08 fevereiro 2018

Congresso do Brasil cria CPI para apurar honestidades cometidas por alguns parlamentares

Sabemos sobejamente que em um regime democrático autêntico a vontade da maioria tem que prevalecer. Duela a quien duela!, como dizia aquele falecido político que insiste em assombrar o plenário do Senado. Aliás, no aludido Senado e também no Congresso, a esmagadora maioria é - alegadamente - composta de políticos rapaces, mendaces e ladravazes contumazes. Trocando em miúdos, o povo costuma tê-los na conta de uns salafrários indecorosos, safados, pilantras, estelionatários, gatunos, ladrões do nosso tão ansiado e necessário dinheirinho que a todo instante - agora mesmo - está se encaminhando indevidamente para os bolsos destes alegados insaciáveis picaretas. Entretanto, no Senado e no Congresso, como de resto em todo o país, sobrevive uma pequenina, uma reduzida parcela de renitentes que persistem em tratar as questões sociais e os interesses públicos de forma ética, justa, honesta. Indignados com tal proceder, os senhores deputados e senadores alegadamente ladrões - amparados pelo que lhes outorga os ditames democráticos dado ao seu número amplamente superior - articulam nos obscuros corredores do Congresso e do Senado uma inédita CPI cujo precípuo escopo é investigar, detetar, tornar público e, finalmente, punir exemplarmente quem quer que ouse participar desta minoria idônea que insiste em trafegar na contramão dos usos e costumes da gigantesca maioria formada pelos ínclitos corruptos de todos os calibres. Minoria, aliás, que insiste em agir explicitamente buscando de forma ignominiosa perpetrar os atos mais abjetamente honestos em prol da população brasileira como leis que propiciem a igualdade social, a equabilidade jurídica, que buscam exterminar consagrados preconceitos de tão largo trânsito popular. Leis que tentam de forma hedionda diminuir o tradicional e respeitável abismo social, impedir os fisiologismos, os nepotismos e os tão benéficos e salutares desvios de verbas públicas como os da Merenda Escolar e os da Saúde, criadas equivocadamente para amparar desprezíveis gentes de baixa extração. Leis que, impiedosamente, intentam extinguir esquemas montados com engenho e arte, bem como barrar salutares enriquecimentos com o erário e tantas coisas já tão sobejamente legitimadas pelo tempo de prática, que de forma cruel esta minoria exótica tenta erradicar de nossa política. "Pois antes os erradicaremos todos!", bradou num ímpeto patriótico um pralamentar, digo, parlamentar, sob intensa ovação dos colegas, afirmando de forma estóica que irá exibir no Congresso incontestáveis e arrasadores dossiês que desnudam os atos de honestidade explícita que uns poucos maus políticos brasileiros insistem de maneira solerte em perpetrar contra esta auriverde nação. Para esses maus brasileiros, pau na moleira à vontade e de com força, nobre deputado!
(15/03/14)