Espanha. Nada mais que uma versão em língua espanhola para "Feelings", de Morris Albert. Um dia, um juiz da corte norte-americana afirmou em sentença que ao compor a música, Morris teria plagiado uma antiga canção de nome "Pour toi", composta em 1956 pelo francês Loulou Gasté, canção essa gravada por Dario Moreno, que fazia parte da trilha sonora do filme Les Feux aux podres. Muita gente que opina concorda que há semelhanças, notadamente nos acordes iniciais da canção, mas que elas não chegam a se constituir em um plágio, discordando frontalmente do juiz, cuja sentença foi amplamente favorável ao compositor francês já que, no entendimento do magistrado, Morris deve ser considerado apenas o autor da letra em Inglês, um absurdo que configura um autêntico assalto jurídico, e nós, brasileiros, sabemos sobejamente o que é isso. Polêmicas à parte, ''Feelings" tornou-se um dos imortais clássicos mundiais da canção graças ao talento de Maurício Alberto, nome verdadeiro de Morris, sendo Maurício um cidadão brasileiro, um paulista que, nesse país por vezes tão surrealista, por força das circunstâncias, tornou-se certo dia um cantor e compositor “gringo”.
(12/05/2013)

Pablo Lobato, artista gráfico argentino, uma fera da caricatura.

1. O melhor do mundo da bola 2. O primeiro Presidente negro lá deles 3. Sparrow 4. Potter
Em nome de uma nada salutar rivalidade, tempos houve em que nesse Brasil brasileiro, mulato inzoneiro, era terminantemente proibido tecer elogios a qualquer vivente nascido na Argentina, notadamente os que com suas chuteiras adentravam os gramados de futebol e nos faziam passar por tortuosos e inacabáveis momentos, tornando cada jogo muito mais que uma mera disputa esportiva, um embate acirrado, uma batalha épica digna de Titãs ou dos 300 de Esparta. Reconhecer que Maradona era um jogador fantástico era algo impensável. Podia-se até considerá-lo como tal, mas dizer, jamais. Hoje em dia, dentre nós, até os mais fanáticos  baixam a crista concordando com o fato de que os grandes arsenais de craques brasileiros sumiram de cena de há muito. Deixando um pouquinho de lado o formidável craque luso Cristiano Ronaldo, reconhecemos como o melhor jogador do futebol em todo esse vasto planeta um argentino chamado Lionel Messi, cracaço de la pelota, cheio de admiradores aqui nesse auriverde país, gente que dá um tempo no que estiver fazendo para ver os jogos em que ele atua pelo seu clube europeu. É, os tempos mudaram e mudaram muito no chamado esporte bretão. Mas nas artes do desenho, da caricatura, do cartum, da ilustração e da pintura as coisas continuam as mesmas já que de há muito temos os argentinos na conta de grandes mestres dessas artes todas aí. Taí o maravilhoso trabalho do craque platino Pablo Lobato que já publicou nas maiores revistas desse planeta, digno de figurar em qualquer lista do tipo top-10, sempre dando um inebriante show de bola. Salve, salve Pablo Lobato!
(21/05/15)

10 fevereiro 2017

Capinan, Itamar Tropicália, o Olodum, os versos corrigidos

Quando o consagrado movimento batizado de Tropicália foi criado, o inspirado poeta José Carlos Capinan era um dos mais notáveis participantes escrevendo belas e definitivas letras para canções que entraram para a história da MPB. Anos depois, um outro poeta, Itamar Tropicália - que de forma significativa trazia em seu próprio nome o nome do movimento - homenageou Capinan na canção "Alegria Geral", em que escreveu versos que também louvavam Dona Canô, Tom Zé e o Olodum, internacional bloco afro do Pelô: "O Olodum está hippie, o Olodum está pop... " escreveu Itamar. O povo escutou, assuntou e sem pestanejar, pelas ladeiras e vielas baianas, corrigindo os versos que o vate escrevera, convicto entoou: "O Olodum tá rico, o Olodum tá pobre..." Lá no céu, onde agora vive, Itamar Tropicália deve ter gostado.

09 fevereiro 2017

Carmen Miranda, the Lady with the Tutti-Frutti Hat / Umas minas que eu amo 1


 Nunca houve uma mulher como Gilda, dizem. Concordo que Gilda não era fraca, não, mas digo que nunca houve mesmo é uma mulher como Carmen Miranda. E quem a viu cantando, dançando, atuando jamais poderá delir da memória Carmen, a brazilian bombshell. Sua imagem que atraía todos os olhares qual um irresistível imã, foi mostrada em todo planeta pelo cinema dos states. Os americanos renderam-se aos seus irresistíveis encantos que tantos eram e quem a conhece jamais a esquece, seja na América do Norte, na Europa, em todo orbe. Mais de meio século já se passou desde suas deslumbrantes aparições nos tais filmes made in USA e volta e meia ela é citada em fitas atuais, sua música, sua imagem. Como em filmes de Woody Allen, que parece adorá-la, até mesmo em desenhos animados como de Tom e Jerry, Patolino, Pantera Cor-de-Rosa, Popeye, Bob Esponja e uma lista interminável de cartoons. É bem verdade que os filmes hollywoodianos com Carmen tendiam para o estereótipo, morenas lânguidas dormitando ao sol, toneladas de banana e brasileiritos com sombreros e maracas, ainda assim vale a pena ver a Pequena Notável em ação muito à vontade dividindo a cena com monstros lendários das telinhas e telonas americanas como Grouxo Marx e Jimmy Durante que deixavam transparecer o prazer de estar atuando ao lado dela. Carmen era imitada por estrelas americanas contemporâneas suas e isso vale como homenagem pois todas sabiam que Carmen era única e inimitável. Seu sucesso jamais encontrou similares pelo ineditismo, pelo raro poder criativo, pela força de sua presença em cena. Cantora e atriz que a todos hipnotizava quando no palco ou nas telas, como não se curvar diante de sua voz, sua interpretação, sua brejeirice, sua ginga, seu enorme talento natural para o burlesco, sua graça, seus gestos expressivos, seus figurinos que ela própria criava, seu domínio do palco e das plateias? Tudo em Carmen Miranda sempre foi original, inefável e inaudito. Com seus turbantes e balangandãs, quando The Lady of the Tutti-Frutti Hat pisava no set, não tinha pra mais ninguém, roubava a cena de qualquer grande estrela que com ela contracenasse. Tudo isso não se trata de forma nenhum de mero saudosismo, mas de justo e necessário reconhecimento. Enquanto na memória americana e europeia Carmen segue vivendo, aqui no Brasil, sua terra, tratam de esquecê-la depois de tentarem sepultá-la em vida como artista sob alegação de que teria incorrido no grave delito de voltar americanizada da terra de Tio Sam. Fácil é perceber-se que nestes tempos hodiernos a insaciável indústria musical e a mídia enriquecem seus patrões fabricando em série as maiores bandas de todos os tempos da última semana e uma pletora de astros que serão descartados para dar lugar a outros produtos similares, todos com seus sucessos estrondosos por um ano, um verão ou mesmo uma só música, todos feitos para serem consumidos por pessoas que se satisfazem com bem pouco. Acima, muito acima destes produtos descartáveis estão os verdadeiros astros e estrelas. E entre estas, a maior de todos os tempos, a única e verdadeiramente inesquecível, a estrela mais fulgurante de todas, Carmen Miranda.
(10/10/13)

08 fevereiro 2017

Hurricane Smith: Não deixe morrer a natureza e este planeta, baby!

Hurricane passou qual um autêntico furacão na vida de quem viveu os anos setentas como eu vivi. Refiro-me a Hurricane Smith, artista que emplacou  grandes sucessos musicais na mencionada década e depois saiu de cena meio que à francesa, embora fosse ele um autêntico britânico. Esta semana eu estava revendo "Toda nudez será castigada", antigo filme de Arnaldo Jabor, baseado em peça de Nelson Rodrigues, e percebi, surpreso, que na trilha sonora do filme a música feita para emoldurar o início da explosiva paixão do casal protagonista é simplesmente "Oh, Babe"("What would you say?") do velho e bom Hurricane. Corri à Net para uma bisbilhotada básica e descobri coisas que me surpreenderam, como por exemplo, que ao invés de um popstar doidão, Smith havia sido por longo período o mais que correto e eficiente engenheiro de som a serviço dos seus conterrâneos ingleses que formavam uma banda conhecida como...The Beatles! O nome de batismo do cara era Norman Smith, seu apelido de Hurricane havia sido posto por ninguém menos que John Lennon devido ao modo de ser de Smith, sempre tranquilão, sem pressa, inabalável, totalmente oposto ao significado da palavra hurricane no vocabulário da terra do bardo Bill Shakespeare. O velho e sempre bom humor inglês não podia faltar no genial John. Vale lembrar que Hurricane Smith sabia das coisas e foi vanguarda em assuntos ecológicos, um dos primeiríssimos a mandar um recado consciente e premonitório sobre a progressiva destruição da natureza pelo homem numa canção de 1971 chamada "Don't let it die" que fazia um alerta aos habitantes deste orbe e os conscientizava dos males que poderiam nos atingir a todos. Essa canção é tão boa que o próprio Lennon a gravou e segue na ordem do dia devido à irresponsabilidade e a ganância de muitos homens que buscam dinheiro sem se importar com as consequências nefastas de seus atos, tão prejudiciais a esse planeta azulzinho. No YouTube pode-se ouvir canções de Hurricane, que faleceu em 2008, na mesma Londres onde nascera. A interpretação de Mama Cass Elliot para o hit "Oh, babe", do carinha, é uma 
belezura. Hurra, hurra, hurra, Hurricane
!
( 07/11/12)

Ramona Fradon, uma desenhista de quadrinhos norte-americana, e seus desenhos maravilhosos / Texto 1.


O mundo das Histórias em Quadrinhos, como qualquer manifestação ou segmento da nossa sociedade, artístico ou não, traz em si sinais evidentes do comportamento humano predominante, sejam positivos ou negativos. Jornais, revistas e TV quando noticiam ou deixam de noticiar qualquer coisa fazem a notícia chegar ao público com as marcas de suas influências, forma de pensar, conveniências, seus interesses comerciais e políticos. Por vezes não noticiar algo também é indicativo claro desses interesses sejam individuais ou de grupos, que no mais das vezes não correspondem aos interesses da população.  Não fosse isso o bastante, ainda há nas coisas veiculadas sinais indicativos do pensamento pessoal, individual de quem escreveu o texto a ser veiculado ou do editor que determinou o tipo de enfoque a ser dado na matéria ou artigo a ser publicado. Para uma multidão de leitores desatentos ou mesmo alienados, tais coisas passam despercebidas. No entanto, há os mais antenados, os atentos, os que leem além do que geralmente se publica, que sabem perceber as coisas contidas nas entrelinhas ou decifrar verdades na forma como foi escrito um texto. Assim é que ódios diversos, preconceitos religiosos ou de cor ou de etnia ou de gênero costumam ser engolidos, consumidos, digeridos, assumidos por milhões de pessoas mundo afora, sem serem filtrados pela mente, com a necessária atenção e bom-senso. E esses ódios e preconceitos são digeridos de forma muito rápida e quase instantaneamente se instalam nos cérebros desses seres mais desavisados. Pessoas assim não conseguem enxergar nos textos e notícias veiculados o racismo, a misoginia, a homofobia,a exclusão social, o reacionarismo, as palavras de ordem do extremismo, a exaltação de líderes nefastos, a propagação de ideias repletas de aberrações sociais e políticas ou coisas menos graves mas, ainda assim, nocivas. Evidentemente um assunto tão complexo como esse não se esgota em uma pequena postagem como essa. Longe, muito longe disso. Mas esse meandro todo serve para colocar em questão o tratamento diferenciado e injusto dado às profissionais mulheres em relação aos homens. E aí volto às histórias em quadrinhos, já que quero me referir especificamente a uma profissional dos quadrinhos de altíssima qualidade, dona de uma extensa e extensa produção dentro do universo da chamada Nona Arte. Essa profissional, uma norte-americana, chama-se Ramona Fradon. Quem?!?, é a pergunta que muitos quadrinhomaníacos se farão por saberem de cor uma extensa lista de nomes e nomes de famosos desenhistas de quadrinhos e  não terem jamais lido algo sobre essa extraordinária desenhista. Justamente porque o tratamento dado a uma mulher profissional não é o mesmo dedicado a homens, como na imensa maioria dos setores profissionais, artísticos ou não artísticos. Como se fosse natural, homens são endeusados e mulheres tratadas como seres que merecem apenas o papel de coadjuvantes e que devem se conformar com isso. Posto aqui alguns desenhos de Ramona para que vejam a fera que ela é e sempre foi. Certamente a reação de muitos será de surpresa ao ver que, sim, já conheciam e admiravam tão lindos desenhos, apenas não sabiam se tratar de uma mulher. Não uma mulher qualquer, uma mulher que provou ao longo de sua vasta e ininterrupta produtividade ao longo de seus atuais 90 anos, que o talento e o poder de realização da bela e sempre amada arte das HQs não é um campo restrito a privilegiados do gênero masculino. Viva, Ramona Fradon com seu maravilhoso talento!
(26/08/16)

07 fevereiro 2017

Bill Watterson, Calvin and Hobbes / Uns cara que eu amo 5

 
Entre meus quadrinhos preferidos está Calvin and Hobbes, aqui no Brasil conhecidos como Calvin e Haroldo. Bill Watterson não é apenas um estupendo desenhista, é um argumentista de raro talento que criou um universo mais que maravilhoso onde um menino, Calvin, e seu companheiro constante, Haroldo, um tigre de pelúcia que ganha vida quando ambos estão a sós sem a inconveniente interferência de adultos. Estes, por sua vez, transformam-se, na prolífica imaginação de Calvin, em dinossauros ou em monstros estranhos de outros universos, sempre prontos a atrapalhar a vida do inteligente menino. E inteligência é o que mais se vê nas tiras de Watterson, presentes nos diálogos mais criativos das HQs desde que foram inventadas. As situações que ambos vivem, mesclando realidade e fantasia para discutir problemas do homem atual, ultrapassam os limites da mesmice, das fórmulas fáceis, das mensagens convencionais com tipos estereotipados que os americanos tanto adoram. Tão fora do convencional é Bill Watterson que um dia, gozando de notável popularidade e do mais irrestrito respeito, para surpresa geral deixou de produzir desenhos com o menino e seu tigre. Talvez tenha se cansado, talvez fazer as tiras não lhe trouxesse mais alegrias, talvez - quem sabe - achando que poderia repetir-se, tenha resolvido parar depois de 10 anos onde chegou a produzir mais de 3100 tiras da dupla de personagens. Retirou-se do cenário artístico e não pensou como qualquer criador, americano ou não, de explorar comercialmente seus personagens, o que o tornaria um multimilionário, fazendo lembrar o genial desenhista do underground Robert Crumb que se lixava para o mercado de licenciamento para o qual dava sonoras negativas e explícitas bananas. Caramba!, gente assim sempre me causa uma profunda admiração e um enorme e insopitável sentimento de inveja pela firmeza de caráter, pela forte personalidade com que mostram que estão acima da mesmice geral, pela maneira independente de pensar e de recusar-se a ser apenas mais um na manada, mais um na interminável multidão dos medíocres que povoam uma grande extensão neste vasto orbe.
(Publicado originalmente em 10 de novembro de 2013)

06 fevereiro 2017

Calúnia Social de Setubrahim Sued

Em sociedade tudo se sabe. Na sua sofisticada mansão em Belle Island, santuário dos milionários do jet set paulistano quatrocentão, o megapainter Gonzalo Cárcamo recebeu em petit-comité os big shots do portrait-charge nacional, Paul Le Carrusô e Richard Onlyairs vindos da Supercap. No farto buffet servido, entre os mais diversos acepipes constava o exótico ceviche, uma espécie de sashimi latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do exterior. Tais iguarias cruas têm hoje um viés politicamente correto, vez que ajuda o Brasil a economizar gás, iniciativa assaz patriótica nestes tempos economicamente tão bicudos quanto o Evo Morales. Para dizer uma verdade nua e muito crua, quando oferecem carpaccio para meu chauffeur, Paulo Miklos, ele logo vai bradando: "O meu quero bem passado!" Visando regar os bofes dos convivas, Don Gonzalito serviu champanhota, cervejota e cachaçota. De leve. Ou melhor, da pesada. No crepúsculo, o hostess chileno-soteropaulistano mostrou seus dotes badenpowellísticos e dorivalcaymmicos dedilhando um violão e soltando sua estentórea e bem afinada voz em clássicos de Waldick Soriano, Frankito Lopes, Anísio Silva e Miguel Aceves Mejia. Le Carrusô além de emprestar sua voz para um luxuoso dueto vocal , empolgou-se e provou que em matéria de samba tem polca nos pés. Tremendo Su. A tertúlia só foi interrompida com a chegada de les hommes numa muito escura viatura, chamados que foram pelos vizinhos que não aguentaram mais ouvir Don Gonzalito cantar pela centésima vez o "Cu-cu-ru-cu-cu Paloma". Bola preta para tais invejosos. Os cães ladram e a caravana enxuga e passa. Ademã que eu vou em frente. Cavalo não desce escada. Meus puros-sangues árabes, por exemplo, só vão de elevador. Social, é claraaaro, que é para eles não se misturarem com a gentalha. Sorry, periferia!
(06/02/14)

05 fevereiro 2017

Loredano, caricaturista / Uns caras que eu amo 4


A maior fera que já vi fazer caricaturas neste planeta é o Loredano. E olhe que há gente muito boa caricaturando mundo afora. Tive eu - Deus é bom - a grande fortuna de havê-lo conhecido durante uma exposição da Fiocruz, no Rio de Janeiro, há bem uns 20 anos. Bebericamos, batemos um papo agradabilíssimo em mesa de bar entre outros desenhantes. E me prestou ele uma prestimosa e assaz luxuosa assessoria para que eu pudesse contar ao grupo de cartunistas uma piada sobre lusitanos, com o devido respeito, de maneira politicamente correta, sendo eu um cara respeitador das soberanias nacionais. Pelo fato de Cassio Loredano haver morado em Portugal, o acento português que reproduzia em suas falas era escorreito, mil vezes melhor que o meu sotaque canastrão. Vai daí que, com a caveira cheia dos mais diversos e capitosos licores, eu ia contando a piada e nos momentos em que nela havia a fala de um lusitano, imediatamente eu repassava ao Loredano a incumbência de repeti-la em voz alta aos demais, com o seu impecável sotaque luso, coisa de fazer babar quaisquer Camões, Pessoas ou Saramagos. Nós e todo o grupo ríamos às escâncaras, não pela piada em si, mas pelo nosso canhestro mise-en-scène, reforçado pelo fato da piada ser contada a quatro mãos. Ou duas vozes, sei lá. Além de ser o gênio da caricatura que é, Cássio Loredano é um gentleman, um cara bem humorado, de bem com a vida, cordato e, nem preciso dizer, inteligentíssimo. Sempre admirei nele seu traço elegante e sua maneira única e original de distorcer, quando o quer, as faces, os corpos de seus modelos e fazer com seu traço mágico uma cirurgia desconstrutiva tal que algumas vezes o nariz vai parar acima dos olhos - como no caso dos escritores Saramago e Nelson Rodrigues aí em cima - sem que se perca a impressionante fidelidade ao rosto, à personalidade do modelo. Hoje em dia há uma certa tendência das revistas e jornais de só utilizarem vistosos desenhos super coloridos, executados em computadores nos mais hodiernos programas. Há quase uma ditadura. Mas Loredano - assim como o genial ilustrador Flavio Colin - usando na maioria das vezes apenas nanquim preto, prova que a verdadeira genialidade está acima de modismos e tendências na ordem do dia. Suas caricaturas são um deleite, um colírio, um bálsamo para olhos e almas. Pela Europa, onde ele já passou e publicou, há um monte de seguidores seus. Lá, como cá, quem sabe o que é bom fica fã incondicional das  caricaturas exatas de Loredano que, dentre tantos caricaturistas maravilhosos espalhados por este imenso orbe, é aquele que mais me impressionou desde sempre. Axé, Loredano!
(Publicado originalmente em 20/08/13)

As Histórias em Quadrinhos e seus implacáveis inimigos

É inegável que a linguagem das histórias em quadrinhos é envolvente e extremamente comunicativa. Tão impactante é que a grande maioria das pessoas que leem uma HQ pela primeira vez costuma se apaixonar de cara por essa forma de expressão, seduzida pelo seu aspecto visual cheio de alternativas, pelo texto que se alia aos desenhos instigantes, pela criatividade que geralmente os personagens contém, bem como pela forma dinâmica de narrar que aguça a curiosidade dos leitores a cada página lida, assemelhando-se à narrativa do cinema. Essa paixão, que ocorre literalmente à primeira vista, costuma ser duradoura na vida dos que se iniciaram na leitura das histórias em quadrinhos. Mas nem tudo são flores no universo da chamada Nona Arte. Em meados do século passado, quando os quadrinhos começaram a ser publicados em larga escala nos Estados Unidos, logo começaram a alcançar uma grande parcela de leitores e um abrangente espaço no panorama cultural. Tudo corria bem até surgirem ferrenhos opositores da nova linguagem que nela enxergavam uma arma maligna e poderosa capaz de destruir corações, mentes e o próprio país. Um dos mais lamentáveis  ataques aos quadrinhos nos EUA partiu do psiquiatra Frederic Wertham, que em 1954 escreveu e publicou o  livro "A Sedução dos Inocentes", em que atacava impiedosamente os quadrinhos, neles só vendo enormes malefícios. Além dele, um grande número de políticos arrivistas, de religiosos, setores mais conservadores da sociedade ianque  e grupos reacionários colocavam as pessoas em pânico propagando que a sociedade estaria seriamente ameaçada por inimigos tenebrosos, infiltrados silenciosamente em diversas atividades da vida cotidiana dos ianques, prontos a destruir o país e seus inocentes cidadãos. O setor cultural foi uma grande vítima dessa absurda e estapafúrdia mentalidade paranoica. Livros, filmes, peças de teatro, artes plásticas foram atingidos de forma impiedosa pelos ditames de grupos retrógrados sob o pretexto de defender o país e sua coletividade, a moral e os bons costumes, de um ataque maligno que só eles enxergavam com suas mentes equivocadas. Tendo criado o clima de medo e apreensão, os reacionários empreenderam uma pretensa cruzada em nome da moralidade e dos bons costumes, fazendo linchamentos morais e cometendo toda sorte de injustiças contra artistas e escritores, censurando peças de teatro, filmes, fotografias, livros e tudo que eles entendessem como sendo antiamericano.  Perseguição ainda mais devastadora sofreram os quadrinhos, já que contra eles os detratores não se limitavam ao absurdo de impor uma sufocante censura, queriam erradicá-los sumariamente da face da Terra, numa trama maligna idêntica aos planos maquiavélicos dos mais sórdidos supervilões das HQs.
Felizmente para os mais racionais, se essa mentalidade retrógrada influenciou uma parcela menos informada da população, também provocou forte indignação entre pessoas de reconhecido valor nas áreas culturais, bem como de respeitados intelectuais, gente com visão mais equilibrada e vanguardista que se insurgiram contra tanto reacionarismo e possibilitaram aos quadrinhos a possibilidade de existir como o notável meio de comunicação que é. Ruim para os reacionários de plantão, ótimo para os apaixonados pelos quadrinhos. 
(28/10/15)

04 fevereiro 2017

Os japoneses em seus mínimos detalhes sexuais / U sexu nu mundo 5

O Japão é um país de pequenas dimensões, sabido é. Devido a isto, e à consequente falta de espaço, tudo lá é pequeno em tamanho, menos os lutadores de Sumô. Os apartamentos são todos verdadeiras quitinetes, os rádios são pequenos, as telas dos aparelhos de TVs são minúsculas, os celulares, idem, os carrões de lá são do tamanho daquele do Mr. Bean. Até o biótipo japonês parece acompanhar esta tendência pois os pés das graciosas japonesas são bem pequenininhos. Menores que eles só mesmo as bimbinhas dos homens japoneses, fato que não os deixa nem um pinguinho complexados como ocorre com os brasileiros mal dotados. Se você assistir um filme de sexo explícito feito no Japão, vai logo perceber que os atores pornôs japoneses não tem o mínimo grilo com relação ao diminuto tamanho do seu, digamos, instrumento de trabalho. Entram em cena sem nenhum constrangimento, como se fossem uns autênticos pés-de-mesa. Antes de partir para cima da atriz pornô, o nipônico olha com orgulho para a própria varinha e grita: "Tora! Tora! Tora!". Pensar grande é isto aí. Já no plano familiar, sabe-se que quando vai comer sua venerável esposa, o marido japonês costuma usar dois pauzinhos. Um, é o dele mesmo. O outro é o pauzinho do Ricardón San que está sempre disposto a colaborar porque adora comer primeiro o sashimi e depois o tofu da mulher do seu amigo.
(04/12/10)