05 março 2018

Marijuana e La Cucaracha em dose dupla.

A tradicional e assaz alegre canção popular La cucaracha, que fala nos percalços existenciais de uma barata coxa, é antiquíssima, sendo cantada desde antes da Revolução Mexicana. Pela simplicidade e tom lúdico de sua letra e pela alegria contagiante da melodia, a tal barata tornou-se mundialmente tão famosa quanto sua colega kafkaniana e a singela música logrou virar patrimônio cultural da humanidade. Assim como a canção cubana Guantanamera, ela tem variadas letras que se encaixam numa mesma melodia e algumas versões remontam aos tempos de Pancho Villa e Zapata. Uma delas é essa que os bravos rapazes do Kumbia Kings Brown Jr. gravaram. Como o assunto é palpitante e de largo interesse popular, coloco de quebra a versão feita pelo legítimo sucessor de Miguel Aceves Mejia, el gran cantante Mario Baez, sendo que, com ligeiras variações, ambas as letras falam em marijuana, coisa seguramente mais antiga e popular que a lúdica e contagiante canção e que, segundo os aficionados, não dá cucaracha, digo, não dá barata, mas dá o maior barato. Se bem que se a gente ouve com a devida seriedade, percebemos nas entrelinhas da letra que essa versão, em verdade, traz em si nobres intenções e edificantes propósitos pois preconiza o uso medicinal da planta cannabis sativa, nos dando conta de que a cucaracha é deficiente, sim, mas só não pode caminhar apenasmente porque lhe falta a marijuana pra fumar, de onde se deduz que, fazendo uso da planta, a deficiente cucarachita pode sair por aí lépida e fagueira e até mandar ver numa dança mariachi. Santo remédio! De qualquer forma, manda a prudência que ouçam a música com moderação, pois  os mais afoitos podem se viciar.
(02/06/16)