27 maio 2017

Tostão, Paulo Paiva, o Corinthians de Tite, bi-campeão do Mundo, e males do futebol brasileiro.


Ilustração de Paulo Paiva, o Profeta Pirado, feita no dia em que o Timão sagrou-se bi-campeão mundial interclubes no Japão.
Acreditem, além daquela arenga inócua e do velho lengalenga habituais daqueles verborrágicos sujeitos que são chamados de cronistas esportivos, há vida inteligente na cobertura do chamado esporte bretão. São poucos, são raros os que compõem esse grupo, mas existem para nos livrar da mediocridade geral que contempla essa nação de tantos amantes do dito esporte das multidões. Acredito eu que entre esses raros bem-pensantes, no melhor dos sentidos, está o Dr. Eduardo, mais conhecido por Tostão. Suas opiniões podem ser lidas no jornal Folha de São Paulo. Poucos são os cronistas mais contidos e discretos, os outros em grande quantidade infestam rádios e TVs e ali destilam uma multidão de lugares-comuns, frases de efeito, opiniões emitidas por conveniência, pretenso entendimento de táticas e do que acontece em campo, visão rasteira do universo pebolístico e uma sórdida conivência com a cartolagem nefasta. Alguns adotam a linha humorística, imaginam-se engraçadíssimos, creem-se criativos. Emitem suas opiniões com ares de professores, mestres, próceres, grandes luminares do assunto. Não são luminares coisa alguma, grande parte dele, seguramente a maioria, fala pisoteando a última flor do Lácio, assassinando friamente nosso léxico. Quanto ao conteúdo, eles quase nunca acertam o alvo, embora tenham suas opiniões em altíssima conta. Grande parte têm ligações nefárias com a cartolagem podre que tanto mal faz ao esporte, trabalham a serviço da escória. Acho que Tostão é um dos raros casos de cronistas que podem ser lidos e ouvidos com respeito e eu procuro ler tudo o que ele escreve por ser ele pessoa idônea, equilibrada, imparcial que conhece tudo do assunto, conhece o país que vivemos, fala o que de fato pensa, mostrando conhecer profundamente o que se passa nas quatro linhas do campo. Não busca afirmação pessoal nem polêmicas baratas. Para traduzir o que penso sobre a conquista do Campeonato Mundial Interclubes pelo Corinthians nesse ano de 2012 vou fazer minhas as palavras do inigualável Tostão. Se os que se apossaram dos destinos do nosso futebol tivessem sua visão e consciência e não pensassem tão obsessivamente em acumular fortunas às custas desse esporte, certamente não teríamos passado o vexame mundial que passamos na Copa do Mundo que viria em 2014, um lábeu do qual nunca nos livraremos. 
Eu e o grande cartunista Paulo Paiva, integramos o bando de loucos da chamada Fiel Torcida. A ilustração dessa postagem, relativa à conquista do Bi do meu amado Timão, é de autoria dele. Quando o Corinthians foi ao Japão enfrentar o Chelsea pela final do Mundial de Clubes, era época em que uns despirocados andavam anunciando que o Mundo iria se acabar. Não acabou. E a Fiel, com esse seu formidável bando de loucos, mostrou ao mundo e a quem sabe enxergar as coisas com clareza o que é amar verdadeiramente um time de futebol. Isso rolou em 2012, mas vale a pena see again. Principalmente, porque o autor do texto irretocável é o sábio Tostão:
"Aprendam com o Coringão  
Como escrevo aos domingos e quartas, não sou blogueiro, tuiteiro, não participo de rede social, não trabalho no rádio nem na televisão, gosto de palpitar, ainda não escrevi sobre o jogo do Corinthians e tenho a pretensão de achar que algum leitor queira saber minha opinião, continuo com o assunto, já comentado um milhão de vezes pela imprensa. Você já imaginou se, em uma das defesas de Cássio, a bola tivesse sido chutada um pouco para o lado? Seria gol, e o jogo poderia ter tido outra história. As opiniões seriam diferentes. Tite, certamente, seria criticado, o que seria injusto. Seu trabalho foi ótimo, independentemente do resultado. Diferentemente das vitórias do São Paulo sobre o Liverpool e do Internacional sobre o Barcelona, quando os times brasileiros foram dominados durante toda a partida, o Corinthians fez um jogo equilibrado com o Chelsea.Tite, mais uma vez, acertou ao colocar Jorge Henrique de um lado e Danilo de outro, deixando Emerson livre, como gosta e próximo de Guerrero. O time ficou mais forte, na defesa e no ataque. Parecia um clássico inglês. O Corinthians, no tradicional 4-4-2, com duas linhas de quatro e dois atacantes, enquanto o Chelsea atuava como as atuais equipes globalizadas, ditas modernas, com uma linha de três meias e um centroavante (4-2-3-1). O Corinthians não mostrou nenhuma novidade tática. Apenas executou muito bem o que foi planejado.
Ter um grande conhecimento teórico sobre futebol é essencial para ser um bom técnico. Mas o melhor treinador não é o que sabe mais a teoria. É o que percebe os detalhes subjetivos, nebulosos e faz com que os jogadores executem com eficiência o que foi planejado.O Chelsea mostrou por que foi eliminado na primeira fase da Copa dos Campeões, pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, está muito distante dos primeiros colocados no Campeonato Inglês e, recentemente, foi goleado pelo Atlético de Madri, por 4 a 1, pela Supercopa da Europa. Em resumo, há hoje três maneiras de se jogar futebol. Uma, única, a do Barcelona, que ocupa o campo adversário, fica com a bola e espera o momento certo para tentar a jogada decisiva. Outra, a do Corinthians e de equipes da Europa, de times compactos, que alternam a marcação por pressão com a mais recuada e que conseguem sair da defesa para o ataque com troca de passes. E a terceira, a da maioria dos times brasileiros e sul-americanos, com muitos chutões, jogadas aéreas, excesso de faltas e correria. É uma maneira arcaica de se jogar. Espero que outros clubes brasileiros aprendam com o Corinthians a ser organizados, dentro e fora de campo. Isso já se iniciou no Brasileirão deste ano. Alguns técnicos tiraram a máscara, aceitaram as críticas e, lentamente, começam a mudar. Tomara!"
(21/12/12)

Rosto de homem com luz lateral / Sketchbook 04

Vão Gôgo, sob a pele de Millôr Fernandes, dizia de si: "Enfim, um escritor sem estilo". Sempre achei esta filosofia vãogogoniana um negócio muito, muito supimpa e assaz piramidal. E nunca procurei - ao menos deliberadamente - alcançar um estilo que as pessoas identificassem ao primeiro olhar como sendo meu - como o faz um grande contingente de artistas perseguindo a chamada "marca própria". Ao invés desta meta, por vezes obsessiva para muitos, preferi sempre optar por modos de fazer diversos e de conseguir resultados distintos ao experimentar materiais diferentes. O trabalho resulta sempre em algo meio camaleônico e com gosto de novo, e eu gosto é assim mesmo, já que sou o primeiro a me surpreender com os resultados. Creio que isso renova, revigoriza, evita a mesmice e até uma certa monotonia para quem desenha e pinta boa parte do tempo. Aqui vai mais um estudo de uma série feita na base da watercolor. Às vezes me sinto tentado a parafrasear o Guru do Meyer e sair por aí dizendo: "Enfim, um rabiscador sem estilo."
(04/07/13)

25 maio 2017

Lançamento de 60 maravilhosos Sketch Books pela Editora Criativo.

Apaixonados fervorosos dos cartuns, fãs incondicionais das histórias em quadrinhos, amantes siderados por caricaturas, tiras, ilustrações, correi! É chegada a hora escrever e contar detalhes do lançamento dos novíssimos Sketch Book da Editora Criativo, a editora que é voltada aos ardorosos cultores da Nona Arte e das Artes em Geral.
O evento tão ansiosamente esperado contará com a participação dos mais renomados profissionais da área, só vai dar fera aguardando vocês, sortudos e sortudas, para um bate-papo e para os autógrafos que um dia valerão alguns milhares de dólares nas COMIC-CONS do planeta. Tudo acontecerá no próximo dia 11 de junho, domingo, das 13 às 18h no Jazz Restô e Burgers, ali no Largo Dona Ana Rosa, 33, na Vila Mariana, bem ao lado do metrô Ana Rosa.
Entre os Sketch Books lançados estará o de Paulo Setúbal, euzinho, vejam vocês quanta honra minha figurar ao lado de profissionais do mais alto gabarito, gente admirada pelo desenho e por sua criatividade. Não estarei nesse maravilhoso encontro em presença física, embora lá quisesse ardorosamente estar, conhecendo gente que admiro, revendo alguns amigos feras, batendo papo com profissionais e quadrimaníacos que comparecerão em massa.
Da Bahia, onde resido, desde já estou enviando meus melhores votos de um sucesso mais retumbante. Meus abraço ao pessoal da Editora Criativo e meus parabéns pelo belo trabalho que estão fazendo pelas Artes, especialmente naquela que escolhi para expressar o que penso do mundo.
*****Ilustro essa postagem com um desenho meu que consta no Sketch Book Paulo Setúbal. Abaixo, o texto de divulgação enviado pela Editora Criativo, deixando vocês por dentro de todos os detalhes.

Editora CRIATIVO acredita no desenho, no autor e no talento, e faz MEGA LANÇAMENTO
com mais de 60 OBRAS, simultaneamente
SketchCON I – Art Convention
Um encontro CRIATIVO de autores iniciantes e consagrados, das mais variadas vertentes do lápis e do traço: desenho, ilustração, quadrinhos, mangás, tiras, cartuns, caricaturas etc., com quem gosta de arte. 
A proposta é promover, em ambiente aconchegante, o convívio de mais de 60 autores/artistas presentes, com o público, numa verdadeira celebração do desenho e seus criadores, autografando e batendo um papo, num clima descontraído e fraterno. Uma verdadeira ode à arte e aos seus criadores, um evento único e histórico.
Estarão sendo lançadas mais de 60 obras, em duas diferentes coleções de TIRAGEM LIMITADA“Uma demonstração de amor ao TALENTO e ao IMPRESSO”, declara Carlos Robrigues, publisher da editora.
▪ Coleção SketchBook CUSTOM — são 40 novos álbuns da coleção (que já editou 53 títulos nos últimos 6 meses)que dedica cada volume a um artista atuante no âmbito das artes gráficas. Muito mais que um simples livro de esboços, cada obra retrata os sentimentos, reflexões e a alma do seu autor na sua essência mais pura e inconsequente. Conteúdo para ser admirado e que serve ao mesmo tempo de referência e fonte de inspiração — os volumes são apresentados uniformemente no mesmo padrão elevado de qualidade de produção e impressão, com 64 páginas, papel offset 150g, e capa com orelhas - Coleção SketchBook Custom R$34,90 (cada álbum) 
▪ Coleção PostArt Collection — são 25 obras, cada qual dedicada a um artista, contendo 12 cartões coloridos mais a capa, com artes selecionadas pelo autor, no formato 9 x 9,5 cm, acomodados numa caixinha de acrílico. Impressão em papel couchê de alta qualidade, com aplicação de verniz na frente. E mais um MIMO EXCLUSIVO, um desenho autografado, feito de próprio punho pelo autor — o registro pessoal do artista. - Post Art Collection R$24,90 (cada caixinha)
ADQUIRA PELO SITE!
PRÉ-VENDA com 
20% de DESCONTO (+ Frete)
3x s/juros nas compras acima de R$100,00
EXCLUSIVIDADE CRIATIVO Store
Oferta válida somente no site até (10/06)
(Envio a partir de 12/06/17)
SketchCON I – Art Convention 
PROMOÇÃO EXCLUSIVA NO EVENTO - COMPRE 4, LEVE 5
O público presente ao evento poderá desfrutar de uma vantagem única: adquirindo 4 unidades da mesma coleção(SketchBook CUSTOM ou PostArt Collection) poderá levar 5 obras, e ainda dividir o pagamento em 3 vezes pelo cartão.
MEGA PROMOÇÃO - 30% de DESCONTO no restante do catálogo da editora.
Oferta válida somente no dia do evento.
Serviço:
Entrada franca
Data: Domingo, 11 de Junho de 2017 - Das 13h às 18h
Local: Jazz Restô e Burgers
Largo Dona Ana Rosa, 33 - Vila Mariana [ao lado do Metrô Ana Rosa]
INFORMAÇÕES E DÚVIDAS DO EVENTO NA PÁGINA DA CRIATIVO NO FACEBOOK
https://tinyurl.com/SketchCON-I

24 maio 2017

Amor chocante / Setubardo fescenino

Você é uma figura tão chocante
Que na hora do amasso
Uso luvas de borracha
( Sua voltagem não é nada baixa.)
Você é uma mina tão brilhante
Que só olho pra você
Usando meus óculos Ray-Ban
(Minha luz, eu sou seu fã.)
Você é uma gata tão fogosa
Que pra namorar você
Uso roupa de amianto
(É fogo este seu encanto.)
Você é uma coisinha tão massa
Que se como muito você
Minha nutricionista se queixa
(Ai!, que prazer me dá comer seu sushi, minha gueixa.)
(01/05/11)

Madonna è mobile (do que uma mulher perdidamente apaixonada é capaz)

Em pleno inverno novaiorquino estava eu em meu badalado studio no Soho pintando um quilométrico portrait da Madonna que a própria diva pop me havia encomendado em pessoa. Ah, mas nem tudo são flowers na vida deste cultuado multimídia soteropolitano que vos mimoseia com estes textos que Oscar Wilde assinaria prenhe de orgulho. Para meu lamento, apesar de se dizer uma eterna ardorosa amante de Jesus, a blonde girl quando se reta vira uma nigrinha dada a barracos, bafafás, pitis e quiproquós. Só que euzinho também tenho lá meus calunduns e não sou de levar desaforos para minha cobertura do Upper East Side, em Manhattan. Assim, depois de um formidável lug-tail (arranca- rabo, para os não poliglotas) com a Material Girl, dei um sonoro so long para a ex - Sean Penn, peguei um jatinho e troquei a Big Apple por uma big moqueca de Papa-fumo - marisco de respeito - na Barraca Ó Paí ó, de Tia Marizete, lá em Cacha-Pregos, na baianíssima e assaz paradisíaca Ilha de Itaparica. Com direito a uma caipiroska de siriguela e uma loira geladíssima - e não estou me referindo à Madonna. Quanto à cantora, belatriz e quase atriz, conheço muito bem a fera. Não demora, passada a raiva ela me liga chorando copiosamente cheia dos "come back, come back". Mas desta vez garanto que não saio tão cedo do meu palacete no Vale das Muriçocas nem por todas as verdinhas da terra do Tio Sam. E qualquer integrante de fã-clube da pop star que apareça em meu recôndito valhacouto pedindo que eu ceda às súplicas de La Madonna, será devidamente rechaçado por meus mastins e pitbulls. E se não debandarem correm sério risco de terem as partes pudendas abocanhadas por um deles e aí vão passar o resto da vida cantando "Like a virgin" com a voz em falsete qual um Farinelli pop.
 (31/04/13)

Um pequenino detalhe sexual / Humor de graça

(200115)

Sexo de graça / Jantarzinho romântico com altas vibrações

(1/11/12)

22 maio 2017

Sting: eis que um deus visita o cacique Raoni, distribui carinho e fala de Sir Elton John

 
Quando acontecem noites dos mais radiantes plenilúnios, os nativos do Xingu se reunem em torno de aconchegante lume para ouvir dos lábios dos seus macróbios e sapientes pajés miríades de misteriosas lendas e histórias plenas de magia e encantamento. Uma das mais belas versa que, em ensolarada manhã, um deus da música vindo de muito, muito longe, visitou um dia a tribo. Trazia ele em seu alforje um instrumento musical dantes nunca visto. O nome dessa deidade era Sting. Esse ser superior, de alvinitente tez, trouxe consigo para o Cacique Raoni e toda sua tribo uma canastra repleta de espelhos, colares, contas e miçangas que ele, com semblante sereno e feliz, passou a ofertar aos radiantes silvícolas. Em dado momento, ao abaixar-se para pegar mais bugigangas, o popstar e nume supremo deixou escapar sonoro flato. Sonoro, porém inodoro, como sói ser o flato de um correto súdito britânico. O indefectível ruído não passou despercebido aos atentos ouvidos de um guerreiro espadaúdo, alto e assaz musculoso que aproximou-se e olhando fixamente com seus amendoados e coruscantes zoinhos, sussurrou a Sting: "Índio não quer colar. Índio quer apito!" Inabalável, como bom súdito da Rainha, o camaleônico roqueiro, incontestavelmente espada e matador, redarguiu: "Mister Indian, este negócio de dar apito é com outro inglês, Mr. Elton John, que está vindo logo aí atrás em outra expedição!"
(20/05/14)

20 maio 2017

Histórias em Quadrinhos no Brasil, seus inimigos ferrenhos e seus incansáveis defensores.

´1. Prof. Álvaro de Moya 2. Prof. Moacy Cirne 3. Profª.Sonia Bibe Luyten
Consideradas erroneamente uma forma de expressão nefasta que deveria ser extinta por desviar crianças e jovens dos bons caminhos e ainda por cima atrofiar os cérebros dos leitores transformando-os em marginais irrecuperáveis, as histórias em quadrinhos sofreram implacável perseguição nos EUA. Infelizmente para nós brasileiros, essa onda moralista norte-americana que se iniciou no período da Segunda Guerra, não se restringiu aos States, vindo também a inundar em cheio o Brasil já que em nosso país o reacionarismo sempre se fez presente, não sendo um privilégio dos tempos atuais. Por aqui uma absurda campanha difamatória contra os quadrinhos aconteceu de forma oficial nos anos quarentas, notadamente pelo político Carlos Lacerda. Nessa época foi distribuída entre a população uma famosa cartilha  afirmando que os quadrinhos deveriam ser execrados porque eram inimigos mortais da literatura tradicional,  além de um tenebroso caminho que conduziria  jovens incautos ao banditismo, uma apavorante escola do crime. Tamanhos disparates fizeram com que respeitados escritores e intelectuais mais equilibrados se pronunciassem contra o absurdo equívoco existente em tal campanha. Professores universitários dentro de suas atividades curriculares foram formando uma resistência contra a difamação orquestrada esclarecendo que os quadrinhos eram, na verdade, uma forma de expressão forte, direta, bela, vigorosa, inovadora. Que essa forma de expressão deveria ser acolhida sem reservas, estudada a fundo, compreendida e divulgada no âmbito acadêmico, como sendo um exemplo positivo da comunicação de massa. Que os quadrinhos não deveriam ser vistos como um inimigo a ser combatido e sim como um poderoso aliado dos docentes na sua árdua tarefa de ensinar, facilitando nas aulas ministradas a compreensão e a assimilação dos ensinamentos. Esses bravos professores, para desconstruir a rede de mentiras sobre os quadrinhos e mostrar o valor que eles continham, usaram de oratória em salas de aulas, fizeram palestras, promoveram debates, escreveram livros e artigos em revistas de prestígio, organizaram mostras e exposições, inclusive a I Exposição Internacional de Quadrinhos, em 1950. Nas universidades eram fortes as resistências, veladas ou explícitas, por parte de muitos que insistiam em não querer enxergar os quadrinhos como uma nova e formidável forma de expressão. Entretanto, tais resistências foram sendo superadas aos poucos até que a força dos quadrinhos se impôs e hoje, além do seu enorme sucesso popular, garantiu oficialmente lugar nas salas das mais respeitadas faculdades e um justo e merecido espaço no pódio científico. A saga das histórias em quadrinhos e sua luta épica para se firmar entre nós como um salutar meio de expressão está em livros diversos escrito pelos bravos e pioneiros professores que nunca foram munidos de visão de raios-x qual a de certo superherói, e ainda assim enxergaram muito além do que outros enxergaram. Um dos bons livros sobre o assunto chama-se Os pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil, organizado por Waldomiro Vergueiro, Paulo Ramos e Nobu Chinen, uma edição da Editora Criativo, do ano 2013. Nesse livro estão os depoimentos de professores que foram pioneiros dos estudos das HQs,  pela mudança de conceito e mesmo pela redenção do bom nome dos quadrinhos, entre eles: Álvaro de Moya, Antonio Luiz Cagnin, José Marques de Melo, Moacy Cirne, Sonia Bibe Luyten e Waldomiro Vergueiro. Pow!, bang!, sniff! e kisses, kisses!, kisses! procês, amáveis e idolatráveis leitores. 
(28/10/2015)

Vitor Souza, pastor e escritor, e seu livro que mostra as aproximações entre Psicanálise e Cinema.

Entre as coisas que muito amo nesse mundo, mundo, vasto mundo, estão as Artes. Entre essas Artes, mágico, retumbante e altaneiro, está o Cinema, bem na primeira fila das minhas preferências. Desde Celia Cruz, quando eu era un niño de Jesus, que a incrível magia do cinema me pegou e ver um bom filme sempre me fez rir, chorar, vibrar, viajar, me apaixonar, indagar, refletir. Filmes que assistimos podem ser tão apaixonantes que muitos deles findam por se abancarem em nossas memórias de forma perene. Da criação inicial até o produto finalizado, tornar um filme uma obra de Arte é como tornar real um sonho. Isso só é possível de se realizar graças à qualidade dos competentes e criativos profissionais selecionados e reunidos em bom número em torno de uma paixão comum, algo que vai além de uma mera profissão. Essa paixão vira combustível que se alia à técnica, ao preparo profissional adequado, à experiência nesse campo artístico e ainda a outros elementos, estando entre esses a Psicanálise, utilizada na criação, do argumento aos personagens. Através do livro escrito por Vitor Souza, intitulado “Sonhos que vimos juntos – A aproximação entre Psicanálise e Cinema”, me foi possível aprender mais sobre a influência das consagradas teorias psicanalíticas desenvolvidas por ninguém menos que Sigmund Freud, que em 1895 publicou seu hoje cultuado livro “A interpretação dos sonhos”. Tais interpretações relatadas no livro do dito Pai da Psicanálise foram de enorme importância para a compreensão da mente humana. No mesmo ano de 1895 mais dois fatos significativos marcaram positivamente a História, sendo um deles carregado de total ineditismo, a primeira exibição pública de um filme, “A chegada do trem na Estação Ciotat”, façanha possível graças ao Cinematógrafo, pioneira invenção dos irmãos Auguste e Louis Lumière. Apesar da sua maravilhosíssima invenção, a dupla de irmãos franceses não era ungida por maiores pendores artísticos, nem pela criatividade e a fantasia, sendo que ambos queriam apenas usar o Cinematógrafo para fazer prosaicos registros formais de cenas do cotidiano. Aí entra o segundo e altamente importante fato do memorável ano de 1895: na pequena  plateia que teve o privilégio de assistir ao filme projetado pelos Lumière, estava uma figura a quem todos os cinéfilos e cinemaníacos em geral devem incansavelmente reverenciar de forma fervorosa, o ilusionista Georges Méliès. Diferentemente dos pioneiros irmãos franceses, Méliès felizmente era dotado de uma visão além do alcance e percebeu de cara as infinitas possibilidades que existiriam ao se mesclar as imagens em movimento com o mundo dos sonhos e da fantasia unidos a altas doses de criatividade. Georges Méliès, inventivo e até mesmo um visionário, foi o grande diferencial que possibilitou o desenvolvimento dessa rica forma de expressão que é o Cinema como conhecemos nesse mundo hodierno.Tal é sua força comunicativa, tão imenso sempre foi seu poder de penetração entre as pessoas que logo transformou-se em uma formidável indústria de entretenimento. Vale repetir a importância da Psicanálise no Cinema, enfoque do bem escrito livro de Vitor Souza, que evidencia como personagens e argumentos são arquitetados com mais propriedade por quem sabe dispor dos elementos contidos nas teorias psicanalíticas. Curioso lembrar que nem Freud nem os irmãos Lumière cogitaram tal funcionalidade para suas criações, o que mostra a grande bobagem que é essa fábula discriminadora em que a laboriosa formiga é mostrada como sendo superior à cantadora formiguinha multimídia. Também é formidável ver que após servir de apoio ao Cinema, a própria Psicanálise aprendeu a se valer dele como importante auxiliar no tratamento terapêutico. O livro de Vitor Souza nos fala de todas essas peculiaridades que unem Cinema e Psicanálise e cita, entre outras, películas como “Um corpo que cai” e “Psicose”, de Alfred Hitchcock, e “Um estranho no ninho”, de Milos Forman, que ajudaram a difundir de forma significativa conceitos freudianos. Sobre a criação artística, Freud dizia que ela representa a expressão dos primeiros prazeres da infância que os adultos acabam por perder de vista ou mesmo inibir, mas que o artista permanece conectado a essa essência, por isso a desenvolve e a compartilha através de sua obra. Entre essa obras, é fácil perceber o papel mais que importante da hoje chamada Sétima Arte, também nascida naquele mesmo benfazejo ano de 1895 em que veio ao mundo o famoso livro de Freud, o que praticamente torna Cinema e Psicanálise dois irmãos gêmeos cheios de formidáveis identificações.
(23/08/16)

Facebook e vingança / Humor de Graça

((26/08/16)

Saudade de Clarice Lispector

"Eu vou sentir tanta saudade de mim quando morrer." Me digam como é possível uma criatura nascer na distante Ucrânia, em rara e delicada metamorforse tornar-se tão brasileira e em nossa/dela língua escrever coisas com tamanho profundidade, delicadeza e beleza. Fiquei fã da moça desde então e com lápis, nanquim, ecoline e um molho de photoshop fiz este retrato dela em meio à frase que me impressionou e que me fez amar a bela e misteriosa escritora brasileira.
(Publicado originalmente em 06/04/13)

França Teixeira, Fan Teixeira, Dadá de Corisco, Cangaço

Nos anos 70 me encantou uma entrevista feita com Dadá, viúva do afamado cangaceiro Corisco, tendo sido ela própria uma participante do cangaço integrando o bando do legendário Capitão Virgulino Ferreira, o Lampião. Quem entrevistava Dadá era França Teixeira, célebre radialista, bom de tv, grande comunicador, emérito criador de um estilo carregado de irreverência jamais igualado em rádio. França é o pai da apresentadora Fan Teixeira, que herdou o talento paterno e apresenta com brilhantismo o ótimo programa Balaio de Gato, da TVE. Ouvindo a entrevista, fiquei inebriado pela rica e peculiar oratória da sertaneja revelando passagens que ela vivera ao lado do bando liderado por Lampião. A certa altura da sua fala, Dadá relata que a arma que Maria Bonita, a célebre companheira de Lampião, usava na cintura era praticamente um adereço, não a usando a bela Maria para alvejar as volantes que sem tréguas, sertão afora perseguiam os cangaceiros atirando para matar. Dadá vai além e afirma que ela própria, sim, é que empunhava quando necessário se fazia, sua arma contra os macacos, que é como os cangaceiros chamavam os soldados da volante. Deixando transparecer um vívido interesse, o rosto de França se torna ainda mais rubicundo quando lhe pergunta: "Então você, Dadá, chegava a atirar nos soldados da volante?" Ela, sem pestanejar: "Sim, quando preciso, atirei." França, interessadíssimo, insiste: " Desses nos quais você atirou, algum morreu?" E Dadá, com um sorriso mais enigmático que o de Monalisa: "Que eu visse, não!"
(Publicado originalmente em 19 de julho de 2013)

17 maio 2017

As espanholas e seu furor sexual / U sexu nu mundo 2


No imaginário popular, todas as mulheres da Espanha trazem em suas veias o mais puro sangre caliente e por isso mesmo são consideradas verdadeiros furacões sexuais e só piensam naquilo. Puro exagero, as espanholas também gostam muito de Artes e dos artistas maiores. Um desses, é o graaaande Picasso que sempre andou de boca em boca entre as mulheres. Se você acha que a seleção de futebol da pátria de Cervantes faz jus ao epíteto de "Fúria Espanhola", não imagina que este título pertence mesmo é às mujeres da Espanha que com seu furor uterino jamais concediam um segundo de descanso ao afamado pintor catalão, enquanto vivo ele foi. Agarravam o Picasso em qualquer lugar, de todo jeito e de com força e não queriam mais largar. E o Picasso tinha que ser muito, muito duro para conseguir dar suas famosas e milionárias pinceladas que qualquer uma disputaria - e bota disputaria nisto - já que levavam à loucura as guapas espanholas que noite e dia assediavam o bravo Picasso que, aliás, ficava logo todo excitado quando via um belo Cubismo à sua frente. Segundo outro famoso espanhol, Pedro Almodóvar, diante de Picasso ficavam as Mujeres al borde de un ataque de nervios. Muitas delas, com a Carne Trémula, em um estonteante Laberinto de Pasiones. Descontroladas, mostrando La Mala Educación e escancarando sua Julieta, para ele gritavam Entre Tinieblas: "Mira acá La flor de mi secreto!" e, lúbricas, insinuantes e concupiscentes imploravam: "Hable con ella!".  Usando Tacones Lejanos, fêmeas sadomasoquistas histericamente lhe imploravam: "Átame!!", sem demonstrar o mínimo respeito à La Ley del Deseo. Desse modo, como era de se esperar, o pintante catalão foi definhando e acabou morrendo na couve-flor da idade. Muita gente hoje em dia critica Pablo Picasso por ele ter sido um incondicional adepto das corridas de toros, prática que vem sendo banida da vida dos espanhóis nestes atuais tempos politicamente corretos. Mas em verdade as plazas de toros eram para ele apenas um porto seguro, um providencial refúgio salvador para onde ele corria na tentativa de encontrar um necessário repouso, já que ali era o único lugar em que as mulheres deixavam o Picasso em paz, pois na arena só tinham olhos para admirar a famosa espada do graaaande Dominguin. Apesar da proibição atual, a verdade é que os bravos espanhóis estão muito acostumados com touros e touradas e por isto mesmo acham este lance de chifres uma coisa muito normal. E é aí, señoras y señores, que entra em cena El Ricardon que, sem vacilar, vai adentrando a arena e otras cositas más, passando a mão nas castanholas de la chica que se contorce toda. E evocando o sempre pranteado e eternamente graaaande Picasso, ela entonces suspira fundo, revira os olhinhos, e entusiasmada grita "Olé!!"
(12/01/10)

O sexo e os portugueses ou Fornicar é preciso / U sexu nu mundo 1

Em Portugal o rigoroso inverno muitas vezes impede que a mulher portuguesa faça o devido asseio pessoal, inclusive o íntimo. Nestes casos de sua lusa genitália desprende-se um forte e inevitável odor de bacalhau o que, em verdade, não é privilégio das lusitanas, podendo isto acontecer com qualquer mulher de qualquer parte do mundo que passar um longo período sem lavar o objeto de desejo dos machos da espécie, desde o Éden. O grande diferencial está em que, se para nós, brasileiros, o tal odor se configura em fator brochante e nada convidativo, para os bravos rapazes lusitanos isto até instiga o apetite sexual pois sabido é o quanto os portugueses adoram comer um bom bacalhau, não dispensam esse acepipe por nada e caem de boca vorazmente quando veem um à sua frente, ora pois, pois. Verdade ou não, é voz corrente que o maior problema lá nas terras de Camões e de Pessoa é que grande parte das mulheres ostentam buços tão compridos que são verdadeiros bigodes, e os bigodes das Marias costumam ser maiores que os bigodes dos Manuéis e Joaquins. Como é muito difícil habituar-se a tal coisa, os gajos portugueses vivem tomando enormes sustos todas as manhãs, ao acordar e olhar para sua companheira, ó pá! Nos livros, compêndios e almanaques deste planeta não é creditada aos portugueses nenhuma das grandes invenções em prol da Humanidade tais como o automóvel, o telefone, a televisão, o laser e as calcinhas comestíveis. Tremenda injustiça e falta de reconhecimento para com os gajos lusos já que eles são os responsáveis por uma das mais espetaculares invenções para a raça humana: a mulata brasileira, Ôba, Ôba! Graças à libido dos homens portugueses,  incontrolável diante das abundâncias carnais das negras amas e mucamas desde o tempo da colonização, é que surgiu esta nova raça superior, a das mulatas sestrosas. Se por um lado a mulata é gostosa, por outro é mais gostosa ainda. Por séculos os lusitanos em suas naus surrupiaram para a corte d'Além Mar quase todo o ouro do Brasil. Para nossa sorte, como as naus saíam das costas brasileiras sobrecarregadas com precioso metal, os portugas foram obrigados tristemente  a abrir mão das preciosas mulatas,  deixando-as todas aqui sem imaginar que desta forma nós, brazucas, é que ficaríamos no lucro. A atual crise econômica em Portugal é prova incontestável disto vez que todo ouro que nos tomaram já se acabou por lá, foi pras cucuias.  Em compensação aqui no Brasil temos uma fartura em mulatas maravilhosas que com suas exuberâncias, reentrâncias e abundâncias valem mais que todo ouro do mundo!
(121010)

13 maio 2017

Biratan Porto, rei da caricatura e soberano do cartum, pintando o Set


Diversos colegas caricaturistas espalhados pelo Brasil e que se dizem meus amigos fazem caricaturas minhas mostrando um total desrespeito à minha ilustre e imaculada pessoa. É dor de cotovelo desta gentalha que inveja meu nobre sangue indigo blue. Pretendo publicar aqui as caricaturas que estes amigos fizeram ou ainda vão fazer de mim só para mostrar minha grandeza d'alma. Inauguro este Pintando o Set com esta formidável caricatura do piramidal Biratan, paraense lá de Belém, cidade onde nasceu Jesus, segundo certo filosófico jogador de futebol. Bira faz caricaturas geniais com letras do nome das vítimas. Ele pensa que está seguro por estar milhares de quilômetros longe de mim. Deixa estar, jacaré. Dia desses pego um avião e vou aí lhe encher a fuça. De elogios, é claro, que você merece todos e mais uma pletora deles.
Biratan Porto pode ser encontrável no Facebook, onde desfila todo seu charme de nobre mameluco. Ele também mantém um blog que nosotros podemos acessar para ter acessos de riso. Basta clicar no link:
http://biratancartoon.blogspot.com/
(13/05/13)

José Luiz Torrente: um fascista contra homossexuais e a serviço dos cidadãos de bem da Espanha e do Mundo.

Quem quiser saber quem é e do que é capaz José Luiz Torrente Galván, ex-agente policial, um fascista, franquista, xenófobico, misógino, homofóbico e racista, entre outros lamentáveis pendores, basta ver esse vídeo assaz significativo postado abaixo. Nele, Torrente dá mostra de como ser uma pessoa inconveniente, agindo com total falta de princípios morais, bom-senso, ética e etiqueta. Como isso fosse pouco, Torrente, esse fantástico anti-herói - magistralmente interpretado no cinema pelo ator espanhol Santiago Segura - dá uma demonstração definitiva de como não se deve portar um agente de segurança a bordo de um avião cheio de passageiros e também de tudo que não deve ser feito quando populares estão em situação de gravíssimo perigo. Perto do poder de destruição de Torrente, Átila, o Huno, era um escoteiro inofensivo, tímido e mui bem comportadinho. Quem gosta de boas comédias e ainda não conhece o personagem e muito menos já assistiu um dos seus cinco filmes dirigidas por Segura, que trate de procurar em locadoras ou na internet. Humor inteligente, riso seguro, diversão garantida.

(04/03/17)

Camelôs da fé e suas igrejas que lhes dão fortunas e poder

Usando o nome de Deus como irresistível publicidade e o de Jesus Cristo como infalível garoto-propaganda, valendo-se de suas inegáveis capacidades de comunicação de massa e de persuasão, de seus poderes de oratória, vendem a fé como camelôs vendem produtos suspeitos numa esquina. Usando o forte poder da mídia televisiva e radiofônica, determinados sacripantas, ditos líderes espirituais, terrivelmente canalhas e anti-cristãos, cheios de uma enorme lábia e de um arsenal de más intenções, valendo-se de discursos inflamados, cheio de conceitos anacrônicos, equivocados, distorcidos, carregados de preconceitos que mal dissimulam um inconsequente e perigoso ódio aos que não caem nas insidiosas armadilhas que suas línguas bifurcadas armam para os incautos, conseguem encher as burras com fábulas de dinheiro que vêm, em sua maior parte, das classes mais pobres, carentes em todos os sentidos, da classe média e até de atletas, dos remediados aos milionários. Todos entregam de mão beijada a grana que dá a boa parte desses tais "líderes espirituais" o privilégio de morar em suntuosos palácios que em nada lembram os lares da maioria dos seus seguidores e bem diferente do que pregava o santo rabi. Eis o crime perfeito. Tão perfeito que nem considerado crime o é. E ai de quem tentar dizer o contrário aos fanatizados cordeiros que lhes entregam o que têm e o que não têm. Hoje, como bem se vê na internet, os próprios canastrões midiáticos oferecem farto material que evidenciam suas mutretas espantosas. Usando em tudo e por tudo o nome de Deus, sem cerimônias nem medo de punição. Há os que induzem os incautos a darem dinheiro que porventura ainda tenham, até mesmo estando desempregados. Outros choram copiosas lágrimas de crocodilo como que implorando doações aos ingênuos que se comovem. E por aí vai. É tudo explicitamente explícito pois eles se sentem intocáveis, inatingíveis. Há os que, sorrindo cinicamente, desafiam a quem queira desmascará-los e fazem ameaças acintosas dizendo ter um exército de advogados a sua disposição para processar os que se atreverem. Há os muitos que estão ligados com o mais execrável lixo político e há suspeita de que lavem dinheiro vindo de falcatruas dessas máfias políticas. E quando algum desses ditos líderes é apanhado em alguma de suas armações, há aqueles que dizem que o fiel não deve cumprir o seu papel de cidadão decente denunciando o inegável crime e o ladrão, que deve apenas mudar de igreja e não denunciar nada, tornando-se cúmplice do salafrário. Vivemos um mundo de disputas brutais em que os métodos utilizados por muitos são abomináveis. Pessoas buscam nas igrejas a esperança, a fé, razão para viver. Conheço líderes espirituais autênticos, seríssimos, gente que honra e dignifica o que fazem. Sou amigo pessoal de um pastor evangélico, pessoa consciente, que ajuda enormemente sua comunidade. Muitas pessoas veem nas igrejas uma uma boia de salvação e se agarram fortemente a ela. É aí que entram em cena os aproveitadores usando o santificado nome de Deus para conseguir o que querem para si. Os muito crédulos, carentes e desinformados acreditam e depositam nesse bando, nessa súcia todas as suas esperanças e, é claro, seu escasso dinheirinho ganho tão duramente. Agarram-se a eles e a seus ditames buscando experimentar a sensação de que não estão sós nesses tempos de grandes e nefastos individualismos, torpeza e sordidez sem limites. Entre eles, iludidos, sentem-se protegidos de todos as tormentas da vida. Querendo evitar o mal, seguem justamente para ele, sem desconfiar que estão voluntariamente se imolando no altar do mal que pretendiam evitar. Que Deus ilumine e dê proteção essa infausta gente crédula - e que nos livre a todos nós - dessa corja.
(07/12/2015)

10 maio 2017

El gran Vázquez: um fantástico cartunista da Espanha e o filme sobre sua vida e criações.

 El gran Vázquez é nome de um filme de 2010 do cineasta espanhol Óscar Aibar. A película se baseia na vida - por sinal, bastantíssimo atribulada - de um dibujante de historietas, ou mais exatamente um historietista cómico español, ou seja, um retumbante e altaneiro desenhista de histórias em quadrinhos da Espanha, cujo nome era Manoel Vázquez Gallego. Segundo consta, Vázquez nasceu em Madrid em 24 de janeiro de 1930, sendo filho de pai espanhol e de mãe brasileira, vá vendo você como são as coisas nesse planeta azulzinho que habitamos. Essas atribulações da sua vida eram motivadas em parte por suas muitas dificuldades econômicas que faziam com que o bravo dibujante contraísse dívidas e mais dívidas e constantemente tivesse um monte de cobradores em seus calcanhares e ele tinha que ser mais escorregadio que sabão para escapar dos insistentes sujeitos. Vázquez não era viciado em drogas ou em qualquer tipo de jogo de azar, suas dívidas vinham do fato dele não se conformar com as limitações impostas pelos seus parcos ganhos como desenhista e, malgrado isso, insistir em levar uma vida com nível que ia além do que seus somíticos proventos lhe permitiam. Diretores da Editorial Bruguera tratavam de complicar ainda mais as coisas tirando-lhe todo e qualquer direito sobre os personagens que ele criava, agindo impiedosamente de uma forma injusta e antiética: ou ele assinava a cessão dos direitos ou não recebia nenhum vintém pelos desenhos feitos. Seus personagens, a exemplo de La famillia Cebolleta, Las hermanas Gilda e Anacleto, agente secreto, eram adorados pelos leitores, mas com os direitos autorais nas mãos dos patrões, pouco lhe rendiam. Nada recebia por eles além do valor pouco expressivo pago pelas páginas com as histórias que criava e desenhava. Tal situação abusiva era imposta também a seus colegas de prancheta na Bruguera, entre eles desenhistas que se tornaram famosos como Peñarroya e o hoje consagrado Francisco Ibañez, criador de Mortadelo y Filemon, no Brasil batizados de Mortadelo e Salaminho. Vázquez tinha um ótimo traço, era um artista talentoso que, de forma criativa, muitas vezes se inspirava em suas vivências cotidianas e colocava a si próprio como personagem de suas historietas, revivendo suas agruras e suas alegrias, como uma autêntica catarse em nanquim. Vázquez criava também toda sorte de subterfúgios para driblar a política injusta imposta por seus editores, não as aceitava passivamente como os demais. Enquanto isso, tinha sempre que usar de muita sagacidade para fugir do indesejável séquito de cobradores que o perseguiam a qualquer hora do dia. Seus problemas com o dinheiro e com os editores terminaram por levá-lo à cadeia sob a acusação feita pela Bruguera dele receber indevidamente valores monetários valendo-se de fraude, com direito a falsificações de assinatura pelo dibujante. De certa forma, isso seria um troco à exploração e vilania dos seus patrões, o que nos faz pensar em Vázquez como uma espécie de Robin Hood que tirava dos ricos para dar ao pobre, no caso ele mesmo. Para complicar um pouquinho mais as coisas, a vida amorosa de Vázquez também não era exatamente um mar de rosas. Gostava de mulheres, tendo vivido com sete delas em regime, digamos, de união estável. Através desses relacionamentos colocou no mundo onze filhos, onze boquitas para alimentar com leche, paellas e tortillas. Acusado de bigamia, Vázquez voltou a passar um período na cadeia. Óscar Aibar, antes de se dedicar integralmente ao cinema, trabalhou como guionista de historietas, ou seja, argumentista de quadrinhos, na revista Makoki. Nessa condição conheceu e conviveu com Manolo Vázquez e dele ouviu detalhes de sua vida pessoal que muitíssimo impressionaram o cineasta, surgindo daí a decisão de um dia levar ao écran um filme sobre o historietista famoso e seu modo diferenciado de viver nesse mundo. Quando chegou a ocasião de realizar a película, para interpretar Vázquez, Aibar chamou o ator Santiago Segura, fantástico como sempre. O roteiro é muito bem escrito, todo o elenco está bem, o diretor é habilidoso aos mostrar, de forma contida, as sequências com tom humorístico ou dramático. Não sei se as locadoras de vídeos têm em seus acervos El gran Vázquez. Na verdade, nem sei mesmo se ainda existem locadoras. Em todo caso, sempre é possível achar-se uma cópia do filme na internet. Para quem, a exemplo de mim, ama historietas, dibujos, dibujantes e cinema vale muitíssimo a pena.
(12/01/17)

06 maio 2017

A Poesia e a Boca de Béu Machado.

Mal o rocio se esvanecia e lá estava eu, senhor do mar qual um Poseidon, mergulhando nas águas da Praia da Armação, na Boca do Rio, nesta soteropolitana urbe. Tempos antes, Caetano Veloso soltara sua voz tamanha alardeando que a Boca do Rio era beleza pura. Um aval régio desses não é inteligente desprezar-se. Vai daí peguei meus pincéis e tintas e fui habitar o - na época - paradisíaco bairro onde já haviam morado até Os Mutantes, em fase pós-Rita Lee. Entre os tradicionais moradores estava o vate Béu Machado, que eu já conhecia das redações de gazetas baianas, vez que ele sustentava sua prole e família ganhando o pábulo nosso de cada dia nessas redações, escrevendo, com competência e estilo próprio, coluna falando sobre as artes made in Bahia, divulgando os artistas locais, notadamente os da música, muitos dos quais ainda emergiam na profissão, antes de tornarem-se as estrelas que hoje são. Fora das redações, Béu curtia mesmo era prosear bebendo umas e outras em algum cacete-armado do seu bairro, cotovelo no balcão, fumando um cigarro atrás do outro com seu jeito pacato, sua mansidão bovina. Observando-o assim ninguém adivinharia que ali estava um poeta de surpreendente criatividade e um frasista mais que inspirado, ora crítico, ora cínico, às vezes debochado, muita vez lírico, e o letrista, parceiro de Moraes Moreira em canções em que diz coisas como "Salvador é um Porto Seguro". Um dia, quando a bebida e o cigarro lhe golpearam mais duramente a saúde, atendendo à amada e aos filhos deixou de beber para melhor se cuidar. De Brasília, o jornalista Fernando Vita, também apreciador de liquors variados, envia texto a ser publicado, em que lamenta o recesso alcoólico de tão querido amigo. Tempos depois não resistindo mais à prolongada abstinência, Béu rendeu-se e voltou a beber contrariando médicos, esposa e filhos, todos receosos de nefastas consequências dessa sua decisão, até de uma possível morte prematura. Em nota na sua coluna Swing, enfim responde a Vita, colocando-o a par de sua atitude e justificando sua humana fraqueza: "Vita, querido, voltei ao etílico. Aquela força-de-vontade não podia continuar me dominando!" Grande, grande, grande Béu Machado.
(24/11/12)